Economia & Sociedade | Nova série da BVPS Edições

Ampliando seu perfil multidisciplinar, a BVPS tem a alegria de inaugurar hoje a série Economia & Sociedade, dedicada a refletir, em um plano geral, sobre as cada vez mais complexas relações entre esses dois termos, cuja própria definição segue sendo objeto de disputa. Como uma provocação às abordagens tanto reducionistas quanto dicotômicas, o título da série glosa a célebre obra homônima de Max Weber, que entende a economia não como uma causalidade determinística, mas como uma esfera particular da ação social, também sujeita à influência de outros fatores da vida social. Assim, a análise econômica deve implicar, necessariamente, a compreensão dos nexos contingentes de sentido e significado que orientam as ações e relações no processo histórico – algo bem distante do campo tecnocrático e autorreferente em que, em grande medida, a economia se converteu nas últimas décadas. Dominada por modelos matemáticos abstratos e uma linguagem quase esotérica, passou a se apresentar como uma ciência exata, pretendendo descrever leis universais do comportamento humano com o fim quase exclusivo de otimizá-lo, muitas vezes ignorando as dimensões éticas, políticas e culturais que lhe conferem sentido.

Organizada por Henrique Braga (UFRRJ) – a quem agradecemos pela colaboração –, esta série vai na contramão dessa voga economicista e se propõe, nesta primeira floração de cinco textos, a discutir as transformações globais do capitalismo contemporâneo e suas consequências sociológicas mais amplas. Além de uma breve apresentação assinada pelo organizador, trazemos também, neste post, o primeiro texto da série: “As classes trabalhadoras em movimento: a luta de classes (re)imaginada no século XXI”, de Ana Paula Fregnani Colombi (UFES). A autora oferece uma análise sofisticada das reconfigurações recentes do trabalho e da ação coletiva, partindo da aparente contradição entre o discurso de uma geração que não quer “desperdiçar a vida trabalhando” e a persistência da precariedade laboral. Colombi mostra como as classes trabalhadoras seguem em movimento – ainda que fora das formas tradicionais de organização sindical –, abrindo espaços de resistência, insubordinação e imaginação política.

Não perca, nas próximas quartas-feiras, a continuidade da série.

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Apresentação

Henrique Braga (UFRRJ)

Do final da Segunda Guerra Mundial até o primeiro choque do petróleo (1973) e a subsequente recessão de 1974/1975, vivemos um período que o historiador britânico Eric Hobsbawm denominou de “Era de Ouro” do capitalismo. Nele, a base da reprodução social foi a articulação entre produção em massa e consumo de massa. Essa base assegurou, nos países centrais, um modelo de crescimento econômico no qual se conciliavam elevação de salários e de lucros e, em parte dos países periféricos, permitiu um processo de industrialização – mais ou menos intenso, a depender das especificidades de cada região. Esse processo, em ambos os casos, foi acompanhado por mudanças sociais, políticas e culturais que marcaram a “modernização” dessas sociedades, sustentada pela promessa de inclusão na “civilização ocidental” por meio do assalariamento.

A partir de 1975, o capitalismo entrou em uma nova fase, que revelou o quão irrealizáveis eram as promessas da “Era de Ouro”. Nas décadas seguintes, ficou evidente, para os observadores mais atentos, que não se tratava de uma simples crise de ajuste do período anterior, mas de seu próprio “desmoronamento”. O crescimento econômico já não significava expansão do emprego e da renda dos trabalhadores: a integração pelo salário tornou-se uma miragem no deserto da deslocalização produtiva e da globalização financeira. As consequências sociais, políticas e culturais são profundas. Para citar apenas um aspecto: cada vez mais, o “eu” passou a ocupar o lugar do “nós”, desfazendo os laços de solidariedade que nos definem como seres sociais e substituindo-os por engajamentos efêmeros e individualizados.

