BVPS Celebra | Em a/grade/cimento: Um Camões para Silviano Santiago

As lágrimas do gigante Adamastor salgam e submergem as embarcações que tentam atravessar o Cabo das Tormentas, como nos relata Luís Vaz de Camões no Canto V de Os Lusíadas. O escritor é um desbravador, e não apenas do que podem as palavras, mas também dos seus limites, ainda que essa luta seja, no fim das contas, a mais vã.

Silviano Santiago receberá o Prêmio Camões, a maior honraria para escritores das literaturas lusófonas. Mais do que merecido, afinal Silviano vem se consolidando, há décadas, como um dos autores ao mesmo tempo mais originais e representativos da nossa literatura contemporânea, como quem singra e luta com as palavras em sua carnalidade, usos e sentidos.

Em sua homenagem, publicamos abaixo imagem do datiloscrito de um poema feito por Carlos Drummond de Andrade para Silviano Santiago, então professor na Universidade Rutgers, Nova Jersey, nos Estados Unidos. O poeta mineiro o escreveu em “a/grade/cimento” pelo ensaio “Camões e Drummond: a máquina do mundo”, de Silviano, publicado na revista Hispania, em 1966, e incluído na última edição de Uma literatura nos trópicos.

A premiação ocorrerá amanhã, dia 14/11, às 11h, na Biblioteca Nacional, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes. Todos estão convidados. Para confirmar presença, enviar e-mail para cerimonial@bn.gov.br.

Viva, Silviano!


Reprodução a partir de original do acervo pessoal de Silviano Santiago.

Crédito da foto que abre o post: Cláudio Nadalin.