Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ | Não cortem nossas asas: alegorias ornitológicas na comunidade LGBTQIAPN+, por Mariana Braga

Iniciamos o terceiro e último dia da Ocupação Orgulho LGBTQIAPN+ com textos de Mariana Braga (UERJ), Murilo Motta (PPGRI/USP) e um poema de Renato Negrão.

Braga discute o uso pejorativo da figura da ave para classificar pessoas LGBTQIAPN+, mostrando como a reapropriação de termos ofensivos é uma estratégia comum de afirmação identitária, sendo a ave símbolo de liberdade, exuberância e altivez. Motta destaca que, durante a “ditadura hétero-militar”, o Ministério das Relações Exteriores, para além da repressão à dissidência política, usou a patologização da homossexualidade como forma de poder disciplinar para exclusão na carreira diplomática. Já Negrão compõe um poema que, com sutilidade, explora um olhar cosmopolita sobre memórias de encontros e desencontros ocorridos com sujeitos diversos, despertados por um acidente de moto.

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Boa leitura!


Não cortem nossas asas: alegorias ornitológicas na comunidade LGBTQIAPN+

Por Mariana Braga (UERJ)

Tive por três dias uma rolinha chamada Roland Barthes.

Pausei o home office por alguns minutos para desenrolar a coluna, alongar as pernas, sentir o sangue quente circulando. Lembrar que existe um corpo físico habitando as entranhas da pessoa jurídica que, de segunda a sexta-feira, constitui parte de minha identidade: mulher, cis, branca, bissexual, carioca, de classe média, leitora, escritora, revisora de textos autônoma, pesquisadora em literatura, professora, entusiasta de reggaeton e do dicionário de sinônimos etc. Desci para um breve passeio com minha cachorra, outro corpo – este ostensivamente apenas físico – também repleto de necessidades e urgências. Topamos então com a pequena ave. “Topar” é modo de dizer, pois, de tão frágil, o passarinho não aguentaria sequer um resvalo. Estava manco, sujo, à mercê. Tentava sem sucesso bater as asinhas de filhote despencado do ninho antes de receber as vitais instruções maternas de voo e aterrissagem. A cachorra farejou-o à distância e me puxou afobada em sua direção. Fosse anos atrás, creio que eu não teria parado. Na realidade, sequer haveria cachorra.

Cresci em uma família sem grande afeição aos animais, sentimento que só fui aprender a nutrir a partir da convivência com minha atual namorada, com quem venho há cerca de três anos construindo um lar – habitado por duas mulheres, a cachorra, dois gatos, uma Alexa, luz morna, muitos livros e plantas que chegam a subir pelas paredes da sala. Um contemporâneo clichê da sáfica tradicional família brasileira.

Na infância, minha principal referência familiar de amor aos bichos era meu tio. Advogado, semicuritibano, tutor de gatos e cachorros, então ajuntado com meu outro tio – de consideração. Namoro e, quando se tornou possível, casamento que duraram mais de 25 anos, iniciados muito antes de eu me entender por gente. Hoje divorciados, compunham ali seu próprio núcleo familiar, no qual talvez os animais de estimação tivessem sido substituídos, ou somados, a filhos se os tempos fossem outros. Se fossem estes de agora. Se fossem os de um futuro, quem sabe, menos hostil.

Meus tios definitivamente não tiveram qualquer “culpa” de a sobrinha se relacionar com outras mulheres. No entanto, tiveram, sim, uma grande parcela de responsabilidade no fato de eu nunca ter me sentido mal comigo mesma por isso. Medos sempre há, e creio que, infelizmente, sempre haverá. Sobretudo o medo de enfrentar o olhar decepcionado de alguém importante para você, o medo do desamor. No entanto, tive a sorte de acompanhar de perto o vínculo dos dois, compreendendo aos poucos que tipo de amor era aquele, tão simples, tão bonito como qualquer outro, tão natural quanto a luz do dia. Até chegar o momento em que identifiquei em mim essa mesma pulsão a gostar também de pessoas do mesmo gênero que o meu. Graças à convivência com meus tios, para além do medo da não aceitação, pude sentir um orgulho genuíno; a princípio não tanto de ser quem eu sou – o orgulho da resistência se constrói com o tempo –, mas de ter algo em comum com quem tanto admiro.

