BVPS Especial | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | “Feminicídio, espetáculo e enfrentamentos possíveis”, por Isadora Vianna Sento-Sé

Chegamos ao quarto e último post do dossiê especial “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas“, uma parceria da BVPS com a Anpocs, com um texto de Isadora Vianna Sento-Sé (UCAM & UERJ).

A cada novo caso de feminicídio que ganha repercussão nacional, renovam-se o choque, a indignação e o debate público. Mas o que essa exposição produz – e o que ela oculta? Partindo de episódios recentes de violência contra as mulheres e em diálogo com a obra de Rita Segato, Sento-Sé examina como a espetacularização da violência pode obscurecer as estruturas que a sustentam. A autora defende que o enfrentamento ao feminicídio exige ir além do endurecimento penal, investindo em políticas de prevenção e transformação cultural.

Encerramos assim dois dias de mobilização na BVPS em torno de um problema que, como lembrou Clara Araújo na apresentação que abriu este dossiê, afeta o próprio destino da democracia brasileira. Ao reunir as contribuições de Jacqueline Pitanguy, Lia Zanotta Machado e Isadora Sento-Sé, o dossiê especial reafirma que enfrentar o feminicídio exige mais do que respostas pontuais: exige reflexão pública continuada, análise sociológica e compromisso político – um compromisso que, esperamos, este conjunto de textos ajude a fortalecer.

Na próxima semana voltamos à nossa programação normal. Confira os demais posts da série clicando aqui.

Boa leitura!

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BVPS Especial | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | “Feminicídios crescem e nos interrogam”, por Lia Zanotta Machado

No terceiro post do dossiê especial “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas“, uma parceria da BVPS com a Anpocs, publicamos um texto de Lia Zanotta Machado (UnB), pesquisadora com décadas de trajetória nos estudos sobre violência de gênero no Brasil.

Por que os feminicídios continuam a crescer, mesmo diante do avanço das leis e das políticas públicas de enfrentamento? É essa a pergunta que orienta o texto de Machado, que articula depoimentos de mulheres, narrativas de homens agressores e dados recentes para revelar como códigos patriarcais de honra, ainda profundamente enraizados, seguem estruturando a violência contra as mulheres. Para a autora, entender o feminicídio exige olhar para suas raízes históricas, culturais e subjetivas – sem que isso signifique abrir mão da luta pela ampliação das políticas de prevenção e proteção.

O dossiê especial, organizado por Clara Araújo, discute a violência de gênero e o feminicídio diante de uma das faces mais ignominiosas do Estado e da sociedade brasileiros. Confira os posts anteriores clicando aqui.

Boa leitura!

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BVPS Especial | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | “Violência contra as mulheres”, por Jacqueline Pitanguy

No segundo post do dossiê especial “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas”, uma parceria da BVPS com a Anpocs, publicamos um texto de Jacqueline Pitanguy, um dos maiores nomes do feminismo brasileiro. O título da série foi inspirado em uma frase de seu texto, que sintetiza a urgência das reflexões propostas pelo dossiê.

O feminicídio não pode ser compreendido apenas como um crime. Ele é também a expressão mais extrema de uma longa história de dominação e desigualdade de gênero. Jacqueline Pitanguy reconstrói esse processo histórico, mostrando como discursos religiosos, códigos jurídicos e práticas sociais consolidaram a violência contra as mulheres. A autora defende, de modo contundente, que seu enfrentamento passa, necessariamente, pela disputa em favor da igualdade de gênero e da democracia.

Discutir a violência de gênero e o feminicídio, diante dos quais a sociedade e o Estado brasileiros revelam uma de suas faces mais ignominiosas, é a proposta deste dossiê especial, organizado por Clara Araújo. Confira o post de abertura clicando aqui.

Boa leitura!

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BVPS Especial | O Brasil é perigoso para mulheres e meninas | Apresentação de Clara Araújo

Como garantir às mulheres e meninas o direito fundamental de viver sem violência? Os números alarmantes de feminicídio divulgados recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somados à sucessão de casos de violência aberrantes contra mulheres no Brasil, exigem mais do que perplexidade ou respostas pontuais. Exigem reflexão pública continuada, análise sociológica e compromisso político.

É para contribuir com esse debate que a BVPS e a Anpocs apresentam este dossiê especial, organizado, a nosso convite, pela socióloga Clara Araújo.

