
No Especial BVPS sobre os 60 anos do Golpe de 1964, publicamos texto de Eurídice Figueiredo (UFF) sobre seu novo livro: Mulheres contra a ditadura: escrever é (também) uma forma de resistência, que está em pré-venda pela editora Zouk. O livro aborda a produção de autoria feminina sobre a ditadura, constituída de relatos testemunhais de ex-militantes e de um conjunto expressivo de obras ficcionais publicadas por autoras de variados perfis.
Boa leitura!
Mulheres contra a ditadura
Por Eurídice Figueiredo (UFF)
Em Mulheres contra a ditadura: escrever é (também) uma forma de resistência (Figueiredo, 2024), apresentei a produção literária de autoria feminina sobre a ditadura, constituída de relatos testemunhais de ex-militantes e de um considerável conjunto de obras ficcionais. As autoras desses romances têm perfis variados, num arco temporal que vai de Lygia Fagundes Telles, nascida em 1918, a Sheyla Smanioto, nascida em 1990. Umas tiveram a experiência da ditadura, enquanto militantes (ou não), outras nasceram nos estertores do regime ou mesmo após a redemocratização.
No livro procurei examinar: 1) a especificidade da militância das mulheres, os preconceitos que enfrentaram, a violência de gênero na repressão, em especial, o abuso sexual, o estupro e as humilhações verbais; 2) o silenciamento das ex-militantes durante um tempo e sua superação, ao escrever relatos e romances autobiográficos em que dão suas versões a respeito dos acontecimentos vividos; 3) a maneira como mulheres foram afetadas pela repressão sofrida por seus pais ou outros familiares; 4) a produção literária de mulheres que não têm vínculo com vítimas da ditadura, o que comprova que o trauma é coletivo e histórico, não é assunto concernente somente à família. Na verdade, a ditadura teve um impacto sobre o país e, nesse sentido, afetou a todos; 5) as características da literatura mais recente, que tende a fugir do realismo/naturalismo e ao testemunho e tem liberdade para usar formas mais alegóricas, fantásticas, criando um quebra-cabeça em que as peças não se encaixam.
O título do livro assinala que a resistência das mulheres diz respeito à militância do passado, às novas agendas que criaram para si depois do fim da ditadura e ao ato de escrever, porque a escrita produz o arquivo, substituto da memória, que se perde quando as testemunhas morrem. Na lista dos 95 livros lidos e analisados durante a pesquisa, entre relatos autobiográficos e ficção, só 14 foram publicados antes do ano 2000, portanto 81 saíram a partir do novo milênio. Considerando o provável impacto da CNV a partir de 2014, verifico que 54 livros saíram na década 2014-2023. Por outro lado, das 80 autoras elencadas, 58 nasceram antes de 1970 e 22 depois deste ano. As escritoras jovens, que não viveram a ditadura (ou a viveram na infância/adolescência), ainda são minoria. Nesse corpus, há relatos (auto)biográficos, romances (auto)biográficos, cartas de ex-militantes, contos, romances totalmente ficcionais. O livro está dividido em duas partes: “Memória e História” e “A ditadura pelo viés da ficção”.
Na primeira parte, “Memória e História”, parto de uma reflexão sobre o dever de memória, porque é fundamental estabelecer as bases conceituais que movem todo trabalho de arqueologia sobre um período da história do país. Em seguida, traço um breve percurso da militância feminina e da repressão, com depoimentos das mulheres reais colhidos em livros de pesquisadores, sobretudo da área de História. Os relatos autobiográficos de ex-militantes publicados em livros confirmam e desenvolvem mais longamente as ideias presentes nos depoimentos, concedidos, em geral, oralmente. Se essas mulheres demoraram a escrever, é importante destacar que algumas tiveram a força e a coragem de fazê-lo depois de um tempo de elaboração do trauma.
