Coluna Palavra Crítica | Homenagem a Silviano Santiago, por Evelina Hoisel

O Blog da BVPS publica, na coluna Palavra Crítica, o texto de saudação de Evelina Hoisel (UFBA) a Silviano Santiago, homenageado com o prêmio Tânia Franco Carvalhal, concedido pela Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC). A cerimônia ocorreu no XVIII Congresso da ABRALIC – A Literatura Comparada e a invenção de um mundo comum, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, no dia 12 de julho de 2023.

Evelina Hoisel é professora titular de Teoria da Literatura do Instituto de Letras da UFBA e integrante da Academia de Letras da Bahia, de onde foi sua primeira presidente. Em sua saudação, ela apresenta importante panorama das contribuições intelectuais do professor, escritor e crítico literário para o campo da Literatura Comparada no Brasil. Por meio de ferozes gestos críticos, em um processo intercambiável de um escrever sobre e um escrever-se sob, Silviano realiza a desconstrução de perspectivas colonialistas e deslocamentos de posições hegemônicas, que historicamente domesticaram a nossa cultura.

Boa leitura!


Homenagem a Silviano Santiago

                        Por Evelina Hoisel (UFBA)

Boa tarde a todas e a todos.

Saúdo a Presidente da ABRALIC, professora Rachel Esteves Lima, e por meio dela, cumprimento a diretoria da ABRALIC.

Saúdo o querido Mestre, amigo, Velho amigo, Silviano Santiago, homenageado neste XVIII Congresso Internacional da ABRALIC – A Literatura Comparada e a invenção de um mundo comum.

Saúdo todas as pesquisadoras e todos os pesquisadores presentes nesta cidade de São Salvador, Bahia de todos os Santos, no ano de celebração dos 200 anos da luta da Independência do Brasil na Bahia. Sejam todas e todos bem-vindas/bem-vindos a esta terra que abriga diversidades e multiculturalismos.

A presidente da ABRALIC, a querida Rachel Esteves Lima, me deu a incumbência da honrosa e difícil tarefa de fazer essa saudação ao escritor, crítico, ensaísta, professor, Mestre de tantas gerações de pesquisadores, Silviano Santiago, que hoje recebe desta Associação o prêmio Tânia Franco Carvalhal pela sua notável contribuição à Literatura Comparada e à ABRALIC.

Confesso que a tarefa foi recebida com um misto de preocupação e alegria. Preocupação por conta da impossibilidade de traduzir os múltiplos espaços abertos pelas demolidoras e instigantes reflexões de Silviano Santiago na literatura brasileira, na crítica literária e na cultura brasileira. Aceito com alegria sempre conduzida pela força do afeto.

Significativo que este prêmio seja conferido no âmbito de um Congresso que, na sua proposta e no seu próprio título, alinha-se ao projeto intelectual de Silviano: A Literatura Comparada e a invenção de um mundo comum. Esse projeto, iniciado nos anos 1960 em universidades estrangeiras – França, Canadá e Estados Unidos –, e na década de 1970 no Brasil, constituiu-se como uma proposta de afirmação e de acolhimento das diferenças, de deslocamento de valores hegemônicos, hierarquizantes e excludentes, de desconstrução das dicotomias estabelecidas ao longo dos séculos pelos processos de domesticação eurocêntrica.

A ferocidade do projeto de Silviano Santiago, materializada nos ensaios e nos textos literários, constitui-se como resistência a todas as formas de domesticação – seja ela civilizacional, política, cultural, literária, crítica e biográfica – ou seja, de grafias de vida, denominação que Silviano prefere utilizar em textos mais recentes para falar do biográfico. Tomo essas palavras – domesticação e ferocidade – retiradas do ensaio sobre Grande sertão: veredas, em Genealogia da ferocidade (2017), pela contundência de metáforas para o entendimento do projeto intelectual do próprio Silviano Santiago, cujo foco avassalador de rejeição abala as formas totalizantes dos discursos do poder hegemônico, principalmente na sua forma do empreendimento colonial.

