BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares

Trazemos hoje o quarto texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, “Os Impasses da Teoria da Cultura e a Precariedade da Ordem Social”, publicado em 1984 na série Cadernos do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (Unicamp).

Revisitando um debate aparentemente superado, Luiz Eduardo Soares reconstrói os caminhos que aproximaram as ciências sociais da linguística e da filosofia da linguagem, trazendo à tona os pressupostos estruturalistas que orientaram grande parte da reflexão sobre a cultura no século XX. Mas é justamente nos limites desse paradigma que emerge a questão fundamental do ensaio: como é possível o ato não determinado estruturalmente? Ao recuperar o problema da indeterminação da subjetividade, o autor recoloca em cena a precariedade da ordem social, como uma característica constitutiva de sua formação.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui. Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares”

BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares

“As bases da desobediência legítima segundo Hobbes, Locke, Hume, Rousseau, John Stuart Mill e Burke” é o terceiro texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares. Escrito em 1982, o ensaio foi originalmente publicado em 1989 na série Estudos, nº 69, do Iuperj, sendo mais tarde republicado nos livros Os Dois Corpos do Presidente, de 1993, e Legalidade Libertária, de 2006.

No texto, Luiz Eduardo realiza um amplo balanço da teoria política moderna a partir do problema da desobediência legítima à autoridade pública, discutindo a controvérsia, no pensamento dos autores em questão, acerca dos fundamentos da obrigação política, da legitimidade do poder, da preservação da ordem constitucional e da própria constituição do Estado moderno.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui. Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares”

BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares

Publicamos hoje o segundo texto da série Autorais Luiz Eduardo Soares, “Campesinato e Capitalismo”, originalmente capítulo do livro Campesinato: ideologia e política, de 1981.

O texto nos convida a rever a questão agrária a partir das contradições vividas pelo campesinato no Brasil. Numa formação social em que predomina o modo de produção capitalista, argumenta o autor, o campesinato não pode ser compreendido nem como resíduo pré-capitalista, ou não capitalista, nem como simples engrenagem funcional ao capital. Articulando teoria marxista, crítica ao estruturalismo e um estudo etnográfico de Bom Jesus, o autor revela como a relação entre capitalismo e pequena produção agrícola é muito mais complexa, ambígua e politicamente disputada do que sugerem as interpretações tradicionais.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui. Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares”

BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares

A BVPS apresenta sua nova série Autorais, que tem a honra de publicar uma seleção de textos de Luiz Eduardo Soares, uma das maiores referências do debate sobre a segurança pública no país.

Formado em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, Luiz Eduardo Soares construiu uma trajetória acadêmica singular que não se deixa domesticar pelas fronteiras da especialização disciplinar. Fez mestrado em Antropologia Social no Museu Nacional da UFRJ, sob orientação de Otávio Velho, e doutorado em Ciência Política no IUPERJ, orientado por Wanderley Guilherme dos Santos. Completou sua formação com um pós-doutorado em Filosofia Política na University of Virginia, sob a supervisão de Richard Rorty – um percurso que ilumina sua rara capacidade de se mover com desenvoltura entre o rigor teórico das ciências sociais e a sensibilidade da escrita literária.

Ao longo de mais de quatro décadas, Luiz Eduardo Soares vem se dedicando ao estudo da violência e da segurança pública no Brasil, transitando com igual “rigor indisciplinado” entre a universidade e o campo da gestão estatal. Foi professor na UNICAMP, no IUPERJ e na UERJ, pesquisador do ISER, onde foi um dos fundadores da área de pesquisas sobre violência, e visiting scholar em Harvard, Columbia, University of Virginia, University of Pittsburgh e no Vera Institute of Justice, de New York. Desde novembro de 2024, atua como Pesquisador Visitante Emérito da FAPERJ e ocupa a Cátedra Patrícia Acioli no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ.

No campo institucional, atuou como Coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado do Rio de Janeiro no governo Anthony Garotinho (1999-2000), como Secretário Nacional de Segurança Pública no primeiro mandato do presidente Lula (2003), e como consultor de segurança pública nas prefeituras de Porto Alegre e Nova Iguaçu. Sua passagem pelo governo fluminense ficou marcada pela coragem de denunciar a “banda podre” da polícia, o que lhe custou o exílio nos Estados Unidos para escapar de ameaças de morte.

