Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Poema “Você com vinte e quatro eu com quarenta e dois”, por Marcio Junqueira

Na última rodada de publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, trazemos textos de Alexandro Paixão (Unicamp), Anderson Trevisan (Unicamp) e um poema de Marcio Junqueira (PPGAV/UFBA).

Paixão destaca avanços na inclusão da diversidade na Psicanálise, fruto da mobilização por práticas mais éticas e plurais, em que a transformação institucional simboliza uma reparação histórica, reforçando a importância de uma Psicanálise sensível ao gênero e à sexualidade no enfrentamento da discriminação. Trevisan discute o que é ser um homem gay a partir das filmografias de Pedro Almodóvar e Karim Aïnouz, destacando as representações visuais como caminho fundamental para construir conhecimento crítico sobre a vida social, em que subjetividades são constantemente construídas e reconstruídas. Junqueira, por sua vez, nos traz um poema que perpassa as delicadas tessituras dos vínculos homoafetivos, revelando, por vezes, elementos sutis e essenciais que lhes sustentam sua permanência ou não.

Para conferir todos os posts publicados na Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Poema “Você com vinte e quatro eu com quarenta e dois”, por Marcio Junqueira”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Homens gays e sua representação no cinema, por Anderson Trevisan

Na última rodada de publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, trazemos textos de Alexandro Paixão (Unicamp), Anderson Trevisan (Unicamp) e um poema de Marcio Junqueira (PPGAV/UFBA).

Paixão destaca avanços na inclusão da diversidade na Psicanálise, fruto da mobilização por práticas mais éticas e plurais, em que a transformação institucional simboliza uma reparação histórica, reforçando a importância de uma Psicanálise sensível ao gênero e à sexualidade no enfrentamento da discriminação. Trevisan discute o que é ser um homem gay a partir das filmografias de Pedro Almodóvar e Karim Aïnouz, destacando as representações visuais como caminho fundamental para construir conhecimento crítico sobre a vida social, em que subjetividades são constantemente construídas e reconstruídas. Junqueira, por sua vez, nos traz um poema que perpassa as delicadas tessituras dos vínculos homoafetivos, revelando, por vezes, elementos sutis e essenciais que lhes sustentam sua permanência ou não.

Para conferir todos os posts publicados na Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Homens gays e sua representação no cinema, por Anderson Trevisan”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Psicanálise e LGBTQIA+: uma relação em construção, por Alexandro Paixão

Na última rodada de publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, trazemos textos de Alexandro Paixão (Unicamp), Anderson Trevisan (Unicamp) e um poema de Marcio Junqueira (PPGAV/UFBA).

Paixão destaca avanços na inclusão da diversidade na Psicanálise, fruto da mobilização por práticas mais éticas e plurais, em que a transformação institucional simboliza uma reparação histórica, reforçando a importância de uma Psicanálise sensível ao gênero e à sexualidade no enfrentamento da discriminação. Trevisan discute o que é ser um homem gay a partir das filmografias de Pedro Almodóvar e Karim Aïnouz, destacando as representações visuais como caminho fundamental para construir conhecimento crítico sobre a vida social, em que subjetividades são constantemente construídas e reconstruídas. Junqueira, por sua vez, nos traz um poema que perpassa as delicadas tessituras dos vínculos homoafetivos, revelando, por vezes, elementos sutis e essenciais que lhes sustentam sua permanência ou não.

Para conferir todos os posts publicados na Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Psicanálise e LGBTQIA+: uma relação em construção, por Alexandro Paixão”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Poema “Caí de moto em Luanda”, por Renato Negrão

Iniciamos o terceiro e último dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Mariana Braga (UERJ), Murilo Motta (PPGRI/USP) e um poema de Renato Negrão.