São as transformações de grande envergadura do capitalismo contemporâneo que orientam os textos reunidos na série Economia & Sociedade. Em cinco textos, busca-se discutir diferentes dimensões dessas mudanças, abordando temas como o mercado de trabalho e a ação coletiva, a financeirização da saúde, os fundos de pensão, a crítica institucionalista ao mercado e a própria periodização do capitalismo. A aposta que orienta a série é a de que o “&” que liga os termos Economia & Sociedade precisa ser cada vez mais problematizado – indo na contramão de grande parte dos economistas que, interessados apenas em dados e estatísticas, têm se mostrado progressivamente descolados da sociedade em que vivem.


As classes trabalhadoras em movimento: elementos para (re)imaginar a luta de classes no século XXI

Por Ana Paula Fregnani Colombi (UFES)

Crédito: @rhaysaruas. Disponível aqui.

Geração Z, trabalhadores/as precarizados/as e sindicatos: aí estão três palavras que parecem impedidas de figurar na mesma sentença e, menos ainda, como coletivos ocupando as mesmas trincheiras. Enquanto os jovens sustentam que não dá para “desperdiçar a vida trabalhando”, os e as trabalhadoras precárias, jovens ou não, se organizam nos mais diversos coletivos – ainda que o façam por fora dos sindicatos. Às velhas organizações sindicais parece restar a defesa do direito ao trabalho com dignidade, como o faz a ala mais crítica das instituições ligadas à Justiça do Trabalho, ainda que isso pouco reverbere nos corações e mentes das classes trabalhadoras reconfiguradas pelo avanço da exploração e da espoliação da força de trabalho no capitalismo contemporâneo. Indicando a complexidade da situação em que estamos metidos, sindicatos, centrais sindicais e instituições ligadas aos direitos trabalhistas ocupam um lugar de defesa da ordem – para não perdermos o que levamos séculos para conquistar, incluindo aí a tão debatida Consolidação das Leis do Trabalho. Já os e as trabalhadoras mais jovens e novos coletivos denunciam os limites dessa mesma legislação e, sem negar a importância da proteção social, reivindicam que nossa criatividade social seja colocada a serviço do processo de imaginar uma outra sociedade do trabalho.

Trata-se de um contexto difícil de compreender, pois, no movimento da história, as coisas parecem estar fora de lugar. Quem são, afinal, as forças disruptivas de uma sociedade em movimento, quando as mudanças de orientação dos dispositivos de proteção social são profundamente determinadas pelos interesses capitalistas? Quem são as forças conservadoras de uma sociedade em movimento, quando os espaços mais tradicionais de representação das classes trabalhadoras lutam para não perder o que se conquistou em um cenário de tantas derrotas, como vem ocorrendo neste primeiro quarto do novo século?

Nesse cenário de derrotas – reformas da previdência, reforma trabalhista, reforma do ensino médio, aprovação da terceirização irrestrita, engessamento fiscal, seja pelas fórmulas de um governo ou de outro, e financeirização crescente da vida –, as classes trabalhadoras se movimentam, e não se pode dizer que entramos nessa pela ausência de luta social. Ocorre que ou estamos olhando para o lugar errado e esperando que o novo nasça de onde ele não pode brotar, ou buscamos “esperançar” ainda por meio das práticas políticas do século passado, que das ruas giraram à institucionalização e insistem em uma boa conversa para encontrar a conciliação de classes. As duas coisas também podem estar juntas, marcando o pessimismo que abate as forças progressistas agora institucionalizadas. Mas, se pensarmos a partir das margens, como propõe Zibechi (2022), poderemos “esperançar” com otimismo.

Para Benanav (2020), num mundo em desindustrialização, parece não fazer sentido insistir que os movimentos de resistência guardarão os traços dos movimentos trabalhistas que prevaleceram ao longo do século passado. A mudança na composição da força de trabalho e a ausência de mobilidade social, defende o autor, estão remodelando os movimentos sociais. Zibechi (2022) afirma que estamos diante de um momento de recomposição do campo popular, em que jovens, mulheres e favelados têm exercido um papel mais importante do que parece. Cortês (2021) ressalta, por sua vez, que foi a direita conservadora que logrou dissipar um horizonte político capaz de fornecer às pessoas a possibilidade de pensarem seus lugares no mundo social – como classe, raça e gênero – por meio do diagrama da guerra, da narrativa da humilhação e da recusa da autoridade. Mas destaca que isso ocorreu em um contexto de endividamento crescente e piora das condições de trabalho e de vida, o que indica que as classes trabalhadoras não são, em si, um sujeito cooptado e suscetível a manipulações ardilosas.

