
Nos aproximando do 8M, damos início à quarta edição da Ocupação Mulheres da BVPS. A edição deste ano, com curadoria de Claudia Bacci (IEALC-UBA) e Caroline Tresoldi (PPGSA/UFRJ), tem como eixo central os debates e as experiências de mulheres e feministas na América Latina.
Na primeira rodada de postagens do dia, publicamos texto de Alejandra Oberti (UNLP e UBA), que revisita o Primeiro Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, para analisar como esses espaços contribuíram para a construção de uma comunidade feminista regional. A autora mostra que, ali, se articularam debates centrais do feminismo a partir de uma perspectiva situada na realidade latino-americana. Segundo Oberti, os Encontros foram também espaços de produção de vínculos afetivos e de uma linguagem política feminista comum, fundamentais para imaginar e sustentar alianças entre feministas na região.
Não perca, na parte da tarde, textos inéditos escritos por pesquisadoras e ativistas de diferentes gerações e instituições latino-americanas. Para saber mais sobre a proposta desta edição, cujos textos estão sendo publicados em português e espanhol, clique aqui. Boa leitura!
Apegos ferozes: encontros, autonomia e comunidade feminista na América Latina
Por Alejandra Oberti (UNLP e UBA)
Introdução
Em julho de 1981, nos arredores de Bogotá, cerca de duzentas mulheres reuniram-se no Primeiro Encontro Feminista da América Latina e do Caribe, um acontecimento político de grande relevância para o feminismo regional por, ao menos, três razões. Em primeiro lugar, por sua persistência ao longo do tempo: os Encontros continuam sendo realizados até hoje, a cada dois ou três anos, em diferentes países da América Latina e do Caribe. Em segundo lugar, porque neles se condensaram debates centrais do feminismo da época – a autonomia do movimento, a dupla militância, a definição de seu sujeito político, a visibilidade lésbica e a violência – formulados a partir de uma perspectiva situada na realidade latino-americana. Finalmente, porque os Encontros possibilitaram uma forma particular de articulação feminista que contribuiu para imaginar uma comunidade regional com um olhar próprio sobre os problemas do continente. Como assinalam as acadêmicas e ativistas Sonia Álvarez, Elizabeth Friedman, Ericka Beckman, Maylei Blackwell, Norma Chinchilla, Nathalie Lebon, Marisa Navarro e Marcela Ríos Tobar (2003), esses espaços foram cruciais para “imaginar” comunidades feministas latino-americanas, desafiar normas culturais nacionalistas e masculinistas e criar uma gramática política feminista comum.
Embora o Encontro de Bogotá tenha sido um acontecimento inovador, ele não constituiu um fato isolado. Durante a década de 1970 realizaram-se diversas reuniões e conferências de caráter transnacional que reuniram mulheres do continente, muitas delas vinculadas a agendas acadêmicas ou a organismos multilaterais.
Nesse contexto, o Encontro Feminista de 1981 destacou-se por reunir características que o diferenciaram de outros espaços: seu caráter militante e autônomo em relação aos Estados, aos governos, à academia e aos organismos internacionais; a discussão horizontal; e a invenção de estratégias organizativas próprias. Tratou-se de um espaço de reflexão entre feministas latino-americanas sobre sua própria realidade, um lugar de reconhecimento mútuo.
O feminismo latino-americano forjou-se nesses Encontros, que foram simultaneamente resultado da confluência de dinâmicas locais e espaços de criação de novas perspectivas, formas de ação e vínculos afetivos. Nos Encontros circularam não apenas ideias, linguagens e valores, mas também emoções compartilhadas, fundamentais para compreender a práxis feminista regional. Nesse sentido, constituíram espaços onde se forjaram alianças afetivas feministas a partir da vulnerabilidade e da resistência.
Nestas páginas apresento algumas das discussões que ocorreram no momento em que os Encontros começavam a tomar forma: os debates sobre o caráter que se pretendia lhes conferir, sua relevância para a articulação de uma perspectiva feminista latino-americana e as discussões em torno do sujeito do feminismo. Como se chegou à realização do Encontro de Bogotá? O que distingue o “Encontro” de outros fóruns internacionais? E o que representou essa modalidade de articulação para os feminismos da região? Essas são algumas das perguntas que organizam a análise, atenta tanto às discussões políticas quanto aos vínculos afetivos gerados nesses espaços.
