Série A mesa dos mineiros narra Minas | “Sem ordem e sem simetria”. Quintais e cozinhas, suas narrativas e temporalidades, por José Newton Coelho Meneses

Encerramos hoje a série A mesa dos mineiros narra Minas, com o texto “’Sem ordem e sem simetria.’ Quintais e cozinhas, suas narrativas e temporalidades”, escrito por José Newton Coelho Meneses (UFMG).

Neste texto, Meneses mostra como história, literatura e comida mineira se entrelaçam em narrativas e práticas que revelam modos de compreender o mundo. O quintal, herdeiro das antigas “quintas”, é espaço de aprendizado, partilha e formação do gosto alimentar, onde as cercas, em vez de separar, aproximam vizinhos, favorecendo interações e o estreitamento de vínculos. Presente nas memórias e nos romances de Fernando Sabino e outros escritores, o quintal simboliza liberdade e experiência, compondo em Minas, junto à cozinha, um mesmo universo de sociabilidade e saberes que molda um paladar equilibrado e uma cultura alimentar – tão bem expressa, como lembra Meneses, nos escritos memorialísticos de Pedro Nava.

Curada por José Newton Coelho Meneses, esta série da Coluna MinasMundo propôs investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Para conferir todos os textos publicados na série, clique aqui.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “’Aquele lugar se fundava’: a cachaça na festa de Manuelzão”, por Maurício Ayer

Hoje publicamos, em parceria com o site Outras Palavras, o penúltimo texto da série A mesa dos mineiros narra Minas, escrito por Maurício Ayer (TEL/UnB).

O autor parte do conto “Uma estória de amor” (Festa de Manuelzão), de Guimarães Rosa, para refletir sobre o celebrar. Mostra que, na roça, não há festa sem cachaça, elemento que atravessa tanto a etnografia participante do sertão quanto a elaboração interior de Manuelzão. O beber farto e tranquilo indica harmonia: a cachaça torna as pessoas mais aptas ao encontro, verdadeira razão da festa, que interrompe o trabalho cotidiano e aproxima os vizinhos, lembrando que são eles que formam nossa humanidade. Nessa convivência alegre e desinibida, Rosa se mostra um escritor-fermentador, que extrai da terra os aromas, cores e sabores que, ao fogo de sua arte, revelam algo do plano mítico.

Curada por José Newton Coelho Meneses, esta série da Coluna MinasMundo propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Os textos estão sendo publicados quinzenalmente às quartas-feiras. Outros textos da série podem ser conferidos aqui.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “O gosto mineiro na Estrada Real: tradições, tensões e narrativas da alimentação”, por Carolina Figueira da Costa

Chegamos hoje ao décimo texto da série A mesa dos mineiros narra Minas, assinado pela historiadora Carolina Figueira da Costa (Senac-MG).

Tomando como ponto de partida guias turísticos impressos para investigar culturas alimentares, como a de Minas Gerais, a autora analisa o Guia do Instituto Estrada Real Brasil (2005) e evidencia como a comida típica é apresentada como patrimônio cultural e atrativo turístico, associada a pratos emblemáticos, utensílios tradicionais e ingredientes da cozinha mineira. Ao mesmo tempo, observa que esse tipo de narrativa pode romantizar a tradição e privilegiar referências de matriz europeia. Sua reflexão abre caminhos para compreender as tradições, tensões e narrativas da alimentação a partir das Minas Gerais.

Curada por José Newton Coelho Meneses, esta série da Coluna MinasMundo propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Os textos estão sendo publicados quinzenalmente às quartas-feiras. Outros textos da série podem ser conferidos aqui.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “Delícias indigestas: comida e poder no filme Xica da Silva”, de Rodrigo de Almeida Ferreira

Trazemos hoje mais um texto da série A mesa dos mineiros narra Minas, assinado pelo historiador Rodrigo de Almeida Ferreira (UFF).

O texto analisa a alimentação em Diamantina no século XVIII, em um contexto marcado por escassez, restrições no comércio e profunda desigualdade social, em que a maioria da população vivia vulnerável à fome, enquanto apenas a elite desfrutava de fartura à mesa. Utilizando o clássico filme Xica da Silva (1976) como recurso para explorar como os alimentos e as práticas à mesa refletem relações de poder, prestígio e hierarquia social, o autor mostra de que maneira o cinema contribui para a construção do imaginário histórico, consolidando imagens sobre períodos passados e possibilitando uma reflexão sobre as práticas cotidianas e os contrastes sociais da época.

