
Símbolos não são absolutos. Mesmo os mais belos ou encantadores, como as rosáceas flores de Sakura, podem, nas mãos de um déspota, tornar-se arautos da morte. Símbolos são objetos de disputa e potenciais instrumentos de poder. É nesse ensejo que Alcida Rita Ramos (UnB) publica “A cruel beleza da vida breve” – em português e inglês – numa edição especial de sua coluna Modulações. O texto discute a obra da antropóloga japonesa radicada profissionalmente nos Estados Unidos, Emiko Ohnuki-Tierney, a quem Alcida atribui uma “trilogia do Estado tirano”, dedicada a desvendar como regimes autoritários mobilizam a estética como ferramenta de dominação. Um exemplo é o da vida breve das Sakuras, que se torna símbolo de convocação à pátria, cujos interesses se impõem e ressignificam a liberdade individual, tornando homens em soldados ainda mais heróis se de vida breve.
A homenagem de Alcida à colega e à melhor Antropologia que ela vem formulando coincide com o centenário de nascimento de Yukio Mishima, escritor japonês que encarnou como ninguém as ambiguidades entre estética e ideologia, encerrando a própria vida em um suicídio ritual após tentativa fracassada de restaurar o Império japonês. Como se entrelaçada por fios de Cerejeira, Alcida nos oferece uma genuína ode à sensibilidade. Usufruamos.
Não deixem de acompanhar a coluna de Alcida na BVPS, lançada mensalmente às sextas-feiras, que conta com a ilustração de Joana Lavôr. Para saber mais, clique aqui.
Boa leitura!
A cruel beleza da vida breve
Por Alcida Rita Ramos (UnB)

Pareceu-me prazeroso, e tanto mais agradável quanto a tarefa era mais difícil – extrair a beleza do Mal (Charles Baudelaire, As Flores do Mal)
Sakura, a encantada flor da cerejeira ornamental que, como um relâmpago, ilumina o Japão inteiro no começo da primavera. Dura pouco, muito pouco. Reluz com a beleza da vida breve e embevece o observador. A Inteligência Artificial ‒ que de artificial não tem nada ‒ é taxativa: essa flor está associada “à beleza efêmera da vida, à renovação e à chegada da primavera, além de ser um poderoso símbolo de alegria, paz e esperança”. Perfeito instrumento de manipulação simbólica.
Dedico esta coluna a Emiko Ohnuki-Tierney, antropóloga japonesa, minha colega de pós-graduação na Universidade de Wisconsin-Madison, no início dos anos 60. Crítica visceral do militarismo, Emiko dedicou parte da sua frutífera carreira a expor sutilezas e asperezas do seu nativo Japão e de outros pontos nevrálgicos deste mundo de horrores. Por muito tempo preterida como docente pelo departamento de antropologia onde se formou, Emiko é exemplo vivo do que é cair nas garras da mediocridade acadêmica. Finalmente, em 1988, ingressou no corpo docente e hoje é a maior expoente daquele departamento.
Dentre os seus 14 livros publicados e amplamente traduzidos, mais dois no prelo, seleciono aqui o que eu, não ela, chamo de trilogia do Estado tirano: Kamikaze, cherry blossoms, and nationalisms.The militarization of aesthetics in Japanese history (2002), Kamikaze diaries (2006) e Flowers that kill (2015). O último título dá o mote desta coluna. Nos três livros, Emiko explora a pérfida arte de transformar símbolos cativantes em instrumentos de terror e arautos da morte. O mérito acadêmico dessas obras é inquestionável. Por exemplo, Emiko usa e expande conceitos como méconnaissance e opacidade, adaptando-os a contextos densamente politizados e ‒ por que não? ‒ teatralizados em momentos especialmente tensos no palco geopolítico do século XX.
