BVPS Acervo: escolher a democracia | A multiplicação dos pães/Patrimonialismo brasileiro, por André Botelho

Num momento em que a distinção entre público e privado parece solenemente ignorada por segmentos das elites políticas, administrativas e da população em geral, cabe perguntar: o que é e a quem o patrimonialismo favorece? Ante o preocupante cenário da democracia brasileira, André Botelho (UFRJ), professor titular de Sociologia e coordenador-geral da BVPS, dá início à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, que contará com republicações diárias de textos que nos confrontam com o que está em jogo quando uma sociedade trilha rumos autoritários.

Tema clássico da sociologia política e do pensamento brasileiro, o patrimonialismo é um veneno que corrói não apenas as instituições, mas também a prática da política no cotidiano. Ele subverte o sentido da política ao fazer com que o interesse pessoal, familiar e privado se sobreponha ao bem comum. O bem comum: esse frágil, mas decisivo valor da democracia. A desfaçatez com que tem sido praticado no Brasil recentemente mostra que o patrimonialismo vem atingindo novos e alarmantes patamares, inclusive de legitimidade. Seu uso político, direcionado contra denúncias que se mostraram juridicamente infundadas, é confirmado pelo silêncio conivente de muitos setores, como o da imprensa tradicional, que, de tanto empregá-lo programaticamente como uma categoria de acusação, acabou por lhe retirar a especificidade. Voltar ao conceito pode nos ajudar a compreender e enfrentar os desafios do momento presente.

Boa leitura!

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Série Nordestes | Oitenta anos de Geografia da Fome: Josué de Castro e as fomes brasileiras, por Adriana Salay

Se a fome não é da ordem da natureza, se é socialmente produzida, por que escolhê-la para os concidadãos desafortunados? Oitenta anos depois da publicação de Geografia da Fome, de Josué de Castro, a pergunta permanece incômoda — talvez ainda mais quando lembramos que as desigualdades sociais, mesmo em suas manifestações mais cruéis, nem sempre são percebidas como injustiça por parcela expressiva da sociedade brasileira.

No novo texto da série Nordestes, Adriana Salay, professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), retorna ao clássico de 1946 para celebrar os oitenta anos desse importante livro brasileiro, que recebeu mais de quarenta resenhas na imprensa em seu ano de lançamento e alcançou, posteriormente, circulação internacional.

A efeméride, entretanto, é também ocasião para perguntar por que um diagnóstico formulado no imediato pós-guerra segue tão atual como chave de leitura do Brasil. O vaivém da fome nas últimas décadas, argumenta Salay, reafirma uma das intuições fundamentais de Josué de Castro: estruturalmente produzida pela sociedade, a fome aumenta ou diminui conforme decisões políticas. É sempre pertinente nos lembrarmos dessa verdade, sobretudo nas espirais da democracia brasileira, em que, a cada volta, está em jogo algo tão elementar quanto brutal: a possibilidade de milhões de brasileiros comerem ou não.

Boa leitura!

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Automovel (27 de janeiro)   

A viagem de Mário de Andrade ao Nordeste começa a ganhar contornos de despedida. Nesse 27 de janeiro, deu até logo a Chico Antônio, em Natal, que lhe ofereceu seu ganzá. Mário partiu “seco, bancando indiferença”… mas com a promessa de celebrá-lo melhor em livro. Muito de sua viagem é assim, feita de encontros e deslocamentos que se tornam uma forma particular de conhecer o país. Agora, segue para a Paraíba, último destino antes do derradeiro retorno.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

Boa leitura!

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

A BVPS tem a honra de anunciar sua nova série Autorais com Antonio Sérgio Guimarães, uma das maiores referências no debate sobre relações raciais na sociologia e na sociedade brasileiras.

Professor titular sênior do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, Antonio Sérgio Guimarães construiu uma obra incontornável para a compreensão das desigualdades sociais brasileiras e das lutas por cidadania, que abrange a sociologia do trabalho, os estudos sobre racismo e antirracismo, a história do pensamento social negro e a reflexão sobre as ações afirmativas.

