LANÇAMENTO DA EDIÇÃO AMPLIADA E COMEMORATIVA DE 40 ANOS DE “UMA LITERATURA NOS TRÓPICOS” DE SILVIANO SANTIAGO

O Blog da BVPS convida para o lançamento da edição ampliada e comemorativa de 40 anos de Uma literatura nos trópicos (CEPE) de Silviano Santiago. Além de cinco ensaios deixados de fora da edição original, a nova edição conta com textos críticos que discutem a atualidade desse “clássico” contemporâneo no Brasil hoje. Um trecho de um desses ensaios, “Brasil, um país verossímil”, de André Botelho (UFRJ), pode ser lido aqui. Convidamos também o leitor a revisitar a entrevista sobre o contexto de publicação e recepção do livro que Silviano Santiago concedeu a Andre Bittencourt e Maurício Hoelz no ano passado e que publicamos em primeira mão no Blog.

O lançamento ocorrerá no dia 28 de março, às 19h, na Travessa de Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de Janeiro, RJ).

Disponibilizamos abaixo o convite do evento junto com o curta, dirigido e editado por Fabio Seixo, produzido pelo Selo Suplemento Pernambuco da Cepe Editora.

convite lançamento CEPE

LANÇAMENTO DO LIVRO “PENSANDO A DEMOCRACIA, A REPÚBLICA E O ESTADO DE DIREITO NO BRASIL”, BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS (CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS/UNIVERSIDADE DE COIMBRA), HELOISA STARLING (UFMG) E LEONARDO AVRITZER (UFMG)

Cartaz 2019

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil.

No próximo dia 11 de fevereiro, às 16h, o auditório Paulo Camillo do BDMG receberá um importante debate sobre a crise da democracia no Brasil e no mundo. Com a participação de Boaventura de Sousa Santos (Centro de Estudos Sociais/Universidade de Coimbra), Heloisa Starling (UFMG) e Leonardo Avritzer (UFMG) a mesa terá como foco central discutir os principais desafios e perspectivas do contexto democrático atual, em especial o contexto brasileiro, que vive sob uma forte crise política desde 2013.

O evento também vai marcar o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil, uma compilação das discussões feitas nos eventos do Ciclo de Debates com o mesmo nome, que ocorreu durante os anos de 2017 e 2018. O projeto foi fruto da parceria entre BDMG Cultural, Projeto República (UFMG) e Projeto Democracia Participativa (UFMG).

Confira abaixo a capa do livro e clique para acessar a INTRODUCAO. 

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Sobre os participantes

Boaventura de Sousa Santos

Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Também dirige o projeto de investigação ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências do mundo. Publicou, entre outras obras: As vozes do mundo (2009); Pela mão de Alice. O social e o político na pós-modernidade (2013); A difícil democracia (2016); O fim do Império Cognitivo (2018);

Heloisa Starling

Heloisa Starling é professora titular livre do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória. É autora, entre outros, de “Os senhores das gerais” (1986), “Lembranças do Brasil” (1999), “Brasil: uma biografia” (2015), com Lilia Moritz Schwarcz, e “Ser republicano no Brasil colônia: a história de uma tradição esquecida” (2018).

Leonardo Avritzer

Professor titular do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do INCT – Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1983), mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1987), doutorado em Sociologia Política pela New School for Social Research (1993) e pós-doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (1998-1999) e (2003). Publicou, entre outras obras: Experiências Nacionais de Participação Social (2002); Impasses da Democracia no Brasil (2013) e The Two Faces of Institutional Innovation (2017).

CURSO “DRUMMOND E A MÁQUINA DO MUNDO”, POR JOSÉ MIGUEL WISNIK

Conforme divulgado no Blog da BVPS, entre os dias 12 e 14 de fevereiro, o Professor José Miguel Wisnik ministrará o curso “Drummond e a máquina do mundo” no Instituto Rui Barbosa de Altos Estudos em Cultura (IRBæc). O tema versa sobre a crítica do poeta aos efeitos da mineração em sua cidade natal, Itabira (MG). Em entrevista recente para a Folha de São Paulo, Wisnik falou sobre o seu livro “Maquinação do mundo: Drummond e a mineração” (Ed. Companhia das Letras, 2018), a tragédia de Brumadinho e a atualidade da crítica de Drummond.

