Coluna Renato Ortiz | O Arqueólogo do Futuro


E se o nosso presente fosse olhado, séculos adiante, a partir das ruínas de garrafas de Coca-Cola e fragmentos de Hollywood? Assim chegamos à trigésima, e penúltima, publicação de Renato Ortiz (Unicamp) em sua coluna na BVPS. Em O Arqueólogo do Futuro, Ortiz imagina uma sociedade distante no tempo que, a partir dos pedaços deixados pela nossa civilização, procura reconstruir o mundo de seus antepassados. O texto foi originalmente escrito em 2006 e é um exercício de estranhamento sobre o nosso próprio cotidiano, especialmente reescrito para a ocasião.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | O Pensamento Social Brasileiro no currículo das Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná, por Alexandro Trindade

No quarto post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “O Pensamento Social Brasileiro no currículo das Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná”, de Alexandro Dantas Trindade (UFPR).

Como ensinar a estudantes de Ciências Sociais uma história da disciplina que ainda não se separou em Sociologia, Antropologia e Ciência Política? Foi esse o desafio enfrentado pela UFPR ao criar, na Reforma Curricular de 2010, três módulos simultâneos para a disciplina Pensamento Social Brasileiro, cada um conduzido por uma área de concentração diferente. O artigo de Alexandro Trindade reconstitui essa experiência inovadora e pergunta por que, mais de uma década depois, ela deixou de ser obrigatória, nos fazendo refletir sobre o que essa mudança revela acerca das tensões entre uma formação ampla e a crescente especialização dos departamentos e de seus programas de pós-graduação.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

Boa leitura!

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Sociológicas | Operando o trator rosa: “é muito perigoso, mas adoro o que faço, é uma conquista”, por Maria Moraes

Chegando ao quinto episódio de sua participação na série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) discute as consequências da agricultura 4.0 nas plantações de cana-de-açúcar. Não é novidade que o uso de Tecnologias de Informação (TIs) vem transformando a agropecuária brasileira. O notável aumento de produtividade está em curso, motivado sobretudo por um neoliberalismo crescente. Com os incrementos tecnológicos na produção, entretanto, Moraes argumenta que surgem ou se intensificam também outras formas de controle e violência sobre os trabalhadores, especialmente as mulheres. Como ela diz, estamos diante de um deslizamento do conceito de gênero, produzido por esse modelo de produção, que pode servir como importante chave interpretativa das nova dinâmicas de relações no trabalho rural.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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BVPS Recomenda | Exposição “Céu de Concreto”, de Luiz Carlos Paulino

A Central Galeria (Rua Minas Gerais, 362 – Higienópolis, São Paulo) apresenta Céu de Concreto, primeira exposição individual de Luiz Carlos Paulino (Bizil) na galeria, que ficará em cartaz de 15 de agosto a 19 de setembro. A mostra reúne três núcleos de obras que incorporam diferentes perspectivas da vida dos egressos da Casa de Detenção, integrando-as ao debate do programa anual da galeria – voltado aos tempos políticos e ao campo aberto da liberdade, da experimentação e da imaginação.

Luiz Carlos Paulino é sobrevivente do massacre do Carandiru (1992), uma das maiores barbáries da história do país. Em sua produção, transforma essa experiência em obra, dando forma à violência da ação policial que deixou 111 mortos, segundo dados oficiais. Entre representações do horror e dimensões imateriais e espirituais, suas obras denunciam a negação de direitos básicos, as violências do Estado e também afirmam sua sobrevivência como um milagre.

Para mais informações, confira o site da exposição clicando aqui.

Confira abaixo o texto crítico da mostra, escrito por Lilia Moritz Schwarcz.

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Centenário de Octavio Ianni | O legado de Octavio Ianni para a interpretação da questão agrária no Brasil, por Lucas Bezerra

Dando continuidade à quinta semana da série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos texto de Lucas Bezerra (UFAL) que revela a questão agrária como muito mais do que um tema recorrente na obra de Octavio Ianni: ela é um eixo fundamental de sua interpretação da formação social brasileira.

Recusando uma abordagem setorial da agricultura, Ianni mostrou como a propriedade da terra, as relações sociais no campo e as lutas pela terra organizam historicamente as classes sociais e as formas de dominação no país. Bezerra nos convida a redescobrir por que a questão agrária segue sendo uma dimensão decisiva – e urgente – para compreender os impasses históricos do Brasil.