A seleção de textos da série compreende quatro eixos definidos pelo próprio autor, que serão divulgados de forma mesclada, sempre às segundas-feiras, ao longo das próximas semanas: sociologia do trabalho, artigos na grande imprensa, raça e ensino superior, e entrevistas. A série contará também com a ilustre participação de Nadya Araújo Guimarães em alguns textos.

Confira hoje a apresentação da série.

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BVPS Recomenda | “Meus Caros Amigos: a conversa epistolar entre Haity Moussatché e José Leite Lopes como testemunho de cientistas no exílio, 1969-1973”, por Gilberto Hochman

Recomendamos o livro Ciência, desenvolvimento e democracia no Brasil: trajetórias, instituições e agendas de pesquisa, 1945-2000, organizado por Oliva Freire Junior (UFBA), Silvia Figueirôa (Unicamp), Antonio Augusto Passos Videira (UERJ) e Maria Margaret Lopes, publicado este ano pela Editora Fiocruz.

Para estimular a leitura de seu capítulo e da obra como um todo, Gilberto Hochman (Fiocruz) nos brinda com “Meus caros amigos: a conversa epistolar entre Haity Moussatché e José Leite Lopes como testemunho de cientistas no exílio, 1969-1973”, um paratexto inédito que integra a terceira parte do livro (Autoritarismo, Ciência e Cultura). Com um título que remete à canção de Chico Buarque e Francis Hime, lançada em 1976, o capítulo parte de uma ressalva feita pelo próprio autor: a correspondência entre Haity Moussatché e José Leite Lopes não possui o mesmo lirismo da canção. A partir da análise dessa escrita de si, Hochman examina as cartas trocadas pelos dois cientistas desde a decretação do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), em 1968, até 1973, período que compreende os primeiros anos de seus exílios.

Boa leitura!

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Ressurgências | Coluna de Alcida Rita Ramos e Francisco Sarmento

A história da educação salesiana no Alto Rio Negro é também a história dos modos como os povos indígenas aprenderam a lidar com aquilo que lhes era imposto. Na edição de outubro da coluna Ressurgências, Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (KAAPI) retomam as experiências de indígenas que passaram pelas escolas missionárias para repensar essa relação ambígua entre educação e colonização.

O texto acompanha, de um lado, a implantação das missões e de seu projeto educativo no Alto Rio Negro, Noroeste do Amazonas, marcado pela separação de crianças e jovens de seus mais velhos, imposição da língua portuguesa e transmissão de valores e costumes considerados necessários à formação de “bons cristãos e honestos cidadãos”. De outro, mostra como os indígenas não foram receptores passivos desse projeto: aprenderam a interpretar e transformar aquilo que recebiam, fazendo da escola e dos conhecimentos adquiridos na missão instrumentos de organização política.

Para conferir outros textos da coluna Ressurgências, clique aqui. E para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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BVPS Agenda | Seminário “Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica”

Nos dias 14 e 15 de outubro acontecerá o seminário Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica, com curadoria de Valter Silvério (UFSCar), no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar – Bela Vista).

O seminário reúne pesquisadores e pesquisadoras de diferentes gerações, áreas e instituições para revisitar criticamente a obra de Octávio Ianni (1926 – 2004), que completa seu centenário neste ano, refletindo sobre sua trajetória intelectual, sua inserção na tradição sociológica brasileira e a permanência de suas questões diante dos desafios do presente. Há em sua trajetória uma notável unidade analítica: a busca permanente por compreender as formas históricas da dominação, os processos de transformação social e os dilemas da modernidade brasileira em conexão com a América Latina e com o sistema capitalista global.

