Ressurgências | A voz sonora de um veterano, por Alcida Rita Ramos, Marcos Terena e Francisco Sarmento

Alcida Rita Ramos (UnB) e Francisco Sarmento (KAAPI) recebem Marcos Terena na edição de agosto da coluna Ressurgências. Piloto, líder indígena e, agora, aos 74 anos, graduando em Ciências Sociais pela UnB, Terena compartilha com os leitores da BVPS sua trajetória na luta pelos direitos indígenas.

A voz sonora de um veterano ecoa o tema da memória. Recoloca em primeiro plano o que muitas vezes se perde nas narrativas sobre conquistas políticas: as pessoas. Marcos Terena, primeiro presidente da UNIND – União das Nações Indígenas –, escreve um testemunho que nos relembra os riscos e as incertezas que atravessam aqueles dispostos à luta. Ao lado de sua voz, Ramos e Sarmento refletem sobre a memória como responsabilidade para o futuro, perguntando o que as gerações que vieram antes podem nos ensinar sobre os caminhos que ainda estão por construir.

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Coluna Ressurgências

Por Alcida Rita Ramos (UnB) e

Francisco Sarmento (KAAPI)


A voz sonora de um veterano

Alcida Rita Ramos

Mariano Marcos Terena me dá orgulho de ser sua amiga. De longa data. Tão longa que por pouco, há poucos meses, não o reconheci depois de décadas sem o ver. Mas, sim, reconheci e recuperei com ele um diálogo que nunca deveria ter sido interrompido.

Piloto, líder indígena e agora, aos 74 anos, estudante de graduação em Ciências Sociais da UnB, Marcos Terena mostrou sua velha generosidade ao aceitar o convite para compor uma coluna para nós. Cenas do passado voltam correndo à mente: Terena discursando, Terena organizando, Terena ouvindo pacientemente. Um índio que não sabia que o era e se regozijou quando soube e, finalmente, fez sentido das sábias palavras do Avô nos idos da vida no Pantanal. Um índio que cita Camões sem qualquer sinal de ressentimento pelo ícone colonizador. Um índio de dois mundos cuja mão direita sabe muito bem o que a esquerda está fazendo. Um cidadão dos grandes.

Pertencente à geração que sucedeu gigantes do movimento indígena, como Marçal de Souza (Guarani Ñandeva), Ângelo Kretã (Kaingang), Daniel Kabixi (Pareci), Marcos Terena fez parte da coorte de jovens indígenas que viveram um dos períodos mais efervescentes da história recente do indigenismo: o final dos anos 70 que culminou com a Assembleia Constituinte de 1987. Quando Rangel Reis, o então Ministro do Interior (do ministério que abrigava a FUNAI), lançou em 1978 o infame projeto de emancipação, o país inteiro se rebelou, porque percebeu que, por trás de palavra tão cativante (emancipação do jugo da tutela do Estado), estava a intenção de retirar dos indígenas a proteção das terras a que têm o direito de usufruto exclusivo e permanente. Brotaram comissões pró-índio país a fora, surgiram líderes indígenas da noite para o dia acompanhados por uma imprensa ativa e por alguns políticos solidários, tudo num clima que crescia em otimismo conforme a ditadura definhava. Dois anos depois, criava-se a UNIND, depois apenas UNI. Marcos Terena estava lá.

Reencontro de Marcos Terena e Alcida Rita Ramos.
UnB, maio, 2026.

Com a palavra, Marcos Terena.

Os Índios vão à Luta

M. Marcos Terena

…ferida que dói e não se sente (Luís de Camões)

Marcos Terena me chamaram desde que cheguei ao centro do poder brasileiro, saindo da adolescência. Marcos, meu sobrenome, e Terena para que me identificassem como sendo de um Povo Indígena específico. Na infância, não compreendia onde meu avô Shuaun queria chegar com as longas histórias cheias de mistérios e sonhos, pois antes que eu pudesse perguntar alguma coisa ou que ele pudesse terminar esses contos, eu já estava dormido.

