“GÊNIOS DA PELOTA” (PARTE II), POR RICARDO BENZAQUEN

 

*Créditos da Imagem: “Romário, Copa 1994” de Rubens Gerchman

“Arte e Ofício” (Parte II)

De que forma, então, é possível impedir esta degeneração da confiança?

  Através, precisamente, da enfatização daquele controle, daquela contenção que o uso da máscara implica em desafiar. Lembremo-nos que, para controlar o abatimento e promover a confiança, os jogadores devem lançar mão de um recurso de caráter cognitivo, a autocrítica. Da mesma maneira, para conter a confiança em limites aceitáveis, e impedir o aparecimento da máscara, deve-se empregar uma outra categoria, a autodisciplina.

    O jogador precisa, então, fortalecer de todas as maneiras o seu autocontrole, ter o máximo de confiança em si mesmo, mas tomando todo o cuidado para evitar que esta autoconfiança o leve a pretender humilhar seus adversários, assumindo uma postura hierárquica em um contexto em que ela não é permitida. Na verdade, se a autodisciplina tiver sucesso em controlar a confiança, a personalidade ideal do jogador será marcada por um quarto sentimento, a humildade. Esta vai, exatamente, implicar no privilégio de todos os valores negados pela máscara, constituindo, juntamente com a autoconfiança, uma dupla de sentimentos altamente valorizada pelos jogadores. Em função da humildade, por mais autoconfiança que tenha em seu talento, o jogador irá sempre tratar seus companheiros e adversários como iguais, respeitando as variações e a imprevisibilidade, as surpresas que o desempenho pode encerrar.

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“GÊNIOS DA PELOTA” (PARTE I), POR RICARDO BENZAQUEN

      O Blog da BVPS tem o prazer de publicar, de forma inédita, parte da dissertação de mestrado de Ricardo Benzaquen de Araújo, defendida em 1980 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) com banca composta por Gilberto Velho, orientador, Rubem Cesar Fernandes e José Sergio Leite Lopes. O momento, aliás, não poderia ser mais apropriado. Quando a Copa do Mundo de futebol chega a suas fases decisivas, a pioneira pesquisa “Os Gênios da Pelota: um estudo do futebol como profissão” comprova sua atualidade, nos oferecendo um olhar complexo e sofisticado sobre o jogo e suas estrelas, os jogadores. Paparicados, firulentos, cai-cai são, ao mesmo tempo, responsáveis por cenas de beleza e genialidade do futebol.

    Em “Os Gênios da Pelota” Ricardo Benzaquen segue as pistas das representações em torno do futebol sustentadas pelos discursos dos próprios jogadores, colhidas principalmente por meio de entrevistas realizadas pelo autor. Através delas discute temas que não saem de pauta – para usar um jargão dos jornalistas, parte fundamental desse “mundo” –, revelando a complexidade das situações vividas. Como, ademais, viria ser a marca de sua obra, neste trabalho as polarizações não seguem a lógica dualista, mas ora se tensionam ora se complementam. Basta observar os títulos– sempre marcantes, aliás, – dos capítulos um e dois: “Cálculo e Prazer” e “Arte e Ofício”. No primeiro, Benzaquen observa as razões que levaram os jogadores entrevistados a optar pelo futebol como profissão, destacando, principalmente, a chance de enriquecimento e de auto-realização que ele parece trazer. No segundo capítulo, que publicamos agora no Blog, foram levantadas as categorias básicas para se ter sucesso na profissão de futebolista, especificamente o talento, e uma certa personalidade, baseada na ideia de autocontrole. O jogador com talento, observa Benzaquen, não é dono simplesmente de um dom natural, mas é fruto de um equilíbrio frágil, embora poderoso, entre a diferenciação de funções exercidas por todos os jogadores em um time e o desempenho específico que o torna único. Já o terceiro e último capítulo, “O lado escuro”, analisa principalmente as relações conturbadas dos jogadores com os dirigentes de seus clubes, baseadas em fórmulas paternalistas que só poderiam ser eliminadas, segundo os entrevistados, pela atividade sindical.

          Gostaríamos de agradecer a Alice Miceli e Carolina Miceli por autorizarem a publicação deste texto.

          Dividimos a publicação do capítulo “Arte e Ofício” em duas partes. Na sexta-feira, dia 6 de julho, publicaremos a segunda.

           Uma ótima leitura a todos e a todas!


* Créditos da Imagem: “Pelé” (1997) de Rubens Gerchman

“Arte e Ofício”

Minha maior preocupação, no capítulo anterior, foi a de tentar definir e isolar, no discurso dos jogadores, o que procurei caracterizar como sendo um projeto individualista. Este projeto, que parece incluir tanto a vertente “quantitativa” quanto a “qualitativa” do individualismo, vai dar conta das razões que levaram meus entrevistados a escolher o futebol como profissão.

Ele faz, inclusive, com que estes se diferenciem dos outros jogadores, que são acusados de terem entrado “cegamente” no futebol, sem qualquer cálculo das vantagens que a carreira poderia trazer, sem qualquer projeto. Discutidas as razões que levaram os entrevistados à sua opção profissional, meu interesse básico, neste segundo capítulo, consistirá em tentar descobrir quais as “qualidades” que um jogador deverá possuir para que tenha condições de alcançar o “sucesso” na sua carreira.

