Economia & Sociedade | Alexa, o que há de novo no capitalismo?, por Henrique Braga

Do pós-guerra à crise de 2008, o texto assinado por Henrique Braga (UFRRJ) acompanha a transição da “Era de Ouro” do capitalismo – sustentada pela produção e pelo consumo de massa – para um regime financeirizado e global, marcado pela expansão das grandes corporações transnacionais. Nesse processo, a individualização se intensifica, os salários perdem força relativa e o crédito passa a ocupar lugar central na sustentação da reprodução social.

Com o avanço das big techs e dos dispositivos de captura de atenção, como o smartphone, o autor mobiliza o diagnóstico do economista grego Yanis Varoufakis sobre o “tecnofeudalismo”, compreendido como uma ordem em que monopólios digitais extraem renda a partir do controle informacional. Embora controversa, a tese aponta para um elemento decisivo: algo mudou no capitalismo, e o “eu”, convertido em mercadoria, tornou-se o núcleo dessa nova dinâmica.

Confira aqui outros textos já publicados na série Economia & Sociedade, que propõe problematizar as cada vez mais complexas relações entre esses dois termos.

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Economia & Sociedade | Mitos, mercados e a grande corporação: elementos analíticos do Institucionalismo Radical, por Manuel Ramon Souza Luz

Dando continuidade à série Economia & Sociedade, publicamos hoje texto de Manuel Ramon Souza Luz (UFOP), que examina como o Institucionalismo Radical (IR), herdeiro da tradição crítica inaugurada por Thorstein Veblen, retoma o pioneirismo vebleniano para interpretar as relações socioeconômicas contemporâneas.

Ao compreender as instituições como “hábitos de pensamento compartilhados”, o IR evidencia que nossa ação é moldada socialmente e que o mercado, longe de ser algo natural ou espontâneo, é uma construção institucional que define equivalências, propriedades e direitos. Essa perspectiva revela que o mercado opera como um mito, o que conduz a economia a uma questão inevitável: se o mercado é uma instituição mítica, como interpretar as ações do capitalismo corporativo?

Não perca, nas próximas quartas-feiras, a continuidade da série Economia & Sociedade, que propõe problematizar as cada vez mais complexas relações entre esses dois termos.

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Economia & Sociedade | Financeirização, fundos de pensão e impactos sobre o mundo do trabalho, por Mateus Santana

O capitalismo no século XXI é regido por uma lógica financeira que reestruturou a produção, a gestão e a própria subjetividade do trabalhador. Na continuidade da série Economia & Sociedade, o texto de Mateus Ubirajara Silva Santana (UFRRJ) parte da definição fundadora do fenômeno para mostrar como a maximização do valor para o acionista substituiu o modelo fordista de “reter e reinvestir” por um novo imperativo: “reduzir e distribuir”.

Se antes a estabilidade do emprego e os investimentos de longo prazo eram a base da relação entre capital e trabalho, hoje as corporações são geridas como um conjunto de ativos em que cada trabalhador é um “centro de lucro” individual e os cortes de custos sinalizam compromisso com o mercado. O texto traça esse percurso histórico, dos anos 1970 até os fundos de pensão atuais, revelando um paradoxo central: a poupança dos trabalhadores é, muitas vezes, usada para financiar as próprias políticas de precarização que os afetam.

Não perca, nas próximas quartas-feiras, a continuidade da série Economia & Sociedade, que propõe problematizar as cada vez mais complexas relações entre esses dois termos.

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Economia & Sociedade | Nova série da BVPS Edições

Ampliando seu perfil multidisciplinar, a BVPS tem a alegria de inaugurar hoje a série Economia & Sociedade, dedicada a refletir, em um plano geral, sobre as cada vez mais complexas relações entre esses dois termos, cuja própria definição segue sendo objeto de disputa. Como uma provocação às abordagens tanto reducionistas quanto dicotômicas, o título da série glosa a célebre obra homônima de Max Weber, que entende a economia não como uma causalidade determinística, mas como uma esfera particular da ação social, também sujeita à influência de outros fatores da vida social. Assim, a análise econômica deve implicar, necessariamente, a compreensão dos nexos contingentes de sentido e significado que orientam as ações e relações no processo histórico – algo bem distante do campo tecnocrático e autorreferente em que, em grande medida, a economia se converteu nas últimas décadas. Dominada por modelos matemáticos abstratos e uma linguagem quase esotérica, passou a se apresentar como uma ciência exata, pretendendo descrever leis universais do comportamento humano com o fim quase exclusivo de otimizá-lo, muitas vezes ignorando as dimensões éticas, políticas e culturais que lhe conferem sentido.

Organizada por Henrique Braga (UFRRJ) – a quem agradecemos pela colaboração –, esta série vai na contramão dessa voga economicista e se propõe, nesta primeira floração de cinco textos, a discutir as transformações globais do capitalismo contemporâneo e suas consequências sociológicas mais amplas. Além de uma breve apresentação assinada pelo organizador, trazemos também, neste post, o primeiro texto da série: “As classes trabalhadoras em movimento: a luta de classes (re)imaginada no século XXI”, de Ana Paula Fregnani Colombi (UFES). A autora oferece uma análise sofisticada das reconfigurações recentes do trabalho e da ação coletiva, partindo da aparente contradição entre o discurso de uma geração que não quer “desperdiçar a vida trabalhando” e a persistência da precariedade laboral. Colombi mostra como as classes trabalhadoras seguem em movimento – ainda que fora das formas tradicionais de organização sindical –, abrindo espaços de resistência, insubordinação e imaginação política.

Não perca, nas próximas quartas-feiras, a continuidade da série.

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