Glossário Silviano Santiago | Mário de Andrade, por André Botelho

Nos aproximando do dia 29 de setembro, quando Silviano Santiago completará 89 anos, encerramos o glossário dedicado à sua obra com o verbete Mário de Andrade.

André Botelho (UFRJ) mostra como o modernista paulista está presente em quase tudo o que Silviano tem feito: Mário é tema de crítica, personagem de ficção, inspiração, interlocutor. A prática de “puxar conversa” é identificada nos dois autores e discutida para adensar a compreensão da ideia/ferramenta de “hospedagem” de Silviano. Botelho mostra que, como Mário, o crítico e ficcionista mineiro compartilha a postura socrática de abertura ao outro e, avesso às sínteses, interessa-se pelos deslocamentos, tensionamentos e desestabilizações das visões estáveis de literatura, identidade e sociedade.

Com este último verbete, que puxa conversa com vários outros publicados nos últimos meses, agradecemos a Mario Cámara pela organização do Glossário Silviano Santiago e aos 21 autores e autoras que participaram e contribuíram com o projeto. E, claro, deixamos um abraço ao Silviano, grande amigo da BVPS.

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Glossário Silviano Santiago | Inserção, por Maurício Hoelz

Chegamos ao vigésimo verbete do Glossário Silviano Santiago, projeto coletivo organizado por Mario Cámara.

Maurício Hoelz (UFRRJ) mostra como o conceito de Inserção é elaborado por Silviano Santiago como contraponto crítico à ideia de formação, paradigmática na tradição intelectual brasileira. Se esta operava de modo normativo e teleológico, mirando a passagem da incompletude à plenitude a partir de parâmetros eurocêntricos, a inserção propõe uma abertura policêntrica, voltada ao diálogo com o mundo e à escuta das vozes historicamente silenciadas. Segundo o autor, embora Silviano tenha se dedicado pouco a sistematizá-la, essa noção oferece uma rotação de perspectivas que responde aos desafios e às exigências do contemporâneo. 

Acompanhe, na próxima quinta-feira, a publicação do último verbete desta série da BVPS Edições.

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Glossário Silviano Santiago | Alegria, por Gustavo Silveira Ribeiro

Em mais um verbete do Glossário Silviano Santiago, Gustavo Silveira Ribeiro (UFMG) mostra como a alegria atravessa a obra ensaística e literária de Silviano, funcionando menos como conceito e mais como forma-força capaz de articular pensamento crítico, corpo e criação.

Segundo o autor, essa forma-força é informada por diversas fontes, entre elas o Modernismo brasileiro, a filosofia de Nietzsche e a contracultura e as artes marginais dos anos 1970, que permitem a Silviano transformar a alegria em gesto afirmativo contra a melancolia, a normatividade e a repressão. Em seus ensaios e romances, esse impulso convoca ao riso, à paródia, à colagem e ao desejo como modos de vida que reconfiguram tanto a crítica cultural quanto a imaginação política no Brasil.

Acompanhe a publicação dos últimos verbetes nas próximas quintas-feiras, com versões em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Impureza, por Daniel Link

No novo verbete do Glossário Silviano Santiago, Daniel Link (Universidad Nacional de Tres de Febrero) mostra que a “impureza” está no coração da escrita de Silviano. A impureza não se define pela oposição ao puro, nem como valor em si, mas como um combate conceitual que afeta o estatuto do vivente. Segundo Link, assim como o anfíbio, figura tão cara a Silviano, o impuro é uma condição de vida: sempre precária, marcada pela capacidade de adaptação, mas também pela abertura ao heterogêneo e ao desconhecido. Trata-se, a seu ver, de um assunto incontornável para aqueles que ainda buscam sustentar os laços comunitários.

Acompanhe a publicação dos últimos verbetes nas próximas quintas-feiras, com versões em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Grafias de vida, por Florencia Garramuño

Grafias de vida é o décimo sétimo verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago, projeto coletivo organizado por Mario Cámara.

Assinado por Florencia Garramuño (Universidad de San Andrés), o verbete investiga o termo grafias de vida, neologismo criado por Silviano Santiago que, assim como “entre-lugar”, nomeia um conceito e, ao mesmo tempo, condensa um procedimento crítico-ficcional característico de sua obra. Garramuño mostra como o conceito, consolidado no livro Grafias de vida: a morte (2023), desconstrói tanto leituras formalistas quanto abordagens biográficas tradicionais, aproximando-se da “fisiologia da composição” e propondo novas formas de pensar a inscrição da vida no texto, seja a do próprio autor, seja a de figuras evocadas pela narrativa.