Estudar a história das ações e do pensamento feminista não é tarefa simples. No caso dos Encontros, e apesar de sua importância, a documentação produzida neles não se encontra disponível de forma sistemática. “Faltam genealogias” – costuma-se dizer – embora o pensamento feminista tenha sido particularmente prolífico ao tentar traçá-las, nutrindo a ação política com o trabalho das gerações que nos precederam. Uma antiga fábula feminista insiste em reivindicar as bruxas e seu destino como emblema da sabedoria das mulheres cujos conhecimentos foram reprimidos e invisibilizados (Fischer, 1995: 70). Assim como esses saberes, os arquivos feministas tampouco são fáceis de localizar, apesar dos esforços de militantes, grupos e projetos de documentação que preservam e organizam entrevistas, atas de encontros, folhetos, documentos e fotografias que dão testemunho das ações feministas. Começo, portanto, estas notas reconhecendo esse trabalho de guardar, preservar, ordenar e publicar – muitas vezes de maneira artesanal – realizado em alguns centros de documentação e, sobretudo, aquele que militantes de diferentes lugares realizam espontaneamente.[1]
Encontro, feminista e latino-americano
A ideia de realizar um Encontro Feminista da América Latina e do Caribe começou a tomar forma a partir da experiência de algumas ativistas latino-americanas que participaram da Tribuna do Ano Internacional da Mulher, realizada no México em 1975. Muitas delas retornaram com a convicção de que era necessário criar um espaço próprio e autônomo, no qual as mulheres do continente pudessem refletir coletivamente sobre sua condição e definir uma agenda feminista situada na realidade do Sul. No entanto, essa ideia levou alguns anos para se concretizar.
O primeiro grupo a retomar esse desafio foi o coletivo venezuelano La Conjura, que propôs Caracas como sede de um encontro feminista latino-americano. Diversos obstáculos, contudo, impediram que o Encontro fosse realizado naquele país. Nesse contexto, a Colômbia surgiu como uma alternativa viável, dado o dinamismo de seu movimento de mulheres, que rapidamente assumiu a organização do evento.
Durante as reuniões preparatórias, realizadas em diferentes cidades do país, foram tomadas decisões-chave sobre o caráter do Encontro. A declaração elaborada naquele momento reafirmava a autonomia da Coordenadora e estabelecia que todas as participantes deveriam aceitar que sua participação se daria em caráter pessoal. Entretanto, em reuniões posteriores, esses consensos foram questionados – sobretudo por militantes de partidos políticos – e algumas decisões passaram a ser tomadas por votação, prática que desde então gera desconforto entre feministas.
Debateu-se se deveria ser convocado um encontro amplo, que reunisse todas as mulheres comprometidas com a libertação feminina, ou um encontro estritamente feminista; e se a participação deveria manter-se a título individual. Houve avanços e retrocessos, divisões internas e, em determinado momento, chegou-se a considerar a possibilidade de realizar dois encontros paralelos. Finalmente, acordou-se a realização de um único Encontro, em julho de 1981, em um espaço cedido pelo Instituto Nacional de Estudos Sociais (INES), nos arredores de Bogotá.
Apesar dos conflitos, o processo levou à definição de princípios fundamentais que marcariam os encontros posteriores: o caráter feminista do evento, a participação individual, a autonomia em relação a partidos e organizações, a construção coletiva não hierárquica e a ausência de painéis de especialistas. Consolidou-se também a ideia de autofinanciamento e da necessidade de contar com espaços físicos próprios para o debate entre feministas.
Essas disputas, longe de serem meramente anedóticas, condensam dilemas conceituais que acompanharam o feminismo latino-americano em sua constituição como movimento político com voz e agenda próprias, ao menos em dois sentidos. Por um lado, as tensões contribuíram para dar forma aos princípios organizativos que passariam a caracterizar os Encontros. Por outro, instaurou-se o debate em torno da “autonomia”, noção que nem todas compreendiam da mesma maneira. Assim, ficou aberta a pergunta sobre o que significava construir um espaço político próprio para debater a partir do feminismo, sem tutela partidária nem subordinações estratégicas (Suaza Vargas, 2008; Armenta et al., 1981; Fischer, 2005).[2]
Embora essa disputa não fosse nova – nem exclusiva da região –, declarar-se feminista em um contexto no qual boa parte das organizações de esquerda e populares condenava o feminismo como um desvio pequeno-burguês, distante dos urgentes problemas sociais e políticos latino-americanos, representava um dilema para muitas militantes cuja trajetória pessoal as aproximava dessas correntes. Esse conflito ficou claramente refletido nos debates do Encontro, especialmente no ateliê “luta política”, no qual se expressaram diferentes posições sobre a dupla militância, a relação entre luta feminista e anti-imperialismo e sobre como articular classe e gênero na luta feminista (Boletín Internacional de las Mujeres Isis, 1981: 30).[3]
Ao tentar elaborar uma síntese entre as diversas posições acerca da autonomia e da dupla militância, a socióloga feminista dominicana Magaly Pineda recorda, por contraste, sua experiência na Tribuna realizada no México em 1975 e destaca enfaticamente a disposição ao encontro que se produzia em Bogotá:
Entendo autonomia como um termo que implica uma luta na qual tomamos nossa iniciativa, mas subordinada a um projeto social – não ao partido, mas a um projeto de transformação, o projeto socialista ou de uma nova sociedade. Creio que, em termos de nosso feminismo autônomo, essa continua sendo – e deve continuar sendo – uma palavra-chave. Quanto à dupla militância, trata-se de uma questão que não vamos resolver agora; inclusive, o mais rico de tudo isso é que aqui há militantes falando de feminismo. Eu estava no México em 1975, senhoras!… e nos dividimos entre políticas e feministas. Aqui estamos agora mulheres buscando cada uma… (Cine Mujer, 1981).[4]
Para além das divergências, o Encontro de Bogotá representou, para aquelas que participaram, uma abertura a uma nova forma de viver o feminismo e um acontecimento político singular. Nancy Sternbach, Marysa Navarro, Patricia Chuchryk e Sonia Álvarez (1994: 270) afirmam que, a partir desse encontro, as feministas da América Latina perceberam a possibilidade de “criar uma linguagem feminista própria e comum, que repercutiu nas perspectivas a partir das quais cada grupo militava em seus próprios países”. O Encontro reafirmou que o feminismo latino-americano não era uma importação do Norte global, mas uma resposta às opressões interseccionais vividas na região. Ao mesmo tempo, consolidou-se como um movimento amplo, diverso e em constante construção.
