Ocupação Mulheres BVPS 2026, por Claudia Bacci e Caroline Tresoldi

Temos a alegria de anunciar a quarta edição da Ocupação Mulheres BVPS, que será realizada de modo intensivo nos próximos três dias, com duas rodadas de postagens diárias. Neste ano, a iniciativa reúne 20 textos com reflexões e intervenções dedicadas às múltiplas agendas dos feminismos contemporâneos.

A edição de 2026 é organizada pelas sociólogas Claudia Bacci (IEALC-UBA) e Caroline Tresoldi (PPGSA/UFRJ) e tem como eixo central os debates e as experiências de mulheres e feministas na América Latina. Ao longo da programação, pesquisadoras e ativistas de diferentes países da região – com atuação em distintas áreas do conhecimento – compartilham textos publicados simultaneamente em português e espanhol, que dialogam com questões políticas, culturais e sociais que atravessam o contexto latino-americano.

Neste post, você confere a apresentação das organizadoras. Aproveitamos também para convidar nosso público leitor a revisitar textos publicados nas edições anteriores. O arquivo da Ocupação Mulheres BVPS já reúne cerca de 90 textos e intervenções e pode ser conferido aqui.

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Sociológicas | Fim dos empregos?, por Adalberto Cardoso

O mundo do futuro será um mundo sem empregos? A pergunta, que ecoa nos fóruns econômicos e nas manchetes alarmistas, é o ponto de partida do novo texto de Adalberto Cardoso (IESP-UERJ) para a série Sociológicas. Nele, o autor examina as transformações em curso no capitalismo contemporâneo e recoloca em perspectiva um velho fantasma: a substituição do trabalho humano pelas máquinas. Temor antigo, que agora retorna sob a forma da inteligência artificial. Estaria o trabalho humano, afinal, prestes a se tornar obsoleto? Diante desse “diagnóstico”, Cardoso busca discernir o que nele se sustenta e o que não passa de alarmismo.

Sociológicas é um novo espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e para o processo social que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva diferencialmente sociológica. Outros textos já publicados podem ser conhecidos aqui.

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A Sociologia Digital e suas interfaces | A conectividade e seus dilemas, por Richard Miskolci

A Sociologia Digital e suas interfaces é a nova série da BVPS Edições, que iniciamos com alegria nesta retomada das atividades da BVPS em 2026.

Partindo de uma abordagem sociológica das tecnologias da informação e comunicação (TICs), a série propõe compreendê-las não como suportes que determinam automaticamente seus usos e finalidades, mas como mediações – instâncias decisivas na conformação dos sentidos que as relações sociais assumem ao longo do tempo, sem, contudo, esgotar ou fixar seus significados possíveis. Se toda mediação importa não apenas pelo que veicula, mas pelo modo como o faz, a série reúne 12 textos de autoras e autores vinculados a diferentes instituições brasileiras, compondo um panorama amplo e plural das abordagens em Sociologia Digital.

Os textos exploram tanto os novos modos de configuração das relações sociais quanto os desafios contemporâneos do próprio fazer sociológico. Entre as questões centrais que atravessam a proposta está a seguinte: a Sociologia Digital deve ser concebida como uma subárea especializada da disciplina ou como um hub em que diferentes especialidades da sociologia se encontram e se reconfiguram?

Neste primeiro post, confira a apresentação da série e o texto de abertura “A conectividade e seus dilemas”, ambos assinados pelo curador Richard Miskolci (Unifesp).

Acompanhe, nas próximas quartas-feiras, os novos textos da série.

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Série Nordestes | Congresso Regionalista do Recife, por Elide Rugai Bastos

Temos hoje o retorno da Série Nordestes em 2026, que reestreia sua jornada pelas complexidades dessa multifacetada região com texto inédito da professora emérita da Unicamp, Elide Rugai Bastos.  

Em Congresso Regionalista do Recife, a autora revisita um emblemático momento da vida intelectual brasileira nos anos 1920, que celebrou, no último 7 de fevereiro, seu primeiro centenário. Organizado sob a liderança de Odilon Nestor e com participação direta de Gilberto Freyre, o Congresso propôs pensar o Nordeste como conjunto histórico e cultural constitutivo de um Brasil plural, em meio às intensas disputas sobre a ideia de “cultura nacional” e ao amplo cenário de crise que marcou o período de então. Elide Rugai Bastos, assim, mergulha nos aspectos positivos, nas tensões, polêmicas e desdobramentos ocasionados por esse marco do regionalismo brasileiro.  