Mas não é por isso que chamo a atenção para esses livros. Destaco neles uma outra dimensão: o humanismo da autora e seu compromisso com a transparência semântica que tão fortemente contrasta com a dissimulação e o cinismo dos poderosos. O mal-entendido entre as forças militares japonesas e os estudantes-pilotos a respeito do simbolismo da flor de cerejeira, ou a opacidade dos discursos de autocratas que, com flores, ofuscam e levam as gentes, sem o saber, a cooperar com a própria submissão, marchando, como ela diz, “para a sua própria destruição na guerra”. As flores estão sempre presentes em exibições públicas de poder, ajudando a tornar opacas as mensagens de ditadores. Quantos ramalhetes vistosos passaram de inocentes mãos infantis às garras assassinas de um Hitler, de um Stalin, de um Mussolini!
A cultura nunca é estática ou singular, mesmo ao nível pragmático mais rasteiro. Até as acepções de símbolos cotidianos, como as flores de cerejeira japoneses e as rosas europeias pulsam nas vertigens da geopolítica (Emiko Ohnuki-Tierney, Flowers that kill)
Com maestria e perspicácia, Emiko demonstra como a delicadeza da estética japonesa se transformou em sevícia militar, especialmente na Segunda Guerra Mundial. As severas punições físicas nos campos de treinamento japoneses conviviam com a rigorosa doutrinação sobre quão sublime era morrer pelo imperador. “Os sucessivos governos militares japoneses usaram as flores de cerejeira como seu tropo-mestre” (Kamikaze diaries, p. 26), em especial na operação tokkōtai (Forças Especiais de Ataque), segundo a qual os pilotos, cujos aviões eram pintados com a flor da cerejeira, tinham ordens de “colidir contra o inimigo” (Kamikaze, cherry blossoms …, p. 159). Claramente, o entendimento dos jovens pilotos e dos militares sobre o significado da sakura não era o mesmo, embora todos partilhassem da mesma fonte cultural e emotiva. Devidamente manipulado, esse símbolo pátrio ganhou contornos próprios nas mãos do Estado autoritário. A esse descompasso semântico Emiko chama méconnaissance, neste caso, um desentendimento intencional posto em ação como estratégia política.

O tropo da vida breve em nome do imperador, por tanto tempo repisado, foi deixando de ter sentido conforme a hora da morte se aproximava. Trechos de Kamikaze diaries dizem volumes sobre o desespero dos estudantes-pilotos na véspera de embarcar rumo às tarefas assassinas.
Sinceramente, não posso dizer que o desejo de morrer pelo imperador é genuíno, de coração. Entretanto, já decidiram que eu morro pelo imperador (Hayashi Ichizö morto em abril de 1945 aos 23 anos de idade)
No início de 1945, os Aliados avançavam, o Eixo perdia a guerra, mas o Japão preferia ignorar, ou mesmo negar, a derrota iminente e, ao apagar das luzes, insistia em imolar a sua própria juventude, forçando-a a se espatifar contra a armada norte-americana fundeada em Pearl Harbor. Aqueles jovens, alguns mal saídos da adolescência …
Na estação de Kyoto e na seguinte e na seguinte, os restos dos soldados faziam o caminho de volta, o ‘retorno vitorioso’ (gaisen). Foi penoso contemplar a brancura dos caixões (Nakao Takenori morto em maio de 1945 aos 22 anos de idade)
… ansiavam por um futuro que nunca viria.
Mesmo sabendo que vou morrer (como uma pétala de cerejeira), eu queria ter um filho, que é ainda melhor do que um tesouro feito de prata, para continuar a próxima geração e [me] suceder na família (Takushima Norimitsu morto em abril de 1945 aos 24 anos de idade)
Se eu, mera leitora desses livros magníficos, sou tomada por uma incontida indignação, imagine-se Emiko ao examinar os diários de seus conterrâneos transformados compulsoriamente em bucha de canhão e, pior ainda, escrever sobre o desfecho a que foram condenados. Ela mesma descreve sua reação. Antes de iniciar o projeto, diz ela:
eu não sabia que os sucessivos governos militares do Japão usavam extensivamente a beleza da flor para tornar suas operações aceitáveis pelo público. Foi o projeto mais difícil que desenvolvi, não só por sua amplitude, mas também por seu custo psicológico: eu mal podia ler os diários sem ser afetada, por um lado, pelos gritos de agonia dos escritores e por suas mentes que buscavam explicações nas mais altas conquistas intelectuais; por outro lado, eu me apoiava na admiração por aqueles jovens e na ira contra as forças que acabaram com suas curtas vidas. Senti a necessidade de apresentar suas vozes na esperança de que tão colossal tragédia nunca mais acontecesse nem no Japão nem em nenhum outro lugar (Kamikaze diaries, p. xviii).