Luiz Eduardo Soares pensou por dentro os problemas da segurança pública para o Estado democrático de direito. Sua análise contundente do que chama de “enclaves institucionais” – isto é, as forças de segurança que, mesmo após a Constituição de 1988, permaneceram refratárias à autoridade civil republicana – formula um diagnóstico preciso: a transição democrática não alcançou as instituições policiais, e o Estado abdicou do controle do sistema penitenciário, fortalecendo as facções criminosas. Para ele, enfrentar esse nó exige não apenas coragem política, mas uma revisão profunda da arquitetura institucional da segurança, da política de drogas e do encarceramento em massa.

Com mais de 27 livros publicados (e contando…), Luiz Eduardo Soares vem produzindo uma obra plural que articula pesquisa acadêmica, relato biográfico, ensaio político e ficção literária, convidando à reflexão sobre os impasses e reviravoltas da democracia na sociedade brasileira. É autor de peças de teatro, argumentos para cinema, quatro romances e cerca de 80 artigos em revistas especializadas nacionais e internacionais. Dois de seus livros – Elite da Tropa e Elite da Tropa 2, escritos com André Batista e Rodrigo Pimentel – foram adaptados para o cinema, gerando o famigerado Capitão Nascimento e mostrando ao grande público a anatomia da violência policial no Rio de Janeiro.

Uma grande curiosidade intelectual indomável aliada a um senso de justiça pública e participativa talvez seja o fio que percorra tantas contas diferentes nessa trajetória desafiante, múltipla, colorida, única. Um fio vivo (e vermelho, já que usamos as cores como metáfora da diversidade) que religa temporalidades diferentes – dos anos de formação numa tradição católica de engajamento, do militante comunista contra a ditadura militar, do formulador e gestor de políticas públicas e do aliado dos movimentos sociais e culturais urbanos – numa espécie de eterna juventude, alimentada por aquilo que ele mesmo nomeia como um “sentimento de missão”. Luiz Eduardo Soares nunca separou o trabalho intelectual do compromisso ético com a realização dos direitos humanos. E isso faz dele um intelectual público no sentido mais pleno da expressão.

Agradecemos a Luiz Eduardo Soares por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS uma amostra de seu pensamento crítico e provocador.

A seleção de textos da série reúne diferentes momentos decisivos desse percurso, de ensaios já clássicos a escritos ainda inéditos, e percorre estudos sobre religião popular, teoria política clássica, hermenêutica, antropologia da cultura, crítica das esquerdas, justiça e violência. Mais do que um conjunto heterogêneo de temas – o que já chama a atenção para a envergadura de uma obra que busca compreender o social de modo multidimensional –, a sequência de textos revela uma capacidade consistente de interrogar, sob diferentes perspectivas, os fundamentos morais, simbólicos e políticos da vida coletiva. Mudam os objetos, mas permanece a preocupação com os modos pelos quais a sociedade e seus outros produzem sentido, legitimam ordens e enfrentam a precariedade constitutiva da experiência humana.

Neste primeiro post, a leitora e o leitor terão acesso ao texto “Notas sobre a ideologia kardecista”, escrito em 1977, mas publicado hoje pela primeira vez. Nele, a partir dos livros Nosso Lar (1943) e Os Mensageiros (1944), psicografados por Chico Xavier, o autor analisa a cosmologia kardecista, examinando a relação entre indivíduo e hierarquia que estrutura o mundo espiritual e refletindo sobre como essa organização social se vincula ao horizonte ideológico-político integralista, em disputa pela hegemonia dos campos intelectual e político exatamente no contexto em que os livros foram escritos e publicados.

Acompanhe, semanalmente, sempre às segundas-feiras, esta nova edição da série Autorais.

E, não deixe de assistir ao espetáculo “Assim na Terra como no Céu”, em cartaz no Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa (Rua Prudente de Morais, 824) até dia 26 de maio. Com texto de Luiz Eduardo Soares e direção de Marcus Faustini, a peça aborda a relação entre saúde mental e o esporte, assim como os desafios do crescimento do mercado de inteligência artificial. As sessões são gratuitas, sempre às quintas e sextas, às 20h, sábados, às 17h e 20h e domingos, às 19h.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Luiz Eduardo Soares”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

A série Autorais Laura de Mello e Souza chega ao fim com um desfecho à altura: uma entrevista exclusiva da autora ao curador da série, José Newton Meneses.

