
No mês de postagens da SILVIANO SANTIAGO 90+, em homenagem aos 90 anos do escritor mineiro na BVPS, não poderia faltar um texto na coluna Primeiros Escritos, voltada à estudantes de pós-graduação. Talvez não exista mesmo maior homenagem a um autor do que saber que sua obra continua viva, interpelando e suscitando perguntas e dedicação por parte das novas gerações – no caso, novíssima geração, ainda em formação.
Guilherme Prates, mestrando no PPGS/UFRJ, nos conta um pouco dos desafios de pesquisar a obra instigante, complexa e vasta de Silviano. A despeito de um recorte específico – no seu caso, a questão do cosmopolitismo do pobre – faz-se necessário percorrer o conjunto da obra, no geral e no detalhe, pois o pensamento de Silviano é reescrito permanentemente e suas categorias analíticas são não apenas transversais, mas vão ganhando novas camadas de significado a cada momento. Mas o desafio é tão estimulante e prazeroso que o texto de Guilherme, além de um testemunho pessoal, é também um convite para novos interlocutores e diálogos que, a essa altura, vão se avolumando numa fortuna crítica cada vez mais importante, dentro e fora do Brasil, na literatura, no cinema e também na sociologia.
Parabéns Silviano Santiago e parabéns ao Silviano Santiago que se faz e refaz também como tema de estudos e interesse da juventude.
Aproveitamos para lembrar que a coluna Primeiros Escritos segue aberta para contribuições de estudantes de pós-graduação. Para conhecer mais sobre a iniciativa, clique aqui.
Boa leitura!
Aprendendo a ler os entre-lugares: notas sobre Silviano Santiago e o cosmopolitismo
Por Guilherme Prates (PPGS/UFRJ)
Entrar na obra de Silviano Santiago como leitor, ou como aquele que assume a postura de quem o pesquisa, parece uma tarefa densa, tal qual o Jardim das veredas que se bifurcam, de Jorge Luis Borges. Digo densa porque o crítico mineiro de Formiga, além de possuir uma vasta produção, atravessa diferentes temporalidades, tradições intelectuais e continentes. Silviano é um autor que, para além de pensar as belles lettres, também abre as portas para um projeto mais extenso de crítica cultural (Leal, 2008).
A experiência de leitura das obras de Silviano, tanto na crítica literária quanto em seu trabalho ficcional, sempre me remete às veredas que se bifurcam, citando novamente Borges. Digo isso porque, diante de uma obra extensa, com mais de sessenta anos de produção, determinados temas retornam à crítica do autor numa perspectiva anacrônica e ao mesmo tempo diacrônica. Aquilo que em um primeiro momento parecia encerrado volta a se abrir, enquanto outras questões, aparentemente secundárias, podem adquirir novos sentidos quando reencontradas em momentos distintos de sua trajetória intelectual.
Diante do que já foi exposto, minha posição em relação à obra de Silviano é a de quem a pesquisa e, também, a de quem ainda constrói uma leitura inevitavelmente matizada, atravessada por diferentes temas, tempos e perspectivas. Ler as obras de Silviano Santiago é, em alguma medida, deparar-se com a obra de Ts’ui Pen, personagem ficcional de Borges, porque o conjunto da obra de Silviano parece constituir um “invisível labirinto de tempo” (Borges, 2021: 60), no qual diferentes futuros, tempos e temporalidades se encontram e se bifurcam.
Pesquisar a obra de Silviano é entrar nesse jardim e, cada vez mais, ter a nítida sensação de que suas obras são o próprio jardim. É nesse sentido que minha pesquisa se adentra, numa tentativa de reconstituir o conceito de cosmopolitismo do pobre, que tem sua primeira formulação no ensaio O cosmopolitismo do pobre (2004), publicado originalmente em 2002 na revista argentino-brasileira Margens/Márgenes, e posteriormente organizado pela editora da UFMG na obra de mesmo título do ensaio, esse conceito vai e vem, ao longo do tempo, na crítica de Silviano, tomando outros contornos, mediações e apontamentos. Desse modo, nessa tentativa de reconstituição, surge a seguinte questão: como estudar o cosmopolitismo de um autor que parece fazer do próprio deslocamento entre autores, países, tradições e linguagens uma forma de pensamento?
