No dia 29 de setembro, às 14h30, ocorre o primeiro encontro, Pensamento Social e Democracia, que reúne Elide Rugai Bastos (UNICAMP), André Botelho (UFRJ) e Bernardo Ricupero (USP) para discutir como a reflexão sobre a formação brasileira interpela e é interpelada pela questão democrática, tema que atravessa a tradição do pensamento social desde suas formulações fundadoras e que ganha urgência renovada no presente. O encontro será transmitido ao vivo no canal do YouTube da SBS.
O Comitê Permanente de Pensamento Social da SBS, junto com a BVPS, inicia a série Pensamento social: vocação e projetos de inovação, dedicada à discussão de problemas constitutivos da sociologia, no Brasil e fora dele, a partir da perspectiva que dá nome à área. A proposta é tomar temas próprios da sociologia e examiná-los a partir do pensamento social brasileiro, não para especificá-los ou circunscrevê-los a casos, mas para reformulá-los e rearticulá-los, mantendo e visando criticamente a generalidade que os torna relevantes para a disciplina como um todo. Trata-se, assim, de formar um campo reflexivo que toma o pensamento social não como área delimitada e já formada, mas como ponto de partida para colocar problemas ao próprio fazer sociológico e às interpretações correntes sobre a sociedade brasileira.
A área de pensamento social define-se pela discussão da formação da sociedade brasileira e, por isso, organiza-se menos por autores ou por objetos do que por problemas de longa duração da vida social. Nesses termos, direcionar a área tão somente aos clássicos seria impreciso, já que sugere uma discussão sobre cânone e passado, quando o que está em jogo é a persistência desses problemas e a recorrência com que voltam a se impor. São problemas macrossociais, e assim permanecem mesmo quando tratados a partir de recortes empíricos circunscritos, porque a unidade de análise não é o texto nem a obra, mas o processo social. A área, portanto, vive a dupla exigência de levar adiante a sua vocação, no esforço conjunto de compreender a persistência de problemas que não se esgotam no passado, e criar projetos, sempre situados no presente, pelos quais essa vocação se realiza.
É com base nesse programa que os encontros se organizam: interessa menos reconstituir posições consolidadas do que examinar como a formação brasileira reformula os termos de cada problema, não como aplicação de um repertório teórico a um caso nacional, mas como reformulação do próprio problema a partir das condições em que ele se impõe aqui.
Este é o primeiro de uma série já programada, concebida como um espaço de discussão contínuo, não como um ciclo fechado de palestras temáticas. Trata-se de uma agenda aberta, que se propõe a acompanhar o modo como esses problemas se recolocam e se transformam, mais do que a fixá-los em formulações definitivas. Os próximos encontros percorrerão outros problemas igualmente centrais à tradição que nos guiarão para o 23º Congresso Brasileiro de Sociologia em 2027.