Pinheiro-Machado (2025), na mesma direção, reforça que estamos num momento de disputa das classes trabalhadoras. Para ela, o desejo de não ter patrão não significa assimilação do neoliberalismo, mas um grito de revolta contra a subordinação e as degradantes condições de trabalho em um país com passado escravista, que produz e reproduz dinâmicas de marginalização e humilhação que nossa legislação nunca foi capaz de barrar. Essa faísca de insubordinação, alerta a autora, pode escorregar facilmente para a negação da democracia; por isso, não se deve romantizar esse momento. De todo modo, suas potencialidades políticas também não devem ser descartadas.

O ponto é: as sociedades são contraditórias, assim como os valores políticos são ambíguos. E isso não é um problema. Pelo contrário: é justamente aí que mora a possibilidade de disputa. Se a corda pode ser puxada para um lado, também pode – com coragem, escuta e estratégia – ser puxada para o outro por meio das mesmas emoções que estruturam a classe trabalhadora: revolta, insubordinação, dignidade e sonho (Pinheiro-Machado, 2025: 22).

Para entender esse complexo cenário, podemos começar analisando a conjuntura para além dos indicadores que nos dizem que tudo vai bem, e então identificar os pontos mais prementes de sofrimento das classes trabalhadoras e de produção de angústia social como produto de uma sociedade neoliberal, financeirizada e autoritária. Só assim poderemos olhar para os movimentos – e não para as ausências – e levantar elementos que nos tirem do lugar de apenas diagnosticar o imobilismo das classes trabalhadoras, colocando-nos diante do desafio de identificar os fragmentos de experiência de onde brotam resistência, raiva, insubordinação e sonhos. 

Do ponto de vista laboral, destacamos que o crescimento da renda e do emprego significa, cada vez menos, qualidade de vida no trabalho. Uma taxa de desemprego baixa não expressa a criação de empregos de qualidade, tampouco aponta para uma perspectiva de mobilidade social, pois, à medida que se criam ocupações, multiplicam-se as pressões, o assédio moral, os acidentes de trabalho, as depressões e as jornadas extenuantes – intensivas e extensivas[1]. Além disso, 95% das ocupações criadas em 2024 se encontram na faixa de até 1,5 salário mínimo. Outro indício da insatisfação laboral é o aumento do número de demissões a pedido. Analisando os pedidos de demissão no mesmo ano, os dados do Novo Caged indicam que 36% do total de desligamentos foram voluntários. Esses se concentram em ocupações com remuneração entre 1 e 1,5 salário mínimo, jornada semanal entre 44 e 47 horas, entre trabalhadores/as com ensino médio completo, de 20 a 39 anos, atuando nos setores de comércio e serviços. Destacam-se, entre essas ocupações, vendedores do comércio varejista, caixas, repositores de mercado, atendentes de lanchonete, auxiliares de alimentação e operadores de telemarketing. Todos esses elementos configuram uma tendência de aprofundamento da precariedade – movimento que não pode ser compreendido de forma homogênea, pois é vivenciado de maneira mais intensa e permanente por jovens, mulheres e pessoas negras que, historicamente, estiveram descobertas da proteção trabalhista e sindical no Brasil.

O impacto das novas tecnologias, elemento essencial para entender as metamorfoses da precariedade no mundo laboral do século XXI, é outro fator que precisa ser levado em consideração. A emergência tecnológica e seus desdobramentos sobre o trabalho periférico devem ser compreendidos menos pelo seu potencial de supressão de ocupações (Benanav, 2020) e mais como parte de um processo que massifica e organiza a histórica dispersão dos traços constitutivos dos mercados de força de trabalho em países como o Brasil (Abílio, 2021), produzindo e reproduzindo diferenças ancoradas nos conflitos de raça, etnia, sexualidade e gênero, como afirmam Van der Laan e Roncato (2023).

