Coluna MinasMundo | O historiador e a literatura, por Silviano Santiago

O Blog da BVPS publica na coluna minas mundo texto inédito de Silviano Santiago sobre Francisco Iglésias. Apresentado no Seminário “Professor Francisco Iglésias – 100 anos”, realizado na UFMG em abril de 2023, o texto aborda a paixão do historiador mineiro pela literatura.

Santiago mostra que a relação de Iglésias com a literatura não foi passageira. As obras literárias, como argumenta, fizeram parte de sua formação como historiador e permitiram que ele desenvolvesse uma metodologia original de leitura da literatura moderna, da qual a coletânea de ensaios História e ideologia (1971), dedicada a Fernando Pessoa e a Jackson de Figueiredo, é exemplar.

Boa leitura!


O historiador e a literatura

Por Silviano Santiago (AML)

Em memória do Jacques e do Sábato

Francisco Iglésias é um rapaz alto, muito magro, que pega sempre o último bonde Horto. Não dança, não fuma, não bebe, não namora. Com vinte e dois anos de idade. Sua letra é quase ilegível. Apesar de sério, como acontece com as pessoas magras, não usa cartolas. Sua elegância vem mais do pensamento maledicente. Mesmo desafinado conhece quase todos os sambas e tangos que pululam pelos bairros. Embora ele anuncie constantemente seu desejo de deixar as montanhas, há alguma coisa na paisagem que nos segreda que ele ficará para sempre aqui. Há uma lenda a seu respeito que vale a pena ser contada: dizem que, manhãzinha ainda, quando vem do subúrbio para lecionar, o Iglésias vem conversando franciscamente [sic] com as aves e frutas.

Anônimo, Edifício, número 2, fevereiro de 1946.

A relação de Francisco Iglésias (1923-1999) com a literatura não é passageira, nem estritamente profissional ou disciplinar. Não é acidente tardio na sua vida adulta nem se apresenta como viés ocasional na sua pesquisa e escrita historiográfica. As obras literárias e as várias outras manifestações artísticas, de que o cinema e o teatro são bons exemplos, fazem parte da sua formação de historiador, ou, de maneira mais adequada, da sua “educação sentimental”, para retomar o título do famoso romance de Gustave Flaubert, escritor que ele tanto aprecia naquela época, ao lado de A condição humana, de André Malraux.

Não terá sido por coincidência que, um ano após se licenciar em história pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1946, ele faça parte do grupo de jovens ficcionistas, poetas e ensaístas mineiros que idealiza, publica e lança a revista Edifício. Nas páginas dos poucos e sucessivos números da revista – serão 4 − sobressai a sua constante e imprescindível escrita ensaística.

Do número 2 da Edifício é que retirei o anônimo e divertido perfil do nosso homenageado de hoje. Vem em epígrafe. É sugestivo e rico de detalhes na análise do jovem professor mineiro e, para os que o conheceram pessoalmente, apresenta observações incontornáveis para a boa compreensão da sua personalidade ímpar.

O primeiro número da Edifício é publicado em janeiro de 1946. O artista plástico Heitor Coutinho será o responsável pelo design da capa. Posteriormente, ele será o pintor responsável por portraits, na linha do mestre Guignard, dos companheiros que lá conhece.[1] A revista traz como epígrafe o já famoso verso de Carlos Drummond de Andrade − “E agora José?”. No Índice, os nomes de jovens e promissores talentos mineiros se associam aos de jovem escritora e de escritores já conhecidos. Citemos alguns nomes: Vanessa Neto, Valdomiro Autran Dourado, Wilson Figueiredo, Jacques do Prado Brandão, Otávio Alvarenga, J. Etienne Filho, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino.

No índice geral da revista, logo se destaca pelo insólito do objeto de estudo o título de uma das colaborações, “Os pensamentos perigosos”. Seu autor, já imaginam, o jovem Iglésias. Fascina que a escolha desse tema de investigação tenha sido precoce, já que ele será condimento indispensável no surpreendente e complexo trabalho historiográfico de Francisco Iglésias. Ao menos dois serão os pensadores perigosos analisados por ele: Jackson de Figueiredo, o líder conservador católico, e Fernando Pessoa, o notável poeta português nosso contemporâneo, defensor do sebastianismo.