Ao longo dos próximos meses, até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado em outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, dois novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

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Centenário de Octavio Ianni | Centenário de Octavio Ianni, por Ernesto Renan Freitas Pinto

Dando continuidade à quinta semana da série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos texto de Ernesto Renan Freitas Pinto (UFAM), que nos leva a um instigante balanço da vasta obra de Octavio Ianni.

Raça, populismo, imperialismo, questão agrária, Amazônia, Estado, cultura, globalização: temas que, à primeira vista, parecem dispersos, mas que o autor mostra integrarem um mesmo e ambicioso projeto de interpretação crítica da formação do Brasil e da América Latina. Um convite a redescobrir por que o pensamento de Ianni segue tão atual – e tão necessário para pensarmos o presente.

Ao longo dos próximos meses, até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado em outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, dois novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

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Série Nordestes | Jean Duvignaud, um expert da Unesco na institucionalização da sociologia no Uruguai, por Mariana Barreto

A Série Nordestes tem o prazer de publicar a tradução inédita, realizada por Mariana Barreto (UFC), do relatório da missão da Unesco efetuada por Jean Duvignaud junto ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade da República, em Montevidéu, em 1962. A tradução vem acompanhada de uma apresentação assinada pela própria tradutora, intitulada “Jean Duvignaud, um expert da Unesco na institucionalização da sociologia no Uruguai”, em diálogo com outra tradução de Barreto já publicada nesta série.

O relatório oferece uma chave de leitura valiosa para compreender a experiência de Duvignaud alguns anos depois em Fortaleza. É no Uruguai que o sociólogo ensaia, pela primeira vez, a atuação que marcaria sua passagem pelo Ceará. O documento permite assim situar a missão cearense em um percurso mais amplo de circulação internacional das ciências sociais, revelando como os dispositivos institucionais mobilizados por Duvignaud no Nordeste brasileiro já haviam sido testados e reformulados em outros contextos latino-americanos.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Caicó (21 de janeiro, 20 horas)   

Mário de Andrade discute a seca do Nordeste em crítica ácida ao Governo Federal, ao então presidente Washington Luís e às “literatices heroicas” de Os Sertões. Para ele, a seca era um problema ainda longe de ser solucionado. Mas cultivava esperanças, mesmo diante de todo o lamúrio que via na cidade de Caicó e arredores. Como diz, talvez fosse bom deixar o dr. Washington Luís andar 12 léguas sob o solão, comendo a miséria medonha da seca… quem sabe gastasse menos com estradas de luxo noutros lugares.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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BVPS Edições | Autorais Elisa Reis

“Sociedade agrária e ordem política” é o terceiro texto da série Autorais Elisa Reis, publicado em 1980 na revista Dados.

Em outra frente das análises macro-históricas do processo de modernização, que costumam privilegiar os setores urbanos na transformação da antiga ordem agrária, as ciências sociais desenvolveram uma tradição que vincula as estruturas sociais rurais à ordem política. No artigo, a partir de autores como Turner, Weber, Moore e Otávio Velho, Elisa Reis propõe uma revisão crítica dessa tradição, chamando atenção para a necessidade de compreender o Estado não apenas como resultado das relações sociais, mas também como um ator que participa ativamente de sua transformação. Nessa perspectiva, abrem-se novas possibilidades para pensar as relações entre o poder público e o poder privado e, particularmente, sugere a autora, para compreender a persistência de padrões autoritários em diferentes contextos históricos.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui. Boa leitura!

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BVPS Agenda | Lançamento do livro “Graciliano Ramos: vida e obra”, de Wander Melo Miranda

No próximo sábado, 22 de agosto, a partir das 11h, será lançado o livro Graciliano Ramos: vida e obra escrito por Wander Melo Miranda. O evento do novo lançamento da Companhia das Letras será na Livraria Quixote (rua Fernades Tourinho, 274 – Belo Horizonte) e contará com uma sessão de autógrafos com o autor.

Salve na sua agenda: a obra será lançada no Rio de Janeiro no dia 8 de setembro. Mais informações em breve.

Publicamos abaixo a orelha do novo livro.

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BVPS Recomenda | “Esquerda: teoria e prática”, de José Maurício Domingues

A BVPS publica hoje trechos que compõem a introdução do novo livro de José Maurício Domingues (IESP-UERJ), Esquerda: teoria e prática, que será lançado pela Editora Contracorrente.

Na obra, o sociólogo retoma o diálogo com o pensamento das esquerdas no Brasil e no mundo, articulando teoria social, teoria crítica e prática política. A partir de temas como democracia, socialismo, desigualdade, racismo, feminismo, crise ambiental, marxismo e a nova ordem global, o autor investiga os desafios, impasses e possibilidades das esquerdas no século XXI.

