Simpósio BVPS + SBS | A sociologia e o contemporâneo (VII)


A sétima rodada do simpósio A sociologia e o contemporâneo, uma parceria entre a BVPS e a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), conta com as participações da socióloga Simone Magalhães Brito (UFPB) e dos sociólogos Leopoldo Waizbort (USP) e Fernando Tavares Jr. (UFJF).

Para Brito, a sociologia é essencial para compreender o processo de naturalização da violência e o papel da crise no contexto atual. Waizbort, por sua vez, destaca que a disciplina precisa tanto do detalhe quanto do esforço de articular o universal e o particular, pois não oferece soluções definitivas, mas sim um emaranhado de ideias em constante disputa. Já Tavares defende a necessidade de articular micro e macro sociologias para compreender o “modo de produção social” das sociedades e seus resultados.

Organizado por Maurício Hoelz (UFRRJ e BVPS) e Edna Castro (UFPA e SBS), o simpósio integra os preparativos para o 22º Congresso Brasileiro de Sociologia, que acontecerá entre os dias 15 e 18 de julho em São Paulo.

As postagens do simpósio saem às segundas-feiras. Para conferir outros posts, clique aqui.

Boa leitura!


1.  O 22º Congresso Brasileiro de Sociologia discutirá os desafios e as crises do contemporâneo. Quais os desafios atuais que você incluiria na agenda da sociologia? Como qualificar a ideia de crise sociologicamente?

Simone Magalhães Brito: A precariedade da existência da maioria dos animais humanos e não humanos na Terra é tão ampla que a lista de problemas passíveis de serem acrescentados à agenda da sociologia parece não ter fim. Se considerarmos que as determinações da vida social nos permitem sofrer por vários ângulos, que dramas podem ser descritos de modos diferentes por várias vozes, talvez cheguemos a uma situação fantástica: a lista de desafios da sociologia pode ser maior que o mundo que enxergamos. No entanto, como costurar sínteses do espírito do tempo é um dos “passatempos” preferidos de sociólogas e sociólogos, arriscarei indicar duas tendências que estão sendo gestadas em nossa época.

A primeira delas é a naturalização do extermínio. O neo-malthusianismo tem sido revivido nos diagnósticos que apontam o excedente de pessoas como uma das razões da crise no mundo, esquecendo a derrota dessa perspectiva, quando a economia política demonstrou como a distribuição da riqueza – e não o número de pessoas – é o cerne do problema. No entanto, além dos genocídios que acompanhamos diariamente, a pandemia foi um ótimo ensaio ao demonstrar o alívio que muitas mortes podem trazer para os sistemas de previdência e para a economia estatal de modo geral. Quando o corpo humano se tornar cada vez mais desnecessário para a produção de riquezas, o que será feito dele? Temos alguma evidência empírica que nos permita confiar em sistemas de solidariedade e distribuição de riqueza? Se confiarmos na experiência histórica, precisamos nos preocupar com a produção sistemática de vidas descartáveis.

Outro sentido característico de nosso tempo é a crise da imaginação. Se o cansaço não nos permite sonhar à noite, aquilo que Adorno chamou de “tabu do existente” nos impede de sonhar acordados. A ordem capitalista se tornou tão avassaladora que não é mais um segredo escrito em livros banidos: o público das redes sociais já sabe que é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo. Estamos imersos nas imagens de destruição e pânico sem que nenhum horizonte alternativo seja desenhado; sabemos que hospitais podem ser bombardeados, corpos de mulheres jogados no lixo, e que ninguém está protegido nas fronteiras. Ao mesmo tempo, a esperança de formas de vida solidária ainda não constituiu categorias de uso comum – não se expressa com força nem na arte, tampouco na ciência.

Ainda por esse viés, podemos dizer que a sociologia é fundamental para compreender esse processo de naturalização insidiosa da violência e, de modo mais direto, ajudando a entender o lugar e poder do sentido de crise. A manutenção dos sentidos de crise, em associação com muitas formas de pânico e escândalo, alimenta a ansiedade como modo de vida. Como animais encurralados, desistimos da razão e de seu potencial emancipatório.

Leopoldo Waizbort: Acho que o conceito de crise já perdeu seu ímpeto analítico e explicativo, pouco servindo para descrever o mundo contemporâneo, marcado por duas continuidades crônicas: guerras e desigualdades, ao que se conjuga a deterioração do planeta – de suas terras, de suas águas, de seus ares e das vidas de seus seres.

