Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

Passados quase 10 meses de Modulações, chegamos ao último texto desta coluna de Alcida Rita Ramos (UnB), que apostou no exercício de transformar inspiração em reflexão. Sempre com sua notável sensibilidade e postura crítica, Alcida escreveu sobre temas como a amizade, o dever como obsessão, o poder dos símbolos, os diferentes modos de saber, entre outros que, tomados em conjunto, nos ajudaram a ampliar e dar consciência crítica às ideias. Percorremos territórios, do Japão à terra Yanomami, mas sempre passando por mundos que convivem numa espécie de entre-lugar e dependem de sensibilidade e perspectiva etnográfica e política para serem entrevistos e descortinados. Em especial, a força dos Sanumá mais uma vez reapareceu, acenando para uma aprendizado social com mais igualdade na sociedade brasileira. Entretanto, como todo fim é também a possibilidade de novos começos, não deixe de acompanhar, ao longo de 2026, uma nova coluna de nossa faiscante colaboradora!

Em Punir sem vigiar, Alcida reflete sobre a sabedoria jurídica dos povos indígenas e tradicionais, cujos sistemas de justiça são, em muitos casos, orientados por uma filosofia da persuasão. Ao contrastar esse modelo com a lógica coercitiva do Estado nacional, a autora discute os limites do pluralismo jurídico e aponta para a força das soluções comunitárias de conflito.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

O que distingue conhecimento de sabedoria? E como aquilo que chamamos ignorância – ora ingênua, ora cultivada – influi nas relações de poder, interétnicas ou institucionais? Em Só sei que não sei. Sei?, Alcida Rita Ramos (UnB) parte de uma cena de sua pesquisa entre os Sanumá para mostrar como o não saber pode indicar mais sobre nós do que supomos. A partir daí, a autora desmonta a ignorância disfarçada de superioridade e contrapõe dois modos radicalmente distintos de conceber o saber: de um lado, a especialização moderna multiplicada até a caricatura; de outro, sistemas de conhecimento que integram memória e lugar. No fim, Alcida ainda retoma a provocação: afinal, reconhecer o próprio limite (saber que não se sabe) não seria também um exercício de sabedoria?

Não deixem de acompanhar a coluna de Alcida na BVPS, publicada mensalmente às sextas-feiras. Para conferir outros textos de Modulaçõesclique aqui. Também convidamos nosso público leitor a assistir à Conversa com a Autora, realizada com Alcida durante a programação do 49º Encontro Anual da ANPOCS, em outubro passado.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

Entre os Sanumá, o outro, distinto, diferente de você, tem nome específico: tiko. Em sua coluna Modulações, Alcida Rita Ramos (UnB) revisita o modo como os Sanumá e os Ye’kwana elaboram a alteridade como, antes de tudo, convivência. Nessa forma de distinção há um ensinamento que a própria autora teve o privilégio de experimentar durante os dois anos em que viveu com os Sanumá (Yanomami) no norte de Roraima, e que aqui se converte em provocação e convite ao aprendizado. Evocando Claude Lévi-Strauss, que dizia ser a abertura ao outro uma das grandezas dos povos indígenas, Alcida defende que a outridade é mais do que apenas uma categoria analítica, e que a arte de coexistir continua sendo um desafio e uma lição.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

E se Sócrates fosse à Amazônia? Essa é a pergunta-título do novo ensaio de Alcida Rita Ramos (UnB) em sua coluna Modulações, que nos convida a um exercício de imaginação antropológica: afinal, teria Sócrates algo a aprender ali sobre sua tão prezada “democracia”? As pistas deixadas por Alcida vão desde o ideal socrático-platônico de uma polis em expansão até a crítica radical de Pierre Clastres, para quem as sociedades indígenas sempre resistiram à centralização do poder. Em um jogo de diferenças, Alcida sugere como a chave pode estar justamente nas contradições, e que certas práticas e valores indígenas poderiam, sim, em muito ensinar ao ilustre filósofo… e a todos nós.

Não deixem de acompanhar a coluna de Alcida na BVPS, publicada mensalmente às sextas-feiras, sempre com ilustrações de Joana Lavôr. Para saber mais, clique aqui.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

Em mais uma edição da coluna Modulações, Alcida Rita Ramos (UnB) recebe a antropóloga Karenina Vieira Andrade (UFMG) para um mergulho na cosmopolítica dos Ye’kwana, povo indígena do norte da Amazônia. Os conceitos clássicos de Ágora e Fórum são evocados. Mas seriam eles suficientemente precisos para dar conta das particularidades do fazer político Ye’kwana? Assim, a partir do testemunho de Andrade, o ensaio nos conduz diretamente ao interior da ättä, casa cerimonial que abriga um cosmos replicado em arquitetura. Ali, sob o teto cônico, desenrolam-se noites de escuta coletiva que contrastam com os impasses das democracias ocidentais. E é justamente nesses contrastes, sustentados por uma sabedoria que resiste há séculos, que se abre a chance de repensar o próprio – e já antigo – sentido da democracia. Leitura indispensável.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

