BVPS Acervo: escolher a democracia | Memória das lutas e papel dos intelectuais, por Elide Rugai Bastos

Há 180 anos, em meio à crueldade do regime escravista e aos interesses de uma oligarquia sedenta pela manutenção do status quo, o pernambucano Antonio Pedro de Figueiredo, chamado por seus críticos de “mulato”, erguia-se em desobediência para defender a implementação de uma reforma agrária que colocaria o Brasil no caminho da democracia. Nunca é tarde para lembrarmos daqueles que, com muito sacrifício, lutaram pela conquista de nossa tão frágil liberdade. A poucos dias de mais um momento decisivo de nossa história, a ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia republica texto de Elide Rugai Bastos (Unicamp), escrito originalmente em 1997 e publicado no ano passado na Série Nordestes, que resgata as ideias e o papel social desse aguerrido brasileiro, crítico contumaz da maneira como o Brasil se organizava. Figueiredo foi, entre outras coisas, responsável pela publicação da revista O Progresso, e seu debate sobre a reforma agrária permanece surpreendentemente atual.

Boa leitura!

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Verbete “Pensamento Social no Brasil”, por Elide Rugai Bastos

Num estágio de desenvolvimento científico-acadêmico em que a hiperespecialização redobra o seu sentido original moderno, com mais fragmentação e comunicação interna cada vez mais improvável, a área de pesquisa do pensamento social vai se constituindo, na contramão desse processo, num espaço reflexivo crítico da sociedade e autocrítico da sociologia. Sim, embora tradicionalmente multidisciplinar, será que todas as disciplinas seguem hoje igualmente dispostas a distinguir método de objeto e a reconhecer que a experiência dos atores sociais não basta, por si só, para explicar nem suas situações particulares nem a sociedade em seu conjunto complexo, emaranhado e simultaneamente estruturado e contingente? Ou, ainda, que as instituições, por si sós, não bastam para explicar a política? Pois é essa necessária radicalização sociológica que Elide Rugai Bastos realiza no balanço que escreveu sobre a área para a recém-lançada Enciclopédia Brasileira de Ciências Sociais, da ANPOCS, que ora divulgamos.

O verbete nos convida, afinal, a perguntar: por que continuar estudando as interpretações do Brasil quando o próprio país não para de se transformar? Ou será que as mudanças do último século não transformaram a sociedade em suas estruturas de desigualdade e autoritarismo? Estar em movimento é o mesmo que mudar? Pensamento social, explica Elide, exige atenção para duas categorias e sua conjugação: processo social e reflexividade. Não é possível pensar o presente sem a dimensão de processo que ele esconde. Não é possível pensar as interpretações do Brasil como meras descrições externas da sociedade. Não por acaso, a reflexão de Elide encontra na questão do aprendizado social uma possibilidade de renovação das perguntas da área: reconhecer que as sociedades aprendem também nos desafia a compreender por que o mundo é tão difícil de mudar.

Pensamento social brasileiro é um convite à radicalização da sociologia. Ainda hoje, na parte da tarde, republicaremos outro texto de Elide na ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

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BVPS Acervo: Escolher a democracia | Financeirização, fundos de pensão e impactos sobre o mundo do trabalho, por Mateus Santana

Quem decide o que se faz com a poupança de quem trabalha? Dando início à última semana da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, republicamos texto escrito para série Economia & Sociedade, onde Mateus Santana (UFRRJ) mostra como a maximização do valor ao acionista subordinou empresas e trabalhadores a metas financeiras, e como os fundos de pensão, formados pela previdência dos próprios trabalhadores, acabaram reforçando a precarização e a desigualdade. Quando as decisões econômicas que moldam a vida coletiva escapam a qualquer controle democrático, a democracia se esvazia. Escolher a democracia é também disputar a quem as finanças devem servir.

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Neste segundo post da Autorais Antonio Sérgio Guimarães, trazemos o texto “Brasil, 1996-2012: anotações para uma sociologia política da adoção de cotas no ensino superior público”, originalmente uma comunicação apresentada em dois congressos internacionais, em Washington e Paris, em 2013.

