LANÇAMENTO DO LIVRO “PENSANDO A DEMOCRACIA, A REPÚBLICA E O ESTADO DE DIREITO NO BRASIL”, BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS (CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS/UNIVERSIDADE DE COIMBRA), HELOISA STARLING (UFMG) E LEONARDO AVRITZER (UFMG)

Cartaz 2019

O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil.

No próximo dia 11 de fevereiro, às 16h, o auditório Paulo Camillo do BDMG receberá um importante debate sobre a crise da democracia no Brasil e no mundo. Com a participação de Boaventura de Sousa Santos (Centro de Estudos Sociais/Universidade de Coimbra), Heloisa Starling (UFMG) e Leonardo Avritzer (UFMG) a mesa terá como foco central discutir os principais desafios e perspectivas do contexto democrático atual, em especial o contexto brasileiro, que vive sob uma forte crise política desde 2013.

O evento também vai marcar o lançamento do livro Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil, uma compilação das discussões feitas nos eventos do Ciclo de Debates com o mesmo nome, que ocorreu durante os anos de 2017 e 2018. O projeto foi fruto da parceria entre BDMG Cultural, Projeto República (UFMG) e Projeto Democracia Participativa (UFMG).

Confira abaixo a capa do livro e clique para acessar a INTRODUCAO. 

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Sobre os participantes

Boaventura de Sousa Santos

Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Também dirige o projeto de investigação ALICE – Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências do mundo. Publicou, entre outras obras: As vozes do mundo (2009); Pela mão de Alice. O social e o político na pós-modernidade (2013); A difícil democracia (2016); O fim do Império Cognitivo (2018);

Heloisa Starling

Heloisa Starling é professora titular livre do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora do Projeto República: núcleo de pesquisa, documentação e memória. É autora, entre outros, de “Os senhores das gerais” (1986), “Lembranças do Brasil” (1999), “Brasil: uma biografia” (2015), com Lilia Moritz Schwarcz, e “Ser republicano no Brasil colônia: a história de uma tradição esquecida” (2018).

Leonardo Avritzer

Professor titular do departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do INCT – Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1983), mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (1987), doutorado em Sociologia Política pela New School for Social Research (1993) e pós-doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (1998-1999) e (2003). Publicou, entre outras obras: Experiências Nacionais de Participação Social (2002); Impasses da Democracia no Brasil (2013) e The Two Faces of Institutional Innovation (2017).

CURSO “DRUMMOND E A MÁQUINA DO MUNDO”, POR JOSÉ MIGUEL WISNIK

Conforme divulgado no Blog da BVPS, entre os dias 12 e 14 de fevereiro, o Professor José Miguel Wisnik ministrará o curso “Drummond e a máquina do mundo” no Instituto Rui Barbosa de Altos Estudos em Cultura (IRBæc). O tema versa sobre a crítica do poeta aos efeitos da mineração em sua cidade natal, Itabira (MG). Em entrevista recente para a Folha de São Paulo, Wisnik falou sobre o seu livro “Maquinação do mundo: Drummond e a mineração” (Ed. Companhia das Letras, 2018), a tragédia de Brumadinho e a atualidade da crítica de Drummond.

Lembrando que no dia 11, Wisnik lançará o livro na Livraria da Travessa de Ipanema, no Rio de Janeiro. Mais informações sobre o curso no email irbaec@rb.gov.br e no cartaz abaixo.

 

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X SEMINÁRIO INTERNACIONAL POLÍTICAS CULTURAIS, POR FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA

O Blog da BVPS convida para o “X Seminário Internacional Políticas Culturais”, organizado pelo Setor de Pesquisa em Políticas Culturais da Fundação Casa de Rui Barbosa e a Cátedra UNESCO de Políticas Culturais e Gestão. O evento será realizado entre os dias 6 e 9 de maio de 2019. O prazo para envio de propostas de apresentação de trabalho é até dia 25 de fevereiro. Abaixo mais informações.

