BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

Encerramos hoje a série Autorais Wander Melo Miranda com o texto “Os novos”, publicado no livro Saberes, literatura, pela pluralidade de sentidos (2024).

Percorrendo as obras de Geovani Martins, José Falero, Itamar Vieira Junior, José Luiz Passos e Ana Luisa Escorel, o ensaio destaca como essa ficção brasileira contemporânea é marcada por uma abertura narrativa ancorada numa dimensão autoficcional que suplementa o poderoso gesto de acusação de subjetividades historicamente silenciadas. São obras em que a experiência vivida – seja a das periferias urbanas, das comunidades rurais e afro-indígenas ou dos deslocamentos migratórios – transforma-se em potência ética e estética capaz de tensionar o real, compondo um quadro múltiplo que nos convoca a reimaginar os contornos da literatura e da sociedade brasileiras.

Esta edição da série Autorais, curada por Roberto Said, reuniu dez textos emblemáticos da trajetória de Wander Melo Miranda. Agradecemos mais uma vez a Wander por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS uma amostra de seu pensamento instigante e rigoroso, e a Roberto Said por sua curadoria atenta e sensível. Para acessar a série completa, clique aqui.

Boa leitura!

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Trazemos hoje o penúltimo texto da série Autorais Wander Melo Miranda, “Pós-crítica e o que vem depois dela”, publicado na Revista da Anpoll em 2018.

Nele, Wander reflete sobre o espaço possível da crítica literária acadêmica diante de sua força (teórica) e de seu enfraquecimento (mercadológico). Amparado em autores como Esposito, Rancière, Ludmer e Laddaga, discute a literatura em seu caráter pós-autônomo, inespecífico e poroso – signo do fim das identidades literárias contemporâneas. Nesse contexto, a crítica é chamada a repensar seu papel, renunciando à sua natureza legitimadora para tornar-se uma prática de observação e experimentação. O crítico, assim, passa a assumir o “poder comum” de traduzir sua experiência e conectá-la à aventura intelectual da comunidade de leitores.

Não perca, na próxima segunda-feira, o último texto desta Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

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Chegamos hoje ao oitavo texto da série Autorais Wander Melo Miranda, “A Menina Morta: a cena muda”, publicado em 1983 na revista O Eixo e a Roda.

Nele, Miranda analisa o livro A Menina Morta, de Cornélio Penna, destacando a interdição da linguagem entre as personagens como elemento fundamental para a manutenção da ordem patriarcal no romance. Despojadas de um vocabulário capaz de denunciar sua condição, é no sentido “louco” do silêncio que, segundo o autor, as personagens encontram sua única possibilidade de subversão.

Não perca, nas próximas segundas-feiras, as últimas publicações dessa edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

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“Latino-americanismos”, publicado em 2002 na Revista Margens/Márgenes, é o sétimo texto que trazemos na série Autorais Wander Melo Miranda.

Partindo de um diálogo com o livro A exaustão da diferença, de Alberto Moreiras – marco no debate dos estudos culturais latino-americanos –, Miranda aborda os novos valores da literatura e da cultura na América Latina e as possibilidades que se abrem, em tempos de globalização, para redimensionar a questão literária na contemporaneidade. Discute, ainda, as condições de possibilidade do pensamento latino-americano nessa nova cena histórica.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir os posts anteriores, clique aqui.

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Dando continuidade à série Autorais Wander Melo Miranda, trazemos hoje o ensaio “Duplo estilete: o pensamento crítico de Silviano Santiago”, publicado em 1995 na Nuevo Texto Critico.

Neste ensaio, Miranda traça um amplo panorama do pensamento de Silviano Santiago, mostrando como sua crítica rompe com o paradigma da originalidade. O autor ressalta a atenção que Silviano confere à posição singular do intelectual nas culturas periféricas e à maneira como suas ações – de distanciamento ou de aproximação em relação ao público leitor – interferem nas possibilidades de superação do modelo metropolitano. Ao retomar as figurações do indivíduo produzidas nesse processo, o romance Em liberdade ganha destaque como expressão de uma postura contra-concentracionária, em que se estabelece, a partir de uma nova relação entre “cópia” e “original”, o diálogo revelador da diferença instaurada pela repetição.

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Trazemos hoje “Os olhos de Diadorim”, quinto texto da série Autorais Wander Melo Miranda, publicado no livro Os olhos de Diadorim e outros ensaios (2019).

Recuperando as imagens dos olhos e do pássaro em Grande sertão: veredas, ambas associadas à personagem de Diadorim, Miranda sugere uma presença fantasmal – e , por que não, desfigurada – da noção de mulher-anjo da poesia italiana estilonovista na construção do amor impossível de Riobaldo. Essa realidade especulativa permite entrever, ao mesmo tempo, a tensão entre o epifânico e o demoníaco que atravessa o grande romance de Guimarães Rosa.

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Na série Autorais Wander Melo Miranda, publicamos hoje “Emblemas do moderno tardio”.