Como as lutas da agenda negra ajudaram a ampliar o acesso à universidade no Brasil? Neste texto, Antonio Sérgio examina as disputas em torno da adoção de cotas e o protagonismo do movimento negro na construção de alianças que fizeram do combate às desigualdades raciais uma causa de amplo alcance social. O PROUNI, ao viabilizar o acesso de estudantes de baixa renda a vagas no setor privado, e o REUNI, ao expandir as vagas nas universidades federais, ocupam um lugar importante nesse processo. O autor mostra como esses programas se articularam às reivindicações por inclusão racial e às políticas voltadas às classes populares, dando à agenda negra um papel central na reforma do ensino superior. A leitura nos convida assim a compreender as lutas, as alianças e as resistências que tornaram possíveis essas conquistas e redefiniram o lugar da questão racial nas políticas públicas brasileiras.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui. Outros posts da série podem ser conferidos aqui.

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Homenagem | Omar Ribeiro Thomaz

Alcida Rita Ramos parece andar revisitando os estóicos, mas a emoção transborda ao lembrar do colega e amigo Omar Ribeiro Thomaz, falecido no último dia 12 de outubro. Na homenagem que fazemos juntos, em edição especial de domingo, Omar reaparece como um Diógenes: despojado, ascético mesmo, uma persona que contrasta com sua crítica radical às convenções sociais. Cidadãos do mundo, Diógenes e Omar permanecerão lendários por meio de anedotas e ensinamentos.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Pastores nas redes sociais, por Stella Garrido

Entre o púlpito e o palanque, as redes sociais abriram um atalho. O que muda na política democrática quando o debate entre direita e esquerda é traduzido na linguagem do bem contra o mal? No post de hoje, originalmente publicado na série Mitomanias/Mitologias, Stella Garrido examina como pastores como Silas Malafaia, Marco Feliciano e André Valadão usam sua autoridade religiosa, tida como inquestionável por seus fiéis, para demonizar a esquerda e reforçar um alinhamento à extrema direita. O texto mostra como a cosmovisão evangélica, antes restrita à igreja, passou a circular no espaço público digital, a ponto de a disputa política ser tratada como batalha espiritual.

Escolher a democracia exige reconhecer que divergir não é pecar.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | Feminicídios crescem e nos interrogam, por Lia Zanotta Machado

Por que os feminicídios continuam a crescer, mesmo diante do avanço das leis e das políticas públicas de enfrentamento? Republicamos hoje o texto “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | Feminicídios crescem e nos interrogam”, escrito por Lia Zanotta Machado (UnB) neste ano, no Dossiê Feminicídio, organizado por Clara Araújo (UERJ).

Ao analisar os códigos patriarcais de honra e as disputas em torno da liberdade e da autonomia das mulheres, Machado nos ajuda a compreender como valores autoritários persistem nas relações sociais, mesmo diante do reconhecimento dos direitos iguais. Em um momento de ameaças à democracia e de tentativas de restringir direitos, recuperar esse debate é também reafirmar que a democracia depende da efetivação da igualdade e da capacidade de enfrentar as diferentes formas de violência que ainda limitam a liberdade das mulheres.

Boa leitura!

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BVPS Coleção | Lançamento do e-book “Ensaios para a democracia”, de Maria Victoria Benevides

Ensaios para a democracia foi o título que havíamos escolhido para o livro de Maria Victoria Benevides num momento anterior ao tão delicado que vivemos. Ele ganha mais sentido agora? Acreditamos que sim. Pela conjuntura dramática que atravessamos com o resultado do primeiro turno das eleições, que, como tem sido repetido por especialistas, não consiste numa mera escolha entre candidatos. A própria democracia precisa ser escolhida.

Também, não resta dúvida, a qualidade dos ensaios reunidos no livro que hoje entregamos, numa parceria com o editor Sergio Cohn, a quem agradecemos, ajuda a compreender o processo que engendrou nosso presente – e, portanto, ele mesmo e algumas tendências de futuro da sociedade brasileira. Isso não é mágica, é ciência política da melhor qualidade que não se deixou enredar por modismos nem por visões minimalistas da política, como se o Estado e suas instituições existissem em algum lugar hipotético autônomo em relação à sociedade, ao mercado e à história.

Temos certeza de que os leitores da série Autorais Maria Victoria Benevides terão nova surpresa ao relerem os ensaios agora em conjunto. Um posfácio precioso é assinado por Jorge Chaloub, que décadas depois seguiu os passos pioneiros de Benevides no estudo da UDN e a crise da democracia. A própria autora nos brinda com um prefácio, no qual sua argúcia e generosidade brilham juntos, mais uma vez. Continuamos ensaiando a democracia para que seja aperfeiçoada e plena entre nós. E com o livro em tela, há mais do que muitas contribuições para isso; ele é todo para ela, para a democracia. Ela precisa de nós.

