BVPS Edições | A virada | A gente se encontra na quadra certa da história, por Lilia Schwarcz

A virada. Após a mobilização durante o segundo turno das eleições presidenciais, que chamamos de Escolher a democracia, a BVPS Edições abre espaço para que, no calor da hora, colegas se manifestem, trazendo análises, desafios e testemunhos sobre este momento, talvez o mais importante desde a redemocratização do Brasil. A tarefa política urgente parece ser a de desbolsonarizar o Brasil, e ela perpassa todo o espectro ideológico, da direita à esquerda. Se é assim, cabe aos intelectuais compreender e problematizar o fenômeno para desconstruir a própria ideia de legitimidade do bolsonarismo. O fascismo não é legítimo. E, como já sabemos, é por suas mãos que as democracias morrem.

Para abrir a série, Lilia Moritz Schwarcz, uma das principais intelectuais públicas do nosso tempo, compartilha suas anotações e reflexões sobre os dias da virada e vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, a favor da qual já vinha colocando sua longa, consistente e ampla experiência como antropóloga e historiadora e ativista. Lilia pensa os últimos dias como parte de um aprendizado social da sociedade brasileira que, entre outras coisas, pode nos levar a problematizar a ideia de polarização.

Que venha uma nova virada: a da mobilização permanente, nas ruas e nas redes. A luta continua. Boa leitura!

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BVPS Recomenda | Mesa “Cultura e Mudança Social”, com Mauricio Hoelz, Sergio Tavolaro e Andrea Borges Leão

Amanhã, dia 27 de outubro, às 14h30, o Comitê de Pesquisa (CP-20) de Pensamento Social da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) promove mais um encontro para discutir o tema “Cultura e Mudança Social”, com a participação de Mauricio Hoelz (UFRRJ), Sergio Tavolaro (UnB) e Andréa Borges Leão (UFC).

Como a cultura se relaciona com as transformações da sociedade? E de que maneira ela nos ajuda a compreender as dinâmicas sociais contemporâneas? Essas são algumas das questões que orientam o debate do Comitê, que acontece amanhã e reúne reflexões sobre as relações entre cultura e sociedade. O seminário é uma oportunidade para discutir como práticas, valores e representações culturais participam dos processos de transformação social e contribuem para compreender os desafios do mundo contemporâneo.

Para acessar a transmissão no canal da SBS, clique aqui.

BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Neste terceiro post da Autorais Antonio Sérgio Guimarães, trazemos o texto “Além de Braverman, depois de Burawoy: vertentes analíticas na sociologia do trabalho”, escrito em parceria com Nadya Araújo Guimarães e publicado originalmente na Revista Brasileira de Ciências Sociais em 1991.

Como se constroem o consentimento e a resistência dos trabalhadores, e que relações sociais lhes dão sentido? O texto analisa criticamente as contribuições e os impasses de duas referências centrais desse debate. Da ênfase de Braverman no controle e na desqualificação à análise de Burawoy sobre a produção do consentimento, os autores problematizam os limites de explicações que subordinam subjetividade dos trabalhadores à função de assegurar e obscurecer a exploração, negligenciando os vínculos entre trabalho e outras esferas da vida social. A leitura nos convida a acompanhar esse debate e a considerar como relações familiares, étnicas e de gênero constituem as identidades e orientam as estratégias e lutas dos trabalhadores.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui. Outros posts da série podem ser conferidos aqui.

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Declaração da Alas sobre as eleições presidenciais no Brasil

A Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS) divulgou, nesta sexta-feira, 23 de outubro, uma declaração em defesa da democracia, da liberdade acadêmica e da soberania latino-americana diante do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. No documento, a entidade manifesta apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que o futuro político brasileiro tem consequências decisivas para toda a América Latina e o Caribe.

Confira abaixo a declaração.

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BVPS | Cientistas sociais pela democracia

Cientistas sociais de todo Brasil e de algumas instituições estrangeiras fazem carta afirmando que apenas a candidatura de Luis Inácio Lula da Silva representa garantia da democracia. A carta foi assinada por mais de 1.100 profissionais e pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) hoje, dia 23 de outubro, em menos de 6 horas.

Confira a carta abaixo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Encerramento e agradecimentos

Encerrada a Ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, a equipe da BVPS reafirma seu compromisso com a comunicação pública da ciência e com a democracia como o único ambiente propício ao florescimento de conhecimento relevante e de diálogos plurais e inclusivos para e com a sociedade brasileira.