Partindo dessa multiplicidade articulada, o evento gira em torno destes quatro eixos temáticos que correspondem a temas centrais de sua produção e, ao mesmo tempo, a questões decisivas do debate contemporâneo. Mais do que uma homenagem, o seminário pretende constituir um espaço de debate sobre a atualidade da obra de Ianni e sobre sua capacidade de seguir oferecendo instrumentos analíticos fundamentais para compreender as transformações do Brasil e do mundo contemporâneo.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas clicando aqui.

Confira a programação completa abaixo.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Desigualdades e diferenças: regularidades no pensamento social brasileiro, por Sergio Tavolaro

No penúltimo post da série Ensinar Pensamento Social, organizada por Arilda Arboleya (UFPI) em parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social, publicamos hoje “Desigualdades e diferenças: regularidades no Pensamento social brasileiro”, assinado por Sergio Tavolaro (UnB).

Revisitando interpretações do Brasil produzidas entre o último quarto do século XIX e o final da década de 1920, o autor examina como as diferenças internas ao povo brasileiro e as desigualdades de seu tecido social foram retratadas por intérpretes que hoje figuram como clássicos, como Silvio Romero, Nina Rodrigues, Manoel Bomfim e Alberto Torres, ora a partir do meio natural e da raça, ora de fatores propriamente sociais. Apesar das nuances entre essas abordagens, mostra que elas compartilham uma percepção: a de que tais atributos seriam marcas da condição dissonante e subalterna do país no concerto moderno. Se a maior parte dessas noções deixou de encontrar eco nas ciências sociais atuais, por que imagens e estigmas nelas forjados seguem se insinuando, “sob outros trajes”, dentro e fora da academia?

Mobilizando perspectivas diversas, a série, publicada às quintas-feiras, reúne pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

Não perca, na próxima quinta-feira, o post de encerramento da série: uma conversa da organizadora Arilda Arboleya com André Botelho e Maurício Hoelz.

Boa leitura!

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BVPS Recomenda | “As memórias da sociologia”, por João Marcelo Ehlert Maia

Recomendamos a leitura da resenha “As memórias da sociologia”, assinada por João Marcelo Ehlert Maia (FGV) e recém-publicada na revista Sociologias da UFRGS, sobre a coletânea Modos de narrar a Sociologia brasileira, organizada por André Botelho (UFRJ), Maurício Hoelz (UFRRJ) e Lucas Carvalho (UFF), e publicada em 2025 pela Editora Hucitec em parceria com a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS).

Originada de uma série homônima realizada pela BVPS em 2024, o livro reúne 26 relatos de notáveis sociólogas e sociólogos brasileiros, extraídos de seus memoriais acadêmicos, que formam um patrimônio intergeracional e um dispositivo de auto-observação do campo. Pretende assim contribuir para uma história mais plural e contingente da sociologia brasileira, não narrada de fora para dentro – a partir de marcos institucionais, paradigmas teóricos ou condicionantes sócio-históricos –, mas a partir da perspectiva dos próprios atores que fazem e refazem a disciplina em suas práticas cotidianas.

Na resenha, João Marcelo Ehlert Maia interpela os interesses sociológicos por trás da publicação de memoriais acadêmicos, mostrando que eles revelam os enredos – a geração, o romance de formação, as origens populares – com que sociólogas e sociólogos narram a si mesmos e intervêm nas disputas do presente. Para Maia, os memoriais também podem ser lidos como “performances” orientadas para a compreensão de controvérsias intelectuais contemporâneas.

Leia a resenha clicando aqui.

Boa leitura!

BVPS Recomenda | “Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo”, de João Mello

A BVPS convida para o lançamento do novo livro de João Mello (PPGS-UFRJ), Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo, no dia 7 de outubro, a partir das 19h30, no 50º Encontro Anual da Anpocs.

Em Verde Novo, João Mello revisita a revista Verde, editada em Cataguases (MG) entre 1927 e 1929, propondo um quadro sociológico inovador para pensar o modernismo brasileiro como movimento de renovação cultural. A partir das relações dos jovens cataguasenses, com Rosário Fusco à frente, e Mário de Andrade, o autor inverte as perspectivas tradicionais: a revista deixa de ser mera expressão periférica do modernismo e ganha centralidade no projeto de renovação estética radical liderado por Mário.