Nela, a historiadora reflete sobre diferentes dimensões de sua trajetória intelectual e pessoal. Ao longo da conversa, Laura comenta a pesquisa a que tem se dedicado atualmente, compartilha experiências marcantes vividas em arquivos e revisita os autores e historiadores que mais influenciaram sua formação e sua escrita, entre eles seu grande mestre Fernando Novais.

Com esta última publicação, encerramos uma trajetória de leituras que buscou não apenas revisitar textos fundamentais, mas também destacar a vitalidade intelectual da obra de Laura de Mello e Souza. Renovamos nosso agradecimento à autora, pela generosidade em compartilhar sua produção com as leitoras e os leitores da BVPS, e a José Newton Meneses por sua curadoria cuidadosa e sensível. Para acessar a série completa, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

Encerramos hoje a série Autorais Laura de Mello e Souza com o ensaio “Intérpretes do Brasil – Texto introdutório a Alcântara Machado, Vida e morte do bandeirante”, publicado na coleção “Intérpretes do Brasil”, organizada por Silviano Santiago em 2000.

O texto ressalta o caráter inovador do livro Vida e morte do bandeirante na historiografia brasileira, em virtude de sua capacidade de relativizar os mitos que cercavam a suposta riqueza da sociedade paulista colonial. Segundo a autora, ao deslocar o foco dos grandes feitos e dos grandes nomes para o cotidiano e a vida material, Alcântara Machado transforma a experiência até então secundária de grupos sociais em objeto central da análise histórica, valendo-se de fontes documentais que só seriam incorporadas à historiografia europeia décadas mais tarde. Tanto o tema quanto o enfoque escolhido expressam uma sensibilidade histórica profundamente moderna e original, instituindo a obra de Alcântara Machado, na interpretação de Souza, como marco inaugural da historiografia brasileira contemporânea.

E não perca, na próxima segunda-feira, o conteúdo bônus dessa Autorais: uma entrevista inédita de Laura de Mello e Souza ao curador da série, José Newton Meneses.

Para acessar a série completa, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

“Sérgio Buarque de Holanda e uma certa escrita da História” é o nono e penúltimo texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, apresentado em 2025 em uma conferência na Academia Brasileira de Letras.

O texto nos convida a percorrer os caminhos longos e tortuosos que levam Sérgio Buarque de Holanda a uma escrita – modernista, sugere a autora – da história, que tem como tema obsessivo a expansão paulista. Como uma “Casa-grande & senzala ao avesso”, seu olhar dirigido para o sertão buscava compreender um “Brasil em movimento”, voltado para as minas e para o interior, surgido a partir da itinerância e da incerteza, que formou uma sociedade de arrivistas e não de aristocratas, discrepando da visão estática do litoral.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

No oitavo texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, publicamos dois trechos do seu livro mais recente O Jardim das Hespérides. Minas e as visões do mundo natural no século XVIII (2022): a introdução, “Rumo ao Jardim”, e o capítulo dois, “A dimensão trágica”.

Em um admirável esforço de reconstrução da atmosfera mental das Minas setecentistas, nos textos a seguir a autora analisa a participação do mundo natural na formação sociocultural da capitania. Entre fantasias paradisíacas e o medo do desconhecido, entre a exploração predatória e a riqueza que dela resulta, seu trabalho revela como a relação – profundamente contraditória, e talvez mesmo dialética – entre o avanço da colonização e a devastação da natureza, foi percebida precocemente na nossa história. Publicado pouco depois dos desastres de Mariana e Brumadinho, e num contexto de expansão das fronteiras agrícolas, os textos nos convidam a refletir sobre a maneira como a tragédia foi sendo incorporada ao nosso próprio sentido de progresso.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

No sétimo texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, “Perfis brasileiros: Cláudio Manuel da Costa”, reproduzimos quatro capítulos originalmente publicados no livro Cláudio Manuel da Costa: o letrado dividido.