Essa dupla acrescida de seu ambiente configuram, em meu juízo, os desafios da sociologia deste mundo em que vivemos – e não somente dela. Certamente, a sociologia tem falado disso, e pode continuar falando. Muitas vezes ela parece preferir considerar esses processos em registro temporal mais restrito, o que lhe impede de dimensionar o problema. Já indico, com isso, o livro de Michael Mann, On Wars (2023), que exemplifica o meu partido. Não quero sugerir que somente as análises de longa e longuíssima duração importam, mas sim que elas são decisivas por oferecer enquadramentos e perspectivas para problematizações mais restritas (e igualmente relevantes – nisso a obra de Charles Tilly é exemplar). Embora o conhecimento do detalhe e do particular fertilizem desde sempre e incessantemente a sociologia, e dele a disciplina não possa prescindir, ela também não pode se furtar à dinâmica, ainda misteriosa, de universal e particular. Dinâmica essa que, novamente em meu juízo, somente encontra a sua solução caso a caso, análise a análise. Por vezes não a encontra, e isso não é um problema, pois a sociologia não é uma panaceia, mas uma confusão de ideias e falas, que uns e umas tentam organizar, enquanto outras e outros desorganizam, mesmo sem o querer. Nisso, também ela é parte do mundo.

Fernando Tavares Jr.: Ciência ama e vive de desafios. Procura problemas para se dedicar e realizar sua vocação. A contemporaneidade é uma seara fértil à sociologia em suas várias complexidades emergentes. As gerações neste século estão potencialmente sob o risco do colapso da vida social como hoje conhecida e, ao mesmo tempo, diante de inimagináveis possibilidades de “instituição imaginária” de uma nova forma de fazer social. Para além de temas mais midiáticos, como a crise climática, que desde os anos 1990 já era objeto de análises sociológicas exemplares, como de Ulrich Beck, ou o avanço digital, que também já apresentam um histórico reflexivo denso na sociologia, me chamam a atenção a nova configuração geo-sócio-política advinda com os BRICS (mas não só) e o deslocamento do eixo econômico para o Oriente, com efeitos insondáveis. Sociologia é uma “ciência de populações”. O eixo populacional global sempre esteve ao Oriente e, nas últimas décadas, conheceu padrões de consumo e produção que atingem escalas só comparáveis à emergência da Revolução Industrial. Sociologia pós-eurocêntrica, com diálogos Sul-Sul, será estratégica para compreender os novos centros e periferias do capitalismo global, bem como possíveis arranjos que superem também as categorizações pós-coloniais.

Classes são estruturais. As transformações em curso já têm recebido atenção sociológica, como as novas configurações das classes médias, que serão refletidas no CP16, e a economia digital, o trabalho em apps e a IA, que serão debatidas pelos colegas do CP27, bem como em sessões e mesas conjuntas que ocorrerão no Congresso. Todavia, é preciso ampliar esta agenda. Nada mudou mais a vida social ao longo do século XX do que as transformações produzidas pela participação social das mulheres: no mercado de trabalho, na reconfiguração das famílias e da fecundidade, na elevação da escolaridade etc. Os padrões reprodutivos e de consumo são exemplos de mudanças sócio-comportamentais em curso que merecem mais atenção, junto com os estudos sobre Juventudes e sociabilidade digital.

2. Qual o papel da Sociologia diante, por exemplo, da emergência climática e dos desafios da democracia?

Simone Magalhães Brito: Por sua origem e arco narrativo de ascensão, a sociologia desenvolveu as mais importantes ferramentas intelectuais para a compreensão dos dilemas da modernidade – qualquer que seja o adjetivo que a acompanhe. No entanto, um dos principais problemas da disciplina parece encenar uma espécie de tragédia da virtude: ser punida por seus próprios acertos e por sua capacidade de compreensão. Vivemos uma época marcada pela produção sistemática da ignorância. A desconfiança – e a denúncia – da violência da razão, que antes caracterizava as tradições críticas, foi distorcida e ampliada pela ordem estabelecida, transformando-se em teoria da conspiração. O cultivo da estupidez vai se convertendo em uma forma de governo.