Se a epígrafe da revista homenageia Carlos Drummond, o seu título é alusão óbvia a versos famosos de outro poema dele, “Edifício Esplendor”. Ao final do poema, lemos:

_Que século, meu Deus! Diziam os ratos.
E começavam a roer o edifício.

Ainda a Drummond, os fundadores da revista solicitaram as palavras que apadrinham o novo projeto intelectual mineiro. O primeiro número da revista se abre pelo texto “Esboço para apresentação de EDIFÍCIO”, de autoria dele.

Retirada de um dos mais famosos poemas do itabirano, “José”, a epígrafe da revista constata e enumera as frustrações de uma nova geração diante do legado (ou do “edifício” que é roído por ratos) que recebem dos mais velhos e interpelam à queima-roupa, com ênfase na herança maldita, os leitores que venham a lê-los. Conclama-os à ação lúcida no presente:

o dia não veio,
o bonde não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

Reunindo os mais velhos e os mais moços, a nova geração mineira, que endossa os versos, são todos artistas, professores universitários e intelectuais, sobreviventes dos anos de chumbo do Estado Novo e, como tal, ainda querem inventar caminhos para se chegar à utopia. Aliás, o poeta de A rosa do povo, já em 1945, transformaria o tom pessimista do poema “José” em abertura para a esperança. Caminhos serão inventados. Embora não o citem nominalmente, os brasileiros estariam possivelmente se referindo ao poeta espanhol Antonio Machado:

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Se o desvairado Mário de Andrade foi o patrono dos jovens paulistas da revista Clima (publicada entre maio de 1941 e novembro de 1944), o esperançoso Carlos Drummond o será da revista mineira. Tempos democráticos se sucediam a tempos ditatoriais.

À semelhança do seu homônimo já acariocado, os Josés mineiros tinham saído, na pátria, da repressão e da censura impostas pelo Estado Novo e, lá fora, dos horrores causados pela Segunda Grande Guerra. O vinho reconstituinte dos jovens foi a luta contra a ditadura dentro do país e contra o nazifascismo lá fora. Apoiada por alguns e por outros, essa luta se concretiza no pós-guerra em oposição política institucional – a criação de órgãos como a ONU e a UNESCO é um bom exemplo. A pomba da paz de Picasso deixa de voar em céu de brigadeiro e anuncia a infindável guerra-fria.

Drummond é o poeta que os jovens mineiros elegem como salvo-conduto para exercer o trabalho estético e político no difícil e lento processo de redemocratização pelo qual deveria passar a nação brasileira e o planeta.

Como se a escapar para a capital de São Paulo e a tomar assento ao lado dos jovens autores brasileiros entrevistados por Mário Neme em 1945,[2] o meu futuro professor de história no Colégio Estadual, Amaro Xisto de Queiroz, escreve no número 2:

A novíssima geração, ao contrário da modernista, é muito mais política do que estética.

Não é de se estranhar que, no número da revista publicado em fevereiro do ano de 1946, o jovem Iglésias, ao caminhar do subúrbio para lecionar na cidade, converse franciscamente com as aves e frutas e, contraditoriamente, confesse em alto e bom som:

Agora não tenho dúvidas em afirmar que foi a leitura dos autores marxistas o que mais me marcou no sentido de orientação.

Aquele “agora” era, ao mesmo tempo, sinal de alívio existencial e autoafirmação tardia de um pensamento enfim liberto. O “sentido de orientação” no presente, oferecido por suas leituras, era a resposta que o talentoso licenciado em história pela UFMG dava à epígrafe da revista e à indagação do poema drummondiano.

Naquele momento histórico, o poeta de A rosa do povo é unanimidade nacional. Em uma das respostas à enquete feita por Mário Neme, reunidas posteriormente em livro com o título já citado em nota, o então jovem Antonio Candido se entusiasma:

Carlos Drummond representa essa coisa invejável que é o amadurecimento paralelo aos fatos; o amadurecimento que significa riqueza progressiva, e não redução paulatina a princípios afastados do Tempo. Por isso, Mário [Neme], eu acho que tem mais sentido a maturidade de um homem como Drummond do que o verdor quase sempre desnorteado e não raro faroleiro de todos nós.

