Glossário Silviano Santiago | Impureza, por Daniel Link

No novo verbete do Glossário Silviano Santiago, Daniel Link (Universidad Nacional de Tres de Febrero) mostra que a “impureza” está no coração da escrita de Silviano. A impureza não se define pela oposição ao puro, nem como valor em si, mas como um combate conceitual que afeta o estatuto do vivente. Segundo Link, assim como o anfíbio, figura tão cara a Silviano, o impuro é uma condição de vida: sempre precária, marcada pela capacidade de adaptação, mas também pela abertura ao heterogêneo e ao desconhecido. Trata-se, a seu ver, de um assunto incontornável para aqueles que ainda buscam sustentar os laços comunitários.

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Impureza

Por Daniel Link (UNTREF)

A “impureza” está no coração da escrita de Silviano Santiago (cf. Fernández Bravo, 2014). Ou, o que dá no mesmo: seu coração palpita ali, impuro, desbaratando toda ilusão de cerebração inconsciente. O que pulsa é uma forma de Nachleben que nos arrasta para zonas de indeterminação (entre a ficção e a teoria, entre o próprio e o alheio, mas sobretudo: entre o vivo e o morto).

As formas e os momentos históricos, assinala Eneida de Souza (2021) retomando explicitamente Aby Warburg, “são impuros, heterogêneos e fantasmáticos”[1]. Por certo, Roland Barthes antes de Warburg (e aqui “antes” supõe uma temporalidade também ela impura, porque remete à lógica da leitura e não à das cronologias: lemos Barthes antes de Warburg) já havia desenvolvido, segundo Eneida, “uma forma de alertar para o aspecto impuro e múltiplo da maioria dos discursos” (Souza, 2021: 157-158).

Os espaços e as temporalidades são tão impuros quanto as formas e os acontecimentos. Naturalmente, Eneida não poderia deixar de se encontrar com Silviano nessas indagações, em particular com o célebre texto sobre o entre-lugar do discurso latino-americano, que retomarei adiante:

A posição de Silviano frente à obra de Warburg reside na coincidência em relação ao processo intercultural pautado pelo descentramento e pelo extremo reconhecimento da alteridade (Souza, 2021: 190).

O entre-lugar se expande e se multiplica com a apropriação de diversos pensadores, os quais respondem não só pela literatura, mas abrangem os discursos filosófico, social, antropológico e político. Sobrevive sem a marca da cópia e da repetição pura, mas se insere no âmbito da impureza e da traição (Souza, 2021: 194).

O impuro não é para Silviano um valor em si mesmo, é claro, mas tampouco aquilo que se opõe ao puro. Trata-se de um combate conceitual que afeta fundamentalmente o estatuto do vivente. Ele escreve, a propósito de uma homenagem a Saramago, o precioso texto “Uma literatura anfíbia”[2]:

O leitor estrangeiro não quer compreender as razões pelas quais, na Literatura brasileira, o legítimo quer ser espúrio a fim de que o espúrio, por sua vez, possa ser legítimo. Sua vontade de leitor não se alicerça na vontade do texto literário. Desta quer distância. Ele quer enxergar o estético na Arte e o político na Política. Ele quer o que o texto não quer. Ele não deseja o texto que não o deseja. Cada macaco no seu galho, como diz o ditado. Não compreende que o duplo movimento de contaminação que se encontra na boa literatura brasileira não é razão para lamúrias esteticizantes e muito menos para críticas pragmáticas. A contaminação é antes a forma literária pela qual a lucidez se afirma duplamente. A forma literária anfíbia requer a lucidez do criador e também a do leitor, ambos impregnados pela condição precária de cidadãos numa nação dominada pela injustiça (Santiago, 2017: 219).

O impuro, assim como o anfíbio, é uma condição de vida, uma forma de vida sempre precária, sempre em trânsito, sempre à beira de sua própria desaparição. Há um “duplo movimento de impureza” que afeta tanto o que se escreve quanto o que se vive (vidas dominadas pela injustiça, pelo colonialismo, pela subalternização). Mas também, vidas abertas ao heterogêneo, ao desconhecido, ao “irrespirável”.
Ao mesmo tempo, o impuro, como o anfíbio, é um mecanismo adaptativo de sobrevivência (Überleben tanto quanto Nachleben, mas também Zusammenleben, convivência). Os seres anfíbios ou impuros podem respirar (para que seus corações continuem batendo) em diferentes ambientes, em ecologias até hostis.

Levando em conta essas premissas, o impuro não é apenas um assunto de historiadores da arte, mas sobretudo daqueles que pretendem sustentar o laço comunitário, a forma de vida em comum (o munus), não necessariamente uma identidade, mas precisamente um processo de desidentificação, uma dissolução do self em um ambiente estrangeiro.

