Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Soraya Vargas Côrtes

Hoje teremos uma dobradinha de posts da série Modos de narrar a sociologia brasileira, que se propõe a publicar excertos de memoriais acadêmicos selecionados por sociólogas e sociólogos, a fim de contar uma história mais plural, descentrada e contingente dessa área do conhecimento. Neste primeiro post apresentamos – sempre em pares – os relatos de Irlys Alencar Firmo Barreira (UFC) e Soraya Vargas Côrtes (UFRGS).

Observando que os memoriais seguem uma “lógica do acontecido depois que o tempo se congelou em um título”, Irlys narra seu rico percurso que deságua, mas não se esgota, no campo de estudos dos movimentos sociais urbanos e sua dimensão cultural e no interesse pela construção de lideranças populares. Já Soraya organiza seu relato a partir das diferentes “identidades-nós” que assume em sua trajetória profissional – da militância e gestão na área de saúde coletiva à sociologia política das policies –, orientada por variações de um tema básico: o que explica a mudança social? Como diferentes padrões de relações entre atores em rede, que compartilham certo horizonte de expectativas, e os resultados de políticas públicas modificam desigualdades sociais e políticas duradouras, ampliando direitos e democratizando o acesso a bens e serviços?

Para conferir a apresentação e demais posts da série clique aqui.

Desejamos a todas e todos boa leitura!

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Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Irlys Alencar Barreira

Hoje teremos uma dobradinha de posts da série Modos de narrar a sociologia brasileira, que se propõe a publicar excertos de memoriais acadêmicos selecionados por sociólogas e sociólogos, a fim de contar uma história mais plural, descentrada e contingente dessa área do conhecimento. Neste primeiro post apresentamos – sempre em pares – os relatos de Irlys Alencar Firmo Barreira (UFC) e Soraya Vargas Côrtes (UFRGS).

Observando que os memoriais seguem uma “lógica do acontecido depois que o tempo se congelou em um título”, Irlys narra seu rico percurso que deságua, mas não se esgota, no campo de estudos dos movimentos sociais urbanos e sua dimensão cultural e no interesse pela construção de lideranças populares. Já Soraya organiza seu relato a partir das diferentes “identidades-nós” que assume em sua trajetória profissional – da militância e gestão na área de saúde coletiva à sociologia política das policies –, orientada por variações de um tema básico: o que explica a mudança social? Como diferentes padrões de relações entre atores em rede, que compartilham certo horizonte de expectativas, e os resultados de políticas públicas modificam desigualdades sociais e políticas duradouras, ampliando direitos e democratizando o acesso a bens e serviços?

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Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Paula Barreto

Damos continuidade hoje à série Modos de narrar a sociologia brasileira, que se propõe a publicar excertos de memoriais acadêmicos selecionados por sociólogas e sociólogos a fim de contar sequências de uma história mais plural, descentrada e contingente dessa área do conhecimento. O post de hoje – sempre em pares – traz os relatos de Paula Cristina da Silva Barreto (UFBA) e Leopoldo Waizbort (USP).

Narrando aqui parte de sua trajetória, Paula Barreto flagra também a constituição de um novo momento no campo dos estudos das “relações raciais”, marcado pela virada em direção às desigualdades raciais e ao racismo e, posteriormente, à defesa das políticas antirracistas. Já Leopoldo Waizbort realiza uma provocativa “sociologia do memorial acadêmico” que indaga o sentido – extemporâneo e anacrônico, segundo o autor – dessa peça discursiva num mundo cujo grau de racionalização da profissão, soterrado o exercício da “ciência como vocação”, pode ser sintetizado pelo famigerado currículo lattes – figurando as transformações contemporâneas desse espaço social que é a universidade.

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Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Leopoldo Waizbort

Damos continuidade hoje à série Modos de narrar a sociologia brasileira, que se propõe a publicar excertos de memoriais acadêmicos selecionados por sociólogas e sociólogos a fim de contar sequências de uma história mais plural, descentrada e contingente dessa área do conhecimento. O post de hoje – sempre em pares – traz os relatos de Paula Cristina da Silva Barreto (UFBA) e Leopoldo Waizbort (USP).