Braga discute o uso pejorativo da figura da ave para classificar pessoas LGBTQIAPN+, mostrando como a reapropriação de termos ofensivos é uma estratégia comum de afirmação identitária, sendo a ave símbolo de liberdade, exuberância e altivez. Motta destaca que, durante a “ditadura hétero-militar”, o Ministério das Relações Exteriores, para além da repressão à dissidência política, usou a patologização da homossexualidade como forma de poder disciplinar para exclusão na carreira diplomática. Já Negrão compõe um poema que, com sutilidade, explora um olhar cosmopolita sobre memórias de encontros e desencontros ocorridos com sujeitos diversos, despertados por um acidente de moto.

Não perca a última rodada de textos da Ocupação Orgulho LGBTQIANP+. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Poema “Caí de moto em Luanda”, por Renato Negrão”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Repressão moral e homofobia institucional no Itamaraty da ditadura, por Murilo Motta

Iniciamos o terceiro e último dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Mariana Braga (UERJ), Murilo Motta (PPGRI/USP) e um poema de Renato Negrão.

Braga discute o uso pejorativo da figura da ave para classificar pessoas LGBTQIAPN+, mostrando como a reapropriação de termos ofensivos é uma estratégia comum de afirmação identitária, sendo a ave símbolo de liberdade, exuberância e altivez. Motta destaca que, durante a “ditadura hétero-militar”, o Ministério das Relações Exteriores, para além da repressão à dissidência política, usou a patologização da homossexualidade como forma de poder disciplinar para exclusão na carreira diplomática. Já Negrão compõe um poema que, com sutilidade, explora um olhar cosmopolita sobre memórias de encontros e desencontros ocorridos com sujeitos diversos, despertados por um acidente de moto.

Não perca a última rodada de textos da Ocupação Orgulho LGBTQIANP+. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Repressão moral e homofobia institucional no Itamaraty da ditadura, por Murilo Motta”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Não cortem nossas asas: alegorias ornitológicas na comunidade LGBTQIAPN+, por Mariana Braga

Iniciamos o terceiro e último dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Mariana Braga (UERJ), Murilo Motta (PPGRI/USP) e um poema de Renato Negrão.

Braga discute o uso pejorativo da figura da ave para classificar pessoas LGBTQIAPN+, mostrando como a reapropriação de termos ofensivos é uma estratégia comum de afirmação identitária, sendo a ave símbolo de liberdade, exuberância e altivez. Motta destaca que, durante a “ditadura hétero-militar”, o Ministério das Relações Exteriores, para além da repressão à dissidência política, usou a patologização da homossexualidade como forma de poder disciplinar para exclusão na carreira diplomática. Já Negrão compõe um poema que, com sutilidade, explora um olhar cosmopolita sobre memórias de encontros e desencontros ocorridos com sujeitos diversos, despertados por um acidente de moto.

Não perca a última rodada de textos da Ocupação Orgulho LGBTQIANP+. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Não cortem nossas asas: alegorias ornitológicas na comunidade LGBTQIAPN+, por Mariana Braga”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Do chumbo à pluma: uma breve trajetória literária do Orgulho, por Anderson Martins

Dando continuidade ao segundo dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, publicamos os textos de Anderson Martins (UFJF) e Miguel Cunha (PPGCS/UFRRJ).

Martins, a partir dos romances Nadando no escuro (2024) e O quarto de Giovanni (1956), mostra como a literatura de minorias sexuais e étnico-raciais se ancora na realidade cultural e política. Ao ficcionalizá-la, desafia a separação entre forma e conteúdo e projeta vivências individuais que, ao serem desveladas, integram um processo coletivo de reconhecimento. Cunha, por outro lado, ao examinar os trabalhos do artista plástico Leonilson, ressalta como eles se conectam a uma subjetividade profunda, cuja vivência pessoal como homem gay imerso na intensidade da modernidade se manifesta na solidão, no vazio e no constante deslocamento presentes em suas criações, onde o espaço-tempo não determina sua representação.

Não perca as novas publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ neste final de semana. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Do chumbo à pluma: uma breve trajetória literária do Orgulho, por Anderson Martins”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Leo não pode mudar o mundo, por Miguel Cunha

Dando continuidade ao segundo dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, publicamos os textos de Anderson Martins (UFJF) e Miguel Cunha (PPGCS/UFRRJ).

