V SEMINÁRIO BVPS: PENSAMENTO SOCIAL E O DESAFIO DAS METODOLOGIAS INFORMACIONAIS

Convidamos todas (os) para participarem do V Seminário da Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS), a ser realizado nos dias 26 e 27 de março. Desde sua criação, em 2012, a BVPS vem buscando aperfeiçoar e ampliar mecanismos e métodos de armazenamento e catalogação de documentos (teses e dissertações, papers, artigos, vídeos, entre outros) relacionados à área de pensamento social brasileiro e latino-americano e a seus principais intérpretes. Nosso esforço tem sido o de criar estratégias para atender à atualização permanente de nossa base e sobre ela produzir reflexões de pesquisa. Com um objeto tão dinâmico, o estudo da produção e circulação de conhecimento nos exige discutir as potencialidades e também os limites do uso de ferramentas informacionais na área de ciências humanas. O Seminário da BVPS deste ano de 2019 pretende ser um desses fóruns.

O primeiro dia do evento, 26/03, será na Sala Multimídia do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnologia em Saúde (ICICT) na FIOCRUZ (Av. Brasil, 4.365/Manguinhos – RJ) e o segundo dia, 27/03, será na Sala 109 do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS/UFRJ) (Largo São Francisco de Paula, 1 – Centro – RJ).

Abaixo a programação completa do Seminário. Contamos com a presença de todas (os).

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“BLACK FEMINISMS: A TRIBUTE TO POLITICAL ACTIVIST MARIELLE FRANCO” (BRAZIL LAB/UNIVERSIDADE DE PRINCETON)

No próximo dia 14 de março, o assassinato de Marielle Franco, ainda sem respostas, completará um ano. Em sua homenagem, o Brazil LAB da Universidade de Princeton realizará nos dias 14 e 15 de março evento especial intitulado “Black Feminisms: A Tribute to Political Activist Marielle Franco”. O evento contará com participações de diversas (os) acadêmicas (os) e ativistas, como Mônica Benício, Debora Diniz, Giovana Xavier, Tianna Paschel, Imani Perry, Carolyn Rouse, Aisha Beliso-De Jesús, Keeanga-Yamahtta Taylor, Fernanda Chaves, Marília Librandi, Jamille Pinheiro Dias, Mário Medeiros e Pedro Meira Monteiro. A palestra principal será ministrada pela Profa. Angela Davis.

A programação completa do evento segue abaixo.

Conheça mais do Brazil LAB na breve apresentação que disponibilizamos em seguida e também acessando o endereço brazillab.princeton.edu

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Brazil LAB Black Feminisms Mar 14-15

O Brazil LAB é uma iniciativa original da Princeton University que congrega pesquisadores, professores e estudantes trabalhando sobre o Brasil ou interessados em temas para os quais o Brasil pode ser relevante.

Co-dirigido por João Biehl e Pedro Meira Monteiro, o Brazil LAB (Luso-Afro-Brazilian Studies) funciona como um “hub” interdisciplinar de pesquisa e ensino, sediado pelo PIIRS (Princeton Institute for International and Regional Studies), em sinergia com diferentes departamentos, programas e outras iniciativas em Princeton, com o objetivo de explorar a história, a política, a cultura e a ciência do mundo lusófono, especialmente do Brasil, pensando em sua significação regional e em suas conexões internacionais.

No LAB, o Brasil é tomado como um nexo dinâmico para refletir sobre temas prementes — dos desafios ambientais à insegurança democrática, das desigualdades socioeconômicas e de acesso à saúde a formas emergentes de mobilização política e expressão cultural — que afetam as pessoas no Brasil e globalmente, e que são importantes tanto para a pesquisa já estabelecida quanto para reflexões críticas ainda incipientes.

O Brazil LAB promove diversas iniciativas pedagógicas, oficinas, colóquios e debates, incluindo um seminário de Princeton oferecido no Rio de Janeiro, sediado no Instituto Moreira Salles. O alvo do LAB é promover um estudo compreensivo e amplo do Brasil, além de promover e facilitar redes de colaboração em vários campos, na crença de que responder a temáticas emergentes nos leva a elaborar novas questões, promovendo experiências internacionais de ensino, apoiando a reflexão social profunda e criando alternativas colaborativas de pesquisa. O objetivo último do Brazil LAB é ajudar a formar uma geração cosmopolita de estudiosas e estudiosos do Brasil, capazes de produzir um conhecimento que abra fronteiras, e que seja socialmente significativo.

