BVPS Edições | A virada | Diário do 2º turno das eleições presidenciais de 2026: as três semanas mais importantes das nossas vidas, por Luis Hirano

Como a experiência pessoal e a política se encontram? Numa espécie de auto-etnografia, o antropólogo Luis Felipe Kojima Hirano recupera a tensão do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, que opôs as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Qual o destino do casamento intenso entre mobilização das redes sociais e das ruas?

Entre o temor diante do avanço da extrema direita e a esperança na força do processo de mobilização popular, a partir de Goiânia, o autor narra seu engajamento e nos faz pensar sobre as tarefas dos intelectuais nesse novo e, talvez, admirável mundo novo que estamos protagonizando e se abre à nossa frente. Que o relatório de um jovem, embora já experiente cientista social, nos aqueça e alimente a esperança.

Boa leitura!

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BVPS Agenda | Seminário “Brasil 2027: o país que sai das urnas”

Nesta quinta-feira e sexta-feira, dia 29 e 30 de outubro, às 09h00, inicia-se o seminário Brasil 2027, o país que sai das urnas que reúne pesquisadores e especialistas para discutir as transformações da política brasileira após as eleições. O evento ocorrerá na Fundação Casa de Rui Barbosa (R. São Clemente, 134 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ).

O que as eleições revelam sobre o Brasil e sobre as forças políticas que disputam seus rumos? Como ficará a correlação de forças após o pleito e quais desafios aguardam o governo que assume em 2027? Em um cenário de disputas e transformações na política brasileira, essas questões nos convidam a refletir sobre os resultados eleitorais, as mudanças na representação política e os caminhos que se abrem para o futuro do país.

Confira a programação abaixo!

BVPS Efemérides | Centenário de Autran Dourado | Apresentação, por Reinaldo Marques

É com grande alegria que a BVPS anuncia o início da série Centenário de Autran Dourado, em comemoração aos cem anos de nascimento de um dos grandes nomes da literatura brasileira. Romancista de rigorosa consciência formal e profundo conhecedor da história mineira, Autran Dourado conjuga o imaginário social das Minas à dimensão trágica das narrativas gregas, construindo uma obra que procura fixar-se nos limites: do sonho e da vigília, da oralidade e da cultura letrada, da memória e da invenção, do local e do universal.

Com curadoria de Reinaldo Marques, professor titular da FALE/UFMG e pesquisador do Acervo de Escritores Mineiros da UFMG, a série reúne textos de arquivo do próprio escritor e ensaios críticos dedicados à sua obra. A seleção se organiza em torno de dois movimentos complementares: de um lado, dar voz a Autran Dourado por meio de documentos que permitem conhecer seu processo de criação e sua trajetória intelectual; de outro, revisitar a recepção crítica de sua ficção, aproximando diferentes perspectivas de leitura.

Os textos oferecem um percurso pela oficina literária de Autran Dourado, de suas reflexões sobre a técnica narrativa e o trabalho artesanal com a linguagem à paixão pelas palavras e pelas histórias que elas carregam. Ao mesmo tempo, retomam leituras críticas de sua obra, atentas à composição dos elementos estruturais da narrativa literária e à sensibilidade barroca, torturada que permeia sua ficção. O conjunto convida, assim, a reconsiderar a atualidade de uma literatura capaz de entrelaçar passado e presente e fazer da elaboração estética um espaço de reflexão ética e política.

Agradecemos a Reinaldo Marques pela curadoria cuidadosa desta série, que faz do centenário não apenas uma ocasião comemorativa, mas também um gesto de enfrentamento do esquecimento e de renovação da leitura. Revisitar a obra de Autran Dourado é reencontrar, na literatura, outras maneiras de interrogar as histórias de Minas, do Brasil e de nosso próprio tempo.

Confira hoje o texto de apresentação da série. E, não deixe de acompanhar, semanalmente, as publicações da série Centenário de Autran Dourado.

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Boa leitura!