Após esse primeiro momento, o conceito de autonomia adquiriu contornos cada vez mais complexos e passou a ser questionado sob novas perspectivas: a institucionalização do movimento, as ONGs, o financiamento internacional, a academia e a participação em organismos estatais trouxeram novos desafios e tensões. A institucionalização de algumas demandas feministas e a crescente procura por saberes especializados sobre mulheres e gênero por parte de organismos internacionais e governos nacionais impulsionaram modalidades de ação que extrapolavam as formas tradicionais de militância.
Apegos ferozes
Essa breve revisão das memórias do momento de gestação dos Encontros permite identificar alguns traços centrais para pensar seu lugar na genealogia dos feminismos latino-americanos.
Primeiro, o gesto de dar-se um nome. Lidas em seu contexto histórico, as palavras “encontro”, “feminista” e “latino-americano” condensam disputas de sentido e expressam uma definição política situada do feminismo na região, afirmando desde o início sua especificidade e sua diversidade.
Segundo, os Encontros estabeleceram uma relação explícita entre as lutas feministas e os processos de transformação e libertação do continente. Desde Bogotá, marcou-se uma diferença em relação aos feminismos da Europa e dos Estados Unidos – inclusive aos feminismos socialistas – ao incorporar à agenda a crítica ao imperialismo, às relações de subordinação global e às dívidas externas. Essas questões passaram a integrar os Encontros desde suas primeiras edições.
Terceiro, a pergunta pelo sujeito do feminismo: sua amplitude ou não; sua relação com classe social, racismo e violências sociais; e a inclusão de mulheres camponesas, trabalhadoras e de setores populares.
Por fim, o problema da autonomia em relação aos partidos políticos, a institucionalização, a dependência ou não de agências de financiamento e os vínculos com o Estado constituem um núcleo problemático que permanece até o presente.
Depois de Bogotá, os Encontros continuaram sendo espaços de produção feminista. Funcionaram como cenários de intensos debates entre correntes e grupos e como arenas onde emergiram novas problemáticas. A própria noção de “encontro” consolidou-se como um nó conceitual que articula uma forma de pensar o sujeito político do feminismo e a trama de suas múltiplas determinações.
Essa trama é política, mas também afetiva: forja-se nas discussões, mas também nos vínculos que nascem da vulnerabilidade e da resistência, da esperança e da alegria, nesse movimento ondulante das emoções. Não por acaso, muitas feministas relatam ter saído dos Encontros “surpreendidas” e “maravilhadas”. Como assinala Sara Ahmed (2015), o assombro mantém vivo o desejo de continuar buscando e abre a possibilidade de uma vida vivida com frescor. O testemunho de uma participante do Encontro de Bertioga condensa essa experiência afetiva: “Escrever sobre aqueles dias é tentar transmitir uma experiência vivida com grande emoção, para a qual temo não ter palavras suficientes […] um não querer despedir-se, a expressão da energia, da alegria e do afeto que se desenvolveram no encontro.” (Luna, 1985: 1-4)
Não são apenas as experiências compartilhadas, portanto, mas também as emoções que produzem proximidades e distâncias e que criam comunidades de afeto instáveis, porém poderosas. Estar juntas, discutir inclusive com fúria, gerou um vínculo afetivo que também se estende e se conecta com aquelas que vieram antes: “As feministas nos encontramos umas às outras, não necessariamente porque tenhamos percorrido os mesmos caminhos, mas porque reconhecemos nas histórias de outras algo que sentimos em nosso próprio corpo” (Ahmed, 2021: 69).