 

LANÇAMENTO DO LIVRO “OS DILEMAS DO PATRIMONIALISMO BRASILEIRO” DE LEONARDO BELINELLI DE BRITO (USP E CEDEC)

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro “Os Dilemas do Patrimonialismo Brasileiro: as interpretações de Raymundo Faoro e Simon Schwartzman” (Alameda Casa Editorial) de Leonardo Octavio Belinelli de Brito (CEDEC e USP).  O livro é resultado da pesquisa de mestrado defendida em 2015 sob orientação do Prof. Bernardo Ricupero (USP). O lançamento ocorrerá no dia 15 de março, às 18:30 hrs, na Livaria da Alameda (Rua 13 de Maio, 353 – Bela Vista – São Paulo (SP)).

Disponibilizamos abaixo o convite do evento e neste link o Prefácio do Prof. Bernardo Ricupero ao livro.

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Um abraço,

Equipe BVPS

“DE COMO O COMPOSITOR BRASILEIRO ENFRENTOU A DITADURA MILITAR”, POR HELOISA MURGEL STARLING (UFMG)

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Fonte da imagem: Fundo Correio da Manhã/Arquivo Nacional, Data: Jun/1968.

   Entre 1964 e 1985 – os anos da ditadura militar brasileira –, um punhado de canções se empenhou em devassar o mundo do segredo, do censurado, do impublicável para contestar a versão oficial colocada em curso pelos militares. De maneira furtiva e de forma mais ou menos cifrada – necessária, inclusive, para driblar a censura – a canção popular perturbava e comprometia a coerência e a veracidade da narrativa oficial e permitia ao compositor agir com um sabotador de versões, alguém capaz de extrair da realidade política do país um conjunto de informações e através delas proceder a uma ostentação de fatos que contestavam a versão dos acontecimentos apresentada pelas autoridades. Afinal, talvez pensasse o compositor, uma história pública, ao público pertence.

    Em “Tocaia”, por exemplo, composta em 1973, Sérgio Ricardo narrou o assassinato de um importante dirigente da luta armada, o capitão Carlos Lamarca, no sertão baiano, após implacável perseguição dos órgãos de segurança.[i] Já no ano seguinte, quando o MPB-4 releu “Tá certo, doutor”, de autoria de Gonzaguinha, o alvo era outro: o governo do general Geisel havia proibido qualquer notícia na imprensa sobre a epidemia de meningite que começou na periferia de São Paulo, chegou até o Rio de Janeiro e matou, no seu auge, cerca de 2.800 pessoas, crianças na quase totalidade dos atingidos. Foi essa notícia que o MPB-4 tratou de fazer circular amplamente pelo país, em uma interpretação antológica da composição de Gonzaguinha, gravada no disco “Palhaços e reis”, e que começa exatamente com o aviso: “cuidado aí, gente, olha o menino com meningite aí, gente!” [ii].

   Como um parafuso retirado de uma engrenagem, um pouco de areia despejado no motor de uma viatura policial, uma lubrificação malfeita ou um vazamento de combustível, as canções também podiam caracterizar uma forma de sabotagem política e provocar prejuízos irreparáveis ao processo de construção de legitimidade perseguido pela ditadura. Mas nem sempre deu certo. Em 1969, Jorge Ben gravou “Charles anjo 45”, um samba rhythm&blues, com arranjo forte e pesado, sobretudo na cuíca, que colocava em cena o caráter polissêmico do conceito de marginal. Na análise da canção que predomina até hoje, o marginal Charles é associado a uma representação romântica do mito do bandido famoso – Cara de Cavalo, Lúcio Flávio, Mineirinho, Ildo Meneghetti –, que começou a ser divulgado pela imprensa brasileira a partir dos anos 1960.

