
Abrindo as comemorações dos 70 anos de Grande sertão: veredas, Ítalo Moriconi falará sobre o clássico de Guimarães Rosa compartilhando sua experiência de leitor atilado. A aula pública online ocorrerá amanhã, 20 de maio, às 19hs, através deste link.
Modos e repertórios de leitura do Grande sertão são o tema do novo livro do crítico: Para ler Grande sertão: veredas, a ser lançado em breve e já disponível em pré-venda pela editora Autêntica. O título inicia a coleção Para ler, em que críticos farão leituras de grandes clássicos da literatura brasileira.
Compartilhamos a apresentação do livro com nossos leitores e leitoras! Relembre a coluna de Ítalo na BVPS, Cenas de escrita para um diário íntimo, clicando aqui.
Explicação inicial
Ítalo Moriconi
Este é um livro duplo, um livro-díptico, composto de duas partes independentes uma da outra, mas estreitamente relacionadas entre si. A primeira parte é subjetiva, é um ensaio em forma de diário, narrando minha primeira experiência de leitura completa do romance Grande sertão: veredas, já em plena idade madura. A segunda parte pretende-se mais objetiva, apresentando um resumo comentado do enredo do romance, destinado a servir de guia auxiliar de leitura para quem também se aventura a ler pela primeira vez a grande obra de João Guimarães Rosa. Ou a relê-la, como se fosse a primeira vez.
O leitor/leitora pode optar por seguir a ordem e ler primeiro o ensaio, depois o resumo guia, mas pode também invertê-la, começando por este último. A inversão é recomendada especialmente para quem não deseja spoilers. No resumo, tentei manter ao máximo, claro que em escala reduzida, a dinâmica das surpresas e viradas de enredo. É um resumo linear da história de Riobaldo, buscando ajudar leitores de primeira viagem a não se perderem em meio às idas e vindas do texto caudaloso.
Já a primeira parte dirige-se a quem não se importa com spoilers. Intitulada “GSV revisited: um diário pessoal”, ela combina ensaio literário e crônica de leitura. Por ser ensaio, discute aspectos do romance no âmbito de uma indagação sobre o lugar contemporâneo dos clássicos literários. Enquanto crônica, registra impressões e reflexões sobre a experiência da leitura literária, “entre a hora da lição e a hora do recreio”, no dizer lapidar de Mario Quintana. O espírito da crônica contamina o ensaio, que pretendi mais sugestivo que afirmativo.
Pode-se também ler as duas partes em paralelo. Chamo de livro-díptico, porque as duas partes de certa forma se espelham, refletem-se prismaticamente. Um aspecto mencionado reflexivamente no ensaio pode reaparecer descritivamente no resumo, abordado sob outro ângulo. Que o leitor e a leitora não se deixem enganar, porém. Trata-se de um resumo comentado. Tentei ser o mais objetivo possível e fiel ao original, mas, como todo resumo, ele não deixa de ter sua dose de interpretação.