
Estão abertas as inscrições para o Colóquio Internacional Marguerite Duras, porosidade e intermidialidade, a realizar-se nos dias 18 e 19 de maio de 2026, no Centro MariAntonia da USP (Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque – SP). As propostas de comunicação devem ser enviadas ao Comitê Organizador até o dia 24 de novembro de 2025, pelo e-mail margueritedurasbr@gmail.com.
O colóquio é organizado por Maurício Ayer (TEL/UnB), Claudia Consuelo Amigo Pino (DLM/USP), Maria Cristina Vianna Kuntz (USP-DTLLC, pesquisadora) e Luciene Guimarães (CRIalt).
Confira abaixo mais informações sobre o evento.
Marguerite Duras, porosidade e intermidialidade
Ler Marguerite Duras é adentrar um universo de situações, personagens, assuntos e cenas que se cruzam, se repetem e se transformam, como se vasos comunicantes sugerissem itinerários os mais diversos através de suas obras. A ordem cronológica das publicações ou os “ciclos” (da Indochina, da Índia, do Atlântico etc.) com os quais a crítica tem convencionado organizar seus livros, filmes e peças de teatro, não chegam a delimitar seus temas e motivos, que transbordam por todos os lados. Essa porosidade, que é com muita evidência uma característica de sua obra, também remete ao modo como elementos de sua biografia adentram sua produção artística, mais ou menos transformados, eliminando qualquer limite definitivo entre o vivido e o imaginado.
Com efeito, a porosidade é uma das noções mais centrais na poética durassiana, que a autora explora, com especial acuidade, em um livro de diálogos com Michelle Porte, intitulado Les lieux de Marguerite Duras (1977). “Os lugares” – físicos, simbólicos, metafóricos etc. – de Marguerite Duras são essencialmente porosos, assim como a figura do Louco (“O louco é poroso. Ele não é nada, logo as coisas o atravessam completamente”, Duras; Porte, 1977, p.96) e a do feminino (“Como se essas mulheres e eu, nós fôssemos dotadas de porosidade”, ibid. p. 12). O próprio ato de escrever, palavra forte em Duras, corresponde a um estado de abertura total para o “exterior” (“É sem dúvida o estado que eu busco encontrar quando escrevo; um estado de escuta extremamente intensa, veja, mas do exterior” (ibid. p.98)).
A circulação permanente de elementos diversos se dá, evidentemente, pela/com/ na linguagem. Jardim de caminhos que se bifurcam, a obra de Duras se desdobra em livros, teatro, cinema, peças jornalísticas e intervenções no rádio e na televisão, criando uma densa malha de interconexões entre os meios. Seu romance mais célebre, O amante (1984), por exemplo, é construído não só puxando os fios da memória, mas também a partir de uma fotografia – que seria “absoluta”, já que nunca foi tirada. Césarée (1979) é também um filme sobre as esculturas de Maillol, e As mãos negativas (1979), sobre a arte rupestre e a cidade de Paris. Quando lhe diziam que sua obra era “feita como a música é feita”, em especial India Song (livro de 1973, filme de 1974), ela concordava. Duras joga constantemente com os limites, as fronteiras e a intermidialidade entre artes, tempos e subjetividades. Tais transversalidades entre as práticas artísticas, entre o vivido e o imaginado, entre os diversos elementos das narrativas que se recombinam constantemente, se enquadram nas preocupações artísticas do seu século e propõem estratégias produtivas para lidar com a contemporaneidade.
A partir dessa reflexão, aceitam-se trabalhos que apresentem novas perspectivas de investigação sobre Marguerite Duras e os diferentes modos de porosidade presentes em sua obra, que incluem a exploração de fronteiras tênues entre as artes e mídias, as passagens entre a vida e o real, o imaginário da abertura e da comunicabilidade entre as coisas, as formas de subjetivação na linguagem. Privilegiam-se comunicações de abordagem comparativas e interdisciplinares.
Eixos temáticos:
● Marguerite Duras e o limiar das linguagens
● Marguerite Duras, subjetividade e nomadismo
● Atualidade de Marguerite Duras: autoficção, escrita e gênero, intermidialidade
● Marguerite Duras e a música
● Marguerite Duras e as artes plásticas e visuais
● Marguerite Duras e artistas: interações, influências, paralelos
● Marguerite Duras, cinema, fotografia e audiovisual
● Marguerite duras, escrita, desejo e o feminino
Orientações para envio de proposta de comunicação:
A proposta de comunicação deve ser composta de Título e Resumo (até 2 mil caracteres com espaços) e ser enviada para o Comitê Organizador do colóquio pelo e-mail margueritedurasbr@gmail.com até o dia 24 de novembro de 2025.
Taxa de inscrição (para participantes com proposta de comunicação aceita):
Para professores e pesquisadores independentes: R$ 150.
Para estudantes e pós-graduandos: R$ 75.
Após aceite da proposta, serão indicados aos participantes a conta bancária e meios de pagamento.
Comitê organizador:
Maurício Ayer (TEL/UnB)
Claudia Consuelo Amigo Pino (DLM/USP)
Maria Cristina Vianna Kuntz (USP-DTLLC- pesquisadora)
Luciene Guimarães (CRIalt)