   Graças à construção desse mito, o universo do bandido marginal urbano se tornou inseparável de uma interpretação não conformista da realidade brasileira e serviu para um grupo de artistas como Hélio Oiticica, Caetano Veloso, Torquato Neto ou Rogério Sganzerla colocar em funcionamento uma nova proposta de leitura do país. O resultado provocou uma virada estética nos padrões culturais vigentes em pelo menos três dimensões: na ruptura com a elegia pela terra como ponto mais agudo da formação de uma consciência nacional crítica e revolucionária; no abandono da construção de figuras exemplares convocadas do interior do país – boiadeiros, pescadores, violeiros, rezadeiras, lavradores – ou da periferia do Rio de Janeiro – o sambista de morro e o malandro da favela – como modelos para compreensão da realidade brasileira; na aceitação da disseminação de práticas violentas como alternativa de revolta em sociedades urbanas periféricas. [iii]

   Charles, o personagem da canção de Jorge Ben flertava com a representação romântica do bandido: um “Robin Hood dos morros, rei da malandragem”.[iv] No álbum Jorge Ben, o personagem foi apresentado ao público em duas canções que citavam uma à outra e, na oportunidade da citação, deixavam ainda mais evidente a figura do bandido compassivo: “Take it easy, my brother Charles” [v] e “Charles anjo 45”. O que pouquíssima gente sabia, porém, é que as duas canções trazem dobradas no seu interior uma segunda narrativa: elas foram compostas em homenagem ao marinheiro Avelino Capitani – protagonista de uma das trajetórias mais espetaculares da história da luta armada no Brasil.

   A militância política de Capitani começou durante a Revolta dos Marinheiros – o motim que fragilizou o governo João Goulart durante a Semana Santa de 1964, pôs em risco a disciplina militar e forneceu às lideranças que conspiravam contra Jango o pretexto de que necessitavam para o golpe. Dois anos depois, Capitani engajou-se na primeira tentativa de resistência armada à ditadura: a Guerrilha do Caparaó. Ainda em 1967, participou da criação do Movimento de Ação Revolucionária (MAR), o agrupamento de esquerda armada que nasceu dentro da penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro, viabilizou a fuga cinematográfica de seus militantes em maio de 1969, e estabeleceu na região de Angra dos Reis uma base de treinamento e preparação de um futuro foco de guerrilha. Quando sobreveio a repressão e conseqüente dissolução do MAR, Capitani integrou-se em outra organização armada – o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Ferido durante uma tentativa malsucedida de assalto a uma agencia bancária, em Brás de Pina, na periferia carioca, ele rompeu à bala o cerco policial e embrenhou-se nos morros do Rio de Janeiro onde ficou escondido por meses nas favelas da zona norte até conseguir planejar uma rota de fuga do país e reaparecer, após inúmeras peripécias, em Havana, Cuba. A partir da fuga da penitenciária, Capitani passou a portar uma inseparável pistola 9 mm, fácil de ser confundida com a de calibre 45. Românticas e seduzidas pelo charme do guerrilheiro, as estagiárias de Direito e as assistentes sociais da Lemos Brito apelidaram-no Anjo louro; desde os tempos do Caparaó, seu codinome, na guerrilha, era Charles [vi].

   A história do marinheiro Capitani ficou escondida na trajetória do personagem Charles anjo 45 – o “protetor dos pobres e dos oprimidos”[vii]. Ainda assim, a energia política da canção era tão evidente que a gravadora Polygram sustou o lançamento de um compacto com a interpretação de Caetano Veloso para “Charles anjo 45”, que incluía ao fundo o violão e os vocais do próprio Jorge Ben. A gravação de Caetano era oposta à de Jorge: apresentada em tom de lamento, a melodia vinha impregnada de uma tristeza meio premonitória já que ele gravou a canção um pouco antes de sua prisão e da partida, com Gilberto Gil, para o exílio, em Londres [viii]. Os executivos da Polygram temiam que a interpretação de Caetano soasse aos ouvidos militares como provocação. Ainda que não revelasse a homenagem ao guerrilheiro Capitani, “Charles anjo 45” tentava combinar na figura do marginal, tanto o universo do banditismo social quanto o contexto da luta armada e da clandestinidade das organizações guerrilheiras que transformava seus membros em marginais em potencial.

   Os anos 1970 deixaram claro que o engajamento do compositor na sabotagem das versões sobre determinados acontecimentos ou políticas publicas divulgadas pela ditadura não fazia distinção de gênero e incluía todas as modalidades do cancioneiro nacional. Entre 1968 e 1978, uma vertente da canção romântica – a canção brega ou cafona – alcançou altíssimas vendagens no mercado de discos, bateu recordes de execução nas rádios e escancarou publicamente os temas da segregação social vivenciados pela população pobre brasileira no seu cotidiano. A canção brega denunciou o racismo, mobilizou-se a favor da adoção da lei do divórcio no Brasil e fez circular entre a população de baixa renda informações e temas de interesse público com forte conteúdo político que perturbavam o poder e comprometiam a coerência e a veracidade da narrativa oficial construída pelos militares [ix].

