Simpósio BVPS + SBS | A sociologia e o contemporâneo (III)


O sociólogo José Maurício Domingues (IESP-UERJ) e as sociólogas Simone Meucci (UFPR) e Luciana Andrade (PUC-Minas) participam de nova rodada do simpósio A sociologia e o contemporâneo, parceria da BVPS com a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS).

Domingues defende que a sociologia deve reencontrar sua vocação como ciência da vida social, articulando teoria clássica, métodos sofisticados e indagações críticas sobre a modernidade. Meucci destaca o papel da sociologia nas disputas pela representação da vida social e aponta como desafio central a democratização do conhecimento, com ênfase na atuação da escola e no ensino da disciplina fora dos círculos especializados. Já Andrade argumenta que, nesse tempo de crise, com ameaças à democracia e à tolerância, a sociologia deve reafirmar seu papel crítico, defendendo esses valores e contestando retrocessos sociais e políticos.

Organizado por Maurício Hoelz (UFRRJ e BVPS) e Edna Castro (UFPA e SBS), o simpósio integra os preparativos para o 22º Congresso Brasileiro de Sociologia, que será realizado em julho, em São Paulo.

As postagens do simpósio saem às segundas-feiras. Para conferir outros posts, clique aqui.

Boa leitura!


1.  O 22º Congresso Brasileiro de Sociologia discutirá os desafios e as crises do contemporâneo. Quais os desafios atuais que você incluiria na agenda da sociologia? Como qualificar a ideia de crise sociologicamente?

José Maurício Domingues: O grande desafio hoje me parece ser o que se configura como uma passagem do que seria uma terceira fase da modernidade – profundamente liberal, mas com um Estado forte, bastante repressivo, e alta tecnologia – para uma quarta fase. Nesta, o Estado voltou a intervir mais na economia; o estado-nação se reafirma com resultados que contrariam o cosmopolitismo liberal (o de corte mais socialista feneceu com o fim da União Soviética); o tecido social se esgarça mais, em parte, por mudanças no mundo do trabalho; identidades individuais e coletivas se fazem ainda mais defensivas; a mudança climática se mostra ameaçadora e novas tecnologias avançam. Se há mudanças, estas têm que ser bem compreendidas, porém. Não estamos vivendo uma mudança de civilização, a Inteligência Artificial está longe de ser realmente inteligente e controlar o mundo, a extrema direita tem força com suas propostas retrógradas sociais e políticas, mas é, na verdade, frágil, pois suas respostas são falsas, a mudança climática e os problemas ambientais requerem respostas, mas a questão que se coloca, de verdade, é a dificuldade das forças “progressistas” hoje de oferecem soluções. A sociologia, que tem uma tendência – não exclusiva, deve-se sublinhar – de se apresentar como uma força crítica, patina frente a esses mesmos problemas.

Na última década tivemos – e continuamos tendo – uma inflação de diagnósticos exagerados sobre o que seria a mudança social hoje e a busca por superar o que alguns supõem serem paradigmas datados, recusando boa parte dos conceitos e valores da modernidade –, mas abraçando inadvertidamente e, nesse sentido, ingenuamente, outra parte de seus valores. Isso ocorre via o muito carregado discurso, por vezes pós ou decolonial – que a esta altura se tornou muito repetitivo e que acrescenta pouco ao arsenal conceitual e crítico das ciências sociais –, uma suposta virada ontológica — que, na realidade, faz recurso a uma sombra de pensamento mítico ou “selvagem”, para falar com Lévi-Strauss, sem, ao que parece, percebê-lo –, ou a uma espécie de empiricismo que, por vezes, se quer teórico sem de fato sê-lo – como o (neo)pragmatismo francês. Nem sempre é esse o caso, mas um pensamento distópico e quase apocalíptico se insinua em muitos destes casos, acusando, além do mais, a modernidade de ser responsável por todos os problemas que vivemos, desconsiderando assim seu lado emancipatório, muito parcialmente realizado, mas que impregna nosso imaginário, embora valores dela acabem contrabandeados, como liberdade, igualdade e solidariedade, sem que se saiba o que fazer com o conceito de razão – ainda que se vocifere contra o irracionalismo da extrema direita.

Creio que, nesse sentido, a tarefa primordial da sociologia é reencontrar a si mesma, retomar, de forma algo mais modestamente, suas pretensões como ciência da vida social – que está, por óbvio, entrelaçada com a “natureza” ou, mais precisamente, o vasto e diferenciado mundo material –, retomando a grande tradição da teoria sociológica e as metodologias sofisticadas de pesquisa, sem esquecer de combiná-la com as grandes indagações críticas acerca da modernidade. Quanto a valores, há que retomar a razão e o progresso, de modo crítico e mais modesto, reabrindo, assim, uma perspectiva de futuro e reafirmando ainda a liberdade igualitária e a solidariedade em todas as dimensões da vida social e, talvez, inclusive, para além dela.