Os afetos constituem um componente fundamental da política feminista e contribuem para a criação de uma linguagem política própria. Enquanto o patriarcado, o capitalismo, as violências de Estado e o racismo representam a soma de múltiplas formas de violência, os feminismos forjados nos Encontros – com suas discussões, risos e danças, imagens e poesias – disputam o direito de pensar a América Latina a partir de uma perspectiva feminista.
Notas
[1] Muitas ativistas feministas preservaram documentação valiosa em suas casas e escritórios. Por outro lado, o Arquivo Histórico “Vamos Mujer. Movimiento Social de Mujeres”, da Universidade Nacional da Colômbia, e a Biblioteca “Rosario Castellanos”, do Centro de Investigações e Estudos de Gênero da Universidade Nacional Autônoma do México, reuniram e sistematizaram a produção documental e os arquivos de algumas organizações e ativistas, realizando uma contribuição fundamental para a preservação e a difusão do patrimônio documental do feminismo e do movimento de mulheres.
[2] As integrantes da Coordenadora elaboraram uma série de reflexões que reuniram em um dossiê documental. Trata-se de relatos em primeira pessoa, diálogos e entrevistas – alguns manuscritos, outros datilografados – nos quais se referem à sua experiência como parte da Coordenadora e descrevem vividamente a relação com as esquerdas colombianas e os avatares da dupla militância. O dossiê pode ser consultado no Archivo Histórico Vamos Mujer, da Universidad Nacional de Colombia.
[3] As memórias do Primeiro Encontro foram publicadas no Boletín Internacional de las Mujeres Isis, n.º 9 (1981). O número, inteiramente dedicado ao evento, inclui também informações sobre as participantes e os grupos que estiveram representados, bem como um informe sobre o que ocorreu nos ateliês. Integrantes da rede de comunicadoras que compunham a organização Isis, responsável pela edição do Boletín, estiveram entre as convidadas internacionais que participaram do encontro.
[4] O coletivo militante Cine-Mujer, pioneiro no uso do vídeo como forma de tornar visíveis as lutas feministas, realizou este trabalho a partir dos registros feitos durante o Encontro. Pineda foi uma destacada socióloga, professora, pesquisadora e liderança feminista dominicana. Desde cedo integrou as fileiras da esquerda em seu país, onde teve participação ativa. Posteriormente, militou no movimento feminista, animando e articulando diferentes coletivos.
Referências
AHMED, Sara. (2015). La política cultural de las emociones. México: UNAM.
AHMED, Sara. (2021). Vivir una vida feminista. Buenos Aires: Caja Negra.
ÁLVAREZ, Sonia E. et al. (2003). Encontrando los feminismos latinoamericanos y caribeños. Revista Estudos Feministas, v. 11, n. 2, p. 543-575.
ARMENTA, Martha et al. (1981). Documento de trabajo del Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe. Bogotá.
BOLETÍN INTERNACIONAL DE LAS MUJERES ISIS. (1981). Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe. Boletín Isis, Santiago de Chile, ano 1, n. 30.
CINE MUJER. (1981). Testimonio de Magaly Pineda en el documental Llegaron las feministas. I Encuentro Feminista Latinoamericano y del Caribe [documentário, 54 min.]. Bogotá.
FISCHER, Amalia. (1995). Feministas latinoamericanas. Las nuevas brujas y sus aquelarres. Tese (Maestría en Ciencias de la Comunicación) — Universidad Nacional Autónoma de México, México.
FISCHER, Amalia. (2005). Los complejos caminos de la autonomía. Nouvelles Questions Féministes, v. 24, n. 2, p. 54-78. (Versión especial en castellano: Fem-e-libros).
LUNA, Lola. (1985). Testimonio del Encuentro de Brasil. Archivo del Centro de Investigaciones y Estudios de Género de la Universidad Nacional Autónoma de México (CIEG-UNAM), Biblioteca Rosario Castellanos, Registro n. 12989.
STERNBACH, Nancy S. & NAVARRO, Marysa et al. (1994). Feminisms in Latin America: From Bogotá to San Bernardo. Signs, v. 20, n. 2, p. 269-298.
SUAZA VARGAS, María Cristina. (2008). Soñé que soñaba. Una crónica del movimiento feminista en Colombia de 1975 a 1982. Bogotá: AECID.
Sobre a autora
Alejandra Oberti é professora dos Departamentos de História e Sociologia da Universidade Nacional de La Plata e do curso de Sociologia da Universidade de Buenos Aires. É pesquisadora do Instituto de Estudos da América Latina e do Caribe (IEALC-UBA) e integra a Rede de Gênero, Feminismos e Memórias do CLACSO. Desde 2005 dirige o Arquivo Oral de Memoria Abierta, um programa que reúne testemunhos relacionados à violência de Estado e à vida política argentina.
