
Encerramos hoje a série especial preparatória para o seminário A outra crise do liberalismo? À margem da história da República (1924), com textos de Maurício Hoelz (UFRRJ) e João Marcelo E. Maia (FGV/CPDOC).
O texto de Hoelz analisa o que considera o pequeno ensaio de interpretação do Brasil de Alceu Amoroso Lima, escrito sob o pseudônimo de Tristão de Athayde, apontando como há nele uma afirmação do papel social e político dos intelectuais. Já Maia revisita o perfil de Benjamin Constant escrito por Vicente Licínio Cardoso, que traça o retrato de uma República fundada sem sujeitos sociais concretos. Nesse retrato, o herói não representa grupos ou interesses organizados, mas simboliza uma República abstrata, marcada pelo descompasso entre a ação política e a vida coletiva.
Curada por Christian Lynch, André Botelho e Rennan Pimentel, os textos dessa série especial da BVPS Edições comentam os capítulos da coletânea À margem da história da República, objeto de discussão no seminário que acontece nesta sexta-feira, 23 de maio, na Casa de Rui Barbosa.
Boa leitura! Confira aqui outros textos da série.
“Política e Letras”, de Tristão de Athayde
Por Maurício Hoelz (UFRRJ)
O texto de Tristão de Athayde, pseudônimo de Alceu Amoroso Lima cunhado em 1919, que integra o balanço crítico À margem da história da República pode ser lido como um pequeno ensaio de interpretação do Brasil. No momento em que o escreve, Alceu não era ainda o líder do laicato católico que se tornaria após sua conversão em 1928, vindo a substituir Jackson de Figueiredo, após a morte deste e por indicação do cardeal Dom Sebastião Leme, na presidência do Centro Dom Vital e na direção da revista A Ordem. Mas já despontava como um dos mais proeminentes críticos literários de seu tempo.
A tese inicial do ensaio – “o erro da boemia literária depois de 1889, fugindo à ação social e política” – já nos informa, leitores do futuro, que o texto que temos em mãos prefigura a célebre carta “Adeus à disponibilidade” dirigida por Alceu a Sérgio Buarque de Holanda em 1928, pois traz uma afirmação do papel social do intelectual, a noção de uma missão problemática desse personagem e a adoção de uma visão pragmática sobre esse papel (Botelho, 2005). O próprio título bastante pragmático, “Política e Letras”, condensa a economia do argumento: a conjunção indica que a primeira não pode ser isolada da segunda e que o texto trata dessa relação histórica significativa entre os intelectuais e a política no Brasil. Essa hipótese ganha força se consideramos que, posteriormente, rememorando os anos 1920 num artigo dedicado a Ronald de Carvalho – e publicado em Autores e Livros, suplemento literário de A Manhã, o jornal porta-voz do Estado Novo –, Alceu Amoroso Lima irá sugerir que o traço característico das experiências intelectuais da sua geração foi a relação estabelecida entre cultura e política de modo pragmático, mas patriótico, como forma de reação à crise de valores por que passava a sociedade brasileira e a sociedade ocidental em geral (Lima, 1942).
O obituário do escritor Edgar Allan Poe publicado só dois dias após sua morte pela New York Tribune, o maior jornal dos Estados Unidos à época, é o ponto de partida de “Política e Letras”: “Edgar Allan Poe is dead. He died em Baltimore the day before yesterday. This announcement will startle many, but few will be grieved by it”. [Edgar Allan Poe está morto. Ele morreu em Baltimore anteontem. Esse anúncio surpreenderá muitos, mas poucos ficarão consternados com isso.]. “Nada mais”, observa Tristão em seguida. Segundo ele, essas duras palavras, em sua insuficiência, “dizem mais que uma dissertação”, pois resumem “a sorte das letras em toda a América”. Vejamos seu diagnóstico:
“A América – e há pontos em que as duas Américas coincidem – vive literariamente na angústia de uma originalidade nem sempre procurada com fervor e por isso mesmo raramente recompensada. E, no entanto, já representa alguma coisa para a inteligência da Europa, embora não por meio da sua inteligência. O que a Europa pede à América é justamente uma reação contra o seu intelectualismo, em que Spengler já divisa os sinais da decadência. Renan se queixava ainda do mal [o americanismo], mas os contemporâneos o procuram, para renovar com Charlie Chaplin o seu riso exausto, ou com o jazz band bárbaro a espiritualidade excessiva de sua música. E se à América do Norte ela pede essa reação pela ingenuidade do homem, à nossa América Latina ela a pede pela visão dos trópicos, da natureza virgem e rude. […] Não é, portanto, à nossa inteligência que a Europa se dirige, para atenuar os males que o excesso de sua inteligência lhe tem causado. […] Nós procuramos exatamente o oposto. Nós procuramos inteligência […] para compreender, para assimilar, para conquistar o nosso ser, afinal” (Lima, 1981: 210-211).
