
Diante de um presente convulsionado por crises ambientais, políticas e sociais, o que pode a sociologia? Com essa pergunta que nos ronda, inauguramos o simpósio A sociologia e o contemporâneo, uma parceria entre a BVPS e a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS).
Organizado por Maurício Hoelz, editor responsável pela BVPS, e Edna Castro, presidente da SBS, a iniciativa integra os preparativos para o 22º Congresso Brasileiro de Sociologia, cujo tema é “O mundo contemporâneo desafia a sociologia”. Sociólogas e sociólogos brasileiros foram convidados a responder a quatro perguntas que dialogam com as questões centrais do congresso. Não se tratou tanto de uma consulta a especialistas, mas sobretudo de pensar as questões em conjunto com e na sociologia brasileira.
As contribuições serão publicadas semanalmente, às segundas-feiras, até às vésperas do congresso. No primeiro post, além da apresentação, contamos com as reflexões de Clara Araújo (UERJ), Irlys Barreira (UFC) e Antonio Sérgio Guimarães (USP).
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Apresentação – A sociologia e o contemporâneo
É com vivo entusiasmo que inauguramos o simpósio A sociologia e o contemporâneo, resultado de mais uma parceria entre a BVPS e a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS). A iniciativa integra os preparativos para o 22º Congresso Brasileiro de Sociologia, cujo tema é “O Mundo Contemporâneo desafia a Sociologia”, e foi organizada por Maurício Hoelz, editor do Blog, e Edna Castro, presidente da SBS. Não se tratou tanto de uma consulta a especialistas, mas sobretudo de pensar as questões em conjunto com e na sociologia brasileira.
O que significa, afinal, pensar o contemporâneo pela perspectiva sociológica? Longe de uma constatação cronológica ou de uma adesão imediata à atualidade, trata-se de enfrentar, com o repertório crítico acumulado da disciplina, as mudanças radicais que afetam os sistemas sociais, os processos culturais e as diferentes formas de vida, humanas e não humanas. Nesse sentido, a categoria “crise” – tão disseminada quanto esvaziada – demanda ser qualificada sociologicamente: como estrutura de sentimento, como sintoma de transformações sistêmicas ou como operação ideológica que mascara conflitos e interesses.
Como ressalta a apresentação do Congresso a se realizar de 15 a 18 de julho em São Paulo, “os usos da Inteligência Artificial, a vida subjetiva e coletiva organizada por meio de redes digitais, o aquecimento global e a piora da qualidade do ar, a elevação do nível dos oceanos, a fragilidade dos meios e instrumentos de proteção ambiental, a circulação de vírus antes desconhecidos colocando em risco a vida de milhares de seres humanos demandam rápidas respostas baseadas na ciência, justamente no momento em que o conhecimento científico é colocado sob suspeição. […] Novas e crescentes desigualdades de vários tipos, em grande medida estimuladas pela desagregação das relações de trabalho e pela concentração dos meios de apropriação de bens materiais e simbólicos escassos, limitam drasticamente a possibilidade de uma vida digna a amplos grupos sociais. Além disso, formas contemporâneas de integração social, como o multiculturalismo e políticas de afirmação de gênero, sexualidade e de religião estão ameaçadas pelo extremismo político que passa a pautar novas formas de intolerância”.
Somadas aos negacionismos do presente, que também se encarregam de reescrever o passado, essas mudanças sociais compõem um cenário em que o dispositivo moderno de racionalidade, que está na base da sociologia como uma autoconsciência reflexiva e crítica da modernidade, parece tensionado até seus limites. Nesse contexto inaudito, a sociologia está confrontada a repensar sua posição no sistema de diferenciação funcional, como diria Niklas Luhmann, uma vez que o seu código comunicacional se vê desafiado por uma aceleração dos sistemas de mídia, da economia e da política que reduz a temporalidade da crítica. A sociedade observa-se a si mesma em tempo real, mas a reflexividade institucionalizada, que a sociologia representa, não é capaz de acompanhar essa velocidade. Há, assim, uma defasagem estrutural entre a emergência dos problemas e a capacidade de elaborá-los conceitualmente.