Equipe BVPS

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Negacionismo como política e a CPI da Covid, por Nísia Trindade Lima

A pandemia de covid-19 mostrou as consequências devastadoras do negacionismo científico como política de Estado para as pessoas, as famílias e a saúde pública.

Hoje, trazemos texto de Nísia Trindade Lima, socióloga, sanitarista e primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Fiocruz e ministra da Saúde no Brasil. Ela analisa a atuação do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia e o papel da CPI da Covid na elucidação das estratégias de promoção do chamado “tratamento precoce”, apesar das evidências científicas de sua ineficácia.

O livro de Nísia Trindade, recém eleita Deputada Federal, Ainda há tempo: A pandemia de covid-19 e a transformação do futuro (2026), de onde o texto publicado foi retirado, é uma reconstituição incontornável para entender os caminhos que levaram à triste e criminosa marca de mais de 700 mil mortes por covid-19 no Brasil.

Boa leitura.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A última a morrer. Algumas reflexões sobre a esperança entre dois turnos, por Frédéric Vandenberghe

Quando o futuro deixa de acenar e passa a ameaçar, a esperança é chamada a acordar. Como manter a ação coletiva sem recorrer ao otimismo exagerado nem ceder à paralisia causada pelo medo? Nesta publicação inédita, Frédéric Vandenberghe (UFRJ) defende, a partir de sua pesquisa com viúvas de agricultores na Índia e de sua experiência no movimento convivialista, que a esperança é “uma disposição coletiva que espera ser ativada e liberada”: uma aposta compartilhada, que devemos, afinal, uns aos outros. Neste período crucial para a democracia brasileira, é preciso convocar a esperança a lutar.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | 20 anos de “Sobrevivendo no inferno” – Entrevista com Acauam Oliveira

Republicamos a entrevista realizada em julho de 2019 por Pedro Cazes, professor de sociologia do Colégio Pedro II, com o professor Acauam Oliveira (UPE) a respeito dos então 20 anos do álbum Sobrevivendo no inferno, dos Racionais MC’s, e do lançamento, naquele mesmo ano, do livro homônimo, cuja introdução é por ele assinada.

Passados mais de sete anos desde a entrevista, e diante de novo e grave risco à democracia, as discussões levantadas naquele contexto ganham urgente atualidade: a importância de se ouvir o que a periferia e a população mais pobre têm a dizer; e a potente crítica do rap ao projeto político de país, fundado na violência e no racismo, que defende, de forma eleitoralmente oportunista, que “bandido bom é bandido morto”. Há muito em comum entre os temores de 2019 — primeiro ano do governo Jair Bolsonaro — e 2026. Mas há também novas e ainda piores ameaças ao futuro que exigem nossa mobilização agora. Apesar de tudo, como lembra Oliveira ao citar Roberto Schwarz: “A contemplação da perda de uma força civilizatória não deixa de ser civilizatória a seu modo”.

Boa leitura.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Reler Roberto Schwarz, por Edu Otsuka

Publicamos hoje texto originalmente veiculado no mês passado, no jornal Folha de S.Paulo, escrito por Edu Teruki Otsuka (USP). Crítico fino e profundo conhecedor da obra de Roberto Schwarz, o professor Edu Otsuka nos brinda com uma visão de conjunto e dinâmica da obra de um dos nossos maiores intelectuais.

Sempre potente, o pensamento crítico de Schwarz é urgente neste momento tão delicado da vida brasileira, em que a combinação entre arcaico e moderno ganha novos e dramáticos desdobramentos.

É por isso que é uma grande alegria para a BVPS anunciar a série Autorais Roberto Schwarz numa edição especial e duplamente comemorativa no ano que vem. Em 2027, celebraremos 10 anos de atividades do Blog da BVPS e também se comemora o cinquentenário de Ao vencedor as batatas, de Schwarz, livro brasileiro que melhor tece os fios da dialética entre forma literária e processo social. Com seleção dos textos feita pelo próprio crítico, a série abrirá os trabalhos da BVPS em fevereiro próximo. Adiante traremos mais informações sobre essa edição tão especial.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A receita para virar: a reação da sociedade nas ruas e nas redes e a votação do fim da escala 6 x 1, por Josué Medeiros

Escolher a democracia passa pela votação do fim da escala 6×1. Nesta quarta-feira (14), o Senado Federal decide uma pauta que pode mudar a vida de milhões de trabalhadores e que está no centro da disputa pela democracia.