Poderíamos supor que aqueles jovens eram genuinamente patriotas e colaboraram com agrado na operação tokkötai. Estaríamos então observando um exemplo de dominação consentida? Seria mais um caso de servidão voluntária à moda de La Boétie? Antes de embarcar no projeto sobre os pilotos tokkötai, Emiko confessa que não era simpática a esses jovens. Tudo mudou quando começou a ler os diários.
Nosso assombro vai crescendo conforme Emiko nos desvenda quem eram aquelas pessoas. Quase todos ‒ cerca de quatro mil ‒ foram recrutados de universidades para morrer pela pátria e pelo imperador, induzidos ao sacrifício com o engodo da beleza da vida breve. Pro rege et patria mori. A flor de cerejeira, cantada em poesia, música, teatro e até religião, foi talvez o instrumento mais persuasivo para mentes habituadas a cultivar o Belo. Com esmerada educação superior, constituíam, na frase de Emiko, “the intellectual crème de la crème of Japan” (Kamikaze diaries, p. 11). Estudavam filosofia, tanto oriental como ocidental, liam de Goethe a Confúcio no original, ouviam música barroca, frequentavam obras de poesia, literatura etc. Por que o regime militar japonês sabotou com tanto esmero aquela geração da elite intelectual? Talvez, como indica Emiko, porque muitos desses estudantes eram politicamente liberais ou radicais e, no fundo, refratários à completa lavagem cerebral dos militares. Todos foram passados, não a baioneta, mas a aviões sem combustível para voltar e proibidos de se desviar do alvo de ataque. A força da doutrinação chegou até aí: o máximo a que conseguiram desobedecer foi evitar se explodir caindo no mar.
Um dos propósitos mais claros de Emiko ao abraçar aquele projeto, além de denunciar os crimes perpetrados por ditadores, foi desfazer a pecha de “suicidas fanáticos” que aderiu aos pilotos tokkötai e que, produto da propaganda essencialmente norte-americana, ainda grassa pelo mundo; foi resgatar a dignidade póstuma daqueles intelectuais a quem confiscaram um futuro brilhante. A expressão “pilotos suicidas” chega por vezes a ser confundida com “terroristas suicidas”, quando, de fato, os pilotos tokkötai foram assassinados pelo Estado japonês. Vítimas de um duplo insulto, como se não bastasse àqueles jovens terem sido sumariamente exterminados pelo Estado, ainda passam à posteridade caluniados por uma História que não foi e nunca será a deles.
Esta, como tantas outras tragédias humanas, nos deixam sem chão, não só porque existiram deveras, mas porque se repetem sem trégua antes que tenhamos tempo de cogitar em interpretações, muito menos em explicações. Que disciplina do nosso acervo acadêmico é afinada o bastante para nos dar um norte?
Resta-nos contar com o interesse, a sensibilidade e a ética de pessoas especiais e usufruir da brilhante oferenda que nos dá Emiko Ohnuki-Tierney!
O que me amparou em todos estes anos foi o idealismo e a dedicação ao aprendizado, tão claros, trágicos e contundentes nos diários dos pilotos que eu parava de ler à noite, porque depois não conseguia dormir. (Emiko Ohnuki-Tierney, Kamikaze, cherry blossoms, and nationalisms)

The Cruel Beauty of the Short Life
Il m’a paru plaisant, et d’autant
plus agréable que la tâche était plus difficile, d’extraire la beauté du Mal
(Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal)
Sakura, the enchanted blossom of ornamental cherry trees, like a flash of lightening, illuminates the whole of Japan in early spring. It lasts little, very little, then passes all too quickly. It shines and enraptures the beholder with its short life. Artificial Intelligence (certainly not artificial and possibly not intelligent) assures me that sakura conjures “the ephemeral beauty of life, renovation, and the coming of spring; it is also a powerful symbol of joy, peace, and hope.” In short, a perfect tool for symbolic manipulation.
