As ciências sociais e humanas no mundo apocalíptico das (ultra)direitas, por Gustavo Lins Ribeiro

Publicamos hoje, simultaneamente em português e espanhol, ensaio de Gustavo Lins Ribeiro, professor da Universidad Autónoma Metropolitana do México, sobre uma ameaça que se constrói de maneira silenciosa e tem as ciências sociais e humanas como alvo prioritário.

Ribeiro traça um marcante paralelo entre a perseguição à intelectualidade europeia no período do nazi-fascismo e o que chama de “tecno-oligarquia” contemporânea – representada pela aliança entre Silicon Valley e extrema direita –, em que esta opera por meios mais discretos: cortes de financiamento, campanhas de desprestígio e manipulação algorítmica. Apoiando-se no pesquisador ucraniano Anton Shejovtsov, o autor identifica no projeto desta tecno extrema direita um esforço sistemático de tornar obsoletas as artes, as humanidades e a consciência histórica, que são obstáculos indesejáveis para quem ambiciona um mundo autoritário. Se Shejovtsov está certo ao afirmar que o humanismo é “a base mais evidente e coerente de toda resistência” a esse projeto, então defender as ciências sociais se torna uma necessidade política. Afinal, a quem interessa o fim da intelligentsia crítica?

Boa leitura!

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A Paixão segundo Mário de Andrade, por Pedro Fragelli

Há uma gota de sangue em cada poema – e Pedro Fragelli nos mostra que essa afirmação não deve ser lida como metáfora.

Publicado em 1917 e um dos menos frequentados pela vasta fortuna crítica do autor, o livro de estreia de Mário de Andrade revela, na leitura original e fina de Fragelli, uma estrutura sacrificial que constituiria mais do que uma tópica central, uma verdadeira forma na obra de Mário de Andrade, modelando-a à maneira de uma Paixão. A sucessão de “estações” que o leitor deve atravessar antes de chegar aos poemas funciona como um rito de iniciação. O eu-lírico é a vítima expiatória que, como Cristo, se imola para redimir a humanidade convulsionada pela Primeira Guerra. O leitor, ao virar a página de capa impressa em vermelho, firma um pacto de sangue. A poesia não quer representar o martírio, ela quer ser o martírio. E o sacrifício, como na Páscoa, aponta para além da morte: no centro do livro, um canhão abandonado se converte à medida que a vegetação de abril o recobre, florescida.

Não deixe de ler.

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A língua como território de cidadania, por Silviano Santiago

Trazemos nesta tarde texto de Silviano Santiago apresentado no fim de novembro na FliParaíba, no qual ele propõe repensar a relação entre língua, território e cidadania em um mundo profundamente desigual e marcado pela urgência do multilateralismo. Revisando a história da língua portuguesa e sua reinvenção no Brasil pelas matrizes indígena, africana e oral, Silviano mostra como escritores de diferentes continentes já compõem uma comunidade linguística que ultrapassa fronteiras nacionais.

Silviano sugere que essa língua comum – ainda sem dicionário ou gramática, mas plenamente viva na literatura – pode se converter na base de um território simbólico compartilhado. Ao lançar a pergunta sobre a possibilidade de um “território lusófono” constituído pela própria língua, convida-nos a refletir sobre como a literatura pode ampliar e redefinir o sentido contemporâneo de cidadania.

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Aventuras e desventuras da literatura brasileira num departamento de teoria literária, por Alfredo Cesar Melo

Quais disputas teóricas e institucionais se escondem por trás de uma reforma curricular? No texto que publicamos hoje, Alfredo Cesar Melo (Unicamp) revisita a trajetória da área de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem, reconstruindo os embates que levaram à retirada da literatura brasileira do núcleo obrigatório do curso de Letras.

A partir de documentos, debates internos e do percurso intelectual de figuras centrais da crítica literária nacional que fundaram o instituto, o autor mostra como uma disputa sobre a referencialidade histórico-social da literatura brasileira acabou redesenhando a formação no IEL. O resultado é um relato instigante sobre reformas, paradigmas teóricos e os sentidos da literatura na universidade brasileira contemporânea.

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Políticas raciais: desenvolvimentos e desafios no Brasil republicano, por Antonio Sérgio Alfredo Guimarães

No Dia da Consciência Negra – oficialmente feriado nacional desde dezembro de 2023 –, publicamos texto de Antonio Sérgio Alfredo Guimarães, professor titular do Departamento de Sociologia da USP, que discute a situação racial do Brasil passado e presente.