   Foi então que a canção “Uma vida só (Pare de tomar a pílula)”, sucesso fulminante de Odair José, em 1973,[x] bateu de frente com a campanha de controle da natalidade patrocinada pela ditadura. Coordenada pela Sociedade Civil de Bem-Estar Familiar no Brasil (BEMFAM), a campanha recebia verbas internacionais e do governo militar, mobilizava farta distribuição de pílulas e dispositivos intra-uterinos (DIU) entre mulheres de baixa renda das regiões Norte e Nordeste do país e utilizava o slogan “tome a pílula com muito amor”. Não deu outra: a canção mais tocada nas rádios brasileiras durante o ano de 1973 teve sua execução pública proibida em todos os meios de comunicação, serviços de alto-falantes e casas de espetáculo do país, o disco foi retirado abruptamente de circulação e o compositor, orientado pelos executivos da gravadora Phonogram, partiu para uma temporada forçada – que durou um ano – na Inglaterra.

   Essas são, sem dúvida, canções de circunstância, como definiu certa vez Chico Buarque.  Mas, ao contrário do que ele imagina, seu traço singular não decorre apenas da literalidade dos seus versos. Essas são canções que ficaram a meio caminho entre uma forma de poesia cantada e um método próprio de luta política – ao mesmo tempo uma ação de protesto e uma tentativa de informar os fatos à opinião pública. Essa foi sua marca. A correlação de forças era adversa, o inimigo estava muito forte e o uso da violência contra os adversários da ditadura era a regra – mas as canções seguiam sendo um dos modos decisivos de informação e politização da cena pública nacional. O que o compositor realmente pensou quando compôs sua canção, nós não sabemos; mas ele não tinha a menor intenção de ficar apenas observando a conjuntura – deu um jeito de virar historiador. Foi um modo de resistir e um gesto de esperança, explicam os versos de Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges escritos para “Clube da esquina”. Numa noite qualquer do país, numa época de morte e desertificação de sua vida pública, um punhado de canções fez do luto o momento de passagem do mutismo à palavra, da memória à história:

“Noite chegou outra vez

De novo na esquina os homens estão…

Um grande país eu espero

Espero do fundo da noite chegar…

Venha até a esquina

Você não conhece o futuro que tenho nas mãos”[xi]

[i] RICARDO, Sérgio. “Tocaia”. Sérgio Ricardo. São Paulo, Continental, 1973. 1 disco sonoro (lado 1, faixa 1)

[ii] GONZAGA JR. Luiz. “Tá certo, doutor”. In: Palhaços e reis MPB 4. Guanabara: Philips, 1974. 1 disco sonoro. (lado 1, faixa 2).

[iii] Para essa nova proposta de leitura do país, ver especialmente: COELHO, Frederico. Eu, brasileiro, confesso minha culpa e meu pecado. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.

[iv] BEN, Jorge. “Charles, anjo 45”. In:_. Jorge Ben.  Rio de Janeiro: Philips, 1969. 1 disco sonoro. (lado 2, faixa 6).

[v] BEN, Jorge. “Take it easy, my brother Charles”. In:_. Jorge Ben.  Op. cit. (lado 2, faixa 1). Para o registro dessa citação, ver: SANCHES, Pedro Alexandre. Tropicália: decadência bonita do samba. São Paulo: Boitempo Editorial, 2000.

[vi] Para a trajetória política de Capitani e a homenagem de Jorge Ben, ver: CAPITANI, Avelino B. A rebelião dos marinheiros. São Paulo: Editora Expressão Popular, 2005; COSTA, José Caldas da. Caparaó: a primeira guerrilha contra a ditadura. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007; TAVARES, Flávio. Memórias do esquecimento: os segredos dos porões da ditadura. Rio de Janeiro: Record, 2005.

[vii] BEN, Jorge. “Charles, anjo 45”. Op. cit.

[viii] Para a gravação de Caetano e o veto da Polygram, ver: VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 417 et seq.

[ix] Para a importância da “canção brega” durante o período da ditadura militar, ver: ARAÚJO, Paulo César de. Eu não sou cachorro, não: música popular cafona e ditadura militar. Rio de Janeiro: Record, 2002.