O fracasso do capitalismo em ampliar a qualidade da educação, incluir populações historicamente marginalizadas e reconhecer a diversidade e a potência da criatividade humana, aliado ao apagamento do sentido de formação – substituído pela ênfase na produção de técnicos descartáveis a cada nova revolução tecnológica, criou o terreno ideal para o florescimento de um ressentimento profundo contra a vida intelectual e artística. Nesse cenário, as poucas e superficiais discussões públicas sobre crises como a emergência climática e o fortalecimento do autoritarismo enquanto modo de existência, sugerem um abismo de desconhecimento. É como se estivéssemos diante de grandes mistérios naturais: misoginia, racismo, miséria, guerras.

Mas nada poderia ser mais falso. Os mecanismos de produção desses “males” são justamente a matéria da sociologia. A diversidade de perspectivas sociológicas constitui um aparato poderoso para compreender a construção da vida social e de seus problemas. Em termos simples: os caminhos para a ampliação da democracia e da justiça social são, tanto política quanto teoricamente, conhecidos. O fato de que exigem mudanças radicais na lógica de produção capitalista e nas outras hierarquias de poder estabelecidas é que deve ser responsabilizada por seu sistemático apagamento do debate público.

O objetivo deste diagnóstico não é lamentar a diluição do poder crítico da sociologia. Ao contrário, trata-se de insistir que a continuidade de sua vocação como “forma de autoconsciência científica da realidade social”, como escreveu Octavio Ianni, requer uma radicalização de sua linguagem, ou, dito de outro modo, o reconhecimento da incompatibilidade da perspectiva que a sociologia produz com os regimes de manutenção da ordem.

Leopoldo Waizbort: O papel da sociologia diante de qualquer coisa é indagar e não se satisfazer com suas perguntas, e menos ainda com suas pretensas respostas. Seu papel é perseverar indagando, como uma arena de teimosia e desconfiança institucionalizadas. Sua primeira pergunta é pôr em questão as perguntas. Em meu entendimento, sociologia não é tecnologia do social, assim como não deve ter pretensões coloniais. Ela deve abrir-se ao diálogo com o diferente, no caso com ela mesma e com outras disciplinas, insistindo em sua ­– e somente sua –, capacidade de descrição, análise e compreensão, de modo a poder sensibilizar o diferente para a sua diferença – “sua” refere-se tanto ao diferente, como à sociologia. Que, ademais, sempre foi plural, e dizemos no singular não sei se por modéstia ou temor.

Se isso pode ser assim, as sociologias podem conversar com os discursos e conhecimentos acerca da “emergência climática” e dos “desafios da democracia”, para questioná-los e para se deixar por eles questionar. Sua possível contribuição estaria na sua capacidade de abertura à comunicação, não por saber melhor ouvir ou falar, mas por querer de tudo falar, e por isso saber que sua fala nada mais é do que uma fala em meio à cacofonia do mundo, que uiva de dor.

Fernando Tavares Jr.: A ciência sempre produziu fundamentos para os avanços mais significativos dos últimos séculos. No Brasil, embora nem sempre percebamos, também foi assim. O celebrado sucesso do agro não existiria sem a Embrapa. Pré-sal não existiria sem COPPE. Embraer e biocombustíveis são outros exemplos. A Nova República não teria existido sem Florestan Fernandes, Luiz Werneck Vianna e tantos outros sociólogos e sociólogas. O desafio de compreender o Brasil e sonhá-lo foi central para a Constituição de 1988 e décadas de avanços sociais – apesar de reveses e retrocessos, característicos também da dialética histórica. Não existe nem existirá solução para a emergência climática ou para a crise das democracias sem sociologia.

Outras disciplinas continuam alcançando feitos notáveis, como o James Webb, as novas inteligências artificiais, o Ingenuity, a CRISP, as novas tecnologias automotivas, o desenvolvimento de vacinas no enfrentamento da Covid-19 e tantos outros exemplos – que rapidamente tendem a converter em fenômenos midiáticos e startups. Todavia, desafios estruturalmente sociais demandam tecnologias sociológicas, que nem sempre se converterão em produtos, likes e engajamento. São desafios muito mais complexos e difíceis, proporcionais à sua constituição humana e social. Na sessão de abertura do Fórum Brasileiro de Sociologia (2024), Maria Arminda fez uma brilhante convocação/provocação dirigida a todos nós, sociólogas e sociólogos, a “pensar o futuro”, nos lançarmos as mais instigantes perguntas, os mais difíceis problemas, mergulharmos nos contextos e temáticas mais candentes, pois soluções meramente técnicas são completamente inócuas: a transformação social, incluindo o aquecimento global e a reinvenção da democracia, como da própria ONU, só ocorre a partir de mudanças nos padrões de ação coletiva, que demandam orquestração sociológica.