Simone Meucci: Sabe-se que a sociologia é uma ciência da crise, uma das expressões cognitivas mais notáveis da modernidade. É, rigorosamente, uma forma de consciência moderna que se dedica a interrogar o processo social, suas dinâmicas de mudança e resistência, em particular a natureza e os efeitos das formas emergentes de controle, de validação moral e cognitiva, de socialização e de subjetivação.

Mas dizer que a sociologia é uma ciência da crise não é apenas afirmar que a crise é seu tema privilegiado. Significa também que a noção de crise é constituinte de suas categorias, conceitos, de suas operações heurísticas e também de suas controvérsias mais elementares.

Creio, então, que é possível afirmar que as qualificações sociológicas da crise manifestam, de modo amplo, as variações teóricas das ciências sociais: aparecem ora como disfuncionalidade institucional ou como fricção estrutural entre esferas da sociedade; ora como desconfiança sistêmica das normas e valores ou como insegurança de status, desorganização do horizonte de expectativas ou volatilização dos laços societários, para citar alguns exemplos.

Essas diferentes formulações sociológicas nutrem e orientam disputas sociais pela representação da vida social, fecundando a polifonia do debate público, sendo parte também instituinte da dinâmica e das mudanças sociais. Nesse horizonte, acredito que um dos grandes desafios contemporâneos que deve importar à sociologia diz respeito às formas de distribuição social do conhecimento científico e do repertório cultural de uma sociedade. Penso, em particular, nos limites e possibilidades da atuação da instituição escolar nesse processo e nas dificuldades e alcances do ensino da sociologia para além dos círculos especializados, especialmente na educação superior e educação básica.

Luciana Andrade: A crise, entendida como uma mudança crucial em determinada época, manifesta-se na sociologia quando explicações consolidadas são desafiadas por novos fatos ou pela emergência de novas teorias. Esse momento de desequilíbrio e mal-estar também pode ser produtivo, à medida que abre espaço para construções mais livres e criativas, ainda que permeadas por disputas em torno das novas interpretações dos fatos e das tradições intelectuais colocadas à prova.

Embora mudanças e crises sejam uma constante na modernidade, alguns sociólogos caracterizam o momento atual como singular. Ulrich Beck, por exemplo, nomeia as transformações pelas quais o mundo vem passando como metamorfose. Diferente das mudanças típicas da modernidade, a metamorfose desestabiliza suas certezas: o que antes era impensável torna-se possível e real.

Entre os desafios contemporâneos, destacam-se a inteligência artificial, a comunicação pelas redes sociais, o risco de novas pandemias, o crescimento do crime organizado – especialmente na América Latina –, as transformações no mundo do trabalho, a ascensão da extrema direita e o avanço da intolerância em um período no qual se acreditava que a democracia estivesse consolidada e em expansão. Tudo vivenciado e transmitido de forma praticamente simultânea.

Nas grandes cidades, esses desafios se apresentam de forma ainda mais intensa. Recentemente experimentamos a pandemia, que impôs a necessidade de isolamento justamente em um espaço caracterizado pela densidade e proximidade. Eventos climáticos extremos têm tirado vidas, devastado cidades e gerado um crescente sentimento de insegurança e incertezas em relação ao futuro. O trabalho em plataformas digitais invade o espaço urbano e altera profundamente as relações sociais, indo além de suas consequências no âmbito das relações de trabalho e da proteção social. A intolerância e o extremismo de direita se proliferam nas redes sociais, e, nas periferias, o crime organizado assume o papel de gestor do território.

2. Qual o papel da Sociologia diante, por exemplo, da emergência climática e dos desafios da democracia?

José Maurício Domingues: A mudança climática é um dos grandes desafios enfrentados pela espécie humana, resultado de seu próprio desenvolvimento. Aliás, como tudo na vida, buscando resolver problemas, às vezes o conseguindo, criamos outros problemas. Este é grande e a sociologia pode contribuir para enfrentá-lo com sua grande tradição teórica, empírica e temática, que é muito rica e que convém não esquecer. Na verdade, a sociologia ainda tem se mostrado tímida nessa tarefa. É claro, a sociologia precisa desenvolver uma concepção mais adequada do que se chama correntemente – e de maneira pouco crítica – de “natureza” e de “materialidade do mundo”, para poder ir além dos problemas que se colocaram com o desenvolvimento da modernidade. Tem, porém, que ter em mente que mudanças no imaginário de uma civilização levam séculos para se operar – e que, por outro lado, a mudança climática se define como uma emergência que demanda respostas céleres. Quanto à democracia, falamos muito da ameaça da extrema direita, mas ela é, em certa medida, basicamente um sintoma da perda de horizonte histórico da modernidade, tal qual se apresenta hoje. É preciso reabrir esse horizonte, retomando, com modificações que o ampliem e o façam mais suave, o conceito de progresso, materialmente e como emancipação libertária de fato – que hoje parece se resumir ao que propõem as big techs, aliadas, por outro lado, a um projeto retrógrado da extrema direita nativista e, em geral, neoliberal. Li em um conto, cujo autor e nome esqueci, a história de um personagem para quem todas as saídas estavam bloqueadas e que, para encontrar o caminho para fora de seus problemas, saiu, então, pela entrada. É um pouco disso que precisamos fazer, e a sociologia, seguramente, pode nos ajudar nesse sentido.  