Certo dia, poucos anos atrás, em suas férias no Rio de Janeiro, levei-os para conhecer a biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura, onde tive o prazer de frequentar aulas no doutorado em Letras Vernáculas, na área de Literatura Portuguesa. Sem pensar, juntei dois universos que dizem respeito a muito do que sou. Minha escolha pela pesquisa acadêmica em literatura e minha consciência como pessoa marcada pelo carimbo LGBTQIAPN+. Dois universos que nada mais são do que minha maneira de expressar amor e desejo: pelas palavras, pelas pessoas. O único jeito como sei viver.

Roland Barthes – o teórico, não o passarinho – propõe a seguinte elucubração no final de sua Aula inaugural da cadeira de semiologia no Colégio de França:

Percebi então com estupefação (só as evidências podem estupefazer) que meu próprio corpo era histórico. […] meu corpo é bem mais velho do que eu, como se conservássemos sempre a idade dos medos sociais com os quais o acaso da vida nos pôs em contato. Portanto, se quero viver, devo esquecer que meu corpo é histórico, devo lançar-me na ilusão de que sou contemporâneo dos jovens corpos presentes, e não de meu próprio corpo, passado. Em síntese; periodicamente, devo renascer, fazer-me mais jovem do que sou. […] Empreendo, pois, o deixar-me levar pela força de toda vida viva: o esquecimento (Barthes, 2007: 44-45).

Considero fundamentais duas disposições de espírito frente à vida condensadas nessa passagem. Barthes apresenta uma percepção diacrônica e uma sincrônica da própria existência histórica, representada pela matéria orgânica, composta de carne e osso, e por algo de inorgânico que pode ser compreendido como uma consciência ou uma espécie de inconsciente coletivo. Diacronicamente, carregamos os mesmos receios, angústias, traumas, as mesmas cicatrizes de nossos antepassados, impressas em nossa própria pele ainda antes de nascermos. Apesar dessa condição inata, devemos sincronicamente atualizar nossa existência dia após dia diante de nós mesmos e dos outros corpos que circulam compartilhando conosco este recorte temporal em que estamos inseridos, projetando ainda nosso ser para aquilo que está por vir, para uma potência de futuro. Trata-se, porém, de uma ilusão. De uma escolha enviesada para uma identificação com seus pares e com a atualidade circundante que movimente uma pulsão de vida, um estar ativamente imerso no instante presente.

A antropóloga e historiadora Lilia Schwarcz define o momento diacrônico como “quando muitas temporalidades convivem a partir de um presente que relembra o passado. Pelo passado que convoca o presente” (Schwarcz, 2024: 65). Embora pareça a princípio contraditório justapor este trecho – que descreve uma rememoração do passado a partir de uma confluência sincrônica – ao de Barthes – que propõe que o esqueçamos em prol do presente –, acredito que ambos compõem um oxímoro que impulsiona para um resultado em comum: a presença incontornável e sensível do passado deve servir como força propulsora para a construção coletiva do presente e do futuro. Não devemos melancolicamente cultivar os medos sociais herdados, de modo a estagnar o curso natural da (nossa) história, mas sim deixar – e lutar para – que essa potência nos incite a projetar um bem-viver.

No contexto destas minhas reflexões, percebo esse movimento como uma grata e respeitosa saudação àqueles que, com bravura e graves queimaduras, acenderam os archotes e prepararam o solo desta trilha ainda cheia de afiadas pedras pelo caminho, facilitando em muito nossa trajetória. Em resposta a esse aceno, recebemos a convocação para prosseguirmos, tão firmes quanto possível, vivendo esta “vida viva” de que fala Barthes.

Bem, não foi difícil chegar ao nome: rolinha, rola, Roland – Barthes. Incorri no engano de resgatar a pequena criatura silvestre da rua e trazê-la para casa, com a leviana intenção de protegê-la de possíveis predadores. Tentei alimentá-la e fortalecer sua saúde até que estivesse pronta para voltar a enfrentar os perigos do mundo lá fora. Faleceu no terceiro dia. Pois, se arrependimento matasse, seríamos então dois corpos finados: o dela e o meu – uma tragicamente literal releitura da morte da autora. Três corpos, se contarmos com minha companheira, que tomou parte no desvario.

