Ressurgências | Que Índio Genérico, Cara-Pálida?, por Alcida Rita Ramos e Francisco Sarmento

Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (KAAPI) revisitam a profecia do “índio genérico”, formulada por Darcy Ribeiro em Os Índios e a Civilização, neste novo texto da coluna Ressurgências.

A tese de Ribeiro antevia que os sobreviventes indígenas do processo de expansão econômica convergiriam para uma condição comum: a do “índio genérico”, destituído de grande parte de suas especificidades culturais e reduzido a uma identidade residual. A partir dessa formulação, Ramos e Sarmento constroem uma reflexão que se desdobra em dois tempos e perspectivas: a de uma europeia de nascença, que há décadas acompanha a luta dos povos indígenas no Brasil, e a de um intelectual indígena formado no “mundo dos brancos”, mas enraizado na tradição Tukano do Alto Rio Negro. De maneira eminentemente dialógica, os autores então reconhecem a importância de Darcy Ribeiro para a etnologia brasileira, mas também mostram como a vitalidade dos povos indígenas transformou o prognóstico de desaparecimento em uma história de ressurgências.

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Ressurgências | Carmen Lucia da Silva e a ressurgência do povo Xetá, por Alcida Rita Ramos e Francisco Sarmento

A coluna Ressurgências, assinada por Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (Clã yãâhi di’ipeé, KAAPI), presta homenagem à antropóloga Carmen Lucia da Silva, falecida em 26 de maio deste ano, cuja trajetória se confunde com a própria ressurgência do povo Xetá.

Em um texto marcado pela admiração, Alcida Rita Ramos recupera o trabalho da pesquisadora que reuniu sobreviventes dispersos após décadas de extermínio e desterro, contribuindo para torná-los uma Fênix dos tempos modernos. Carmen Lucia da Silva foi sua orientanda de doutorado, e Alcida teve o privilégio de acompanhar o nascimento da tese Em busca da sociedade perdida, que revelou o exercício espetacular de memória coletiva do povo Xetá, declarado extinto em 1964. A homenagem é ainda uma reflexão sobre o poder da etnologia e da persistência indígena diante de sucessivas tentativas de apagamento.

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Ressurgências | Marco Temporal e os males do indigenismo no Brasil, por Alcida Rita Ramos, com posfácio de Francisco Sarmento

Na edição de maio de Ressurgências, coluna de Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (Pós-doutorando MAE/USP), Ramos examina uma das grandes “aberrações jurídicas” do Brasil contemporâneo: a tese do Marco Temporal.

Marco Temporal e os males do indigenismo no Brasil, publicado originalmente no Anuário Antropológico 2026/51, agora corrigido e acrescido de posfácio de Sarmento, desmonta as contradições de uma tese que, ao atrelar os direitos territoriais indígenas à presença física nas terras em 5 de outubro de 1988, transforma expulsões, violências e deslocamentos históricos em argumento contra os próprios povos indígenas. Dessa forma, o que está verdadeiramente em jogo nesse esbulho, argumentam os autores, é a própria possibilidade de existência indígena diante das permanências coloniais que seguem organizando as relações entre Estado, território e poder.

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Ressurgências | Argonautas do São Francisco, por Alcida Rita Ramos, Francisco Sarmento e Felipe Tuxá

Alcida Rita Ramos (Unb) e Francisco Sarmento (Clã yãâhi di’ipeé, KAAPI) recebem Felipe Tuxá (UFBA) na edição de abril de Ressurgências, coluna que examina as ações de retomada indígena no tempo presente: de terras, de línguas, de habilidades e, acima de tudo, de dignidade. 

Em Argonautas do São Francisco, somos levados ao “Velho Chico”, rio que atravessa um sem-fim de vidas pelo interior de diferentes estados do Nordeste, e cuja existência há muito exerce efeitos simbólicos, econômicos e sociais sobre seus habitantes. No texto, Felipe Tuxá, indígena e professor de antropologia na UFBA, compartilha o ponto de vista do povo Tuxá sobre essa antiga coexistência com o Rio, que foi lamentavelmente transformada pelos arroubos autoritários de outrora, quando decidiram que o rio poderia ser represado e os habitantes desterrados de suas histórias. Assim, após décadas aguardando por uma nunca chegada demarcação de terras, Felipe Tuxá destaca as recentes conquistas e batalhas de seu povo.

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Ressurgências | Coluna de Alcida Rita Ramos e Francisco Sarmento

Ressurgências é a nova coluna de Alcida Rita Ramos (Unb) e Francisco Sarmento (Clã yãâhi di’ipeé, KAAPI) na BVPS. Juntos, eles unirão forças, mensalmente, para examinar as ressurgências indígenas: movimento que tem tomado o tempo, a energia e sustentado a esperança desses povos de reverter o esbulho dos séculos. Aqui se inicia, portanto, um longo mergulho nas ações de retomada. Ações preenchidas por esforço e convicção nos princípios ancestrais, que afloram e criam algo novo no seu ato de reconquistar. Que essa nova empreitada abra margem para conhecermos um pouco mais desse Brasil não só profundo, mas alargado, criativo, inspirador: plural como o universo.

Para uma ambição dessa magnitude, Alcida Rita Ramos, nossa colaboradora de longa data, contará com a ajuda de Francisco Sarmento, aprendiz de Sábio Tukano, doutor em antropologia, frequentador da filosofia ocidental e seguidor de sua própria tradição. Neste texto de estreia, intitulado Nossas vozes, o leitor poderá conhecê-los melhor, bem como à pŕopria coluna, que nos acompanhará sempre às sextas-feiras. Como Sarmento nos provoca, “o que acontece com a antropologia quando nós, indígenas, a encaramos, habitamos e transformamos?”. Resta ler para conferir.

Com este, completam-se 43 textos publicados por Alcida Rita Ramos na BVPS! Passando por Autorais, Desassossegos, Modulações, além de participações em outras séries e ocupações do blog. Em cada iniciativa, em cada novo texto, a presença do seu inconfundível selo de qualidade intelectual e autoria.

Boa leitura!

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