Com textos de Jacqueline Pitanguy, Lia Zanotta Machado e Isadora Sento-Sé, além de uma apresentação da organizadora, o dossiê discute as raízes históricas, culturais e institucionais da violência de gênero. As autoras mostram que o feminicídio não é um desvio isolado, mas a expressão extrema de uma ordem social que ainda naturaliza o controle, a subordinação e a eliminação das mulheres.

Neste primeiro post, você confere a apresentação de Clara Araújo. À tarde, publicaremos texto de Jacqueline Pitanguy. Serão dois dias de mobilização na BVPS, que parou sua programação para colocar em pauta esse problema fundamental, que afeta o próprio destino da democracia brasileira.

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BVPS Especial | “O Brasil é perigoso para mulheres e meninas”

Que assunto ou problema é mais importante? Não temos a pretensão de responder a essa pergunta. Toda edição é uma escolha. Escolher é destacar, organizar prioridades e ideias. A escolha editorial é, antes de tudo, uma tomada de posição.

Nesta semana, interromperemos, excepcionalmente, nossa programação regular para dedicar espaço ao tema urgente do feminicídio no Brasil. Organizado, a nosso pedido, pela socióloga Clara Araújo (UERJ), o dossiê vem sendo preparado há meses. Serão três textos, além da abertura. De especialistas respeitadas. Veteranas e uma jovem. Sem disputa por atenção com outros assuntos. Um grito, um silêncio e um clamor.

Somos parte de um núcleo de pesquisa. Nosso trabalho voluntário está voltado para o fomento da comunicação pública do conhecimento, especialmente nas ciências sociais e na literatura. Somos também um espaço de formação e treinamento de jovens editores. Não existe aprendizado sem experimentação. Também conteúdo e forma não se separam. A suspensão do nosso fluxo foi a forma que encontramos de propor uma reflexão sobre a violência de gênero e o feminicídio, diante dos quais a sociedade e o Estado brasileiros mostram sua face mais ignominiosa.

Como garantir, afinal, às mulheres e meninas o direito fundamental de viver sem violência?

Essa série é uma parceria da BVPS com a ANPOCS.

BVPS Edições | Copa do Mundo na BVPS | “O futebol de mulheres no Brasil: desafios e conquistas”, por Leda Costa

Dando continuidade à série Copa do Mundo na BVPS, publicamos hoje texto de Leda Costa (UERJ), em que lança um olhar sobre a trajetória do futebol de mulheres no Brasil: uma história marcada tanto por obstáculos estruturais quanto por conquistas graduais.

Com a eliminação do Brasil na Copa, é importante voltarmos os olhos para um evento que acontecerá no país ano que vem: a Copa do Mundo de Futebol Feminino. No entanto, ainda mais premente é um olhar para a realidade do futebol feminino praticado no Brasil. Como mostra Costa, décadas de proibição legal e ausência de regulamentação deixaram heranças que se refletem hoje na precariedade de investimentos e na falta de reconhecimento institucional dedicado à modalidade. Mas a autora também recupera o outro lado dessa história: o reconhecimento oficial do futebol feminino e suas conquistas, nos convidando a pensar o futebol feminino como espaço legítimo de trabalho, atravessado por questões de gênero, classe e raça.

Para acompanhar os posts anteriores da série, clique aqui. Novos textos serão publicados às sextas-feiras, até o fim desta edição da Copa do Mundo.

Boa leitura!

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Crônicas de um brasilianista do Sul | Como são os comunistas?, por Mario Cámara

Na edição de julho de Crônicas de um brasilianista do Sul, coluna assinada por Mario Cámara (UBA) na BVPS, nosso colaborador parte de três filmes brasileiros (Ainda Estou Aqui, O Agente Secreto e Marighella) para refletir sobre as formas contemporâneas de representar a ditadura militar. Cámara, assim, compara diferentes modos de construir essa memória e, evocando Paul Thomas Anderson e a ensaísta argentina Silvia Schwarzböck, sugere que o realismo talvez já não seja suficiente para dar forma a um passado cujos personagens e horizontes parecem cada vez mais distantes de nossa imaginação política.

Crônicas de um brasilianista do Sul mistura Argentina e Brasil em pequenas crônicas mensais sobre livros, filmes, exposições e reflexões diversas – em veredas que se bifurcam. Ou, melhor dizendo, compartilha um pouco de um Brasil hermano, vizinho não longe daqui, traduzido desde as margens e o Sul.