Foi a partir dessa interpelação que a pesquisa se desenvolveu. Entretanto, nessa tentativa de reconstituir o conceito, deparei-me com outros textos que, publicados décadas depois, retornavam à questão do cosmopolitismo. Ao formular a questão do cosmopolitismo do pobre, em 2002, Silviano pensa novas formas de multiculturalismo capazes de dar conta dos influxos de imigrantes pobres, além de resgatar grupos étnicos e sociais economicamente desfavorecidos em um antigo processo multiculturalista a serviço do Estado-Nação. O foco analítico do ensaio desloca-se, assim, da mediação do Estado-Nação para os atores sociais da sociedade civil. Daí a importância que o mineiro confere às ONGs como meio de reivindicação do cosmopolita pobre, mobilizando também a internet, meio de comunicação transnacional emergente dos anos 2000, período em que Silviano escreve seu texto.
É essa mesma internet, enquanto meio de comunicação emergente sob o pano de fundo da globalização, que constitui a preocupação central de Silviano. Foi nesse momento que minha perspectiva analítica precisou se descentrar em direção a outras formulações conceituais do autor. Ao pensar o cosmopolitismo do pobre, encontrei uma primeira bifurcação no jardim: de onde vem esse cosmopolitismo? Como e por que ele é analiticamente formulado por Silviano?
Com essas questões no horizonte, era necessário voltar a formulações anteriores. Afinal, não parecia possível pensar as formulações em torno do cosmopolitismo sem retornar a conceitos matriciais da produção de Silviano, tanto no campo ficcional quanto na crítica literária. Necessitei, então, realizar uma espécie de regressão em sua obra, retornando ao que considero um de seus textos matriciais: O entre-lugar do discurso latino-americano (1971), posteriormente reunido em Uma literatura nos trópicos. Não pretendo explicar aqui o conceito de entre-lugar em toda a sua extensão. Interessa-me, antes, recuperar algumas considerações de Bittencourt e Hoelz (2020: 108), para quem “Uma literatura nos trópicos é livro intempestivo e feroz, de combate – que fala contra, escreve contra, e que não por acaso se inicia com uma cena bélica de combate”, que afirma a especificidade da periferia como lugar de enunciação sobre o mundo.
É nesse entre-lugar que Santiago desenvolve a ideia de que o artista latino-americano realiza sua produção a partir da transgressão do modelo eurocêntrico. No entre-lugar, o artista estaria entre o centro e a periferia, numa espécie de refúgio clandestino. Longe de reproduzir a dicotomia entre fonte e influência – preocupação cara à literatura comparada e muito presente na reflexão de Silviano –, o intelectual e o artista latino-americanos operam por meio de um gesto de deslocamento e reelaboração, apropriando-se criticamente dos modelos europeus para submetê-los a um processo de ressignificação. O entre-lugar, nesse sentido, constitui-se como espaço de criação, onde coexistem assimilação e rebelião, repetição e diferença.
Nesse sentido, o texto de 1971 torna-se uma espécie de gramática básica para formulações posteriores. De algum modo, é a partir do entre-lugar que Silviano interpela a globalização, e foi por isso que, durante o processo de investigação, precisei voltar àquele texto. O retorno, contudo, não significava simplesmente voltar no tempo. Era também uma maneira de perceber como determinados problemas reaparecem, décadas depois, em novos contextos e sob novas formas. Afinal, o jardim é também uma “uma enorme adivinha, ou parábola, cujo tema é o tempo” (Borges, 2021: 62).
Se quisermos fazer outra interpelação na dimensão temporal desse entre-lugar, podemos pensar no escrito de André Botelho (2019), no qual o autor argumenta que, embora vinculada ao contexto de sua produção, a crítica de Silviano Santiago antecipa debates que permanecem atuais. Nesse sentido, o conceito de entre-lugar torna-se também uma chave para compreender aquilo que Botelho chama de “atualidade-anacronismo” da obra de Silviano. Talvez seja justamente essa dimensão temporal que tenha começado a aparecer durante a pesquisa: para compreender uma formulação mais recente, foi necessário retornar a uma formulação de décadas antes; e, ao retornar, descobrir que o texto que julgava passado continuava produzindo perguntas para o presente.
