BVPS Recomenda | “Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo”, de João Mello

A BVPS convida para o lançamento do novo livro de João Mello (PPGS-UFRJ), Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo, no dia 7 de outubro, a partir das 19h30, no 50º Encontro Anual da Anpocs.

Em Verde Novo, João Mello revisita a revista Verde, editada em Cataguases (MG) entre 1927 e 1929, propondo um quadro sociológico inovador para pensar o modernismo brasileiro como movimento de renovação cultural. A partir das relações dos jovens cataguasenses, com Rosário Fusco à frente, e Mário de Andrade, o autor inverte as perspectivas tradicionais: a revista deixa de ser mera expressão periférica do modernismo e ganha centralidade no projeto de renovação estética radical liderado por Mário.

Resultado do projeto Minasmundo, o livro destaca as tensões entre o local e o cosmopolita e recupera a categoria sociológica de “geração”, discutindo a juventude como portadora social da mudança cultural.


Orelha do livro Verde Novo: juventude e aprendizado social do modernismo

Por André Botelho (UFRJ)

“Luz do sol, que a folha traga e traduz em verde novo”. A partir da canção-poema de Caetano Veloso, a fotossíntese ganha também sentido de alegoria para pensar a dinâmica do modernismo brasileiro como movimento de renovação cultural.

Verde novo revisita a revista Verde, editada entre 1927 e 1929, num quadro sociológico inovador. João Mello toma as relações dos jovens de Cataguases, Minas Gerais, Rosário Fusco à frente, com Mário de Andrade como parte de uma rede de articulações mais amplas e significativas para o modernismo como um todo. Invertem-se as perspectivas tradicionais: ao invés de Verde apenas expressar a força do modernismo nos anos 1920, do centro para a periferia, ela ganha centralidade no projeto de renovação estética radical encetado e liderado por Mário. É um caminho de mão dupla que percorremos no livro, portanto. Ganham destaque, assim, as questões do local e do cosmopolita e do entrelaçamento entre gerações. Para passar da contestação à criação, o modernismo dependia da conquista dos corações, mentes e mãos jovens para enfrentarem os imensos desafios implicados na pretendida reorientação da cultura brasileira, o que não se esgotava no presente.  O livro traz à tona essa categoria sociológica esquecida, a de geração, discutindo as especificidades da ideia de juventude como portadora social da mudança cultural.

O diálogo de João Mello com a tese do modernismo como movimento cultural, que formulei com Maurício Hoelz, é extremamente profícuo. E Minas Gerais não figura, no livro, apenas como espaço geográfico. Verde novo também é resultado, aliás, como primeiro trabalho acadêmico de mestrado, do projeto/rede Minasmundo que, entre 2020 e 2024, congregou mais de 70 pesquisadoras e pesquisadores empenhados em rediscutir o cosmopolitismo na cultura brasileira a partir de Minas. Vemos, assim, que o “novo” de Verde novo diz respeito à juventude, mas também à inovação quando o diálogo entre as gerações acontece. Ver de novo.