Um espectro ronda o mundo: a ascensão em escala inédita da extrema direita com legitimação popular (em cuja cadeia o Brasil constitui um dos elos fortes). Florestan Fernandes já alertava para o risco de uma ciência social que perdesse sua função crítica, reduzida à tecnocracia ou à reiteração de modelos gastos. Tantos giros e viradas teóricas contemporâneas na sociologia têm produzido uma rotação de perspectivas à altura dessa e outras emergências históricas ou apenas vertigem intelectual? Nesse momento, em que o pacto democrático corre iminente risco de ruptura sob as crescentes ondas de autoritarismo e ressentimento social, e em que as desigualdades atingem níveis escandalosos com a desagregação das formas tradicionais de trabalho e pertencimento, torna-se urgente recuperar a vocação pública da sociologia como um saber comprometido com a dignidade humana, a justiça social e o mundo compartilhado.
Para nós sociólogos, a sociologia é uma perspectiva que busca deslindar o diferencialmente social na sociedade, ao lado do econômico, do político, do cultural etc. Mas é também uma construção histórica que, em cada momento e sequência particulares, implica um modo específico de relacionamento entre o já conhecido e experimentado como passado e as possibilidades que se abrem, mas nem sempre se mostram, ao presente e ao futuro como horizonte de expectativas. Como propõe Giorgio Agamben, contemporâneo é aquele que consegue ver a escuridão do seu próprio tempo, aquilo que está invisível, ofuscado pelas luzes ou oculto pelas sombras que o presente projeta. Portanto, ser contemporâneo significa, paradoxal e anacronicamente, não coincidir plenamente com o presente – como que observa a luz das estrelas –, de forma a, nesse descompasso, poder observá-lo criticamente, e detectar nele as contingências que ainda não se realizaram. Como nos lembra Georges Didi-Huberman em A sobrevivência dos vaga-lumes, ser contemporâneo é também saber reconhecer os pequenos brilhos de resistência que ainda cintilam na noite mais densa. A tarefa da sociologia, assim, não é apenas diagnosticar a crise, mas manter viva a atenção às luzes frágeis e intermitentes que anunciam, em meio à catástrofe, outras formas possíveis de mundo.
O simpósio convidou sociólogas e sociólogas brasileiros a refletirem sobre o contemporâneo e a repensarem o papel da sociologia frente a seus desafios. Agradecemos aos colegas que aceitaram participar desta difícil empreitada. As respostas serão publicadas de três em três, sempre às segundas-feiras, até o início do congresso da SBS em julho. No primeiro post, trazemos as respostas de Clara Araújo (UERJ), Irlys Barreira (UFC) e Antonio Sérgio Guimarães (USP).
1. O 22º Congresso Brasileiro de Sociologia discutirá os desafios e as crises do contemporâneo. Quais os desafios atuais que você incluiria na agenda da sociologia? Como qualificar a ideia de crise sociologicamente?
Clara Araújo: 1.1. Creio ser necessário retomar o esforço que marcou a produção da teoria social entre as décadas de 1980 e 1990. Nesse sentido, destaco alguns desafios: articular categorias sociológicas centrais que, frequentemente, são abordadas de forma meio apartadas: duas clássicas – a estratificação social e a desigualdade social – e uma mais contemporânea – a diversidade. Essa articulação pode nos ajudar a compreender o sujeito do século XXI e o que o constitui e o caracteriza como comunidade social e política; outro desafio é o tratamento das dimensões do local e do global, do contextual e do geral, mantendo as especificidades materiais e culturais, mas recuperando a perspectiva universalista. Esta perspectiva me parece essencial para responder à clássica questão “o que caracteriza a sociedade como sociedade?”, permitindo-nos entender os elementos comuns à vida social.
1.2. As crises remetem a um certo grau de interrupção nos padrões e ritmos das relações sociais, variando em sua abrangência. Contudo, a caracterização de uma situação como crise depende em parte da perspectiva sociológica adotada. Por exemplo, se as mudanças sociais são vistas como processo evolutivo que aprimora comportamentos, a interrupção desse processo pode ser interpretada como uma patologia, indicando ruptura em padrões sociais estáveis. Por outro lado, uma crise também pode ser entendida como um momento de inflexão ou exacerbação de práticas e necessidades que se afastam das regularidades, em dinâmicas sociais que são, por natureza, instáveis e contingentes. Sob essa ótica, a crise revela a recorrência de ambientes excepcionais, porém constitutivos da vida social, exigindo ações diferentes daquelas habituais. Um exemplo que ilustra essa questão é a expressão “crise da família”. As ciências humanas demonstraram que não existe um modelo de família estável. Assim, a expressão “crise da família” geralmente evoca a ideia de um tipo de família como padrão atemporal, uma concepção que frequentemente está impregnada de pressupostos morais, em vez de sociológicos.