Nele, a historiadora traça o perfil biográfico do poeta Cláudio Manuel da Costa, ao mesmo tempo em que reconstrói um rico panorama das Minas Gerais do século XVIII. Ao percorrer as relações políticas entre os “homens bons” e a Coroa, as tensões da vida privada e as estratégias de ascensão social de um indivíduo de trajetória intensamente pública, bem como a formação de uma sociabilidade letrada na colônia, duas qualidades do trabalho de Souza ganham destaque na leitura: a capacidade de compor um retrato do homem e de sua época que ultrapassa os limites do local, e mesmo do nacional, para alcançar uma abordagem global da História; e o uso da imaginação na elaboração da narrativa historiográfica, não se deixando constranger com os limites do documento.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

Hoje publicamos o sexto texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, “Teoria e prática do governo colonial: D. Pedro de Almeida, conde de Assumar’’, originalmente capítulo do livro O Sol e a Sombra. Política e administração na América portuguesa do século XVIII.

Alguns administradores coloniais escreveram textos que ajudam a entender não só a natureza do poder metropolitano como nossa própria tradição política, revelando que o governo na colônia superava os limites do serviço e abria espaço para reflexões originais. É o caso do personagem estudado neste texto: conde de Assumar, governador da capitania de Minas Gerais entre 1717 e 1721 e autor, como Laura de Mello e Souza se empenhou em provar, de um importante texto da historiografia brasileira, o Discurso histórico e político sobre a sublevação que nas Minas houve no ano de 1720. Acompanhando a trajetória pessoal do conde, numa época em que homens de armas eram também homens de letras, Souza observa o processo de aprendizado do governo das conquistas no Império em transformação.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

Trazemos hoje o quinto texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, “A conjuntura crítica no mundo luso-brasileiro de inícios do século XVIII”, capítulo do livro O Sol e a Sombra. Política e administração na América portuguesa do século XVIII.

Analisando as tensões entre metrópole e colônia no romper do século XVIII, a historiadora sugere que a ideia de unidade nas terras brasílicas começou a se delinear nos discursos dos integrantes decisórios do poder em Lisboa, antes de ganhar forma nas práticas políticas dos insurretos. Em meio aos conflitos na Europa e aos efeitos da descoberta do ouro na colônia, as autoridades coloniais passaram a entrever nas revoltas o funcionamento de um sistema que só podia ser compreendido em seu conjunto, ainda sem perceber, contudo, como metrópole e colônia, embora constituíssem um mesmo corpo, já abrigavam em si possibilidades inconciliáveis.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

“O nome do Brasil” é o quarto texto da série Autorais Laura de Mello e Souza, publicado em 2001 na Revista de História da ANPUH.

O Brasil nem sempre teve esse nome. Ao longo dos séculos XVI e XVII, a ideia geral que se tinha das terras recém-descobertas era imprecisa, e duas nomenclaturas principais conviviam nos mapas e escritos: Santa Cruz e Brasil. No artigo, Laura de Mello e Souza observa como essa disputa, que dividiu humanistas e comerciantes, refletia uma inquietação maior quanto à própria natureza da ocupação da nova terra.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

Publicamos hoje o terceiro texto da Autorais Laura de Mello e Souza, “Religiosidade popular na colônia”, extraído do livro O diabo e a Terra de Santa Cruz.

Dividido em três partes, o texto analisa a natureza da religiosidade no Brasil colonial. Na primeira, a autora destaca a mistura de elementos católicos, africanos, indígenas e judaicos no cotidiano das camadas populares, que deu origem a uma religiosidade sincrética, especificamente colonial. Na segunda parte, a partir das fontes inquisitoriais, examina a ambiguidade da experiência religiosa nos trópicos: a afetivização da relação com o sagrado produzia uma familiaridade que abria espaço para atitudes de dúvida, censura e irreverência diante dos dogmas da Igreja. Por fim, a historiadora discute como a vida social no Brasil escravocrata era frequentemente interpretada em chave demonológica, enquanto o universo econômico estava associado a traços divinos. A metrópole, assim, aparecia como o destino de salvação, o ponto a que se almejava regressar, uma vez pagas as penas na colônia, e para onde, não por acaso, também se dirigia a produção colonial.