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BVPS Agenda | “Gotas do tempo”, uma homenagem a José Murilo de Carvalho

Nesta quinta-feira, dia 29/10, às 14h30, será lançado Gotas do tempo em homenagem a José Murilo de Carvalho, Professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O lançamento ocorrerá na Academia Brasileira de Letras (Av. Presidente Wilson, 203 – Centro), o evento ainda conta com falas de Lilia Schwarcz, Marcello Basile, Jonas Louzada e coordenação de Antonio Carlos Secchin.

Publicado postumamente, Gotas do tempo nos guia em uma viagem de Minas Gerais a Coimbra, do Rio de Janeiro à Califórnia, de Londres a Madri. Uma trajetória de oito décadas posta a limpo a fim de compartilhar as lições que aprendeu no caminho. Mais que uma narrativa pessoal, a obra registra as tentativas incessantes de entender um país que oscila entre avanços e recuos, sonhos e pesadelos.

BVPS Edições | A virada | O desabrochar de 10 milhões de flores na primavera de 2026, por Fernando Tavares

No segundo texto da série A virada, Fernando Tavares empreende uma minuciosa análise dos números do pleito presidencial que culminou na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato, suscitando questões instigantes. Mais do que descrever um mapeamento quantitativo, o autor propõe reflexões sobre os processos que construíram a diferença nas urnas: a mobilização popular, a conquista de novas/os eleitoras/es, as disputas pelo centro e pela direita do espectro político, bem como os desafios e condicionantes estruturais que interpelam a democracia na contemporaneidade.

Assim, Tavares busca compreender não apenas o resultado das eleições, mas também os processos que o viabilizaram, tornando possíveis o que ele qualifica como “viradas agregadas”. Afinal, se a primavera de 2026 trouxe o desabrochar de mais de 10 milhões de flores, o desafio agora parece ser compreender como fazê-las florescer novamente.

Boa leitura!

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BVPS Edições | A virada | A gente se encontra na quadra certa da história, por Lilia Schwarcz

A virada. Após a mobilização durante o segundo turno das eleições presidenciais, que chamamos de Escolher a democracia, a BVPS Edições abre espaço para que, no calor da hora, colegas se manifestem, trazendo análises, desafios e testemunhos sobre este momento, talvez o mais importante desde a redemocratização do Brasil. A tarefa política urgente parece ser a de desbolsonarizar o Brasil, e ela perpassa todo o espectro ideológico, da direita à esquerda. Se é assim, cabe aos intelectuais compreender e problematizar o fenômeno para desconstruir a própria ideia de legitimidade do bolsonarismo. O fascismo não é legítimo. E, como já sabemos, é por suas mãos que as democracias morrem.

Para abrir a série, Lilia Moritz Schwarcz, uma das principais intelectuais públicas do nosso tempo, compartilha suas anotações e reflexões sobre os dias da virada e vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, a favor da qual já vinha colocando sua longa, consistente e ampla experiência como antropóloga e historiadora e ativista. Lilia pensa os últimos dias como parte de um aprendizado social da sociedade brasileira que, entre outras coisas, pode nos levar a problematizar a ideia de polarização.

Que venha uma nova virada: a da mobilização permanente, nas ruas e nas redes. A luta continua. Boa leitura!

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BVPS Recomenda | Mesa “Cultura e Mudança Social”, com Mauricio Hoelz, Sergio Tavolaro e Andrea Borges Leão

Amanhã, dia 27 de outubro, às 14h30, o Comitê de Pesquisa (CP-20) de Pensamento Social da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) promove mais um encontro para discutir o tema “Cultura e Mudança Social”, com a participação de Mauricio Hoelz (UFRRJ), Sergio Tavolaro (UnB) e Andréa Borges Leão (UFC).

Como a cultura se relaciona com as transformações da sociedade? E de que maneira ela nos ajuda a compreender as dinâmicas sociais contemporâneas? Essas são algumas das questões que orientam o debate do Comitê, que acontece amanhã e reúne reflexões sobre as relações entre cultura e sociedade. O seminário é uma oportunidade para discutir como práticas, valores e representações culturais participam dos processos de transformação social e contribuem para compreender os desafios do mundo contemporâneo.

