Glossário Silviano Santiago | Forma-prisão, por Diana Klinger

Forma-prisão é o décimo terceiro verbete que publicamos no Glossário Silviano Santiago.

Assinado por Diana Klinger (UFF), o verbete explora a trajetória do conceito forma-prisão na obra de Silviano, desde sua emergência no ensaio Eça de Queirós, autor de Madame Bovary até sua presença recente e marcante em Fisiologia da composição. Klinger mostra como Santiago, dialogando com uma série de referências e inspirações – tanto literárias quanto teóricas – que inclui nomes como Borges, Derrida, Foucault, Althusser e a tradição modernista brasileira, ressignifica a relação entre a literatura europeia e a latino-americana, desestabilizando hierarquias coloniais. Se o conceito forma-prisão se baseia nesse denso diálogo e participa de uma constelação que inclui ainda conceitos como “entre-lugar” e “hospedagem”, também é inspirado no poeta surrealista Robert Desnos. Segundo a autora, na obra de Silviano, além de ser um método de leitura, forma-prisão é também um modelo de criação literária.

Organizado por Mario Cámara, o Glossário Silviano Santiago é publicado às quintas-feiras, com versões simultâneas em português e espanhol.

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Forma-prisão

Por Diana Klinger (UFF)

O conceito de forma-prisão surge na obra de Silviano Santiago pela primeira vez no texto “Eça de Queirós, autor de Madame Bovary’, escrito em inglês como uma conferência em 1970, posteriormente publicado em português no livro Uma literatura nos trópicos (1978). O título do ensaio está, evidentemente, inspirado no conto de Borges “Pierre Menard, autor do Quixote”, um conto-ensaio que desestabiliza as noções de originalidade e cópia, fonte e influência, estratégia cujo fundamento o escritor argentino desenvolverá no breve ensaio “Kafka e seus precursores”. Ao trabalhar com o conceito de “forma-prisão”, Santiago retoma o conto de Borges a partir de uma perspectiva pós-colonial, inspirado também pelo conceito derridiano de différance. Autorias falsas e temporalidades invertidas abrem espaço, na obra de Santiago, para uma reinterpretação da suposta anterioridade e superioridade da literatura europeia sobre a latino-americana. Investindo contra essa hierarquia, Santiago propõe o conceito de “entre-lugar”, no seu mais famoso ensaio, em que aparece o conceito de “forma prisão” pela segunda vez (embora muito raramente, para não dizer quase nunca, foi apontado como um conceito relevante daquele texto, sendo que o conceito de forma-prisão é talvez o que tem vida mais longa na obra de Santiago, uma vez que sua presença é mais persistente, estando ainda muito presente em um livro recente como Fisiologia da composição).

No conceito de entre-lugar, assim como no de forma prisão do qual é próximo, há uma série de referências e inspirações, tanto literárias (o modernismo brasileiro, seus poemas-citações e suas paródias, assim como os autores “latino-americanos” diretamente citados no texto, Borges e Cortázar) quanto teóricas, e especialmente a teoria francesa, não só Derrida, como também Althusser e seu conceito de “leitura sintomal”, Foucault e seu conceito de “dejà-écrit”[1], e as pesquisas antropológicas Lévi Strauss. Não bastasse esse denso e rico diálogo que traça pontes entre tantos pensadores, o conceito de “forma prisão” Santiago retoma, no entanto, não dos teóricos franceses nem dos modernistas latino-americanos, mas do poeta Robert Desnos que, em 1923, escreve um poema concreto avant la léttre.

No poema, a sílaba e a palavra funcionam como prisões que, paradoxalmente, não enclausuram o sentido, mas o expandem, ressoando assim com o neologismo do título do livro em que foi publicado L’aumonyme (1923), em que aumone (esmola) está numa em relação homofônica com homonyme (homônimo). Como este, muitos poemas do livro jogam com a homofonia entre palavras e frases, gerando sentido a partir da aproximação formal de significantes gráficos e sonoros, ou, em outras palavras, pela diferença entre a oralidade e a escrita. Desnos se torna, assim, “precursor de Derrida”, para quem a liberdade, o jogo do sentido, se alicerça entre a pronúncia idêntica e a escrita diferente, como ocorre no caso do neologismo différance, homônimo de différence.