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BVPS | Abre ALAS | “Abre ALAS”, por Gerónimo de Sierra

Continuando a segunda semana de posts da Abre ALAS, publicamos o texto de Gerónino de Sierra (Universidad de la República), que revisita a crise estrutural das ciências sociais latino-americanas e defende a integração regional e o compromisso da sociologia crítica, recordando com emoção congressos marcantes da Associação.

Nas próximas quintas-feiras até a véspera do congresso publicaremos, em espanhol e português, textos de ex-presidentes da ALAS que dialogam com o tema central do XXXV Congresso – Entre a Policrise e as Alternativas: horizontes da sociologia crítica latinoamericana. Confira a abertura da série clicando aqui.

Boa leitura!

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BVPS | Abre ALAS | “Policrise e mal-estar social: desafios do trabalho intelectual”, por Paulo Henrique Martins

Dando continuidade na segunda semana da Abre ALAS, com textos escritos por ex-presidentes da Associação, trazemos dois textos que anunciam os grandes temas do Congresso. Assinado por Paulo Henrique Martins (UFPE), o primeiro post de hoje traz um ensaio sobre a policrise global e mostra como o mal-estar contemporâneo alimenta o autoritarismo e o anti-intelectualismo, propondo um humanismo ecológico inspirado nas lutas indígenas, feministas e comunitárias da América Latina.

Nas próximas quintas-feiras até a véspera do congresso publicaremos, em espanhol e português, textos que dialogam com o tema central do XXXV Congresso – Entre a Policrise e as Alternativas: horizontes da sociologia crítica latinoamericana. Confira a abertura da série clicando aqui.

Boa leitura!

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Sociológicas | O trabalho no eito e a volta para casa, por Maria Moraes

Depois de acompanharmos o caminhão dos boias-frias no primeiro episódio de sua participação na série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) nos conduz agora ao eito, espaço onde o trabalho rural se realiza e se tornam visíveis as formas cotidianas de controle sobre os corpos das trabalhadoras. Aqui, a autora mostra como exploração econômica, patriarcado e racismo se constituem em organizações sociais distintas, que se entrelaçam na organização do trabalho agrícola. Desse entrecruzamento emergem diferentes formas de violência e enfrentamento: seja ao subir no caminhão, trabalhar no eito ou mandar embora os maridos agressores.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

Boa leitura!

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BVPS | Ainda há tempo: múltiplas vozes

A BVPS traz um conjunto de comentários sobre o livro Ainda há tempo: a pandemia de Covid-19 e a transformação do futuro, de Nísia Trindade Lima, recém-publicado pela editora Civilização Brasileira. O livro, como ressaltamos no booktrailer que lançamos, é profundamente marcado pelas qualidades de escuta e diálogo, características bem conhecidas da autora. Ao se fazer narradora, Nísia Trindade conseguiu recuperar, analisar e narrar a experiência da pandemia de covid-19, trazendo sua vivência ímpar, que fez toda a diferença para a sociedade brasileira, na presidência da Fiocruz e, posteriormente, na reconstrução do Ministério da Saúde. Porque fez e faz de sua voz muitas vozes, nosso propósito, nesta ação que hoje se inicia, é reunir múltiplos diálogos em torno do seu importante livro.

Damos início com comentários de Lilia Schwarcz (USP), Manoel Barral-Netto (Fiocruz), Luiz F. D. Duarte (UFRJ) e Gulnar Azevedo (Uerj).

Ao longo das próximas quartas-feiras, publicaremos comentários de diferentes leitoras e leitores, que ajudam a ampliar e aprofundar as questões suscitadas por esta obra tão necessária ao nosso tempo.

Boa leitura!

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BVPS | International Symposium | Capitalism and Authoritarianism: what is to be done? (VI)


The BVPS publishes today the sixth round of posts in the international symposium Capitalism and Authoritarianism: What Is to Be Done?, which invited specialists from Brazil and abroad, drawing on three major fields of the social sciences—social theory, the sociology of labor, and Brazilian social and political thought—to answer four questions concerning the intricate relationship between authoritarianism and capitalism in the contemporary world. The responses will be published in installments every Wednesday. To access the other symposium contributions, click here.

Today’s contributors are:

Patricia Hill Collins is Professor Emerita in the Department of Sociology at the University of Maryland, where she has been affiliated since 2005, dedicating her work to the study of race, social class, Black feminist thought, sexuality, and critical social theory. In 2008, she became the 100th President of the American Sociological Association, the first African American woman elected to that position in the organization’s 104-year history. Among her many published works are Black Feminist Thought: Knowledge, Consciousness, and the Politics of Empowerment (1990), From Black Power to Hip Hop: Racism, Nationalism, and Feminism (2005), and Another Kind of Public Education: Race, Schools, the Media and Democratic Possibilities (2009).