Agora, mais de 50 anos depois, muitas vezes, no meio do mundo civilizado, sinto saudades daquele Avô e Sábio que me ensinou tantas verdades que fui percebendo em cada problema, cada dúvida que sentia, mas que só eu tinha que pensar e avançar.

Minha Aldeia ficava bem dentro do bioma chamado Pantanal. Foi lá que vi a primeira estrela que anda à noite entre o brilho das mais variadas cores estreladas, e foi lá que aprendi a compreender a força do Grande Espírito, olhando e convivendo com ele através das chuvas, do sol, do frio, dos pássaros, dos animais e das plantas medicinais que nasciam no meio das matas. Foi lá que aprendi o valor do barulho do silêncio.

Aprendi muito com esse meu Avô que tinha voz firme e dura, mas que me cuidava junto com meu irmão desde a hora de acordar na preguiça das manhãs, tomar banho cedinho e olhar o nascer do sol, até o anoitecer suave, quando ia dormir.

Um dia qualquer, ele me contou sobre o desafio de andar sozinho, saber por onde andar, perceber o desconhecido e o caminho de volta. Eu não entendia bem o que ele queria dizer com isso.

Certo dia, fomos à estação de trem para conhecer o que chamamos de purutuye, aquelas pessoas que falavam diferente e tinham uma forma estranha de viver e de habitar. Era chegada a hora de eu não só conhecer, como aprender sobre a vida daquela gente, aprender a ler e a escrever. Eu não queria, mas fui levado a aceitar aquele modelo de vida como uma missão.

Era uma escola Batista, evangélica e eu não aguentava ficar a tarde toda ouvindo aquela senhora falando, escrevendo no quadro. Eu queria sair para descansar daquilo e ficar brincando como fazia na Aldeia, mas ninguém me deixava. Quando o sinal do recreio tocava, eu saia correndo, pulando e gritando. Era um pouco feliz, pois me recordava com saudades das crianças na Aldeia. Até que um dia, aquela senhora, a professora, me pegou pela orelha e ficou brava comigo. Eu não sabia o que estava acontecendo, como não sei até hoje. Não pude sair para o recreio. Eu não conhecia a palavra “castigo”. Tive que ficar de joelhos todo aquele tempo, olhando para o quadro. Quando meus colegas voltaram à sala, fiquei feliz, mas, de repente, eles ficaram em silêncio para logo começarem a rir. Eles tinham descoberto meu segredo. Eu usava sapato furado e sempre dava um jeito de fazer uma emenda com pedaço de arame e papelão. Mas, naquele dia, não teve jeito. Não fiquei triste, achava que era assim mesmo, normal.

Um colega no dia seguinte, me disse que ia comprar um sapato novo para ele e que queria um igual para mim. Não, eu falei. Meu Avô me ensinou a não aceitar presentes sem merecer. Na vida do homem branco, ele me ensinou, nada era gratuito.

Antes de sair daquela escolinha primária, meus colegas mais chegados me perguntaram se eu era um Pajé. Perguntei porquê. Eles disseram, rindo, é que você parece sempre saber a hora de tocar o sino. Qual o segredo? Eu respondi: “Ah, isso é fácil. Vocês têm que aprender a andar com o Sol. Olhem a parede. Quando a sombra da janela chegar naquele ponto da parede, vocês devem marcar, é a hora do sinal.

No meio do caminho

Tempos depois, às 11 horas de um dia qualquer de novembro, apeei de um ônibus na rodoviária de Brasília. Vim para conhecer a FUNAI ‒ Fundação Nacional do índio ‒ órgão responsável pela política indigenista e a proteção dos direitos indígenas. Ao longo da minha vida, nunca dependi daquilo, por isso não conhecia essa instituição federal, mas ouvia falar na Aldeia que era um tipo de polícia das aldeias. Em cada Aldeia sempre morava um funcionário chamado Chefe do Posto, que atuava como um capataz e o chefe dele, outro funcionário que ficava na cidade, era chamado de “delegado”.