A passagem explicita a percepção de Alceu sobre a dinâmica desigual, mas combinada, da relação ainda colonial da América, sobretudo Latina, com a Europa, a qual demandava de nós, para libertar-se de si mesma, a produção de exotismo (matéria-prima do eurocentrismo) para um saturado e decadente mercado central e internacional de ideias, reproduzindo uma visão entre paradisíaca e demoníaca dos trópicos selvagens. O modernismo artístico de 1922 em diante saberia tirar partido dessa desvantagem relativa – e contra a própria perspectiva elitista da intelectualidade da época, Alceu incluído – ao “descobrir” nas culturas populares o “primitivismo estético” que atraía o interesse das vanguardas artísticas europeias como meio de revitalização de sua tradição decadente e enfastiada, promovendo um desrecalque das nossas diferenças, até então vistas com preconceito, como expressão de nosso atraso ou inferioridade em relação à Europa.
O diagnóstico se estende e incorpora ainda outros elementos importantes. Alceu afirma em seguida que “nós, do Sul” somos “nacionalidades apressadas, onde todas as fases da civilização coexistem”, marcadas por isso por uma “discordância de tempos de crescimento” e por uma “ambiguidade moral que ainda não permitiu que a nossa alma encontrasse seu ser” (Lima, 1981: 210). “E de tudo isso emana a sensação do efêmero e um pressentimento contínuo de morte”, acrescenta. Cachimbo faz a boca torta, diz o ditado: no meu caso, estudioso de Mário de Andrade, difícil não pensar aqui em Macunaíma, o satírico porque ambíguo e funesto “herói sem nenhum caráter” inventado pelo líder modernista em 1928, que incorpora em seu próprio corpo temporalidades distintas, como sugere a cabeça de piá no corpo de adulto (interpretada como a permanência da tradição e do arcaico no moderno), e o qual seria convertido justamente por Alceu, contra seu criador, em símbolo nacional. Difícil também não lembrar da crítica de Mário a Alceu, “como sucede com todos os outros povos americanos, a nossa formação social não é natural, não é espontânea, não é, por assim dizer, lógica. Daí a imundície de contrastes que somos” (Andrade, 1974: 8), que não nos permitiria “compreender a alma-brasil por síntese”. Para Alceu, esse “mal” (assim ele o nomeia) de que sofremos decorreria da divergência constante “entre o que a natureza nos força a ser e o que a inteligência pede que sejamos”. Talvez seja forçar a nota, mas não há aí uma sugestão, ainda que vaga, da dualidade entre sentimento e inteligência que Mário de Andrade irá batizar num gracejo para Carlos Drummond de Andrade como o “mal de Nabuco”, epidêmico na nossa intelectualidade?
É a partir dessa moldura interpretativa e perseguindo os nexos entre a política e as letras que Alceu realiza uma análise de longa duração da formação da sociedade brasileira, a qual não há espaço para ser aqui reconstituída, a não ser em seus momentos decisivos. O texto se divide em duas partes. Vale a pena destacar a concepção “curva” de história com que o autor opera nele. Cito alguns trechos emblemáticos:
“Não há, em história, períodos e ciclos de caracterização fixa, de limites incontestáveis. A vida de um povo, como a de um espírito, é um longo tecido a um tempo contínuo e descontínuo. Tudo é uma grande curva sem fim, onde a descontinuidade das transformações bruscas acaba se uniformizando no traçado amplo da evolução” (Lima, 1981: 212). “[…] a realidade se ri desses compartimentos estanques em que procuramos dividir o tempo, para compreender o passado. […] O essencial da história é o trabalho dos espíritos e o pressentimento fugitivo de um ou outro fato precursor” (Lima, 1981: 223).
Operacionalizando esse registro, na primeira parte do texto Alceu irá datar o começo do período republicano em 1870, quando o oficialismo hipertrofiado do Império não é mais capaz de esconder a atrofia social que ele provocara às custas da conservação da unidade política nacional, revelando que o “Brasil se formara às avessas, começara pelo fim”: “Tivera Coroa antes de ter Povo. Tivera parlamentarismo antes de ter eleições. Tivera escolas superiores antes de ter alfabetismo” (Lima, 1981: 215). A Guerra do Paraguai transformara o ideário do republicanismo democrático platino, pelo contraste com as nossas instituições vizinhas, numa arma invisível contra o Império. E a Abolição a ele se somou como força social poderosa, criando um horizonte de expectativa que pressionou o regime para a crise. “O povo era o grande esquecido nessa pompa fingida do Império”, diz Alceu. Para ele, contudo, o primeiro período do republicanismo brasileiro foi uma tentativa de solucionar com “ficções” – meras reformas institucionais – os problemas que outras ficções tinham causado. E, coerente com essa perspectiva, o que marca esse período é o deslocamento do eixo da história nacional da esfera política para a esfera socioeconômica (o que levará à crescente supremacia de São Paulo), com o oficialismo cedendo lugar à iniciativa individual e a abolição se tornando a questão estrutural da vida social, de modo que “quando em 89 se proclamou a República, a república já existia no Brasil”, afinal, “não são os fatos mas o espírito dos fatos que realmente marca os períodos” (Lima, 1981: 222). Assim, Alceu problematiza a falta de participação social na proclamação da República, afirmando que a indiferença do povo no 15 de novembro se explicaria por ser esta apenas uma data, quando o espírito republicano já havia encontrado aqui fazia tempo seus portadores sociais. No entanto, aponta também que as transformações políticas, interagindo com a sociedade existente, acabaram se processando no sentido oposto àquele pretendido pelos ideólogos do movimento, aprisionando a República num “círculo vicioso” entre as “forças contraditórias” do cesarismo e do caudilhismo (Lima, 1981: 223-224).