Martins, a partir dos romances Nadando no escuro (2024) e O quarto de Giovanni (1956), mostra como a literatura de minorias sexuais e étnico-raciais se ancora na realidade cultural e política. Ao ficcionalizá-la, desafia a separação entre forma e conteúdo e projeta vivências individuais que, ao serem desveladas, integram um processo coletivo de reconhecimento. Cunha, por outro lado, ao examinar os trabalhos do artista plástico Leonilson, ressalta como eles se conectam a uma subjetividade profunda, cuja vivência pessoal como homem gay imerso na intensidade da modernidade se manifesta na solidão, no vazio e no constante deslocamento presentes em suas criações, onde o espaço-tempo não determina sua representação.

Não perca as novas publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ neste final de semana. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Leo não pode mudar o mundo, por Miguel Cunha”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Das camadas de arte e resistências no fazer drag tupiniqueen, por Anna Paula Vencato

No segundo dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, a BVPS publica os textos de Anna Paula Vencato (UFMG) e Denilson Lopes (UFRJ).

Vencato destaca a resiliência das drag queens marcadas pelo dinamismo de suas performances e pelo alto investimento em figurinos, além da transformação das categorias com que se definem ao longo do tempo, indicando a riqueza dos novos olhares e a constante mudança do cenário contemporâneo. Denilson, por sua vez, combinando experiência pessoal e análise cinematográfica, reflete sobre o esforço de grupos minoritários em contornar estigmas, enquanto manifesta exaustão diante do chamado cinema do cotidiano, caracterizado por clichês voltados à família e estéticas minimalistas. Para o autor, o desafio contemporâneo está em abordar o extraordinário e o excêntrico em lugar do trivial.

Não perca as novas publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ neste final de semana. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Das camadas de arte e resistências no fazer drag tupiniqueen, por Anna Paula Vencato”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Te encontro de noite no Instagram, por Denilson Lopes

No segundo dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, a BVPS publica os textos de Anna Paula Vencato (UFMG) e Denilson Lopes (UFRJ).

Vencato destaca a resiliência das drag queens marcadas pelo dinamismo de suas performances e pelo alto investimento em figurinos, além da transformação das categorias com que se definem ao longo do tempo, indicando a riqueza dos novos olhares e a constante mudança do cenário contemporâneo. Denilson, por sua vez, combinando experiência pessoal e análise cinematográfica, reflete sobre o esforço de grupos minoritários em contornar estigmas, enquanto manifesta exaustão diante do chamado cinema do cotidiano, caracterizado por clichês voltados à família e estéticas minimalistas. Para o autor, o desafio contemporâneo está em abordar o extraordinário e o excêntrico em lugar do trivial.

Não perca as novas publicações da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ neste final de semana. Para conferir o posts anteriores, clique aqui.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Te encontro de noite no Instagram, por Denilson Lopes”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | A palavra que expande: Stênio Gardel e a sua engenharia literária, por Maximiliano Torres

A BVPS Edições dá início hoje à Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Maximiliano Torres (UERJ) e Cleverson Fleming (PPGSA/UFRJ).

Torres aborda o romance A palavra que resta (2021), do escritor Stênio Gardel, que, em sua superfície, trata da homossexualidade e do amor impossível entre dois rapazes. Em profundidade, no entanto, revela, por meio das memórias de um protagonista gay, idoso, pobre e analfabeto, um retrato das múltiplas faltas que marcam a sociedade brasileira. Fleming, ao analisar o livro Coisa feita – Dois Preto apaixonado na cama (2024), de Felipe Jordan, evidencia como a obra articula amor, desejo, sexualidade e crítica social a partir das vivências de pessoas pretas no Brasil, e, nesse movimento, sua leitura crítica também revela como ao longo da tradição literária, raça, classe e gênero orientaram a inscrição de corpos e desejos na sociedade, com ciências e letras reforçando tais codificações.