Isso, desde o primeiro momento, quando Silviano publica com seu nome um Glossário de Derrida (1976)[3] que este livro homenageia com justiça. Nesse livro já se lê:

A ausência de significado transcendental, postulada a partir de determinada aquisição teórica e de uma operação de desconstrução filosófica, vem assinalar que o “ente presente”, o referente, não se dá como percepção ou intuição. Com a ausência do referente permanece a referência, inscreve-se uma marca (pura e impura) “sem pólos decidíveis, sem termos independentes e irreversíveis”, ficção sem imaginário, mímica sem imitação, aparência sem realidade dissimulada (logo: falsa aparência), traços que nenhum presente teria precedido ou sucedido. Esta marca (pura e impura), “com todas as indiferenças que ordena entre todas as séries de contrários, […] produz ura efeito de milieu (meio como elemento que contém os dois termos ao mesmo tempo, meio mantendo-se entre dois termos)”. A esta marca, Derrida chamou, por analogia indecidível (Santiago, 1976: 49).

Não importa tanto quem o diz (o livro foi resultado de um seminário ministrado por Silviano, ele deu voz àqueles que o acompanharam nessa aventura e colocou sua assinatura como garantia de aprendizado), porque, afinal, o impuro afeta também a instituição “autor” e, portanto, a assinatura. Silviano (um derridiano nos trópicos) concorda com essa indecidibilidade que lhe permite, inclusive, qualificar as marcas, as formas, as configurações simbólicas, as relações de poder e as condições de existência como, ao mesmo tempo, “puras e impuras” (não “ou”, mas “e”): não há oposição nem dialética, mas contaminação. Isso é o indecidível, mas o indiferenciado, o que se subtrai ao sistema de produção de diferenças puras, que hoje adotou a máscara do algoritmo, ferramenta de exploração total.

Uma “literatura anfíbia”, que pode ou poderia viver em várias ecologias (inclusive as hostis), é adequada aos tempos, também eles impuros, de transformações e renascimentos, como se lê no ensaio “Uma literatura anfíbia”:

Caso a educação não tivesse sido privilégio de poucos desde os tempos coloniais, talvez pudéssemos escrever de outra maneira o panorama da literatura brasileira contemporânea. Talvez o legítimo não tivesse sido a necessidade de buscar o espúrio para que aquilo, por sua vez, se tornasse legítimo. Talvez pudéssemos valer-nos apenas de dois princípios da estética: o livro de literatura existe ut delectet e ut moveat (para deleitar e comover).
Pudéssemos ater-nos a esses dois princípios, e deixar de lado um terceiro princípio: ut doceat (para ensinar). É esta, e não outra, a maneira como nos cabe narrar-lhes neste dia de primavera o panorama da literatura brasileira contemporânea (Santiago, 2017: 222).

A referência temporal dêitica (“neste dia de primavera”) nos enche de melancolia, porque as transformações que hoje nos arrastam em direção à máquina e ao saber algorítmico se distanciam muito da esperança primaveril e, em vez do corno da abundância, ouvem-se as trombetas da aniquilação.[4]

Vivemos, dizem-nos, tempos de psicodeflação e de perda do desejo (político, sexual, afetivo). Num paradigma de quantificação total e de estatística como regra dourada de investigação dos comportamentos, a classificação é decisiva. Mas o desejo (Silviano não deixou de sustentar este princípio ao mesmo tempo estético e vital) é o que transborda as classificações, o que resiste a aceitar as lógicas do mercado.
Num extraordinariamente sutil ensaio sobre O estranho caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, Silviano sublinha que:

Não tem sido salientada nas leituras da novela de Stevenson, o fato de que o destino dado à vida do médico, a transformação final do médico no sr. Hyde, ou seja, o fato de que o mal (isto é, a coagulação do duplo em um único ser, a negação da transformação) só triunfe porque naquele exato momento – no instante crucial da experiência – circulava no mercado londrino uma droga impura. O sentido da droga é determinado pelo mercado das drogas. Confessa aos amigos o dr. Jekyll:

You will learn from Poole how I have had London ransacked; it was in vain; and I am now persuaded that my first supply [ofsalt] was impure, and that it was that unknown impurity which lent efficacy to the draught [grifos nossos].

O universo da transformação é o da impureza no mercado londrino. Do momento em que o médico utiliza apenas a pureza dos produtos que são comercializados no mercado, não é mais possível o jogo das transformações (Santiago, 1998: 44).

O impuro e as impurezas são o que garante o jogo das transformações, que se bloqueia quando o catalisador (a droga) se purifica. A produção do impuro (o duplo que é ao mesmo tempo um misto e um neutro) necessita da impureza para não coagular, o impuro como anticoagulante. Não é que “o mesmo” produza o mesmo numa cadeia de identificações fatalmente narcisistas, mas que o impuro (e só o impuro) pode provocar a transformação do puro em impuro (como o pharmakon da Anfisbena).

