BVPS Acervo: escolher a democracia | 20 anos de “Sobrevivendo no inferno” – Entrevista com Acauam Oliveira

Republicamos a entrevista realizada em julho de 2019 com o professor Acauam Oliveira (UPE) a respeito dos então 20 anos do álbum Sobrevivendo no inferno, dos Racionais MC’s, e do lançamento, naquele mesmo ano, do livro homônimo, cuja introdução é por ele assinada.

Passados mais de sete anos desde a entrevista, e diante de novo e grave risco à democracia, as discussões levantadas naquele contexto ganham urgente atualidade: a importância de se ouvir o que a periferia e a população mais pobre têm a dizer; e a potente crítica do rap ao projeto político de país, fundado na violência e no racismo, que defende, de forma eleitoralmente oportunista, que “bandido bom é bandido morto”. Há muito em comum entre os temores de 2019 — primeiro ano do governo Jair Bolsonaro — e 2026. Mas há também novas e ainda piores ameaças ao futuro que exigem nossa mobilização agora. Apesar de tudo, como lembra Oliveira ao citar Roberto Schwarz: “A contemplação da perda de uma força civilizatória não deixa de ser civilizatória a seu modo”.

Boa leitura.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Reler Roberto Schwarz, por Edu Otsuka

Publicamos hoje texto originalmente veiculado no mês passado, no jornal Folha de S.Paulo, escrito por Edu Teruki Otsuka (USP). Crítico fino e profundo conhecedor da obra de Roberto Schwarz, o professor Edu Otsuka nos brinda com uma visão de conjunto e dinâmica da obra de um dos nossos maiores intelectuais.

Sempre potente, o pensamento crítico de Schwarz é urgente neste momento tão delicado da vida brasileira, em que a combinação entre arcaico e moderno ganha novos e dramáticos desdobramentos.

É por isso que é uma grande alegria para a BVPS anunciar a série Autorais Roberto Schwarz numa edição especial e duplamente comemorativa no ano que vem. Em 2027, celebraremos 10 anos de atividades do Blog da BVPS e também se comemora o cinquentenário de Ao vencedor as batatas, de Schwarz, livro brasileiro que melhor tece os fios da dialética entre forma literária e processo social. Com seleção dos textos feita pelo próprio crítico, a série abrirá os trabalhos da BVPS em fevereiro próximo. Adiante traremos mais informações sobre essa edição tão especial.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A receita para virar: a reação da sociedade nas ruas e nas redes e a votação do fim da escala 6 x 1, por Josué Medeiros

Escolher a democracia passa pela votação do fim da escala 6×1. Nesta quarta-feira (14), o Senado Federal decide uma pauta que pode mudar a vida de milhões de trabalhadores e que está no centro da disputa pela democracia.

Em texto inédito escrito para compor a série BVPS Acervo: escolher a democracia, Josué Medeiros (UFRJ) mostra como a atual mobilização popular ajuda a manter a disputa aberta e como a votação por uma nova escala de trabalho pode ser um fator novo capaz de mudar o cenário das eleições, porque a grande política e a pequena política se encontram amanhã.

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BVPS Coleção | Lançamento do e-book “O que pode a Sociologia? Centenário Octavio Ianni”, organizado por Elide Rugai Bastos, André Botelho e Caroline Tresoldi

Há exatamente 100 anos nascia em Itu, interior de São Paulo, Octavio Ianni. Filho de imigrantes da região da Campânia, Itália, Octavio formou-se em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 1954. Aposentado pelo Ato Institucional nº 5, foi proibido de dar aulas na USP, onde ingressara, logo após a formatura, como assistente de seu orientador, Florestan Fernandes. Ambos foram para a PUC-SP; Ianni, anos depois, para a Unicamp.

No seu centenário, Elide Rugai Bastos, sua orientanda, André Botelho, orientando de Elide, e Caroline Tresoldi, orientanda de André, gostariam “apenas” de homenagear o grande mestre e um dos maiores sociólogos que já existiram. Mas, como dizia Florestan Fernandes, a sociedade brasileira não dá mesmo sossego aos seus intelectuais. Eis, então, que Ianni volta ao centro num momento extremamente delicado para a democracia brasileira, pela qual tanto lutou.