Eu, piloto principiante, precisava completar algumas horas de voo e soube que a FUNAI tinha doze aeronaves usadas em emergências e situações de risco em várias aldeias brasileiras. Com 200 horas de voo, eu estaria gabaritado para voar profissionalmente e até concorrer a um emprego de piloto ou ser selecionado por grandes empresas aéreas nacionais. Me mandaram aguardar no alojamento de trânsito indígena na Asa Norte de Brasília, e lá fiquei por quase quarenta dias, sem nada ser resolvido. Não estive todo esse tempo no alojamento de trânsito; pedi para ficar no escritório central da Presidência da Funai e ler os diversos livros da política indigenista. Foi muito bom, pois tive a oportunidade de ler e descobrir os direitos já garantidos na Constituição Federal, na Convenção de Genebra, e até um Estatuto do Índio, especificamente para os indígenas brasileiros. Conheci grandes chefes Xavante, Karajá, Xerente, Javaé, Pareci, Bororo, Guarani, Krenak, Kaingang. Foi um privilégio conversar com eles e abrir os olhos para o mosaico social, cultural e linguístico do Brasil. Conheci também o funcionamento da FUNAI.

Como estudante recém-saído da Aeronáutica, acostumado a ler e entender, percebi que aqueles Chefes Indígenas não eram tratados com a dignidade do Cargo, e sim como menores incapazes, “relativamente incapazes” como dizia a Lei. E, quando aqueles parentes me perguntaram sobre minha tribo, fiquei inseguro e envergonhado por ter me afastado tanto tempo da realidade de aldeia, mesmo com meus pais e avós vivos. Percebi que o sistema dominador atuava dessa forma, dar às tradições indígenas um futuro não índio, para continuarmos a depender deles. Ali estava eu, no meio do caminho, entre um mundo e outro. Eu era o que o sistema governamental chamava de “índio aculturado”.

Tive que voltar à minha terra para o Natal e Ano Novo, mas já no ônibus, diversos pensamentos e inquietações começaram a mexer comigo. Afinal, começava a perceber essa armadilha social com inflexão econômica. Naquele início de 1977, ao regressar a Brasília, decidi aplicar um dos artigos do Estatuto do Índio: o direito a educação formal e apoio. Na FUNAI havia um departamento de educação que, de alguma forma, cuidava de todas as escolas existentes nas aldeias. O Chefe do Departamento se entusiasmou e criou um alojamento para estudantes indígenas. Assim, nasceu o “ninho de cobras”, apelido usado pelo poderoso General Golbery do Couto e Silva, o cérebro do governo militar, para a nossa equipe de futebol, a UNIND – União das Nações Indígenas.

Formávamos um grupo de estudantes indígenas que, na Semana do Índio, sempre participava de seminários e encontros com outros estudantes ou jornalistas. Nessas ocasiões, combinávamos as falas invariavelmente voltadas aos interesses de nossas aldeias, até o dia em que começamos a falar sobre Terra e territorialidade, como se chama hoje. Demarcação, Já! Percebemos que não podíamos recuar. Estávamos na liderança de um movimento indígena, porém politizado e com voz não só indígena, mas também ambiental, estudantil e de direitos humanos. Em plena capital do País.

Por uma questão de princípio e para nossa própria segurança, nunca permitimos qualquer registro oficial da UNIND, como apoios financeiros, projetos ou criação de uma ONG. Nosso movimento não tinha rosto, mas tinha propósitos. A FUNAI embargou meu brevê de Piloto e, durante quase três anos, tive que suspender meu sonho de voar em grandes empresas aéreas. Dediquei-me então a combater a ditadura militar.