Rastreio algumas declarações encontradas em sua obra que me autorizam considerar a potência monstruosa de sua ensaística e de sua literatura na ferocidade de seu gesto desconstrutor, capaz de reverter valores sedimentados ao longo dos séculos por todos os processos de domesticação. Na Genealogia da ferocidade, de forma corajosa – e de contundente ousadia – Silviano expõe as investidas da melhor crítica literária brasileira cuja leitura esteve interessada em domesticar ocidentalmente a monstruosidade da escrita rosiana, sem se deixar seduzir pela “beleza selvagem do monstro”. Diz Silviano: “Guimarães Rosa o escreve monstro para que sua qualidade selvagem se destaque com nitidez na paisagem modernizadora do Brasil” (Santiago, 2017: 11). “Grande sertão: veredas é ácido, corrosivo e principalmente intempestivo” (Santiago, 2017: 23)

Ao aderir à genealogia da ferocidade, em Viagem ao México (1995), o narrador inventa-se monstro, representado no texto pela figura do anfíbio, um monstro híbrido, imagem vigorosa para traduzir a contingência do escritor latino-americano: a sua própria constituição de intelectual periférico, transitando pelas grandes metrópoles estrangeiras, encorpando distintas marcas culturais. Anfíbia é a escrita impura, híbrida – monstruosa –, que rompe com o primado da origem e afirma-se, deslocando o valor de pureza, marca predominante nos estudos eurocêntricos de literatura comparada até então. Neste deslocamento, confere outra perspectiva conceitual para as noções de original e de cópia, cerne dos estudos comparatistas. Por sua vez, na abertura do 53º Festival de Inverno de Ouro Preto, em diálogo com a saudosa e querida Eneida Maria de Souza sobre seu último livro, Menino sem passado (2021), Silviano declara: “Gosto de deixar minha grafia de vida feroz. Não gosto de domesticar minha grafia de vida. Quero deixá-la feroz, selvagem”.

No Menino sem passado, ao dramatizar as memórias do menino sonâmbulo, fica exposta a sua exclusão do romance familiar e o movimento para se desvencilhar da genealogia consanguínea/biológica. Para resistir às tábuas da lei da família patriarcal mineira e provinciana – Silviano nasceu na cidade de Formiga, em Minas Gerias –, ele se reinventa performaticamente, apossando-se do outro, superpondo à sua grafia de vida – de forma “atrevida” (Santiago, 2020: 50) – a grafia de vida de autores e atores culturais de épocas distintas como nos romances Em Liberdade (1981), Viagem ao México (1995), Machado (2016), para citar apenas as realizações literárias mais exuberantes e atrevidas de se automodelar pela mediação do outro: “Sou o autor/hóspede atrevido, que acata as regras de vida e de arte consignadas pelo generoso autor/hospedeiro”, declara sobre o processo de escrita de Em Liberdade, onde ele se transfigura em Graciliano Ramos e escreve com Graciliano Ramos, declaração realizada no livro Fisiologia da Composição: gênese da obra literária em Graciliano Ramos e Machado de Assis (Santiago, 2020: 50).

Nesse sentido, dramatizar-se através do outro traduz a possibilidade de reinventar-se como pertencente a uma comunidade/coletividade, numa atitude ética, estética, política e democrática que configura o projeto cultural de Silviano Santiago. Em Menino sem passado: 1936-1948, diante das imagens projetadas nas telas de cinema, o menino que se sentia deslocado do espaço familiar já pressentia aquilo que constituiria, no futuro, a ética e a estética da atuação política de um intelectual periférico, provinciano, que adere ao nomadismo e vive em sucessivas migrações geográficas e discursivas. Ao recuperar as memórias do Menino sem passado, em tempo de posteridade, traduz o sentimento do menino diante das aventuras vivenciadas pelos personagens do filme, na tela do cinema: “Sinto falta da experiência de companheirismo numa comunidade fechada de iguais. Quero ser parte da coletividade laboriosa e feliz que se representa no dia a dia da vida em convivência nas salas e salões de navio, destróier ou submarino, e em túneis subterrâneos. E não sou. Todos eles a navegar na superfície ou nos fundos dos muitos oceanos que recobrem a terra. […] O companheirismo os une e salva” (Santiago, 2021: 146-147).