É importante frisar que não se trata de o cosmopolitismo do pobre ser uma extensão do entre-lugar, mas de compreender o entre-lugar como uma chave operadora na escrita de Silviano – chave que, assim como em outros escritos, também molda a maneira como o autor realiza a leitura da globalização. Vale ressaltar ainda a própria curadoria do livro O cosmopolitismo do pobre, que se abre com “Atração do mundo: políticas de globalização e de identidade na moderna cultura brasileira”, conferência apresentada na Universidade da Califórnia, em Berkeley, em 1995; logo em seguida, vem o ensaio que dá título ao livro, sucedido por “Uma literatura anfíbia”. Essa organização elucida o gesto curatorial da obra e dá contorno à questão da globalização que estamos discutindo neste ensaio. Para além disso, a própria dimensão dos cosmopolitas pobres se dá numa mediação entre a metrópole e a margem do mundo e da história, o que pode ser lido em relação à própria produção do artista latino-americano, que realiza uma obra transgressora a partir do contato com aquilo que já foi dito pela metrópole.
Mas, para além de pensarmos nessa mediação entre o entre-lugar e o cosmopolitismo do pobre, precisamos perguntar: de onde se fala quando se fala em cosmopolitismo? Mario Cámara (2025) nos ajuda a pensar nessas modulações que o cosmopolitismo toma na formulação de Silviano. Cámara estabelece uma relação entre o “cosmopolitismo do pobre”, formulado por Silviano em seu ensaio de 2002, e o conceito de “cosmopolitismo discrepante”, tomado de James Clifford em Travelling Cultures, que o mineiro emprega em dois de seus ensaios reunidos em Grafias de vida (2023). Cámara deixa claro como esses dois ensaios se vinculam ao ensaio matricial de Silviano:
No ensaio “O cosmopolitismo do pobre”, o olhar de Silviano se amplia. Já não se trata unicamente da relação norte-sul, mas também das possíveis relações sul-sul. Não se fala mais em devoração, tradução ou reescrita, mas em estratégias voltadas à construção de alianças globais ou à elaboração de representações que exibam cosmopolitismos pós-coloniais, como faz, por exemplo, a cantora mineira Clara Nunes com a cultura angolana. (Cámara, 2025)
Ainda, se quisermos ir mais longe, podemos pensar na ideia de um “cosmopolitismo do rico” em contraposição ao “cosmopolitismo do pobre”. É claro que, quando falamos “do pobre”, não estamos enfatizando simplesmente a questão econômica, mas a posição daquele que acessa a metrópole a partir do e no avesso do mundo. É nesse vai e vem teórico que as formulações em torno do cosmopolitismo de Silviano passam a adquirir uma dimensão mais ampla: a discussão sobre as posições desiguais a partir das quais diferentes sujeitos participam de um mundo globalizado.
É nessa reconstituição de um conceito que, ao eleger O cosmopolitismo do pobre como ponto de partida, fui alcançando outras obras de Silviano ao longo do tempo. Entre elas, entrevistas, matérias jornalísticas – sobretudo aquelas veiculadas no caderno Sabático, do Estado de S. Paulo, e que futuramente seriam organizadas em livro pelo professor Frederico Coelho –, além dos próprios artigos e ensaios. Aos poucos, algumas dessas obras foram se tornando fundamentais para o percurso da pesquisa.
É o caso do já citado “Atração do mundo: políticas de globalização e de identidade na moderna cultura brasileira”, de “Deslocamentos reais e paisagens imaginárias: o cosmopolita pobre”, do capítulo de Grafias de vida intitulado “Sentimento da vida, sentimento do mundo” e do artigo “DESTINO: globalização. ATALHO: nacionalismo. RECURSO: cordialidade”. Mais recentemente, porém, percebi que a tópica do cosmopolitismo também aparecia em “Convite à leitura dos poemas de Carlos Drummond de Andrade”, publicado inicialmente como prefácio à Poesia completa (2002), de Carlos Drummond de Andrade. O fato de o ensaio O cosmopolitismo do pobre e o prefácio serem publicados no mesmo ano me chamou a atenção. Havia, entre eles, uma proximidade temporal que parecia indicar a persistência do tema em diferentes escritos de Silviano na virada do século.