Na segunda parte, o texto se concentrará na relação significativa das letras com a política, estudando o sentido sociopolítico das ideias em cada um dos períodos históricos. No período colonial, naturalmente predominaram as ideias importadas; nossos homens de letras só tinham “olhos em Portugal, só ansiavam pelo dia de pisar de novo em solo europeu”. A conjuração dos poetas mineiros constitui o primeiro sinal da formação de um sentimento coletivo de independência nacional, segundo Alceu, e “o primeiro ensaio de intervenção efetiva, em nossa história, dos homens de letras na vida política nacional” (Lima, 1981: 228).
Já a independência política resultará da colaboração direta dos intelectuais “nativos”, tendo sido “antes uma conquista intelectual e política do que um movimento revolucionário popular” (Lima, 1981: 230). E, de forma correspondente, as letras também passam a aspirar com o romantismo à autonomia nacional em relação à rotina unilateral da cópia estrangeira – o indianismo, por exemplo, é visto por Alceu como uma “forma nova, dentro do inevitável mimetismo de uma literatura apenas nascente”. Naquele momento, diz o autor, embora “adaptando moldes europeus a paisagens tropicais”, experimentou-se pela primeira vez o sentimento brasileiro da criação literária, fazendo do romantismo um “sonho de brasileirismo”. A figura central desse “nacionalismo consciente” como valor simbólico e social foi o homem público (além de romancista, ministro, político e publicista) José de Alencar, mas, como valor estético, foi Castro Alves, “o poeta da abolição”, cuja “ação invisível de seus versos valeu por campanhas políticas”. E, na visão de Alceu, o Parlamento foi o centro de gravitação das letras nesse período, atraindo todos aqueles que pensavam, sem sucumbir à imitação, a realidade concreta da sociedade nacional, desenvolvendo uma “literatura falada, que então se elaborava no recinto da Câmara ou do Senado, superior, em suma, à generalidade da literatura escrita de então”.
“Esses são os verdadeiros poetas e prosadores do nosso Império. Da mesma forma que a literatura colonial se deve ir buscar nos cronistas e missionários, em vez de nos poetas ou nas Academias, também a literatura imperial vale mais pelos oradores do que pelos literatos. […] Só a República, fechando o Parlamento, veio dar à literatura os meios de se tornar realmente livre” (Lima, 1981: 239).
Já a República – iniciada em 1870, como já indicado – se articulará ao naturalismo nas letras, ambos preparados ambos pelo famigerado espírito científico, racional e moderno, em nome do qual se criticará a ilusão das formas literárias e instituições políticas vigentes, vistas como postiças frente à realidade nacional. O naturalismo será responsável também por fixar o regionalismo já presente na ênfase romântica da cor local, o qual encontra nexo, para Alceu, na luta dos propagandistas da República pela federação – “o Brasil se descentralizava e as províncias pensavam em si” (Lima, 1981: 234). Assim, se o Império respondia, de acordo com Alceu, pela forja do sentimento brasileiro e da unidade nacional e sua literatura tinha sido dominada pelo romantismo, a República federativa voltava-se para o individualismo materialista e uma “luta pela diversidade”, e sua forma literária naturalista oscilava entre o regionalismo e o cosmopolitismo – “entre a verdade provincial, dialetal, local, da terra, e a expressão universal ou nitidamente ligada às correntes literárias europeias mais modernas” (Lima, 1981: 236).