Assim, as futuras preocupações teóricas, críticas e ficcionais já povoam o imaginário do menino de Formiga em sua direção ao outro e se tornam o cerne da atuação intelectual e acadêmica do escritor Silviano Santiago. E para aproximar-se do outro, ele se inventa em um espaço de limiaridade e de convivência no qual um eu e um outro – estranho e às vezes monstruoso, como o narrador de Viagem ao México – habitam um entre-lugar de partilha de tensões, mobilizando e entrecruzando diferentes espacialidades e temporalidades. “Transfiguro-me. Sou o outro sendo eu. Sou o tomo V da correspondência de Machado de Assis: 1905-1908” (Santiago, 2016: 49). Pelo processo de transfiguração autoral – palavra usada pelo narrador do romance Machado – nos textos citados, são encenadas as grafias de vida de intelectuais periféricos em momentos distintos da vida política e cultural do Brasil.

Transfigurar-se em outro – em Graciliano, em Machado, em Artaud e em tantos outros atores culturais – não significa falar somente de si. Pela mediação do outro, são revisitados importantes momentos da história social, política, cultural do século XX e XXI, do Brasil e do mundo. Como obsessivo leitor, Silviano Santiago, em sua literatura anfíbia, mobiliza múltiplas territorialidades e temporalidades. Nesse movimento, efetua-se uma releitura da literatura brasileira, trazendo para as páginas da crítica literária e cultural questões que foram reprimidas e silenciadas ao longo do tempo pela historiografia e pela crítica. Em Machado, por meio de uma escrita convulsiva, é exposta a epilepsia do Mestre do Cosme Velho nos últimos anos de vida, situação que não foi abordada pela crítica. Através desse viés, coloca-se a ideia de sobrevivência de um escritor em outro; a escrita convulsiva de Machado na escrita de Silviano Santiago.

As metáforas conceituais que aparecem em seus textos sobre esse processo de vivências em um entre-lugar literário, espaço que abriga simultaneamente um eu e um outro, é demarcado por palavras que inscrevem valores capazes de traduzir questões de convivência humanitárias mais amplas, como o acolhimento do outro enquanto migrante estrangeiro em território alheio, um dos problemas mais prementes do mundo na atualidade. Ao elegerem e encenarem o estabelecimento de alianças simbólicas, numa relação que não privilegia o semelhante, mas as alteridades, esses textos dramatizam vias de reflexão sobre tensões civilizatórias, em um mundo dividido em conflitos étnicos, identitários, políticos.

Por sua vez, do ponto de vista dos estudos literários e culturais, estes textos expõem a superação da noção de dívida – como a dívida do texto do colonizado perante o modelo do colonizador, pressuposto que norteou os estudos comparatistas até a segunda metade do século XX. Por meio das noções de texto-autor-hóspede e de texto-autor-hospedeiro, efetua-se uma revisão dos conceitos de cópia, contribuição, e influência, conforme anotado em Fisiologia da composição: “Uma nova metodologia de leitura da literatura brasileira teria necessariamente de desconstruir a metodologia de leitura dominante na literatura comparada a fim de dar conta dos valores de cópia e de contribuição, reconhecendo, ainda, os princípios de originalidade em cópia inevitável” (Santiago, 2020: 35, grifos no original).

Leio as concepções metafóricas de texto-autor-hóspede e de texto-autor-hospedeiro como estratégias de reflexão que indicam a possibilidade e a necessidade de se inventar um mundo compartilhado por diferentes terras e gentes, criando espaços de encontros e de diálogos, de acolhida, de solidariedade e de afetos, ainda que este processo se efetue de modo tenso, complexo, intrincado, paradoxal. Todavia, necessário!“A hospitalidade tem mão dupla: é o ato de o viajante/escritor hospedar em alojamento que lhe é destinado e, também, o gestual de acolhida, que o faz sentir bem, como se estivesse em casa” (Santiago, 2020: 38).