Nossa pergunta inicial acabou ganhando maior alcance e relevância: o que pode a sociologia? Viva Octavio Ianni e seu legado, que, pelo tipo de combinação entre teoria, história e empiria, já era uma conquista perene da sociologia. Agora, no centro do turbilhão de novas espirais da democracia, esse legado se torna urgente, especialmente para as novas gerações.

Agradecemos a todos/as os/as autores/as que aceitaram nosso convite para participar da série comemorativa da BVPS, que hoje temos a alegria de entregar como livro. Vivam os/as leitores/as de Octavio Ianni!

Confira o novo e-book da BVPS Coleção clicando aqui.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Alexa, o que há de novo no capitalismo?, por Henrique Braga

“Os mecanismos de contrapeso a essa acumulação estão se desmanchando, como a própria democracia.” A advertência de Henrique Braga (UFRRJ) deve ser levada ainda mais a sério quando o que está em jogo nestas eleições é o desmanche da democracia.

O ensaio “Alexa, o que há de novo no capitalismo?”, de Henrique Braga, que republicamos na BVPS Acervo: escolher a democracia, mostra como as big techs ganham dinheiro com a nossa atenção: quanto mais tempo passamos nas telas, mais elas lucram. Ao mesmo tempo, somos programados a viver cada vez mais voltados para o “eu” e para o imediato, e desacreditar da força da ação coletiva. Se até nossas ações viram mercadoria, o que sobra da política? E, mais importante: como defender a democracia de quem controla, com nenhuma transparência, a nossa atenção?

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BVPS Edições | Autorais Antonio Sérgio Guimarães

Abrimos hoje a série Autorais Antonio Sérgio Guimarães com o texto de intervenção “O racismo como consequência”, publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 2006, no qual o autor responde à pergunta: o Brasil é um país racista?

A pergunta permanece incontornável, mas o texto nos convida também a pensar em outra questão: como enfrentar um racismo que se reproduz cotidianamente, mesmo quando não se reconhece a existência de “raças”? Publicado em um período decisivo da história democrática brasileira recente, o artigo também nos faz rememorar – neste momento crítico para o futuro da democracia em uma sociedade que costuma esquecer rápida e seletivamente seu passado –, a importância da implantação das políticas de ação afirmativa nas universidades públicas, impulsionadas pela mobilização do movimento negro e inscritas em um processo mais amplo de expansão e democratização do ensino superior, que ganharia novo alcance nos governos do PT. Transformações que desafiaram hierarquias e privilégios históricos e colocaram em primeiro plano o papel das políticas públicas na construção da igualdade racial e de uma vida comum mais justa.

Boa leitura! Para saber mais sobre essa nova Autorais da BVPS, clique aqui.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Bacurau não é para principiantes, por Glaucia Villas Bôas

Bacurau é aqui e agora. Republicamos o ensaio de Glaucia Villas Bôas, escrito em 2019 para a BVPS, como um chamado. Contrapondo-se às leituras que reduziram o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles a um elogio à barbárie, Bacurau emerge no ensaio como uma evocação – e uma convocação – da capacidade dos grupos considerados subalternos de se organizar e liderar movimentos de resistência à violência e de luta por uma existência mais digna.

Num país encurralado, em que a democracia é posta à prova nas eleições, quem ainda acredita na força de uma comunidade que se defende? Vale a pena ver o filme de novo!

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BVPS Agenda | Seminário “Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica”

Nos dias 14 e 15 de outubro acontecerá o seminário Octavio Ianni, 100 anos: a atualidade de uma sociologia crítica, com curadoria de Valter Silvério (UFSCar), no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, 4º andar – Bela Vista).

O seminário reúne pesquisadores de diferentes gerações, áreas e instituições para revisitar criticamente a obra de Octávio Ianni (1926 – 2004), refletindo sobre sua trajetória intelectual, sua inserção na tradição sociológica brasileira e a permanência de suas questões diante dos desafios do presente. Há em sua trajetória uma notável unidade analítica: a busca permanente por compreender as formas históricas da dominação, os processos de transformação social e os dilemas da modernidade brasileira em conexão com a América Latina e com o sistema capitalista global.