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HOMENAGEM A MARIA ISAURA PEREIRA DE QUEIROZ (1918-2018), POR LUCAS CARVALHO (UFF)

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Maria Isaura em 1963, defendendo sua tese de livre-docência em sociologia na Universidade de São Paulo. (Foto: Conteúdo Estadão AE). Foto retirada do site Memorial da Democracia: http://www.memorialdademocracia.com.br/card/interpretes-do-brasil/12

     Uma das mais importantes sociólogas brasileiras, Maria Isaura Pereira de Queiroz faleceu no último 29 de dezembro. Sua contribuição para as ciências sociais, em particular as brasileiras, não se mede somente por sua produção que, como a bibliografia secundária vem destacando, é não só extensa, mas variada e relevante. Maria Isaura foi pioneira em diversos aspectos: cientista social mulher egressa das primeiras turmas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1949); passou como assistente pelas então fechadas e concorridas Cadeiras de Sociologia I e II da mesma instituição; doutorou-se na École Pratique de Hautes Études em 1955, com a tese “La ‘Guerre Sainte’ au Brésil: le mouvement messianique du ‘Contestado’”; tornou-se professora livre-docente (1963) com a premiada tese “O Messianismo no Brasil e no Mundo” e, depois, professora adjunta (1973) da FFCL/USP; criou o Centro de Estudos Rurais e Urbanos (CERU) em 1964, dando vida a diversos projetos de pesquisa seus, de colegas e alunos; além de ter circulado por diversas instituições internacionais, lecionando em universidades da França, Canadá, Senegal, Suíça, Itália e Bélgica.

         Quis o destino que estejamos prestando homenagens a Maria Isaura quase um ano após o falecimento de Antonio Candido, também nascido em 1918. Ambos fizeram parte da geração pioneira das ciências sociais e experimentaram aquilo que o próprio Candido cunhou como uma rotação de perspectiva nas ciências sociais: as classes pobres passaram a ganhar destaque e suas vivências se tornaram igualmente relevantes no entendimento da estrutura e organização da sociedade brasileira. No interior dessa virada cognitiva, o “mundo rústico” e a sociabilidade rural, temas também de predileção de Candido, tornariam a obra de Maria Isaura singular. Este interesse é explicado, em parte, pelo lugar que o rural ocupava na modernização da sociedade brasileira da época e pela situação agônica dos grupos camponeses da época.

       Um exemplo dessas preocupações é o artigo clássico “Uma categoria rural esquecida” de 1963, no qual a autora, após detalhar a sociabilidade típica dos grupos de sitiantes brasileiros, faz um apelo para que as ciências sociais e as discussões políticas sobre reforma agrária então em voga atentassem para a situação dessa parcela da população rural, que, não obstante expressiva, era negligenciada nos debates acadêmico e político. Fazendo do interesse pelos grupos rurais, sobretudo camponeses, uma agenda de pesquisa a longo prazo em sociologia política, Maria Isaura investigou em escala micro e macro as diversas relações e estruturas da formação da sociedade brasileira. Um aspecto metodológico chama atenção na obra da autora: o próprio movimento que imputava como constitutivo do social fez com que suas pesquisas circulassem entre aqueles diversos níveis. E, se o “rural” recebia destaque, era porque se tornara um ponto de vista, ou seja, uma perspectiva a partir da qual analisava os impasses e obstáculos das mudanças da sociedade brasileira. Ao longo de sua obra, Maria Isaura indicou que essa escolha precisava ser justificada e que, portanto, trazia consequências analíticas. O Brasil não havia ceifado muitas de suas raízes agrárias fincadas na dominação pessoal e violenta, no mandonismo e no favor e, por isso, a compreensão dessas estruturas era algo incontornável mesmo no contexto urbano nascente. A consequência mais direta dessa perspectiva sobre as mudanças sociais é uma questão que serve como pano de fundo em sua extensa obra. Ao inverter o raciocínio corrente nos estudos sobre mudança social, que se dedicam, sobretudo, ao novo, Maria Isaura destaca que a questão igualmente relevante é explicar o porquê da manutenção de certas estruturas e o que se conservou mudando. Um traço do conservadorismo brasileiro que se revela nas ações cotidianas de indivíduos e grupos, mas, sobretudo, nos resultados agregados e emergentes da própria estrutura e dinâmica da sociedade.