Para saber mais sobre a Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, confira a apresentação aqui. Não perca as novas postagens, que serão publicadas ao longo do final de semana.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | A palavra que expande: Stênio Gardel e a sua engenharia literária, por Maximiliano Torres”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Coisa feita: elogio a uma poética no “corpus das diferenças”, por Cleverson Fleming

A BVPS Edições dá início hoje à Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Maximiliano Torres (UERJ) e Cleverson Fleming (PPGSA/UFRJ).

Torres aborda o romance A palavra que resta (2021), do escritor Stênio Gardel, que, em sua superfície, trata da homossexualidade e do amor impossível entre dois rapazes. Em profundidade, no entanto, revela, por meio das memórias de um protagonista gay, idoso, pobre e analfabeto, um retrato das múltiplas faltas que marcam a sociedade brasileira. Fleming, ao analisar o livro Coisa feita – Dois Preto apaixonado na cama (2024), de Felipe Jordan, evidencia como a obra articula amor, desejo, sexualidade e crítica social a partir das vivências de pessoas pretas no Brasil, e, nesse movimento, sua leitura crítica também revela como ao longo da tradição literária, raça, classe e gênero orientaram a inscrição de corpos e desejos na sociedade, com ciências e letras reforçando tais codificações.

Para saber mais sobre a Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+, confira a apresentação aqui. Não perca as novas postagens, que serão publicadas ao longo do final de semana.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Coisa feita: elogio a uma poética no “corpus das diferenças”, por Cleverson Fleming”

Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Apresentação + “LGBTQIAPN+ e toda sua quadrilha”, por José Gatti

A BVPS dará início, nesta semana, à Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+. O conjunto de postagens, que se estenderá ao longo do final de semana do dia 28, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, contará com a participação de pesquisadores, pesquisadoras e artistas ligados à comunidade. A Ocupação tem curadoria de Miguel Cunha (PPGCS/UFRRJ), que assina o texto de apresentação.

Abrindo os trabalhos, trazemos, junto à apresentação, um texto de José Gatti (UFSC), que interpreta o sinal “+” da sigla LGBTQIAPN+ como símbolo poético e político de abertura a identidades e desejos ainda não nomeados, desafiando a heteronormatividade e tradições religiosas repressoras, ao mesmo tempo em que convida à imaginação, inclusão e solidariedade. Gatti relembra que, antes da colonização, culturas originárias da América do Sul já reconheciam e integravam a diversidade de gênero e sexualidade em práticas espirituais e culturais; o mesmo ocorrendo, posteriormente, com tradições africanas no Brasil. No país atual, essas vozes, ainda vulneráveis, devem ocupar espaços culturais e sociais, fortalecendo uma rede de resistência que articule saberes espirituais, festivos e políticos.

Boa leitura!

Continue lendo “Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Apresentação + “LGBTQIAPN+ e toda sua quadrilha”, por José Gatti”

Lembrando o jornal Lampião da Esquina no aniversário do levante Stonewall de 28 de junho de 1970, por Peter Fry

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, a BVPS tem o prazer de publicar um texto do antropólogo Peter Fry, Professor Emérito da UFRJ, cujos trabalhos são paradigmáticos na agenda de pesquisas da homossexualidade. Refletindo sobre sua criação e participação no jornal Lampião da Esquina, surgido durante o contexto de repressão da ditadura militar, Fry destaca o papel fundamental do jornal na contestação de preconceitos e na luta pela plena realização dos homossexuais como cidadãos.

Lampião da Esquina combatia a lógica dos guetos, que, se traziam solidariedade interna aos gays, também os confinavam numa zona de conforto para a sociedade burguesa. O jornal, porém, respeitava as liberdades individuais. Não dá para dizer que essa combinação tenha deixado de existir, mas desenvolvimentos políticos recentes mais disjuntivos na agenda das identidades gays podem, mesmo que não intencionalmente, reforçar o sentido de separação e de novas formas de exclusão. O ensaio de Peter Fry combina, assim, relato de uma experiência pioneira repensada ao longo dos anos com uma visão simultaneamente engajada e crítica do presente. A emancipação não é uma linha reta, mas um caminho sinuoso, acidentado e cheio de armadilhas. Por isso, é tarefa coletiva que interliga as gerações.