Com uma análise crítica e interdisciplinar, o livro propõe uma reflexão sobre a renovação da teoria crítica, a radicalização democrática e a construção de alternativas de transformação social diante dos desafios do mundo contemporâneo.

A pré-venda do livro já se encontra disponível no site da editora.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Impasses na formação: o pensamento social brasileiro nas Ciências Sociais da UFC, por Andréa Borges Leão

No terceiro post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “Impasses na formação: o pensamento social brasileiro nas Ciências Sociais da UFC”, de Andréa Borges Leão (UFC).

O que os arquivos de uma disciplina podem revelar sobre as disputas simbólicas do presente em torno da formação em Ciências Sociais? Examinando ementas, programas, planos de curso e bibliografias, Andréa Borges Leão passa em revista a história do Pensamento Social Brasileiro na Universidade Federal do Ceará e aponta o que se perde quando, em nome da adequação às demandas do mercado de trabalho, o Pensamento Social Brasileiro deixa de ocupar um lugar obrigatório na formação.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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Centenário de Octavio Ianni | “O jovem radical” de Octavio Ianni. Um ensaio em dois tempos, por Carmen Felgueiras

Dando continuidade à série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, trazemos esta semana texto de Carmen Felgueiras (UFF) dedicado ao ensaio de Octavio Ianni “O jovem radical”.

O que muda quando um mesmo texto é lido em dois momentos tão distintos da história política brasileira? É a partir dessa pergunta que Carmen Felgueiras revisita “O jovem radical”, acompanhando as transformações de seus sentidos entre 1963 e 1968. Ao recuperar os debates sobre industrialização, desenvolvimento e mobilização estudantil que atravessavam aquele período, a autora nos convida a perceber como a reflexão de Ianni sobre a juventude também era uma reflexão sobre a própria sociedade brasileira, suas formas de radicalização política e suas possibilidades de transformação.

Ao longo dos próximos meses, até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado em outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, dois novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

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Centenário de Octavio Ianni | Decifrando a globalização: metamorfoses e contradições do capitalismo mundial em Octavio Ianni, por André da Rocha Santos

Dando continuidade à série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos esta semana texto de André da Rocha Santos (IFSP) sobre a chamada “trilogia da globalização” de Octavio Ianni.

Quando a globalização passa a ocupar o centro da reflexão de Ianni, estamos diante de uma nova etapa de sua trajetória intelectual ou de um desenvolvimento de questões que já o acompanhavam há décadas? É essa questão que orienta o ensaio de André da Rocha Santos. Ao revisitar a “trilogia da globalização”, o autor mostra como a sociedade global, para Ianni, não significava o abandono de suas preocupações anteriores, mas a ampliação de seu horizonte de análise: o capitalismo, suas metamorfoses e as desigualdades que atravessam um mundo cada vez mais interdependente. O texto também nos convida a pensar sobre um desafio que permanece atual: como renovar as categorias das ciências sociais para compreender as transformações do mundo contemporâneo?

Ao longo dos próximos meses, até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado em outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, dois novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Automovel (20 de janeiro)   

Mário de Andrade retoma a viagem de automóvel após a tempestade da noite anterior. O trajeto é acompanhado de sede e de pequenas cruzes fincadas na beira da estrada. Está rumo à capital do cangaço paraibano. Ao chegar em Catolé do Rocha, o escritor registra em caderneta um “bendito” cantado por uma pedinte. A perfeição daquela melodia popular denota a riqueza cultural do sertão, mesmo em meio às piores agruras.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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BVPS Recomenda | Dossiê “Folhas e Papéis: livros, vegetalidades, mineralidades, ecologias e cosmologias entre Literatura e Ciências Sociais”

A RELACult – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, e os coordenadores Natalia Negretti (PAGU-UNICAMP), Maria Candida Vargas Frederico (PPCIS-UERJ) e Nathanael Araujo da Silva (NDD-CEBRAP) divulgam chamada para dossiê temático que comporá o Volume 12, nº 02, de 2026.

O dossiê propõe reunir reflexões sobre os encontros entre literatura e ciências sociais a partir das múltiplas dimensões das “folhas” e dos “papéis”. Compreendidos simultaneamente como materialidades, metáforas e dispositivos de mediação, esses elementos permitem explorar as relações entre livros, vegetalidades, mineralidades, ecologias e cosmologias, bem como os modos pelos quais diferentes formas de vida, conhecimento e imaginação se inscrevem no mundo.

