
Nesta terça-feira, dia 14 de outubro, será lançado o livro O losango negro: Mário de Andrade, um intérprete do Brasil, de Angela Teodoro Grillo, professora de Literatura na Universidade Federal do Pará (UFPA).
O lançamento do livro acontece na Livraria Blooks (Praia de Botafogo, 316 – Rio de Janeiro), às 19h, e contará com uma conversa com a autora, Alessandra Tavares (UFRRJ) e Rodrigo Jorge Neves (UFF), com mediação de Maria Luiza Hastenreiter (PPGLEN/UFRJ). Na obra, Grillo analisa como a presença e a influência da vida negra atravessam a produção de Mário de Andrade. A partir do conjunto de documentos Preto, descoberto no IEB-USP, a autora evidencia o diálogo do escritor com temas culturais, históricos e antropológicos ligados à experiência negra no Brasil.
Confira abaixo mais informações sobre a obra, oferecidas pela editora.
O losango negro: Mário de Andrade, intérprete do Brasil
O losango negro: Mário de Andrade, intérprete do Brasil, de Angela Teodoro Grillo, coloca em perspectiva a presença e a influência da vida negra na obra do escritor. A autora propõe uma leitura inédita, que mostra o quanto a arte, a cultura e as questões da experiência negra no Brasil atravessaram diferentes dimensões da produção de Mário de Andrade, o “bardo mestiço” — da criação literária à crítica, dos estudos folclóricos e culturais à sua atuação política.
O ponto de partida dessa análise é o conjunto de documentos Preto, nomeado desse modo pelo próprio Mário de Andrade e descoberto pela autora nos arquivos do IEB-USP em 2007. Esse material, composto sobretudo de notas de trabalho, que atestam leituras e comentários, reunido entre o fim da década de 1920 e a morte do modernista, em 1945, abrange aspectos culturais, históricos e antropológicos relacionados à população negra no Brasil. O livro O losango negro inclui parte desse dossiê, além de outros ensaios abordados pela autora, como Plano para a comemoração do Cinquentenário da Abolição em São Paulo (1938), Sugestões para a comemoração do Cinquentenário da Abolição (1938) e A expressão musical dos Estados Unidos (1940).
A análise de Angela Teodoro Grillo abre caminhos para reconsiderarmos Mário de Andrade a partir de aspectos de sua obra que, por muito tempo, foram deixados em segundo plano. A imagem do “losango” — recorrente na obra do intelectual — se torna uma encruzilhada onde diferentes vetores se encontram: um espaço de cruzamento de culturas, consciência da mestiçagem, reconhecimento da violência do racismo e valorização da cultura brasileira.
“A vida negra não fugiu, portanto, às lentes de Mário de Andrade. Cabe perguntar por que, durante tanto tempo, isso não foi devidamente explicitado. Um livro como o de Angela nos ajuda a descobrir as razões.” Mário Augusto Medeiros, sociólogo e Professor Livre-Docente da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp.
“Este livro, ansiosamente aguardado, revela como são infundadas as acusações de que o ‘bardo mestiço’ dissimulava sua cor e suas origens, herdadas de suas avós negras.” Ligia Fonseca Ferreira, Professora Associada do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“Se Exu iconiza a complexidade da nossa formação cultural — ele é a própria semiose, como nos ensina Leda Maria Martins —, permanentemente em processo, Mário Raul de Morais Andrade é o nome do homem-signo que nos desafia a ler o signo Brasil como uma pergunta em aberto: difícil, interrompida, mil vezes reperguntada.” Ricardo Aleixo, poeta, artista e pesquisador das poéticas intermídia.
Sobre a autora
Angela Teodoro Grillo nasceu em São Paulo e vive em Belém do Pará. É bacharela e licenciada em Letras — Português/Francês —, mestra e doutora em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), com tese indicada ao Prêmio Capes 2015. Realizou estágio de pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP) e, desde a iniciação científica, sob orientação de Telê Ancona Lopez, dedicou-se ao estudo dos arquivos de Mário de Andrade, tornando-se especialista em sua obra. Publicou Sambas insonhados: O negro na perspectiva de Mário de Andrade (2016). Atualmente, é professora de Literatura na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, onde coordena o grupo de pesquisa Mil Marias (ILC/UFPA/CNPq), que mantém vínculos com propostas teóricas e metodológicas de Mário de Andrade para refletir sobre a cultura e a literatura brasileiras.