Resultado do projeto Minasmundo, o livro destaca as tensões entre o local e o cosmopolita e recupera a categoria sociológica de “geração”, discutindo a juventude como portadora social da mudança cultural.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

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Centenário de Octavio Ianni | As muitas vidas de um conceito: considerações sobre “O colapso do populismo no Brasil”, de Octavio Ianni, por Jorge Chaloub

Dando continuidade à série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos texto de Jorge Chaloub (UFRJ), que retorna a O colapso do populismo no Brasil para recuperar a discussão de Ianni sobre as relações entre transformações econômicas, mobilização das massas e estilos de atuação política.

O que um clássico sobre o populismo ainda pode nos dizer sobre o presente? Entre os limites e as potencialidades da obra, o autor mostra como a análise da longa duração das crises e dos vínculos entre capitalismo global e política nacional oferece pistas para pensar a atual onda autoritária.

Até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado dia 13 de outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

Boa leitura!

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Centenário de Octavio Ianni | Imperialismo e dependência: a sociologia histórica de Octavio Ianni, por Karim Helayel

Dando continuidade à série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos ensaio de Karim Helayel (UFRJ) que destaca a reflexão de Ianni sobre dependência e imperialismo como uma das contribuições mais originais da sociologia latino-americana.

Como pensar o capitalismo a partir das sociedades periféricas? O autor mostra que, ao articular imperialismo, dependência, cultura e Estado, Ianni elaborou uma sociologia histórica capaz de compreender tanto a especificidade do capitalismo dependente quanto a permanência de suas contradições no presente.

Até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado dia 13 de outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

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BVPS | SILVIANO SANTIAGO 90+ | Uma revoada de vagalumes – reescrita

Silviano Santiago comemora hoje 90 anos. Em nome da BVPS, parabenizamos o escritor que recriou, na crítica e na ficção, e na transgressão entre suas fronteiras, uma vida fascinante. Uma não, várias vidas. Na dele, Silviano, na da cultura brasileira e nas muitas vidas transformadas de leitores e leitoras. Sou um desses.

Mestre único nas grafias da vida, Silviano está tendo um ano intenso de publicações, a vida do escritor. Saíram a segunda edição do seu primeiro livro Carlos Drummond de Andrade (pela coleção Clássicos brasileiros das Ciências Sociais da editora Vozes) e o livro que até recentemente se dava por perdido, projetado graficamente por seu amigo Hélio Oiticica. XXXV também integra exposição imperdível na galeria Pinakotheke no Rio de Janeiro. E já que é de vidas silvianas que estamos falando, não custa lembrar que a sua biografia, intitulada Presente do acaso, escrita pelo jornalista João Pombo Barile, acaba de ganhar o Jabuti Acadêmico em Literatura desse ano.

Mas, o ano ainda traz mais, um ano inquieto como Silviano. Vale quanto pesa, em sua segunda edição traz um experimento de hospedagem, de reescrita por parte de jovens críticos dos textos de Silviano. E está sendo lançado na Coleção Pensamento politico-social da editora Hucitec. Glossário Silviano Santiago sai em novembro, pela editora Papéis selvagens. Ambos os livros foram publicados originalmente como séries aqui no Blog da BVPS. E, por último (até o momento), mas não menos importante, a Companhia das Letras traz nova edição, bastante revista, de Viagem ao México – um dos livros fundantes da obra de Silviano.

Nest post, convidamos o organizador do Glossário Silviano Santiago, Mario Cámara, e um dos organizadores de Vale quanto pesa, Gabriel Martins da Silva, para escreverem sobre os respectivos lançamentos. Com isso, encerramos a série especial SILVIANO SANTIAGO 90+. Nela, procuramos cruzar passado e futuro do escritor. Parece bem apropriado, agora, que cheguemos ao presente – essa espécie de entre-lugar, a um só tempo inescapável e indefinido.

