“RUPTURA E TRADIÇÃO: UMA LITERATURA NOS TRÓPICOS 40 ANOS. ENTREVISTA COM SILVIANO SANTIAGO”

Foto de Cláudio Nadalin

Ruptura e tradição: Uma literatura nos trópicos 40 anos

Entrevista com Silviano Santiago

Por Andre Bittencourt (COC/Fiocruz) e Maurício Hoelz (UFRJ)

A entrevista inédita com Silviano Santiago que agora apresentamos ao leitor foi realizada por e-mail como parte das comemorações que dão origem ao seminário “Uma literatura nos trópicos 40 anos: dependência cultural e cosmopolitismo do pobre” (UFRJ/UNICAMP/UFMG). Nela, Silviano nos oferece um rico relato das circunstâncias de publicação e recepção da obra, e também de suas interlocuções, tanto nos meios intelectuais quanto artísticos. Podemos lê-la, assim, como uma espécie de behind the scenes do livro. Nesse sentido, acompanham a entrevista dois raros ensaios que constariam em uma primeira versão do livro (que se chamaria originalmente Ruptura e tradição): A Palavra de Deus, publicado na revista Barroco em 1971, e Iracema: Alegoria e palavra, originalmente publicado na Luso-Brazilian Review em 1965. Completa o material o contrato assinado da obra que nunca chegou a existir. Todos esses documentos foram gentilmente cedidos pelo próprio Silviano Santiago, a quem reiteramos nossos agradecimentos aqui.

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“100 ANOS DE ANTONIO CANDIDO”, NÚMERO ESPECIAL DA REVISTA USP

Hoje, dia 24 de julho de 2018, comemoramos os 100 anos de nascimento de Antonio Candido. Como forma de homenageá-lo, a BVPS divulga o número especial da Revista USP “100 anos de Antonio Candido: da música à teoria literária e à sociologia: as várias faces do mestre contadas por seus alunos” organizado por Antônio Dimas (USP). Para além da crítica literária, a obra do autor continua decisiva na modulação de alguns dos principais debates teórico-metodológicos da área de Pensamento Social, contribuindo para o adensamento de investigações das mediações entre produção das ideias e processo social e informando um conjunto variado de pesquisas, num indício da atualidade de sua perspectiva crítica. Por essas profícuas qualidades, sua obra integra o seleto rol de interpretações do Brasil conforme destaca a bionote do crítico de autoria de Alexandre Paixão (UNICAMP) e Mariana Chaguri (UNICAMP), disponível em nosso portal.

Uma boa leitura a todos (as)!

Equipe BVPS

“GÊNIOS DA PELOTA” (PARTE II), POR RICARDO BENZAQUEN

 

*Créditos da Imagem: “Romário, Copa 1994” de Rubens Gerchman

“Arte e Ofício” (Parte II)

De que forma, então, é possível impedir esta degeneração da confiança?

  Através, precisamente, da enfatização daquele controle, daquela contenção que o uso da máscara implica em desafiar. Lembremo-nos que, para controlar o abatimento e promover a confiança, os jogadores devem lançar mão de um recurso de caráter cognitivo, a autocrítica. Da mesma maneira, para conter a confiança em limites aceitáveis, e impedir o aparecimento da máscara, deve-se empregar uma outra categoria, a autodisciplina.

    O jogador precisa, então, fortalecer de todas as maneiras o seu autocontrole, ter o máximo de confiança em si mesmo, mas tomando todo o cuidado para evitar que esta autoconfiança o leve a pretender humilhar seus adversários, assumindo uma postura hierárquica em um contexto em que ela não é permitida. Na verdade, se a autodisciplina tiver sucesso em controlar a confiança, a personalidade ideal do jogador será marcada por um quarto sentimento, a humildade. Esta vai, exatamente, implicar no privilégio de todos os valores negados pela máscara, constituindo, juntamente com a autoconfiança, uma dupla de sentimentos altamente valorizada pelos jogadores. Em função da humildade, por mais autoconfiança que tenha em seu talento, o jogador irá sempre tratar seus companheiros e adversários como iguais, respeitando as variações e a imprevisibilidade, as surpresas que o desempenho pode encerrar.

