Coluna Primeiros Escritos | Dossiê Futebol e Sociedade

O Blog da BVPS inaugura hoje a coluna Primeiros escritos, voltada à publicação de estudantes de pós-graduação. Nosso objetivo é proporcionar a jovens pesquisadores e pesquisadoras um espaço para divulgarem seus ensaios, experimentos e notas de pesquisa nas nossas áreas de atuação: ciências sociais, literatura, história, artes e estudos comparados em geral. Com essa iniciativa, esperamos que a comunicação pública do conhecimento produzido na universidade, desafio crescente e urgente, seja valorizada desde os primeiros passos da pesquisa acadêmica. 

A coluna tem a curadoria de Caroline Tresoldi e Rennan Pimentel (UFRJ), e os textos podem ser submetidos em fluxo contínuo, seguindo as normas de publicação do Blog. 

As primeiras publicações da nova coluna sairão ao longo dessa última semana da Copa do Mundo, reunidas no dossiê Futebol e Sociedade, organizado pelos mestrandos Rennan Pimentel (PPGSA/UFRJ) e João Mello (PPGSA/UFRJ). O dossiê é composto por um conjunto de textos que discutem a dimensão do futebol no Brasil e a Copa do Mundo.

Confira abaixo a breve apresentação dos organizadores do dossiê.


Dossiê Futebol e Sociedade

Organização de João Mello e Rennan Pimentel

Um dos elementos principais de nossa cultura popular, o futebol permeia o cotidiano brasileiro, estando presente no noticiário esportivo, no modo de torcer de cada um, nas conversas do dia-a-dia e na prática frequente vista Brasil afora. Nesse dossiê, em clima de Copa do Mundo, pretendemos manter a bola rolando nas discussões acadêmicas sobre o esporte, pensando as possíveis relações entre futebol e sociedade que tanto marcam nosso imaginário e têm impactos no modo como interpretamos o Brasil. Ao longo dos próximos dias publicaremos textos das mais diversas perspectivas para discutir futebol. Vamos a seleção de textos:

Abrimos nosso dossiê com o ensaio A globalização do futebol e a Copa do Mundo de 2022 em perspectiva, assinado por João Túbero Gomes da Silva (UNESP). Nesse texto, o autor observa os impactos das mudanças sociais decorrentes da globalização econômica e política para o esporte. Procurando entender as dimensões da “indústria do futebol”, Silva mostra como as mudanças estruturais pela qual o esporte passou nas últimas décadas têm impacto na mercantilização dos clubes, nos campeonatos disputados, nos jogadores, no padrão de jogo atual e reverberam também na Copa do Mundo. 

Seguindo adiante, publicaremos o texto Um gigante microcosmo: o Brasil e o futebol, de Miguel Cunha (UFRRJ). Neste trabalho, o autor apresenta o futebol como um microcosmo da sociedade brasileira em sua ambiguidade de veneno/remédio. Pelo lado do aspecto cultural, Cunha argumenta que o futebol foi pensado por uma herança modernista a partir de um estilo original nosso de jogar, refletindo, de certo modo, nossa formação social. Por outro lado, ao observar as estruturas políticas da organização do futebol brasileiro, o autor identifica práticas arcaicas de dominação, tão presentes no tipo de modernização conservadora que marca a história de nosso país.

Em Que história é essa? O Negro no Futebol Brasileiro, 75 anos depois, de Vinicius Garzon Tonet (UFMG), o livro clássico da literatura sobre futebol brasileiro é discutido a partir dos paratextos de sua primeira edição – assinada pelo seu autor, Mário Filho – e pelo prefácio de Gilberto Freyre. Buscando evidenciar o modo como O Negro no Futebol Brasileiro é apresentado ao público e as justificativas metodológicas do autor para a escrita do livro, Tonet recupera o contexto no qual o livro se inseria para observar as estratégias que o autor lançou mão para legitimar a validade argumentativa de sua obra.

Por fim, selecionamos o texto O Erudito e o futebol: notas sobre Os gênios da pelota, assinado por Karim Helayel (UFRJ), que recupera alguns pontos chaves da dissertação de mestrado de Ricardo Benzaquen de Araújo, “Os gênios da pelota: um estudo do futebol como profissão”. Em um gesto que conclama pela leitura desse trabalho enquanto uma interpretação do Brasil a partir dos discursos dos jogadores, o autor discute duas dimensões analisadas por Benzaquen: os processos da construção da subjetividade do jogador nos anos 1970-80 a partir de uma ética profissional articulada entre o cálculo e o prazer; e as relações tensas entre jogadores e dirigentes, uma vez que esses últimos se comportam de forma tradicional. Para Helayel, o trabalho de Benzaquen é um ponto de partida inescapável para discutir o futebol no âmbito do pensamento social brasileiro.

Como se pode ver, o conjunto dos textos que compõem esse dossiê sugere variadas entradas para discutir as relações entre futebol e sociedade. Desejamos uma boa leitura!

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