Deixo ao amigo Silvano meu abraço lembrando um dos seus mestres, André Gide: “O que há de mais precioso de nós mesmos é o que fica por dizer”.

André Botelho

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BVPS Agenda | Conferência Instituto Igualdade “Chinese Youth and Social Inequalities”

Nesta quarta-feira, 30 de setembro, às 14h, acontecerá a conferência Chinese Youth and Social Inequalities do Instituto Igualdade – INCT Aprendizado Social e Promoção da Igualdade, o evento acontecerá no IFCS/UFRJ – Largo São Francisco de Paula, 01, na Sala Evaristo Moraes Filho – 109.

A conferência, com exposição de Laurence Roulleau-Berger (École Normale Supérieure de Lyon), abordará as juventudes chinesas e as desigualdades sociais, contribuindo para o debate sobre transformações sociais e experiências juvenis na China contemporânea.

O Instituto Igualdade: INCT Aprendizado Social e Promoção da Igualdade visa reconstituir e analisar as desigualdades sociais no Brasil em três eixos relacionais: as ações e estruturas organizacionais públicas, que têm como objetivo a mitigação das desigualdades, especialmente no Brasil pós-1988; a experiência e os repertórios históricos, sociais e culturais de grupos e atores sociais no enfrentamento das desigualdades; e o monitoramento de indicadores de desigualdades e políticas públicas voltadas para promoção da equidade.

Para mais informações do Instituto Igualdade siga-os no Instagram

BVPS Edições | Autorais Elisa Reis

Chega ao fim a série Autorais Elisa Reis com o texto “A democracia e o desafio de reconciliar igualdade e diferença”, publicado no livro Worlds of Difference (2013), organizado por Saïd Amir Arjomand e Elisa Reis.

Com maiores ou menores dificuldades, as democracias contemporâneas se deparam com o problema de conciliar igualdade e diferença, sobretudo à medida que a desigualdade passa a ser percebida como a negação injusta de ambas. É a partir dessa questão que o texto, ao refletir sobre alguns dos desafios enfrentados pelo Brasil, alcança problemas que ultrapassam as particularidades de sua experiência. Compreendê-los, segundo Elisa Reis, exige acompanhar os processos sociais em sua longa duração, sem perder de vista as escolhas e possibilidades de ação que se abrem aos atores em cada contexto.

Ao longo da série, reunimos textos que permitem reconhecer a atualidade de uma produção intelectual que permanece especialmente fecunda para pensar os desafios do presente. Ao publicar, pela primeira vez em português, alguns de seus textos, a série procurou ampliar a circulação de uma reflexão que, atenta às transformações da vida social, também nos convoca a pensar o lugar e o papel das ciências sociais diante das questões que o nosso tempo nos coloca.

Renovamos nossos agradecimentos à autora pela generosidade em compartilhar sua produção com as leitoras e os leitores da BVPS, e a Karim Helayel, pela cuidadosa curadoria da série e pelo primoroso trabalho de tradução. Para acessar a série completa, clique aqui.

Boa leitura!

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Série Back to the 70s | Dois cinquentenários das Ciências Sociais: Anpocs e CEDEC | A Sociologia e a Ciência Política criadas pela Anpocs, por André Botelho, Bernardo Ricupero e Antonio Brasil Jr.

A Back to the 70s retorna hoje para o último post da série especial Dois cinquentenários das Ciências Sociais: Anpocs e CEDEC, para celebrar os cinquenta anos de duas instituições marcantes das Ciências Sociais brasileiras neste ano de 2026.