Se, na década de 1980, os ex-militantes lançaram vários relatos testemunhais, as ex-militantes demoraram para falar, escrever e publicar, e se fecharam durante um bom tempo curando as feridas. Como os primeiros livros repercutiram pouco, temos a impressão de que as mulheres não escreveram, o que é falso. Todavia, escreveram menos do que os homens. Como diz Michelle Perrot (1989: 9): “No teatro da memória, as mulheres são sombras tênues”. E, mesmo quando colocadas em circulação, suas vivências, com algumas exceções, continuaram invisibilizadas. O silenciamento das mulheres persiste, mesmo quando elas falam, escrevem e publicam. Perrot assinala que o território da política é o mais inacessível às mulheres: “De todas as fronteiras, a da política foi, em todos os países, a mais difícil de transpor. Como a política é o centro da decisão e do poder, era considerada o apanágio e o negócio dos homens” (Perrot, 2019: 151).
Fazer um relato autobiográfico é selecionar eventos e relacioná-los de modo a dar coerência e sentido ao que foi vivido. O relato autobiográfico se baseia na preocupação de dar sentido a uma existência, estabelecendo os elos entre os acontecimentos vividos/lembrados. O nome próprio, de certa maneira, emblematiza a identidade do sujeito que narra sua história de vida, segundo Bourdieu (2006). Por essa razão, o nome está no cerne das discussões sobre as escritas de si, porque o/a autor/a assume publicamente o seu eu em ação ou se recusa a se nomear por pudor ou outra forma de constrangimento.
Leonor Arfuch (2023) também enfatiza a importância do nome próprio nas (auto)biografias ou relatos autobiográficos porque, nesse caso, a relação com a História fica mais explícita, com uma “dimensão vivencial da experiência do passado, ancorada na singularidade de um corpo, uma presença e – diferentemente do romance – um nome próprio”. As ex-militantes nem sempre aparecem com o nome próprio nos relatos autobiográficos, às vezes se apresentam com seus codinomes; algumas optaram por uma versão romanceada (romance autobiográfico), que é uma forma mais acabada de ocultar a identidade. Esse resguardo do nome próprio assinala uma forma de autoproteção ou autocensura porque essas mulheres ainda temem algum tipo de reação.
Slavoj Zizek (2003: 37) considera que “a verdadeira escolha com relação ao trauma histórico não está entre lembrar-se ou esquecer-se dele: os traumas que não estamos dispostos ou não somos capazes de relembrar assombram-nos com mais força”. As pessoas marcadas pelo trauma, habitadas pelos fantasmas do passado, precisam enfrentá-los para poder viver. Assim, haveria, segundo Zizek, um paradoxo: para poder esquecer um acontecimento, é preciso ter a força de lembrá-lo.
Algumas antigas militantes de organizações de esquerda começaram a publicar seus relatos a partir de 1978 (Tega, 2021), mas só muito mais tarde a maioria ousou sair do silenciamento causado pelo trauma sofrido. Dentre os 17 livros de relatos autobiográficos, o mais antigo é o de Zuzu Angel, Eu, Zuzu Angel, procuro meu filho, organizado por sua irmã, Virginia Valli, após a morte da estilista; em seguida, vem o de Maria Prestes, Meu companheiro: 40 anos ao lado de Luiz Carlos Prestes; todos os outros foram publicados depois do ano 2000. Grande parte desse material, lançado por pequenas editoras, teve pouca repercussão e só é encontrado em sebos atualmente, o que comprova que, mesmo quando publicam, as mulheres são pouco lidas.
Apesar de estar consciente de que ficção e autobiografia não são gêneros estanques, de que todo e qualquer escrito tem algum grau de ficcionalização, considero importante separar relatos/cartas dos romances, porque as autoras optaram por uma forma mais testemunhal ou preferiram adentrar o terreno da ficção. Dessa maneira, importa levar em consideração a escolha formal, mesmo quando o romance autobiográfico está bem próximo de uma história de vida.