Irlys Barreira: Acredito que hoje, mais do que nunca, a sociologia enfrenta os desafios de um mundo de grandes transformações que interpela o diálogo multidisciplinar e a necessidade de rever e ampliar categorias de interpretação. Mesmo que a sociologia tenha rompido com categorias evolutivas sobre a dinâmica da vida social havia uma certa crença na primazia do coletivo sobre as prerrogativas individuais, no sentido de uma lógica civilizatória, ou uma percepção da força da modernidade sobre o pensamento obscurantista. A volta de comportamentos e lógicas que parecem pertencer a outros tempos, a presença complexa da inteligência artificial, o crescimento das direitas e as ameaças de catástrofes ambientais e epidemias constituem temas impactantes para a sociologia nos tempos atuais.
Antonio Sérgio Guimarães: O variado corpo teórico e metodológico da sociologia foi forjado na França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, para investigar sociedades modernas, ou seja, sociedades de indivíduos, não de etnias, convivendo num Estado-nação. De certo modo, embora rejeitasse a normatividade e abraçasse a análise de fatos e dados empíricos, teve como pressuposto essa utopia plenamente normativa de modernidade. As crises da sociologia, portanto, fazem parte de sua história, uma vez que etnias, raças, famílias e variadas classes desafiaram sempre a explicação sociológica baseada no pressuposto do indivíduo, de seu livre arbítrio e de sua interação social. Essas crises teóricas foram superadas em grande parte porque o estudo da antiguidade e de sociedades africanas, asiáticas e americanas acontecia paralelamente, feito por ciências sociais irmãs, como a antropologia, a história e a psicologia social, fora do marco do Estado-nação. Essas outras ciências revitalizaram métodos e técnicas de observação, e relativizaram consensos teóricos construídos a partir das sociedades europeias centrais. Nosso desafio hoje é entender as sociedades totalitárias, os grandes grupos criminosos controlando grandes territórios, a manipulação dos desejos e das personalidades individuais por meio de técnicas de marketing etc., formações que se desenvolvem e crescem no seio das próprias sociedades modernas centrais. Acrescente-se a esses desdobramentos um fator decisivo: pela primeira vez, as sociedades capitalistas centrais da Europa e sua extensão norte-americana deixam de ser brancas, ou sentem-se ameaçadas de deixar de sê-lo, o que decorre paralelamente à ameaça real à sua hegemonia econômica e política. A crise – a falência relativa do corpus teórico e metodológico – é dupla e decorre tanto da ameaça à centralidade da sociedade capitalista individualista (com o surgimento de estados rivais totalitários), como do desenvolvimento de formações totalitárias que reduzem o livre arbítrio no seio da modernidade.
2. Qual o papel da Sociologia diante, por exemplo, da emergência climática e dos desafios da democracia?
Clara Araújo: 2.1 Em relação à emergência climática, diversos recortes de investigação que vêm sendo adotados são importantes. Acredito ser necessário explorar mais as causas e consequências da intervenção humana, os padrões culturais de consumo e as percepções sociais sobre necessidades materiais e afetivas, conforto e bem-estar humanos; compreender a ação de agentes políticos, quais os interesses e o que os orienta na tomada de decisões; e estimular as pesquisas sobre os impactos das inovações tecnológicas sobre as coletividades e a participação destas na formulação de políticas ambientais. Ainda, pesquisas comparadas sobre políticas públicas e ações coletivas podem contribuir para compreender o interesse e o poder das intervenções governamentais, experiências que funcionam e tendências internacionais. Estes são apenas alguns dos exemplos possíveis para este espaço.
2.2 Acompanhamos o impacto dos valores e das crenças conservadoras sobre o que tem sido chamado de crise da democracia contemporânea. Países com instituições democráticas sólidas estão sendo desmontados por dentro, sem prescindir, porém, da legitimidade popular, via eleições, que são cada vez mais marcadas por pautas sociais, religiosas e morais, além de econômicas. A democracia liberal, forma hegemônica da democracia, sofre descrédito sob diversos aspectos. Compreender esses processos envolve analisar as instituições políticas, mas também explorar outros fatores que respondem por essa tendência. Têm sido central investigar a relação entre instituições representativas e atores sociais – cidadãos comuns, movimentos organizados e elites –, os valores atuais que formam as percepções coletivas e ideologias e sua relação com necessidades materiais e os pertencimentos políticos. As investigações sobre participação política – quem participa, como participa, por que participa ou não participa, o que propicia e orienta agendas coletivas – fazem parte da contribuição sociológica para o entendimento das democracias contemporâneas. A sociologia política e a tradição da teoria crítica, a sociologia dos movimentos sociais, os estudos feministas são exemplos de abordagens que possibilitaram compreender os limites das democracias contemporâneas.