Como enunciada por Desnos e retomada por Santiago, a forma-prisão é uma moldura paradoxal para uma proposta de liberdade da criação literária. Vale lembrar que Desnos, o mais radical dos poetas surrealistas, continuou seus exercícios de liberdade poética, estando preso no campo de Therezin, onde acabou morrendo de desnutrição e tifo em 1944. Vale lembrar também que Desnos, que havia atuado na resistência francesa, estava muito a par do que acontecia naquela época na América Latina[2], onde ditaduras e populismos (o de Vargas incluído) também flertavam com o fascismo. Por isso, há uma dimensão política no conceito de “forma-prisão”, mesmo que ele tenha surgido como um “jogo” no contexto de um poema.

Na obra de Santiago, a “forma prisão” além de um modo de ler textos, também é um modelo de criação literária. Como sabemos, há na sua obra um diálogo entre teoria e ficção, desenvolvido no que ele denomina uma ficção teórica[3], na qual se inclui, entre outros, a narrativa Em liberdade (1981), um diário apócrifo de Graciliano Ramos escrito após sair da prisão que lhe fora imposta durante o Estado Novo.

Uma outra referência, de um outro poeta, relacionada com o conceito de “forma prisão” precisa ser lembrada: a coleção de poemas Código de Minas (1969), do poeta Affonso Ávila, como pode se verificar na resenha do livro que Santiago publica com o título “Ahs! e silêncio” no Suplemento literário de Minas Gerais, (14 de março de 1970), texto que será republicado em inglês na plaqueta intitulada – precisamente – “Latin-american literature: the space in between” (SUNY at Buffalo, 1973). Na resenha, o levantamento de frases feitas e clishés que serão desconstruídos pelo poeta mineiro é comparado por Santiago ao Dictionnaire des idées reçues, de Flaubert. Assim, a forma-prisão se reveste também desta crítica do lugar-comum.

O conceito de “forma-prisão” retorna com força em um dos últimos livros de Santiago, Fisiologia da composição, no qual ele traça uma relação de homologia entre a composição do romance Em liberdade e a de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos (dois textos que são “gêmeos não univitelinos”), a partir da “forma-prisão” em que “se faz presente o corpo do escritor latino-americano”. Santiago aponta que a prisão decretada em tempos que precedem a ditadura de Vargas privará Graciliano não apenas da liberdade de movimento, mas também das substâncias estimulantes de que seu corpo precisa para escrever. Se, para Graciliano, a prisão é condição física que inibe sua escrita, Santiago escolhe como procedimento criativo a forma-prisão da moldura alheia, renunciando à liberdade de estilo e deslocando-se na direção de uma estética do pastiche.

Neste livro mais recente de Silviano Santiago, o conceito de “forma-prisão” se aproxima do de “hospitalidade”, tomado da ficção machadiana para se referir a obras que se hospedam em outras, que, por sua vez, são “generosas”, hospitaleiras. Mas também há, no uso do termo, novamente um diálogo implícito com Derrida. Em seu texto Da hospitalidade, o filósofo afirma que “A hospitalidade pura ou incondicional, a hospitalidade em si, abre-se ou está aberta previamente para alguém que não é esperado nem convidado, para quem quer que chegue como um visitante absolutamente estranho, como um recém-chegado, não identificável e imprevisível, em suma, totalmente outro”. Ao propor a noção de “hospitalidade incondicional”, Derrida retoma a defesa kantiana da “hospitalidade universal”, baseada na propriedade comum da superfície da Terra, e nos lembra que, segundo Benveniste, a hospitalidade constitui uma forma atenuada do “potlatch”, ou seja, do sistema descrito por Marcel Mauss que, em contraposição à economia do lucro, estabelece vínculos entre os participantes em virtude da reciprocidade.