Valter Roberto Silvério is Full Professor in the Department and Graduate Program in Sociology at the Federal University of São Carlos. Since 2013, he has served as Vice-President of UNESCO’s International Scientific Committee of the General History of Africa (GHA). He has expertise in the field of Sociology, with an emphasis on postcolonial studies, working mainly on the following themes: Black transnationalism, the African diaspora, Afro-Brazilians, education, and affirmative action. He is the author of Equidade Racial: reflexões acerca da gestão escolar no ensino médio (2019), Transnacionalismo negro diáspora africana: uma nova imaginação sociológica (2022), Agência criativa negra: rejeições articuladas e reconfigurações do racismo (2022), among others.

Jacob Carlos Lima is Full Professor in the Department of Sociology at the Federal University of São Carlos. He served as Coordinator of the Sociology Area at CAPES (2011–2014), chaired the Social Sciences–Sociology Advisory Committee of CNPq (2016–2019), and was President of the Brazilian Sociological Society for the 2019–2021 and 2021–2023 terms. His research focuses on the Sociology of Work and Economic Sociology. Among his publications are Trabalho, mercado e formação de classe (1996), As artimanhas da flexibilização: o trabalho terceirizado em cooperativas de produção (2002), and Ligações perigosas: trabalho flexível e trabalho associado (2007).

The international symposium Capitalism and Authoritarianism: What Is to Be Done? is organized by Fabrício Maciel (UFF) and Maurício Hoelz (UFRRJ and editor of the BVPS Blog), and has the editorial assistance of Miguel Cunha (PPGCS/UFRRJ).

See below!

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BVPS | Simpósio Internacional | Capitalismo e Autoritarismo: o que fazer? (VI)

A BVPS publica hoje a sexta rodada de posts do simpósio internacional Capitalismo e Autoritarismo: o que fazer?, que convidou especialistas brasileiras/os e do exterior, a partir de três grandes áreas das ciências sociais – a teoria social, a sociologia do trabalho e o pensamento social e político brasileiro –, a responder quatro perguntas em torno das intrincadas relações entre autoritarismo e capitalismo no mundo contemporâneo. As respostas serão publicadas em blocos sempre às quartas-feiras. Para acessar as demais publicações do simpósio, clique aqui.

Hoje teremos como convidadas/os:

Patricia Hill Collins é professora emérita do Departamento de Sociologia da Universidade de Maryland desde 2005, dedicando-se aos estudos de raça, classe social, pensamento feminista negro, sexualidade e teoria social crítica. Em 2008, tornou-se a 100ª presidente da Associação Americana de Sociologia, a primeira mulher afro-americana eleita para esse cargo nos 104 anos de história da organização. Entre suas diversas obras publicadas, se destacam Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento (2019), Interseccionalidade (2021) e Política sexual negra (2022).

Valter Roberto Silvério É professor titular do Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia, da Universidade Federal de São Carlos. Desde de 2013 é vice-presidente do International Scientific Committee of the General History of Africa (GHA) da UNESCO. Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em estudos pós-coloniais, atuando principalmente nos seguintes temas: transnacionalismo negro, diáspora africana, afro-brasileiros, educação e ação afirmativa. É autor de Equidade Racial: reflexões acerca da gestão escolar no ensino médio (2019), Transnacionalismo negro diáspora africana: uma nova imaginação sociológica (2022), Agência criativa negra: rejeições articuladas e reconfigurações do racismo (2022), entre outros.

Jacob Carlos Lima é professor titular no Departamento de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. Foi Coordenador da Área de Sociologia na CAPES (2011-2014); coordenou o Comitê de Assessoramento da área de Ciências Sociais-Sociologia do CNPq no período 2016-2019; foi presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia nos biênios 2019-2021 e 2021-2023. Atua em pesquisas nas áreas de Sociologia com foco em Sociologia do Trabalho e Sociologia Econômica. É autor, entre outros, de Trabalho, mercado e formação de classe (1996), As artimanhas da flexibilização: o trabalho terceirizado em cooperativas de produção (2002) e Ligações perigosas: trabalho flexível e trabalho associado (2007).