Lembrando que no dia 11, Wisnik lançará o livro na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mais informações sobre o curso no email irbaec@rb.gov.br e no cartaz abaixo.

 

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HOMENAGEM A MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ (1918-2018), POR LUCAS CARVALHO (UFF)

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Maria Isaura em 1963, defendendo sua tese de livre-docência em sociologia na Universidade de São Paulo. (Foto: Conteúdo Estadão AE). Foto retirada do site Memorial da Democracia: http://www.memorialdademocracia.com.br/card/interpretes-do-brasil/12

     Uma das mais importantes sociólogas brasileiras, Maria Isaura Pereira de Queiroz faleceu no último 29 de dezembro. Sua contribuição para as ciências sociais, em particular as brasileiras, não se mede somente por sua produção que, como a bibliografia secundária vem destacando, é não só extensa, mas variada e relevante. Maria Isaura foi pioneira em diversos aspectos: cientista social mulher egressa das primeiras turmas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1949); passou como assistente pelas então fechadas e concorridas Cadeiras de Sociologia I e II da mesma instituição; doutorou-se na École Pratique de Hautes Études em 1955, com a tese “La ‘Guerre Sainte’ au Brésil: le mouvement messianique du ‘Contestado’”; tornou-se professora livre-docente (1963) com a premiada tese “O Messianismo no Brasil e no Mundo” e, depois, professora adjunta (1973) da FFCL/USP; criou o Centro de Estudos Rurais e Urbanos (CERU) em 1964, dando vida a diversos projetos de pesquisa seus, de colegas e alunos; além de ter circulado por diversas instituições internacionais, lecionando em universidades da França, Canadá, Senegal, Suíça, Itália e Bélgica.

         Quis o destino que estejamos prestando homenagens a Maria Isaura quase um ano após o falecimento de Antonio Candido, também nascido em 1918. Ambos fizeram parte da geração pioneira das ciências sociais e experimentaram aquilo que o próprio Candido cunhou como uma rotação de perspectiva nas ciências sociais: as classes pobres passaram a ganhar destaque e suas vivências se tornaram igualmente relevantes no entendimento da estrutura e organização da sociedade brasileira. No interior dessa virada cognitiva, o “mundo rústico” e a sociabilidade rural, temas também de predileção de Candido, tornariam a obra de Maria Isaura singular. Este interesse é explicado, em parte, pelo lugar que o rural ocupava na modernização da sociedade brasileira da época e pela situação agônica dos grupos camponeses da época.

       Um exemplo dessas preocupações é o artigo clássico “Uma categoria rural esquecida” de 1963, no qual a autora, após detalhar a sociabilidade típica dos grupos de sitiantes brasileiros, faz um apelo para que as ciências sociais e as discussões políticas sobre reforma agrária então em voga atentassem para a situação dessa parcela da população rural, que, não obstante expressiva, era negligenciada nos debates acadêmico e político. Fazendo do interesse pelos grupos rurais, sobretudo camponeses, uma agenda de pesquisa a longo prazo em sociologia política, Maria Isaura investigou em escala micro e macro as diversas relações e estruturas da formação da sociedade brasileira. Um aspecto metodológico chama atenção na obra da autora: o próprio movimento que imputava como constitutivo do social fez com que suas pesquisas circulassem entre aqueles diversos níveis. E, se o “rural” recebia destaque, era porque se tornara um ponto de vista, ou seja, uma perspectiva a partir da qual analisava os impasses e obstáculos das mudanças da sociedade brasileira. Ao longo de sua obra, Maria Isaura indicou que essa escolha precisava ser justificada e que, portanto, trazia consequências analíticas. O Brasil não havia ceifado muitas de suas raízes agrárias fincadas na dominação pessoal e violenta, no mandonismo e no favor e, por isso, a compreensão dessas estruturas era algo incontornável mesmo no contexto urbano nascente. A consequência mais direta dessa perspectiva sobre as mudanças sociais é uma questão que serve como pano de fundo em sua extensa obra. Ao inverter o raciocínio corrente nos estudos sobre mudança social, que se dedicam, sobretudo, ao novo, Maria Isaura destaca que a questão igualmente relevante é explicar o porquê da manutenção de certas estruturas e o que se conservou mudando. Um traço do conservadorismo brasileiro que se revela nas ações cotidianas de indivíduos e grupos, mas, sobretudo, nos resultados agregados e emergentes da própria estrutura e dinâmica da sociedade.