Na segunda parte do livro, “A ditadura pelo viés da ficção”, procurei circunscrever aspectos para fazer uma divisão em capítulos de forma a dar organicidade ao mapeamento apresentado. A ordem visa a desenvolver certos temas e apresentar exemplos significativos na ficção. Ao tematizar os desmandos da ditadura, a literatura põe à disposição do público obras ficcionais que provocam a empatia dos leitores, os quais podem entender melhor o funcionamento e as consequências do autoritarismo na vida cotidiana. É nesse sentido que considerei, em A literatura como arquivo da ditadura brasileira (Figueiredo, 2017), que a literatura funciona como arquivo, porque fornece elementos de reflexão e de conhecimento para um público suficientemente amplo, o que os arquivos em sentido estrito não fazem.
A escrita memorialística. Maria Valéria Rezende, Maria José Silveira e Vilma Arêas, que são hoje bastante (re)conhecidas, com obra extensa e variada, estiveram ligadas a organizações de esquerda; suas obras não são autobiográficas, embora possam trazer um pouco de suas memórias sob o viés ficcional.
Apostava-se a vida no que acreditávamos ser maior que a nossa própria vida. Encher de sentido o tempo era, então, mais urgente pois tão passageiro, urgência de marcar o mundo com nossa existência, mesmo que arriscando-nos a torná-la ainda mais breve (Rezende, 2016: 10).
Outras militantes, como Marlene Soccas e Sylvia de Montarroyos, escreveram romances autobiográficos enquanto Beatriz Bracher e Juliana Leite, pertencentes às gerações seguintes, publicaram romances que não têm indícios de serem baseadas em fatos reais (nem no texto nem no paratexto).
A transmissão do trauma na família. Às vezes demora muito tempo para poder falar, mais ainda para poder escrever. Margareth Rago (2013: 75) afirma que “só podemos transformar em experiência o sofrimento vivido na própria existência se lhe dermos publicidade, o que é fundamental para garantir a preservação da tradição e da própria vida”. E só através da literatura se pode reinventar uma vida, com toda a liberdade na transposição e na transfiguração de um vivido traumático. As escritoras cujos familiares passaram pela prisão, pelo exílio, pela tortura ou foram assassinados e desaparecidos elaboram, pela via da ficção, as próprias experiências traumáticas e/ou as de pessoas perseguidas pela repressão da ditadura. Trata-se de duas viúvas e de três filhas de pais afetados pela repressão. Mariluce Moura era também militante quando seu marido, Gildo Macedo Lacerda, foi preso, assassinado e desaparecido. Rosângela Vieira Rocha casou-se com José pouco depois de ele ter saído da prisão; após a sua morte, pesquisou sobre sua militância e sua prisão para poder escrever seu romance. Tatiana Salem Levy nasceu em Portugal, onde seus pais estavam exilados, Wanda Monteiro era criança quando seu pai, Benedicto Wilfred Monteiro, escritor e político do Pará, foi preso, torturado e humilhado publicamente. Virgínia Ferreira nasceu alguns anos depois da saída da prisão de seu pai.
A experiência do exílio. O exilado vive entre o passado e o presente, não está totalmente aqui nem acolá, flutua entre dois mundos, entre dois tempos. Maria José Silveira (2016: 176) escreve que o exílio “implica uma cisão porque a pessoa vive num país pensando naquele que ficou para trás”, dá-se “uma fratura de grandes consequências porque o eixo de sua vida não está colocado onde a pessoa está, mas no país que ela deixou”. A questão da repressão e do exílio ocupa uma parte pequena em As meninas, de Lygia Fagundes Telles, romance escrito em plena ditadura; os romances de Ana Maria Machado e Carmen Fischer narram a vida no exílio a partir de suas próprias experiências, enquanto os de Luciana Hidalgo e Celma Prata têm em comum a estada em Paris de personagens que não foram militantes, apesar de estarem lá em fuga devido aos desdobramentos da ditadura.