O simpósio internacional Capitalismo e Autoritarismo: o que fazer? é organizado por Fabrício Maciel (UFF) e Maurício Hoelz (UFRRJ e editor responsável do blog da BVPS), e conta com a assessoria editorial de Miguel Cunha (PPGCS/UFRRJ).

Boa leitura!

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Série Back to the 70s | Emaranhado André Botelho: memorial (trecho)

Em mais um post da série Back to the 70s, trazemos um trecho do memorial de titularidade de André Botelho, organizador da série ao lado de Maurício Hoelz e Maria Fernanda Argileu.

A titularidade, ocorrida no final de 2024, versou sobre as ambiguidades do indivíduo no memorialismo mineiro como parte do longo processo de individuação na sociedade, pesquisa desenvolvida durante os 4 anos do projeto coletivo “MinasMundo: o cosmopolitismo na cultura brasileira”. No memorial, Botelho propôs um experimento de redução da narrativa ao nível do próprio objeto, trocando o relato de feitos acadêmicos por uma trama que assume a parcialidade e a subjetividade (de classe social, de gênero, de cor, religião e outros marcadores sociais) não como sintomas mas como modos de produção do eu. Reagindo à longa tradição da Bildung, enfatiza mais o desfazimento da sociedade na prática de si e a deseducação como motivos do aprendizado social — tema, aliás, de sua pesquisa atual.

No trecho abaixo publicado, ao rememorar a infância e a juventude entre Rio de Janeiro e Petrópolis nos anos 1970, Botelho converte fragmentos do seu cotidiano em matéria de reflexão sociológica. O resultado é um retrato sensível de uma geração e de um Brasil em transformação, em que, mais do que os temas que marcariam sua obra, revelam-se os aprendizados e desaprendizados de uma trajetória intelectual dedicada a compreender as contradições que atravessam a sociedade brasileira, no “seu” e no “nosso” tempo.

Para conferir a programação anual dos seminários, clique aqui. E, para acessar os outros textos da série, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Bom Jardim (15 de janeiro)   


Henry Ford chega à Amazônia. Mário de Andrade, em Bom Jardim, toma a notícia como ponto de partida para refletir sobre as consequências do expansionismo ianque e a crescente migração forçada do proletariado rural nordestino, assolado pela seca e pelo descaso do poder público. Outra vez, o viajante transforma o diário de viagem em interpretação do país, e mostra que grandes acontecimentos podem ganhar novos sentidos quando vistos a partir da experiência concreta dos brasileiros.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

Boa leitura!

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BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares

No oitavo post da série Autorais Luiz Eduardo Soares, publicamos três ensaios do seu livro O Rigor da Indisciplina (1994): “Religioso por natureza: cultura alternativa e misticismo ecológico no Brasil”, escrito em 1989 e publicado então pelo ISER, “O Santo Daime no contexto da nova consciência religiosa” e “Misticismo e reflexão”, publicados também pelo ISER, em 1990, como um desdobramento das questões abertas no primeiro ensaio.

Em conjunto, os três textos investigam a emergência de uma “nova consciência religiosa” entre setores urbanos de classe média, tomando o universo da cultura alternativa — e, em sua vertente religiosa, o misticismo ecológico — como expressão privilegiada de transformações mais amplas da experiência moderna. Ao acompanhar esse fenômeno sob diferentes perspectivas, Luiz Eduardo Soares explora de que modo essas formas de religiosidade reelaboram questões centrais do projeto moderno: a constituição das identidades coletivas, a tensão entre autonomia individual e vida em comunidade e a possibilidade de fundar horizontes compartilhados sem recorrer a modelos autoritários de pertencimento.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui. Boa leitura!

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BVPS Edições | Copa do Mundo na BVPS | “A Copa para além do futebol”, por Arlei Sander Damo

Dando continuidade à série Copa do Mundo na BVPS, publicamos hoje texto de Arlei Sander Damo, professor do Departamento de Antropologia da UFRGS, que lança um olhar sobre um dos fenômenos mais marcantes da Copa de 2026: a expressiva presença de atletas nascidos fora dos países que representam dentro de campo.