Descobri recentemente que, em algumas regiões hispanófonas da América Latina, a palavra “pájaro” (em português, pássaro) é utilizada como um termo pejorativo para se referir a membros da comunidade LGBTQIAPN+ que expressam com mais liberdade e obviedade suas identidades de gênero e sexualidades. Mais comumente, como referência a homens homossexuais vistos como performáticos ou “espalhafatosos”. O porto-riquenho Lawrence La Fountain-Stokes, professor do departamento de Cultura Americana da Universidade de Michigan, em seu artigo “Queer ducks, Puerto Rican patos, and Jewish-American feygelekh: Birds and the cultural representation of homosexuality”, especula que o uso de vocábulos como “pássaro(a)” e “pato(a)” como referências à homossexualidade e à transgeneridade em países caribenhos – como Cuba, República Dominicana, Honduras, México, Porto Rico e Venezuela – pode estar relacionado à expressão “tener plumas” ou “tener plumero”, que conota justamente essa ideia de ser afeminado. Outra possibilidade seria uma associação estereotipada com o andar requebrado do pato, ave vernaculamente utilizada como ofensa homofóbica também nos Estados Unidos – “queer duck” – e na Inglaterra – “duckie”. Seja qual for a verdadeira origem, está sempre implícita a acusação de um exibicionismo inapropriado, de uma personalidade histriônica.

Não era o caso da pobre rolinha. Esta vivera sua curta existência camuflada. Primeiro, confundindo-se com as folhas secas da calçada, tendo sido descoberta apenas pelo enxerido faro da cachorra. Depois, entocada na caixa de sapatos que lhe serviu de abrigo improvisado durante o período em que a hospedei em minha casa. Parecia que se encolhia mais a cada pio que deixava escapar, arrependida de confessar sua existência. Em uma escala ornitológica, estaria menos para um pássaro emplumado do que para o patinho feio; no entanto, com um final bem menos feliz.

Em seu estudo, La Fountain-Stokes corrobora a percepção exposta pelo ensaísta João Silvério Trevisan acerca da sexualidade do dinamarquês Hans Christian Andersen, autor da versão original de O patinho feio, publicado pela primeira vez em 1844. Segundo Trevisan, a história se trataria da “expressão fantasiosa do desajustamento de um homossexual: o patinho feio era, de fato, seu próprio autor” (Trevisan, 2002: 263). O fato é que o conto aborda problemáticas bastante comuns a comunidades à margem da norma, incluindo a LGBTQIAPN+. Os sentimentos de inapropriação, de inadequação, de deslocamento, de insuficiência, de não pertencimento a um núcleo familiar ou social, a incompreensão alheia, as máscaras que aprendemos a vestir. Não à toa o personagem de Andersen é até hoje reiteradamente recuperado em diversas adaptações artístico-literárias. La Fountain-Stokes destaca entre elas o desenho animado e livro infantojuvenil The sissy duckling, do ator e escritor estadunidense Harvey Fierstein, em que Elmer, um patinho diferenciado, é rejeitado pelo pai, também líder do bando, e por colegas da escola porque prefere brincadeiras e tarefas consideradas femininas – como culinária e atividades artísticas – àquelas consideradas masculinas – como jogar baseball. Desapontado com seus comportamentos, em sua visão, reprováveis, Papa Duck o chama de “sissy” – maricas, bichinha, viadinho. Ao ser questionada por Elmer, a apaziguadora Mama Duck lhe explica o significado do termo: “Sissy is a cruel way of saying that you don’t do things the way others think you should”[1] (Fierstein, 2002: 16), em um sábio redirecionamento do foco do problema para o agressor e suas expectativas, e não mais para a vítima.

Figura 1: Fierstein, 2002
Tradução livre: “Eles saltaram sobre troncos caídos, atravessaram poças d’água, se enroscaram em galhos e saltaram por cima de um riacho. Elmer estava tão apavorado que mal conseguia respirar. Nem quando finalmente chegou à sua casa. Nem quando entrou no seu quarto. Nem mesmo quando trancou a porta e se escondeu embaixo da cama. Ainda assim, sozinho no escuro, Elmer não tinha paz”.

Os conflitos e agressões levam o pequeno pato a se sentir devastadoramente deslocado, sem lugar seguro no mundo, desabrigado até mesmo dentro de si. Como consequência, Elmer foge de casa no meio da noite em busca de um novo lar. A releitura, entretanto, assim como o conto original, apresenta um desfecho otimista: Papa Duck é baleado por caçadores e The sissy duckling usa suas habilidades domésticas para o salvar da morte durante um inverno rigoroso, em que todos os outros patos migraram para o sul. Ao retornarem, Elmer é aclamado por sua bravura e lealdade, mas não barganha a aceitação do bando nem se furta a deixar claro seu posicionamento e amadurecimento pessoal: “I want to make one thing perfectly clear: I am the same duck I have always been. I have not changed. I am a BIG SISSY and PROUD of it!”[2] (Fierstein, 2002: 42). La Fountain-Stokes pontua que, diferentemente da história de Andersen, nesta versão a mudança não advém de fora para dentro – da aprovação externa decorrente de mudanças físicas no patinho –, ela ocorre em sentido inverso, partindo de dentro para fora. De maneira que acompanhamos um processo heroico de empoderamento e construção do senso de amor-próprio que culmina na reapropriação e ressignificação do insulto tantas vezes recebido, agora hasteado como bandeira cintilante frente à comunidade. The sissy duckling não se torna um belo e imponente cisne, apenas se assume e passa a ter orgulho do pato que é.