Narrando aqui parte de sua trajetória, Paula Barreto flagra também a constituição de um novo momento no campo dos estudos das “relações raciais”, marcado pela virada em direção às desigualdades raciais e ao racismo e, posteriormente, à defesa das políticas antirracistas. Já Leopoldo Waizbort realiza uma provocativa “sociologia do memorial acadêmico” que indaga o sentido – extemporâneo e anacrônico, segundo o autor – dessa peça discursiva num mundo cujo grau de racionalização da profissão, soterrado o exercício da “ciência como vocação”, pode ser sintetizado pelo famigerado currículo lattes – figurando as transformações contemporâneas desse espaço social que é a universidade.

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Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Josefa Salete Barbosa Cavalcanti

Iniciamos hoje a série Modos de narrar a sociologia brasileira dedicada à publicação de memoriais – em excertos selecionados pelos autores – de sociólogas e sociólogos brasileiros. A iniciativa é uma parceria do Grupo de Trabalho de Pensamento social da Anpocs com o Comitê de Pesquisa da mesma área da SBS.

Requisito fundamental para obtenção da titularidade na carreira, embora pouco conhecidos por seus pares, os memoriais acadêmicos desempenham um papel crucial como registros históricos da sociologia brasileira, capturando não apenas as trajetórias profissionais dos pesquisadores, mas também, por meio delas, as sequências contingentes de desenvolvimento e as transformações da disciplina e das instituições que a rotinizam ao longo do tempo. Embora se concentrem nas experiências individuais, os memoriais são reveladores das dinâmicas coletivas – de cooperação e competição – e das redes de colaboração que moldam a área. São a seu modo também dispositivos singulares de exercício da imaginação sociológica que figuram, em regime narrativo próprio, a questão perene da sociologia da relação indivíduo e sociedade, e nos ajudam a “compreender a história e a biografia e as relações entre ambas, dentro da sociedade”, como diria Wright Mills.

Documentos escritos meditados e intencionados que carregam e produzem, por meio de lembranças mas também de esquecimentos, interpretações variadas e por vezes divergentes sobre os contextos da disciplina, a sociedade também escreve a si mesma nas teias desses textos-práticas de si. E nas suas entrelinhas, o social se faz autor e ganha voz – através de seus ditos, não ditos, entreditos, interditos e até mesmo indizíveis. Sem deixar de buscar os fios que entrelaçam diferentes momentos de uma trajetória, o que se deixa ver nos memoriais coligidos é um exercício reflexivo de narrar experiências vividas em que escolhas e conquistas, mas também contingências e acasos condicionados por estruturas de limites e oportunidades, espiralam as jornadas, por vezes vazando a coerência e linearidade do ato discursivo. Esse esforço de síntese permite uma compreensão mais profunda e nuançada do desenvolvimento acadêmico, reconhecendo a importância tanto dos momentos planejados quanto dos imprevistos, bem como das próprias disputas narrativas que vão modelando diferentes versões da história intelectual da disciplina. Ao contarem suas histórias de formação e atuação, as sociólogas e sociólogos contam também muitas outras histórias compartilhadas.

Cada memorial constitui, portanto, uma peça em que os personagens – que frequentam e fazem múltiplas histórias – encenam um enredo maior comum e público, figurando tendências, debates e mudanças teóricas, metodológicas e cognitivas da área, mas também os laços e conflitos que ligam gerações, conformando uma comunidade acadêmica. Esperamos, assim, que a perspectiva histórica delineada nos memoriais publicados na série sirvam de registro dessa história viva e plural, e, sobretudo, que as gerações mais jovens possam encontrar neles momentos constitutivos de suas próprias trajetórias e reconhecer o legado construído por seus predecessores, o que numa sociedade improvável como a brasileira em que a vida intelectual parece recomeçar do zero a cada geração, como afirma Roberto Schwarz, não é trivial. Afinal, é através desse trabalho coletivo e ininterrupto de comunicação intergeracional que, numa espécie de corrida de revezamento, se realiza o sentido cumulativo, embora cronicamente não consensual, da prática da sociologia que lhe concede o “dom da eterna juventude”.

Abrimos a série com os relatos das sociólogas Elisa Reis (UFRJ) e Josefa Salete Barbosa Cavalcanti (UFPE), em cujas notáveis trajetórias se combinam o local, o regional, o nacional e o global, fazendo delas figuras exemplares e pioneiras da sociologia brasileira.

Agradecemos às colegas e aos colegas que gentilmente aceitaram publicar trechos de seus memoriais como parte dessa ação e a André Botelho pelo estímulo na organização dela. Os posts sairão sempre às quintas-feiras e em duplas, de modo a provocar o diálogo em torno dos diferentes modos de narrar a prática desta disciplina compartilhada e disputada.