Neste texto, extraído de seu livro Narrativas da modernidade (1999), Miranda demonstra como, na Belo Horizonte dos anos 1940, as pinturas de Guignard e a chegada da Coca-Cola revelam diferentes dimensões da modernidade. A arte articula tradição e inovação crítica, enquanto o consumo de massa, sob a égide do progresso, tende a homogeneizar hábitos. Como mostra o autor, ambos constroem territórios simbólicos, mas de modos distintos: a arte depende da mediação crítica, ao passo que o consumo busca adesão imediata. Esse contexto evidencia trajetórias culturais locais, deslocamentos do moderno e identidades virtuais, mostrando como cultura, política e sociedade se entrelaçam na construção da modernidade.

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“Nações literárias” é o novo texto que publicamos na série Autorais Wander Melo Miranda.

Neste texto, publicado em 1994 na Revista Brasileira de Literatura Comparada, Miranda mostra como a historiografia literária funciona como uma espécie de “monumento funerário”, que organiza autores em ordem evolutiva para construir a imagem canônica da nação. Os escritores legitimados tornam-se figuras fantasmagóricas, servindo a um conceito nacional que apaga diferenças e reflete a herança iluminista consolidada pela revolução burguesa. A história literária segue uma temporalidade linear, alinhando literatura e sociedade, de modo que, no caso brasileiro, a emancipação das formas metropolitanas revela como fazer uma nação e fazer uma literatura acabaram sendo processos simultâneos.

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Dando continuidade à Autorais Wander Melo Miranda, publicamos hoje “O texto da memória: Graciliano Ramos e Silviano Santiago”.

Neste texto, parte do livro Corpos escritos, publicado em 1992 pela Editora Edusp, Miranda analisa como a memória do Mesmo cria um monumento de si, impondo a falsa ideia de plenitude e repetindo sempre o mesmo trançado que, ao excluir o Outro, torna-se alienante. Em Graciliano Ramos, lembrar não é reconstruir o passado documental, mas deixar-se escrever pela linguagem, que socializa a memória e permite que passado e presente se reinventem pela imaginação na trajetória comum da vida. No livro Em liberdade, de Silviano Santiago, por sua vez, a memória rompe com o documentalismo e assume caráter inventivo: o diário fictício reformula o vivido, privilegia a encenação no presente em vez da retrospecção autobiográfica, transforma signos e estilos anteriores e abre caminho para a recuperação da memória e a reativação da imaginação do leitor.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir a apresentação, assinada pelo curador Roberto Said, clique aqui.

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“A poesia do reesvaziado: imagens de nação no Memorialismo brasileiro” é o primeiro texto de Wander Melo Miranda na nova Autorais da BVPS.

Neste ensaio, publicado em 1995 nos Cadernos da Escola do Legislativo, o autor mostra como a nação, apesar dos desafios impostos pela globalização e pelas reivindicações identitárias, permanece como horizonte fundamental da vida política, social e cultural. Nesse contexto, o memorialismo adquire relevância como espaço de elaboração da identidade, pois a memória se constitui como lugar de consciência biográfica e histórica, construído também a partir do que falta ou se perdeu. Narrar, então, é criar passagens entre passado e presente, fundar comunidades imaginadas e reafirmar, pela palavra, as fronteiras móveis da experiência coletiva e individual.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, as publicações dessa nova edição da série Autorais. Para conferir o texto inaugural da série, clique aqui.

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BVPS Edições | Autorais Wander Melo Miranda

A BVPS Edições tem a alegria e a honra de apresentar mais uma edição da série Autorais, com a publicação de textos de Wander Melo Miranda, um dos mais importantes críticos literários e culturais brasileiros contemporâneos.

Professor Emérito de Teoria Literária e Literatura Comparada da UFMG – onde construiu um sólido legado também na direção da Editora UFMG (2000-2015), alçando-a à protagonista no circuito editorial universitário, e na coordenação do projeto de pesquisa Acervo de Escritores Mineiros –, e membro da Academia Mineira de Letras desde 2019, Wander deu contribuições decisivas para redefinir os horizontes da crítica literária e ampliar os modos de compreensão da cultura no presente.

Com curadoria de Roberto Said, professor da FALE/UFMG e seu ex-orientando, a série reúne dez textos que recolocam em cena uma amostra da fecunda trajetória de Wander, retomando problemas teóricos formulados ao longo de sua obra, bem como algumas de suas obsessões críticas. Para abrir a série, Said escreveu o “Glossário de bolso de W.M.M.”

Os eixos desse glossário – Arquivo, Contemporâneo, Editor, Graciliano Ramos e Nação – oferecem um preciso mapa em miniatura para compreender a obra de Wander: o arquivo como espaço de desejo e não apenas de memória; a crítica do contemporâneo como gesto de confronto com a literatura viva; o papel de editor como projeto intelectual que redesenhou o campo editorial universitário brasileiro; a leitura original de Graciliano Ramos como chave para pensar literatura, política e cultura; e, por fim, a reflexão sobre a nação e suas temporalidades tardias, sempre atenta às encruzilhadas latino-americanas.

Agradecemos a Wander Melo Miranda por nos permitir compartilhar com as leitoras e os leitores da BVPS uma amostra de seu pensamento instigante e rigoroso, e a Roberto Said por sua curadoria atenta e sensível. Revisitar o pensamento de Wander é também reafirmar o valor da literatura e da crítica como espaços de reflexão ética e criativa em tempos tão conturbados quanto os que correm.

Não perca, semanalmente, sempre às segundas-feiras, essa nova edição da série Autorais.

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