Os desafios

Aprendemos que na busca por Livre Determinação, os movimentos de apoio sempre questionam nossa legitimidade. Percebemos aí o quanto a sociedade nacional ignora tanto a história brasileira como a situação dos Índios. O desafio então ia além da Semana do Índio. Precisávamos contar nossas diversas e verdadeiras histórias, por exemplo, para as crianças que aprenderam a ter medo do índio. “Se você não parar de fazer bagunça, o índio vai te pegar”, ouvimos num dos elevadores do Congresso Nacional.

Somos as primeiras Nações do Brasil. Nunca invadimos terras dos fazendeiros. Eles chegaram com a ameaça de um Deus. Desrespeitaram nossos códigos religiosos. Trouxeram missionários da Itália, Alemanha, EUA, Inglaterra para nos encher de promessas. Explicamos que, todos os dias, homenageamos o Grande Espírito sem precisar ir a uma Igreja ou ficar sonhando com um Céu inatingível. Mas de nada valeu, e assim viramos pecadores.

Diante de uma tal sociedade, ficamos sabendo que é preciso comprovar essa nossa verdade com um carimbo de cartório. E, pior, sabemos que nenhuma terra demarcada pertence aos Indígenas. Todas são patrimônio da União.

“Essas terras têm dono! ”, bradou um velho Chefe.

A minha geração não tinha poderes de comunicação para alcançar tanta gente em tão pouco tempo: educar e, num paradoxo, quem sabe, civilizar a sociedade moderna e o Estado nacional.

Quem somos? A dignidade e a soberania da Mãe Terra

As regras foram criadas, porque os interessados foram à luta. Alguns chefes diziam: não vamos amolecer. A FUNAI, que era a referência principal das questões indígenas, servia de ponte para as demandas e reclamações.

A demanda principal dos Povos Indígenas ante a sociedade nacional era a garantia de vida nas Comunidades ou Aldeias. Com os Grandes Chefes, elaboramos um plano para avançar nesse tema, pois percebemos que os Poderes constituídos não acreditavam que contribuíamos para levar o nosso País à liberdade democrática. A nova geração não sabe dessas experiências vividas na prática e, por isso, ainda acredita nas diversas formas de mentir, falsear promessas e continuar dominando.

Em 1981, houve um encontro de antropólogos em São Paulo quando cerca de oitenta indígenas foram convidados de todo o Brasil. Ali ocorreu o primeiro “ato de rebeldia” democrática. As Lideranças tradicionais decidiram organizar uma reunião distinta dos antropólogos e indigenistas, ocuparam uma sala e se trancaram. Era proibida a entrada de qualquer pessoa branca, apenas indígenas podiam participar. Ao final, sob a liderança do Chefe Mario Xavante, foi eleita a primeira diretoria da UNIND – União das Nações Indígenas ‒ tendo Marcos Terena como Presidente, Álvaro Tukano como Vice-presidente e Lino Miranha como Secretário Geral. Foi um momento marcante e preocupante. Afinal, não tínhamos pedido bênção nem da FUNAI, nem das entidades de apoio. O Pacto Indígena vedava a figura do representante de Aldeia ou Chefe de Comunidade, pois os verdadeiros representantes dos indígenas, são eles mesmos.

Então quem somos? Já fomos chamados de aborígines, índios, bugres e agora querem nos taxar de “povos originários”. Como uma garantia de segurança coletiva, aprendemos sempre a defender os interesses das várias sociedades indígenas, garantindo os direitos de todos e rechaçar possíveis regalias. Basicamente, não somos “índios”. Também sabemos que um povo não pode representar outro. Não somos sindicatos ou categorias, ou raças, tampouco blocos carnavalescos. Somos as Primeiras Nações do Brasil. E, segundo os acordos indígenas internacionais aceitos pela ONU, escritos na Declaração sobre os Direitos Indígenas, somos Povos Indígenas, com direito à terra, às culturas, línguas, costumes, governança e até representação política e soberania, a livre determinação.