Testando a utilidade heurística do conceito de “políticas raciais”, Guimarães mergulha em temas como o mito da democracia racial, o debate crescente em torno do multirracialismo e suas crises contemporâneas, além daquilo que classifica como uma política racial do embranquecimento. São abordadas as complexidades das relações raciais brasileiras e, sobretudo, as articulações entre políticas raciais e ideologias, que, segundo o autor, não só lançam luz sobre os processos que nos trouxeram até aqui, como também apontam para incertezas futuras.

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Presente do acaso: pistas (IV)

A aguardada biografia de Silviano Santiago, escrita pelo jornalista João Pombo Barile, será lançada amanhã, no Rio de Janeiro, às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema, contando com a presença de biógrafo e biografado. No diálogo cordial, honesto e criativo que dá vida a Presente do acaso, temos acesso não só à biografia de Silviano, autor central da literatura e do pensamento crítico no Brasil, como também ao maquinário por trás de suas principais obras.

Para esquentar o lançamento do livro, a BVPS publicou nas últimas semanas algumas cartas que Silviano trocou com intelectuais e artistas com quem conviveu em diferentes momentos de sua trajetória: Benedito Nunes, Abdias Nascimento e John Gledson, acompanhadas de breves comentários de André Botelho para contextualizar leitores e leitoras. Hoje, você confere a última carta, de João Gilberto Noll, enviada para Silviano em 11 de janeiro de 1984.

Além do lançamento amanhã, no Rio de Janeiro, o livro será lançado no sábado, dia 8 de novembro, às 10h, na Academia Mineira de Letras, contando com a presença de Barile, Silviano e Wander Melo Miranda. Não perca!

Confira aqui mais informações sobre o livro.

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Díptico para Pasolini | O coração lacerado (a poesia brasileira na direção de Pasolini), por Gustavo Silveira Ribeiro

Neste dia 2 de novembro, data que marca os 50 anos do assassinato do indomável artista e intelectual italiano Pier Paolo Pasolini, damos continuidade ao Díptico para Pasolini, publicando “O coração lacerado (a poesia brasileira na direção de Pasolini)”, de Gustavo Silveira Ribeiro. Neste ensaio, Ribeiro mostra como a poesia brasileira do início do século XXI reencontra em Pasolini uma força estética e política que renova o elo entre verso e vida civil: símbolo de resistência e de crítica à homogeneização do mundo, o artista italiano, lido agora para além do cinema, inspira uma geração de poetas – de Carlito Azevedo a Ricardo Domeneck – a pensar o corpo, o desejo e a linguagem como espaços de enfrentamento e invenção, em que a marginalidade e a recusa das ilusões do progresso se tornam matéria viva da criação contemporânea.

Em 2026, os autores deste díptico voltam à BVPS para celebrar a vida e a obra de Pasolini com convidados e convidadas. Pasolini, o grande artista tão necessário ao nosso tempo.

Confira aqui o primeiro texto de díptico, assinado por José Gatti. Para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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Díptico para Pasolini | Ver/Desver (de Salò a Gaza), por José Gatti

Na madrugada de 1º para 2 de novembro de 1975, um brutal assassinato em Óstia, periferia de Roma, punha fim à vida de um dos artistas e intelectuais públicos mais extraordinários do século XX. Pier Paolo Pasolini foi poeta, cineasta e ativista político, um crítico impiedoso do sentido burguês — orientado para o conformismo e para o espetáculo — que a vida assumia na Itália e no Ocidente no pós-Segunda Guerra. Não era conservador, nem tampouco comunista em termos programáticos. Sangrava-o a perda da pluralidade e da multidimensionalidade da existência, com seus contrastes, diferenças, temporalidades e utopias. Sangrava-o a decepção com uma geração de italianos que ele via se perder no individualismo consumista e neoliberal. Uma planície monótona tomando conta de tudo e tudo redefinindo a partir de um ponto de vista único, de uma moralidade única, de uma ética única. Ele fez de sua arte e de sua voz combates permanentes — extremamente bem planejados e realizados. Se nas areias sujas de Óstia sua vida conheceu o fim, sua arte e seu pensamento críticos permanecem a nos desafiar. Pasolini, indomesticável.