Acercándonos al 8M, damos inicio a la cuarta edición de la Ocupación Mujeres de la BVPS. La edición de este año, curada por Claudia Bacci (IEALC-UBA) y Caroline Tresoldi (PPGSA/UFRJ), tiene como eje central los debates y las experiencias de mujeres y feministas en América Latina.
En la primera ronda de publicaciones del día, publicamos un texto de Alejandra Oberti (UNLP y UBA), que revisita el Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe, realizado en 1981 en Bogotá, para analizar cómo estos espacios contribuyeron a la construcción de una comunidad feminista regional. La autora muestra que allí se articularon debates centrales del feminismo desde una perspectiva situada en la realidad latinoamericana. Según Oberti, los Encuentros fueron también espacios de producción de vínculos afectivos y de una lengua política feminista común, fundamentales para imaginar y sostener alianzas entre feministas en la región.
No se pierdan, por la tarde, textos inéditos escritos por investigadoras y activistas de distintas generaciones e instituciones latinoamericanas. Para saber más sobre la propuesta de esta edición, haga clic aquí. Otros textos de la Ocupación pueden consultarse aquí. ¡Buena lectura!
Apegos feroces: encuentros, autonomía y comunidad feminista en América Latina
Por Alejandra Oberti (UNLP e UBA)
En julio de 1981, en las afueras de Bogotá, alrededor de doscientas mujeres se reunieron en el Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe, un acontecimiento político de gran relevancia para el feminismo regional por, al menos, tres razones. En primer lugar, por su persistencia en el tiempo: los Encuentros continúan realizándose hasta la actualidad, cada dos o tres años, en distintos países de América Latina y el Caribe. En segundo lugar, porque en ellos se condensaron debates centrales del feminismo de la época –la autonomía del movimiento, la doble militancia, la definición de su sujeto político, la visibilidad lésbica y la violencia– formulados desde una perspectiva situada en la realidad latinoamericana. Finalmente, porque los Encuentros habilitaron una forma particular de articulación feminista que contribuyó a imaginar una comunidad regional con una mirada propia sobre los problemas del continente. Como señalan las académicas y activistas Sonia Álvarez, Elizabeth Friedman, Ericka Beckman, Maylei Blackwell, Norma Chinchilla, Nathalie Lebon, Marisa Navarro y Marcela Ríos Tobar (2003), estos espacios resultaron cruciales para “imaginar” comunidades feministas latinoamericanas, desafiar normas culturales nacionalistas y masculinistas y crear una gramática política feminista común.
Si bien el Encuentro de Bogotá fue un acontecimiento novedoso, no constituyó un hecho aislado. Durante la década de 1970 se desarrollaron diversas reuniones y conferencias de carácter transnacional que reunieron a mujeres del continente, muchas de ellas vinculadas a agendas académicas o a organismos multilaterales.
En este contexto, el Encuentro Feminista de 1981 se destacó por reunir características que lo diferenciaron de otros espacios: su carácter militante y autónomo respecto de los Estados, los gobiernos, la academia y los organismos internacionales; la discusión horizontal; y la invención de estrategias organizativas propias. Se trató de un espacio de reflexión entre feministas latinoamericanas sobre su propia realidad, un lugar de reconocimiento mutuo.
El feminismo latinoamericano se forjó en estos Encuentros, que fueron simultáneamente resultado de la confluencia de dinámicas locales y espacios de creación de nuevas perspectivas, formas de acción y vínculos afectivos. Porque en los Encuentros circularon no solo ideas, lenguajes y valores, sino también emociones compartidas que resultan centrales para comprender la praxis feminista regional. En este sentido, los Encuentros constituyeron espacios donde se forjaron alianzas afectivas feministas a partir de la vulnerabilidad y la resistencia.
En estas páginas voy a presentar algunas de las discusiones que tuvieron lugar en el momento en que los Encuentros comenzaban a tomar forma: las discusiones sobre el carácter que se les quiso imprimir, su relevancia para la articulación de una perspectiva feminista latinoamericana y los debates en torno al sujeto del feminismo. ¿Cómo se llegó a realizar el Encuentro de Bogotá?, ¿qué distingue al “Encuentro” de otros foros internacionales? y ¿qué representó esta modalidad de articulación para los feminismos de la región?, son algunas de las preguntas que ordenan el análisis que atiende tanto en las discusiones políticas como los vínculos afectivos generados en esos espacios.