A República, porém, ao contrário do Império, não foi o resultado da ação continuada da intelectualidade brasileira; foi, antes, obra dos militares e do parlamentarismo liberal, com o apoio despeitado ou a condescendência dos conservadores monarquistas. Ela fez-se, em grande parte, à revelia das letras e estas a aceitaram com indiferença. Para Alceu, a atitude de Machado de Assis é expressiva desse “indiferentismo” com que a literatura encarava o novo regime e está formalizada nas páginas de Esaú e Jacó (1904). Alceu afirma que para Machado “era tudo uma questão de rótulos, Império, República, tudo o mesmo país titubeante e iludido, o mesmo povo inerte, a mesma ironia da sorte” (Lima, 1981: 243-244). Em contraposição tanto ao absenteísmo de Machado quanto à crítica social da geração seguinte incapaz de extrapolar os círculos boêmios, Alceu irá elogiar a posição solitária de Raul Pompéia, “revolucionário que se batera pela demolição em nome de um novo princípio de ordem e estabilidade” (Lima, 1981: 247), comparando-o à figura então contemporânea de Jackson Figueiredo (que, como sabemos, será responsável pela conversão de Alceu). Tudo isso levaria a uma cisão crescente entre a literatura e a política na República… até Canudos: “Era o artifício da civilização brasileira que ali se expunha à luz da mais terrível realidade. Era o Império, com seu litoralismo; era a República, com seu a sua corrupção militarista, que ali se julgavam afinal. Canudos era uma volta violenta à realidade” (Lima, 1981: 251). De Canudos emergirá como intelectual público Euclides da Cunha, testemunha ocular como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo do conflito que durante 11 meses abalou a República, transformando um pequeno foco de uma insurreição, supostamente causada por fanáticos religiosos saudosistas da Monarquia, numa imensa tragédia nacional.
Canudos manchara a terra e a República de sangue. Diante de tanta violência, ocorrera uma reviravolta na opinião pública que até então apoiava a campanha militar: o sertão viraria mar e os civilizados, bárbaros. A conspiração monarquista desmanchara no ar, restando o massacre indiscriminado de gente pobre. Parte dos apoiadores e observadores da Guerra fazem então um mea culpa. Nenhum deles mais contundente do que Os Sertões, um livro de denúncia de um crime e de expiação da culpa coletiva.Visto como um grito de alerta para a elite política do país, desde sua publicação em 1902, esse “livro vingador”, na expressão de um crítico da época, procurava fazer justiça a essa gente apagada do mapa pelo Estado e consumida pelo fogo da modernização, resgatando-a para a história. Denunciando os excessos e contradições da República, Euclides encena no fundo o drama da civilização brasileira, fazendo do sertão metáfora do Brasil, ou forma de vê-lo pelo avesso: uma sociedade dividida entre dois polos, um atrasado, porém considerado a base possível da nacionalidade, e um civilizado, formado, entretanto, por elites políticas e intelectuais que tudo copiavam da Europa e davam as costas ao país e a seu povo.
Vem de Euclides da Cunha, como sabemos, a inspiração para o título do livro organizado por Vicente Licínio Cardoso. O título À margem da história opera como uma metáfora crítica que traduz a pretensão da obra de dar visibilidade às regiões e populações da Amazônia, especialmente no contexto do ciclo da borracha e dos conflitos de fronteira – indígenas, seringueiros e migrantes nordestinos –, historicamente excluídas do processo de construção nacional. O termo “margem” sugere tanto a localização geográfica periférica quanto a posição subalterna dessas populações na narrativa oficial dominante.
E, assim, o percurso histórico estudado por Alceu chega ao seu próprio tempo e à “herança de antagonismos” da sua geração: na política, a oposição do cesarismo e do caudilhismo; na literatura, o balanceio entre localismo e cosmopolitismo – que, posteriormente Antonio Candido identificará como a marca da dinâmica específica da experiência cultural em países coloniais como o Brasil. E contra a tendência geral da solução do problema por meio da “exclusão dos contrários”, Alceu defende uma “assimilação recíproca”, a “síntese dos antagonismos”, a ser realizada apenas pelas “gerações de gênio”. Podemos dizer que boa parte do debate intelectual que se sucede ao longo do século XX no Brasil gira em torno dessa questão fundamental, a começar pelo modernismo (Botelho & Hoelz, 2022) e seu projeto de promover a democratização da cultura e o reconhecimento social das “margens” que permaneciam até então fora da política e das letras. Não deixa de ser algo trágico que o balanço do modernismo escrito por Mário de Andrade, quase 20 anos depois, interpele tão rente a tese inicial do ensaio de Alceu: “duma coisa não participamos: o amilhoramento político-social do homem” (Andrade, 1978: 255).

Referências
ANDRADE, Mário de. (1978). Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Livraria Martins Editora.
BOTELHO, André. (2005). O Brasil e os dias. Bauru, SP: Edusc.
BOTELHO, André & HOELZ, Maurício. (2022). O modernismo como movimento cultural: Mário de Andrade, um aprendizado. Petrópolis: Vozes.
LIMA, Alceu Amoroso. (1981). Política e Letras. In: CARDOSO, Vicente Licínio. (1981). À margem da história da República. Brasília: Editora da UNB.