Para saber mais sobre a Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (28 de dezembro, 24 horas) 


Chegamos à última sexta-feira de 1928, e Mário de Andrade aproveita para “fechar o corpo” no catimbó de dona Plastina. O novo ano se avizinha. Escreve, assim, essa crônica-cerimônia, que nos conduz diretamente aos procedimentos ritualísticos do catimbó e à interpretação do próprio modernista.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir novo texto de Elide Rugai Bastos (Unicamp) para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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BVPS Agenda | Lançamento do livro “Crítica e rebeldia: Heloisa Buarque de Hollanda no Jornal do Brasil [1980-2005]”

A coleção de artigos de Heloisa Teixeira, então Buarque de Hollanda, publicados no Jornal do Brasil entre as décadas de 1980 e 2000, chega em breve às livrarias de todo o Brasil pela editora Bazar do Tempo. Crítica e rebeldia, organizado por André Botelho e Caroline Tresoldi, autores da biografia intelectual da mais carioca das críticas, publicada pela mesma editora, é uma oportunidade ímpar para voltar ou conhecer o debate cultural dos anos de redemocratização brasileira. Literaturas, poesia, América Latina, feminismos, questão racial, periferias e estudos culturais vão surgindo na coluna de Heloisa e ganhando reconhecimento e legitimidade intelectual, numa agenda pioneira de pesquisa e debate público. 

O livro será lançado na Livraria da Travessa de Ipanema, no dia 28 de março, sábado, às 17 horas. Anote na sua agenda!

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

É com grande alegria que a BVPS retoma suas atividades em 2026 com mais uma edição da série Autorais, desta vez dedicada à publicação de textos de Laura de Mello e Souza.

Professora titular de História Moderna na USP, onde atuou por três décadas, Laura ocupou, entre 2014 e 2022, a cátedra de História do Brasil na Lettres Sorbonne Université (antiga Paris IV), instituição na qual recebeu o título de Professora Emérita. Autora prolífica, sua obra trouxe contribuições decisivas para a historiografia, tanto do ponto de vista metodológico – ao se abrir à especificidade e à imprevisibilidade – quanto pela escolha de temas marcados pela rarefação e pela complexidade documental.

Curada por José Newton Coelho Meneses (UFMG), essa Autorais reúne nove textos que revisitam aspectos centrais do percurso intelectual riquíssimo traçado por Laura. Eles estão organizados em quatro eixos temáticos que procuram oferecer uma visão ampliada de sua obra: Sociedade, cultura e administração em Minas Colonial; Portugal e o Atlântico – cultura e política no Império português; A América, a Europa e o mundo; Perfis historiográficos e biográficos brasileiros. Ao final, será publicada também uma entrevista inédita com a autora, realizada pelo curador.

Como se pode perceber, os eixos delineiam um movimento de expansão e contração – a de Minas para o mundo e de volta ao Brasil. Assim como Laura jamais se prendeu rigidamente a modelos explicativos – preferindo historicizá-los e tensionar seus próprios limites –, também o local não circunscreve seu horizonte analítico. Autodeclarada historiadora de arquivo, a autora transforma dados dispersos, indícios fragmentários e especificidades documentais em matéria de reflexão abrangente, articulando o particular a quadros interpretativos mais amplos. Desse modo, os eixos da série não se organizam apenas segundo a ordem diacrônica que a leitura impõe, mas configuram um movimento de idas e vindas, em que o geral e o específico se entrelaçam como fios de uma mesma trama.

Agradecemos a Laura de Mello e Souza por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS Edições uma amostra de suas reflexões rigorosas e instigantes, e a José Newton Coelho Meneses por sua curadoria atenta e cuidadosa.

Neste primeiro post, confira a apresentação do curador e, em seguida, o texto “O Falso Fausto”, de Laura de Mello e Souza, originalmente publicado no livro Desclassificados do ouro. A pobreza mineira no século XVIII.