Curada por José Newton Coelho Meneses, esta série da Coluna MinasMundo propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Os textos estão sendo publicados quinzenalmente às quartas-feiras. Outros textos da série podem ser conferidos aqui.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “A construção mítica da mesa mineira”, por Maria do Carmo Pires e Sônia Maria de Magalhães

Publicamos hoje o texto “A construção mítica da mesa mineira”, assinado por Maria do Carmo Pires (UFOP) e Sônia Maria de Magalhães (UFG), oitavo da série A mesa dos mineiros narra Minas.

A culinária mineira, marcada pela diversidade cultural, tornou-se símbolo identitário da região e está associada à hospitalidade. No entanto, como apontam as autoras, as primeiras condições de vida em Minas foram bastante precárias, caracterizadas pela escassez e pela fome. Com a consolidação da fazenda como núcleo cultural e social, Pires e Magalhães mostram que a regularização do abastecimento e o fortalecimento das atividades agropecuárias possibilitaram a construção do “mito da mineiridade”, ligado à fartura e à acolhida.

Curada por José Newton Coelho Meneses, esta série da Coluna MinasMundo propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Os textos estão sendo publicados quinzenalmente às quartas-feiras. Outros textos da série podem ser conferidos aqui.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “’Engolindo veludo’: uma cabidela com o jeito de Minas”, por José Newton Coelho Meneses

Dando continuidade à série A mesa dos mineiros narra Minas, publicamos hoje o texto “’Engolindo veludo’: uma cabidela com o jeito de Minas”, assinado por José Newton Coelho Meneses (UFMG).

Recorrendo a memórias narradas como referência constante da sociabilidade alimentar, desde relatos de viajantes do século XIX até obras de autores como Cyro dos Anjos e Pedro Nava, Meneses explora a tradição das “cabidelas”, prato de origem portuguesa que envolve não apenas o aproveitamento das extremidades de animais, mas também técnicas específicas de preparo. Como mostra o autor, os pratos de cabidela são expressão de concretude histórica, presença e continuidade, em que, como toda tradição, a transmissão ao longo do tempo não apenas conserva, mas também cria e recria, diversificando novas variantes, como as de Minas Gerais.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “’Comerá coisas de sustância e de boa nutrição’: como a cozinha salvou a botica nas vilas do ouro”, por Soraia Botelho

Trazemos hoje o sexto texto da série A mesa dos mineiros narra Minas. Assinado pela jornalista e historiadora Soraia Oliveira de Vasconcelos Botelho, o texto discute a obra Erário Mineral (1735), do cirurgião Luís Gomes Ferreira, um dos primeiros tratados de medicina do Brasil.

Diante da escassez de remédios, a autora mostra como Gomes Ferreira recorria à cozinha e aos quintais em busca de ingredientes para tratamentos, indicando a relação entre alimentação e cuidados médicos, além da valorização da “sustância” como crítica a certos procedimentos da época. Mais que um documento da história da medicina no país, a obra permite observar ingredientes, práticas alimentares e costumes nas Minas setecentistas.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | “Uma porção de coisas boas”: os doces e as quitandas em “Minha vida de menina”, por Amanda Geraldes

“‘Uma porção de coisas boas’: os doces e as quitandas em Minha vida de menina“, escrito por Amanda Geraldes (CIDEHUS-UÉ), é o quinto texto que publicamos na série A mesa dos mineiros narra Minas.

A autora mostra como a tradição doceira e quitandeira mineira foi transmitida oralmente por gerações e, a partir do século XIX, passou também a ser registrada por mulheres em cadernos manuscritos de cozinha, revelando a fartura de doces e quitandas preparados em seus lares. Com base nas memórias de Helena Morley, cuja obra Minha Vida de Menina (1942) retrata os hábitos alimentares da vida familiar e social em Diamantina, no final do século XIX, Geraldes destaca a presença desses alimentos no cotidiano da cidade e enfatiza o ofício feminino das quitandeiras como atividade essencial para o abastecimento das cidades brasileiras no período.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | Da zurrapa aos finos licores sulferinos, por Renato Venancio

“Da zurrapa aos finos licores sulferinos“, de Renato Pinto Venancio (UFMG), é o quarto texto que publicamos na série A mesa dos mineiros narra Minas.