Para acessar a transmissão no canal da SBS, clique aqui.

BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Neste terceiro post da Autorais Antonio Sérgio Guimarães, trazemos o texto “Além de Braverman, depois de Burawoy: vertentes analíticas na sociologia do trabalho”, escrito em parceria com Nadya Araújo Guimarães e publicado originalmente na Revista Brasileira de Ciências Sociais em 1991.

Como se constroem o consentimento e a resistência dos trabalhadores, e que relações sociais lhes dão sentido? O texto analisa criticamente as contribuições e os impasses de duas referências centrais desse debate. Da ênfase de Braverman no controle e na desqualificação à análise de Burawoy sobre a produção do consentimento, os autores problematizam os limites de explicações que subordinam subjetividade dos trabalhadores à função de assegurar e obscurecer a exploração, negligenciando os vínculos entre trabalho e outras esferas da vida social. A leitura nos convida a acompanhar esse debate e a considerar como relações familiares, étnicas e de gênero constituem as identidades e orientam as estratégias e lutas dos trabalhadores.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui. Outros posts da série podem ser conferidos aqui.

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Declaração da Alas sobre as eleições presidenciais no Brasil

A Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS) divulgou, nesta sexta-feira, 23 de outubro, uma declaração em defesa da democracia, da liberdade acadêmica e da soberania latino-americana diante do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. No documento, a entidade manifesta apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que o futuro político brasileiro tem consequências decisivas para toda a América Latina e o Caribe.

Confira abaixo a declaração.

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BVPS | Cientistas sociais pela democracia

Cientistas sociais de todo Brasil e de algumas instituições estrangeiras fazem carta afirmando que apenas a candidatura de Luis Inácio Lula da Silva representa garantia da democracia. A carta foi assinada por mais de 1.100 profissionais e pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) hoje, dia 23 de outubro, em menos de 6 horas.

Confira a carta abaixo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Encerramento e agradecimentos

Encerrada a Ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, a equipe da BVPS reafirma seu compromisso com a comunicação pública da ciência e com a democracia como o único ambiente propício ao florescimento de conhecimento relevante e de diálogos plurais e inclusivos para e com a sociedade brasileira.

Leia nossos agradecimentos às autoras e aos autores que participaram da nossa ação, que não foi a primeira desse tipo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Democracia, por Paulo Cassimiro

Republicamos texto de Paulo Cassimiro (IESP-UERJ) que explora as variadas disputas do conceito polissêmico de “Democracia”. O ensaio foi publicado originalmente em 2024, na série Mitomanias/Mitologias, e agora compõe à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

Em um momento em que a democracia se encontra sob pressão e seus sentidos são mobilizados por diferentes projetos políticos, a reflexão de Cassimiro ganha especial atualidade. Ao mostrar como a democracia se tornou uma palavra de consenso, mas permanece aberta a significados em disputa, o autor nos ajuda a compreender como interesses distintos reivindicam para si o caráter democrático de suas ações. Pensar essas disputas é também refletir sobre os sentidos da democracia que queremos defender.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | As ciências sociais e humanas no mundo apocalíptico das (ultra)direitas, por Gustavo Lins Ribeiro

Republicamos hoje, simultaneamente em português e espanhol, ensaio de Gustavo Lins Ribeiro, professor da Universidad Autónoma Metropolitana do México, sobre uma ameaça que se constrói de maneira silenciosa e tem as ciências sociais e humanas como alvo prioritário.

Apoiando-se no intelectual ucraniano Anton Shejovtsov, o autor identifica no projeto desta extrema direita, que chama de “tecno-oligarquia” contemporânea, um esforço sistemático de perseguir todos obstáculos para quem ambiciona um mundo autoritário: cortes de financiamento, campanhas de desprestígio e manipulação algorítmica. Se Shejovtsov está certo ao afirmar que o humanismo é “a base mais evidente e coerente de toda resistência” a esse projeto, então defender as ciências sociais se torna uma necessidade política. Afinal, a quem interessa o fim do pensamento crítico?