Poderíamos dizer que estes são os vínculos que Silviano Santiago propõe pensar em Fisiologia da composição, na relação entre algumas obras literárias, assim como entre autor e leitor das mesmas. Santiago analisa, da perspectiva do corpo, o processo de composição de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, de seu próprio romance Em liberdade, de Memórias póstumas de Brás Cubas e de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, traçando uma homologia entre a “grafia de vida” do autor e o texto literário. As memórias de “vidas imaginadas”, título do livro de Marcel Schwob referido no ensaio, em que Borges “hospeda” sua História universal da infâmia, foram quase uma obsessão na obra de Santiago, desde seu primeiro romance, Em liberdade, até Heranças, um romance “hospedado” nas Memórias póstumas de Brás Cubas. Assim, acolhendo o outro-estrangeiro em sua narrativa, Silviano Santiago abre mão da sua “propriedade” (de seu estilo “próprio”), engajando-se numa relação de generosidade mútua com o texto que o hospeda.

Dessa forma, o conceito de “forma-prisão” entra nessa constelação que inclui “entre-lugar” e “hospedagem”, atravessando a obra de Santiago e provocando uma vasta série de associações que enriquecem a leitura de cada um de seus textos.

Notas

[1] Em “O entre-lugar no discurso latino-americano”, Santiago cita A arqueologia do saber, mas poderíamos pensar também nos textos ‘Raymond Roussel’ (1963) e de “Un ‘Fantastique’ de bibliotheque” (1967), republicado como prefácio a La Tentation de saint-Antoine, de Flaubert, em que Foucault propõe a noção de “déjà-écrit”. A todos esses teóricos poderíamos acrescentar, mesmo que não citado explicitamente por Santiago, o Barthes do breve ensaio “Da obra ao texto”, em que propõe que todo texto é um tecido de citações.

[2] Como relata seu amigo Alejo Carpentier em Tientos y diferencias, Desnos também era amigo de Miguel Ángel Asturias, Nicolás Guillen, Pablo Neruda e Cesar Vallejo.

[3] Conceito que retoma de Aby Warburg, segundo afirma em “Ficção teórica” e “Renascença: movimento e gestual”, publicados em Aos sábados pela manhã (Rocco, 2013).

Sobre a autora

Diana Klinger é professora de Teoria Literária da Universidade Federal Fluminense.


Forma-prisión

El concepto de forma-prisión surge en la obra de Silviano Santiago por primera vez en el texto “Eça de Queirós, autor de Madame Bovary”, escrito en inglés como una conferencia en 1970 y posteriormente publicado en portugués en el libro Uma literatura nos trópicos (1978). El título del ensayo está, evidentemente, inspirado en el cuento de Borges “Pierre Menard, autor del Quijote”, un cuento-ensayo que desestabiliza las nociones de originalidad y copia, fuente e influencia, estrategia cuyo fundamento el escritor argentino desarrollará en el breve ensayo “Kafka y sus precursores”. Al trabajar con el concepto de “forma-prisión”, Santiago retoma el cuento de Borges desde una perspectiva poscolonial, inspirado también por el concepto derridiano de différance. Autorías falsas y temporalidades invertidas abren espacio, en la obra de Santiago, para una reinterpretación de la supuesta anterioridad y superioridad de la literatura europea sobre la latinoamericana. Al oponerse a esa jerarquía, Santiago propone el concepto de “entre-lugar” en su más famoso ensayo, en el que aparece el concepto de “forma-prisión” por segunda vez (aunque muy raramente, por no decir casi nunca, fue señalado como un concepto relevante de ese texto, siendo que el concepto de forma-prisión es quizás el de vida más larga en la obra de Santiago, una vez que su presencia es más persistente, estando aún muy presente en un libro reciente como Fisiologia da composição).