Afastando-se de leituras que reduzem a religiosidade colonial a uma simples deformação do catolicismo europeu e conferindo centralidade às práticas das camadas populares, Laura de Mello e Souza chama atenção para um movimento antagônico que atravessava os dois lados do sistema colonial. Enquanto na Europa se intensificavam os esforços de expurgo das reminiscências folclóricas da fé, a colonização europeia impunha aos trópicos o sincretismo, em todas as suas contradições.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

Dando continuidade à Autorais Laura de Mello e Souza, hoje trazemos o texto “A ideologia da vadiagem”, originalmente publicado no livro Desclassificados do ouro. A pobreza mineira no século XVIII.

Nele, a historiadora examina a constituição de uma camada de desclassificados na sociedade mineira, cujo tratamento pelas elites oscilava entre o ônus ao Estado por sua suposta indolência (que ameaçava a ordem) e a utilidade em tarefas perigosas que os cativos não podiam desempenhar. A camada dominante, ao mesmo tempo que fazia uso da mão de obra dessa população marginalizada sempre que conveniente, difundia um discurso que a estigmatizava como vadia e inapta ao trabalho. Essa ideologia teve consequências profundas, como demonstra a autora, que talvez ainda se façam sentir no presente: impediu a formação de uma consciência de grupo entre os homens livres pobres, fazendo-os se identificarem com a camada dominante em troca de utilidade social momentânea; legitimou a repressão estatal; e serviu para justificar a necessidade absoluta da mão de obra escrava, apresentando a escravidão como a única alternativa viável para o funcionamento da economia colonial.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o primeiro texto, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza

É com grande alegria que a BVPS retoma suas atividades em 2026 com mais uma edição da série Autorais, desta vez dedicada à publicação de textos de Laura de Mello e Souza.

Professora titular de História Moderna na USP, onde atuou por três décadas, Laura ocupou, entre 2014 e 2022, a cátedra de História do Brasil na Lettres Sorbonne Université (antiga Paris IV), instituição na qual recebeu o título de Professora Emérita. Autora prolífica, sua obra trouxe contribuições decisivas para a historiografia, tanto do ponto de vista metodológico – ao se abrir à especificidade e à imprevisibilidade – quanto pela escolha de temas marcados pela rarefação e pela complexidade documental.

Curada por José Newton Coelho Meneses (UFMG), essa Autorais reúne nove textos que revisitam aspectos centrais do percurso intelectual riquíssimo traçado por Laura. Eles estão organizados em quatro eixos temáticos que procuram oferecer uma visão ampliada de sua obra: Sociedade, cultura e administração em Minas Colonial; Portugal e o Atlântico – cultura e política no Império português; A América, a Europa e o mundo; Perfis historiográficos e biográficos brasileiros. Ao final, será publicada também uma entrevista inédita com a autora, realizada pelo curador.

Como se pode perceber, os eixos delineiam um movimento de expansão e contração – a de Minas para o mundo e de volta ao Brasil. Assim como Laura jamais se prendeu rigidamente a modelos explicativos – preferindo historicizá-los e tensionar seus próprios limites –, também o local não circunscreve seu horizonte analítico. Autodeclarada historiadora de arquivo, a autora transforma dados dispersos, indícios fragmentários e especificidades documentais em matéria de reflexão abrangente, articulando o particular a quadros interpretativos mais amplos. Desse modo, os eixos da série não se organizam apenas segundo a ordem diacrônica que a leitura impõe, mas configuram um movimento de idas e vindas, em que o geral e o específico se entrelaçam como fios de uma mesma trama.

Agradecemos a Laura de Mello e Souza por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS Edições uma amostra de suas reflexões rigorosas e instigantes, e a José Newton Coelho Meneses por sua curadoria atenta e cuidadosa.

Neste primeiro post, confira a apresentação do curador e, em seguida, o texto “O Falso Fausto”, de Laura de Mello e Souza, originalmente publicado no livro Desclassificados do ouro. A pobreza mineira no século XVIII.

Acompanhe, semanalmente, sempre às segundas-feiras, esta sexta edição da série Autorais – a primeira dedicada a uma historiadora.