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“GÊNIOS DA PELOTA” (PARTE I), POR RICARDO BENZAQUEN

      O Blog da BVPS tem o prazer de publicar, de forma inédita, parte da dissertação de mestrado de Ricardo Benzaquen de Araújo, defendida em 1980 no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ) com banca composta por Gilberto Velho, orientador, Rubem Cesar Fernandes e José Sergio Leite Lopes. O momento, aliás, não poderia ser mais apropriado. Quando a Copa do Mundo de futebol chega a suas fases decisivas, a pioneira pesquisa “Os Gênios da Pelota: um estudo do futebol como profissão” comprova sua atualidade, nos oferecendo um olhar complexo e sofisticado sobre o jogo e suas estrelas, os jogadores. Paparicados, firulentos, cai-cai são, ao mesmo tempo, responsáveis por cenas de beleza e genialidade do futebol.

    Em “Os Gênios da Pelota” Ricardo Benzaquen segue as pistas das representações em torno do futebol sustentadas pelos discursos dos próprios jogadores, colhidas principalmente por meio de entrevistas realizadas pelo autor. Através delas discute temas que não saem de pauta – para usar um jargão dos jornalistas, parte fundamental desse “mundo” –, revelando a complexidade das situações vividas. Como, ademais, viria ser a marca de sua obra, neste trabalho as polarizações não seguem a lógica dualista, mas ora se tensionam ora se complementam. Basta observar os títulos– sempre marcantes, aliás, – dos capítulos um e dois: “Cálculo e Prazer” e “Arte e Ofício”. No primeiro, Benzaquen observa as razões que levaram os jogadores entrevistados a optar pelo futebol como profissão, destacando, principalmente, a chance de enriquecimento e de auto-realização que ele parece trazer. No segundo capítulo, que publicamos agora no Blog, foram levantadas as categorias básicas para se ter sucesso na profissão de futebolista, especificamente o talento, e uma certa personalidade, baseada na ideia de autocontrole. O jogador com talento, observa Benzaquen, não é dono simplesmente de um dom natural, mas é fruto de um equilíbrio frágil, embora poderoso, entre a diferenciação de funções exercidas por todos os jogadores em um time e o desempenho específico que o torna único. Já o terceiro e último capítulo, “O lado escuro”, analisa principalmente as relações conturbadas dos jogadores com os dirigentes de seus clubes, baseadas em fórmulas paternalistas que só poderiam ser eliminadas, segundo os entrevistados, pela atividade sindical.

          Gostaríamos de agradecer a Alice Miceli e Carolina Miceli por autorizarem a publicação deste texto.

          Dividimos a publicação do capítulo “Arte e Ofício” em duas partes. Na sexta-feira, dia 6 de julho, publicaremos a segunda.

           Uma ótima leitura a todos e a todas!


* Créditos da Imagem: “Pelé” (1997) de Rubens Gerchman

“Arte e Ofício”

Minha maior preocupação, no capítulo anterior, foi a de tentar definir e isolar, no discurso dos jogadores, o que procurei caracterizar como sendo um projeto individualista. Este projeto, que parece incluir tanto a vertente “quantitativa” quanto a “qualitativa” do individualismo, vai dar conta das razões que levaram meus entrevistados a escolher o futebol como profissão.

Ele faz, inclusive, com que estes se diferenciem dos outros jogadores, que são acusados de terem entrado “cegamente” no futebol, sem qualquer cálculo das vantagens que a carreira poderia trazer, sem qualquer projeto. Discutidas as razões que levaram os entrevistados à sua opção profissional, meu interesse básico, neste segundo capítulo, consistirá em tentar descobrir quais as “qualidades” que um jogador deverá possuir para que tenha condições de alcançar o “sucesso” na sua carreira.