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PALESTRA “VANGUARDA, POLÍTICA E AUTONOMIA DA ARTE NO RIO DE JANEIRO (2013-2018)”, POR SABRINA PARRACHO (UFRRJ)

O Blog da BVPS convida para a palestra “Vanguarda, política e autonomia da arte no Rio de Janeiro (2013-2018)” a ser proferida pela Profa. Sabrina Parracho (UFRRJ), no dia 5 de julho de 2018, quinta-feira, às 17 horas, no IFCS/UFRJ. O evento é organizado pelo NEPS – Núcleo de Estudos Comparados e Pensamento Social (UFRJ/UFF) .

Endereço: Largo de São Francisco de Paula, 01/sala “Amarela” no conjunto 109 (térreo) – Centro – Rio de Janeiro (estações Carioca ou Uruguaiana do Metrô).

Abaixo o resumo da comunicação:

Esta comunicação procura discutir a relação entre museus e vanguarda, a partir de práticas de inovação e de sua crítica. como Andreas Huyssen e Peter Berger mostraram, o projeto da vanguarda, ao relacionar arte e vida, uma vez inserido nos museus, deu forma a novas práticas sociais. A proeminência dos curadores, a ênfase na fundação de centros culturais e as políticas educativas nas instituições museais são algumas das consequências atribuídas a uma série de exposições que abrigaram a vanguarda. Em anos recentes, embora muitos tenham proclamado o fim da vanguarda e a dissolução de sua efetividade, a crítica política vem sendo retomada pelos trabalhos de jovens artistas.

Desde 2013, o Brasil tem passado pelo que tem sido diagnosticado como uma intensa crise política que vem impactando as práticas artísticas. Esta comunicação procura, portanto, discutir os recentes movimentos constituídos na cidade do Rio de Janeiro. Movimentos que têm construído uma narrativa em que performances e instalações de arte ganham espaço dentro e fora das instituições como formas de ação política. Coletivos, artivismo e crítica institucional são algumas das nivas formas de ação que desafiam os limites da vanguarda e turvam as fronteiras entre arte e esfera pública. Assim, este paper procura entender como novos arranjos institucionais têm surgido na cidade, alterando não só o cenário urbano, mas também as instituições tradicionais, obrigadas a reagir.

PALESTRA “PECADOS CONTRA NATUREZA: SEXO E ARQUIVOS NA NOVA ESPANHA”, POR ZEB TORTORICI

O Blog da BVPS convida para a palestra “Pecados contra Natureza: Sexo e Arquivos na Nova Espanha”, a ser proferida por Zeb Tortorici, no dia 02 de julho (segunda-feira), às 15hs, no Estúdio de TV da Escola de Comunicação da UFRJ (Campus da Praia Vermelha – Av. Pasteur, 250 fundos).

         Zeb Tortorici é Professor no Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Nova Iorque e tem doutorado em história pela Universidade da Califórnia, Los Angeles (2010). É autor do recente Sins Against Nature: Sex and Archives in Colonial New Spain (Duke Univeresity Press, 2018), organizador de Sexuality and the Unnatural in Colonial Latin America (University of Caifornia Press, 2016), co-organizador de Centering Animals in Latin American History (Duke University Press, 2013) e dos dossiês Queering Archives: Intimate Tracing (2015) e Queering Archives: Historical Unraveling (2014), ambos para Radical History Review. No momento, está coorganizando o dossiê especial da Transgender Studies Quarterly intitulado “Trans*historicities, a ser publicado em 2018, e preparando a coorganização de On Fetal Baptisms and Cesarean Sections: An Eighteenth-Century Guatemalan Treatise in Historical para Penn State University Press. Suas áreas de pesquisa são gênero e sexualidade na história colonial da América Latina, teorias e estudos de arquivos, arquivos queer, morte, história do suicídio e da pornografia, estudos animais (animal studies), estudos animais na América Latina.

       A entrada é livre e gratuita. Para informações mais detalhadas, segue a página do evento no Facebook:
https://www.facebook.com/events/2150163061885766/?notif_t=plan_admin_added&notif_id=1529701998240585

EXPOSIÇÃO COLETIVA “HISTÓRIAS AFRO-ATLÂNTICAS” (INSTITUTO TOMIE OHTAKE E MASP)

A exposição coletiva Histórias afro-atlânticasreúne, em iniciativa inédita, duas das principais instituições culturais de São Paulo: o Instituto Tomie Ohtake e o MASP. Trata-se de um desdobramento da exposição “Histórias mestiças“, realizada em 2014, no Instituto, por Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, que também assinam a curadoria desta nova mostra, junto com Ayrson Heráclito e Hélio Menezes, curadores convidados, e Tomás Toledo, curador assistente.