Estudiar la historia de las acciones y el pensamiento feminista no es tarea fácil. En particular en relación con los Encuentros, y a pesar de su importancia, la documentación producida en ellos no se encuentra disponible de manera sistemática. “Faltan genealogías” –se dice habitualmente– aunque el pensamiento feminista ha sido prolífico a la hora de intentar trazarlas para nutrir la acción política con el trabajo de las generaciones que nos precedieron. Una vieja fábula feminista insiste en reivindicar a las brujas y su destino como emblema de la sabiduría de las mujeres cuyos conocimientos han sido reprimidos e invisibilizados (Fischer, 1995: 70). Así como esos saberes, los archivos feministas tampoco no son fáciles de localizar a pesar de los esfuerzos de militantes, grupos y proyectos de documentación que preservan y organizan entrevistas, actas de encuentros, folletos, documentos, fotografías que dan cuenta de las acciones feministas. Doy inicio entonces a estas notas reconociendo ese trabajo de guardar, preservar, ordenar y publicar de manera artesanal que se realizan en algunos centros de documentación y sobre todo el que realizan espontáneamente militantes de distintos lugares.[5]
Encuentro, feminista y latinoamericano
La idea de realizar un Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe comenzó a gestarse a partir de la experiencia de algunas activistas latinoamericanas que participaron en la Tribuna del Año Internacional de la Mujer en México en 1975. Muchas de ellas regresaron con la convicción de que era necesario crear un espacio propio, autónomo, donde las mujeres del continente pudieran reflexionar colectivamente sobre su condición y definir una agenda feminista situada en la realidad del sur. Sin embargo, esta idea demoró algunos años en materializarse.
El primer grupo que retomó ese desafío fue el colectivo venezolano La Conjura, que propuso a Caracas como sede de un encuentro feminista latinoamericano, pero diversos obstáculos impidieron que el Encuentro se realizara en ese país. En ese contexto, Colombia emergió como una alternativa viable, dado el dinamismo de su movimiento de mujeres que rápidamente se hizo cargo de la organización.
Durante las reuniones preparatorias, realizadas en distintas ciudades del país, se tomaron decisiones clave sobre el carácter del Encuentro. La declaración elaborada entonces reafirmaba la autonomía de la Coordinadora y establecía que todas las participantes debían aceptar que su participación sería a título personal. No obstante, en reuniones posteriores, estos consensos fueron cuestionados, especialmente por militantes de partidos políticos, y algunas decisiones se tomaron por votación, una práctica que desde entonces genera malestar en los feminismos. Se discutió si debía convocarse a un Encuentro amplio de todas las mujeres comprometidas con la liberación femenina o a uno estrictamente feminista, y si la participación debía mantenerse a título personal. Hubo marchas y contramarchas, divisiones internas y, en algún momento, se planteó la posibilidad de realizar dos encuentros paralelos. Finalmente, se acordó la realización de un único Encuentro en julio de 1981, en un espacio cedido por el Instituto Nacional de Estudios Sociales (INES), en las afueras de Bogotá.
A pesar de los conflictos, en el proceso se asumieron definiciones fundamentales que marcarían a los Encuentros posteriores: el carácter feminista del evento, la participación individual, la autonomía respecto de partidos y organizaciones, la construcción colectiva no jerárquica y la ausencia de paneles de expertas. Asimismo, se consolidó la idea de la autofinanciación y de la necesidad de contar con espacios físicos propios para el debate entre feministas.
Estas disputas, lejos de ser anecdóticas, condensan los dilemas conceptuales que acompañaron al feminismo latinoamericano en su conformación como movimiento político con voz y agenda propias en, por lo menos, dos sentidos. Por un lado, las tensiones terminaron por dar forma a esos principios organizativos que distinguirían a los Encuentros. Por otro, se instaló la discusión en torno a la “autonomía”, una noción que no todas comprendían del mismo modo. Así la pregunta acerca de qué significaba construir un espacio político propio para debatir desde el feminismo, sin tutelajes partidarios ni subordinaciones estratégicas, quedó habilitada (Suaza Vargas, 2008.; Armenta, et. al. 1981; Fischer, 2005).[6]
Aunque la disputa no era nueva, ni exclusiva de esta región, ser o no feminista en un contexto en el que buena parte de las organizaciones de izquierda y populares condenaban este movimiento como una desviación pequeño burguesa, distanciada de los acuciantes problemas sociales y políticos latinoamericanos, implicaba un dilema para muchas cuya historia personal las acercaba a la militancia en esas corrientes y eso quedó claramente reflejado en los debates del Encuentro, especialmente en el taller “lucha política” donde se expresaron distintas posiciones sobre la doble militancia, el vínculo de la lucha feminista y el antiimperialismo y sobre cómo articular clase y género en la lucha feminista (Boletín Internacional de las Mujeres Isis, 1981: 30).[7]
Al intentar realizar una síntesis entre las diversas posiciones sobre la autonomía y la doble militancia, la socióloga feminista dominicana Magaly Pineda recuerda por contraste su experiencia en la Tribuna en México en 1975 y rescata enfáticamente la disposición a encontrarse que se estaba produciendo en Bogotá:
Entiendo autonomía como un término que implica una lucha en donde tomamos nuestra iniciativa, pero subordinada a un proyecto social, no al partido, sino a un proyecto de cambio, el proyecto socialista, o de una nueva sociedad. Creo que en términos de nuestro feminismo autónomo sigue siendo, y debe ser, un poco la palabra. Con respecto a la doble militancia, es una cuestión que no vamos a resolver ahora, que incluso lo más rico de esto es que aquí hay militantes hablando de feminismo. Yo estaba en México en 1975, ¡señoras!… y nos dividimos entre políticas y feministas. Aquí estamos ahora mujeres buscando cada una… (Cine Mujer, 1981)[8]
Más allá de las desavenencias, el Encuentro de Bogotá resultó para quienes asistieron una apertura a un nuevo modo de vivir el feminismo y un acontecimiento político único. Nancy Sternbach, Marysa Navarro, Patricia Chuchryk y Sonia Álvarez (1994: 270) plantean que, a partir del Encuentro de Bogotá, las feministas de América Latina percibieron la posibilidad de “crear un lenguaje feminista propio y común que repercutió en las perspectivas con las que cada grupo militaba en sus propios países”. El Encuentro reafirmó que el feminismo de América Latina no era una importación del norte global sino una respuesta a las opresiones interseccionales vividas en la región. Asimismo, se reafirmó como un movimiento amplio, diverso y en constante construcción.