Leia nossos agradecimentos às autoras e aos autores que participaram da nossa ação, que não foi a primeira desse tipo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Democracia, por Paulo Cassimiro

Republicamos texto de Paulo Cassimiro (IESP-UERJ) que explora as variadas disputas do conceito polissêmico de “Democracia”. O ensaio foi publicado originalmente em 2024, na série Mitomanias/Mitologias, e agora compõe à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

Em um momento em que a democracia se encontra sob pressão e seus sentidos são mobilizados por diferentes projetos políticos, a reflexão de Cassimiro ganha especial atualidade. Ao mostrar como a democracia se tornou uma palavra de consenso, mas permanece aberta a significados em disputa, o autor nos ajuda a compreender como interesses distintos reivindicam para si o caráter democrático de suas ações. Pensar essas disputas é também refletir sobre os sentidos da democracia que queremos defender.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | As ciências sociais e humanas no mundo apocalíptico das (ultra)direitas, por Gustavo Lins Ribeiro

Republicamos hoje, simultaneamente em português e espanhol, ensaio de Gustavo Lins Ribeiro, professor da Universidad Autónoma Metropolitana do México, sobre uma ameaça que se constrói de maneira silenciosa e tem as ciências sociais e humanas como alvo prioritário.

Apoiando-se no intelectual ucraniano Anton Shejovtsov, o autor identifica no projeto desta extrema direita, que chama de “tecno-oligarquia” contemporânea, um esforço sistemático de perseguir todos obstáculos para quem ambiciona um mundo autoritário: cortes de financiamento, campanhas de desprestígio e manipulação algorítmica. Se Shejovtsov está certo ao afirmar que o humanismo é “a base mais evidente e coerente de toda resistência” a esse projeto, então defender as ciências sociais se torna uma necessidade política. Afinal, a quem interessa o fim do pensamento crítico?

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Sociológicas | As quebradeiras de coco, por Maria Moraes

Chegamos à última postagem da série Sociológicas com Maria Moraes (UFSCar). Exímia especialista do mundo rural e da sociologia, Moraes mostrou, quinzenalmente, diferentes paisagens invisibilizadas dos labirintos das plantações paulistas. Arguta e generosa com leitores e leitoras, concebeu a série como episódios de uma história em curso.

Hoje, ela nos leva à outros lugares e apresenta o cotidiano e a resistência das quebradeiras de coco babaçu na periferia de Timbiras (MA), cujo trabalho, argumenta, sustenta a reprodução da vida e a sociabilidade comunitária diante da degradação ambiental do latifúndio, do avanço do agronegócio e das pressões da migração.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica. Muito obrigado Maria Moraes por enriquecer e afiar o nosso repertório.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Da borduna ao pincel, por Alcida Rita Ramos

Republicamos texto de Alcida Rita Ramos (UnB) sobre as transformações nas atitudes e nas estratégias da luta indígena por reconhecimento e respeito. O ensaio foi publicado originalmente em 2024, na coluna Desassossegos, e agora se junta à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

Se, no passado, as bordunas e os arcos eram os instrumentos de resistência, hoje essa luta se amplia com câmeras e pincéis, que ressignificam a presença indígena nos campos cultural e político. Apesar das ambiguidades e contradições do que se convencionou chamar de “era digital”, é fato que os povos indígenas também ampliaram suas possibilidades de resistência e afirmação identitária, com artistas protagonizando uma nova fase de “demarcação das telas”. Dessa forma, Alcida nos relembra três aspectos importantes: que o Brasil é vasto, que as violências e as resistências são múltiplas e que, sobretudo, ainda vale a pena acreditar e lutar pela democracia, como tão aguerridamente fazem os povos indígenas.

Boa leitura e não deixe de acompanhar nosso Instagram!

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BVPS Acervo: Escolher a democracia | Primeiros Escritos | O “empreendorismo” popular na busca por autonomia e dignidade, por Letícia Bolckau

Pode haver autonomia e dignidade humanas reais onde a sobrevivência depende de uma “vida sem salário”? Dando continuidade à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, publicamos em conjunto e de maneira inédita texto escrito para a série Primeiros Escritos, onde Letícia Bolckau (PPGSP/UENF) analisa o empreendedorismo popular a partir da experiência de camelôs em Campos dos Goytacazes/RJ. Ao investigar como a perda de garantias e a flexibilização compõem uma “meritocracia de risco”, o texto revela que a busca por respeito e autogestão convive com jornadas exaustivas e com a ausência de amparo social.

Quando o desamparo institucional força o trabalhador a gerir individualmente a própria miséria sob o verniz de “empreendedorismo”, o próprio pacto democrático é violentado em suas bases. Escolher a democracia significa romper com a naturalização da precariedade e garantir que as condições materiais da existência humana voltem a ser o centro de uma disputa política por justiça social e igualdade substantiva.

