
Divulgamos hoje a exposição Leituras, que recobre o arco temporal de 20 anos da produção do artista mineiro Thiago Honório. Com curadoria de Lilia Schwarcz, a exposição acontece a partir de amanhã, 23 de março, e vai até 16 de junho na Biblioteca Mário de Andrade (Rua da Consolação em São Paulo).
Confira abaixo um release da exposição.
Leituras | Thiago Honório
Leituras | Thiago Honório, curadoria de Lilia Schwarcz, constitui-se numa exposição individual realizada na Biblioteca Mário de Andrade – BMA, que recobre o arco temporal de 20 anos da produção do artista mineiro Thiago Honório (Carmo do Paranaíba, MG, 1979), a partir de um recorte de 18 trabalhos que tomam o livro como como matéria, como lócus para a produção, discussão e elaboração de enunciados e questões no âmbito da arte contemporânea.
Sobre a exposição, segundo a curadora Lilia Schwarcz:
O lugar em que ela se realiza é quase autorreferente ou até metalinguístico: a icônica Biblioteca Mário de Andrade, instituição cuja vocação primeira vincula-se ao modernismo paulistano, a despeito de não se limitar a ele. A exposição significa também uma espécie de abreviado da obra consistente e coerente de Thiago Honório. Essa exposição recobre 21 anos de produção — de 2003 a 2023 —, deste artista mineiro, em diálogo com o barroco das Minas Gerais, e com o modernismo paulistano que selecionou esse tempo e esse lócus para pensar Brasil. Composta por 18 trabalhos, Leituras nos convida a pensar no livro como matéria, como conhecimento acumulado, como ‘substância inflamável’, (conforme o artista gosta de definir) e como forma estética.
A mostra também ocorre em torno das celebrações dos 130 anos do nascimento de Mário de Andrade, uma vez que a produção do escritor já apareceu em 9 trabalhos do artista Thiago Honório, a saber: Estudo para Leituras (2015), Leituras (2015/2018), Pauliceia (2018/2024), Tarsivaldo (2017), Tarsivaldo I, II, III, (2017/2022) e Memorando (2020). Logo, gravitando em torno de parte da produção de Mário de Andrade, Leituras colige, ainda, trabalhos desenvolvidos em diálogo com a produção textual e visual de escritores e artistas como Oswald de Andrade (1890-1954), Tarsila do Amaral (1886-1973), Flávio de Carvalho (1899-1973), Antonio Candido (1918-2017), Manuel Bandeira (1886-1968) e Michel Foucault (1926-1984); e também a partir daqueles livros que foram produzidos com edição e tiragem mais generosas como {[( )]}, premiado pelo ProAC de 2015, Augusta – que toma icônica rua da cidade de São Paulo como matéria –, e a partir de trocas como DULCINÉIA, produzido em colaboração com o coletivo de mulheres catadoras de papel do Glicério, o Dulcinéia Catadora (naquela ocasião em comemoração aos 10 anos desse coletivo).
A expografia e os displays para os trabalhos foram elaborados em colaboração com Sol Camacho, do escritório de arquitetura RADDAR, para a apresentação dos 18 trabalhos, sendo 8 deles inéditos, e a produção de Ana Helena Curti, Arte3.
Para Lilia Schwarcz:
Leituras é assim uma homenagem aos deslocamentos que a obra de arte faz. É uma homenagem também ao universo dos livros com suas utopias e impedimentos. É por fim uma homenagem às próprias bibliotecas que têm como utopia conter todo o conhecimento do mundo. Por isso são também as primeiras a arder diante de governos autoritários, e as primeiras a ressurgir em governos democráticos. Livre da censura e afeita a todo tipo de ressignificação, pois a cultura é isso: não a pedra que fica no fundo do rio, mas o próprio rio. A obra de Thiago Honório é feita do deslocamento incessante da água do rio.
A Biblioteca Mário de Andrade, inaugurada em 1925, é a maior biblioteca pública da cidade de São Paulo, uma das mais significativas do país, e a proposição de Leituras | Thiago Honório vai ao encontro tanto da missão desse espaço de difundir a literatura e a arte, como também alinha-se aos princípios, valores e tarefas incansáveis de seu fundador: Mário de Andrade.