Nos dois casos citados, tal como em outros desafios contemporâneos, é preciso articular a micro e a macro sociologias para compreender seu “modo de produção social”: como as sociedades têm produzido as mudanças climáticas e os crescentes riscos ambientais, os antagonismos e as crescentes intolerâncias, a desregulação do trabalho e as novas configurações das classes, dentre outros.

3. Considerando que a inovação não se realiza num vazio de interpretações, que formulações e proposições podem nos ajudar a compor um repertório afiado para lidar com esses fenômenos multidimensionais?

Simone Magalhães Brito: A crítica ao sistema requer um esforço sistemático. É fundamental, para o pensamento contemporâneo, abrir-se à pluralidade de vozes e às demandas emancipatórias atuais, ao mesmo tempo em que reconhece aquilo que foi sufocado no passado. Isso implica o desenvolvimento de perspectivas como a de Patricia Hill Collins, que, ao elaborar a interseccionalidade como teoria social crítica, coloca-se em diálogo com os mais diversos sentidos de crítica. É inegável minha simpatia por essa perspectiva, que visa ampliar os horizontes crítico-emancipatórios. Entretanto, como gesto que interessa às mais diversas correntes sociológicas, Collins apresenta um engajamento cosmopolita — um espaço de diálogos entre teorias — que só pode ser benéfico para a autorreflexividade sociológica.

Além disso, também considero importante destacar que a sociologia, na escolha de seus temas e objetos, não pode se prender à hierarquia estabelecida. Vai se tornando comum , e arriscado, que as subáreas mais valorizadas e financiadas sejam aquelas que se aproximam do poder. Por outro viés, acredito que a contribuição da sociologia é mais necessária justamente onde não se esperam os resultados de sua imaginação: nas coisas do cotidiano, nas boas intenções, nas horas de descanso, nas relações com o que “não é deste mundo”, nas coisas minúsculas e nos temas que incomodam as hordas conservadoras. Não se trata de adotar o transtorno opositor como princípio metodológico (ainda que isso soe interessante), mas de reconhecer que a imaginação sociológica não pode se submeter à agenda do Estado e do Mercado, sendo necessário que crie sua própria agenda para compreender os mecanismos mais sutis da vida social.

Por fim, acredito que a sociologia precisa utilizar as ferramentas que desenvolveu até aqui para contribuir com a constituição de uma imaginação anticapitalista. Os mecanismos de compreensão dos “problemas sociais” precisam ser mobilizados também para investigar as formas do bem, da solidariedade, da esperança e dos sonhos dos acordados.

Leopoldo Waizbort: Não há um repertório afiado para ouvir o uivo da dor, porque se ele é ouvido, ele cega qualquer repertório. Ele incomoda, ele sensibiliza, ele aterroriza e, não raro, imobiliza. As sociologias devem se deixar incomodar, sensibilizar e aterrorizar, mas não se imobilizar. A sociologia precisa escavar sem cessar e sem cansar, lançando mão de sua fantasia e imaginação. Ela, assim como outras disciplinas e conhecimentos, só pode se valer da inteligência, que compreende a capacidade de reflexão (e, evidentemente, de autorreflexão). O uso da inteligência não é espontâneo, nem trivial. Ela se vê tolhida por muitos lados, e somos todos inelutavelmente ignorantes. Dimensionamento da ignorância e abertura de espaço para a vida da inteligência são tarefas árduas, que exigem mais do que muitas vezes as pessoas estão dispostas a oferecer em meio à aceleração da velocidade da vida e à demanda constante por respostas e resultados. Por isso, valorizo a criatividade, a imaginação e a fantasia, ao criarem paragens inauditas e antes não vistas. Talvez as sociologias pudessem se oferecer ao mundo como um espaço de demora no tempo, um espaço de escuta do uivo da dor. E então ela talvez possa falar com propriedade do vasto e diferenciado mundo.