Acompanhe a publicação dos últimos verbetes nas próximas quintas-feiras, com versões em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Ferocidade, por Mary Luz Estupiñán Serrano

Ferocidade, assinado por Mary Luz Estupiñán Serrano (Universidad Metropolitana de Ciencias de la Educación, Chile), é o novo verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago.

A entrada parte do ensaio Genealogia da ferocidade, publicado em português por Silviano Santiago em 2017 e traduzido para o espanhol no ano seguinte por Mary Luz, para discutir a noção de “ferocidade” como chave de leitura do célebre romance de Guimarães Rosa. A autora mostra como Silviano compreende Grande sertão: veredas como uma “obra-monstro” que resiste à domesticação crítica e propõe a ferocidade não apenas como técnica de escrita, mas também como modo de leitura atento ao que ainda não foi lido. Ao relacionar a ferocidade a valores como fúria, ímpeto e bravura, e contrastá-la com a irascibilidade encarnada por Zé Bebelo, Silviano evidencia a potência radical do romance rosiano e suas implicações para pensar a tradução, a crítica literária e a história brasileira.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Cosmopolitismos discrepantes, por Mario Cámara

O organizador do Glossário Silviano Santiago, Mario Cámara (UBA), assina o novo verbete que publicamos hoje: cosmopolitismos discrepantes.

O verbete explora as relações entre três conceitos centrais na obra de Silviano: “entre-lugar”, “cosmopolitismo do pobre” e “cosmopolitismo discrepante”. Se os dois primeiros são amplamente conhecidos e comentados na fortuna crítica do autor, “cosmopolitismo discrepante” tem uso mais recente, aparecendo em dois textos de Grafias de vida (2023). Segundo Cámara, tomado de empréstimo de James Clifford, para quem os “cosmopolitismos discrepantes” refletem formas de ser cosmopolita que não se encaixam no modelo universalista, Silviano mobiliza este conceito tanto para analisar a geração modernista, que, a seu ver, construiu um projeto capaz de acolher e conter os “cosmopolitismos discrepantes”, quanto para mirar o futuro, propondo uma revisão plural e democrática do cânone em língua portuguesa. Cámara sugere que a relação entre os três conceitos não deve ser compreendida de modo linear, mas como parte da insistência do escritor e crítico mineiro em problematizar o lugar diferencial da cultura brasileira no cenário global.

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Glossário Silviano Santiago | Cosmopolitismo do pobre, por Paloma Vidal

Cosmopolitismo do pobre é o novo verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago, projeto coletivo organizado por Mario Cámara.

O verbete escrito por Paloma Vidal (Unifesp) discute as questões lançadas por Silviano Santiago desde o ensaio “O entre-lugar do discurso latino-americano”, em que ele se perguntava qual seria a atitude do artista de um país periférico em relação à cultura hegemônica, até a formulação do conceito de “cosmopolitismo do pobre”, que aparece pela primeira vez em um texto de 2002 e dá título à coletânea de ensaios publicada por Silviano em 2004. Segundo Vidal, ao trabalhar com esse conceito, Silviano propõe ler, a partir das margens sul-americanas, o debate sobre globalização tal como estabelecido na academia norte-americana, questionando as desigualdades geopolíticas e os pontos cegos de um multiculturalismo autocomplacente.

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Glossário Silviano Santiago | Forma-prisão, por Diana Klinger

Forma-prisão é o décimo terceiro verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago.

Assinado por Diana Klinger (UFF), o verbete explora a trajetória do conceito forma-prisão na obra de Silviano, desde sua emergência no ensaio Eça de Queirós, autor de Madame Bovary até sua presença recente e marcante em Fisiologia da composição. Klinger mostra como Santiago, dialogando com uma série de referências e inspirações – tanto literárias quanto teóricas – que inclui nomes como Borges, Derrida, Foucault, Althusser e a tradição modernista brasileira, ressignifica a relação entre a literatura europeia e a latino-americana, desestabilizando hierarquias coloniais. Se o conceito forma-prisão se baseia nesse denso diálogo e participa de uma constelação que inclui ainda conceitos como “entre-lugar” e “hospedagem”, também é inspirado no poeta surrealista Robert Desnos. Segundo a autora, na obra de Silviano, além de ser um método de leitura, forma-prisão é também um modelo de criação literária.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões simultâneas em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Grande sertão: veredas, por Gabriel Martins da Silva

No novo verbete do Glossário Silviano Santiago, Gabriel Martins da Silva (PPGLCC/PUC-Rio) revisita a leitura de Grande sertão: veredas proposta por Silviano Santiago, especialmente em Genealogia da ferocidade (2017), para destacar como o romance de Guimarães Rosa se contrapõe à estética modernista e desenvolvimentista da década de 1950, emergindo como um corpo estranho e intempestivo na vida cultural brasileira.