Algumas produções de Thiago Honório




Sobre o artista:
Thiago Honório (Carmo do Paranaíba, MG, 1979. Vive e trabalha em São Paulo)
Exposições individuais realizadas incluem: Texto, curadoria de Ana Paula Cohen, Capela do Morumbi, 2023; Oração, curadoria de Ana Paula Cohen, Galeria Luisa Strina, 2023; Ópera, Piero Atchugarry Gallery/CAMPO AIR, Garzón, Uruguai, 2023; roçabarroca, MAM/SP, São Paulo, Brasil, 2020; Marcador, Estación Garzón, Garzón, Uruguai, 2019; The Red Studio ISCP/NYC, Nova York, EUA, 2018/2019; Solo, Galeria Luisa Strina, São Paulo, 2017; Trabalho, MASP, São Paulo, 2016.
Algumas exposições coletivas recentes: Entre olhares: Encontros (in)comuns – Coleção da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Biblioteca de Alcântara, Lisboa, Portugal, 2023; Tempos fraturados, MAC/USP, São Paulo, Brasil, 2023; Histórias brasileiras, MASP, São Paulo, 2022; Ausente manifesto, SESC Mogi das Cruzes, Mogi das Cruzes, Brasil; 2021; A máquina lírica, Galeria Luisa Strina, São Paulo, 2022; Arte, cidade e patrimônio: Futuro e memória nas poéticas contemporâneas, Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro, Brasil, 2021; Living Room, ISCP/NYC, Nova York, EUA, 2019; Luto tropical, PASTO, Buenos Aires, Argentina, 2019; Brasil desamparado: Verzuimd Braziel, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis; Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea de Goiás – MAC/GO, Goiânia, Brasil, 2018; Missread Berlin,Haus der Kulturen der Welt, Berlim, Alemanha, 2018; Imagens do Aleijadinho, MASP, São Paulo, 2018; Livres et revues d’artistes: Une perspective brésilienne – Éditions Incertain Sens / Cabinet du Livre d’Artiste, Université Rennes 2, Rennes, França, 2017; 60 anos, museu + residência, Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil, 2017; Um atrapalho no trabalho (apud Paulo Leminski),Museu de Artes e Ofícios, Belo Horizonte, 2017; Frestas Trienal 2017: Entre pós-verdades e acontecimentos, SESC Sorocaba, Sorocaba, Brasil, 2017; Almeida Júnior, Engel Leonardo, Maíra das Neves, Thiago Honório, Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro, 2017.
Possui obras em importantes museus, coleções públicas nacionais e internacionais como: Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; KADIST Art Foundation, San Francisco, EUA / Paris, França; Museo de Arte Contemporáneo Atchugarry – MACA, Manantiales, Uruguai; Museu de Arte de São Paulo – MASP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte do Rio – MAR, Rio de Janeiro, Brasil; Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC/Niterói, Niterói, Brasil; Museu de Arte Brasileira – MAB/FAAP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea – MAC/USP, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM, São Paulo, Brasil; Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil; New York Public Library, Nova York, EUA; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil.
Participou das seguintes residências artísticas: em 2020, recebeu o Gulbenkian | AiR 351 Grant, em Lisboa/Cascais, Portugal. Em 2019, foi convidado a participar da residência artística CAMPO AIR em Garzón, Uruguai; em 2018, recebeu o prêmio Director’s Circle do International Studio & Curatorial Program – ISCP, em Nova York; em 2016, integrou a 6a Bolsa Pampulha do Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, Brasil; em 2015, recebeu o Prêmio Programa de Residência Artística do Paço das Artes, em São Paulo; em2013, participou do Programa de Residência Artística Red Bull Station, em São Paulo; e, em 2012, do Programa de Residência Artística da Cité Internationale des Arts, em Paris, pela FAAP.
Prêmios: o artista foi vencedor do APCA/2023, prêmio brasileiro criado em 1956 pela Associação Paulista de Críticos de Arte, na categoria Arte Contemporânea – Artes Visuais. Sua exposição individual Oração, ocorrida em 2023 na Galeria Luisa Strina, foi considerada “The Top Ten Shows Around the World in 2023” pela Revista Frieze.