
Divulgamos hoje o lançamento do livro Jacob Pinheiro Goldberg: a maravilhosa janela da tela poética sobre a liberdade do mundo – 50 anos de poesia, de Marília Librandi, pesquisadora do Brazil Lab, da Universidade de Princeton, colaboradora do Diversitas (USP) e pesquisadora do Projeto MinasMundo.
O livro é resultado da tese de doutorado de Marília Librandi em Teoria Literária na USP, em que analisa a obra poética do escritor e psicólogo mineiro Jacob Pinheiro Goldberg, além de apresentar uma série de depoimentos inéditos sobre o autor.
O lançamento ocorrerá no dia 10 de outubro, terça-feira, às 18h, na Livraria Martins Fontes Paulista, em São Paulo.
Confira abaixo a apresentação de Yael Segalovitz, professora na Universidade Ben Gurion, e alguns depoimentos, inclusive do próprio poeta sobre a sua arte.
Boa leitura!
Apresentação ao livro Jacob Pinheiro Goldberg, de Marília Librandi
Por Yael Segalovitz
Esse livro é a história de um diálogo íntimo e intenso com os escritos poéticos de Jacob Pinheiro Goldberg, publicados desde seu primeiro livro, Ritmo Esquerdo, em 1952, até 2002, com Monólogo a Dois, cobrindo 50 anos da produção literária de um dos maiores psicólogos brasileiros.
Como a dor pode se transformar em um poema? Como o poeta olha e se encontra nos olhos de um cavalo? Como atingir o núcleo do dizer em busca da caligrafia do sentido para cada uma de nossas vidas? É um livro de declaração de amor à poesia, um manifesto de ternura e testemunho no meio do caminho.
Escrever “no tempo do enquanto”, diz Marília, é ser contemporâneo, por isso a proposta de escrever não apenas sobre um escritor, mas em conversa com ele, incluindo uma série de depoimentos emocionantes e inéditos.
Defendido como tese de doutorado na USP, o estudo finalmente é publicado para o público maior que vai se surpreender com a força dessa literatura judaico-mineira-brasileira-multiversal. Uma voz única e ampla:
“Eu, dono de todos os sonhos dos outros, os mistérios dos outeiros, o mergulho sem licença no inferno, madressilvas nas janelas, corretas indignações. Quem sou, senão o Outro que me rompe, arrebenta, arrebata, roubando a graça da madrugada” (Jacob Pinheiro Goldberg).
Librandi mergulhou na história de seus pais imigrantes da Polônia, na vida do menino em Juiz de Fora, na expressão do advogado inquieto, na relação entre psicanálise e literatura através da clivagem, o ensaio sobre a sombra, a bio(necro)grafia, o acento ídiche no seu português mineiro, a invenção de outras línguas, a liberdade do nem, entre outras derivas de sua escrita.
Especialista em Lispector e Guimarães Rosa, a sensibilidade dessa análise literária confirma que um dos grandes analistas do país é também um de seus maiores poetas.
Depoimentos
Sua poesia, refletindo uma consciência crítica e uma sensibilidade intensa diante do espetáculo contraditório e brutal do mundo de hoje, é uma reação vital de quem acredita nos valores humanos e tenta preservá-los contra a barbárie crescente. Cordialmente, o abraço e os votos de que alcance compreensão e ressonância a sua mensagem, eis o que lhe envia, com todo o apreço,
Carlos Drummond de Andrade
A liberdade de Jacob é livre, ou seja, generosa, e faz seus poemas espaçosos para recolherem compassivamente os cacos da história universal de um ‘nós’ despedaçado. São fortes, os poemas de Jacob, duros, intensos, sem nenhum consolo, comoventes.
João Adolfo Hansen
O que acontece quando se faz análise literária dos textos de um analista? Acontece um texto-entre: no meio do caminho da leitura crítica e da invenção de um espaço fora, dentro da literatura, e de um espaço dentro, ao lado da psicanálise.
Marília Librandi
Eu nunca me conformei com o lado da dor, do sofrimento, da morte, e acho que eu usei sempre a literatura para isso; e, também, nas outras atuações: como psicanalista, ajudar o sofredor a reconstruir a história dele; na invenção da poesia, responder à vulgaridade da língua comum.
Jacob Pinheiro Goldberg