O racismo não se apresenta como simples legado do passado escravista: ele foi também produzido e coexistiu com o desenvolvimento capitalista industrial (Hasenbalg & Silva, 1988). Não por acaso, mais da metade dos trabalhadores por aplicativo são negros – 58,6% entre motoboys e 55,4% entre motoristas (Góes, Firmino & Martins, 2022: 8). São inúmeras as pesquisas que evidenciam como o trabalho precário para empresas-plataforma reforça o estereótipo do negro em posição de subalternidade, demonstrando práticas de racismo contra esses/as trabalhadores/as, tanto por parte de clientes quanto de estabelecimentos e do Estado (Cunha, 2023).

No caso do trabalho subordinado às empresas-plataforma, as mulheres são minoria, tanto pela resistência das próprias plataformas quanto pelas dificuldades inerentes à realização de um trabalho em que não há banheiros disponíveis, tampouco qualquer esforço por parte das empresas em adaptar as bags aos corpos femininos – já que suas alças machucam e apertam os seios[2]. Há ainda marcadas desigualdades entre homens e mulheres nessa ocupação, tendo em vista as distintas condições de concorrência para angariar pontos (score) dentro das plataformas e a submissão constante ao assédio sexual (Arnaud & Gomes, 2024). A combinação entre distribuição desigual do tempo e tecnologia parece ser perversa na vida das mulheres entregadoras[3]

Outro elemento fundamental é compreender o que está ocorrendo com a perspectiva de futuro das novas classes trabalhadoras. Como se pode ver em estudo realizado pelo Banco Central do Brasil, está ocorrendo uma queda no rendimento médio nos grupos mais escolarizados no ano de 2025 em relação à 2012[4], o que sinaliza para a sociedade que estudar mais compensa cada vez menos. Além disso, entre 2019 e 2022, o número de trabalhadores/as com ensino superior ocupando vagas que não têm relação com a própria formação e nem exigem diploma universitário aumentou 21%, como aponta estudo realizado pelo Dieese. O percentual de pessoas com nível superior trabalhando como balconistas ou vendedores de loja cresceu 22%. Ou seja, os números indicam que escolaridade e mobilidade social não andam de mãos dadas, potencializando o sentimento de frustração – o que pode indicar que as oportunidades de trabalho, especialmente para os mais escolarizados, tornam-se mais escassas e não trazem o retorno esperado.

Condições de trabalho mais degradantes, ausência de perspectivas de ascensão social pelo trabalho e pela educação e os perversos efeitos da tecnologia sobre os mercados de trabalho periféricos nos ajudam a compreender que, embora a precariedade laboral seja uma realidade constitutiva, ela não é imutável: tem se potencializado e se transformado, ancorada nos processos de generificação e racialização do capitalismo. Cada vez mais, esses movimentos extrapolam a condição de formalidade ou informalidade, indicando que o patamar de proteção laboral que conseguimos estabelecer – em tempos de fragilização do poder sindical e em um país cujas relações de trabalho se baseiam na violência e no despotismo patronal – não dá conta de garantir uma vida em que o trabalho faça sentido não apenas como fonte de sobrevivência, mas também de realização, relevância e pertencimento social.

Por fim, a vida não vai mal somente no trabalho. Aliás, essa frase é conceitualmente imprecisa. Trabalhar não é produzir valor: trabalhar é produzir a vida (Bhattacharya, 2017) – e tentar lidar com as consequências da produção da morte (Ruas, 2025). E a vida vai mal não apenas quando estamos produzindo valor para outrem, mas também quando estamos organizando a existência para poder fazê-lo. A reprodução social pede socorro, pois, sobretudo nós, mulheres, temos um milhão de afazeres: arrumar a casa, cuidar dos nossos, fazer supermercado, gerenciar a dinâmica familiar em tempos de pandemias e adoecimento crescente. Não por acaso, entre 2012 e 2020, entre as ocupações que mais cresceram estão “vendedores em domicílio” e “trabalhadores de cuidados pessoais em domicílio”, como mostram Krein, Manzano e Teixeira (2022). Essas ocupações respondem às demandas das famílias e não refletem apenas as consequências de um processo demográfico de envelhecimento populacional, mas antes uma crise da reprodução social (Fraser, 2024), cuja solução apresentada pelo capital é a mercantilização do cuidado. A vida vai mal não apenas quando produzimos valor para outrem, mas também quando, às mulheres negras, pesa a tarefa social de lidar com as consequências da produção capitalista da morte – e quando precisam fazer cicatrizar a dor causada pela violência estatal e pelo crime organizado sobre suas famílias, como mais uma vez assistimos na cidade do Rio de Janeiro recentemente.