I dedicate this column to the brilliant Japanese anthropologist Emiko Ohnuki-Tierney, my fellow student at the University of Wisconsin-Madison in the early 1960s. A visceral opponent of militarism, she has devoted part of her productive career to interrogate the subtleties and harshness of her native Japan, alongside other nerve centers in a world of horrors. For a long time overlooked by the very anthropology department that gave her a Ph.D. degree, Emiko is another example of the plight bright women can endure under academic mediocrity. Finally, in 1988, she was appointed to the faculty. Today, she is the most prominent figure in that department.
Of her fourteen published and widely translated books, plus two in press, I select three that constitute a veritable trilogy on the autocratic state. These books are Kamikaze, Cherry Blossoms, and Nationalisms: The militarization of Aesthetics in Japanese History (2002), Kamikaze Diaries (2006), and Flowers that Kill (2015). In all three books, Emiko explores the evil art of transforming captivating symbols into instruments of terror and heralds of death. Their academic merit is undeniable. For example, Emiko uses and expands concepts such as méconnaissance and opacity, applying them to densely politicized and, indeed, theatrical contexts in especially tense moments on the geopolitical stage of the 20th century.
I am not calling attention to these books because of their academic value. I focus instead on yet another dimension, namely, the author’s humanism and her commitment to semantic transparency, a stark contrast to the dissimulation and cynicism of those in power. Consider the misunderstanding between the Japanese military and the young pilots-in-training regarding sakura symbolism, or the opacity of speeches by despots who, flowers in hand, obfuscate people and lead them, as Emiko says, “to unknowingly cooperate in their own subjugation and/or march to their destruction in war” (Flowers, p.1). Flowers are always present at public exhibitions of power, helping to make dictators’ messages all the more opaque. How many flower bunches shifted from innocent children’s hands to the assassin claws of a Hitler, a Stalin, or a Mussolini!
Culture is never static or singular, even at its basic paradigmatic level. Even the meanings of quotidian symbols, such as Japanese cherry blossoms and European roses, pulsate in the vertigoes of geopolitics (Flowers that Kill)
With exceptional ability, Emiko shows how the refined Japanese aesthetics transmuted into military sadism, especially during World War II. Severe physical punishments at training camps occurred in tandem with harsh indoctrination about the sublime act of dying for the emperor. “The successive Japanese military governments used the cherry blossoms as their master trope” (Kamikaze Diaries, p. 26), particularly in the tokkōtai operation (Special Attack Forces), where the pilots, on aircrafts painted with a cherry blossom, “were ordered to crash themselves into the enemy” (Kamikaze, Cherry Blossoms …, p. 159). Clearly, what the young pilots and the military understood as sakura was not the same, although all of them equally shared its cultural and affective source. Skillfully manipulated, this central symbol of the Motherland gained new contours to produce a mismatch that Emiko calls méconnaissance. In the hands of the Japanese authoritarian regime, this intentional misunderstanding worked as a last exhibition of power on the eve of defeat.
The trope of the short life in honor of the emperor, repeated ad nauseam, gradually lost its appeal as the time of immolation approached. Excerpts from Kamikaze Diaries say volumes of the despair that overcame young pilots just before taking off towards death.
To be honest, I cannot say that the wish to die for the emperor is genuine, coming from the heart. However, it is decided for me that I die for the emperor (Hayashi Ichizö, 23 years old, killed in April 1945).