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Sociológicas | As quebradeiras de coco, por Maria Moraes

Chegamos à última postagem da série Sociológicas com Maria Moraes (UFSCar). Exímia especialista do mundo rural e da sociologia, Moraes mostrou, quinzenalmente, diferentes paisagens invisibilizadas dos labirintos das plantações paulistas. Arguta e generosa com leitores e leitoras, concebeu a série como episódios de uma história em curso.

Hoje, ela nos leva à outros lugares e apresenta o cotidiano e a resistência das quebradeiras de coco babaçu na periferia de Timbiras (MA), cujo trabalho, argumenta, sustenta a reprodução da vida e a sociabilidade comunitária diante da degradação ambiental do latifúndio, do avanço do agronegócio e das pressões da migração.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica. Muito obrigado Maria Moraes por enriquecer e afiar o nosso repertório.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Da borduna ao pincel, por Alcida Rita Ramos

Republicamos texto de Alcida Rita Ramos (UnB) sobre as transformações nas atitudes e nas estratégias da luta indígena por reconhecimento e respeito. O ensaio foi publicado originalmente em 2024, na coluna Desassossegos, e agora se junta à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

Se, no passado, as bordunas e os arcos eram os instrumentos de resistência, hoje essa luta se amplia com câmeras e pincéis, que ressignificam a presença indígena nos campos cultural e político. Apesar das ambiguidades e contradições do que se convencionou chamar de “era digital”, é fato que os povos indígenas também ampliaram suas possibilidades de resistência e afirmação identitária, com artistas protagonizando uma nova fase de “demarcação das telas”. Dessa forma, Alcida nos relembra três aspectos importantes: que o Brasil é vasto, que as violências e as resistências são múltiplas e que, sobretudo, ainda vale a pena acreditar e lutar pela democracia, como tão aguerridamente fazem os povos indígenas.

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BVPS Acervo: Escolher a democracia | Primeiros Escritos | O “empreendorismo” popular na busca por autonomia e dignidade, por Letícia Bolckau

Pode haver autonomia e dignidade humanas reais onde a sobrevivência depende de uma “vida sem salário”? Dando continuidade à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, publicamos em conjunto e de maneira inédita texto escrito para a série Primeiros Escritos, onde Letícia Bolckau (PPGSP/UENF) analisa o empreendedorismo popular a partir da experiência de camelôs em Campos dos Goytacazes/RJ. Ao investigar como a perda de garantias e a flexibilização compõem uma “meritocracia de risco”, o texto revela que a busca por respeito e autogestão convive com jornadas exaustivas e com a ausência de amparo social.

Quando o desamparo institucional força o trabalhador a gerir individualmente a própria miséria sob o verniz de “empreendedorismo”, o próprio pacto democrático é violentado em suas bases. Escolher a democracia significa romper com a naturalização da precariedade e garantir que as condições materiais da existência humana voltem a ser o centro de uma disputa política por justiça social e igualdade substantiva.

Conheça mais sobre a Coluna Primeiros Escritos, voltada a alunas e alunos de pós-graduação.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Memória das lutas e papel dos intelectuais, por Elide Rugai Bastos

Há 180 anos, em meio à crueldade do regime escravista e aos interesses de uma oligarquia sedenta pela manutenção do status quo, o pernambucano Antonio Pedro de Figueiredo, chamado por seus críticos de “mulato”, erguia-se em desobediência para defender a implementação de uma reforma agrária que colocaria o Brasil no caminho da democracia. Nunca é tarde para lembrarmos daqueles que, com muito sacrifício, lutaram pela conquista de nossa tão frágil liberdade. A poucos dias de mais um momento decisivo de nossa história, a ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia republica texto de Elide Rugai Bastos (Unicamp), escrito originalmente em 1997 e publicado no ano passado na Série Nordestes, que resgata as ideias e o papel social desse aguerrido brasileiro, crítico contumaz da maneira como o Brasil se organizava. Figueiredo foi, entre outras coisas, responsável pela publicação da revista O Progresso, e seu debate sobre a reforma agrária permanece surpreendentemente atual.