Serão aceitas contribuições que investiguem os vínculos entre escrita, leitura, pesquisa, criação literária e produção de conhecimento, considerando as interações entre humanos e não humanos, territórios, paisagens, arquivos, coleções e outras materialidades.

As submissões devem ser realizadas exclusivamente pelo sistema da RELACult através deste link.

Recebimento de artigos: 01 de junho a 31 de outubro de 2026.

BVPS Edições | Autorais Elisa Reis

Publicamos hoje o paper “Reconfigurando a relação entre Estado, mercado e solidariedade”, segundo texto da série Autorais Elisa Reis, apresentado na reunião anual da Society for the Advancement of Socio-Economics (SASE) em 2019, em Nova York, e traduzido pelo curador da série, Karim Helayel.

No texto, a autora resgata a noção de progresso social na história das ciências sociais para, à maneira dos clássicos, refletir sobre os rumos da mudança social, não apenas diagnosticando os problemas em curso, mas também reafirmando o compromisso do conhecimento científico com a busca por formas de melhorar a sociedade. Ao destacar a emergência da solidariedade como princípio organizacional, ao lado da autoridade e do mercado, Elisa Reis chama atenção para as possibilidades que essa transformação oferece às ciências sociais de reconhecer os limites e as oportunidades do presente e, a partir deles, reconfigurar, ou reinventar, a ideia de progresso em direção a uma sociedade mais justa.

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BVPS Resenha | “Um bandido tímido: ensaio sobre Lima Barreto”, por Caetano Araújo

Publicamos hoje a resenha de Caetano Araújo sobre o livro Um bandido tímido: ensaio sobre Lima Barreto, de Angélica Madeira, publicado no final do ano passado pela Ateliê de Humanidades Editorial.

Por que Lima Barreto, autor de mérito inegável, nunca compareceu a uma recepção e foi três vezes recusado pela Academia Brasileira de Letras? Em Um bandido tímido, Angélica Madeira oferece respostas com as ferramentas da sociologia da cultura, examinando em conjunto a vida e a obra do escritor. Na resenha, Caetano Araújo adianta o que o leitor vai encontrar: um autor coerente em suas posições contramajoritárias, em especial contra o nacionalismo pueril e o cientificismo racista, personagens lidos como “blocos de afeto” spinozanos e os temas fantasmas dos últimos anos – loucura, alcoolismo e morte. O retrato de quem, à margem da cultura oficial da República Velha, antecipou debates sobre raça e gênero que só ganhariam projeção décadas depois.

Boa leitura!

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Crônicas de um brasilianista do Sul | Surtos Literários, por Mario Cámara

Novos romances brasileiros estão sendo traduzidos para o espanhol e chegam com força à Argentina. Esse fenômeno contemporâneo enseja a presente edição da coluna Crônicas de um brasilianista do Sul, assinada mensalmente por Mario Cámara (UBA) na BVPS.

Uma exposição, de Ieda Magri; Saia da frente do meu sol, de Felipe Charbel; e Não escrever [com Roland Barthes], de Paloma Vidal são três obras de literatura brasileira – aparentemente distintas – publicadas em um curto intervalo na Argentina. Mario Cámara identifica nesse conjunto, e no próprio movimento de renovação, um sentido compartilhado perante um longo panorama literário. Assim, também evocando Flora Süssekind, constrói uma fina análise comparativa que sugere a “constelação fértil” diante da qual nos encontramos.

Crônicas de um brasilianista do Sul mistura Argentina e Brasil em pequenas crônicas mensais sobre livros, filmes, exposições e reflexões diversas – em veredas que se bifurcam. Ou, melhor dizendo, compartilha um pouco de um Brasil hermano, vizinho não longe daqui, traduzido desde as margens e o Sul.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Por uma sociologia da sociologia a partir dos livros didáticos, por Simone Meucci

No segundo post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “Por uma sociologia da sociologia a partir dos livros didáticos”, de Simone Meucci (UFPR).

Nele, a autora ressalta a importância dos estudos sobre livros didáticos para a compreensão de como saberes científicos, filosóficos e artísticos são traduzidos para fins escolares em cada contexto histórico. Reconstituindo a trajetória do Plano Nacional do Livro e Material Didático (PNLD), o texto situa o crescimento recente das pesquisas sobre livros didáticos de sociologia no Brasil, impulsionado pela obrigatoriedade da disciplina no Ensino Médio, para mostrar como o Estado, ao definir editais e critérios de avaliação, acaba por moldar os próprios formatos e conteúdos do gênero didático no país.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

Boa leitura!

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