
Num momento em que a distinção entre público e privado parece solenemente ignorada por segmentos das elites políticas, administrativas e da população em geral, cabe perguntar: o que é e a quem o patrimonialismo favorece? Ante o preocupante cenário da democracia brasileira, André Botelho (UFRJ), professor titular de Sociologia e coordenador-geral da BVPS, dá início à ocupação BVPS Acervo: escolher a democracia, que contará com republicações diárias de textos que nos confrontam com o que está em jogo quando uma sociedade trilha rumos autoritários.
Tema clássico da sociologia política e do pensamento brasileiro, o patrimonialismo é um veneno que corrói não apenas as instituições, mas também a prática da política no cotidiano. Ele subverte o sentido da política ao fazer com que o interesse pessoal, familiar e privado se sobreponha ao bem comum. O bem comum: esse frágil, mas decisivo valor da democracia. A desfaçatez com que tem sido praticado no Brasil recentemente mostra que o patrimonialismo vem atingindo novos e alarmantes patamares, inclusive de legitimidade. Seu uso político, direcionado contra denúncias que se mostraram juridicamente infundadas, é confirmado pelo silêncio conivente de muitos setores, como o da imprensa tradicional, que, de tanto empregá-lo programaticamente como uma categoria de acusação, acabou por lhe retirar a especificidade. Voltar ao conceito pode nos ajudar a compreender e enfrentar os desafios do momento presente.
Boa leitura!
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