Boa leitura!

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Verbete “Pensamento Social no Brasil”, por Elide Rugai Bastos

Num estágio de desenvolvimento científico-acadêmico em que a hiperespecialização redobra o seu sentido original moderno, com mais fragmentação e comunicação interna cada vez mais improvável, a área de pesquisa do pensamento social vai se constituindo, na contramão desse processo, num espaço reflexivo crítico da sociedade e autocrítico da sociologia. Sim, embora tradicionalmente multidisciplinar, será que todas as disciplinas seguem hoje igualmente dispostas a distinguir método de objeto e a reconhecer que a experiência dos atores sociais não basta, por si só, para explicar nem suas situações particulares nem a sociedade em seu conjunto complexo, emaranhado e simultaneamente estruturado e contingente? Ou, ainda, que as instituições, por si sós, não bastam para explicar a política? Pois é essa necessária radicalização sociológica que Elide Rugai Bastos realiza no balanço que escreveu sobre a área para a recém-lançada Enciclopédia Brasileira de Ciências Sociais, da ANPOCS, que ora divulgamos.

O verbete nos convida, afinal, a perguntar: por que continuar estudando as interpretações do Brasil quando o próprio país não para de se transformar? Ou será que as mudanças do último século não transformaram a sociedade em suas estruturas de desigualdade e autoritarismo? Estar em movimento é o mesmo que mudar? Pensamento social, explica Elide, exige atenção para duas categorias e sua conjugação: processo social e reflexividade. Não é possível pensar o presente sem a dimensão de processo que ele esconde. Não é possível pensar as interpretações do Brasil como meras descrições externas da sociedade. Não por acaso, a reflexão de Elide encontra na questão do aprendizado social uma possibilidade de renovação das perguntas da área: reconhecer que as sociedades aprendem também nos desafia a compreender por que o mundo é tão difícil de mudar.

Pensamento social brasileiro é um convite à radicalização da sociologia. Ainda hoje, na parte da tarde, republicaremos outro texto de Elide na ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia.

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BVPS Acervo: Escolher a democracia | Financeirização, fundos de pensão e impactos sobre o mundo do trabalho, por Mateus Santana

Quem decide o que se faz com a poupança de quem trabalha? Dando início à última semana da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, republicamos texto escrito para série Economia & Sociedade, onde Mateus Santana (UFRRJ) mostra como a maximização do valor ao acionista subordinou empresas e trabalhadores a metas financeiras, e como os fundos de pensão, formados pela previdência dos próprios trabalhadores, acabaram reforçando a precarização e a desigualdade. Quando as decisões econômicas que moldam a vida coletiva escapam a qualquer controle democrático, a democracia se esvazia. Escolher a democracia é também disputar a quem as finanças devem servir.

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Neste segundo post da Autorais Antonio Sérgio Guimarães, trazemos o texto “Brasil, 1996-2012: anotações para uma sociologia política da adoção de cotas no ensino superior público”, originalmente uma comunicação apresentada em dois congressos internacionais, em Washington e Paris, em 2013.

Como as lutas da agenda negra ajudaram a ampliar o acesso à universidade no Brasil? Neste texto, Antonio Sérgio examina as disputas em torno da adoção de cotas e o protagonismo do movimento negro na construção de alianças que fizeram do combate às desigualdades raciais uma causa de amplo alcance social. O PROUNI, ao viabilizar o acesso de estudantes de baixa renda a vagas no setor privado, e o REUNI, ao expandir as vagas nas universidades federais, ocupam um lugar importante nesse processo. O autor mostra como esses programas se articularam às reivindicações por inclusão racial e às políticas voltadas às classes populares, dando à agenda negra um papel central na reforma do ensino superior. A leitura nos convida assim a compreender as lutas, as alianças e as resistências que tornaram possíveis essas conquistas e redefiniram o lugar da questão racial nas políticas públicas brasileiras.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui. Outros posts da série podem ser conferidos aqui.

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