[x] ODAIR, José. “Uma vida só (Pare de tomar a pílula). In:_. Odair José. São Paulo: Polydor, 1973. 1 disco sonoro. (lado 1, faixa 1)

[xi] NASCIMENTO, Milton; BORGES, Lô; BORGES, Márcio. “Clube da esquina”. Milton. Rio de Janeiro, EMI Odeon, 1970. 1 disco sonoro. (lado 1, faixa 2)

LANÇAMENTO DO LIVRO “PENSANDO A DEMOCRACIA, A REPÚBLICA E O ESTADO DE DIREITO NO BRASIL”, BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS (CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS/UNIVERSIDADE DE COIMBRA), HELOISA STARLING (UFMG) E LEONARDO AVRITZER (UFMG)

Cartaz 2019

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil.

No próximo dia 11 de fevereiro, às 16h, o auditório Paulo Camillo do BDMG receberá um importante debate sobre a crise da democracia no Brasil e no mundo. Com a participação de Boaventura de Sousa Santos (Centro de Estudos Sociais/Universidade de Coimbra), Heloisa Starling (UFMG) e Leonardo Avritzer (UFMG) a mesa terá como foco central discutir os principais desafios e perspectivas do contexto democrático atual, em especial o contexto brasileiro, que vive sob uma forte crise política desde 2013.

O evento também vai marcar o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil, uma compilação das discussões feitas nos eventos do Ciclo de Debates com o mesmo nome, que ocorreu durante os anos de 2017 e 2018. O projeto foi fruto da parceria entre BDMG Cultural, Projeto República (UFMG) e Projeto Democracia Participativa (UFMG).

Confira abaixo a capa do livro e clique para acessar a INTRODUCAO. 

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Sobre os participantes

Boaventura de Sousa Santos

Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Também dirige o projeto de investigação ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências do mundo. Publicou, entre outras obras: As vozes do mundo (2009); Pela mão de Alice. O social e o político na pós-modernidade (2013); A difícil democracia (2016); O fim do Império Cognitivo (2018);

Heloisa Starling

Heloisa Starling é professora titular livre do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória. É autora, entre outros, de “Os senhores das gerais” (1986), “Lembranças do Brasil” (1999), “Brasil: uma biografia” (2015), com Lilia Moritz Schwarcz, e “Ser republicano no Brasil colônia: a história de uma tradição esquecida” (2018).

Leonardo Avritzer

Professor titular do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do INCT – Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1983), mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1987), doutorado em Sociologia Política pela New School for Social Research (1993) e pós-doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (1998-1999) e (2003). Publicou, entre outras obras: Experiências Nacionais de Participação Social (2002); Impasses da Democracia no Brasil (2013) e The Two Faces of Institutional Innovation (2017).

CURSO “DRUMMOND E A MÁQUINA DO MUNDO”, POR JOSÉ MIGUEL WISNIK

Conforme divulgado no Blog da BVPS, entre os dias 12 e 14 de fevereiro, o Professor José Miguel Wisnik ministrará o curso “Drummond e a máquina do mundo” no Instituto Rui Barbosa de Altos Estudos em Cultura (IRBæc). O tema versa sobre a crítica do poeta aos efeitos da mineração em sua cidade natal, Itabira (MG). Em entrevista recente para a Folha de São Paulo, Wisnik falou sobre o seu livro “Maquinação do mundo: Drummond e a mineração” (Ed. Companhia das Letras, 2018), a tragédia de Brumadinho e a atualidade da crítica de Drummond.

Lembrando que no dia 11, Wisnik lançará o livro na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mais informações sobre o curso no email irbaec@rb.gov.br e no cartaz abaixo.

 

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X SEMINÁRIO INTERNACIONAL POLÍTICAS CULTURAIS, POR FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA

O Blog da BVPS convida para o “X Seminário Internacional Políticas Culturais”, organizado pelo Setor de Pesquisa em Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa e a Cátedra UNESCO de Políticas Culturais e Gestão. O evento será realizado entre os dias 6 e 9 de maio de 2019. O prazo para envio de propostas de apresentação de trabalho é até dia 25 de fevereiro. Abaixo mais informações.