En el concepto de entre-lugar, así como en el de forma-prisión, con el que está próximo, hay una serie de referencias e inspiraciones, tanto literarias (el modernismo brasileño, sus poemas-citas y sus parodias, así como los autores “latinoamericanos” directamente citados en el texto, Borges y Cortázar) como teóricas, especialmente de la teoría francesa, no solo Derrida, sino también Althusser y su concepto de “lectura sintomática”, Foucault y su concepto de “déjà-écrit”[1], y las investigaciones antropológicas de Lévi-Strauss. No bastando ese denso y rico diálogo que traza puentes entre tantos pensadores, el concepto de “forma-prisión” Santiago lo retoma, sin embargo, no de los teóricos franceses ni de los modernistas latinoamericanos, sino del poeta Robert Desnos, que en 1923 escribe un poema concreto avant la lettre.

En el poema, la sílaba y la palabra funcionan como prisiones que, paradójicamente, no encierran el sentido, sino que lo expanden, resonando así con el neologismo del título del libro en que fue publicado, L’aumonyme (1923), en el que aumône (limosna) mantiene una relación homofónica con homonyme (homónimo). Como este, muchos poemas del libro juegan con la homofonía entre palabras y frases, generando sentido a partir de la aproximación formal de significantes gráficos y sonoros, o, en otras palabras, por la diferencia entre la oralidad y la escritura. Desnos se convierte, así, en “precursor de Derrida”, para quien la libertad, el juego del sentido, se basa en la pronunciación idéntica y la escritura diferente, como ocurre en el caso del neologismo différance, homónimo de différence.

Tal como la formula Desnos y la retoma Santiago, la forma-prisión es un marco paradójico para una propuesta de libertad de la creación literaria. Conviene recordar que Desnos, el más radical de los poetas surrealistas, continuó sus ejercicios de libertad poética estando preso en el campo de Theresienstadt, donde terminó muriendo de desnutrición y tifus en 1944. Vale recordar también que Desnos, que había actuado en la resistencia francesa, estaba muy al tanto de lo que sucedía en aquella época en América Latina[2], donde dictaduras y populismos (el de Vargas incluido) también coqueteaban con el fascismo. Por eso, hay una dimensión política en el concepto de “forma-prisión”, incluso si surgió como un “juego” en el contexto de un poema.

En la obra de Santiago, la “forma-prisión”, además de un modo de leer textos, es también un modelo de creación literaria. Como sabemos, existe en su obra un diálogo entre teoría y ficción, desarrollado en lo que él denomina una ficción teórica[3], en la que se incluye, entre otros, la narrativa Em liberdade (1981), un diario apócrifo de Graciliano Ramos escrito después de salir de la prisión que le fue impuesta durante el Estado Novo.

Otra referencia, de otro poeta, relacionada con el concepto de “forma-prisión” debe ser recordada: la colección de poemas Código de Minas (1969), del poeta Affonso Ávila, como puede verificarse en la reseña del libro que Santiago publica con el título “Ahs! e silêncio” en el Suplemento Literário de Minas Gerais (14 de marzo de 1970), texto que será republicado en inglés en la plaqueta titulada – precisamente – “Latin-American Literature: The Space in Between” (SUNY at Buffalo, 1973). En la reseña, el levantamiento de frases hechas y clichés que serán deconstruidos por el poeta mineiro es comparado por Santiago con el Dictionnaire des idées reçues de Flaubert. Así, la forma-prisión también se reviste de esta crítica al lugar común.