No post de hoje, José Gatti propõe uma reflexão sobre o “desver” como categoria que oferece uma nova forma de enxergar as experiências sociais, revelando sua potência como exercício de olhar crítico e como chave de leitura para a forma como consumimos e interpretamos o que está em curso no campo audiovisual. Amanhã, publicaremos “O coração lacerado”, de Gustavo Silveira Ribeiro.

Em 2026, os autores deste díptico voltam à BVPS para celebrar a vida e a obra de Pasolini com convidados e convidadas. Pasolini, o grande artista tão necessário ao nosso tempo.

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Presente do acaso: pistas (III)

O lançamento de Presente do acaso: um ensaio biográfico de Silviano Santiago, escrito pelo jornalista João Pombo Barile, se aproxima. Inspirados pelo formato dialogado do livro, estamos publicando algumas cartas trocadas entre Silviano e intelectuais e artistas com quem conviveu em diferentes períodos. As cartas foram descobertas na meticulosa pesquisa feita por Barile para o livro.

No post de hoje, você confere a carta enviada pelo crítico e tradutor John Gledson a Silviano em novembro de 1981, acompanhada de um breve comentário de André Botelho, que a contextualiza.

São pistas que, quem sabe, se esclarecerão em Presente do Acaso, que será lançado no Rio de Janeiro no dia 4 de novembro, às 19h, na Travessa Ipanema, e em Belo Horizonte no dia 8, às 10h, na Academia Mineira de Letras.

Confira aqui mais informações sobre o livro. Para ver outras cartas clique aqui e aqui.

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Presente do acaso: pistas (II)

No início de novembro será lançada pela editora Autêntica a biografia de Silviano Santiago, escrita pelo jornalista João Pombo Barile. Presente do acaso revela não só a trajetória de Silviano, um dos mais inventivos escritores e críticos do nosso tempo, como também desvenda o maquinário por trás de suas principais obras.

Até o lançamento, publicaremos semanalmente cartas que Barile descobriu na meticulosa pesquisa feita para o livro, acompanhadas de breves comentários de André Botelho para contextualizar leitores e leitoras. Na semana passada, trouxemos a primeira carta, de Benedito Nunes. Hoje, você confere a carta de Abdias Nascimento, enviada a Silviano em junho de 1972.

Presente do acaso será lançado no Rio de Janeiro no dia 4 de novembro, às 19h, na Livraria Travessa de Ipanema, e em Belo Horizonte no dia 8, às 10h, na Academia Mineira de Letras.

Confira aqui mais informações sobre o livro.

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Presente do acaso: pistas

A aguardada biografia de Silviano Santiago, escrita pelo jornalista João Pombo Barile, está chegando às livrarias de todo o país. O formato dialogado adotado pelo autor, em deliciosas e rebeldes conversas com seu biografado, nos inspirou a trazer algumas cartas entre Silviano e intelectuais e artistas centrais na cultura brasileira contemporânea. Essas cartas foram descobertas, ao lado de muitos outros documentos, na meticulosa pesquisa feita por Barile para o livro.

Até o lançamento, divulgaremos 4 cartas, uma por semana, com breves comentários de André Botelho para contextualizar os leitores e leitoras, começando com o filósofo paraense Benedito Nunes. São pistas que, quem sabe, se esclarecerão em Presente do Acaso, que será lançado no Rio de Janeiro no dia 4 de novembro, às 19h, na Travessa Ipanema.

Confira aqui mais informações sobre o livro.

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Elvira Vigna e a opacidade da narração, por Ana Karla Canarinos

Elvira Vigna (1947-2017) ocupa um lugar central na literatura brasileira contemporânea. Em “Elvira Vigna e a opacidade da narração”, Ana Karla Canarinos (UERJ) analisa como a autora de Nada a dizer (2010) joga com os limites do realismo do século XIX ao narrar a história de uma mulher que tenta compreender, e reconstituir pela linguagem, a traição do marido. Segundo Canarinos, Nada a dizer propõe um realismo outro, fundado no “como se”, em que se confundem os papéis de ator e espectador na simultaneidade de quem age e quem narra. Assim, desse jogo subversivo entre essência e aparência, o ensaio sugere como Vigna restitui à literatura o poder mediador da imaginação.

