BVPS Agenda | Encontro às Quintas Especial: História global, conflitos atuais

No dia 11 de setembro de 2025, a partir das 9h30, será realizado um Encontro às Quintas Especial com o tema História Global, Conflitos Atuais”. O evento acontecerá na Casa de Oswaldo Cruz (Av. Brasil, 4325 – Manguinhos, Rio de Janeiro), no Salão de Conferência Luiz Fernando Ferreira (CDHS), ao longo da manhã e da tarde.

O encontro reunirá historiadores, sociólogos e cientistas políticos para refletir sobre os conflitos no Oriente Médio e suas repercussões globais, discutindo desde a ascensão de regimes autoritários e discursos de ódio até os desdobramentos das guerras recentes na região.

Confira abaixo a programação completa do encontro.


Programação

9h30Conferência de abertura

A conferência de abertura ficará a cargo do cientista político Guilherme Casarões, professor da Universidade Internacional da Flórida, nos Estados Unidos, e contará com a mediação do sociólogo Marcos Chor Maio (PPGHCS/COC/Fiocruz). Com o título “Entre justiça, pragmatismo e ideologia: o Brasil e o conflito israelo-palestino”, o pesquisador discute o engajamento de diversos governos brasileiros no que chamamos, hoje, de conflito israelo-palestino, desde a aprovação da Partilha da Palestina, em 1947, conduzida por Oswaldo Aranha, aos desdobramentos pós-sete de outubro de 2023. Casarões pretende realizar um sobrevoo histórico pela política externa do Brasil para Israel e Palestina, mostrando como o país se posiciona entre a busca pela justiça, a ideologia e o pragmatismo comercial.

11hMesa “Trump, as universidades nortes-americanas e a questão israelo-palestina”

A mesa contará com a participação do historiador Flavio Limoncic (Unirio), dos sociólogos Jawdat Abu El-Haj (UFC) e André Nahoum (USP), e a mediação da historiadora Gisele Sanglard (PPGHCS/COC/Fiocruz). Na mesa, o historiador Flavio Limoncic vai discutir as raízes do anti-intelectualismo nos Estados Unidos, o papel das universidades como alvo de políticas restritivas e a forma como Donald Trump mobilizou o conflito no Oriente Médio, intensificado pelas recentes manifestações pró-Palestina nos campi universitários. A apresentação de Jawdat Abu El-Haj articula sua vivência pessoal, como palestino nascido em Jerusalém Oriental, com uma análise histórico-política da escalada da violência no conflito. Ele destaca a entrada de novas potências regionais no cenário e a afinidade disso com a hegemonia do nacionalismo conservador na região. O pesquisador André Nahoum, da USP, por sua vez, aborda o conflito a partir da trajetória histórica de formação dos Estados-nação. Para Nahoum, o conflito israelo-palestino é sustentado por narrativas nacionais antagônicas: Israel se ancora no sionismo e no Holocausto, enquanto os palestinos enfatizam a Nakba e a resistência à ocupação. Essas narrativas perpetuadas por discursos políticos alimentam e reforçam divisões e legitimam reivindicações, perpetuando o ciclo de violência na região.

14hMesa “História do Oriente Médio: usos e abusos”

O encontro prossegue com a apresentação da mesa “História do Oriente Médio: usos e abusos”, com a participação da historiadora Muna Omran (PUC-MG), do sociólogo Bernardo Sorj (UFRJ) e do historiador Michel Gherman (UFRJ). A mesa conta com a mediação do historiador Rodrigo Cesar da Silva Magalhães, doutor em história das ciências e da saúde pelo PPGHCS (COC/ Fiocruz) e professor do Colégio Pedro II.
A historiadora Muna Omran discorre sobre o impacto regional do ataque do Hamas a Israel em sete de outubro de 2023, incluindo a queda de Bashar al-Assad e a ascensão do Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) na Síria, além do agravamento da crise interna no Líbano e da fragilização do Hezbollah. A apresentação analisará como esses eventos reconfiguram o equilíbrio de poder no Oriente Médio, intensificando a instabilidade, a radicalização, bem como a escalada para um conflito transnacional, a exemplo do ocorrido com o Irã. O sociólogo Bernardo Sorj (UFRJ) aborda os usos de argumentos históricos no debate público para justificar opções políticas. A apresentação refletirá sobre se a história define o que é certo ou errado, se o passado pode orientar o futuro e por que ocupa um lugar central nas ideologias contemporâneas. Completando a mesa, Michel Gherman analisa como bandeiras de Israel, símbolos judaicos e narrativas sionistas foram incorporados à identidade da nova direita. O pesquisador discute como esse fenômeno, também presente em outros países, conecta-se ao modelo expansionista e ultraliberal atualmente no poder em Israel, mostrando que o genocídio em Gaza é produto desse modelo.