Conheça mais sobre a Coluna Primeiros Escritos, voltada a alunas e alunos de pós-graduação.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Memória das lutas e papel dos intelectuais, por Elide Rugai Bastos

Há 180 anos, em meio à crueldade do regime escravista e aos interesses de uma oligarquia sedenta pela manutenção do status quo, o pernambucano Antonio Pedro de Figueiredo, chamado por seus críticos de “mulato”, erguia-se em desobediência para defender a implementação de uma reforma agrária que colocaria o Brasil no caminho da democracia. Nunca é tarde para lembrarmos daqueles que, com muito sacrifício, lutaram pela conquista de nossa tão frágil liberdade. A poucos dias de mais um momento decisivo de nossa história, a ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia republica texto de Elide Rugai Bastos (Unicamp), escrito originalmente em 1997 e publicado no ano passado na Série Nordestes, que resgata as ideias e o papel social desse aguerrido brasileiro, crítico contumaz da maneira como o Brasil se organizava. Figueiredo foi, entre outras coisas, responsável pela publicação da revista O Progresso, e seu debate sobre a reforma agrária permanece surpreendentemente atual.

Boa leitura!

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Verbete “Pensamento Social no Brasil”, por Elide Rugai Bastos

Num estágio de desenvolvimento científico-acadêmico em que a hiperespecialização redobra o seu sentido original moderno, com mais fragmentação e comunicação interna cada vez mais improvável, a área de pesquisa do pensamento social vai se constituindo, na contramão desse processo, num espaço reflexivo crítico da sociedade e autocrítico da sociologia. Sim, embora tradicionalmente multidisciplinar, será que todas as disciplinas seguem hoje igualmente dispostas a distinguir método de objeto e a reconhecer que a experiência dos atores sociais não basta, por si só, para explicar nem suas situações particulares nem a sociedade em seu conjunto complexo, emaranhado e simultaneamente estruturado e contingente? Ou, ainda, que as instituições, por si sós, não bastam para explicar a política? Pois é essa necessária radicalização sociológica que Elide Rugai Bastos realiza no balanço que escreveu sobre a área para a recém-lançada Enciclopédia Brasileira de Ciências Sociais, da ANPOCS, que ora divulgamos.

O verbete nos convida, afinal, a perguntar: por que continuar estudando as interpretações do Brasil quando o próprio país não para de se transformar? Ou será que as mudanças do último século não transformaram a sociedade em suas estruturas de desigualdade e autoritarismo? Estar em movimento é o mesmo que mudar? Pensamento social, explica Elide, exige atenção para duas categorias e sua conjugação: processo social e reflexividade. Não é possível pensar o presente sem a dimensão de processo que ele esconde. Não é possível pensar as interpretações do Brasil como meras descrições externas da sociedade. Não por acaso, a reflexão de Elide encontra na questão do aprendizado social uma possibilidade de renovação das perguntas da área: reconhecer que as sociedades aprendem também nos desafia a compreender por que o mundo é tão difícil de mudar.

Pensamento social brasileiro é um convite à radicalização da sociologia. Ainda hoje, na parte da tarde, republicaremos outro texto de Elide na ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

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BVPS Acervo: Escolher a democracia | Financeirização, fundos de pensão e impactos sobre o mundo do trabalho, por Mateus Santana

Quem decide o que se faz com a poupança de quem trabalha? Dando início à última semana da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, republicamos texto escrito para série Economia & Sociedade, onde Mateus Santana (UFRRJ) mostra como a maximização do valor ao acionista subordinou empresas e trabalhadores a metas financeiras, e como os fundos de pensão, formados pela previdência dos próprios trabalhadores, acabaram reforçando a precarização e a desigualdade. Quando as decisões econômicas que moldam a vida coletiva escapam a qualquer controle democrático, a democracia se esvazia. Escolher a democracia é também disputar a quem as finanças devem servir.

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Neste segundo post da Autorais Antonio Sérgio Guimarães, trazemos o texto “Brasil, 1996-2012: anotações para uma sociologia política da adoção de cotas no ensino superior público”, originalmente uma comunicação apresentada em dois congressos internacionais, em Washington e Paris, em 2013.

Como as lutas da agenda negra ajudaram a ampliar o acesso à universidade no Brasil? Neste texto, Antonio Sérgio examina as disputas em torno da adoção de cotas e o protagonismo do movimento negro na construção de alianças que fizeram do combate às desigualdades raciais uma causa de amplo alcance social. O PROUNI, ao viabilizar o acesso de estudantes de baixa renda a vagas no setor privado, e o REUNI, ao expandir as vagas nas universidades federais, ocupam um lugar importante nesse processo. O autor mostra como esses programas se articularam às reivindicações por inclusão racial e às políticas voltadas às classes populares, dando à agenda negra um papel central na reforma do ensino superior. A leitura nos convida assim a compreender as lutas, as alianças e as resistências que tornaram possíveis essas conquistas e redefiniram o lugar da questão racial nas políticas públicas brasileiras.