No ensaio dedicado ao “convite” à poesia daquele itabirano do Mato Dentro, Silviano observa que, em sua fase “robinsoniana”, a poesia de Drummond apresenta uma forte preocupação com a “reflexão poética de ordem pessoal e transferível do cidadão brasileiro e do intelectual cosmopolita” (Santiago, 2006: 10-11). É justamente nessa reflexão poética que comecei a perceber uma questão que retornaria ao longo da minha pesquisa: como uma experiência tão localizada pode produzir uma forma tão ampla de relação com o mundo? Como uma poesia que tematiza, com insistência e sabedoria, a vida provinciana em Itabira do Mato Dentro pode oferecer-se de maneira tão cosmopolita ao leitor?
Silviano formula a questão de maneira ainda mais radical:
Como uma poesia que tematiza com insistência e sabedoria a vida provinciana na Itabira do Mato Dentro pode oferecer-se de maneira tão cosmopolita ao seu leitor, passando-lhe a impressão de que o poeta é un homme du monde, nascido no século de Voltaire e Rousseau? Como um homem tão pouco viajado (que se saiba apenas saiu do Brasil para dar um pulo até a Argentina, para visitar a filha casada e os netos) pode ter escrito, desde os primeiros livros publicados em Belo Horizonte, uma poesia tão audaciosa e rigorosamente cosmopolita? Como um profissional que desde cedo se definiu pela quase imobilidade da carreira de funcionário público pode dar lição tão rica e tão ampla de geografia e de história universais? Que força maior é esta que leva o poeta a levantar os olhos do solo natal e tentar entender amorosamente outras nações e diferentes povos? (Santiago, 2006: 21).
As perguntas de Silviano me fizeram voltar a uma questão que já aparecia de outra maneira no percurso: de onde vem e de onde fala um cosmopolita? Talvez seja justamente aí que a distinção entre um cosmopolitismo “rico” e um cosmopolitismo “pobre” possa começar a ganhar alguma espessura. Não se trata, evidentemente, de reduzir o “pobre” à condição econômica, mas de pensar nas diferentes posições a partir das quais sujeitos e intelectuais se relacionam com aquilo que chamamos de mundo.
É nesse ponto que a figura de Drummond se tornou particularmente interessante para mim. Seus ideais cosmopolitas, ainda na província, são alimentados pelas leituras de Joaquim Nabuco e Anatole France. Há, nesse primeiro momento, uma espécie de universalismo marcado por uma experiência de ausência: estar longe do centro do mundo significa experimentar, ao mesmo tempo, a distância em relação ao país e a distância em relação ao próprio mundo. A formulação de Nabuco em Minha formação talvez seja a expressão mais conhecida desse dilema: “De um lado do mar sente-se a ausência do mundo; do outro, a ausência do país. O sentimento em nós é brasileiro, a imaginação européia” (Nabuco, 2019: 58).
O jovem Drummond parece reconhecer-se nessa espécie de “tragédia de Nabuco”. Em carta a Mário de Andrade, escreve: “Pessoalmente acho lastimável essa história de nascer entre paisagens incultas e sob céus pouco civilizados. Acho o Brasil infecto. Perdoe o desabafo que a você, inteligência clara, não causará escândalo” (Drummond, 2002: 56). O que aparece nessa passagem é o sentimento de ter nascido fora do centro do mundo – talvez em Paris, ou, para retomarmos a imagem de Paulo Prado, fora do “umbigo do mundo”. O universal, nesse primeiro momento, parece estar em outro lugar.
É justamente essa percepção que Mário de Andrade procura deslocar em sua resposta. A “tragédia de Nabuco” lhe parece antes uma espécie de moléstia tropical, uma doença que, embora não tivesse a gravidade da doença de Chagas, poderia ser curada por uma forma particular de nacionalismo. A lição de Mário a Carlos se dá, então, de maneira bastante sutil. Não se trata de simplesmente abandonar as literaturas europeias, mas de modificar a relação estabelecida com elas: ler também as obras menores, deslocar a hierarquia que organizava o olhar para a Europa e, sobretudo, mediar essa leitura pelo próprio lugar de onde se fala.