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Florestan Fernandes e a construção da sociologia pública no Brasil, por Marcelo Augusto Totti

No ano em que se completam 30 anos do falecimento de Florestan Fernandes e 50 anos da publicação de A Revolução burguesa no Brasil, Marcelo Augusto Totti (Unesp) escreve um ensaio que revisita a obra e a trajetória desse importante sociólogo, cuja presença intelectual contribuiu para a construção de uma sociologia pública no Brasil. Dialogando com a proposta de Michael Burawoy, o autor mostra como Florestan Fernandes colocou a questão do intelectual dentro de uma “nova dimensão histórica”, em que o conhecimento científico deveria estar organicamente ligado ao debate público e às lutas sociais. Ressalta ainda a importância que Fernandes atribuía ao papel dos professores, responsáveis por manter vivo o vínculo entre saber acadêmico e demandas populares. Afinal, como o próprio Fernandes indicava: a sociologia precisa responder não às expectativas dos donos do poder, mas às necessidades da Nação como um todo.

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Uma intérprete da democracia: política e história em Maria Victoria Benevides, por Jorge Chaloub

Na semana em que encerramos a série Autorais Maria Victoria Benevides, na qual revisitamos temas da teoria política, da política brasileira entre 1945 e 1964, dos direitos humanos e da educação para a democracia, temos a alegria de publicar texto de Jorge Chaloub (UFRJ) sobre sua trajetória e obra.

Chaloub mostra como Maria Victoria Benevides se dedicou a compreender as múltiplas dimensões da democracia no Brasil, interpretando a política sempre a partir da história. Ao investigar especialmente a República de 1946 e a Nova República, a autora desafia leituras tradicionais sobre instabilidade e colapso do regime, reconstrói trajetórias de atores, instituições e discursos e examina direitos e formas de participação política. Para Chaloub, sua obra oferece instrumentos fundamentais para pensar não apenas o passado, mas também questões centrais do presente da sociedade brasileira.

Boa leitura! Confira também os textos de Maria Victoria Benevides já publicados na série Autorais. Na quarta-feira, publicaremos um bônus especial para fechar esta série. Não perca!

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É preciso falar sobre as ausentes, por Alexandro Henrique Paixão

Trazemos hoje texto de Alexandro Henrique Paixão (Unicamp) sobre o projeto É preciso falar sobre as ausentes: a colaboração feminina no jornal O Paiz (1884-1934)”, financiado pelo CNPq entre 2022 e 2025. Coordenado por Tania Regina de Luca (Unesp de Assis), em parceria com pesquisadores da Unicamp, Unesp, UFPR e University College London, o projeto resgatou a colaboração de mulheres na imprensa do Rio de Janeiro durante a chamada Belle Époque.

Um dos resultados é a coleção publicada em e-book As mulheres no jornal O Paiz (Editora FE-Unicamp), que recupera e analisa a produção de escritoras como Maria Amália Vaz de Carvalho (1847-1921), Maria Benedita Câmara Bormann (pseudônimo Délia, 1853-1895), Emília Moncorvo Bandeira de Melo (pseudônimo Carmen Dolores, 1852-1910) e Júlia Lopes de Almeida (1862-1934).

Paixão destaca especialmente a trajetória de Délia e seus contos publicados entre 1887 e 1892, nos quais surgem heroínas que buscavam a liberdade a qualquer custo, enfatizando a luta das mulheres contra a sociedade patriarcal.

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Anotações sobre o projeto “O artesanato intelectual de Florestan Fernandes: uma perspectiva latino-americana sobre o desenvolvimento”

Ontem, 10 de agosto, completaram-se 30 anos do falecimento de Florestan Fernandes (1920-1995). Sua trajetória e vasta obra continuam inspirando novas gerações de sociólogos e sendo objeto de inúmeros debates e pesquisas.

No projeto “O artesanato intelectual de Florestan Fernandes: uma perspectiva latino-americana sobre o desenvolvimento”, coordenado por Diogo Valença (UFRB), pesquisadores/as de diferentes instituições brasileiras investigaram o caráter “processual” e “artesanal” da obra de Florestan, a partir da análise de marginálias, fichamentos e manuscritos inéditos de sua biblioteca pessoal e do Fundo Florestan Fernandes, localizados na UFSCar.