Figura 2: Fierstein, 2002.
Tradução livre: “Com o passar dos anos, Elmer aprendeu que ele não era tão diferente assim. No mundo lá fora, conheceu muitos outros patos iguaizinhos a ele. // Não, Elmer não era muito diferente, mas ele continuou sendo para sempre especial”.

É comum o movimento político de reapropriação semântica de palavras utilizadas para ofender determinados grupos minoritários, que passam a utilizá-las entre si como reafirmação autônoma de suas identidades. No caso de “pato(a)” e “pájaro(a)” na América Caribenha, La Fountain-Stokes elenca, na conferência “De un pájaro lxs dos patas: junte de pajarerías poéticas entre República Dominicana y Puerto Rico”, alguns outros títulos de autores LGBTQIAPN+ que reescrevem suas próprias histórias – os quais apresento aqui como referência e singelo aceno aos parceiros de luta e de ofício: La última aventura del patito feo, de Alfredo Collado Martell; Pato salvaje, de Alfredo Villanueva; La patita fea, de Frances Negron-Muntaner; “Mejor puta que pata”, de Lissette Norma; Pájaros de la playa, de Severo Sarduy; Estaba la pájara pinta sentada en el verde limón, de Albalucía Ángel; além de Abolición del pato, do próprio La Fountain-Stokes.

Embora no Brasil esses termos não carreguem a conotação de ataque preconceituoso a sexualidades e identidades de gênero vistas como transgressoras, também aqui a imagem do pássaro é utilizada por diversos artistas da comunidade LGBTQIAPN+ para além da óbvia associação à expressão da liberdade do voo. As plumas, as cores, a combinação entre delicadeza e altivez, a extravagância de não se restringir ao domínio da terra, ainda que sejam as aves classificadas como animais terrestres.

Exemplos disso são alguns trabalhos do artista plástico mineiro Rodrigo Mogiz, formado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que utiliza a técnica do bordado criativo para representar cenas relacionadas ao universo LGBTQIAPN+. Segundo Douglas Ferreira, professor do Curso de Letras da Universidade Federal do Amazonas (UFAM):

O artista perfura o tecido com alfinetes coloridos, por vezes essa incisão fere o próprio corpo dos personagens, aproxima-se demais da boca, do rosto, das mãos, do coração, reafirmando no detalhe essa tensão entre uma primeira visagem de afeto e orgulho, e uma segunda, de violência, preconceito e agressividade (Ferreira, 2022).

Na obra Over the rainbow, beija-flores com as cores do arco-íris parecem namorar entre si enquanto voam ao redor de um coração texturizado e manchado por um material marrom, entranhado, que escorre pela parte de baixo. A agulha de bordar fincada no centro do órgão parece reforçar a materialidade perfurante dos pássaros cujos beijos se confundem com afiadas bicadas. Já em Rapaz andorinha, as aves se confundem com tatuagens no corpo do homem representado, ao mesmo tempo que parecem tecer as linhas que compõem sua figura em uma revoada que mistura interior e exterior do sujeito. Tanto o semblante do rapaz quanto a caveira alada cosida em seu peito nos fazem desconfiar de que talvez nem tudo seja tão idilicamente colorido quanto aparenta à primeira vista.

Já as aquarelas da exposição Por enquanto pássaros, de Efe Godoy – artista visual míope transvestigênere, como ela se denomina –, trazem figuras ornitológicas que se misturam com plantas formando criaturas que parecem pertencer a um mundo maravilhoso. A artista, natural de Sete Lagoas (MG), considera-se uma pessoa de “existência híbrida” (Godoy, 2022) e expressa esse sentimento e percepção da vida ao conceber essa espécie de universo mítico em que fauna e flora partilham da mesma morfologia. Mesclam-se também a graciosidade e a estranheza desses seres que talvez tenham precisado criar para si um simbólico novo lar, uma casa reinventada – bem como The sissy duckling –, para construir uma nova autoimagem e alçar voos mais altos.