E, para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Laura de Mello e Souza”

BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

Encerramos hoje a série Autorais Wander Melo Miranda com o texto “Os novos”, publicado no livro Saberes, literatura, pela pluralidade de sentidos (2024).

Percorrendo as obras de Geovani Martins, José Falero, Itamar Vieira Junior, José Luiz Passos e Ana Luisa Escorel, o ensaio destaca como essa ficção brasileira contemporânea é marcada por uma abertura narrativa ancorada numa dimensão autoficcional que suplementa o poderoso gesto de acusação de subjetividades historicamente silenciadas. São obras em que a experiência vivida – seja a das periferias urbanas, das comunidades rurais e afro-indígenas ou dos deslocamentos migratórios – transforma-se em potência ética e estética capaz de tensionar o real, compondo um quadro múltiplo que nos convoca a reimaginar os contornos da literatura e da sociedade brasileiras.

Esta edição da série Autorais, curada por Roberto Said, reuniu dez textos emblemáticos da trajetória de Wander Melo Miranda. Agradecemos mais uma vez a Wander por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS uma amostra de seu pensamento instigante e rigoroso, e a Roberto Said por sua curadoria atenta e sensível. Para acessar a série completa, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda”

BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

Trazemos hoje o penúltimo texto da série Autorais Wander Melo Miranda, “Pós-crítica e o que vem depois dela”, publicado na Revista da Anpoll em 2018.

Nele, Wander reflete sobre o espaço possível da crítica literária acadêmica diante de sua força (teórica) e de seu enfraquecimento (mercadológico). Amparado em autores como Esposito, Rancière, Ludmer e Laddaga, discute a literatura em seu caráter pós-autônomo, inespecífico e poroso – signo do fim das identidades literárias contemporâneas. Nesse contexto, a crítica é chamada a repensar seu papel, renunciando à sua natureza legitimadora para tornar-se uma prática de observação e experimentação. O crítico, assim, passa a assumir o “poder comum” de traduzir sua experiência e conectá-la à aventura intelectual da comunidade de leitores.

Não perca, na próxima segunda-feira, o último texto desta Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda”

BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

Chegamos hoje ao oitavo texto da série Autorais Wander Melo Miranda, “A Menina Morta: a cena muda”, publicado em 1983 na revista O Eixo e a Roda.

Nele, Miranda analisa o livro A Menina Morta, de Cornélio Penna, destacando a interdição da linguagem entre as personagens como elemento fundamental para a manutenção da ordem patriarcal no romance. Despojadas de um vocabulário capaz de denunciar sua condição, é no sentido “louco” do silêncio que, segundo o autor, as personagens encontram sua única possibilidade de subversão.

Não perca, nas próximas segundas-feiras, as últimas publicações dessa edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda”

BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

“Latino-americanismos”, publicado em 2002 na Revista Margens/Márgenes, é o sétimo texto que trazemos na série Autorais Wander Melo Miranda.

Partindo de um diálogo com o livro A exaustão da diferença, de Alberto Moreiras – marco no debate dos estudos culturais latino-americanos –, Miranda aborda os novos valores da literatura e da cultura na América Latina e as possibilidades que se abrem, em tempos de globalização, para redimensionar a questão literária na contemporaneidade. Discute, ainda, as condições de possibilidade do pensamento latino-americano nessa nova cena histórica.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda”

BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

Dando continuidade à série Autorais Wander Melo Miranda, trazemos hoje o ensaio “Duplo estilete: o pensamento crítico de Silviano Santiago”, publicado em 1995 na Nuevo Texto Critico.

Neste ensaio, Miranda traça um amplo panorama do pensamento de Silviano Santiago, mostrando como sua crítica rompe com o paradigma da originalidade. O autor ressalta a atenção que Silviano confere à posição singular do intelectual nas culturas periféricas e à maneira como suas ações – de distanciamento ou de aproximação em relação ao público leitor – interferem nas possibilidades de superação do modelo metropolitano. Ao retomar as figurações do indivíduo produzidas nesse processo, o romance Em liberdade ganha destaque como expressão de uma postura contra-concentracionária, em que se estabelece, a partir de uma nova relação entre “cópia” e “original”, o diálogo revelador da diferença instaurada pela repetição.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

Continue lendo “BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda”