BVPS Divulga | Lançamento do livro “Tornei de Luanda um kota”, de Ricardo Aleixo

Neste sábado, 24 de agosto, das 11h às 15h, Ricardo Aleixo lançará o livro Tornei de Luanda um kota, no Kitutu – Território de Aquilombamento (Rua Arão Reis, 469A, Centro – Belo Horizonte).

Resultado de uma parceria entre o selo LIRA/Laboratório Interartes Ricardo Aleixo com a editora e gráfica Impressões de Minas, o novo livro do escritor belo-horizontino destaca a experiência da velhice e seus significados culturais. A obra fecha um ciclo iniciado em 2015, com o livro Impossível como nunca ter tido um rosto (2015), seguido de Antiboi (2017), Extraquadro (2022) e Diário da encruza (2023). Os livros dialogam entre si e com o contexto social brasileiro, a experimentação da linguagem e as poéticas africanas e afro-diaspóricas.

Além do lançamento do novo livro, Ricardo Aleixo entregará o Prêmio <reProspectiva> 2024, criado no ano passado, às seguintes pessoas de Belo Horizonte que se dedicam à valorização da cultura afro-brasileira e ao enfrentamento do racismo: Dora Oliveira, Gil Amâncio, Kelma Zenaide, Marcos Cardoso e Zora Santos.

Confira abaixo mais informações sobre o livro,


Ricardo Aleixo, poeta, artista e pesquisador das poéticas intermídia, lança seu novo livro, Tornei de Luanda um kota

Tornei de Luanda um kota fecha um ciclo iniciado em 2015, com o livro Impossível
como nunca ter tido um rosto
, ao qual se seguiram Antiboi, de 2017, Extraquadro,
de 2022, e Diário da encruza, de 2023. O que aproxima esses títulos é a tentativa
de tematização do contexto social e político brasileiro, sempre de uma perspectiva
que funde à metalinguagem e à experimentação técnico-formal a pesquisa de
cadências e timbres que remetem às poéticas africanas e afro-diaspóricas.

A ideia do novo livro surgiu em Luanda, no ano passado, na primeira ida do poeta
ao continente africano: “Foi lá que eu me assumi plenamente como um “kota”, isto é,
um velho, na acepção conferida pela cultura angolana ao envelhecimento. Um kota
é alguém respeitado pela coletividade, não um ser descartável, como ocorre no
Brasil e em muitos outros países em que predomina a praga do etarismo. Primeiro
me ocorreu o título, que eu achei, num primeiro momento, que apontava para um
livro de crônicas. Até que surgiu o poema-título, e logo outros, num processo de
composição que durou cerca de um ano e meio”.

É importante dizer que este novo livro nasce num momento que o poeta considera o
mais criativo de toda a sua existência: “Sinto-me como Goethe, que, aos 68 anos,
durante uma viagem, vê no céu o raro fenômeno metereológico conhecido como
‘arco-íris branco’ e toma essa visão como o prenúncio de uma “nova puberdade” –
e, com efeito, o poeta viverá uma fase de grande criatividade, até morrer, aos 83
anos. No meu caso, tenho afirmado, já há alguns anos, que ainda não fiz o meu
melhor como artista e escritor”.

Merecem atenção especial os poemas “Ela gosta muito de tudo o que gosta”,
dedicado à sua filha Flora, e ‘Namoraria’, que lida com a questão da orientação
sexual numa sociedade conservadora como a brasileira. Tornei de Luanda um kota,
para Ricardo Aleixo, “é o meu jeito de, nestes tempos sombrios, acender alguma
luz, provocar alguma reflexão, tentar trocar a desesperança pelo
‘princípio-esperança’ de que falava o filósofo alemão Ernst Bloch ou, para afirmar,
cantando em bom brasileiro, como cantaram Nelson Cavaquinho e Élcio Soares,
que ‘o sol há de brilhar mais uma vez’.”

Nesse novo livro, Ricardo Aleixo volta a responder pela confecção da imageria
(capa e ilustrações), tal como nos livros de 2015, 2022 e 2023, que serve de base para
a elaboração do projeto gráfico, outra vez a cargo do designer e amigo do poeta,
Mário Vinícius, a quem ele chama, carinhosa e respeitosamente, de maestro.
Segundo Aleixo: “Mário sempre me surpreende: ele se mostra atento a cada
filigrana de cada poema, num tipo de resposta criativa que tensiona ainda mais a
relação palavra/imagem que estrutura o espaço da página”.

Tornei de Luanda um kota é a mais nova parceria do selo LIRA/Laboratório
Interartes Ricardo Aleixo, com a editora e gráfica Impressões de Minas, considerada
pelo poeta um dos espaços de produção gráfica mais sofisticados e ousados do
Brasil.

Sobre o autor

Belo-horizontino de 1960, o poeta, escritor, artista intermídia e pesquisador de
Literaturas, outras artes e mídias, Ricardo Aleixo recebeu da UFMG, em 2021, o
título de Notório Saber, equivalente ao grau de doutor. Tem 20 livros publicados.
Suas obras mesclam poesia, prosa ficcional, filosofia, etnopoética, antropologia,
história, música, radioarte, artes visuais, vídeo, dança, teatro, performance e
estudos urbanos. Já fez performances em quase todos os estados brasileiros e nos
seguintes países: Argentina, Alemanha, Portugal, EUA, Espanha, México, França,
Suíça e Angola. Participa da mostra permanente Rua da Língua (Museu da Língua
Portuguesa/SP). Apresentou, na 35ª Bienal de SP, o Ciclo de performances Dendorí.
Atualmente é professor visitante no Instituto de Letras da UFBA, em Salvador, e
prepara-se para passar uma longa temporada em Nova York. Conquistou, em 2023,
os prêmios Mestras e Mestres das Artes e Alceu Amoroso Lima – Poesia e
Liberdade, outorgados, respectivamente, pela Funarte e por Universidade Candido
Mendes/Centro Alceu Amoroso Lima Para a Liberdade, e foi finalista do Prêmio
Oceanos com o livro Diário da Encruza (LIRA/Segundo Selo). Ocupa a cadeira nº 31
da Academia Mineira de Letras.

Informações técnicas do livro

Tornei de Luanda um kota
Autor: Ricardo Aleixo
Projeto gráfico: Mário Vinícius
Impressões de Minas | LIRA/Laboratório Interartes Ricardo Aleixo (1ª edição)
1×1 cor
Formato: 12,5 x 21,6 cm
92 páginas
ISBN 978-65-86729-96-2
Sobrecapa: pôster tamanho 46,2 x 21,6 cm, impresso em papel kraf