Ao longo de minha trajetória pessoal e acadêmica, tenho tido o privilégio de circular por espaços em que, grande parte do tempo, consigo vivenciar de modo mais ou menos harmonioso o fato de pertencer à comunidade LGBTQIAPN+, bem como posso escolher tratar como temas transversais questões relacionadas a gênero e sexualidade. Opção tomada inconscientemente, talvez por um instinto de autopreservação que acaba me mantendo muitas vezes protegida dentro das chamadas bolhas socioculturais; de maneira que minhas pesquisas anteriores nunca se centraram especificamente neste tópico. Erro meu. Escrever este ensaio foi uma grata oportunidade de voltar o olhar para mim mesma e para meus companheiros de luta – essa exuberante e diversa passarada com quem desejo habitar novos lares, com quem desejo construir novos ninhos que possam servir de pouso, de repouso, e originar tantas outras revoadas.


Notas

[1] Tradução livre: “Sissy é um jeito cruel de dizer que você não faz as coisas do jeito que os outros pensam que você deveria fazer”.

[2] Tradução livre: “Quero deixar uma coisa muito clara: eu sou o mesmo pato de sempre. Eu não mudei. Eu sou um GRANDE SISSY e tenho ORGULHO disso!”.

Referências

BARTHES, Roland. (2007). Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada dia 7 de janeiro de 1977. São Paulo: Cultrix, 2007.

FERREIRA, Douglas. (2022). O ateliê de Rodrigo Mogiz. Revista Cupim, 11 jul. Disponível em: https://www.revistacupim.com.br/post/o-ateli%C3%AA-de-rodrigo-mogiz. Acesso em: 30 maio 2025.

FIERSTEIN, Harvey. (2002). The sissy duckling. Nova York: Simon & Schuster Books for Young Readers.

GODOY, Efe. (2025). híbridas hídricas. Série de aquarelas, 15 x 15 cm, 2020. Disponível em: https://www.premiopipa.com/efe-godoy. Acesso em: 30 maio 2025.

GODOY, Efe. (2022). PIPA 2022 | Efe Godoy. [S.l.]: Prêmio PIPA. 1 vídeo (2 min 41 s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h8-P9OlGONs. Acesso em: 30 maio 2025.

GODOY, Efe. Tô voando alto. (2023). Série de aquarelas, 2023. Disponível em: https://www.instagram.com/p/C1PYhruM7i7/?img_index=1. Acesso em: 30 maio 2025.

MOGIZ, Rodrigo. Over the rainbow. Bordado e guache sobre papel texturizado, 20 x 15 cm, 2018. Disponível em: https://www.instagram.com/atelie_mogiz/p/Cpm6164OfYC/. Acesso em: 30 maio 2025.

MOGIZ, Rodrigo. (2018). Rapaz andorinha. Bordados sobre tecido, 46 x 50 cm, 2015. Disponível em: https://www.flickr.com/photos/rodrigo-mogiz/33939025462/. Acesso em: 30 maio 2025.

LA FOUNTAIN-STOKES, Lawrence. (2021). De un pájaro lxs dos patas: junte de pajarerías poéticas entre República Dominicana y Puerto Rico. 2021. Conferência. Disponível em: https://larrylafountain.blogspot.com/2020/06/de-un-pajaro-lxs-dos-patas-junte-de.html. Acesso em: 30 maio 2025.

LA FOUNTAIN-STOKES, Lawrence. (2007). Queer ducks, Puerto Rican patos, and Jewish-American feygelekh: birds and the cultural representation of homosexuality. Centro Journal, New York, v. 19, n. 1, p. 192-229.

SCHWARCZ, Lilia. (2024). A sensibilidade num repente: o mundo viaja numa tela. In: NOVAES, Adauto (Org.). Mutações: a sensibilidade e a construção do mundo. São Paulo: Edições Sesc São Paulo.

TREVISAN, João Silvério. (2002). De como os mortos regem os vivos. In: TREVISAN, João Silvério. Pedaço de mim. Rio de Janeiro: Record.

Mariana Braga é doutora em Letras Vernáculas, na área de Literatura Portuguesa, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também cursou o mestrado, na mesma área, e a graduação, em Letras Português-Literaturas. Desde o final da graduação (2014), dedicou-se como pesquisadora da Cátedra Jorge de Sena aos estudos em literaturas de língua portuguesa e, mais especificamente, à obra de Helder Macedo, que seria também o tema de sua tese, sobretudo em sua vertente crítica e ensaística. Atualmente, está cursando um pós-doutorado em Literatura Comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), cujo tema é “Diálogos críticos: sobre modos de ensaiar o ensaísmo”.