Em texto inédito escrito para compor a série BVPS Acervo: escolher a democracia, Josué Medeiros (UFRJ) mostra como a atual mobilização popular ajuda a manter a disputa aberta e como a votação por uma nova escala de trabalho pode ser um fator novo capaz de mudar o cenário das eleições, porque a grande política e a pequena política se encontram amanhã.

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BVPS Coleção | Lançamento do e-book “O que pode a Sociologia? Centenário Octavio Ianni”, organizado por Elide Rugai Bastos, André Botelho e Caroline Tresoldi

Há exatamente 100 anos nascia em Itu, interior de São Paulo, Octavio Ianni. Filho de imigrantes da região da Campânia, Itália, Octavio formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 1954. Aposentado pelo Ato Institucional nº 5, foi proibido de dar aulas na USP, onde ingressara, logo após a formatura, como assistente de seu orientador, Florestan Fernandes. Ambos foram para a PUC-SP; Ianni, anos depois, para a Unicamp.

No seu centenário, Elide Rugai Bastos, sua orientanda, André Botelho, orientando de Elide, e Caroline Tresoldi, orientanda de André, gostariam “apenas” de homenagear o grande mestre e um dos maiores sociólogos que já existiram. Mas, como dizia Florestan Fernandes, a sociedade brasileira não dá mesmo sossego aos seus intelectuais. Eis, então, que Ianni volta ao centro num momento extremamente delicado para a democracia brasileira, pela qual tanto lutou.

Nossa pergunta inicial acabou ganhando maior alcance e relevância: o que pode a sociologia? Viva Octavio Ianni e seu legado, que, pelo tipo de combinação entre teoria, história e empiria, já era uma conquista perene da sociologia. Agora, no centro do turbilhão de novas espirais da democracia, esse legado se torna urgente, especialmente para as novas gerações.

Agradecemos a todos/as os/as autores/as que aceitaram nosso convite para participar da série comemorativa da BVPS, que hoje temos a alegria de entregar como livro. Vivam os/as leitores/as de Octavio Ianni!

Confira o novo e-book da BVPS Coleção clicando aqui.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Alexa, o que há de novo no capitalismo?, por Henrique Braga

“Os mecanismos de contrapeso a essa acumulação estão se desmanchando, como a própria democracia.” A advertência de Henrique Braga (UFRRJ) deve ser levada ainda mais a sério quando o que está em jogo nestas eleições é o desmanche da democracia.

O ensaio “Alexa, o que há de novo no capitalismo?”, de Henrique Braga, que republicamos na BVPS Acervo: escolher a democracia, mostra como as big techs ganham dinheiro com a nossa atenção: quanto mais tempo passamos nas telas, mais elas lucram. Ao mesmo tempo, somos programados a viver cada vez mais voltados para o “eu” e para o imediato, e desacreditar da força da ação coletiva. Se até nossas ações viram mercadoria, o que sobra da política? E, mais importante: como defender a democracia de quem controla, com nenhuma transparência, a nossa atenção?

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Abrimos hoje a série Autorais Antonio Sérgio Guimarães com o texto de intervenção “O racismo como consequência”, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 2006, no qual o autor responde à pergunta: o Brasil é um país racista?

A pergunta permanece incontornável, mas o texto nos convida também a pensar em outra questão: como enfrentar um racismo que se reproduz cotidianamente, mesmo quando não se reconhece a existência de “raças”? Publicado em um período decisivo da história democrática brasileira recente, o artigo também nos faz rememorar – neste momento crítico para o futuro da democracia em uma sociedade que costuma esquecer rápida e seletivamente seu passado –, a importância da implantação das políticas de ação afirmativa nas universidades públicas, impulsionadas pela mobilização do movimento negro e inscritas em um processo mais amplo de expansão e democratização do ensino superior, que ganharia novo alcance nos governos do PT. Transformações que desafiaram hierarquias e privilégios históricos e colocaram em primeiro plano o papel das políticas públicas na construção da igualdade racial e de uma vida comum mais justa.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Bacurau não é para principiantes, por Glaucia Villas Bôas

Bacurau é aqui e agora. Republicamos o ensaio de Glaucia Villas Bôas, escrito em 2019 para a BVPS, como um chamado. Contrapondo-se às leituras que reduziram o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles a um elogio à barbárie, Bacurau emerge no ensaio como uma evocação – e uma convocação – da capacidade dos grupos considerados subalternos de se organizar e liderar movimentos de resistência à violência e de luta por uma existência mais digna.