Luego de este primer momento, el concepto de autonomía adquirió formas cada vez más complejas y pasó a cuestionarse desde otra perspectiva: la institucionalización del movimiento, las ONGs, el financiamiento internacional, la academia y la participación en organismos estatales conllevaban nuevos desafíos y tensiones. La institucionalización de algunas demandas feministas y la creciente demanda de saberes expertos sobre mujeres y género por parte de organismos internacionales y gobiernos nacionales, impulsaron nuevas modalidades de acción que desbordaban las formas tradicionales de militancia.
Apegos feroces
Esta breve revisión de las memorias del momento de gestación de los Encuentros permite identificar algunos trazos centrales para pensar su lugar en la genealogía de los feminismos latinoamericanos que conviene subrayar.
Primero, la acción de darse un nombre. Leídas en su contexto histórico, las palabras “encuentro”, “feminista” y “latinoamericano” condensan disputas por el sentido y expresan una definición política situada del feminismo en la región, afirmando su especificidad y su diversidad desde el inicio.
Segundo, los Encuentros establecieron una relación explícita entre las luchas feministas y los procesos de transformación y liberación del continente. Desde Bogotá, se marcó una diferencia respecto de los feminismos de Europa y Estados Unidos –incluso de los feminismos socialistas– al incorporar en la agenda la crítica al imperialismo, a las relaciones de subordinación global y a las deudas externas. Estas problemáticas formaron parte constitutiva de los Encuentros desde sus primeras ediciones.
Tercero, la pregunta por el sujeto del feminismo: su masividad o no; su relación con la clase, el racismo y las violencias sociales y la inclusión de mujeres campesinas, trabajadoras y de sectores populares.
Finalmente, el problema de la autonomía de los partidos políticos, la institucionalización, la autonomía y/o la dependencia de agencias de financiamiento y los vínculos con el Estado son elementos que constituyen un núcleo problemático persistente hasta la actualidad.
Después de Bogotá, los Encuentros continuaron siendo espacios de producción feminista. Funcionaron como escenarios de debates intensos entre corrientes y grupos, y como ámbitos donde emergieron nuevas problemáticas. La noción misma de “encuentro” se consolidó como un nudo conceptual que articula una forma de pensar el sujeto político del feminismo y la trama de sus múltiples determinaciones.
Esa trama es política pero también afectiva: se forja en las discusiones, pero también en los vínculos que nacen en la vulnerabilidad y la resistencia, en la esperanza y la alegría, en ese movimiento ondulante de las emociones. No casualmente, muchas feministas relatan haber salido de los Encuentros “sorprendidas” y “maravilladas”. Como señala Sara Ahmed (2015), el asombro mantiene vivo el deseo de seguir buscando y habilita la posibilidad de una vida vivida con frescura.
El testimonio de una participante del Encuentro de Bertioga condensa esa experiencia afectiva: “escribir sobre esos días es tratar de transmitir una experiencia vivida con gran emoción para la que me temo no tenga palabras para decirlo […] un no querer despedirse, la expresión de la energía, la alegría y el afecto que se desarrolló en el encuentro” (Luna, 1985: 1-4).