Segundo Silva, a leitura de Silviano se tornou uma referência incontornável da crítica rosiana recente porque, além de se debruçar sobre questões propriamente literárias do romance, o insere no centro da vida política brasileira. Diante dos impasses políticos da Nova República, Silviano mostra que Grande sertão permanece uma alegoria da nação, revelando suas feridas e contradições mais profundas.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões simultâneas em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Pós-moderno, por Denilson Lopes

Pós-moderno é o novo verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago. Escrito por Denilson Lopes (UFRJ), o verbete recupera o célebre ensaio “O narrador pós-moderno”, de Silviano Santiago, indicando que, para o crítico mineiro, o pós-moderno é uma chave de leitura que questiona os limites da tradição ocidental sem, no entanto, abandoná-la. Segundo Lopes, Silviano propõe uma nova experiência narrativa, marcada pela imagem e pelo corpo em movimento, que oferece uma vivência distinta da cultura letrada. A análise do romance Em Liberdade ganha destaque ao mostrar como Silviano reinventa a figura de Graciliano Ramos a partir de um corpo liberto, desejante e desviante, retomando a alegria da contracultura como força transformadora. Ora por meio dos ensaios, ora pela ficção, Silviano aposta na literatura como espaço para produzir novas experiências e levantar novas questões.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões simultâneas em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | 1970, por Jorge “Joca” Wolff

Chegamos hoje ao décimo verbete do Glossário Silviano Santiago. Jorge “Joca” Wolff (UFSC) analisa o ano de 1970 como marco simbólico para entender a virada intelectual de Silviano Santiago, que, após chegar a Paris em 1961, mergulha na atmosfera da Guerra Fria, da descolonização e da neovanguarda francesa. Nesse contexto, Silviano assimila a desconstrução derridiana e a conecta à crítica pós-colonial, questionando o “vírus colonial lusitano” que marca a história brasileira. Acompanhando o percurso do crítico mineiro desde a releitura fundacional de textos como a Carta de Caminha até a criação do conceito de entre-lugar, Wolff mostra como Silviano lança, em torno de 1970, uma contra-pedagogia pioneira, plantando as bases da desconstrução e do pensamento pós-colonial no Brasil.

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Glossário Silviano Santiago | Contracultura, por Fred Coelho

Contracultura é o nono verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago, projeto coletivo organizado por Mario Cámara.

O verbete assinado por Fred Coelho (PUC-Rio) amplia o entendimento do termo contracultura para analisar ações e ideias que tensionam a cultura oficial em diferentes contextos históricos. Adotando esse enquadramento, Coelho mostra como na obra e na trajetória de Silviano Santiago a contracultura aparece de diferentes formas: na crítica literária e cultural que pratica, na experiência biográfica de um intelectual que transitou entre Belo Horizonte, Paris, Nova Iorque e Rio de Janeiro entre as décadas de 1950 e 1970, e na interlocução com movimentos políticos radicais e vanguardas artísticas. Para o autor, a obra de Silviano é uma fonte incontornável para compreender a contracultura brasileira e sua “poeira rebelde”.

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Glossário Silviano Santiago | Infância, por Celia Pedrosa

Infância, assinado por Celia Pedrosa (UFF), é o oitavo verbete do Glossário Silviano Santiago publicado pela BVPS Edições.

A experiência da infância está presente em diferentes obras de Silviano Santiago. Ela aparece desde O olhar (1974), seu romance de estreia, como vivência marcada por silêncios, fraturas e dificuldades de comunicação, e é retomada de forma reflexiva em Menino sem passado (2021), um de seus últimos livros, no qual ele reinventa a história do menino que foi. Segundo Pedrosa, a infância em Silviano surge como um começo que se reconstrói a cada recomeço. Ela constitui a matéria de uma escrita que entrelaça, sob múltiplas formas, subjetividade e alteridade, ao mesmo tempo em que se expõe como exercício de leitura desvinculado de fronteiras fixas de tempo e espaço.

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Glossário Silviano Santiago | Infidelidade, por raúl rodríguez freire

No sétimo verbete que publicamos do Glossário Silviano Santiago, raúl rodríguez freire (Pontificia Universidad Católica de Valparaíso) parte de uma leitura atenta de Uma literatura nos trópicos para identificar, na obra de Silviano Santiago, uma “óbvia obsessão temática”: a infidelidade. Mais do que um tema recorrente, a infidelidade aparece como um modo de leitura e escrita, atravessando tanto os ensaios quanto a ficção do autor. A análise remonta a pouco conhecida tese doutoral de Silviano sobre Les Faux-Monnayeurs, de André Gide, escritor que fez das infidelidades (e das invejas e ciúmes) uma obsessão temática. Essa tese invisível na obra de Silviano possibilita, segundo rodríguez freire, desdobrar uma análise reveladora sobre seu trabalho visível. 