Irlys Barreira: A sociologia precisa romper o dualismo entre sociedade e natureza que de algum modo foi constitutivo da construção de um saber sobre o mundo social. A emergência climática nos faz questionar um etnocentrismo ou um antropocentrismo baseado na dominação do homem sobre o mundo como se ele também não fizesse parte de um complexo mais amplo que denominou “natureza”. É a ameaça de extinção que impõe uma revisão sobre as formas do poder do homem sobre o mundo e um descentramento sobre as categorias de interpretação do mundo social. Há também forças obscuras e inconscientes que persistem no tempo, haja vista as guerras e tudo de aterrorizante que volta hoje com intensidade.
A democracia como forma mais eficaz de gestão da vida social necessita rever princípios que não se reduzem a simples “decisão da maioria”. Uma reflexão sobre a dimensão inacabada da democracia pode ajudar na busca de aperfeiçoamento e reflexão profunda sobre seu significado ao longo da história. Penso a democracia como processo inacabado na perspectiva apontada por Nobert Lechner.
Antonio Sérgio Guimarães: Para a sociologia, entender a irracionalidade dos agentes sociais passou a ser o principal desafio. Esse problema é tratado comumente como consequências não esperadas da ação coletiva, mas deve ser ampliado para tratar seja a manipulação sistemática de informações, seja as consequências da ação temporalmente muito distante ou sem possibilidade de atribuição de responsabilidade individual. Os interesses e a consciência social se movem em direção conscientemente catastrófica apenas para sujeitos que não estão diretamente implicados nas ações diretas que são objeto de estudo. Os produtores agrícolas podem achar, por exemplo, que o custo do combate ao aquecimento global deve recair apenas sobre os usuários da aviação, ou vice-versa. Do mesmo modo, grupos estabelecidos em posições de poder num regime democrático podem não perceber que o regime político não absorve demandas de outros grupos, que se veem preteridos e fora do sistema. Isso tem acontecido em graves crises de acumulação capitalista, levando alguns setores a preferir regimes totalitários. Na crise atual, um setor chave na formação de consenso e na produção e difusão de informações – as corporações de alta tecnologia – podem preferir uma saída autoritária. Enquanto sociólogos, nossa tarefa é entender essas configurações de poder e as possibilidades de ação e seus desafios.
Dois fenômenos novos que estão ocorrendo tensionam os nossos paradigmas clássicos: a desindustrialização e a relativa perda de hegemonia cultural dos centros urbanos vis-à-vis as grandes áreas do agronegócio. São valores, gostos, sensibilidades nutridas nesse novo meio que passam a concorrer com aqueles que se alimentam da vida nas grandes metrópoles tradicionais.
3. Considerando que a inovação não se realiza num vazio de interpretações, que formulações e proposições podem nos ajudar a compor um repertório afiado para lidar com esses fenômenos multidimensionais?
Clara Araújo: Sugiro temas como: i) a inovação como processos e técnicas intrínsecos à história humana e às dimensões das necessidades; ii) o problema da produção, distribuição e acesso ao conhecimento: quem detém conhecimento e controla sua disseminação; iii) a questão dos interesses políticos e econômicos envolvidos nos mecanismos de estímulos à inovação e as políticas públicas daí derivadas; iv) as consequências dos processos de inovação e a discussão sobre progressos tecnológicos e economia; v) as implicações das inovações sobre indivíduos em suas interações sociais e afetivas; vi) o uso da inovação como meio para a produção do conhecimento sociológico.
Irlys Barreira: Considero as formulações de Claude Lefort sobre a ideia do poder como um lugar vazio muito relevantes. Essa percepção abre a possibilidade de separar o lugar do poder de seus ocupantes, remetendo à importância do plano simbólico em seu constante refazer-se.