     Maria Isaura talvez fosse uma das últimas entre os prógonos das ciências sociais institucionalizadas no Brasil. Agora como parte do cânone dessas ciências sociais que ajudou a construir, sua obra é instância de observação da própria área, de suas potencialidades e da linha que nos liga hoje até ela.

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     Para acessar a bionote da Maria Isaura Pereira de Queiroz bem como a bibliografia secundária, acesse por este link o site da BVPS. Indicações de leitura, trechos da obra da autora e o tutorial de pesquisa no site podem ser acessados neste link da seção “BVPS: Modos de Usar” do nosso Blog.

“DA SENZALA AOS PALCOS: CANÇÕES ESCRAVAS E RACISMO NAS AMÉRICAS 1870-1930”, ENTREVISTA COM MARTHA ABREU (UFF)

Capa de Partitura. E. T. Paulla warmin’ up in dixie, 1899. Historic American Sheet Music, Duke University. Disponível em http://library.duke.edu/digitalcollections/media/jpg/hasm/med/b0158-1.jpg Acesso em 25/07/2016

O blog da BVPS retoma a série sobre “Interpretações do Brasil e musicalidades” com entrevista inédita com a Profa. Dra. Martha Abreu, do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). No final de 2017, Martha Abreu publicou, na inovadora coleção “Históri@ Illustrada” da Editora Unicamp, o livro Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas 1870-1930. O trabalho é fruto de anos de pesquisa sobre artistas negros no contexto do pós-Abolição. Recheado com farto material audiovisual, o ebook explora o universo das apresentações musicais, gravações e edições de partituras que registravam estilos musicais, ritmos e danças associados à diáspora africana nos Estados Unidos e no Brasil. Na conversa com Pedro Cazes (Colégio Pedro II/IESP-UERJ) que segue abaixo, percorremos alguns pontos importantes do livro e da pesquisa realizada pela autora, como a perspectiva transnacional, as formas ambivalentes de reprodução dos estigmas raciais na indústria cultural da virada do século XIX para o XX, e o protagonismo de artistas negros nesse ambiente.

Continue lendo ““DA SENZALA AOS PALCOS: CANÇÕES ESCRAVAS E RACISMO NAS AMÉRICAS 1870-1930”, ENTREVISTA COM MARTHA ABREU (UFF)”

LANÇAMENTO DO LIVRO “ENLACES. ESTUDOS DE FOLCLORE E CULTURAS POPULARES”, POR MARIA LAURA CAVALCANTI E JOANA CORRÊA (ORGS.)

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O Blog da BVPS convida para o lançamento do livro Enlaces. Estudos de Folclore e Culturas Populares, organizado por Maria Laura Cavalcanti (UFRJ) e Joana Corrêa (UFRJ). Os eventos ocorrerão no Rio de Janeiro dia 7 de dezembro às 18:30 hrs no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (Rua do Catete, 179 – Catete) e em Brasília dia 9 de dezembro às 20 hrs na 31ª Reunião Brasileira de Antropologia (Foyer da Associação dos Docentes da UNB).

Enlaces traz o diálogo criativo de pesquisas históricas e antropológicas contemporâneas com o legado dos estudos de folclore em renovados encontros intelectuais e mediações no campo das culturas populares. O livro homenageia a obra do antropólogo Luis Rodolfo Vilhena (1963-1997) e celebra também os 60 anos de criação do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e 50 anos do Museu de Folclore Edison Carneiro.

Um abraço,

Equipe BVPS

DEBATE “A FORÇA DA CULTURA EVANGÉLICA NA SOCIEDADE BRASILEIRA HOJE: RELIGIÃO, POLÍTICA E CONSTRUÇÃO DA INDIVIDUALIDADE” (PROGRAMA AVANÇADO DE ESTUDOS CONTEMPORÂNEOS/PACC/UFRJ)


O Blog da BVPS convida para o debate “A força da cultura evangélica na sociedade brasileira hoje: religião, política e construção da individualidade”. O evento ocorrerá dia 6 de dezembro, quinta-feira, de 9:30 hrs às 13 hrs na Sala do PACC (Programa Avançado de estudos Contemporâneos – Faculdade de Letras. Rua Horácio Macedo 2151, Cidade Universitária/Fundão. A entrada é franca.