Partindo dessa multiplicidade articulada, o evento gira em torno destes quatro eixos temáticos que correspondem a temas centrais de sua produção e, ao mesmo tempo, a questões decisivas do debate contemporâneo. Mais do que uma homenagem, o seminário pretende constituir um espaço de debate sobre a atualidade da obra de Ianni e sobre sua capacidade de seguir oferecendo instrumentos analíticos fundamentais para compreender as transformações do Brasil e do mundo contemporâneo.

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas clicando aqui.

Confira a programação completa abaixo.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Os Direitos do trabalho estão mesmo garantidos? Textos de José Ricardo Ramalho e de Adalberto Cardoso

Uma das evidências que a história nos mostra é que direitos trabalhistas não se conquistam de uma vez por todas e não estão seguros para sempre. Nesta edição da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, republicamos dois textos para propor um diálogo processual e comparado. Lidos juntos, os ensaios de José Ricardo Ramalho (UFRJ) e de Adalberto Cardoso (IESP-UERJ) mostram, claramente, a contingência, a potência e a fragilidade dos direitos trabalhistas no Brasil como resultados de conflitos políticos e organização coletiva, e não como uma conquista definitiva.

José Ricardo Ramalho, em ensaio originariamente publicado a propósito dos 60 anos do golpe militar, analisa os recuos nos direitos trabalhistas desde o início da ditadura e recorda alguns dos movimentos de resistência política dos trabalhadores. Já Adalberto Cardoso discute a Justiça do Trabalho como peça central de nossa experiência democrática, sugerindo que a disputa pela efetivação do direito do trabalho foi constitutiva da própria formação política da classe trabalhadora no Brasil. Em sua análise está ainda o papel recente do Supremo Tribunal Federal, cuja atuação redefine os limites constitucionais das relações de trabalho em favor da livre iniciativa.

Em diálogo, os dois textos pensam e nos ajudam a entender as fragilidades da proteção jurídica do trabalhador e a recorrência, mais atual do que nunca, de ataques contra o que deveria ser sua justa perenidade.

Para ficar por dentro de todas as nossas postagens, você pode assinar nossa lista de e-mails, seguir nosso Instagram ou entrar no canal da BVPS no WhatsApp. Boa leitura!

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BVPS Coleção | Mesa de lançamento de “O livro dos livros”, de Isabel Lustosa

Convidamos todas e todos a assistirem à mesa de lançamento de O livro dos livros, de Isabel Lustosa, novo e-book da BVPS Coleções. O evento, disponível no canal da BVPS no YouTube, conta com exposição da autora e de Wander Melo Miranda e mediação de Caroline Tresoldi.

O livro dos livros, de Isabel Lustosa, reúne 91 resenhas escritas ao longo de cerca de três décadas. Historiadora e uma das principais especialistas em imprensa brasileira, Isabel manteve viva nos grandes jornais a tradição da resenha como forma de intervenção intelectual, acompanhando lançamentos, apresentando autoras e autores e fazendo da leitura e da crítica modos de participação na vida pública.

Aproveitamos para publicar prefácio escrito por André Botelho.

Para baixar o O livro dos livros, clique aqui.

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BVPS Acervo: escolher a democracia | Direitos e Ação Política, por Jacqueline Pitanguy

“Direitos se escrevem com a tinta da luta política, na qual também se apagam.” A advertência de Jacqueline Pitanguy, escrita numa Ocupação 8M de 2025 nesta BVPS, ganha novos contornos diante das ameaças explícitas de mudar a Constituição de 1988, anunciadas em meio à disputa eleitoral. O que está em jogo quando se propõe alterar a Carta que consolidou a redemocratização brasileira? Quais direitos, conquistados após décadas de mobilização social, podem voltar a ser objeto de disputa?

