EXPOSIÇÃO “HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICAS” (MASP/INSTITUTO TOMIE OHTAKE)

O Blog da BVPS convida para a exposição conjunta “Histórias Afro-Atlânticas” em cartaz até o dia 21 de outubro de 2018 no MASP e Instituto Tomie Ohtakie. Abaixo um texto produzido pelos curadores da exposição Adriano Pedrosa, Ayrson Heráclito, Hélio Menezes, Lilia Moritz Schwarcz e Tomás Toledo.

HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICAS

Histórias afro-atlânticas apresenta uma seleção de 450 trabalhos de 214 artistas, do século 16 ao 21, em torno dos “fluxos e refluxos” entre a África, as Américas, o Caribe, e também a Europa, para usar a famosa expressão do etnólogo, fotógrafo e babalaô franco-baiano Pierre Verger.

O Brasil é um território central nas histórias afro-atlânticas, pois recebeu aproximadamente 46% dos cerca de 12 milhões de africanos e africanas que desembarcaram compulsoriamente neste lado do Atlântico, ao longo de mais de 300 anos. Também foi o último país a abolir a escravidão mercantil com a Lei Áurea de 1888, que perversamente não previu um projeto de integração social, perpetuando até hoje desigualdades econômicas, políticas e raciais. Por outro lado, o protagonismo brasileiro nessas histórias fez com que aqui se desenvolvesse uma rica e profunda presença das culturas africanas.

Histórias afro-atlânticas parte do desejo e da necessidade de traçar paralelos, fricções e diálogos entre a cultura visual dos territórios afro-atlânticos—suas vivências, criações, cultos e filosofias— nas Américas e no Caribe. O chamado Atlântico Negro, na expressão de Paul Gilroy, é uma geografia sem fronteiras precisas, um campo fluído, em que experiências africanas penetram, ocupam e invadem outras nações, territórios e culturas.

É importante levar em conta a noção plural e polifônica de “histórias”; esse termo que em português (diferentemente do inglês) abrange tanto a ficção como a não ficção, as narrativas pessoais, políticas, econômicas, culturais e mitológicas. Nossas histórias possuem uma qualidade processual, aberta e especulativa, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das narrativas tradicionais. Nesse sentido, a exposição não se propõe a esgotar um assunto tão extenso e complexo, mas antes a incitar novos debates e questionamentos, para que as histórias afro-atlânticas sejam reconsideradas, revistas e reescritas.

A exposição não segue um ordenamento cronológico ou geográfico, sendo dividida em oito núcleos que tencionam diferentes temporalidades, territórios e suportes, nas duas instituições que coorganizam o projeto. No Instituto Tomie Ohtake: EMANCIPAÇÕES e RESISTÊNCIAS E ATIVISMOS. No MASP: MAPAS E MARGENS, COTIDIANOS, RITOS E RITMOS e RETRATOS (no primeiro andar), MODERNISMOS AFRO-ATLÂNTICOS (no primeiro subsolo) e ROTAS E TRANSES: ÁFRICAS, JAMAICA E BAHIA (no segundo subsolo).

No MASP, a mostra contextualiza-se dentro de um ano de exposições, palestras, cursos, oficinas, publicações e programações de filmes em torno das histórias afro-atlânticas. O programa iniciou-se com as individuais de Maria Auxiliadora, Aleijadinho e Emanoel Araujo e se completará com as de Melvin Edwards, Sonia Gomes, Rubem Valentim, Lucia Laguna e Pedro Figari. Parte integrante desse projeto é a Antologia que reúne em livro textos de 44 autores, resultado de dois seminários realizados em 2016 e 2017. Desse modo, o museu se transforma, ele mesmo, em uma plataforma múltipla e diversa, plural e polifônica.

Abaixo um vídeo sobre a exposição:

Um abraço a todas e todos,
Equipe BVPS

 

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