“Histórias afro-atlânticas” apresenta cerca de 400 obras de mais de 200 artistas, tanto do acervo do MASP, quanto de coleções brasileiras e internacionais, incluindo desenhos, pinturas, esculturas, filmes, vídeos, instalações e fotografias, além de documentos e publicações, de arte africana, europeia, latino e norte-americana, caribenha, entre outras.

A exposição articula-se em torno de núcleos temáticos, alguns dos quais presentes em “Histórias mestiças”. No Instituto Tomie Ohtake estão Emancipações; Ativismos e resistências; e no MASP estão presentes os núcleos Mapas e margens; Cotidiana; Ritos e Ritmos; Retratos; Modernismos afro-atlânticos; Rotas e transes: Áfricas, Jamaica, Bahia. . Em cada núcleo, friccionam-se diferentes movimentos artísticos, geografias, temporalidades e materialidades, sem compromisso cronológico, enciclopédico ou mesmo retrospectivo. Histórias afro-atlânticas busca, assim, oferecer um panorama das múltiplas histórias possíveis acerca das trocas bilaterais – culturais, simbólicas, artísticas, etc. – representadas em imagens vindas da África, da Europa, das Américas e do Caribe.

Abertura no Instituto Tomie Ohtake: 30 de junho das 11h às 15h
Abertura no MASP: 28 de junho às 20h
Exposição: 30 de junho a 21 de outubro

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UNIVERSIDADE DAS QUEBRADAS NO MUSEU DE ARTE DO RIO (MAR): INCRIÇÕES ABERTAS 2018.2


Estão abertas as inscrições para a Universidade das Quebradas 2018.2 . Se você é produtorartista, ativista cultural ou atua em movimentos sociais engajado com a (ou na) periferia, a Universidade das Quebradas (UQ) – Laboratório de Tecnologias Sociais da UFRJ, em parceria com o Museu de Arte do Rio (MAR), vem propiciando o encontro entre o conhecimento da Periferia e a Academia.

A Universidade das Quebradas (UQ) é um Laboratório Tecnologia Social conhecido por sua metodologia de troca de saberes e experiências em contextos multiculturais, e tem se desenvolvido continua e ininterruptamente desde 2009, atendendo a mais de 800 participantes. Com isso, investe na troca e na mistura de saberes entre a comunidade, que produz cultura fora das universidades, e a comunidade acadêmica, para criar novas formas de conhecimento e novas expressões artísticas, dando ênfase à profissionalização e sustentabilidade dos projetos individuais dos quebradeiros.

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SEMINÁRIO DIREITO AO DESENVOLVIMENTO, À SAÚDE E À CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (FIOCRUZ. SBPC e ABRASCO)

O Blog da BVPS convida para o Seminário Direito ao Desenvolvimento, à Saúde e à Ciência, Tecnologia e Inovação, promovido pela Fiocruz, SBPC e Abrasco, a realizar-se no dia 29 de junho de 2018, de 9h às 17h, no Tenda da Ciência Virginia Schall, localizado à Avenida Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro – RJ.

O evento será aberto à comunidade e às entidades de representação da sociedade civil organizada.

Programação:

09h às 09h15
Mesa de Abertura:

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz
Ildeu de Castro Moreira, presidente da SBPC
Gastão Wagner, presidente da Abrasco
Lucia Souto, presidente do CEBES
Paulo Garrido, presidente da Asfoc-SN

09h15 às 10h45
Mesa: “Direito ao Desenvolvimento e à saúde”

Palestrante: Luiz Gonzaga Belluzzo (UNICAMP)
Debatedores: Lígia Bahia (UFRJ) e Carlos Gadelha (Fiocruz)

11h às 12h30
Mesa: “Pesquisa e Inovação em Saúde”

Palestrante: Reinaldo Guimarães (UFRJ)
Debatedores: Manoel Barral (Fiocruz) e Lucile Winter (USP)

12h30 – 14h – Almoço

14h às 17h
Grupos de Trabalho (GTs)

LANÇAMENTO DO LIVRO “SER REPUBLICANO NO BRASIL COLÔNIA” DE HELOISA STARLING (UFMG), PARTE II

Como prometido no post passado, o Blog da BVPS traz hoje novas informações sobre o livro  “Ser Republicano no Brasil Colônia. A História de uma Tradição Esquecida”, de Heloísa Starling, que será lançado amanhã, quarta-feira, dia 20 de junho, às 19 horas, no Conservatório da UFMG (Av. Afonso Pena, 1534, Belo Horizonte). Confira AQUI um trecho do livro disponibilizado pela Editora Companhia das Letras.

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LANÇAMENTO DO LIVRO “SER REPUBLICANO NO BRASIL COLÔNIA” DE HELOISA M. STARLING (UFMG)

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro “Ser Republicano no Brasil Colônia. A História de uma Tradição Esquecida” (Editora Companhia das Letras), de Heloisa M. Starling (UFMG), que ocorrerá no Conservatório da UFMG (Av. Afonso Pena, 1534, Belo Horizonte), no dia 20 de junho, às 19 horas. Na ocasião, haverá um bate-papo com José Murilo de Carvalho, Marcelo Fonseca, Newton Bignotto e Ricardo Teperman.

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