A “Ameaça do Lobisomem” (de onde provém a citação anterior) não é tanto sua potência animal, mas a instabilidade identitária, a indecidibilidade, o trânsito dos conjuntos de predicados intencionais que formam classe a um plano de intensidades puras e desejos desacomodados, fora de registro (e, portanto, resistentes à quantificação e ao algoritmo). A ameaça do lobisomem é ao mesmo tempo epistemológica e sexual. Nunca se é, mas sempre se está virando.[5] Silviano sublinha as perguntas que José Amaro se faz: “Por que seria ele para a crença do povo aquele pavor, aquele bicho? O que fizera para merecer isto?”. Talvez José não saiba, mas Silviano sabe com certeza: aquele bicho bem pode seguir sua transformação e virar essa bicha, dado que o desejo transcende os rigores da gramática.

No ensaio “O entre-lugar do discurso latino-americano”[6] (1971) é onde melhor se exibe o caráter positivamente desestabilizador da impureza:

A maior contribuição da América Latina para a cultura ocidental vem da destruição sistemática dos conceitos de unidade e de pureza: estes dois conceitos perdem o contorno exato de seu significado, perdem seu peso esmagador, seu sinal de superioridade cultural, à medida que o trabalho de contaminação dos latino-americanos se afirma, se mostra mais e mais eficaz (Santiago, 2000: 65).

Os latino-americanos “contaminam” o puro, que não é, portanto, o oposto do impuro ou seu contrário dialético, mas aquilo que está disposto a ser intervindo por “estranhas corrupções”, como se lê uma página antes:

[o impuro] afeta definitivamente a correção dos dois sistemas principais que contribuíram para a propagação da cultura ocidental entre nós: o código linguístico e o código religioso. Esses códigos perdem seu estatuto de pureza e pouco a pouco se deixam enriquecer por novas aquisições, por miúdas metamorfoses, por estranhas corrupções, que transformam a integridade do Livro Santo, do Dicionário e da Gramática europeus. O elemento híbrido reina.

O híbrido é aquilo que não se pode reproduzir. Talvez por isso Silviano prefira o designante “anfíbio” e se coloque, portanto, ao lado das anfibiologias (essas palavras que vivem de diferentes ecologias do sentido).

Para Silviano, esses assuntos não são apenas os assuntos que um crítico deveria sempre levar em conta, mas os assuntos de um escritor. Em sua “Meditação sobre o ofício de criar” ele sublinha que:

Inserir alguma coisa (o discurso autobiográfico) noutra diferente (o discurso ficcional) significa relativizar o poder e os limites de ambas, e significa também admitir outras perspectivas de trabalho para o escritor e oferecer-lhe outras facetas de percepção do objeto literário, que se tornou diferenciado e híbrido. Não contam mais as respectivas purezas centralizadoras da autobiografia e da ficção; são os processos de hibridização do autobiográfico pelo ficcional, e vice-versa, que contam. Ou melhor, são as margens em constante contaminação que se adiantam como lugar de trabalho do escritor e de resolução dos problemas da escrita criativa (Santiago, 2008a: 174).

A escrita autobiográfica e a escrita ficcional se contaminam e é isso o que conta. Não só o que importa, mas sobretudo o que narra através de uma voz impura, mestiça, anfíbia, indecidível.

Mesmo ao reconhecer Manuel Puig como precursor, não surpreende tanto a Silviano “a singular e pura sensibilidade homossexual de Manuel Puig”, mas sobretudo o modo como aticula registros completamente heterogêneos para produzir uma forma impura (“Manuel Puig é o primeiro grande autor latino-americano que trabalha com a forma de escombro derivada do excesso de excesso da indústria cultural estadunidense e argentina, ou seja, com o quase lixo”; “Manuel Puig é o primeiro a apresentar como vanguarda artística o movimento subterrâneo, silencioso e infrator na indústria cultural norte-americana a que Susan Sontag chamou com propriedade de ‘camp’”) (Santiago, 2008b).

O que resulta particularmente estimulante na descrição desse “casamento” é precisamente uma metáfora que remete à ainda proustiana imagem da flor e da vespa, uma união propriamente contaminante: “A originalidade do romance de Puig está em deixar indeterminado o modo como os novos contrapontos se casam, para usar um verbo que introduz, para o leitor, a questão da lógica interna da narrativa” (Santiago, 2008b).

O casado, como se diz, quer casa. Mas a casa aqui é impossível porque a linguagem não é casa do ser (isto é, de determinações), mas apenas uma arma que produz um efeito ricochete (como figura retórica), uma viragem indeterminada, além de todo sedentarismo, de toda pureza, de toda imunidade, além mesmo do “contorno exato de seu significado”.

Essas estranhas corrupções dos códigos, sobre cujas virtudes Silviano não cessou de refletir, são as que nos permitirão sobreviver (Überleben) à onipotência da máquina algorítmica. Isto não é uma homenagem, é um agradecimento.

