
O décimo folhetim (feuilleton) de Silviano Santiago publicado pela BVPS marca o ponto culminante em que duas resenhas de romance se encontram e redefinem tanto o futuro da literatura francesa quanto o da escrita em língua portuguesa. A primeira resenha é a de Sainte-Beuve do romance Fanny, publicado no ano seguinte ao da publicação de Madame Bovary. A segunda é a de Machado de Assis do romance O Primo Basílio, de Eça de Queirós, publicado três anos antes da virada que representa Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Não só a preferência de Sainte-Beuve por Fanny como a “discórdia” (Lúcia Miguel-Pereira) de Machado por O Primo Basílio são aproximadas e recebem leitura radical neste folhetim.
A preferência do francês redefine o realismo flaubertiano pela tradição do récit psicológico (romântico), assistindo-o com as grandes teorias sobre a dissecação científica do corpo humano — “La leçon d’anatomie”. O romance continua escrito na primeira pessoa. A discórdia machadiana rechaça a estética naturalista como incompatível com a precária e já estabelecida tradição literária brasileira, desconstruindo a estética naturalista, assistida pela terceira pessoa anônima que se substantiva pelas novas teorias em ciências sociais e econômicas.
A intenção do folhetinista é bem ampla: é a de pôr em estado de laboratório os cinco últimos romances de Machado de Assis para uma leitura contrastiva com À la recherche du temps perdu, de Marcel Proust.
Boa leitura e não perca, em breve, os últimos folhetins de Silviano Santiago. Para conferir a série completa, clique aqui.
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