Acompanhe, semanalmente, sempre às segundas-feiras, esta sexta edição da série Autorais – a primeira dedicada a uma historiadora.

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Retrospectiva 2025 + e-book de presente


Neste último post do ano, confira a retrospectiva de 2025 da BVPS e algumas novidades que vêm por aí. Também deixamos de presente para nosso público leitor o e-book Autóctone Aquino, um ensaio inédito de Raul Antelo que temos a alegria e a honra de publicar na BVPS Coleção.

Agradecemos a companhia de todas e todos ao longo deste intenso ano. Voltaremos em 2 de março, com muitas novidades!

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IRBæc em 2025 + Homenagem a Antonio Herculano Lopes

Essa edição extraordinária da BVPS traz um pequeno balanço das atividades do Instituto Rui Barbosa de Altos Estudos em Cultura (IRBaec) neste ano de 2025. Antonio Herculano Lopes, que esteve à frente do IRBaec desde a sua criação, em 2018, está se aposentando da Fundação Casa de Rui Barbosa, onde ingressou como pesquisador em 1994 e também exerceu várias funções administrativas, deixando um importante legado intelectual e institucional. Doutor pela New York University (1999), Herculano é pesquisador destacado da área de cultura e, tendo sido também bailarino, ator e diretor de teatro, agregou suas especialidades em estudos de performance, teatro brasileiro e história das sensibilidades ao pensamento social, colaborando para revitalizar essa área de pesquisa, inclusive como coordenador do GT de Pensamento Social da Anpocs (2013-2015), sendo igualmente atuante na Anpuh.

Mas o post traz também dois convites especiais: o primeiro, para o lançamento do livro de Barbara Freitag com debate, amanhã, segunda-feira, às 18h30. Grande nome das ciências sociais brasileiras, em especial nos estudos de comunicação e teoria social alemã, Freitag foi professora de Antonio Herculano em seu mestrado em Sociologia na UnB, realizado entre 1975 e 1978. Antes disso, porém, quando de sua carreira na diplomacia, Herculano trabalhou diretamente com Sergio Paulo Rouanet no Itamaraty, de quem Freitag é viúva. O segundo convite é para a próxima quinta-feira, dia 18, às 15h, quando a Casa de Rui Barbosa prestará homenagem a esse seu servidor público que tantos e tão importantes trabalhos prestou à instituição, à pesquisa e aos debates intelectual e artístico brasileiros.

Como no caso de outros pesquisadores e colegas, ativos e aposentados, o trabalho de Antonio Herculano vem concorrendo decisivamente para a própria centralidade da Casa de Rui na vida cultural do Rio de Janeiro. Amigo e colaborador da BVPS desde nossa criação, Herculano merece – e tem – não apenas o reconhecimento intelectual de seus pares, mas, como sabem seus muitos colegas e amigos, é uma das pessoas mais queridas dos vários círculos intelectuais que, não por acaso, nele se cruzam, se entrelaçam e ganham muita vida. Vida longa ao IRBaec. Viva Antonio Herculano!

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BVPS Recomenda | Adeus à CLT? Passado, presente e futuro da legislação trabalhista no Brasil

Acaba de ser lançada pela editora 7 Letras a coletânea Adeus à CLT? Passado, presente e futuro da legislação trabalhista no Brasil, organizada por Elina Gonçalves da Fonte Pessanha, Alexandre Barbosa Fraga e Marco Aurélio Santana.

Com rigor teórico e empírico, a obra enfrenta o debate sobre a centralidade da CLT na regulação do trabalho no Brasil. O conjunto dos textos que compõem o livro evidencia lutas, resistências, violências e retrocessos que marcam o acesso aos direitos trabalhistas no país. Embora reformada e fragilizada, a CLT permanece como referência de um Direito do Trabalho a ser reconstruído após a ofensiva neoliberal.

Confira abaixo a introdução assinada pelos organizadores, o sumário e algumas fotos do lançamento ontem, no Rio de Janeiro.