Fernando Tavares Jr.: Como expresso nas perguntas anteriores: ciência vive do cogito. Duvidar, questionar-se, assumir-se ignorante são atitudes centrais ao pesquisador e ao professor para se tornar “aquele que, de repente, aprende”. Assim, mais do que formulações já elaboradas, imagino, nesse contexto, serem mais úteis as formulações de perguntas e as proposições de desafios. Nosso instrumental metodológico e conceitual está hoje aberto a observar e aprender com os novos funcionamentos sociais gestados recentemente?

Apresentam-se novos objetos sociológicos que merecem ser abordados de formas também mais receptivas, inovadoras e aprendizes. Reconhecer sua multidimensionalidade e suas contradições pode ser um caminho para compreender melhor seu “modo de produção social”. O fazer e o viver social contemporâneo é mais conectado a múltiplos pontos e a diferentes dimensões, exacerbando a produtividade, o consumo e o controle em formatações de biopoder que subsumiram rapidamente práxis analógicas ao digitalizar e virtualizar diferentes esferas de ação social. Olhar o presente com lentes tradicionais pode se mostrar limitado, levando a formulações incompletas para interpretação do contemporâneo.

De forma alguma isso significa descartar toda a tradição sociológica acumulada historicamente. É exatamente o oposto. Somos convocados a contribuir para seu avanço, sobre o ombro de gigantes, identificando as mudanças e diagnosticando as novas articulações produzidas neste processo de transformação. Óbvio que é uma realidade mais tecnológica, digital, conectada em escala global, mas que continua diante dos imperativos elementares da vida: socializar-se, trabalhar, aprender, amar, divergir, aceitar (ou não) o poder… operando tudo isso de formas diferentes. Nossas ferramentas (analíticas, epistemológicas, interpretativas) estão adequadas? Podemos, creio eu, nos abrir ao novo – sem medo – carregando conosco toda a bagagem que nos é tão cara e nos faz capazes de interpretar a sociedade de forma robusta. Sociologia é isso!

4. Cite 3 livros ou artigos sobre os temas fundamentais do congresso e do simpósio.

Simone Magalhães Brito:

Em vez de indicar três títulos específicos, prefiro usar este espaço para destacar algo que considero mais fundamental: o papel das revistas acadêmicas brasileiras na difusão do conhecimento sociológico. A atualização e o acesso à produção teórica e empírica já não são, hoje, uma dificuldade estrutural — em grande parte graças ao esforço incansável de colegas que editam, avaliam, escrevem e mantêm vivas essas publicações. Estranhamente, naturalizamos o fato extraordinário de que a maior parte desse conteúdo é de acesso aberto e gratuito. É algo a ser celebrado e protegido. Desejo, sinceramente, que essas revistas sigam sendo escritas e publicadas em português, pois essa escolha linguística também é uma posição epistêmica: um compromisso com a construção de um pensamento crítico enraizado em nossa realidade.

Leopoldo Waizbort:

Já citei 2 sociólogos profissionais e cito agora uma não-socióloga, que conversa com a sociologia e comigo: Martha Nussbaum.

Fernando Tavares Jr.:

ADORNO, Sergio. (2025). Democracia. Estudos Avançados, v. 39, n. 113, p. e39113003.

MISKOLCI, Richard. (2021). Batalhas morais: política identitária na esfera pública técnico-midiatizadora. Belo Horizonte: Autêntica.

JACKSON, Michelle & GRUSKY, David B. (2018). A post‐liberal theory of stratification. The British journal of sociology, v. 69, n. 4, p. 1096-1133.


Sobre as/os convidadas/os:

Simone Magalhães Brito é professora do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). É doutora em Sociologia pela Lancaster University (2007). Tem interesse nas áreas de teoria crítica e sociologia da moral.

Leopoldo Waizbort é professor titular do Departamento de Sociologia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do CNPq. Publicou As aventuras de Georg Simmel (2000).

Fernando Tavares Jr. é professor de Sociologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e de seu Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Pesquisador do CNPq, do INCT Igualdade e Aprendizagem Social e do CAEd /UFJF. Coordenador do Comitê de Pesquisa em Sociologia da Estratificação e Desigualdades da SBS.