Antes, Candido tinha afirmado ao jornalista:

Carlos Drummond é um dos homens da “outra geração”, da tal que você quer que nós julguemos. No entanto, não há moço algum que possua e realize o sentido do momento como ele.

A lua de mel de Drummond com a esquerda termina durante o 2º Congresso Brasileiro de Escritores, realizado em Belo Horizonte e iniciado no dia 12 de outubro de 1947. Nas reuniões – apoio-me no testemunho do poeta mineiro –, o “espírito sectário” venceu o “espírito democrático”. Sobre o racha ideológico e a sua opção, informa o poeta em página do diário:

Nenhum de nós queria impedir o direito de os comunistas se manterem organizados em Partido e exercendo atividade política renovadora. Mas eles pouco entendiam o nosso ponto de vista, se é que, entendendo-o, preferissem fingir o contrário.[3]

Diante do quadro geral, sumariamente esquematizado, era de se esperar que Carlos Drummond fosse a figura literária que iria absorver totalmente a preocupação do jovem historiador Francisco Iglésias, às voltas com o “sentido da História” − para retomar uma expressão cara a Caio Prado Jr. e aos seus discípulos – e com a atualidade sociopolítica nacional. Basta lembrar poemas como “Nosso tempo”, ou “Os bens e o sangue”, para dar-se conta de que as leituras progressistas de Francisco Iglésias no livro História e ideologia (1971) cairiam neles como a mosca no mel. Observe-se a síntese dos interesses do historiador, em suas próprias palavras: a História econômica, a História de Minas Gerais, com algumas incursões na História do Brasil (Iglésias, 1971).

Os possíveis ensaios perigosos de Iglésias sobre a obra de Drummond teriam dado continuidade às suas leituras e indagações teóricas de esquerda e evidentemente às preocupações mais legítimas do historiador Francisco Iglésias. Assim não acontece. Iglésias opta pela solução de continuidade. Há ruptura, abre-se um vão entre a formação intelectual e a escolha de objeto de estudo. Mind the gap, como se lê na plataforma do metrô.

No prefácio ao livro editado pela prestigiosa Perspectiva, confessa que, na escolha dos autores analisados, ele elege pensadores com quem não se identifica pessoalmente. Equivocam-se redondamente os que julgam que, ao pisar em areia movediça, Iglésias como que está a dizer que deseja ser um passadista.

Transcrevo uma frase iluminadora do prefácio: “Não se veja, no caso dos autores [analisados], busca de identificação pessoal: com dois deles, por exemplo, temos mais distância que proximidade [grifos meus] – como se dá com Fernando Pessoa, ou, sobretudo, Jackson de Figueiredo, com os quais, ideologicamente, nada temos a ver” (Iglésias, 1971: 11). Ao final da frase, o pluralis majestatis “nós” – sem recurso à retórica, a frase terminaria por “nada tenho a ver” – é bem sintomático da indispensável generalização final, a representar realisticamente o pensamento enviesado de Iglésias. Solitário na eleição do objeto, espera inserir a si e a ele no coletivo da conclusão a que chegará.

No caso de Pessoa – escreve Iglésias apontando a força da antipatia – sobressai “o misticismo e o messianismo, modos irracionais, ainda que expressos por um poeta de gênio como Fernando Pessoa”. No segundo caso, ele destaca “o pensamento reacionário, fruto da falta de sentido histórico – expresso por Jackson de Figueiredo” (Iglésias, 1971: 14).

O poeta português e o pensador católico analisados por Iglésias – ambos irracionais − optam pela defesa de ideias arcaicas e, por terem assumido temas que contrastam com o abecedário historiográfico marxista do autor, se chocam contra ele. A mente do historiador se perde, repito, em “pensamentos perigosos”, ou, se me permitem a ousadia, ele se embebeda com elixir perverso. Ou será que a sua “elegância” não derivaria, para retomar o perfil anônimo do jovem em página da revista Edifício, das profundezas diabólicas do pensamento maledicente?