Nesta nova publicação da ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, recuperamos o ensaio “Direitos e Ação Política”, no qual a socióloga e feminista, que presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) entre 1986 e 1989, revisita a participação decisiva dos movimentos de mulheres na luta contra a ditadura e na construção da Constituição. Ao recuperar a história de longa duração dessas lutas, Pitanguy nos lembra que os direitos não seguem uma trajetória linear de progresso, tampouco estão definitivamente assegurados por sua inscrição na lei. Nas viravoltas da democracia brasileira, conquistas podem ser ampliadas, esvaziadas ou mesmo perdidas. Como defendemos direitos que julgávamos conquistados?

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A questão social no Brasil: os direitos econômicos e sociais como direitos fundamentais, por Maria Victoria Benevides

Num momento em que a democracia e o pacto constitucional de 1988 voltam ser colocados à prova, é imprescindível voltarmos aos textos de Maria Victoria Benevides, que conta com grandes ensaios para a democracia brasileira.

O texto que republicamos hoje na ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, que compôs sua série Autorais publicada em 2025, mostra que a democracia não se resume às eleições nem às liberdades civis e políticas: depende da garantia efetiva de direitos como educação, saúde, moradia e trabalho. Ao expor a contradição entre os princípios da Constituição e a persistente desigualdade social, Benevides propõe aprofundar os direitos, recusando a lógica neoliberal que os corrói, e aposta na ação consistente do Estado, na mobilização popular e numa transformação profunda da cultura política. E o faz com a divisa de Gramsci, do “pessimismo da razão, otimismo da vontade”. Nada mais necessário para os dias que seguem.

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Sociológicas | As mulheres das grotas e veredas, por Maria Moraes

O acaso tem uma grande importância para a história; e os acontecimentos históricos não seguem uma linha reta. Com essa noção, Maria Moraes (UFSCar) compartilha os labirintos da vida de duas mulheres do campo, Dona Maria e Dona Francisca, nesta primeira edição da série Sociológicas após as eleições.

O texto é sensível. Dona Maria e Dona Francisca, bem como outras camponesas desse Brasil infindo, possuem o que boçais autoritários se recusam a enxergar: uma dose de humanidade que, já naquele 1989, fez Maria Moraes crer que as dores do nosso presente poderiam, sim, ser enfrentadas; que há esperança saindo das grotas e das veredas, aprendizados capazes de nos tornar melhores cidadãos. Assim como ela se dispôs a olhar por dentro dos labirintos – e isso a ajudou se tornar uma pesquisadora imbuída da práxis e do pensamento crítico, que foi além dos muros do gueto universitário –, Maria Moraes nos convida, diante do preocupante cenário político brasileiro, a visitar esse pedaço de dor, esperança e luta.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

Boa leitura!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A memória urgente. Imagens-resistências ao golpe de 1964, por Lilia Moritz Schwarcz

Na segunda publicação da nova ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, trazemos ensaio visual da antropóloga, historiadora e curadora Lilia Moritz Schwarcz (USP), originalmente publicado no Especial BVPS sobre os 60 anos do Golpe de 1964 em 2024. Sua exortação, “lembrar de não esquecer”, nunca foi tão urgente. Diz a autora:

Imagens tiveram um importante papel na resistência ao golpe de 1964. Nas lentes de Juca Martins e Evandro Teixeira; nas fotos dos jornais; nas obras de Cildo Meireles, Carlos Zilio, Cláudio Tozzi ou Antônio Dias; nas caricaturas e charges de Ziraldo, Nani, Henfil ou Luiz Gê, a violência do golpe apareceu a partir de vários suportes. Como dizia o artista Nelson Leirner, com sua ironia fina e ácida: “uma linha dura não dura”.

Imagens são representações poderosas que não apenas respondem a um contexto. Na verdade, elas ajudam a formular problemas, a veicular críticas e a produzir uma comunidade que imagina, sofre e reclama por direitos.

Neste pequeno ensaio visual ficam registrados esses “pequenos/grandes atos” de resistência cívica diante deste golpe que sistematicamente, e a partir de 17 atos institucionais, surrupiou direitos, sequestrou, assassinou e fez desaparecer pessoas que lutavam por um Brasil diferente: mais democrático e cidadão e oposto a esta sangrenta ditadura militar que durou de 1964 a 1985. É sempre importante “lembrar de não esquecer”.