Venancio mostra como, desde a ocupação de Minas Gerais, o vinho português sempre esteve presente, abastecendo as lavras de ouro. No entanto, devido à difícil logística e aos altos preços, o fornecimento tornava-se irregular, favorecendo o consumo de bebidas locais, como a aguardente de cana e a cachaça, além de fermentados africanos, como o aluá, e de vinhos artesanais feitos com frutas locais (pêssego, banana, jabuticaba etc.), adaptados de práticas portuguesas. Apesar de o vinho nunca ter desaparecido – mantido por razões religiosas, medicinais e identitárias –, vemos neste texto que sua baixa qualidade motivou a busca por alternativas nas regiões mineiras.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | A comida mineira não nasce da fome; ou, O paradoxo da tradição e da radicalidade, por José Newton Coelho Meneses

“A comida mineira não nasce da fome; ou, O paradoxo da tradição e da radicalidade” é o terceiro texto que publicamos na série A mesa dos mineiros narra Minas.

Assinado por José Newton Coelho Meneses, professor do Departamento de História da UFMG, o texto discute como a compreensão das tradições, incluídas as alimentares, revela a complexidade das culturas e a maneira como diferentes povos compartilharam saberes ao longo do tempo. Meneses analisa como o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire, em sua viagem pelo sertão mineiro entre 1816 e 1822, observou atentamente o modo como o povo compartilhava alimentos, revelando tanto a abundância quanto a escassez, a desigualdade social e a polidez simples que marcavam o modo de receber o próximo. Assim, o autor sugere que a culinária, em vez de representar uma tradição cristalizada, configura-se como um processo vivo, formado pelo encontro de diferentes mundos.

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Série A mesa dos mineiros narra Minas | O livro põe a mesa: “Feijão, angu e couve” e Eduardo Frieiro, por Juliana de Souza Duarte

“O livro põe a mesa: Feijão, angu e couve e Eduardo Frieiro” é o segundo texto que publicamos na série A mesa dos mineiros narra Minas.

Assinado por Juliana de Souza Duarte, mestranda em História pelo PPGH/UFMG, o texto discute a importância da comida como elemento de identidade cultural em Minas Gerais, destacando seu papel na preservação da memória e das tradições. Analisando a obra pioneira Feijão, angu e couve, de Eduardo Frieiro – referência no estudo da alimentação mineira sob uma perspectiva histórica –, a autora dialoga com uma provocação do autor sobre a existência de uma comida tipicamente mineira, observando que ela de fato existe: é diversa e reconhecida como expressão da identidade do povo mineiro.

Curada pelo historiador José Newton Coelho Meneses (UFMG), esta série da Coluna MinasMundo propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Os textos estão sendo publicados quinzenalmente às quartas-feiras. Para conferir o primeiro post, com uma apresentação do curador, clique aqui.

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Coluna MinasMundo | Série: A mesa dos mineiros narra Minas

A BVPS Edições tem o prazer de anunciar mais uma nova série, agora na Coluna MinasMundo: A mesa dos mineiros narra Minas.

Curada pelo historiador José Newton Coelho Meneses (UFMG), essa série propõe investigar a mesa mineira como linguagem e expressão de um cosmopolitismo cultural próprio da região. Em 11 textos assinados por pesquisadores de diversas instituições brasileiras, a série aborda a comida de Minas como narrativa viva de suas heranças coloniais, do trânsito entre quintais e mercados, da memória e do desejo.

Ao longo dos próximos meses, quinzenalmente às quartas-feiras, temas como os intelectuais que pensam a comida, os caminhos da cachaça, os doces festivos, os vinhos vindos do mar e as tensões entre fartura e carência à mesa serão discutidos em textos inéditos a partir de olhares da História, da Antropologia, da Literatura e da Sociologia.

Neste post, além da apresentação da série, publicamos o primeiro texto, “A comida e a lábia dos mineiros”, assinado por José Newton Coelho Meneses. O autor propõe uma leitura a partir da literatura, enxergando a comida como patrimônio vivo, múltiplo e significativo na construção da cultura de Minas Gerais.

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