A interação com as ditaduras do Cone Sul. O livro de cartas de Flávia Schilling foi publicado no bojo da campanha por sua libertação de uma prisão no Uruguai. Paloma Vidal, Carola Saavedra e Gabriela Aguerre nasceram, respectivamente, na Argentina, no Chile e no Uruguai, e vieram para o Brasil ainda pequenas devido ao exílio de seus pais. Nos seus romances a questão da temporalidade é crucial porque as personagens estão como que atadas a um tempo passado, conversando com seus fantasmas, não vislumbrando um futuro promissor, uma esperança redentora. O vazio e a ausência estão explicitados nos três romances, pois os pais não conseguem deixar um legado para os filhos: as cartas ou as caixas não são abertas, os textos não são lidos, mas rasurados. As autoras trazem seus países de origem para dentro da trama, fazendo com que suas personagens transitem pelos espaços que poderiam ser seus, em camadas de tempos revoltos. Thays Albuquerque escreveu uma espécie de diário de bordo ao revisitar as ditaduras da Argentina e do Chile, numa viagem de pesquisa para sua tese de doutorado.
Os espectros da guerrilha do Araguaia. Adriana Lisboa cria um guerrilheiro que abandona a luta e conta sua experiência no Araguaia, anos depois, a sua filha. Já na obra autobiográfica de Liniane Brum e no romance de Guiomar de Grammont, trata-se de uma busca: uma descendente do desaparecido no Araguaia viaja até o local, pesquisa, de formas variadas, a fim de entender o que se passou. Anita Deak, como Lisboa, põe em cena um guerrilheiro que testemunha, através de sua escrita; ela rompe o modelo realista, introduzindo elementos mágicos e a religião dos encantados. Já no poema de Cida Pedrosa, a autora nomeia os guerrilheiros assassinados e desaparecidos, em forma de lápides verbais.
Os cemitérios clandestinos e o impedimento do luto. Os cemitérios clandestinos aparecem no romance de Sheyla Smanioto, que cria a cidade de Vermelha, lugar de desova de cadáveres; já o impedimento do luto para os familiares dos desaparecidos está presente nas obras de Heloneida Studart, Míriam Leitão, Lucília Garcez, Claudia Lage, Andreia Scheffer e Ana Cristina Braga Martes. Algumas dessas obras tematizam a delação na família.
A tortura, o estupro e a gravidez. O estupro na prisão é ainda um assunto interdito, pouco comentado até recentemente, e ainda mais silenciado quando mulheres engravidaram de agentes da repressão; este é um fato tão traumático que as vítimas não ousam se expor. As mulheres que sofreram violência sexual na prisão têm muita dificuldade em falar publicamente sobre isso porque essa lembrança provoca humilhação, vergonha e dor. “Algumas vezes, é preferível manter em estrito segredo essas experiências traumáticas de modo a proteger-se e a proteger os membros da família, os filhos e os netos, no presente” (Rago, 2013: 77).
Em 2013, Eugenia Zerbini prestou depoimento na audiência pública à Comissão da Verdade de São Paulo “Rubens Paiva” no qual revelou, pela primeira vez, que foi estuprada na OBAN, em 1970, quando foi levar roupas para sua mãe, Therezinha Godoy Zerbini. Esse estupro já aparecia em romance autobiográfico, publicado anos antes. Denise Assis se inspirou na história verídica da irmã Maurina Borges da Silveira, que foi presa em 1969 e trocada em 1970, pelo cônsul japonês, sequestrado pela VPR. Alguns autores afirmaram que irmã Maurina teria sido estuprada e engravidado; a partir dessa informação ou suposição Denise Assis concebeu seu romance. Beatriz Leal aborda o estupro na prisão na Argentina e o roubo de bebês, enquanto Marcia Tiburi, Vanessa Molnar e Elizabeth Cardoso tematizam o estupro na prisão e a gravidez. Cristina Judar e Maya Falksconstroem protagonistas que atravessam o inferno nas masmorras da ditadura, sofrendo tortura e abuso sexual de forma contínua.
