Sergio Miceli (1945-2025)

A BVPS lamenta o falecimento do professor Sergio Miceli Pessôa de Barros (Rio de Janeiro, 1945 – São Paulo, 2025), ocorrido hoje, 12 de dezembro de 2025, aos 80 anos de idade.

Sociólogo, Miceli foi professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Atuou também, por muitos anos, como professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Graduado em Ciências Políticas e Sociais pela PUC-Rio em 1967, no ano seguinte migrou para São Paulo e, na USP, realizou seu mestrado em Sociologia entre 1968 e 1971. No doutorado (1973-1978), obteve dupla titulação, com orientação de Leôncio Martins Rodrigues, na USP, e de Pierre Bourdieu, na École des Hautes Études en Sciences Sociales.

É inegável o papel que desempenhou nas áreas de Sociologia da Cultura e de Pensamento Social Brasileiro, tendo sido figura central para a consolidação do GT de Pensamento Social da Anpocs. Além de se debruçar sobre temas improváveis para a época – como sua pesquisa de mestrado sobre programas televisivos de auditório –, Miceli foi também responsável pela formulação de uma nova perspectiva analítica. Em diálogo sobretudo com Pierre Bourdieu, desenvolveu ao longo dos anos uma análise contextualista, baseada no método prosopográfico (biografia coletiva), voltada à construção de uma história dos intelectuais densa em mediações, ao articular origens sociais, formação cultural e modos de inserção na cena intelectual e artística.

Importante foi também sua atuação no âmbito editorial. Miceli organizou uma das primeiras coletâneas de textos de Pierre Bourdieu publicadas no Brasil, A economia das trocas simbólicas, e, posteriormente, na década de 1990, tornou-se editor da Edusp, onde revitalizou o catálogo de ciências humanas, especialmente com a Coleção Ensaios Latino-Americanos da editora. Recentemente, voltou a colaborar com a Edusp, empenhando-se no fortalecimento das editoras universitárias e das obras acadêmicas. Além disso, por muitos anos foi editor responsável da prestigiosa revista Tempo Social. Miceli foi também o coordenador da História das Ciências Sociais no Brasil (vol. 1, 1989; vol. 2, 1995), obra coletiva realizada no Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (IDESP), onde foi diretor entre 1992 e 1995.

Além das publicações de sua dissertação de mestrado, A noite da madrinha (1972), e de sua tese de doutorado, Intelectuais e classe dirigente no Brasil (1920-1945) (1979), publicou livros que se tornaram referências no debate sociológico, como A elite eclesiástica brasileira (1988), Imagens negociadas (1996), Historia social de los intelectuales en América Latina (2008) e Cultura e sociedade: Brasil e Argentina (2014), este último organizado em parceria com sua esposa, Heloisa Pontes.

À família, aos amigos e aos estudantes, manifestamos nosso sincero sentimento de pesar e deixamos nosso abraço.