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A língua como território de cidadania, por Silviano Santiago

Trazemos nesta tarde texto de Silviano Santiago apresentado no fim de novembro na FliParaíba, no qual ele propõe repensar a relação entre língua, território e cidadania em um mundo profundamente desigual e marcado pela urgência do multilateralismo. Revisando a história da língua portuguesa e sua reinvenção no Brasil pelas matrizes indígena, africana e oral, Silviano mostra como escritores de diferentes continentes já compõem uma comunidade linguística que ultrapassa fronteiras nacionais.

Silviano sugere que essa língua comum – ainda sem dicionário ou gramática, mas plenamente viva na literatura – pode se converter na base de um território simbólico compartilhado. Ao lançar a pergunta sobre a possibilidade de um “território lusófono” constituído pela própria língua, convida-nos a refletir sobre como a literatura pode ampliar e redefinir o sentido contemporâneo de cidadania.

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Coluna Renato Ortiz | Robinsonadas

No último texto do ano de sua coluna, Renato Ortiz (Unicamp) revisita as “robinsonadas” ironizadas por Marx para investigar como o mito do indivíduo autossuficiente atravessa a modernidade até hoje. Segundo Ortiz, a exaltação dessa autonomia só se sustenta à custa da negação do mundo social. E é justamente daí que emerge o paradoxo: o sujeito que pretende criar tudo a partir de si mesmo precisa, afinal, ser conduzido por quem promete ensiná-lo a ser livre.

Para conferir outros textos da coluna de Renato Ortiz, clique aqui. E para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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Aventuras e desventuras da literatura brasileira num departamento de teoria literária, por Alfredo Cesar Melo

Quais disputas teóricas e institucionais se escondem por trás de uma reforma curricular? No texto que publicamos hoje, Alfredo Cesar Melo (Unicamp) revisita a trajetória da área de Teoria Literária do Instituto de Estudos da Linguagem, reconstruindo os embates que levaram à retirada da literatura brasileira do núcleo obrigatório do curso de Letras.

A partir de documentos, debates internos e do percurso intelectual de figuras centrais da crítica literária nacional que fundaram o instituto, o autor mostra como uma disputa sobre a referencialidade histórico-social da literatura brasileira acabou redesenhando a formação no IEL. O resultado é um relato instigante sobre reformas, paradigmas teóricos e os sentidos da literatura na universidade brasileira contemporânea.

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Sociológicas | Democracia em crise, por Adalberto Cardoso

O diagnóstico de que a democracia ocidental está em crise tornou-se quase consensual, embora suas causas sigam em disputa. Adalberto Cardoso (IESP-UERJ) examina hoje um recente paradoxo nessa discussão: se, por décadas, atribuiu-se a erosão democrática ao avanço do neoliberalismo e à blindagem tecnocrática das políticas econômicas, a ascensão de Donald Trump complica o cenário ao mostrar que também agendas protecionistas podem corroer instituições por dentro. Cardoso sugere que a democracia está encurralada por forças contraditórias, e imaginar saídas exige repensar seus próprios fundamentos.

Sociológicas é um novo espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e para o processo social que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva diferencialmente sociológica. Não perca, no próximo ano, a continuidade da série! Outros textos já publicados podem ser conhecidos aqui.

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Resenha | Maria Werneck: relato de prisão, por Eurídice Figueiredo

Sala 4: a primeira prisão política feminina do Brasil, livro de Maria Werneck, reeditado pela casa matinas depois de quase 40 anos de sua primeira publicação, é resenhado hoje por Eurídice Figueiredo (UFF).

O livro reconstrói, a partir das memórias de Maria Moraes Werneck de Castro, o cotidiano do grupo de mulheres encarceradas na antiga Casa de Detenção do Rio de Janeiro durante o governo Vargas. Na pequena cela coletiva feminina, a chamada “sala 4”, conviviam figuras que se tornariam algumas das maiores referências na luta contra o autoritarismo no Brasil, como Olga Benário, Nise da Silveira, Eugênia Moreyra, Noêmia Mourão, Eneida de Moraes, Sabo Berger, entre tantas outras. Ao aproximar os relatos de Maria Werneck dos testemunhos das militantes presas durante outra ditadura, a de 1964, Eurídice Figueiredo ressalta a natureza sempre em disputa da memória, enxergando, no ato de rememoração e escrita dessas mulheres, uma forma própria de resistência.