Num país encurralado, em que a democracia é posta à prova nas eleições, quem ainda acredita na força de uma comunidade que se defende? Vale a pena ver o filme de novo!

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BVPS Agenda | Seminário “Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica”

Nos dias 14 e 15 de outubro acontecerá o seminário Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica, com curadoria de Valter Silvério (UFSCar), no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar – Bela Vista).

O seminário reúne pesquisadores de diferentes gerações, áreas e instituições para revisitar criticamente a obra de Octávio Ianni (1926 – 2004), refletindo sobre sua trajetória intelectual, sua inserção na tradição sociológica brasileira e a permanência de suas questões diante dos desafios do presente. Há em sua trajetória uma notável unidade analítica: a busca permanente por compreender as formas históricas da dominação, os processos de transformação social e os dilemas da modernidade brasileira em conexão com a América Latina e com o sistema capitalista global.

Partindo dessa multiplicidade articulada, o evento gira em torno destes quatro eixos temáticos que correspondem a temas centrais de sua produção e, ao mesmo tempo, a questões decisivas do debate contemporâneo. Mais do que uma homenagem, o seminário pretende constituir um espaço de debate sobre a atualidade da obra de Ianni e sobre sua capacidade de seguir oferecendo instrumentos analíticos fundamentais para compreender as transformações do Brasil e do mundo contemporâneo.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas clicando aqui.

Confira a programação completa abaixo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Os Direitos do trabalho estão mesmo garantidos? Textos de José Ricardo Ramalho e de Adalberto Cardoso

Uma das evidências que a história nos mostra é que direitos trabalhistas não se conquistam de uma vez por todas e não estão seguros para sempre. Nesta edição da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, republicamos dois textos para propor um diálogo processual e comparado. Lidos juntos, os ensaios de José Ricardo Ramalho (UFRJ) e de Adalberto Cardoso (IESP-UERJ) mostram, claramente, a contingência, a potência e a fragilidade dos direitos trabalhistas no Brasil como resultados de conflitos políticos e organização coletiva, e não como uma conquista definitiva.

José Ricardo Ramalho, em ensaio originariamente publicado a propósito dos 60 anos do golpe militar, analisa os recuos nos direitos trabalhistas desde o início da ditadura e recorda alguns dos movimentos de resistência política dos trabalhadores. Já Adalberto Cardoso discute a Justiça do Trabalho como peça central de nossa experiência democrática, sugerindo que a disputa pela efetivação do direito do trabalho foi constitutiva da própria formação política da classe trabalhadora no Brasil. Em sua análise está ainda o papel recente do Supremo Tribunal Federal, cuja atuação redefine os limites constitucionais das relações de trabalho em favor da livre iniciativa.

Em diálogo, os dois textos pensam e nos ajudam a entender as fragilidades da proteção jurídica do trabalhador e a recorrência, mais atual do que nunca, de ataques contra o que deveria ser sua justa perenidade.

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BVPS Coleção | Mesa de lançamento de “O livro dos livros”, de Isabel Lustosa

Convidamos todas e todos a assistirem à mesa de lançamento de O livro dos livros, de Isabel Lustosa, novo e-book da BVPS Coleções. O evento, disponível no canal da BVPS no YouTube, conta com exposição da autora e de Wander Melo Miranda e mediação de Caroline Tresoldi.

O livro dos livros, de Isabel Lustosa, reúne 91 resenhas escritas ao longo de cerca de três décadas. Historiadora e uma das principais especialistas em imprensa brasileira, Isabel manteve viva nos grandes jornais a tradição da resenha como forma de intervenção intelectual, acompanhando lançamentos, apresentando autoras e autores e fazendo da leitura e da crítica modos de participação na vida pública.

Aproveitamos para publicar prefácio escrito por André Botelho.

Para baixar o O livro dos livros, clique aqui.

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