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BVPS Coleção | Lançamento dos e-books “A Sociologia Digital e suas interfaces”, organizado por Richard Miskolci e “O livro dos livros”, de Isabel Lustosa

Hoje é dia de lançamento de livros no 50º Encontro Anual da ANPOCS – e a BVPS aproveita a ocasião para colocar em circulação dois novos volumes de sua coleção de e-books.

O livro dos livros, de Isabel Lustosa, reúne 91 resenhas escritas ao longo de cerca de três décadas. Historiadora e uma das principais especialistas em imprensa brasileira, Isabel manteve viva nos grandes jornais a tradição da resenha como forma de intervenção intelectual, acompanhando lançamentos, apresentando autoras e autores e fazendo da leitura e da crítica modos de participação na vida pública.

Publicamos também A Sociologia Digital e suas interfaces, coletânea organizada por Richard Miskolci, que reúne doze textos de pesquisadoras e pesquisadores de diferentes instituições e especialidades da sociologia brasileira. Mais do que delimitar um novo campo de estudos em movimento, o volume mostra como as tecnologias digitais atravessam alguns dos problemas centrais das sociedades contemporâneas. Das transformações da comunicação e das disputas pela informação e pelos enquadramentos da realidade na esfera pública às novas formas de sociabilidade e produção de subjetividades; do teletrabalho e do trabalho por plataformas à precarização, à vigilância e ao controle algorítmico; das desigualdades sociais às mudanças nas formas de fazer pesquisa, os textos reunidos mostram como o digital se tornou uma dimensão incontornável para pensar os dilemas do nosso tempo.

O volume, que resulta de uma série exitosa publicada no primeiro semestre aqui na BVPS, chega com uma novidade: pela primeira vez, a BVPS Coleção publica simultaneamente um e-book em português e inglês. Com A Sociologia Digital e suas interfaces e Digital Sociology and Its Interfaces, buscamos ampliar a circulação das reflexões reunidas no livro e colocá-las em diálogo com diferentes contextos e tradições de pesquisa, no Brasil e no exterior.

Aproveitamos para lembrar que hoje, a partir das 19h30, no 50º Encontro Anual da Anpocs, acontecerá o lançamento do livro Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo, de João Mello (PPGS/UFRJ), já disponível em pré-venda no site da Editora Hucitec. Não perca!

Confira abaixo os links para baixar os novos e-books.

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Centenário de Octavio Ianni | Ianni, por Renato Ortiz

Publicamos hoje a última rodada de textos da série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?. Desta vez, o texto é assinado por Renato Ortiz (Unicamp), que, partindo de sua convivência intelectual com Ianni, revisita alguns dos traços mais marcantes de seu modo de fazer sociologia.

O que as metáforas do violino e da viagem, tão recorrentes em sua obra, revelam sobre o trabalho intelectual? Ortiz mostra como elas exprimem uma concepção fundada no rigor, na maturação das ideias e na abertura ao novo. Acompanhando o percurso que vai da interpretação da formação nacional aos estudos sobre a globalização, o autor argumenta que a força da sociologia de Ianni está na capacidade de renovar seus problemas sem perder de vista as transformações históricas do capitalismo nem o compromisso das ciências sociais com a compreensão crítica da realidade.

Na próxima terça-feira, 13 de outubro, dia do aniversário de cem anos de Octavio Ianni, faremos uma publicação especial na série. Não perca!

Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

Boa leitura!

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Centenário de Octavio Ianni | Ianni-enigma (uma máquina do mundo), por Lucas van Hombeeck

Publicamos hoje a última rodada de textos da série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?. Assinado por Lucas van Hombeeck (UFRJ), o texto propõe uma leitura formal de Enigmas da modernidade-mundo, um dos últimos livros publicados por Ianni.

Que reflexão sobre o conhecer, o narrar e o figurar o mundo social se esconde numa obra habitualmente associada às análises da globalização? O autor mostra que o livro se situa entre ciência e arte e que, sempre atento à condição periférica e dependente do país, Ianni segue propondo como tarefa uma teorização criativa, capaz de romper com o dogmatismo e o nacionalismo metodológico. Nesse movimento, reafirma o cosmopolitismo e a imaginação sociológica como dimensões centrais de uma sociologia crítica.