Participações:

Monica Francisco (Pastora e deputada estadual pelo Rio de Janeiro)

Maria das Dores Campos Machado (ESS/UFRJ)

Marcia Contins (PPCIS/UERJ)

Edlaine Campos Gomes (Ciências Sociais/UNIRIO)

Um abraço,

Equipe BVPS

PALESTRA “O ESCRAVO VAI À ÓPERA:TEATRO LÍRICO E REGIME ESCRAVISTANO RIO DE JANEIRO E NA HAVANA OITOCENTISTAS”, POR MARCELO DIEGO (PRINCETON)

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“Theatro Imperial”, litografia do álbum Saudades do Rio de Janeiro. Desenho de Carl Wilhelm von Theremin, gravado por Loeillot e impresso por Druck Von L. Sachse & Co. M., em Berlim, 1835. Dimensões: 31,5 x 43,8 cm. Coleção Brasiliana Itaú. Disponível em: <https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18147/theatro-imperial-theatre>. Acesso em 25.10.2018.

O Blog da BVPS convida para a palestra “O escravo vai à ópera: teatro lírico e regime escravista no Rio de Janeiro e na Havana oitocentistas” por Marcelo Diego (Princeton) a ser proferida no dia 6 de dezembro de 2018, quinta-feira, às 17 horas, no IFCS/UFRJ (Largo de São Francisco, 1, Centro, Rio de Janeiro). O evento é organizado pelo Núcleo de Estudos Comparados e Pensamento Social (NEPS/UFRJ/UFF).

O resumo da palestra segue abaixo:

Em minha tese de doutorado, intitulada Ópera flutuante: teatro lírico, literatura e sociedade no Rio de Janeiro do Segundo Reinado, observei a recepção das companhias e dos repertórios europeus de ópera por parte do meio literário da corte fluminense, ao longo de grande parte do século XIX. A fim de situar essa dinâmica no contexto mais amplo dos circuitos transatlânticos, examinei também, embora menos detidamente, como ela se deu em Havana e em Buenos Aires, dentro desse mesmo recorte temporal. À medida em que comecei a analisar as fontes, fui me dando conta da importância do papel desempenhado por uma personagem que eu supunha estar inteiramente relegada aos bastidores, na elitista cultura da ópera: o escravo. Notei que, nos casos brasileiro e cubano, alguns textos literários (e outros não literários, mas produzidos por escritores, de caráter biográfico e crítico) forneciam importantes testemunhos a respeito da relação entre o regime escravista e o universo do teatro lírico. Esses testemunhos parecem revelar, em primeiro lugar, que foi a base escravocrata da economia e da organização social do Brasil e de Cuba que permitiu o florescimento da cena musical no Rio de Janeiro e em Havana; em segundo, que a mão de obra negra, majoritariamente escrava, foi rapidamente instrumentalizada e mobilizada para o trabalho no meio teatral, nessas duas cidades; e finalmente, em terceiro lugar, que a população negra urbana, tanto escrava quanto livre, foi igualmente hábil em sua apropriação das artes e ofícios do espetáculo, convertendo-os em um instrumento de profissionalização fundamental, na transição do regime de trabalho servil para o assalariado. A partir da peça O demônio familiar (1857), de José de Alencar; da polêmica travada nas páginas do Correio Mercantil, d’A Marmota e do Diário do Rio de Janeiro entre Francisco Otaviano, Paula Brito e o próprio Alencar, a propósito da peça deste; da Autobiografía de un esclavo (1835-1839), de Juan Francisco Manzano; do romance Cecília Valdés (1839-1882), de Cirilo Villaverde; e do diário Viaje a La Habana (1840-1844), da condessa de Merlín – esta apresentação pretende explorar os vasos comunicantes entre os universos do teatro lírico e do regime escravista, no Rio de Janeiro e na Havana oitocentistas.

Um abraço,

Equipe BVPS

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