Simone Meucci: Duas contribuições me parecem fundamentais:

Em primeiro lugar, a sociologia me parece ser um importante locus de cosmopolitismo cognitivo, inescapável nas democracias, em princípio, potencialmente capaz de confrontar formas reacionárias e autoritárias de “estabilização” social. Em segundo lugar, penso que a sociologia tem meios muito próprios para a defesa da dignidade da vida. Lembro que sua operação heurística mais elementar (mas não menos desafiadora), que é a análise do modo contingente e decisivo como nossas vidas se entrelaçam em escala local e global, é bastante radical. Isso não apenas porque confronta a narrativa individualista do mal-estar social (que, ultimamente, tem assumido predominantemente a sua versão psicológica e psiquiátrica), mas também porque nos ajuda a pensar nas possibilidades de ação coletiva, fazendo melhor juízo dos agentes e agências complexamente articulados, e a refletir sobre os sentidos e efeitos das condutas humanas. Além disso, permite a recuperação do valor político (no sentido mais amplo do termo) das experiências comunitárias e associativas, imperativas para a dignificação da vida humana e para o enfrentamento dos desafios contemporâneos.

Luciana Andrade: As ameaças das mudanças climáticas à vida no planeta tornaram-se mais evidentes, afetando diversas esferas da sociedade. A separação entre humanidade e natureza, aliada à busca incessante pelo progresso, revelou um potencial de destruição irreversível, algo inimaginável para os iluministas e para os primeiros sociólogos. Até pouco tempo atrás, a questão ambiental não despertava o interesse dos cientistas sociais, situação que vem se alterando mais recentemente.

No campo político, a democracia perde terreno. Governos de extrema direita que restringem direitos, reprimem e censuram, já não são contestados como antes. Normalizaram-se na política, não mais pela força, como nas ditaduras, mas por meio de mecanismos legitimados pelos próprios regimes democráticos. Diante desse cenário, em que democracia e tolerância estão sob ameaça, a sociologia deve assumir um papel crítico na defesa desses valores e na contestação de retrocessos sociais e políticos, como fez em diversos momentos de sua história.

Paralelamente à crise dos valores democráticos, aprofundam-se as desigualdades e se intensificam as formas de segregação social e racial. A construção de barreiras, tanto físicas quanto simbólicas, é hoje abertamente defendida por vários governos, refletindo um discurso político que legitima exclusões e hierarquizações sociais.

Diante dessa crise, está colocado o desafio de compreender por que segmentos da juventude, que em momentos cruciais da história moderna desempenharam um papel ativo na contestação do status quo, hoje não se reconhecem nas formas tradicionais de organização política. Como alternativa, muitos acabam aderindo aos chamados “novos políticos” – figuras sem trajetória política e sem compromisso com os valores democráticos.

3. Considerando que a inovação não se realiza num vazio de interpretações, que formulações e proposições podem nos ajudar a compor um repertório afiado para lidar com esses fenômenos multidimensionais?

José Maurício Domingues: São muitos os conceitos das ciências sociais – aqui, em tela, a sociologia – que servem para analisar o mundo contemporâneo, a começar pelo que nos propuseram nossos clássicos, como Marx, Weber e Durkheim. Os diagnósticos do presente e as tendências de desenvolvimento da modernidade – tema seminal em Marx ao qual Weber procurou dar sua própria resposta – devem ser bem compreendidas para que possamos ver que potencialidade contêm, sem desprezar processos que lhes são periféricos e, talvez, mais contingentes também. Normativamente, se bem que devamos incorporar o potencial crítico e normativo da alteridade já incorporada – isto é, modernizada – de outras civilizações, o repertório da Ilustração segue crucial, desde que aprendamos com a história da própria modernidade e estejamos atentos para a experiência de cada indivíduo e coletividade, sem cair nas armadilhas do romantismo, que afirma a diferença por afirmá-la. A reflexividade é uma propriedade de todos os indivíduos e coletividades, da vida social em geral, com sua expressão sistemática na razão. A sociologia é parte disso e deve estar consciente desse seu papel potencialmente crítico.     