Na próxima terça-feira, 13 de outubro, dia do aniversário de cem anos de Octavio Ianni, faremos uma publicação especial na série. Não perca!

Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

Boa leitura!

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Centenário de Octavio Ianni | A sociologia de Octavio Ianni e o discreto charme da dialética, por Conrado Pires de Castro

Publicamos hoje a última rodada de textos da série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?. Assinado por Conrado Pires de Castro (UFLA), o texto apresenta Ianni como um “apanhador de minúcias”.

O que significa pensar a sociologia a partir dessa imagem? Castro argumenta que a força da obra de Ianni reside na capacidade de transformar detalhes aparentemente secundários em chaves para compreender processos históricos mais amplos. É nesse trânsito entre parte e totalidade, entre rigor analítico e liberdade criadora, que o autor identifica o “discreto charme da dialética” que singulariza a sociologia de Ianni.

Na próxima terça-feira, 13 de outubro, dia do aniversário de cem anos de Octavio Ianni, faremos uma publicação especial na série. Não perca!

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BVPS Acervo: escolher a democracia | A multiplicação dos pães/Patrimonialismo brasileiro, por André Botelho

Num momento em que a distinção entre público e privado parece solenemente ignorada por segmentos das elites políticas, administrativas e da população em geral, cabe perguntar: o que é e a quem o patrimonialismo favorece? Ante o preocupante cenário da democracia brasileira, André Botelho (UFRJ), professor titular de Sociologia e coordenador-geral da BVPS, dá início à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, que contará com republicações diárias de textos que nos confrontam com o que está em jogo quando uma sociedade trilha rumos autoritários.

Tema clássico da sociologia política e do pensamento brasileiro, o patrimonialismo é um veneno que corrói não apenas as instituições, mas também a prática da política no cotidiano. Ele subverte o sentido da política ao fazer com que o interesse pessoal, familiar e privado se sobreponha ao bem comum. O bem comum: esse frágil, mas decisivo valor da democracia. A desfaçatez com que tem sido praticado no Brasil recentemente mostra que o patrimonialismo vem atingindo novos e alarmantes patamares, inclusive de legitimidade. Seu uso político, direcionado contra denúncias que se mostraram juridicamente infundadas, é confirmado pelo silêncio conivente de muitos setores, como o da imprensa tradicional, que, de tanto empregá-lo programaticamente como uma categoria de acusação, acabou por lhe retirar a especificidade. Voltar ao conceito pode nos ajudar a compreender e enfrentar os desafios do momento presente.

Boa leitura!

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Série Nordestes | Oitenta anos de Geografia da Fome: Josué de Castro e as fomes brasileiras, por Adriana Salay

Se a fome não é da ordem da natureza, se é socialmente produzida, por que escolhê-la para os concidadãos desafortunados? Oitenta anos depois da publicação de Geografia da Fome, de Josué de Castro, a pergunta permanece incômoda — talvez ainda mais quando lembramos que as desigualdades sociais, mesmo em suas manifestações mais cruéis, nem sempre são percebidas como injustiça por parcela expressiva da sociedade brasileira.

No novo texto da série Nordestes, Adriana Salay, professora do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), retorna ao clássico de 1946 para celebrar os oitenta anos desse importante livro brasileiro, que recebeu mais de quarenta resenhas na imprensa em seu ano de lançamento e alcançou, posteriormente, circulação internacional.

A efeméride, entretanto, é também ocasião para perguntar por que um diagnóstico formulado no imediato pós-guerra segue tão atual como chave de leitura do Brasil. O vaivém da fome nas últimas décadas, argumenta Salay, reafirma uma das intuições fundamentais de Josué de Castro: estruturalmente produzida pela sociedade, a fome aumenta ou diminui conforme decisões políticas. É sempre pertinente nos lembrarmos dessa verdade, sobretudo nas espirais da democracia brasileira, em que, a cada volta, está em jogo algo tão elementar quanto brutal: a possibilidade de milhões de brasileiros comerem ou não.

Boa leitura!

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