Esses elementos até aqui pontuados fornecem o retrato de uma realidade social ancorada no sentimento de angústia e na ansiedade perpétua. Um parêntese: só é possível retratar esse cenário porque temos pesquisa de ponta em universidades de ponta. É a pesquisa que nos permite ligar os pontos para entender onde estamos e como chegamos até aqui, como muito bem demonstra o novo filme O Agente Secreto, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho. Indo adiante, enquanto o neoliberalismo privatizou o estresse, a ansiedade e a angústia, transformando-os em uma condição médica, cabe aos movimentos de resistência do campo popular politizá-los, como defendeu Fisher (2020).

No Brasil, quem vem fazendo isso são justamente os coletivos que compreenderam, na teoria e/ou na prática, que os desafios colocados à imaginação de um novo modo de organização da vida precisam resgatar o sentido ontológico do trabalho. Não seria este o movimento que vem sendo realizado pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), ao colocar na ordem do dia a necessidade de trabalhar menos para que todos/as trabalhem, pautando, inclusive, o acesso mais democrático e emancipatório ao tempo livre e às tarefas da reprodução social? Não seria esse o sentido da iniciativa do Movimento de Trabalhadores sem Direitos e da Aliança Nacional de Entregadores por Aplicativo (ANEA) ao criar a BASE, um espaço destinado a entregadores de aplicativo, ambulantes e demais trabalhadores informais da cidade de São Paulo, oferecendo-lhes acesso a banheiro, água, micro-ondas, espaço para descanso, alimentação e infraestrutura básica? No retrato de uma sociedade em que um par de indicadores um pouco melhores já é suficiente, o que vemos, como resultado de pesquisa crítica e de qualidade, é a reconfiguração da precariedade da vida e a produção da angústia social. E o que os fragmentos de experiência coletiva mostram, como sugere Safatle (2025), é que a transformação social é fruto de novas ideias e pensamentos produzidos como efeito dos afetos despertados pelos acontecimentos em nós. Onde há raiva social, há luta.


Notas

[1] No Brasil, considerando os dados da PnadC/IBGE para o 4º trimestre de 2024, 47% dos assalariados têm jornada acima de 40 horas semanais e 13,5% trabalham 48 horas ou mais. Potencializadas pela Reforma Trabalhista de 2017, crescem jornadas intensivas e extensivas de trabalho como a jornada 12×36 horas e a escala 6×1. Disponível em: https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2025/primeirodemaio.html. Acesso em: 25 out. 2025.

[2] Disponível em: https://www.esquerdadiario.com.br/Mulheres-e-machismo-nos-trabalhos-de-entrega-por-App. Acesso em: 25 out. 2025.

[3] “Nós, mulheres, sempre-sempre-vamos estar em desvantagem com o score”, avalia Ludmila Ferreira, também entregadora na capital de Goiás. “Porque homem sai de casa para trabalhar, ele simplesmente sai, não tem hora para voltar. Ele pode ficar o tempo inteiro lá, quando ele chegar em casa, os filhos estão cuidados, a casa está arrumada, a comida está pronta. E mulher, não. Mulher não tem como: é impossível a gente se doar ao iFood 100% igual o iFood quer”, argumenta. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2023/06/09/banheiros-fim-do-score-e-dos-bloqueios-conheca-demandas-das-mulheres-entregadoras-de-app/. Acesso em 25/10/2025.

[4] Disponível em: https://www.bcb.gov.br/noticiablogbc/39/noticia. Acesso em:  03 nov. 2025.

Referências

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Sobre a autora

Ana Paula Fregnani Colombi é Professora do Programa de Pós-Graduação em Política Social e do Departamento de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT, Instituto de Economia, Unicamp). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.