Tantos anos transcorreram desde a entrada de Silviano no cenário cultural internacional e nacional e, nesta edição do XVIII Congresso Internacional da ABRALIC, continuamos discutindo sobre o papel da Literatura Comparada para traçar vias de acesso capazes de mobilizar a invenção de um mundo comum. Em um mundo globalizado, no qual as fronteiras discursivas e artísticas são rasuradas, a prática da literatura comparada é guiada no sentido de compreender como determinadas produções artísticas e culturais se constroem simbolicamente e nos fazem pensar em modos de habitar o mundo e de conviver não somente como espaço de confrontação de alteridades, viés que ainda pressupõe uma visão hierarquizada do outro, mas como alteridades em confluência, espaço de diálogos e de solidariedade, com o acolhimento do multilinguismo, do multiculturalismo, da heterogeneidade, do hibridismo, dos limiares.

Importante lembrar que Silviano Santiago ainda se encontrava no Canadá, na década de 1970, quando escreveu o ensaio “O entre-lugar do discurso latino-americano”, que representa uma de suas mais férteis colaborações para a Literatura Comparada no Brasil e na América Latina, cujos desdobramentos ainda hoje circulam em seus textos recentes, a partir das surpreendentes articulações que continuam reconfigurando as possíveis metodologias da Literatura Comparada.

Dos constantes deslocamentos de um intelectual periférico entre Brasil, França, Canadá e Estados Unidos, constituiu-se um intelectual cosmopolita, que vivenciou momentos de agitação cultural e política em grandes metrópoles estrangeiras e cujo olhar sobre o Brasil e a América Latina foi lançado sob a mediação da distância geográfica, o que lhe permitiu pensar, de forma duplamente marcada, as contingências históricas da colonização nos trópicos, para colocar em causa o discurso do colonialismo cultural, a domesticação civilizatória eurocêntrica.

Impossível traçar o percurso da atividade intelectual de Silviano Santiago neste espaço. São aproximadamente quarenta livros publicados, muitas comendas e prêmios recebidos, no Brasil e no exterior. Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, foi várias vezes agraciado com o prêmio Jabuti. Recebeu, por conta do conjunto da obra, o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. Foi contemplado com o Prêmio José Danoso, do Chile, com o Oceanos e, mais recentemente, com o Camões, maior premiação na área da literatura em língua portuguesa. Na França, por honra do governo francês, foi distinguido com o título Officier dans l’Ordre des Arts et Lettres e Chevalier dans l’ Ordre de Palmes Académique.

Hoje, a ABRALIC, gestão 2022-2023, em reconhecimento e agradecimento à contribuição de sua obra teórico-crítica-literária, concede-lhe o prêmio que recebe o nome de uma das idealizadoras da ABRALIC e foi sua primeira presidente: o prêmio Tânia Franco Carvalhal. Diante de tantas premiações tão relevantes, este gesto institucional é fundamental para demarcar de maneira simbólica e efetiva, na história da Associação Brasileira de Literatura Comparada, a relevância da exuberante contribuição do pensamento teórico e crítico de Silviano Santiago para os estudos comparatistas, contribuição que ultrapassa, contudo, o legado de sua ensaística e de sua literatura, uma vez que Silviano Santiago foi presidente desta Associação, quando ela esteve sediada na Universidade Federal Fluminense, no biênio 1991-1992, em Niterói.

Vivenciamos, nesta celebração, o entre-lugar da afetividade e do saber, uma das desafiadoras lições do Mestre Silviano Santiago, sempre generoso nos ensinamentos e acolhimento de tantas gerações. Esse gesto de reconhecimento transborda o sentimento de admiração e de afeto aqui celebrados. O reconhecimento de pesquisadores que tiveram e continuam tendo suas pesquisas enriquecidas e movimentadas pelas potentes e desafiadoras reflexões de Silviano e pelos intrincados labirintos de sua literatura que oferece, a cada novo texto impertinente e inclassificável – monstro – outras possibilidades para se problematizar e revisar os caminhos da literatura comparada, da crítica literária e cultural, das encenações do biográfico, do memorialismo. E, primordialmente, das relações entre arte e política, fio condutor do pensamento de Silviano Santiago enquanto intérprete do Brasil.