No artigo “A Sociologia e a Ciência Política criadas pela Anpocs” – publicado originalmente em 2017 na revista da Canadian Sociological Association –, assinado por André Botelho (UFRJ), Bernardo Ricupero (USP) e Antonio Brasil Jr. (UFRJ), os autores traçam um panorama da sociologia e da ciência política praticadas no Brasil a partir dos balanços bibliográficos produzidos pela Anpocs nos últimos quarenta anos.

Da recorrência de “desigualdade” e “violência” na sociologia à passagem, na ciência política, do estudo do autoritarismo para o do funcionamento da democracia, o texto mostra como as duas disciplinas combinam uma vocação universalista com um interesse persistente pelas especificidades da formação do Estado-nação brasileiro. Afinal, o que essas escolhas temáticas revelam sobre o modo particular como pensamos, no Brasil, a relação entre Estado e sociedade?

Confira os demais posts da série aqui.

Boa leitura!

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Coluna Renato Ortiz | Previsibilidade


Nesta edição da coluna Renato Ortiz (Unicamp), o sociólogo traça um paralelo entre a busca pelo indo-europeu no século XVIII e a inteligência artificial generativa na hipermodernidade, mostrando como a noção de previsibilidade lógica articula esses dois momentos aparentemente díspares. Enquanto os linguistas do passado postularam uma língua e um povo originais sem evidências concretas, os modelos de linguagem atuais geram textos baseados em probabilidades estatísticas e treinamentos intermináveis; em ambos os processos, diz Ortiz, o que há de comum é a busca por uma ordem previsível.

Não deixe de conferir este e outros dos trinta textos publicados na coluna ao longo dos últimos dois anos, oportunidades nas quais Renato Ortiz refletiu sobre os mais diversos temas da sociedade, da cultura e da política. Para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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Série Back to the 70s | A todo vapor (Gal e os poetas), por Eduardo Sterzi

Amanhã, 25/09, às 17h, acontece o penúltimo seminário da série Back to the 70s: Euforia e sombras, com transmissão ao vivo pelo canal da BVPS no YouTube. Para antecipar o encontro, publicamos abaixo uma prévia da apresentação “A todo vapor (Gal e os poetas)”, de Eduardo Sterzi (UNICAMP), que contará com debate de Márcia Fráguas (PPGL/UERJ) e mediação de Maurício Hoelz (UFRRJ).

Da evocação do nome e da figura de Gal Costa nas reimaginações concretistas da poesia antiga, há, segundo Sterzi, na mística de sua beleza, a sugestão de condensação dos mais diferentes tempos, a promover um deslocamento deliberadamente anacrônico, mas também, transfigurador, nas formas de ver o contexto em que Haroldo, Augusto de Campos e Décio Pignatari escreveram, e, para além dele, o universo de produção da própria cantora e dos artistas que a cercavam.

Leia o texto e acompanhe a mesa. Você é nossa/o convidada/o especial!

Para conferir a programação anual dos seminários, clique aqui. E, para acessar os outros textos da série, clique aqui.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Onde estão as mulheres no ensino de Ciências Sociais no Brasil?, por Fernanda Alcântara

No novo post da série Ensinar Pensamento Social, organizada por Arilda Arboleya (UFPI) em parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social, publicamos hoje “Onde estão as mulheres no ensino de Ciências Sociais no Brasil?”, de Fernanda H. C. Alcântara (UFJF-GV).

Partindo da pergunta formulada por Harriet Martineau em 1838 (“As mulheres estão lá? Em quais proporções, e sob quais leis da liberdade?”), a autora discute os mitos que sustentam o cânone e o rótulo de “identitarismo” atribuído a quem estuda as teóricas clássicas. Com base em pesquisa sobre os planos de ensino dos cursos de Ciências Sociais das IFES, mostra que as mulheres não chegam a 10% das referências em nenhum dos recortes analisados. Se a formação em Ciências Sociais se define pelo estranhamento e pela desnaturalização do que parece dado, por que a ausência das mulheres nos currículos segue naturalizada, enquanto a reivindicação de sua presença é tratada como “identitarismo”?

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

Boa leitura!

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