Nesse movimento, comecei a enxergar em Drummond uma passagem possível entre duas formas de cosmopolitismo. O Drummond que inicialmente olha para fora e encontra na Europa o centro do mundo não desaparece quando se aproxima de Mário. Ele aprende, antes, outra maneira de sê-lo. O que se transforma não é seu desejo de universalidade, mas a posição a partir da qual esse universal é procurado. É nesse sentido que proponho, como uma interpretação produzida no próprio percurso da pesquisa, pensar essa transformação como uma passagem do cosmopolitismo rico, ou ilustrado, para aquilo que Silviano posteriormente formularia como cosmopolitismo do pobre.
Não pretendo afirmar que Silviano tenha chamado Drummond de “cosmopolita pobre”, nem que a trajetória do poeta possa ser simplesmente subsumida a essa categoria. O que me interessa é outra coisa: utilizar essa figura para pensar como diferentes posições diante do mundo produzem diferentes formas de cosmopolitismo. Drummond permite, assim, dramatizar uma questão que atravessa a própria obra de Silviano: não apenas quem é cosmopolita, mas de onde se fala quando se fala em cosmopolitismo.
Talvez seja também por isso que, ao longo da pesquisa, tenha se tornado cada vez mais difícil tratar o entre-lugar apenas como um conceito localizado no ensaio de 1971. Ele começou a aparecer como uma forma de temporalidade, um espaço que não se fecha e no qual diferentes momentos, tradições e posições podem voltar a se encontrar. Nesse sentido, a imagem de Borges me parece novamente adequada:
A explicação é óbvia: O jardim de veredas que se bifurcam é uma imagem incompleta, mas não falsa, do universo tal como Ts’ui Pên o concebia. Diferentemente de Newton e de Schopenhauer, seu antepassado não acreditava num tempo uniforme, absoluto. Acreditava em infinitas séries de tempos, numa rede crescente e vertiginosa de tempos divergentes, convergentes e paralelos. Essa trama de tempos que se aproximam, se bifurcam, se cortam ou que secularmente se ignoram, abrange todas as possibilidades. (Borges, 2021: 62).
O entre-lugar tornou-se, então, uma espécie de jardim temporal: não um lugar em que as coisas permanecem, mas um espaço em que diferentes tempos, autores e problemas se encontram, se bifurcam e voltam a se cruzar. O que inicialmente parecia uma dificuldade de leitura, a recorrência de temas em tempos diferentes, começou a se transformar em uma pista metodológica. Para ler Silviano, talvez seja preciso acompanhar não apenas a sucessão de seus textos, mas as formas pelas quais eles voltam a se encontrar.
O jardim, nesse sentido, não é apenas o lugar em que me perdi ao começar a pesquisa. É também o modo pelo qual passei a compreender a própria obra: como um conjunto de veredas em que conceitos, autores e problemas não permanecem necessariamente onde os encontramos pela primeira vez. Talvez seja esse o desafio de pesquisar uma obra como a de Silviano Santiago: não descobrir finalmente a saída do labirinto, mas aprender a reconhecer as passagens que o constituem.
Referências
ANDRADE, Carlos Drummond de. (2002). Carlos & Mário: correspondência completa entre Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Bem-te-vi Editora.
BORGES, Jorge Luis. (2021). Ficções. São Paulo: Companhia das Letras.
BOTELHO, André. (2019). Sinal dos tempos: anacronismo e atualidade de Uma literatura nos trópicos. CEPE, pp. 261-279.
CÁMARA, Mario. “Cosmopolitismos discrepantes”. In: Glossário Silviano Santiago, BVPS, 2025.
HOELZ, Maurício & BITTENCOURT, Andre. (2020). Repetição, diferença, reescritura: das vantagens do “entre”. Aletria: Revista de Estudos de Literatura, v. 30, n. 1, p. 95-116.
LEAL, Eneida. (2008). Leituras críticas sobre Silviano Santiago. Belo Horizonte: Editora UFMG.
NABUCO, Joaquim. (2019). Minha formação. Edições Câmara.
SANTIAGO, Silviano. (2006). “Convite à leitura dos poemas de Carlos Drummond de Andrade”. Ora (direis) puxar conversa, p. 9-55.