Notas

[1] “Seria mais aconselhável pensar no conceito de sobrevivência das formas, como assim entende o historiador da arte Aby Warburg, para quem as formas e os momentos históricos são impuros, heterogêneos e fantasmáticos” (Souza, 2021: 157-158).

[2] Trabalho lido em 19 de abril de 2002, na John F. Kennedy Library (Boston), por ocasião da homenagem realizada ao Prêmio Nobel José Saramago (“Tribute to José Saramago”). Publicado em português na revista Alceu.

[3] Trabalho realizado pelo Departamento de Letras da PUC/RJ. Supervisão geral de Silviano Santiago.

[4] Cf. as últimas posições de Franco Berardi. Por exemplo: “O que é a mutação cognitiva? É o fato de que durante um milhão de anos os humanos aprenderam as palavras pela voz da mãe, hoje há uma geração que aprendeu mais palavras por uma máquina do que pela voz de um ser humano. Mutação cognitiva é a hiperaceleração da circulação informacional, que não é apenas informação, é uma esfera de estimulações infoneurais. Quando o cérebro pode conhecer os signos de maneira sequencial, podemos dizer “conhecemos”. Quando o cérebro está exposto a uma velocidade infinita do ambiente infoneural, algo muito profundo se verifica na mente. A mente não pode estar em condições de controlar emotiva e cognitivamente seu entorno. A mente está submersa nesta aceleração e por esta inflação semiótica. Por tudo isso, o fim do mundo é aqui, já o estamos vivendo. Pode ser que a bomba nuclear vá transformar o fim do mundo em algo mais visível, mas em um nível não totalmente visível, mas parcialmente sim, o fim do mundo já está aqui.” e “Apresenta-se a possibilidade de uma saída do paradigma masculino da história humana, desde o paradigma patriarcal, acumulativo e proprietário da história passada. Trata-se de uma passagem fundamental porque também esta nova tópica pode manifestar-se de maneira muito traumática. Esta nova configuração da psicoesfera global. Por exemplo, creio que há uma tendência evidente no comportamento feminino mundial, ou ao menos do norte do mundo, de deserção da procriação. Uma decisão consciente ou inconsciente de não gerar as vítimas da mudança climática, do inferno climático e sobretudo as vítimas do inferno geopolítico, social, da guerra. Esta tendência, cuidado, não estamos falando de uma imaginação fantástica, estamos falando do fato de que desde Japão, Coreia, China a Rússia, Índia, inclusive toda a Europa, e partes da América Latina, etc., etc., o norte do mundo está decidindo não reproduzir o gênero humano. As mulheres estão decidindo. Esta tendência, para mim, é a condição de um repensamento radical da relação entre o homem, o homo, que não é homem, é algo muito mais complicado do que o que a tradição humanista chama homem. Donna Haraway, uma filósofa feminista californiana muito próxima ao feminismo argentino, diz: ‘Não somos homens, não somos mulheres, somos critters‘. Palavra que significa que somos elementos físicos, químicos, míticos, que podem recombinar-se de maneira pós-humana. O pensamento feminista hoje, pela primeira vez na história humana, está colocando o problema de escolher se continuar ou interromper a história. Uma história que está se tornando muito louca, muito feia, muito horrorosa.” (Entrevista de Jorge Fontevecchia em Perfil).

[5] O verbo que o livro mais conjuga para José Amaro é o verbo virar, já que ele nunca é, e se for, será alguém sem identidade definida, ou com identidade a ser definida pelos outros para ser mais justamente marginalizado” (Santiago, 1998: 40).

[6] Incluído em Absurdo Brasil. Polémicas en la cultura brasileña, organizado por Florencia Garramuño e Adriana Amante, 2000.

Referências

FERNÁNDEZ BRAVO, Álvaro. (2014). “Santiago: Apología de la impureza”. Cadernos de estudos culturais, n. 1, jan.-jun.

DE SOUZA, Eneida Maria. (2021). Narrativas impuras. Recife: Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

SANTIAGO, Silviano (org.). (1976). Glossário de Derrida. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

SANTIAGO, Silviano. (1998). “A Ameaça do Lobisomem”. Revista Brasileira de Literatura Comparada, Florianópolis: ABRALIC, v. 4, p. 20-31.

SANTIAGO, Silviano. (2000). “El entre-lugar del discurso latinoamericano”. In: AMANTE, Adriana & GARRAMUÑO, Florencia. (Orgs). Absurdo Brasil. Polémicas en la cultura brasileña. Buenos Aires: Biblos.

SANTIAGO, Silviano. (2008a). “Meditação sobre o ofício de criar”. Aletria, n. 18, p. 173-179.

SANTIAGO, Silviano. (2008b). “Manuel Puig: a atualidade do precursor”. Revista Iberoamericana, vol. LXXIV, n. 225, out.-dez., p. 1119-1129.

SANTIAGO, Silviano. (2017). Una literatura anfibia. Cuadernos de literatura, v. 21, n. 41, p. 213-222. Disponível aqui.