No espaço dessa saudação, minhas lembranças afetivas afloram e me transportam para os efervescentes anos de nosso convívio na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, entre os anos de 1975 e 1979. Como aluna e orientanda de Silviano, vivenciei surpreendentes contatos com seu pensamento inovador a partir das inquietações produtivas de suas aulas e dos seus ensaios, ainda mimeografados naquela época, os quais já demarcavam a virada epistemológica que aflora no cenário das instituições de ensino superior, nos programas de Pós-Graduação em Letras e Ciências Humanas no Brasil e no exterior, que transborda posteriormente para dissonantes debates no espaço da ABRALIC, nos anos 1980 e 1990. Em 1978, esses ensaios foram publicados na coletânea Uma literatura nos trópicos, marco inaugural que expõe um momento histórico de transição e de reviravolta nos estudos literários: a passagem da crítica literária para a crítica cultural, o deslocamento da crítica sociológica para a antropológica.

Impossível não mencionar, naquele período, a elaboração do Glossário de Derrida, organizado por Silviano, que envolveu a participação dos estudantes da disciplina de pós-graduação da PUC-Rio que ele ministrava. Ler os textos de Derrida em francês – só havia dois livros traduzidos, A escritura e a diferença e Gramatologia – foi uma tarefa hercúlea, possível de ser realizada pelo rigor da metodologia do Mestre e pelo incentivo que recebíamos em cada aula para atravessar a densa teia de questões que encorpam o tecido textual de Jacques Derrida, lido com Silviano Santiago. Essas aulas marcaram profundamente a formação dos estudantes, uma geração que ainda hoje atua nas instituições de ensino superior do país como docentes e pesquisadores e circulam no espaço desta Associação. Vivíamos naquele período a explosão dos processos de revaloração cultural, do descentramento, da desconstrução, da emergência das minorias étnicas e de gênero. Momento ímpar na história cultural brasileira – e mundial – cujos desdobramentos repercutem ainda com vigor neste XVIII Congresso da ABRALIC, em Salvador.

Foi graças à compreensão da transitividade da literatura, da sua interação com outros discursos da cultura, um dos conceitos-chaves para o entendimento das concepções que rasuravam a noção intransitiva do literário predominante na academia, que pude escrever minha dissertação Supercaos: os estilhaços da cultura em PanAmérica e Nações Unidas, sob a rigorosa e luminosa orientação do Mestre Silviano Santiago. Na contramão dos estudos canônicos vigentes, pude então estabelecer conexões entre literatura e tropicalismo, literatura e arte pop, literatura e o cinema de Hollywood, trazendo para o campo da literatura as produções de massa, em um processo de deslocamento do cânone privilegiado pela academia e dos dualismos que separavam alta literatura e baixa literatura, literatura erudita e literatura popular. Naquele momento, eu não tinha ainda a dimensão daquele gesto revolucionário disseminado nas aulas em que os textos instalavam os estudos culturais na universidade brasileira, a partir do pensamento dessacralizador e desconstrutor de Silviano Santiago.

Ao Mestre Silviano Santiago, meus sinceros agradecimentos, sabedora de que esses agradecimentos aqui evocados por esta voz que traz memórias são endossados por tantos pesquisadores da Literatura Comparada.

Prezadas pesquisadoras e prezados pesquisadores da Associação Brasileira de Literatura Comparada, convido e convoco vocês para uma roda de festa e alegrias, poder de ser, de agir e de criar. Convido vocês para homenagear esse portador de uma força resistente à ordem rotineira, que, ao desenhar uma cartografia de pesquisa apaixonante, traz uma irreverência que não é negociável e que é essencial a todo ser realmente humano!

Salão Nobre da Reitoria da UFBA, 12 de julho de 2023.

Referências

SANTIAGO, Silviano. (2021). Menino sem passado (1936-1948). São Paulo: Companhia das Letras.

SANTIAGO, Silviano. (2020). Fisiologia da composição. Recife: Cepe.

SANTIAGO, Silviano. (2017). Genealogia da ferocidade. Ensaio. Recife: Cepe.

SANTIAGO, Silviano. (2016). Machado. Romance. São Paulo: Companhia das Letras.

Crédito da imagem que abre o post: Cláudio Nadalim/UFMG

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