Simone Meucci: Penso que não se pode responder aos desafios contemporâneos sem o repertório da sociologia: desde a contribuição dos clássicos que são relidos e reinterpretados à luz dos problemas atuais, até os mais recentes estudos dedicados à compreensão das maneiras como múltiplas desigualdades e diferenças são criadas e recriadas, ao entendimento dos processos de aprendizado democrático (e também o seu contrário: o aprendizado autoritário), à compreensão das articulações complexas entre agências que integram processos de governança.

Este painel é composto por muitas subespecialidades e métodos, desde a observação de processos singulares bastante situados até as análises de grandes transformações históricas, sem esquecer os estudos comparados.

Acredito que estamos também, ao longo do tempo, a partir dos estudos sobre a experiência histórica de agentes pioneiros na história da sociologia, das nossas próprias vivências cotidianas, no exercício do ofício e por força de políticas de indução das agências financiadoras, compondo ainda outro repertório: o de novos modos de organização do trabalho acadêmico, mais cooperativos e coletivos. A despeito de numerosas dificuldades e, até mesmo, de tendências contrárias, tenho visto, em particular nos últimos cinco anos, o surgimento de uma nova sociabilidade científica que nasce da atuação conjunta de pesquisadores no debate público, do diálogo sistemático com movimentos sociais e com outras áreas de conhecimento e das tarefas coletivas de divulgação, difusão e distribuição do conhecimento sociológico em âmbitos não especializados.

Luciana Andrade: A explicação dos fenômenos sociais sempre foi desafiada pelas mudanças que ocorrem na sociedade, muitas vezes interpretadas como crises. Esse é um dos motivos pelos quais Max Weber se referiu à “eterna juventude” das disciplinas históricas, constantemente questionadas pelo fluxo da cultura. Não há dúvidas de que a atual crise social desafia as ciências sociais, exigindo revisões conceituais e metodológicas, além de demandar reflexões sobre aspectos antes considerados pertencentes a outras áreas, como as questões ambientais, ou negligenciados, como as desigualdades raciais e de gênero em suas múltiplas dimensões. Essas temáticas, historicamente ignoradas pelos chamados pais fundadores da sociologia (escolha que também foi colocada em discussão), tornaram-se, hoje, objeto de intenso debate.

Sob essa perspectiva, a crise na sociologia pode ser vista como produtiva, pois desafia ideias cristalizadas e questiona até mesmo o consenso sobre os cânones da disciplina.

No Brasil, a sociologia desfruta, atualmente, de uma maior liberdade para transitar entre diferentes correntes de pensamento, algo impensável há algumas décadas. Além disso, tornou-se mais aberta ao diálogo com intelectuais de distintas tradições, espaços e temporalidades.

Por fim, alguns dos desafios enfrentados atualmente pela sociologia não são exatamente novos, mas assumiram novas configurações, como a relação entre particularismo e universalismo. Esse dilema se manifesta tanto no plano conceitual – até que ponto determinados conceitos são de fato universais ou foram construídos como se fossem? – quanto nas complexas interações entre grupos socialmente distintos, mas que estão fisicamente próximos. Como garantir o respeito às diferenças quando essas diferenças entram em conflito com valores caros para ambas as partes?

4. Cite 3 livros ou artigos sobre os temas fundamentais do congresso e do simpósio.

José Maurício Domingues:

GERMANI, Gino. (1962). Política y sociedad en una época de transición. Buenos Aires: Biblioteca de Psicología Social y Sociología, Editorial Paidos.

WAGNER, Peter. (1994). A sociology of modernity. London: Routledge.

CHAKRABARTY, Dipesh. (2021). The climate of history in a planetary age. Chicago: The University of Chicago Press.

Simone Meucci:

FASSIN, Didier (org.) (2022). La société qui vient. Paris: Seuil.

SENNETT, Richard. (2012). Juntos. Rio de Janeiro: Record.

FLEURBAEY, Marc. (2022). Um manifesto pelo progresso social. Rio de Janeiro: Vozes.

Luciana Andrade: a autora não respondeu.



Sobre as/os convidadas/os:

José Maurício Domingues é professor titular do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Autor de Political Modernity and Social Theory: Origins, Development and Alternatives (2004) e Da pandemia à mudança climática (2024).

Simone Meucci é professora na Universidade Federal do Paraná, onde ministra aulas na graduação e na pós-graduação. Suas pesquisas estão relacionadas aos seguintes temas: pensamento social no Brasil, livros didáticos de sociologia e sociologia do currículo. Autora do livro Institucionalização da sociologia no Brasil: primeiros manuais e cursos (2011).

Luciana Andrade é professora do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Coordena, com Rogério Proença Leite, o Comitê de Pesquisa CP-28 Sociologia Urbana da SBS. É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.