Sobre o autor

Daniel Link é escritor, crítico literário e professor da Universidad Nacional de Tres de Febrero e da Universidad de Buenos Aires.


Impureza

La “impureza” está en el corazón de la escritura de Silviano Santiago (cf. Fernández Bravo, 2014). O, lo que es lo mismo: su corazón palpita allí, impuro, desbaratando toda ilusión de cerebración inconsciente. Lo que late es una forma de Nachleben que nos arrastra a zonas de indeterminación (entre la ficción y la teoría, entre lo propio y lo ajeno, pero sobre todo: entre lo vivo y lo muerto).

Las formas y los momentos históricos, ha señalado Eneida de Souza (2021) retomando explícitamente a Aby Warburg, “são impuros, heterogêneos e fantasmáticos”[1]. Por supuesto, Roland Barthes antes de Warburg (y aquí “antes” supone una temporalidad también ella impura, porque remite a la lógica de la lectura y no a la de las cronologías: leímos antes a Barthes que a Warburg) ya había desarrollado, según Eneida, “uma forma de alertar para o aspecto impuro e múltiplo da maioria dos discursos” (Souza, 2021: 157-158).

Los espacios y las temporalidades son tan impuras como las formas y los acontecimientos. Por supuesto, Eneida no puede sino toparse con Silviano en esas indagaciones, en particular con el célebre texto sobre el entre-lugar del discurso latinoamericano, que retomaré más adelante:

A posição de Silviano frente à obra de Warburg reside na coincidência em relação ao processo intercultural pautado pelo descentramento e pelo extremo reconhecimento da alteridade (Souza, 2021: 190).

O entre-lugar se expande e se multiplica com a apropriação de diversos pensadores, os quais respondem não só pela literatura, mas abrangem os discursos filosófico, social, antropológico e político. Sobrevive sem a marca da cópia e da repetição pura, mas se insere no âmbito da impureza e da traição (Souza, 2021: 194).

Lo impuro no es para Silviano un valor en si mismo, por supuesto, pero tampoco aquello que se opone a lo puro. Se trata de un combate conceptual que afecta fundamentalmente al estatuto de lo viviente. Escribe, a propósito de un homenaje a Saramago, el precioso texto “Una literatura anfibia”[2]:

El lector extranjero no quiere comprender las razones por las que, en la literatura brasilera, lo legítimo quiere ser espurio con el objetivo de que lo espurio, a su vez, pueda ser legítimo. Su deseo de lector no se funda en el impulso del texto literario. Quiere distanciarse de él. Quiere percibir lo estético en el arte y lo político en la política. Quiere lo que el texto no quiere. No desea el texto que no lo desea. “Cada mico en su palo” (Cada macaco em seu galho), como dice el dicho.

No comprende que el doble movimiento de impureza que se encuentra en la buena literatura brasilera no es razón para quejas estetizantes y mucho menos para críticas pragmáticas. La impureza es, por el contrario, la forma literaria por la que la lucidez se afirma doblemente. La forma literaria anfibia requiere la lucidez del creador y también la del lector, ambos impregnados por la condición precaria de ciudadanos en una nación dominada por la injusticia (Santiago, 2017: 219).

Lo impuro, como lo anfibio, es una condición de vida, una forma de vida siempre precaria, siempre en tránsito, siempre al borde de su propia desaparición. Hay un “doble movimiento de impureza” que afecta tanto a lo que se escribe como a lo que se vive (vidas dominadas por la injusticia, por el colonialismo, por la subalternización). Pero también, vidas abiertas a lo heterogéneo, a lo desconocido, a lo “irrespirable”.

Al mismo tiempo, lo impuro, como lo anfibio, es un mecanismo adaptativo de supervivencia (“Überleben” tanto como “Nachleben”, pero también “Zusammenleben”, convivencia). Los seres anfibios o impuros pueden respirar (para que sus corazones sigan latiendo) en diferentes ambientes, en ecologías incluso hostiles.

Teniendo en cuenta esas premisas, lo impuro no es sólo un asunto de historiadores del arte, sino sobre todo de quienes pretenden sostener el lazo comunitario, la forma de vida en común (el munus), no necesariamente una identidad, sino precisamente un proceso de desidentificación, una disolución del self en un ambiente extranjero.

Eso, desde el primer momento, cuando Silviano publica con su nombre un Glossário de Derrida (1976)[3] que este libro homenajea con justicia.

En ese libro ya se lee:

A ausência de significado transcendental, postulada a partir de determinada aquisição teórica e de uma operação de desconstrução filosófica, vem assinalar que o “ente presente”, o referente, não se dá como percepção ou intuição. Com a ausência do referente permanece a referência, inscreve-se uma marca (pura e impura) “sem pólos decidíveis, sem termos independentes e irreversíveis”, ficção sem imaginário, mímica sem imitação, aparência sem realidade dissimulada (logo: falsa aparência), traços que nenhum presente teria precedido ou sucedido. Esta marca (pura e impura), “com todas as indiferenças que ordena entre todas as séries de contrários, […] produz ura efeito de milieu (meio como elemento que contém os dois termos ao mesmo tempo, meio mantendo-se entre dois termos)”. A esta marca, Derrida chamou, por analogia indecidível (Santiago, 1976: 49).