Como nos mostra Damo, o futebol de seleções vive de um nacionalismo laico, capaz de transformar um time organizado por uma entidade privada na própria nação encarnada, com direito a hinos, bandeiras e identidades supostamente reveladas em campo. É justamente essa crença que a Copa deste ano coloca em xeque. Quase um terço dos jogadores nascidos na França que hoje defendem outras seleções são filhos e netos da diáspora pós-colonial, e que agora representam países como Argélia e Marrocos. O fenômeno inverte uma lógica antiga: se por décadas imigrantes e seus descendentes engrossaram as fileiras da própria seleção francesa, agora são os filhos da diáspora que retornam, em campo, à pátria de seus antepassados, evidenciando o caráter fundamentalmente construído e contingente das identidades nacionais mobilizadas pelo futebol.

Para acompanhar os demais posts da série, clique aqui. Novos textos serão publicados todas as sextas-feiras, até o fim desta edição da Copa do Mundo.

Boa leitura!

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Ressurgências | Que Índio Genérico, Cara-Pálida?, por Alcida Rita Ramos e Francisco Sarmento

Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (KAAPI) revisitam a profecia do “índio genérico”, formulada por Darcy Ribeiro em Os Índios e a Civilização, neste novo texto da coluna Ressurgências.

A tese de Ribeiro antevia que os sobreviventes indígenas do processo de expansão econômica convergiriam para uma condição comum: a do “índio genérico”, destituído de grande parte de suas especificidades culturais e reduzido a uma identidade residual. A partir dessa formulação, Ramos e Sarmento constroem uma reflexão que se desdobra em dois tempos e perspectivas: a de uma europeia de nascença, que há décadas acompanha a luta dos povos indígenas no Brasil, e a de um intelectual indígena formado no “mundo dos brancos”, mas enraizado na tradição Tukano do Alto Rio Negro. De maneira eminentemente dialógica, os autores então reconhecem a importância de Darcy Ribeiro para a etnologia brasileira, mas também mostram como a vitalidade dos povos indígenas transformou o prognóstico de desaparecimento em uma história de ressurgências.

Para conferir outros textos da coluna Ressurgências, clique aqui. E para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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BVPS | Abre ALAS | “A sociedade global na era do capitalismo digital: desafios para a América Latina em tempos de policrise”, por Ana Rivoir


Para dar as boas-vindas, no espírito carioca, à sociologia latino-americana que se encontrará no Rio de Janeiro para o XXXV Congresso da ALAS – Associação Latino-americana de Sociologia, de 26 a 31 de julho de 2026, a BVPS tem a alegria de estrear hoje a série Abre ALAS – evocando a famosa marchinha carnavalesca de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), “Ó abre alas”, que, desde sua estreia em 1899, é sucesso de público na festa, a expressão significando, literalmente, “dar passagem” ou “abrir caminho”. A iniciativa nasce de uma parceria da ALAS com a BVPS, por meio de seu vice-presidente, Breno Bringel, também organizador da série – a quem agradecemos.

Nas próximas quintas-feiras até a véspera do congresso, para ir esquentando os tamborins, publicaremos, em espanhol e português, textos de ex-presidentes da ALAS que dialogam com o tema central do XXXV Congresso – Entre a Policrise e as Alternativas: horizontes da sociologia crítica latinoamericana.

Abrimos a série com Ana Rivoir, da Universidad de la República, no Uruguai, que presidiu a ALAS entre 2017 e 2019.

Boa leitura!

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BVPS | Abre ALAS | “La sociedad global en la era del capitalismo digital: desafíos para América Latina en tiempos de policrisis”, por Ana Rivoir


Para dar la bienvenida, con espíritu carioca, a la sociología latinoamericana que se encontrará en Río de Janeiro para el XXXV Congreso de ALAS – Asociación Latinoamericana de Sociología, del 26 al 31 de julio de 2026, la BVPS tiene la alegría de estrenar hoy la serie Abre ALAS – evocando la famosa marchinha carnavalesca de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), “Ó abre alas”, que, desde su estreno en 1899, es un éxito de público en la fiesta, expresión que significa, literalmente, “dar paso” o “abrir camino”. La iniciativa nace de una alianza de ALAS con la BVPS, a través de su vicepresidente, Breno Bringel, también organizador de la serie – a quien agradecemos.

En los próximos jueves, hasta la víspera del congreso, para ir calentando los tamborines, publicaremos, en español y portugués, textos de expresidentes de ALAS que dialogan con el tema central del XXXV Congreso –Entre la Policrisis y las Alternativas: horizontes de la sociología crítica latinoamericana.

Abrimos la serie con Ana Rivoir, de la Universidad de la República, en Uruguay, quien presidió ALAS entre 2017 y 2019.

¡Buena lectura!

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