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Homenagem | Omar Ribeiro Thomaz

Alcida Rita Ramos parece andar revisitando os estóicos, mas a emoção transborda ao lembrar do colega e amigo Omar Ribeiro Thomaz, falecido no último dia 12 de outubro. Na homenagem que fazemos juntos, em edição especial de domingo, Omar reaparece como um Diógenes: despojado, ascético mesmo, uma persona que contrasta com sua crítica radical às convenções sociais. Cidadãos do mundo, Diógenes e Omar permanecerão lendários por meio de anedotas e ensinamentos.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Pastores nas redes sociais, por Stella Garrido

Entre o púlpito e o palanque, as redes sociais abriram um atalho. O que muda na política democrática quando o debate entre direita e esquerda é traduzido na linguagem do bem contra o mal? No post de hoje, originalmente publicado na série Mitomanias/Mitologias, Stella Garrido examina como pastores como Silas Malafaia, Marco Feliciano e André Valadão usam sua autoridade religiosa, tida como inquestionável por seus fiéis, para demonizar a esquerda e reforçar um alinhamento à extrema direita. O texto mostra como a cosmovisão evangélica, antes restrita à igreja, passou a circular no espaço público digital, a ponto de a disputa política ser tratada como batalha espiritual.

Escolher a democracia exige reconhecer que divergir não é pecar.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | Feminicídios crescem e nos interrogam, por Lia Zanotta Machado

Por que os feminicídios continuam a crescer, mesmo diante do avanço das leis e das políticas públicas de enfrentamento? Republicamos hoje o texto “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | Feminicídios crescem e nos interrogam”, escrito por Lia Zanotta Machado (UnB) neste ano, no Dossiê Feminicídio, organizado por Clara Araújo (UERJ).

Ao analisar os códigos patriarcais de honra e as disputas em torno da liberdade e da autonomia das mulheres, Machado nos ajuda a compreender como valores autoritários persistem nas relações sociais, mesmo diante do reconhecimento dos direitos iguais. Em um momento de ameaças à democracia e de tentativas de restringir direitos, recuperar esse debate é também reafirmar que a democracia depende da efetivação da igualdade e da capacidade de enfrentar as diferentes formas de violência que ainda limitam a liberdade das mulheres.

Boa leitura!

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BVPS Coleção | Lançamento do e-book “Ensaios para a democracia”, de Maria Victoria Benevides

Ensaios para a democracia foi o título que havíamos escolhido para o livro de Maria Victoria Benevides num momento anterior ao tão delicado que vivemos. Ele ganha mais sentido agora? Acreditamos que sim. Pela conjuntura dramática que atravessamos com o resultado do primeiro turno das eleições, que, como tem sido repetido por especialistas, não consiste numa mera escolha entre candidatos. A própria democracia precisa ser escolhida.

Também, não resta dúvida, a qualidade dos ensaios reunidos no livro que hoje entregamos, numa parceria com o editor Sergio Cohn, a quem agradecemos, ajuda a compreender o processo que engendrou nosso presente – e, portanto, ele mesmo e algumas tendências de futuro da sociedade brasileira. Isso não é mágica, é ciência política da melhor qualidade que não se deixou enredar por modismos nem por visões minimalistas da política, como se o Estado e suas instituições existissem em algum lugar hipotético autônomo em relação à sociedade, ao mercado e à história.

Temos certeza de que os leitores da série Autorais Maria Victoria Benevides terão nova surpresa ao relerem os ensaios agora em conjunto. Um posfácio precioso é assinado por Jorge Chaloub, que décadas depois seguiu os passos pioneiros de Benevides no estudo da UDN e a crise da democracia. A própria autora nos brinda com um prefácio, no qual sua argúcia e generosidade brilham juntos, mais uma vez. Continuamos ensaiando a democracia para que seja aperfeiçoada e plena entre nós. E com o livro em tela, há mais do que muitas contribuições para isso; ele é todo para ela, para a democracia. Ela precisa de nós.

Equipe BVPS

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Negacionismo como política e a CPI da Covid, por Nísia Trindade Lima

A pandemia de covid-19 mostrou as consequências devastadoras do negacionismo científico como política de Estado para as pessoas, as famílias e a saúde pública.

Hoje, trazemos texto de Nísia Trindade Lima, socióloga, sanitarista e primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Fiocruz e ministra da Saúde no Brasil. Ela analisa a atuação do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia e o papel da CPI da Covid na elucidação das estratégias de promoção do chamado “tratamento precoce”, apesar das evidências científicas de sua ineficácia.

O livro de Nísia Trindade, recém eleita Deputada Federal, Ainda há tempo: A pandemia de covid-19 e a transformação do futuro (2026), de onde o texto publicado foi retirado, é uma reconstituição incontornável para entender os caminhos que levaram à triste e criminosa marca de mais de 700 mil mortes por covid-19 no Brasil.

Boa leitura.

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