Símbolos não são absolutos. Mesmo os mais belos ou encantadores, como as rosáceas flores de Sakura, podem, nas mãos de um déspota, tornar-se arautos da morte. Símbolos são objetos de disputa e potenciais instrumentos de poder. É nesse ensejo que Alcida Rita Ramos (UnB) publica “A cruel beleza da vida breve” – em português e inglês – numa edição especial de sua coluna Modulações. O texto discute a obra da antropóloga japonesa radicada profissionalmente nos Estados Unidos, Emiko Ohnuki-Tierney, a quem Alcida atribui uma “trilogia do Estado tirano”, dedicada a desvendar como regimes autoritários mobilizam a estética como ferramenta de dominação. Um exemplo é o da vida breve das Sakuras, que se torna símbolo de convocação à pátria, cujos interesses se impõem e ressignificam a liberdade individual, tornando homens em soldados ainda mais heróis se de vida breve.

A homenagem de Alcida à colega e à melhor Antropologia que ela vem formulando coincide com o centenário de nascimento de Yukio Mishima, escritor japonês que encarnou como ninguém as ambiguidades entre estética e ideologia, encerrando a própria vida em um suicídio ritual após tentativa fracassada de restaurar o Império japonês. Como se entrelaçada por fios de Cerejeira, Alcida nos oferece uma genuína ode à sensibilidade. Usufruamos.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

Alcida Rita Ramos (UnB) assina “Enigmas são bons para pensar” – novo texto de sua coluna Modulações – em que examina a complexidade dos percursos ideológicos e morais, tendo como eixo a figura contraditória do Coronel Jarbas Passarinho. À maneira dos mitos de Lévi-Strauss e dos labirintos de Borges, o militar que apoiou o golpe de 1964 e subscreveu o AI-5 também foi, inesperadamente, defensor dos direitos indígenas na Constituinte e na demarcação da Terra Yanomami. Como isso é possível? O que explica alguém transitar pela extrema direita e, ainda assim, praticar atos progressistas? É sobre esse mistério que Alcida nos convida a refletir, ecoando Dr. Jekyll e Mr. Hyde enquanto nos lembra que nem todos os destinos seguem linha reta… e que os enigmas, como os bons romances, são cheios de inquietude.

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Modulações | Coluna de Alcida Rita Ramos

O dever pode ser uma virtude, um imperativo moral ou uma exigência social. Mas o que acontece quando ele se torna uma obsessão? Em sua coluna Modulações desta semana, Alcida Rita Ramos reflete sobre os perigos do dever levado ao extremo. A partir de O crepúsculo do mundo, de Werner Herzog, a autora revisita a história do tenente Hiroo Onoda, o soldado japonês que passou quase três décadas na selva filipina, fiel a uma guerra que já havia acabado. A saga de Onoda ecoa em outras narrativas, do coronel britânico de A ponte do rio Kwai aos trabalhadores anônimos das ferrovias da Ásia e da Amazônia ‒ todos vítimas de um senso de dever que descarrilou. O que há em comum entre essas histórias? Entre ficção e realidade, o texto lança um olhar crítico sobre como certos ideais, cristalizados em crenças inabaláveis, podem ter consequências devastadoras.

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Modulações | Nova coluna de Alcida Rita Ramos

Alcida Rita Ramos retorna às páginas da BVPS com Modulações, sua nova coluna. Professora Emérita do DAN/UnB e referência da antropologia e da etnologia brasileira, ela propõe agora ampliar o repertório e surpreender na escrita o gesto radical da inspiração. Após o sucesso de Desassossegos — coluna que nos acompanhou quinzenalmente ao longo de 2024, explorando a prática antropológica por meio de memórias próprias e compartilhadas —, Alcida se lança a novos desafios.

Modulações, cujo título evoca movimentos ondulatórios, passagens e variações, aposta no exercício de transformar inspiração em reflexão. Alcida mobilizará diferentes referenciais como ponto de partida — trechos de biografias, vivências, etnografias, literatura, entrevistas, protestos ou outras manifestações da oralidade — para ampliar e dar consciência crítica às ideias. Assim, neste texto de estreia da coluna, a autora faz da amizade seu objeto de análise, partindo de Bach e da recém-publicada biografia de Heloisa Teixeira, escrita por André Botelho e Caroline Tresoldi. Como declara Alcida, a amizade é um parentesco sem amarras, uma irradiação da empatia, uma plenitude existencial.

Não deixem de conferir esse novo projeto, que conta com a ilustração de Joana Lavôr.

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