No importa tanto quién lo dice (el libro fue el resultado de un seminario dictado por Silviano, él le dio la voz a quienes lo acompañaron en esa aventura y puso su firma como garantía de aprendizaje), porque finalmente lo impuro afecta también a la institución “autor”, y por lo tanto a la signatura. Silviano (un derridiano en los trópicos) acuerda con esa indecibilidad que le permite, incluso, calificar a las marcas, las formas, las configuraciones simbólicas, las relaciones de poder, y las condiciones de existencia como, al mismo tiempo, “puras e impuras” (no “o”, sino “y”): no hay oposición ni dialéctica, sino contaminación. Eso es lo indecidible, pero es también lo indiferenciado, lo que se sustrae al sistema de producción de diferencias puras, que hoy ha adoptado la máscara del algoritmo, herramienta de explotación total.

Una “literatura anfibia”, que puede o podría vivir en varias ecologías (incluso las hostiles) es adecuada a los tiempos, también ellos, impuros de las transformaciones y de los renacimientos, tal como se lee en “Una literatura anfibia”:

En caso de que la educación no hubiera sido privilegio de pocos desde los tiempos coloniales, tal vez hubiéramos podido escribir de otra manera el panorama de la literatura brasilera contemporánea. Tal vez lo legítimo no hubiera sido la necesidad de buscar lo espurio para que aquello, a su turno, se tornara legítimo. Tal vez pudiéramos valernos apenas de dos principios de la estética: el libro de literatura existe ut delectet y ut moveat (para deleitar y conmover).

Pudiéramos atenernos a esos dos principios, y dejar de lado un tercer principio: ut doceat (para enseñar). Es esta, y no otra, la manera como nos toca narrarles en este día de primavera el panorama de la literatura brasilera contemporánea (Santiago, 2017: 222, yo subrayo)

La referencia temporal deíctica (“en este día de primavera”) nos llena de melancolía porque las transformaciones que hoy nos arrastran hacia la máquina y el saber algorítmico distan mucho de la esperanza primaveral y en lugar del cuerno de la abundancia, se oyen las trompetas de la aniquilación[4].

Vivimos, se nos dice, tiempos de psicodeflación y de pérdida de deseo (político, sexual, afectivo). En un paradigma de la cuantificación total y de la estadística como regla dorada de investigación de los comportamientos, la clasificación es decisiva. Pero el deseo (Silviano no ha dejado de sostener este principio al mismo tiempo estético y vital) es lo que desborda las clasificaciones, lo que se resiste a aceptar las lógicas del mercado.

 En un extraordinariamente sutil análisis de El extraño caso del doctor Jekyll y el señor Hyde, Silviano subraya que

Não tem sido salientada nas leituras da novela de Stevenson, o fato de que o destino dado à vida do médico, a transformação final do médico no sr. Hyde, ou seja, o fato de que o mal (isto é, a coagulação do duplo em um único ser, a negação da transformação) só triunfe porque naquele exato momento – no instante crucial da experiência – circulava no mercado londrino uma droga impura. O sentido da droga é determinado pelo mercado das drogas. Confessa aos amigos o dr. Jekyll:

You will learn from Poole how I have had London ransacked; it was in vain; and I am now persuaded that my first supply [ofsalt] was impure, and that it was that unknown impurity which lent efficacy to the draught [grifos nossos].

O universo da transformação é o da impureza no mercado londrino. Do momento em que o médico utiliza apenas a pureza dos produtos que são comercializados no mercado, não é mais possível o jogo das transformações (Santiago, 1998: 44).

Lo impuro y las impurezas son lo que garantizan el juego de transformaciones, que se bloquean en cuanto el catalizador (la droga) se purifica. La producción de lo impuro (el doble que es al mismo tiempo un mixto y un neutro) necesita de la impureza para no coagular, lo impuro como anticoagulante. No es que “lo mismo” produzca lo mismo en una cadena de identificaciones fatalmente narcisistas, sino que lo impuro (y sólo lo impuro) puede provocar la transformación de lo puro en impuro (como el pharmakon de la Anfisbena).

La “Ameaça do Lobisomem” (de donde proviene la cita anterior) no es tanto su potencia animal sino la inestabilidad identitaria, la indecibilidad, el tránsito desde los conjuntos de predicados intensionales que forman clase a un plano de intensidades puras y deseos desacomodados, fuera de registro (y, por lo tanto, resistentes a la cuantificación y al algoritmo). La amenaza del lobisomem es al mismo tiempo epistemológica y sexual. Nunca se es, sino que siempre se está virando[5]. Silviano subraya las preguntas que José Amaro se hace: “Por que seria ele para a crença do povo aquele pavor, aquele bicho? O que fizera para merecer isto?”. Tal vez José no lo sepa, pero Silviano lo sabe con certeza: aquele bicho bien puede seguir su transformación y virar en essa bicha, dado que el deseo trasciende los rigores de la gramática.