Maurício Hoelz & Lucas Carvalho

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Série Modos de Narrar a Sociologia Brasileira | Elisa Reis

Iniciamos hoje a série Modos de narrar a sociologia brasileira dedicada à publicação de memoriais – em excertos selecionados pelos autores – de sociólogas e sociólogos brasileiros. A iniciativa é uma parceria do Grupo de Trabalho de Pensamento social da Anpocs com o Comitê de Pesquisa da mesma área da SBS.

Requisito fundamental para obtenção da titularidade na carreira, embora pouco conhecidos por seus pares, os memoriais acadêmicos desempenham um papel crucial como registros históricos da sociologia brasileira, capturando não apenas as trajetórias profissionais dos pesquisadores, mas também, por meio delas, as sequências contingentes de desenvolvimento e as transformações da disciplina e das instituições que a rotinizam ao longo do tempo. Embora se concentrem nas experiências individuais, os memoriais são reveladores das dinâmicas coletivas – de cooperação e competição – e das redes de colaboração que moldam a área. São a seu modo também dispositivos singulares de exercício da imaginação sociológica que figuram, em regime narrativo próprio, a questão perene da sociologia da relação indivíduo e sociedade, e nos ajudam a “compreender a história e a biografia e as relações entre ambas, dentro da sociedade”, como diria Wright Mills.

Documentos escritos meditados e intencionados que carregam e produzem, por meio de lembranças mas também de esquecimentos, interpretações variadas e por vezes divergentes sobre os contextos da disciplina, a sociedade também escreve a si mesma nas teias desses textos-práticas de si. E nas suas entrelinhas, o social se faz autor e ganha voz – através de seus ditos, não ditos, entreditos, interditos e até mesmo indizíveis. Sem deixar de buscar os fios que entrelaçam diferentes momentos de uma trajetória, o que se deixa ver nos memoriais coligidos é um exercício reflexivo de narrar experiências vividas em que escolhas e conquistas, mas também contingências e acasos condicionados por estruturas de limites e oportunidades, espiralam as jornadas, por vezes vazando a coerência linear do ato discursivo. Esse esforço de síntese permite uma compreensão mais profunda e nuançada do desenvolvimento acadêmico, reconhecendo a importância tanto dos momentos planejados quanto dos imprevistos, bem como das próprias disputas narrativas que vão modelando diferentes versões da história intelectual da disciplina. Ao contarem suas histórias de formação e atuação, as sociólogas e sociólogos contam também muitas outras histórias compartilhadas.

Cada memorial constitui, portanto, uma peça em que os personagens – que frequentam e fazem múltiplas histórias – encenam um enredo maior comum e público, figurando tendências, debates e mudanças teóricas, metodológicas e cognitivas da área, mas também os laços e conflitos que ligam gerações, conformando uma comunidade acadêmica. Esperamos, assim, que a perspectiva histórica delineada nesta série sirva de registro dessa história viva e plural, e, sobretudo, que as gerações mais jovens possam encontrar neles momentos constitutivos de suas próprias trajetórias e reconhecer o legado construído por seus predecessores, o que numa sociedade improvável como a brasileira em que a vida intelectual parece recomeçar do zero a cada geração, como afirma Roberto Schwarz, não é trivial. Afinal, é através desse trabalho coletivo e ininterrupto de comunicação intergeracional que, numa espécie de corrida de revezamento, se realiza o sentido cumulativo, embora cronicamente não consensual, da prática da sociologia que lhe concede o “dom da eterna juventude”.

Abrimos a série com os relatos das sociólogas Elisa Reis (UFRJ) e Josefa Salete Barbosa Cavalcanti (UFPE), em cujas notáveis trajetórias se combinam o local, o regional, o nacional e o global, fazendo delas figuras exemplares e pioneiras da sociologia brasileira.

Agradecemos às colegas e aos colegas que gentilmente aceitaram publicar trechos de seus memoriais como parte dessa ação e a André Botelho pelo estímulo na organização dela. Os posts sairão sempre às quintas-feiras e em duplas, de modo a provocar o diálogo em torno dos diferentes modos de narrar a prática desta disciplina compartilhada e disputada.

Maurício Hoelz & Lucas Carvalho

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