As formulações de Edgar Morin são também importantes para pensar os saberes que se especializaram para afirmar um espaço de legitimidade, ou a criação de um campo de conhecimento, no sentido de Bourdieu, mas precisam rever as explicações exclusivistas. É importantes pensar a vigência de uma dinâmica interdisciplinar para equacionar os dilemas do mundo atual.
Em uma lógica criativa e aprofundada do conhecimento humano, lembro também das formulações de Gregory Bateson quando pensa na comunicação entre seres vivos e suas interações com a natureza. Também o campo das razões, das emoções e das práticas como parte de uma orquestração ritual.
Antonio Sérgio Guimarães: Temos, no caso brasileiro, alguns desafios práticos e importantes. Cito dois em minha área de estudo: em primeiro lugar, a adoção de cotas sociorraciais alterou profundamente o ingresso nas universidades federais brasileiras. A nossa sociologia da educação ainda nos deve um entendimento mais abrangente de como isso afetou as camadas sociais de classe média que colocavam e ainda colocam seus filhos em escolas particulares de ensino fundamental e médio, seja em termos de suas escolhas educacionais, seja em torno de suas convicções políticas, sua autodefinição racial e seu habitus de classe. O que temos, por enquanto, são estudos sobre os que se beneficiaram da mudança. Do mesmo modo, a competição entre visões de mundo bastante distintas – por exemplo, entre feministas secularistas e grupos religiosos – no que diz respeito a estilo de vida, sexualidade, atitudes políticas etc. ainda está por ser feita de modo mais abrangente. Como essas visões díspares se apropriam e reinterpretam – para citar os problemas da primeira pergunta desse questionário – a crise climática e o perigo autoritário? Só uma sociologia empírica pode nos ajudar a formular problemas teóricos mais abstratos. O trabalho puramente filosófico, ainda que fundamental, precisa ser orientado pelo universo empírico.
4. Cite 3 livros ou artigos sobre os temas fundamentais do congresso e do simpósio.
Clara Araújo:
BIROLI, Flávia & MACHADO, Maria das Dores Campos & VAGGIONE, Juan Marco. (2020). Gênero, neoconservadorismo e democracia. São Paulo: Boitempo.
DOMINGUES, José Maurício. (2021). Teoria crítica e modernidade política. São Paulo: Hucitec.
THERBORN, Göran. (2020). Inequality and the labyrinths of democracy. Londres: Verso.
Irlys Barreira:
LATOUR, Bruno. (2020). Diante de Gaia: oito conferências sobre a natureza no antropoceno. São Paulo: Ubu.
MARTINS, José de Souza & ECKERT, Cornelia & CAIUBY NOVAES, Sylvia (Org.). (2005). O imaginário e o poético nas ciências sociais. São Paulo: Edusc.
LEFORT, Claude. (2011). A invenção democrática: os limites da dominação totalitária. São Paulo: Autêntica.
Antonio Sérgio Guimarães: Não quero citar livros de alguns colegas em detrimento de outros, mas o que li sobre a formação dos grupos de ultradireita no Brasil e no mundo, ou sobre o modo como emergiu o movimento social que permitiu a formação do atual populismo de direita, é muito inspirador. Tanto quanto o estudo minucioso de Silvia Lara sobre as guerras de Palmares em sua articulação com a colonização portuguesa do Brasil e da África. Todos apresentam uma análise bastante multifacetada do modo com os agentes sociais formaram suas opiniões, onde buscaram seus repertórios, como aproveitaram as circunstâncias e se engajaram na disputa por posições sociais.
Sobre as/os convidadas/os:
Clara Araújo é professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. É coordenadora acadêmica do Nuderg: Núcleo de Estudos sobre Desigualdades Contemporâneas e Relações de Gênero. Estuda relações de gênero e tem como áreas de interesse principais estudos sobre Política, Poder e Divisão Sexual do Trabalho.
Irlys Barreira é professora titular de sociologia do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará, pesquisadora do CNPq, com pós doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales –EHESS (Paris) e Instituto de Ciências Sociais – ICS (Lisboa).
Antonio Sérgio Alfredo Guimarães é professor titular sênior do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo; pesquisador SR do CNPq. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1972), é doutor em Sociologia pela University of Wisconsin, Madison (1988) e livre-docente em Sociologia Política pela Universidade de São Paulo (1997). Seus principais livros incluem: Racismo e antirracismo no Brasil [2a edição em 2005]); Classes, raças e democracia [2a edição em 2012]); Modernidades negras (2021), todos editados pela Editora 34.