En “El entre-lugar del discurso latinoamericano” (1971)[6] es donde mejor se exhibe el carácter positivamente desestabilizador de la impureza.

La mayor contribución de América Latina a la cultura occidental proviene de la destrucción de los conceptos de unidad y pureza: estos dos conceptos pierden el contorno exacto de su significado, pierden su peso aplastador, su señal de superioridad cultural; a medida que el trabajo de contaminación de los latinoamericanos se afirma, se muestra cada vez más eficaz (Santiago, 2000: 65).

Los latinoamericanos “contaminan” lo puro, que no es, por lo tanto, lo opuesto de lo impuro o su contrario dialéctico sino aquello que está dispuesto a ser intervenido por “extrañas corrupciones”, como se lee una página antes:

[lo impuro] afecta definitivamente la correlación de los dos sistemas principales que contribuirán a la propagación de la cultura occidental entre nosotros: el código lingüístico y el código religioso. Esos códigos pierden su estatuto de pureza, y poco a poco se dejan enriquecer por nuevas adquisiciones, por pequeñas metamorfosis, por extrañas corrupciones, que transforman la integridad del Libro Santo, del Diccionario europeo y su Gramática. El elemento híbrido reina (Santiago, 2000: 64).

Lo híbrido es aquello que no se puede reproducir. Tal vez por eso Silviano prefiere el designante “anfibio” y se pone, por lo tanto, del lado de las anfibiologías (esas palabras que viven de diferentes ecologías del sentido).

Para Silviano, esos asuntos no son sólo los asuntos que un crítico debería tener siempre en cuenta) sino los asuntos de un escritor. En su “Meditação sobre o ofício de criar”subraya que

Inserir alguma coisa (o discurso autobiográfico) noutra diferente (o discurso ficcional)significa relativizar o poder e os limites de ambas, e significa também admitir outras perspectivas de trabalho para o escritor e oferecer-lhe outras facetas de percepção do objeto literário, que se tornou diferenciado e híbrido. Não contam mais as respectivas purezas centralizadoras da autobiografia e da ficção; são os processos de hibridização do autobiográfico pelo ficcional, e vice-versa, que contam. Ou melhor, são as margens em constante contaminação que se adiantam como lugar de trabalho do escritor e de resolução dos problemas da escrita criativa (Santiago, 2008a: 174).

La escrita autobiográfica y la escrita ficcional se contaminan y eso es lo que cuenta. No sólo lo que importa sino sobre todo lo que narra a través de una voz impura, mestiza, anfibia, indecidible.

Incluso a la hora de reconocer a Manuel Puig como precursor a Silviano no le sorprende tanto “a singular e pura sensibilidade homossexual de Manuel Puig” sino más bien el modo en que articula registros completamente heterogénos para producir una forma impura (“Manuel Puig é o primeiro grande autor latino-americano que trabalha com a forma de escombro derivada do excesso de excesso da indústria cultural estadunidense e argentina, ou seja, com o quase lixo”; “Manuel Puig é o primeiro a apresentar como vanguarda artística o movimento subterrâneo, silencioso e infrator na indústria cultural norte-americana a que Susan Sontag chamou com propriedade de “camp”) (Santiago, 2008b).

Lo que resulta particularmente estimulante en la descripción de ese “maridaje” es precisamente una metáfora que remite a la todavía proustiana imagen de la flor y la avispa, una unión propiamente contaminante: “A originalidade do romance de Puig está em deixar indeterminado o modo como os novos contrapontos se casam, para usar um verbo que introduz, para o leitor, a questão da lógica interna da narrativa” (Santiago, 2008b).

El casado, como se dice, casa quiere. Pero la casa es aquí imposible porque el lenguaje no es casa del ser (es decir, de determinaciones) sino apenas un arma que produce un efecto ricochete (como figura retórica), un viragem indeterminado, más allá de todo sedentarismo, de toda pureza, de toda inmunidad, más allá incluso del “contorno exacto de su significado”.

Esas extrañas corrupciones de los códigos, sobre cuyas bondades no ha cesado de reflexionar Silviano, son las que nos permitirán sobrevivir (Überleben) a la omnipotencia de la máquina algorítmica. Esto no es un homenaje, es un agradecimiento.

Notas

[1] “Seria mais aconselhável pensar no conceito de sobrevivência das formas, como assim entende o historiador da arte Aby Warburg, para quem as formas e os momentos históricos são impuros, heterogêneos e fantasmáticos” (Souza, 2021: 157-158).