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões simultâneas em português e espanhol.

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Glossário Silviano Santiago | Desconstrução, por Max Hidalgo Nácher

Publicamos hoje no Glossário Silviano Santiago o verbete “Desconstrução”, de Max Hidalgo Nácher, professor na Universidade de Barcelona. 

O verbete mostra como Silviano Santiago dialoga com Jacques Derrida desde o início dos anos 1970, quando apresentou a conferência “O entre-lugar do discurso latino-americano”. A partir daí, o crítico mineiro fez da desconstrução uma ferramenta para repensar a literatura comparada, questionar o eurocentrismo e evidenciar a dimensão colonial da tradição metafísica. Hidalgo Nácher percorre momentos-chave dessa trajetória — o seminário “Desconstrução e descentramento”, o histórico Glossário de Derrida (1976) e sua crítica à tríade “influência, cópia e originalidade” —, destacando como Silviano desloca conceitos derridianos para refletir sobre a cultura brasileira e latino-americana.

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Glossário Silviano Santiago | Diferença e repetição, por Andre Bittencourt

“Diferença e repetição” é o novo verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago, projeto coletivo organizado por Mario Cámara.

Andre Bittencourt, professor de Sociologia da UFRJ, mostra como os conceitos de “diferença” e “repetição” caminham juntos e atravessam a obra ensaística de Silviano Santiago. A partir da análise de um conjunto de textos centrais do autor, Bittencourt sugere que esse par conceitual é articulado para problematizar tanto questões relacionadas ao colonialismo e à dependência cultural na América Latina quanto debates em torno das tradições da crítica literária e das teorias voltadas à análise textual. A crítica de Silviano nos desafia a pensar como a repetição gera, sempre, diferença.

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Glossário Silviano Santiago | Graciliano Ramos, por Rodrigo Jorge Neves

Publicamos hoje “Graciliano Ramos”, novo verbete do Glossário Silviano Santiago.

Assinado por Rodrigo Jorge Neves (UFF), este verbete analisa a leitura crítica e criativa que Silviano Santiago faz da obra de Graciliano Ramos, dando atenção ao romance Em liberdade (1981). Escrito como um diário íntimo do escritor alagoano logo após sua saída do cárcere, durante a ditadura Vargas, o livro de Silviano inova ao transitar entre as formas do diário, do romance, da crítica, da biografia e do ensaio. Para Neves, a relação entre corpo e linguagem é central para compreender este e outros projetos de um dos escritores e críticos mais inventivos de nosso tempo.

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Glossário Silviano Santiago | Machado de Assis, por Mónica González García

A BVPS Edições traz hoje o verbete Machado de Assis, que integra o Glossário Silviano Santiago.

Neste verbete, Mónica González García, professora de Literatura da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso, analisa a leitura original que Silviano Santiago faz da obra de Machado de Assis, questionando a divisão tradicional entre fases romântica e realista. Silviano identifica uma coerência estrutural na trajetória machadiana, marcada pela rearticulação de formas narrativas e pela desconstrução de modelos ocidentais. A análise se estende ao romance Machado (2016), no qual Silviano propõe uma leitura que vincula o corpo do autor à forma de sua obra, revelando a originalidade crítica e estética de um dos maiores romancistas brasileiros.

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Glossário Silviano Santiago | Entre-lugar, por Wander Melo Miranda

Publicamos hoje mais um verbete do Glossário Silviano Santiago, novo projeto da BVPS Edições.

“Entre-lugar”, assinado por Wander Melo Miranda, Professor Emérito da UFMG, destaca a importância do texto “O entre-lugar do discurso latino-americano”, em que Silviano Santiago apresenta, pela primeira vez, o conceito de entre-lugar. Trata-se de um dos conceitos mais conhecidos do crítico mineiro, que se tornou fundamental para pensar a literatura brasileira e latino-americana a partir de uma posição periférica, crítica e desconstrutora diante dos discursos hegemônicos europeus. Segundo Wander, mesmo após décadas, o conceito continua abrindo novas perspectivas de leitura para a reflexão sobre as literaturas de grupos historicamente marginalizados.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago reúne verbetes que percorrem tanto a produção ficcional quanto a ensaística de Silviano, incorporando conceitos-chave, temas, recorrências e autores frequentados por sua crítica.

Acompanhe, sempre às quintas-feiras pela manhã, a publicação de novos verbetes, com versões simultâneas em português e espanhol.

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