Confira aqui outras resenhas publicadas ao longo do ano.

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Acervo Florestan Fernandes | Manuscrito “Perspectivas de desenvolvimento da Sociologia no Brasil”, e comentário de Diogo Valença de Azevedo Costa

Trazemos hoje um texto muito especial: o manuscrito de Florestan Fernandes “Perspectivas do desenvolvimento da Sociologia no Brasil”, escrito provavelmente na segunda metade da década de 1950. Nele, Florestan antecipa temas centrais de suas análises sobre a formação e o desenvolvimento da sociologia no país. Criticando a cultura “livresca” das elites e o caráter importado da disciplina, defende a integração da Sociologia à vida cultural brasileira.

O manuscrito foi encontrado no Fundo Florestan Fernandes da Coordenadoria de Obras Raras e Coleções Especiais da Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos. Introduz o texto um comentário de Diogo Valença de Azevedo Costa (UFRB), que transcreveu o manuscrito e preparou algumas notas. Esta é a primeira publicação de uma série sobre o arquivo Florestan Fernandes, sob sua curadoria, que irá ao ar em 2026.

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Série Nordestes | Sentir e pensar o Brasil com Mário de Andrade, por André Botelho

Chegamos ao último texto da Série Nordestes no ano! Em “Sentir e pensar o Brasil com Mário de Andrade”, André Botelho (UFRJ) destaca a empatia com que Mário de Andrade lidou com as diferenças culturais em suas viagens pelo Brasil. O texto foi publicado originalmente como um dos capítulos do livro De olho em Mário de Andrade: uma descoberta intelectual e sentimental do Brasil, uma biografia sociológica do modernista trezentos, trezentos e cinquenta.

Como temos acompanhado ao longo da viagem do turista aprendiz ao Nordeste, publicada semanalmente na BVPS, e como o próprio Botelho argumenta, mais do que o fetiche da autenticidade da cultura popular, Mário valoriza a pluralidade cultural e defende o reconhecimento da dignidade dos seus portadores sociais.

Uma das novidades do próximo ano será a publicação integral de O turista aprendiz: uma nova edição que trará a experiência dialogada que estamos construindo ao longo deste ano em torno do livro de Mário e de sua viagem ao Nordeste, relida no contexto contemporâneo. A percepção das diversidades sem descuidar das desigualdades sociais, constitui recurso potente para uma nova reaproximação ao mundo social, cultural e político complexo do que agora, e com a ajuda de Mário, podemos chamar Nordestes – no plural.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (27 de dezembro)


Mário de Andrade compartilha a história de Mestre Carlos. De acordo com o que ouviu dos devotos, um dos mestres mais impressionantes dos catimbós nordestinos, embora pouco mencionado entre os estudiosos das macumbas da Bahia e do Rio de Janeiro de então. Mário reconta sua trajetória desde a infância até ser encontrado morto ao pé da raiz do juremal, tecendo uma crônica que é um raro mergulho na lógica espiritual do catimbó.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, confira texto de André Botelho para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Homenagem | Helenismos: nós, acadêmicos, por Mauricio Tenorio

Helena Bomeny, professora titular de Sociologia da UERJ e referência na área de pesquisa do pensamento social e das ciências sociais brasileiras, é homenageada no texto de Mauricio Tenorio (Universidade de Chicago) que publicamos hoje.

Ao rememorar a amizade iniciada em Stanford e o papel decisivo de Helena em sua formação intelectual, Tenorio engata uma conversa com ela para desenvolver uma reflexão provocadora sobre “nós, acadêmicos”, discutindo os desafios contemporâneos das humanidades, da universidade, do ensino e da docência.

Como não poderia deixar de ser, num texto de Tenorio sobre Helena, a homenagem ganha um sentido concreto, na particularidade do elogio à amizade, reverberando questões mais gerais da condição intelectual e humana. Merece ser conhecido e, diríamos mesmo, meditado, especialmente em tempos de crise de sentidos e dificuldades nas relações acadêmicas.

O texto foi publicado inicialmente em 2024, em espanhol, na coletânea Ciências Sociais na UERJ: temas, trajetórias e perspectivas, organizada por Aline Gama, Bernardo Ferreira, Joana Bahia e Raquel Emerique.

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