Os delatores e os torturadores. O narrador do conto “O jardim das Oliveiras”, de Nélida Piñon, vive em um pesadelo porque delatou um companheiro que foi assassinado, ao passo que os romances de Heloneida Studart e Ivone Benedetti têm narradores envolvidos com a delação e a tortura; no de Anna Mariano aparece um médico que assessora a tortura. A Trilogia infernal, de Micheliny Verunschk, oferece um elemento original: a filha de um torturador/matador que se volta contra ele, indo depor na CNV. A amiga Mariana, que surge na vida da protagonista, deve ter sido inspirada por Mariana Etchecolatz, filha de um genocida argentino, que mudou de nome e participou de passeatas para exigir que os repressores ficassem presos.
A invasão de terras e o genocídio indígena. Duas autoras tratam da oposição entre as ideias de “progresso” e o modo de vida dos indígenas: Sandra Godinho e Maria José Silveira. Sandra Godinho tematiza o massacre dos Waimiri-Atroari, em 1968, no momento em que os militares queriam ocupar a Amazônia, o massacre de Haximu, em 1993, consequência do conflito entre os garimpeiros e os Yanomami e o massacre dos Cinta-Larga, em 1963. Maria José Silveira aborda a construção da Usina de Belo Monte, na bacia do rio Xingu. O projeto da barragem, de 1980, previa a inundação de doze terras indígenas e a construção de sete barragens, mas foi reduzido; a usina começou a operar em 2016. Todavia, a devastação foi enorme, a água nunca mais foi a mesma, os peixes nunca mais foram abundantes.
O objetivo da minha pesquisa foi dar maior visibilidade ao envolvimento das mulheres na resistência à ditadura e na produção escrita. Se a política é a área mais difícil de penetrar porque é o centro do poder, uma parcela de mulheres enfrentou, e continua enfrentando, o autoritarismo, a misoginia, o machismo, para estar no campo da política. Contra o silenciamento e a invisibilidade, elas têm ganhado maior autonomia para se impor em espaços antes restritos aos homens. Agora, nos 60 anos do golpe, talvez tenha chegado o momento em que certas coisas podem ser ditas e podem ser escutadas. As gerações atuais têm um conhecimento que vem, não da experiência vivida, mas do desejo de assumir um legado que não tem herdeiros natos.
Referências
ARFUCH, Leonor. (2023). A vida narrada: memória, subjetividade e política. Tradução de Diana Klinger e Paloma Vidal. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ; Villa María: Editorial Universitaria de Villa María.
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REZENDE, Maria Valéria. (2016). Outros cantos. Rio de Janeiro: Alfaguara.
SILVEIRA, Maria José. (2016). Felizes poucos: onze contos e um curinga. São Paulo: ZLF Editorial.
TEGA, Danielle. (2021). Histórias impertinentes: memórias políticas de mulheres no Brasil (1978-2014). Fronteiras, Dourados, v. 23, n. 42, p. 109-133.
VALLI, Virginia. (1986). Eu, Zuzu Angel, procuro meu filho. Rio de Janeiro: Philobiblion..
ZIZEK, Slavoj. (2003). Bem-vindo ao deserto do real: cinco ensaios sobre o 11 de setembro e datas relacionadas. Tradução de Paulo Cezar Castanheira. São Paulo: Boitempo.
A foto que abre o post é um registro de Tônia Carreiro, Eva Wilma, Odete Lara, Norma Benghel e Cacilda Becker protestando contra censura em 1968. Fonte: Arquivo Nacional. A imagem faz parte do ensaio visual de Lilia Moritz Schwarcz que pode ser conferido aqui.