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HOMENAGEM A MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ (1918-2018), POR LUCAS CARVALHO (UFF)

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Maria Isaura em 1963, defendendo sua tese de livre-docência em sociologia na Universidade de São Paulo. (Foto: Conteúdo Estadão AE). Foto retirada do site Memorial da Democracia: http://www.memorialdademocracia.com.br/card/interpretes-do-brasil/12

     Uma das mais importantes sociólogas brasileiras, Maria Isaura Pereira de Queiroz faleceu no último 29 de dezembro. Sua contribuição para as ciências sociais, em particular as brasileiras, não se mede somente por sua produção que, como a bibliografia secundária vem destacando, é não só extensa, mas variada e relevante. Maria Isaura foi pioneira em diversos aspectos: cientista social mulher egressa das primeiras turmas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1949); passou como assistente pelas então fechadas e concorridas Cadeiras de Sociologia I e II da mesma instituição; doutorou-se na École Pratique de Hautes Études em 1955, com a tese “La ‘Guerre Sainte’ au Brésil: le mouvement messianique du ‘Contestado’”; tornou-se professora livre-docente (1963) com a premiada tese “O Messianismo no Brasil e no Mundo” e, depois, professora adjunta (1973) da FFCL/USP; criou o Centro de Estudos Rurais e Urbanos (CERU) em 1964, dando vida a diversos projetos de pesquisa seus, de colegas e alunos; além de ter circulado por diversas instituições internacionais, lecionando em universidades da França, Canadá, Senegal, Suíça, Itália e Bélgica.

         Quis o destino que estejamos prestando homenagens a Maria Isaura quase um ano após o falecimento de Antonio Candido, também nascido em 1918. Ambos fizeram parte da geração pioneira das ciências sociais e experimentaram aquilo que o próprio Candido cunhou como uma rotação de perspectiva nas ciências sociais: as classes pobres passaram a ganhar destaque e suas vivências se tornaram igualmente relevantes no entendimento da estrutura e organização da sociedade brasileira. No interior dessa virada cognitiva, o “mundo rústico” e a sociabilidade rural, temas também de predileção de Candido, tornariam a obra de Maria Isaura singular. Este interesse é explicado, em parte, pelo lugar que o rural ocupava na modernização da sociedade brasileira da época e pela situação agônica dos grupos camponeses da época.

       Um exemplo dessas preocupações é o artigo clássico “Uma categoria rural esquecida” de 1963, no qual a autora, após detalhar a sociabilidade típica dos grupos de sitiantes brasileiros, faz um apelo para que as ciências sociais e as discussões políticas sobre reforma agrária então em voga atentassem para a situação dessa parcela da população rural, que, não obstante expressiva, era negligenciada nos debates acadêmico e político. Fazendo do interesse pelos grupos rurais, sobretudo camponeses, uma agenda de pesquisa a longo prazo em sociologia política, Maria Isaura investigou em escala micro e macro as diversas relações e estruturas da formação da sociedade brasileira. Um aspecto metodológico chama atenção na obra da autora: o próprio movimento que imputava como constitutivo do social fez com que suas pesquisas circulassem entre aqueles diversos níveis. E, se o “rural” recebia destaque, era porque se tornara um ponto de vista, ou seja, uma perspectiva a partir da qual analisava os impasses e obstáculos das mudanças da sociedade brasileira. Ao longo de sua obra, Maria Isaura indicou que essa escolha precisava ser justificada e que, portanto, trazia consequências analíticas. O Brasil não havia ceifado muitas de suas raízes agrárias fincadas na dominação pessoal e violenta, no mandonismo e no favor e, por isso, a compreensão dessas estruturas era algo incontornável mesmo no contexto urbano nascente. A consequência mais direta dessa perspectiva sobre as mudanças sociais é uma questão que serve como pano de fundo em sua extensa obra. Ao inverter o raciocínio corrente nos estudos sobre mudança social, que se dedicam, sobretudo, ao novo, Maria Isaura destaca que a questão igualmente relevante é explicar o porquê da manutenção de certas estruturas e o que se conservou mudando. Um traço do conservadorismo brasileiro que se revela nas ações cotidianas de indivíduos e grupos, mas, sobretudo, nos resultados agregados e emergentes da própria estrutura e dinâmica da sociedade.

     Maria Isaura talvez fosse uma das últimas entre os prógonos das ciências sociais institucionalizadas no Brasil. Agora como parte do cânone dessas ciências sociais que ajudou a construir, sua obra é instância de observação da própria área, de suas potencialidades e da linha que nos liga hoje até ela.

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     Para acessar a bionote da Maria Isaura Pereira de Queiroz bem como a bibliografia secundária, acesse por este link o site da BVPS. Indicações de leitura, trechos da obra da autora e o tutorial de pesquisa no site podem ser acessados neste link da seção “BVPS: Modos de Usar” do nosso Blog.

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