El concepto de “forma-prisión” regresa con fuerza en uno de los últimos libros de Santiago, Fisiologia da composição, en el que establece una relación de homología entre la composición de la novela Em liberdade y la de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos (dos textos que son “gemelos no univitelinos”), a partir de la “forma-prisión” en la que “se hace presente el cuerpo del escritor latinoamericano”. Santiago señala que la prisión decretada en tiempos que preceden la dictadura de Vargas privará a Graciliano no solo de la libertad de movimiento, sino también de las sustancias estimulantes que su cuerpo necesita para escribir. Si, para Graciliano, la prisión es una condición física que inhibe su escritura, Santiago elige como procedimiento creativo la forma-prisión del marco ajeno, renunciando a la libertad de estilo y desplazándose hacia una estética del pastiche.

En este libro más reciente de Silviano Santiago, el concepto de “forma-prisión” se aproxima al de “hospitalidad”, tomado de la ficción machadiana para referirse a obras que se hospedan en otras, que, a su vez, son “generosas”, hospitalarias. Pero también hay, en el uso del término, nuevamente un diálogo implícito con Derrida. En su texto De la hospitalidad, el filósofo afirma que “La hospitalidad pura o incondicional, la hospitalidad en sí, se abre o está abierta previamente a alguien que no es esperado ni invitado, a cualquiera que llegue como un visitante absolutamente extraño, como un recién llegado, no identificable e imprevisible, en suma, totalmente otro”. Al proponer la noción de “hospitalidad incondicional”, Derrida retoma la defensa kantiana de la “hospitalidad universal”, basada en la propiedad común de la superficie de la Tierra, y nos recuerda que, según Benveniste, la hospitalidad constituye una forma atenuada del “potlatch”, es decir, del sistema descrito por Marcel Mauss que, en contraposición a la economía del lucro, establece vínculos entre los participantes en virtud de la reciprocidad.

Podríamos decir que estos son los vínculos que Silviano Santiago propone pensar en Fisiologia da composição, en la relación entre algunas obras literarias, así como entre autor y lector de las mismas. Santiago analiza, desde la perspectiva del cuerpo, el proceso de composición de Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos, de su propia novela Em liberdade, de Memórias póstumas de Brás Cubas y de Esaú e Jacó, de Machado de Assis, trazando una homología entre la “grafía de vida” del autor y el texto literario. Las memorias de “vidas imaginadas”, título del libro de Marcel Schwob referido en el ensayo, en el que Borges “hospeda” su Historia universal de la infamia, fueron casi una obsesión en la obra de Santiago, desde su primera novela, Em liberdade, hasta Heranças, una novela “hospedada” en las Memórias póstumas de Brás Cubas. Así, acogiendo al otro-extranjero en su narrativa, Silviano Santiago renuncia a su “propiedad” (a su estilo “propio”), comprometiéndose en una relación de generosidad mutua con el texto que lo hospeda.

De este modo, el concepto de “forma-prisión” entra en esa constelación que incluye “entre-lugar” y “hospedaje”, atravesando la obra de Santiago y provocando una vasta serie de asociaciones que enriquecen la lectura de cada uno de sus textos.

Notas

[1] En “O entre-lugar no discurso latino-americano”, Santiago cita A arqueologia do saber, pero también podríamos considerar los textos “Raymond Roussel” (1963) y “Un ‘Fantastique’ de bibliothèque” (1967), republicado como prólogo a La Tentation de saint-Antoine, de Flaubert, en los que Foucault propone la noción de “déjà-écrit”. A todos estos teóricos podríamos añadir, aunque no esté citado explícitamente por Santiago, al Barthes del breve ensayo “De la obra al texto”, en el que propone que todo texto es un tejido de citas.

[2] Como relata su amigo Alejo Carpentier en Tientos y diferencias, Desnos también era amigo de Miguel Ángel Asturias, Nicolás Guillén, Pablo Neruda y César Vallejo.

[3] Concepto que retoma de Aby Warburg, según afirma en “Ficção teórica” y “Renascença: movimento e gestual”, publicados en Aos sábados pela manhã (Rocco, 2013).

Sobre la autora

Diana Klinger es Profesora Asociada de Teoría Literaria de la Universidad Federal Fluminense.