Neste post, publicamos um texto assinado pelos/as pesquisadores/as e compartilhamos em primeira mão um vídeo com alguns dos resultados do projeto desenvolvido entre 2022 e 2025 com apoio do CNPq.

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A Sociologia saiu no jornal: imprensa e debate público ontem e hoje, por Ricardo Maciel

Publicamos hoje texto de Ricardo Maciel (UFJF) com reflexões em torno da construção do curta-metragem Vale pra hoje: a sociologia na imprensa carioca, realizado em parceria com Antonio Brasil Jr. (UFRJ) e premiado com menção honrosa na primeira edição do Edital de Seleção de Vídeos Memória da Sociologia no Brasil, lançado durante o 22º Congresso Brasileiro de Sociologia.

O curta-metragem revisita a história da sociologia produzida no Rio de Janeiro em meados do século XX, a partir de sua inserção na imprensa. Por meio de entrevistas com Lúcia Lippi Oliveira, Glaucia Villas Bôas, André Botelho, João Marcelo Maia e os próprios autores, Vale pra hoje mostra como a sociologia colaborou, nesse período, para a construção de um repertório de intervenção pública. Segundo Maciel, mais do que reconstruir a trajetória da disciplina, o curta convida à reflexão sobre os desafios contemporâneos enfrentados pela sociologia enquanto disciplina pública.

Confira abaixo o texto e o curta-metragem.

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A atualidade de Thomas Mann, por Richard Miskolci

Em tempos de reivindicação ontológica de reconexão com ancestralidades e identidades, que se expressam nas guerras e genocídios em curso, nada melhor do que a desconstrução da Bildung contra o apaziguamento da origem, da autenticidade, do lugar. É nesse espírito que Richard Miskolci (Unifesp) revisita a atualidade da monumental obra de Thomas Mann, no mês em que se celebram os 150 anos de seu nascimento.

Escritor alemão que recusou a ideia de origem como destino, Miskolci demonstra como Mann fez da arte um campo de tensão diante dos delírios nacionalistas de sua época. Propõe, assim, relê-lo não como ícone de uma cultura europeia estável, mas como um autor radicalmente contemporâneo, que vivia em contradição com os valores de sua classe e de seu tempo, e cuja literatura do inacabado, da dúvida e da ambiguidade fez dele algo que parece faltar aos tempos atuais.

Boa leitura!

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Presença da língua e da literatura francesa no Brasil, por Silviano Santiago

Trazemos texto de Silviano Santiago, divulgado anos atrás, sobre momentos emblemáticos da história dos afetos culturais franco-brasileiros, tema geral do I Colóquio Internacional Diálogos Possíveis: Brasil–França, organizado por Ana Karla Canarinos e Rodrigo Jorge Neves, que está acontecendo essa semana na Uerj (Campus Maracanã). Silviano fará a conferência de encerramento amanhã, às 17h30, na qual certamente retomará problemas e questões indicados para o nosso público leitor.

Para conferir informações sobre o Colóquio, clique aqui. Boa leitura!

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Fernando Henrique Cardoso, comparações sociológicas, por Karim Helayel

Publicamos hoje texto de Karim Helayel (PPGSA/UFRJ), que analisa o pensamento sociológico de Fernando Henrique Cardoso, destacando como a articulação entre teoria e história é central em sua abordagem. No livro Fernando Henrique Cardoso, um perfil intelectual (2024), recém-publicado na Coleção Pensamento Político e Social da editora Hucitec, o autor explora como a perspectiva histórico-comparativa de Cardoso possibilitou uma compreensão mais matizada das relações entre contexto histórico, estruturas e ações sociais.

O texto ressalta que, apesar de críticas, como as feitas por Maria Sylvia de Carvalho Franco, a interação entre teoria e história permanece central no trabalho de Cardoso. Suas ideias contribuíram para a consolidação da sociologia histórica e do método comparativo, oferecendo uma perspectiva inovadora a partir do contexto periférico. Assim, compreendemos a relevância e o significado da sociologia de Fernando Henrique Cardoso tanto em seu tempo quanto no nosso.

Fernando Henrique Cardoso, um perfil intelectual será lançado amanhã, dia 10 de dezembro, às 18h, na Livraria Leonardo da Vinci, localizada no subsolo do Edifício Marquês do Herval (Av. Rio Branco, 185 – Centro, Rio de Janeiro).

Boa leitura!

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