
É com muito pesar que informamos o falecimento de Telê Ancona Lopez, uma das maiores estudiosas e especialistas nas obras de Mário de Andrade e figura central sobre os estudos do modernismo brasileiro.
Professora emérita do IEB-USP, se formou em Letras na USP, onde realizou seu mestrado e doutorado na FFLCH-USP. Discípula de Antonio Candido, Telê construiu uma trajetória singular, inteiramente dedicada à pesquisa, à edição crítica, à formação de arquivos literários e à preservação da obra de Mário de Andrade. Suas edições críticas de obras como Macunaíma e O Turista Aprendiz tornaram-se referência incontornável para quem se debruça sobre o modernismo brasileiro.
Nossos sentimentos a todos os familiares e amigos de Telê, que fará muita falta e deixará muita saudade. Seu velório acontecerá amanhã, dia 16 de junho, das 9h às 12h no Funeral House Pacaembu (Avenida Pacaembu, 1396).
Confira abaixo nota de pesar do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo.
O Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo recebe com profundo pesar a notícia do falecimento da professora emérita Telê Ancona Lopez, pesquisadora cuja trajetória intelectual se confunde com a própria história dos estudos dedicados a Mário de Andrade e ao Modernismo brasileiro.
Discípula de Antonio Candido, herdou do mestre a convicção de que a literatura constitui um direito inalienável. Essa compreensão orientou toda a sua trajetória, manifestando-se em seu trabalho como pesquisadora, professora e defensora da preservação dos arquivos literários brasileiros, compreendidos por ela como patrimônio fundamental para a produção do conhecimento, a formação de novas gerações e o fortalecimento da vida cultural do país.
Telê construiu uma obra de referência para sucessivas gerações de pesquisadores, dedicando sua vida ao estudo da literatura brasileira e, de modo especial, à vida, à obra e ao arquivo de Mário de Andrade. Seu trabalho pioneiro junto ao acervo do escritor foi decisivo para a organização, compreensão e difusão de um dos mais importantes conjuntos documentais da cultura brasileira. Com rigor intelectual, sensibilidade crítica e dedicação incansável, transformou esse patrimônio em um dos mais fecundos celeiros de pesquisa da cultura brasileira, formando estudiosos que encontraram nos documentos preservados não apenas fontes de investigação, mas também caminhos para novas interpretações da cultura e da sociedade brasileiras.
Ao longo de décadas de atuação no IEB, Telê consolidou-se como uma das maiores especialistas na obra de Mário de Andrade, produzindo estudos fundamentais, edições críticas e reflexões que ampliaram o alcance e a compreensão do legado modernista. Sua contribuição ultrapassou as fronteiras da universidade, reafirmando a importância da pesquisa acadêmica para a vida cultural do país e para a democratização do conhecimento.
Mas aqueles que conviveram com Telê recordam não apenas a pesquisadora excepcional. Recordam também a professora generosa, sempre disponível ao diálogo, atenta à formação de estudantes e jovens pesquisadores, capaz de acolher dúvidas, compartilhar descobertas e incentivar percursos intelectuais. Sua atuação como orientadora e mestre deixou marcas profundas em inúmeras trajetórias acadêmicas e humanas.
Menos conhecida do grande público, mas igualmente importante, foi sua relação com a escrita poética. Em seus poemas, assim como em seus estudos, manifestava-se uma sensibilidade singular diante da literatura, da memória e da experiência humana.
Com sua partida, a cultura brasileira perde uma intelectual de extraordinária relevância. Permanecem, contudo, sua obra, seus ensinamentos, a comunidade de pesquisadores que ajudou a formar e o legado de cuidado, generosidade e compromisso com o conhecimento que soube cultivar ao longo de toda uma vida.
O Instituto de Estudos Brasileiros honra-se por ter contado com a presença e a atuação de Telê Ancona Lopez em sua trajetória. Foi no IEB que desenvolveu grande parte de seu trabalho intelectual, formando pesquisadores, produzindo conhecimento e contribuindo decisivamente para a valorização dos arquivos literários brasileiros. Mesmo após sua aposentadoria, permaneceu ativa, generosa e incansável, trabalhando em favor da literatura, da cultura e da preservação da memória.
Para nós, a única morte é o esquecimento. E a professora Telê jamais será esquecida. Enquanto houver leitores, pesquisadores e arquivos a serem abertos, Telê permanecerá entre nós. Seu trabalho seguirá vivo nas páginas que escreveu, nos arquivos que ajudou a revelar e nas muitas pessoas que ensinou pesquisar e pensar o Brasil. Mais do que uma grande estudiosa de Mário de Andrade, Telê foi uma semeadora de pesquisadores, uma guardiã de acervos e uma intelectual profundamente comprometida com a partilha do conhecimento.