Tudo está garantido, mas ignorado para neutralizar as iniciativas e até mesmo fazer desaparecer os recursos naturais, minerais e culturais. Os inimigos dos indígenas não estão satisfeitos com esses direitos conquistados e tratam de criar formas de anulá-los.

Quando contemplamos o Brasil, devemos perceber que os rastros de nossos antepassados marcam cada bioma, cada rio, cada floresta onde hoje imperam os grandes centros urbanos. No entanto, não podemos viver alimentando o ódio por esse passado destruidor. Nosso País é o maior celeiro de bem viver para a humanidade. Nossa força não está em armas de guerra modernas. Nossa forma de vida sempre impôs o caráter indígena, desde a chegada do primeiro invasor há mais de 500 anos, e, por isso, não fomos tragados pela ganância e a destruição socioeconômica que divide ricos e pobres.

Quando a juventude indígena entra nas Universidade por cotas raciais, jamais pode esquecer as ciências e os conhecimentos ou doutrinas dos anciãos, que representam nossas ancestralidades. O mundo moderno necessita dos nossos valores. As mudanças climáticas previstas por líderes indígenas mundiais na Declaração de Kari-Oca em 1992 começam a afetar os grandes centros urbanos que a tecnologia moderna não será capaz de deter.

Há um futuro que se refaz, renasce a cada nascer do Sol, seja nas aldeias, seja nos centros urbanos. Não podemos escapar dessa realidade. Os desafios e as provocações da modernidade refletem-se nas nossas Comunidades via alimentação e novas doenças que a medicina não vai conseguir conter. Ao mesmo tempo, a força indígena existe, vive. Não se trata de profecia ou religião, mas de práticas possíveis presentes nos santuários de conservação que são as Terras Indígenas.

Quando o general que presidia a FUNAI em 1981 censurou o meu brevê de Piloto e afirmou que jamais admitiria entrar num avião pilotado por um “índio”, respondi com toda segurança: “Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem Sou! ”.

Cinto Terena, ca. século XIX
Foto Alcida Rita Ramos

Os primeiros não transmitem apenas lembranças, mas condições de futuro

Francisco Sarmento

À diferença de Alcida, conheci Marcos Terena há poucos anos, na Universidade de Brasília, ao lado de outros líderes, como Álvaro Tukano, que me apresentou.

Há algo desconcertante no testemunho de Terena. Acostumamo-nos a narrar a história do movimento indígena como uma sequência de conquistas já consolidadas ‒ Constituição de 1988, demarcações, organizações indígenas, universidades, entre outros. Mas seu relato devolve o peso da experiência. Antes, houve jovens que abriram mão de projetos pessoais e segurança para enfrentar um Estado autoritário. Antes de existirem “lideranças” como categoria política, existiram pessoas que aprenderam, muitas vezes sozinhas, a transformar indignação em organização. Num tempo em que parece que toda causa nasce pronta e toda opinião basta para produzir mudança, Terena recorda que direitos nunca foram concessões: foram construídos por gerações que aceitaram pagar o preço da luta.

Essa é, ao meu ver, a maior lição que sua trajetória oferece aos mais jovens. Não apenas defender os direitos indígenas, mas compreender que nenhuma geração começa do zero. A memória é uma forma de responsabilidade política. Esquecer quem enfrentou a tutela, a ditadura, o paternalismo significa correr o risco de repetir, sob novas roupagens, antigas formas de dependência. Ao recordar o avô, a aldeia, a FUNAI militarizada e o nascimento da União das Nações Indígenas, Terena nos lembra que a força de um povo não se mede apenas pela capacidade de denunciar injustiças, mas pela coragem de permanecer fiel aos ensinamentos ancestrais, enquanto inventa novos caminhos de existência. Em tempos de crises do clima, disputas territoriais e esvaziamento da política, sua voz nos obriga a reconhecer que o futuro talvez dependa menos da novidade do que da capacidade de ouvir aqueles que caminharam antes de nós.