In early 1945, the Allied Forces advanced, the Axis were retreating, but the Japanese government preferred to ignore, even deny imminent defeat, and continued to slaughter its own youth, forcing them to hurl themselves at the North American fleet moored at Pearl Harbor. Those youths, some just out of adolescence …
At Kyoto station, and the next station, and the next, remains of the soldiers were making the “victorious return” (gaisen). It was painful to look at the whiteness of the box (Nakao Takenori, 22 years old, killed in May 1945)
… yearned for a future that would never come.
Although I am to fall [like a cherry petal], I wish to have a son, who is even better than a treasure made of silver, to continue on to the next generation and to succeed [me]in the family (Takushima Norimitsu, 24 years old, killed in April 1945).
If I, a mere reader of these magnificent books, feel an unrepressed indignation, imagine Emiko as she examined those diaries coming directly from her fellow citizens turned into cannon fodder; worse still, as she wrote about the fate to which they were condemned. She herself describes her reactions. Before she began her project, she tells us,
I did not know that Japan’s successive military governments extensively used the beauty of the flower to make their operations acceptable to the people. The project became the most difficult one I had undertaken, not only because of its enormous scope, but also because it was psychologically taxing: I could hardly read the diaries without being deeply affected by the writers’ cries of agony, on the one hand, and their minds, which sought the height of intellectual development, on the other. I was sustained by my admiration for these young men, and by the rage I felt against the forces that terminated their short lives. I began to feel compelled to introduce their voices in the hope that such a colossal tragedy would not happen again in Japan or elsewhere (Kamikaze Diaries, p. xviii).
We might think that those young men were true patriots and willingly collaborated in the tokkötai operation. Would we then be looking at an example of consented domination? Would that be yet another case of voluntary servitude as proposed by La Boétie? Before launching her project on the tokkötai pilots, Emiko confesses she had no sympathy for them. That changed when she began to read their diaries.
Our astonishment grows as Emiko reveals who those persons were. Nearly all of them ‒ about four thousand ‒ were recruited from universities to die for land and emperor. They were lured into self-sacrifice by the haunting power of the beauty of a brief life. Pro rege et patria mori. The cherry blossom, exalted in poetry, music, theatre, and even religion, was the most pervasive device at hand. With a refined higher education, the young men represented, in Emiko’s words, “the intellectual crème de la crème of Japan” (Kamikaze Diaries, p. 11). They studied both western and eastern philosophy, read Goethe and Confucius in the original, listened to baroque music, were familiar with poetry, literature, and so on. Why did the Japanese military regime so diligently sabotage an entire generation of their own intellectual elite? Perhaps, as Emiko insinuates, many of those students were politically liberal or radical, hence, in essence, resistant to a thorough military brainwashing. All of them had to fly on planes with no fuel to return and could not dodge the target. The most they did to sidetrack the strict orders and avoid exploding themselves was to dive into the sea.
Besides denouncing the crimes of the Japanese military regime, one of Emiko’s purposes in embracing this project was to reverse the image of the tokkötai pilots as “suicidal fanatics”, a character assassination that has clung to them ever since World War II. She intends to rescue their posthumous dignity as young intellectuals robbed of their future. The phrase “suicidal pilots” is often used as a synonym to “suicidal terrorists,” when, in fact, the tokkötai pilots were glaringly killed by the Japanese state. Adding insult to injury, History ‒ a history that was not theirs and never will be ‒ has donned their memory with slander and libel. In this respect, Emiko’s effort is truly heroic.
This and so many other human tragedies overwhelm us, not solely because of their individual force, but also because they recur over and over again, before we have time to think of interpretations, never mind explanations. Who is there to guide us? Emiko Ohnuki-Tierney assures that the world sometimes offers a rich mind and bright voice to lead the way.
What sustained me through these years was the idealism and dedication to learning so evident in the pilots’ diaries, which I stopped reading at night ‒ they were too tragic and powerful, and after reading them it was difficult to fall asleep
(Emiko Ohnuki-Tierney, Kamikaze, cherry blossoms, and nationalisms)
(My thanks to Bruce Grant who patiently gave this text a true flavor of the English language)
