Carolina Maria de Jesus não entrou no mundo pela sala de visitas, mas pelo quintal. Suas obras indicam o esforço de construção de um self e de uma subjetividade coletiva subterrânea, marcada pela escassez de oportunidades e por desejos não realizados. Apesar das adversidades e da falta de reconhecimento em vida, contudo, agora não restam dúvidas do quanto ela merece ser lembrada. Nesse ensejo, a Coluna Primeiros Escritos publica hoje o ensaio “A tua filha é poetisa: a construção de si nas memórias de Carolina Maria de Jesus”, assinado por Thayla da Silva de Oliveira (PPGSA/UFRJ). O texto é resultado do seu trabalho de curso na disciplina “Brazil como Cópia”, ministrada por André Botelho no PPGSA/UFRJ, no primeiro semestre deste ano.
A tua filha é poetisa propõe uma análise do livro póstumo Diário de Bitita (1986), publicado originalmente na França sob a organização das jornalistas Maryvonne Lapouge e Clélia Pisa. Thayla de Oliveira foca na construção poética da subjetividade individual de Carolina Maria de Jesus através de suas memórias marginais e a influência cosmopolita em sua trajetória de vida, considerando a interseção entre raça, gênero e classe presente em sua narrativa autobiográfica enquanto um eco das vozes uníssonas de detentores dos mesmos marcadores sociais.
Aproveitamos para lembrar que a Coluna Primeiros Escritos se volta para a publicação de textos de estudantes de pós-graduação. Para conhecer mais sobre a iniciativa, clique aqui.
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