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LEMBRANÇAS E HISTÓRIAS: COMO É POSSÍVEL HOMENAGEAR ELIDE RUGAI BASTOS?*, POR LUCIA LIPPI OLIVEIRA (CPDOC/FGV)

Profa. Elide Rugais Bastos (UNICAMP) ao lado da Profa. Lucia Lippi (CPDOC/FGV) e do Prof. Renato Ortiz (UNICAMP)


    Quero expressar meus agradecimentos pelo convite e minha emoção por fazer parte desta homenagem mais do que merecida a Elide Rugai Bastos. Comemorar significa lembrar com, lembrar junto. Daí eu apresentar uma reflexão advinda mais do campo memória e menos uma análise sociológica de sua obra. Eu vou apenas falar de nossos encontros e de seus trabalhos que mais me motivam, me agradam.

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ELIDE RUGAI BASTOS: A CORAGEM DA SOCIOLOGIA*, POR ANDRÉ BOTELHO (UFRJ)

*Texto apresentado no evento “Trajetórias e vida intelectual: homenagem a Elide Rugai Bastos e Renato Ortiz” no dia 26 de abril de 2017 na UNICAMP.

    Eu estou muito honrado, agradecido e emocionado por estar aqui nessa homenagem que a UNICAMP, instituição de minha formação e que tanto estimo, presta a dois de seus grandes professores e intelectuais. Fui aluno em disciplinas do Renato Ortiz, e tocado por sua criatividade inquieta na sociologia da cultura. Não fui aluno em disciplinas da Elide Rugai Bastos, e esse é um dos meus defeitos. Mas fui seu orientando no mestrado e no doutorado, o que foi um lance de sorte definitivo não apenas na minha formação e trajetória profissional, como na minha vida – o que não me permite, portanto, contá-la entre, ai de mim, minhas parcas virtudes. Cabe-me falar sobre a homenageada, tão respeitada intelectualmente e tão querida pessoalmente, minha orientadora que me honra também como parceira intelectual em projetos de pesquisa, colaborações para a promoção da área do pensamento social brasileiro e coautorias de escritos, mas, sobretudo, com sua amizade. Aqueles que, como eu, também se beneficiam de uma interlocução intelectual e afetiva com a Elide, e vejo alguns outros privilegiados daqui, entenderão perfeitamente minha dificuldade em levar a cabo a tarefa que me foi confiada pelo Departamento e pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia. Aproveito para agradecer a Mariana Chaguri e Michel Nicolau Neto.

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Prêmio Antonio Flávio Pierucci de Excelência Acadêmica ANPOCS/2017, por Elide Rugai Bastos (UNICAMP) e Nísia Trindade Lima (FIOCRUZ)

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Profa. Elide Rugai Bastos ao lado dos Profs. Simone Meucci, Mario Medeiros, Mariana Chaguri e André Botelho

Elide Rugai Bastos: sensibilidade e ciências sociais

Nísia Trindade Lima (FIOCRUZ)

    Estou imensamente honrada pelo convite para falar nesta merecida homenagem a nossa querida Elide Rugai Bastos, a quem a ANPOCS concede o prêmio Antônio Flavio Pierucci de Excelência Acadêmica. Não tendo sido sua orientanda na pós-graduação ou mesmo frequentado disciplinas sob sua responsabilidade, sinto-me um tanto sua orientanda pelo diálogo que sempre estabelecemos no GT de Pensamento Social na Anpocs e, sobretudo, pelos ensinamentos de uma grande intelectual, mestre e amiga, alguém com quem é sempre agradável conviver. Se nosso amigo Ricardo Benzaquen estivesse conosco falaria, com sua conhecida erudição, sobre o valor e os sentidos da amizade. De um modo mais prosaico, apenas expresso minha alegria por compartilhar com Elide, além de laços intelectuais, uma grande estima.

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Homenagem a Ricardo Benzaquen, por Leopoldo Waizbort (USP)

 

* Texto apresentado no 41° Encontro Anual da ANPOCS, realizado entre os dias 23 e 27 de outubro de 2017

Depois do belíssimo texto que José Reginaldo escreveu, ficou muito difícil falar a respeito de Ricardo. Já era difícil, por razões que gostaria de sugerir, e ficou mais ainda, pois Reginaldo encontrou uma tonalidade de discurso que sintetizou de tal modo lembranças e percepções, que embora não diga tudo, diz o que diz de um modo tão feliz, que o que resta torna-se supérfluo ou redundante.

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