[2] Trabajo leído el día 19 de abril de 2002, en John F. Kennedy Library (Boston), con motivo del homenaje realizado al Premio Nobel José Saramago (“Tribute to José Saramago”). Publicado en portugués en la revista Alceu.

[3] Trabalho realizado pelo Departamento de Letras da PUC/RJ. Supervisão geral de Silviano Santiago.

[4] Cfr. las posiciones últimas de Franco Berardi. Por ejemplo: ““¿Qué es la mutación cognitiva? Es el hecho de que durante un millón de años los humanos han aprendido las palabras por la voz de su madre, hoy hay una generación que ha aprendido más palabras por una máquina que por la voz de un ser humano. Mutación cognitiva es la hiperaceleración de la circulación informacional, que no es solo información, es una esfera de estimulaciones infoneurales. Cuando el cerebro puede conocer los signos de manera secuencial, podemos decir “conocimos”. Cuando el cerebro está expuesto a una velocidad infinita del ambiente infoneural, algo muy profundo se verifica en la mente. La mente no puede estar en condiciones de controlar emotiva y cognitivamente su entorno. La mente está sumergida en esta aceleración y por esta inflación semiótica. Por todo eso, el fin del mundo es aquí, ya lo estamos viviendo. Puede ser que la bomba nuclear va a transformar el fin del mundo en algo más visible, pero a un nivel no totalmente visible pero parcialmente sí, el fin del mundo ya está aquí” y “Se presenta la posibilidad de una salida del paradigma masculino de la historia humana, desde el paradigma patriarcal, acumulativo y propietario de la historia pasada. Se trata de un pasaje fundamental porque puede manifestarse de manera muy traumática también esta nueva tópica. Esta nueva configuración de la psicoesfera global. Por ejemplo, creo que hay una tendencia evidente en el comportamiento femenino mundial, o al menos del norte del mundo, de deserción de la procreación. Una decisión consciente o inconsciente de no generar las víctimas del cambio climático, del infierno climático y sobre todo las víctimas del infierno geopolítico, social, de la guerra. Esta tendencia, cuidado, no estamos hablando de una imaginación fantástica, estamos hablando del hecho de que desde Japón, Corea, China a Rusia, India, incluso toda Europa, y partes de América Latina, etcétera, etcétera, el norte del mundo está decidiendo no reproducir el género humano. Las mujeres están decidiendo. Esta tendencia para mí es la condición de un repensamiento radical de la relación entre el hombre, el homo, que no es hombre, es algo mucho más complicado que lo que la tradición humanista llama hombre. Donna Haraway, una filósofa feminista californiana muy cercana al feminismo argentino, dice: ‘No somos hombres, no somos mujeres, somos critters’. Palabra que significa que somos elementos físicos, químicos, míticos, que pueden recombinarse de manera poshumana. El pensamiento feminista hoy, por primera vez en la historia humana, está poniendo el problema de elegir si continuar o interrumpir la historia. Una historia que se está volviendo muy loca, muy fea, muy horrorosa”. Entrevista de Jorge Fontevecchia en Perfil.

[5] “O verbo que o livro mais conjuga para José Amaro é o verbo virar, já que ele nunca é, e se for, será alguém sem identidade definida, ou com identidade a ser definida pelos outros para ser mais justamente marginalizado” (Santiago, 1998: 40).

[6] Incluido en Absurdo Brasil. Polémicas en la cultura brasileña, editado por Florencia Garramuño y Adriana Amante (2000).

Referencias

FERNÁNDEZ BRAVO, Álvaro. (2014). “Santiago: Apología de la impureza”. Cadernos de estudos culturais, n. 1, jan.-jun.

DE SOUZA, Eneida Maria. (2021). Narrativas impuras. Recife: Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

SANTIAGO, Silviano (org.). (1976). Glossário de Derrida. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

SANTIAGO, Silviano. (1998). “A Ameaça do Lobisomem”. Revista Brasileira de Literatura Comparada, Florianópolis: ABRALIC, v. 4, p. 20-31.

SANTIAGO, Silviano. (2000). “El entre-lugar del discurso latinoamericano”. In: AMANTE, Adriana & GARRAMUÑO, Florencia. (Orgs). Absurdo Brasil. Polémicas en la cultura brasileña. Buenos Aires: Biblos.

SANTIAGO, Silviano. (2008a). “Meditação sobre o ofício de criar”. Aletria, n. 18, p. 173-179.

SANTIAGO, Silviano. (2008b). “Manuel Puig: a atualidade do precursor”. Revista Iberoamericana, vol. LXXIV, n. 225, out.-dez., p. 1119-1129.

SANTIAGO, Silviano. (2017). Una literatura anfibia. Cuadernos de literatura, v. 21, n. 41, p. 213-222. Disponível aqui.

Sobre el autor

Daniel Link es escritor, crítico literario y profesor de la Universidad Nacional de Tres de Febrero y de la Universidad de Buenos Aires.