No son sólo, entonces, las experiencias compartidas sino, también, las emociones las que producen proximidad y distancia y las que crean comunidades de afecto inestables pero poderosas. Estar juntas, discutir incluso con furia, ha generado un vínculo afectivo que, además, se extiende y enlaza con las que vinieron antes: “las feministas nos encontramos unas a otras, no necesariamente porque hayamos recorrido los mismos caminos, sino porque reconocemos en las historias de otras algo que hemos sentido en nuestro cuerpo” (Ahmed, 2021: 69). Los afectos son un componente relevante de la política feminista y contribuyen a la creación de un lenguaje político propio. Mientras el patriarcado, el capitalismo, las violencias de Estado y el racismo constituyen la suma de todas las violencias, los feminismos que se forjaron en los Encuentros, con sus discusiones, sus risas y bailes, sus imágenes y poesías, disputan el derecho a pensar América Latina desde una perspectiva feminista.
Notas
[5] Muchas activistas feministas han preservado documentación valiosa en sus casas y oficinas. Por otro lado, el Archivo Histórico “Vamos Mujer. Movimiento Social de Mujeres” de la Universidad Nacional de Colombia y la Biblioteca “Rosario Castellanos” del Centro de Investigaciones y Estudios de Género de Universidad Nacional Autónoma de México han reunido y sistematizado la producción documental y los archivos de algunas organizaciones y activistas realizando una aporte sustancial para protección y divulgación del patrimonio documental del feminismo y el movimiento de mujeres.
[6] Las integrantes de la Coordinadora elaboraron una serie de reflexiones que reunieron en un dossier documental. Se trata de relatos en primera persona, diálogos y entrevistas –algunos manuscritos, otros redactados a máquina– en los que se refieren a su experiencia como parte de la Coordinadora y describen vívidamente la relación con las izquierdas colombianas y los avatares de la doble militancia. El Dossier se puede consultar en el Archivo Histórico Vamos Mujer. Universidad Nacional de Colombia.
[7] Las memorias del Primer Encuentro fueron publicadas en el Boletín Internacional de las Mujeres Isis, 9 (1981). El número, dedicado íntegramente al evento, incluye también información sobre las asistentes y los grupos que estuvieron representados y un informe sobre lo que sucedió en los talleres. Integrantes de la red de comunicadoras que conformaban la organización Isis, que editaba el Boletín, fueron algunas de las invitadas internacionales que asistieron.
[8] El colectivo militante Cine-mujer, pionero en utilizar el video como un modo de visibilizar las luchas feministas, realizó este trabajo a partir del registro que hicieron durante el Encuentro. Pineda fue una destacada socióloga, profesora, investigadora y líder feminista dominicana. Tempranamente, se había unido a las filas de la izquierda en su país en donde tuvo una activa participación. Luego, militó en el feminismo animando diferentes colectivos.
Referencias
AHMED, Sara. (2015). La política cultural de las emociones. México: UNAM.
AHMED, Sara. (2021). Vivir una vida feminista. Buenos Aires: Caja Negra.
ÁLVAREZ, Sonia E. et al. (2003). Encontrando los feminismos latinoamericanos y caribeños. Revista Estudos Feministas, v. 11, n. 2, p. 543-575.
ARMENTA, Martha et al. (1981). Documento de trabajo del Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe. Bogotá.
BOLETÍN INTERNACIONAL DE LAS MUJERES ISIS. (1981). Primer Encuentro Feminista de América Latina y el Caribe. Boletín Isis, Santiago de Chile, ano 1, n. 30.
CINE MUJER. (1981). Testimonio de Magaly Pineda en el documental Llegaron las feministas. I Encuentro Feminista Latinoamericano y del Caribe [documentário, 54 min.]. Bogotá.
FISCHER, Amalia. (1995). Feministas latinoamericanas. Las nuevas brujas y sus aquelarres. Tese (Maestría en Ciencias de la Comunicación) — Universidad Nacional Autónoma de México, México.
FISCHER, Amalia. (2005). Los complejos caminos de la autonomía. Nouvelles Questions Féministes, v. 24, n. 2, p. 54-78. (Versión especial en castellano: Fem-e-libros).
LUNA, Lola. (1985). Testimonio del Encuentro de Brasil. Archivo del Centro de Investigaciones y Estudios de Género de la Universidad Nacional Autónoma de México (CIEG-UNAM), Biblioteca Rosario Castellanos, Registro n. 12989.
STERNBACH, Nancy S. & NAVARRO, Marysa et al. (1994). Feminisms in Latin America: From Bogotá to San Bernardo. Signs, v. 20, n. 2, p. 269-298.
SUAZA VARGAS, María Cristina. (2008). Soñé que soñaba. Una crónica del movimiento feminista en Colombia de 1975 a 1982. Bogotá: AECID.
Sobre la autora
Alejandra Oberti es Profesora de los Departamentos de Historia y Sociología de la Universidad Nacional de La Plata y de la Carrera de Sociología de la Universidad de Buenos Aires. Es investigadora del Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe (UBA) e integra la Red de Género, Feminismos y Memorias de CLACSO. Dirige desde 2005 el Archivo Oral de Memoria Abierta, un programa que recoge testimonios referidos a la violencia de Estado y a la vida política argentina.