     Maria Isaura talvez fosse uma das últimas entre os prógonos das ciências sociais institucionalizadas no Brasil. Agora como parte do cânone dessas ciências sociais que ajudou a construir, sua obra é instância de observação da própria área, de suas potencialidades e da linha que nos liga hoje até ela.

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     Para acessar a bionote da Maria Isaura Pereira de Queiroz bem como a bibliografia secundária, acesse por este link o site da BVPS. Indicações de leitura, trechos da obra da autora e o tutorial de pesquisa no site podem ser acessados neste link da seção “BVPS: Modos de Usar” do nosso Blog.

Caminhão-museu Sentimentos da Terra

Dando continuidade ao nosso post de apresentação ao Projeto República, vamos agora falar um pouco de uma de suas mais inovadoras e bem-sucedidas atividades, o Caminhão-museu Sentimentos da Terra.

Na estrada desde 2013, trata-se de um Museu itinerante, que circula por todo o Brasil sob o formato de um caminhão equipado com tecnologia de ponta. Ao chegar em uma cidade ou vilarejo, o caminhão desdobra-se, durante alguns dias, em um centro de difusão de conhecimento e de lazer. Apresenta, então, a exposição Sentimentos da Terra, que conta a história das lutas de homens e mulheres pela terra e da construção dos direitos do campo no Brasil, ressaltando a importância de seus personagens (muitas vezes esquecidos), legados e valorizando a diversidade das expressões culturais no meio rural.

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Projeto República: conhecimento e democracia

    O Projeto República é um núcleo de pesquisa, documentação e memória da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que vem desempenhando um papel extremamente importante nos últimos 15 anos ao conectar de modo inovador questões acadêmicas e divulgação científica ao debate público de temas fundamentais para pensar a República, a democracia e seus impasses no Brasil.

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LANÇAMENTO “CONFLITOS: FOTOGRAFIA E VIOLÊNCIA POLÍTICA NO BRASIL, 1889-1964”

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Uma mesa redonda marca o lançamento do catálogo da exposição Conflitos: fotografia e violência política no Brasil 1889-1964 nesta quinta-feira (14), às 20h, no auditório do IMS Rio. O evento terá participação de Angela Alonso, Angela de Castro Gomes e Heloisa Starling, consultoras da mostra e autoras de textos do livro, e mediação da curadora Heloísa Espada.
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NOTA DE SOLIDARIEDADE À UFMG

A Biblioteca Virtual de Pensamento Social (BVPS), os GTs de Pensamento Social no Brasil e de Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro da ANPOCS, o GT de Pensamento Social no Brasil da SBS e a AT Pensamento Político Brasileiro da ABCP vêm a público prestar a sua solidariedade à comunidade acadêmica da UFMG e aos seus dirigentes, vítimas, no último dia 06 de dezembro, da ação arbitrária da PF. Nos causa preocupação que uma das mais importantes universidades públicas do Brasil tenha seu espaço violado por uma força que deveria servir como guardiã da integridade dos cidadãos de seu país. Quaisquer investigações que se façam necessárias não justificam a condução coercitiva de professores e funcionários universitários que jamais se recusaram a colaborar com a Justiça e com os órgãos competentes. Mais grave, como expressa a nota da ANPOCS, visa-se o Memorial da Anistia, cujo propósito é contribuir para que brasileiros não se esqueçam dos anos de exceção que marcam a história do país. Nós, pesquisadores de Pensamento Social e Político, áreas que tem tido importante papel na compreensão de como o autoritarismo está entranhado no Brasil, nos sentimos agredidos juntamente com toda a comunidade da UFMG.

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