Neste dia especial que celebra o aniversário da rebelião de Stonewall Inn, vale a reflexão proposta por Fry acerca da celebração de identidades específicas, a qual não deve, no entanto, estar desacompanhada da constante luta por plena cidadania no atual movimento LGBTQIA+.

Boa leitura!

Continue lendo “Lembrando o jornal Lampião da Esquina no aniversário do levante Stonewall de 28 de junho de 1970, por Peter Fry”

BVPS | Dia do Orgulho LGBTQIAPN+

Mais dois trechos do romance Stella Manhattan para celebrar o Dia do Orgulho LGBTQIA+ 2023. O Blog da BVPS faz hoje uma pequena ocupação em torno do romance pioneiro de Silviano Santiago. Publicado em 1985, Stella narra o travestimento de Eduardo/Stella e o liga à experiência de jovens brasileiros exilados em Nova York pós-1964. Assim, a narrativa cheia de dobras – inspirada nas esculturas Os Bichos, de Lygia Clark – reconfigura e redimensiona o macro e o micro entrelaçados no corpo do/a protagonista: uma sensualidade desconstrutora da ordem.

Trecho de Stella Manhattan (1985):
“Eduardo se sentia então como um saco de batatas que tinha sido atirado num canto da casa pelos pais. Não entendia a maneira radical como se distanciavam dele, desmentindo todas as teorias que eles mesmos lhe tinham inculcado desde criança sobre os laços de sangue, a união da família. Vejo a intolerância, a punição pelo silêncio e pelo distanciamento. Querem me massacrar, pensa Eduardo, quando se dava conta de que queriam se livrar dele como de um objeto cuja utilidade tinha sido perdida com o uso” (Santiago, 1985, p. 25).

[…]

“Stella era muito pouco nacionalista. Queria uma verdade política nova e libertária, de uso pessoal e coletivo, que imaginava calado sem chegar a formular, mesmo porque não seria capaz. Mais um feeling bem lá dentro, no profundo do profundo, do que um raciocínio racional e verbalizável. Foi deixando Stella sair das quatro paredes do quarto, sair de casa, descer o elevador, andar na rua, conversar com as pessoas, desmunhecar, que Eduardo foi se distanciando politicamente dos brasileiros que buscava…”(Santiago, 1985).

|Imagem: Francis Bacon (1909-92). Portrait of George Dyer Staring into a Mirror, 1967.

BVPS | Dia do Orgulho LGBTQIAPN+

No Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ o Blog da BVPS traz uma pequena série de trechos do romance Stella Manhattan, de 1985, de Silviano Santiago. Pioneiro na ficcionalização do universo trans, o livro continua sexy e potente em suas dobras ou intersecções da sexualidade com a política. Eduardo/Stella/o Brasil da Ditadura militar: nossos antepassados? Nossos contemporâneos?

([…] Percebo que – apesar do pedido de ajuda – a sua desconfiança com relação a mim persiste, e ela transparece na forma como pouco a pouco vai querendo eliminar da frase que joga no papel este seu amigo retórico e inútil para que as suas experiências pessoais – uma tarde de verão nova-iorquino em que você estava deitado na cama ao lado de David – se entreguem nuas ao papel.
“Nuas!? Você perdeu o pudor?” – grito um grito de quem se afoga.
Você, com remorso, já está disposto a me salvar da morte.
Vira-se para mim e diz que na verdade sou eu quem tem razão e que você realmente não gosta de narrativas autobiográficas. Ficção é fingimento blá-blá-blá, o poeta quem diria? É um fingidor. El poeta qua-quaquaqua-quá es un jodedor, eso si. A fucker. A motherfucker. Fode tão somente pelo prazer de escrever. Por isso é tão fodido. The novelist is a fucker who fucks only to be fucked. El novelista es un jodedor que fode só pelo prazer de escrever) Silviano Santiago, Stella Manhattan, 1985.

| Imagem: Jean Cocteau (1889-1963). “Les amoureux”, 1952.