
O livro Ainda há tempo: a pandemia de Covid-19 e a transformação do futuro, de Nísia Trindade Lima, chega às livrarias em breve com uma série de lançamentos e eventos pelo Brasil.
Ainda há tempo reconstrói, a partir de dentro, uma das crises mais graves da história recente do Brasil. Nísia Trindade Lima percorre os fundamentos do SUS e sua trajetória pessoal na Fiocruz até chegar ao epicentro da pandemia, quando, primeira mulher a presidir a centenária instituição, teve papel decisivo na vacinação do país. Mas, a história não acabou. Coube à Nísia, mais uma vez como primeira mulher titular da pasta, reorganizar inteiramente o Ministério da Saúde abatido e desestruturado pelas políticas negacionistas e autoritárias do governo anterior. Com olhar de socióloga e sanitarista, a autora investiga como o vírus expôs as desigualdades estruturais do país e analisa de que forma instituições, governos e indivíduos responderam ou falharam em responder a uma das maiores crises do século XXI. Coragem e cuidado foram recursos inestimáveis para defender a ciência contra o obscurantismo e liderar a produção nacional da vacina contra a Covid-19. Coragem e cuidado são ainda o principal capital social para a defesa do SUS, da saúde pública e da democracia no Brasil.
O lançamento de estreia será em 22 de junho, às 15h, na Capela Ecumênica da Uerj (Rio de Janeiro), onde a autora será recebida pela reitora e professora Gulnar Azevedo para uma conversa com André Botelho (UFRJ) e Ronaldo Oliveira (UERJ).
Confira abaixo a orelha do livro escrita pelas referências na área da saúde Drauzio Varella e Margareth Dalcomo e as demais datas de lançamento.
Salve na sua agenda!

Drauzio Varella
Ainda há tempo é um livro que ficará para a história. É um mergulho nas contradições da sociedade brasileira. Começa com os passos e os personagens que lançaram as bases do Sistema Único de Saúde, o SUS. Em seguida, traz a trajetória de Nísia Trindade Lima na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), até se tornar a primeira mulher a assumir a presidência da instituição e, mais tarde, a primeira a ocupar o cargo de ministra da Saúde.
Na pandemia, tragada pelo debate político, atacada por defender a ciência e a necessidade da vacina, Nísia Trindade Lima enfrentou a estupidez nas redes sociais, as mentiras, o obscurantismo do então presidente da República e um Ministério da Saúde desestruturado. Coube a ela reorganizar o Programa Nacional de Imunizações e os demais programas paralisados pela ignorância e pela politização. Esta obra é uma aula de saúde pública ministrada por uma professora que estava no epicentro da pandemia.
Margareth Dalcomo
A pandemia de Covid-19 não foi apenas uma crise sanitária global – foi um espelho incômodo das estruturas sociais que moldam nossa vida. Em Ainda há tempo, a cientista política, socióloga e sanitarista Nísia Trindade Lima investiga como o vírus atravessou fronteiras e encontrou sociedades profundamente desiguais, revelando fissuras históricas de classe, gênero, raça e poder. No Brasil, essas desigualdades ganharam contornos ainda mais dramáticos.
Em meio à informalidade do trabalho, à precariedade dos serviços públicos e às assimetrias no acesso à saúde, a pandemia expôs, de modo contundente, as fragilidades de um país marcado por profundas divisões sociais. Ao mesmo tempo, evidenciou a força de redes de solidariedade, estratégias de sobrevivência e formas coletivas de resistência que emergiram nos territórios mais vulnerabilizados. Entre o isolamento e a hiperconexão, o medo e a solidariedade, o colapso e a reinvenção, somos conduzidos por uma análise sensível e rigorosa dos impactos sociais da pandemia.
Mais do que narrar acontecimentos, Nísia propõe uma leitura crítica sobre o modo como instituições, governos e indivíduos responderam – ou falharam em responder – a uma das maiores crises do século XXI. Ao examinar o cotidiano transformado, o trabalho precarizado, a ciência tensionada e a política exposta, este livro nos convida a refletir: o que aprendemos – e o que insistimos em não aprender – diante da catástrofe?
Em um país onde a crise sanitária se entrelaçou a disputas políticas e à circulação de desinformação, a análise sociológica se torna ainda mais urgente. Ainda há tempo é uma obra indispensável para compreender não apenas o que vivemos, mas o tipo de sociedade que estamos construindo a partir disso.