Honni soit qui mal y pense.

O certo é que os dois maîtres à penser de Francisco Iglésias não são, paradoxalmente, bons conselheiros na disciplina a que se dedica.[4]

Fotografia de trecho de carta de Francisco Iglésias para Silviano Santiago, datada de 1976.
Acervo Silviano Santiago, Rio de Janeiro

Três perguntas já se impõem ao leitor atual de Iglésias: 1) De onde vem o interesse esfíngico do historiador pela face derrotada e suplantada da moeda ideológica? 2) De onde lhe chega o fascínio pela distância frontal em relação ao objeto de estudo? 3) Qual a razão para a escrita crítica do jovem de formação marxista focar o avesso do “sentido da história moderna”?

Ainda que de maneira incompleta, a primeira pergunta foi respondida pelo próprio historiador, ao acentuar a inequívoca adesão de alguns contemporâneos seus a ela. Em dado momento, observa que messianismo e irracionalismo políticos “são momentos para a compreensão do presente”. Uma alusão nossa aos evangélicos que nos rodeiam ou ao senhor Mito que nos presidiu teria sido profética? Em outra passagem, acrescenta que o pensamento reacionário de Jackson “exerceria influência em seus dias e mesmo depois” (Iglésias, 1971: 14). Se essas ideias existem nos dias de hoje e têm força de convencimento junto a adeptos não desprovidos de inteligência e radicais, elas merecem a atenção do historiador. O gosto pela sua atualidade, pelo seu presente e até pelo nosso futuro − que ecoa em nota pessimista o Drummond do poema “Mãos dadas” − [5] é a coordenada comum na resposta dada pelo historiador.

No entanto, o movimento do seu pensamento político se revela pela derrota justa, pela distância necessária e pelo avanço do avesso. Por isso, suas palavras não tematizam a simpatia entre o sujeito e o objeto de estudo. Colocam-na em xeque. Tematizam a antipatia do historiador pelo objeto de estudo escolhido.

Fique claro: o alvo de parte da escrita ensaística de Iglésias é a distância a ser tomada do objeto de estudo, ou seja, o historiador busca se colocar dentro do objeto de estudo e dele guardar distância para melhor observar uma ambiguidade fértil-e-nociva.[6] Dela guardemos todos distância (daí o plural de majestade ao final da frase acima transcrita), pois, apesar de inequívoca vitalidade ideológica do conservadorismo, a ele se deve opor a autêntica e legítima curiosidade intelectual moderna.

Iglésias tematiza a memória do arcaico e, no seu confronto com o presente, a diferença, que se torna mais e mais empoderada se der conta de uma boa análise do objeto de estudo, algo que é fértil-e-nocivo. Por sua capacidade de afirmar o passado-em-diferença, o trabalho analítico do historiador é excepcional.

A memória do arcaico traz à tona do presente e do futuro (1) o sumo do embaraço subjetivo e do estorvo de todos que experimentamos na análise de questão reacionária e (2) a força indispensável para instaurar os empenhos revolucionários, subjetivos e coletivos, responsáveis pela expansão da racionalidade histórica como superior. A análise do presente, em vias de transformação com vistas ao futuro, não prescinde do conhecimento e estudo da face derrotada da moeda política. Não a descarta sumária e soberanamente. Em suma, não há razão para se prescindir da análise do avesso da política progressista.

Tese incômoda, sem dúvida, para os simpáticos jovens entusiasmados de plantão e, mais incômoda ainda, para os sabidos e festivos esquerdistas que serão legião no pós-64, como tão bem retratou Antônio Callado no romance Bar Don Juan. O recurso à violência física ou ao descarte sumário não é democrático, embora seja de praxe ainda que muitas vezes só se encontre presente na retórica triunfalista dos vencedores, no fundo meros exercícios narcisistas.

Em antiga conversa minha com o colega de geração de Iglésias e nosso bom amigo Jacques do Prado Brandão, aqui também homenageado ao lado de Sábato Magaldi, sou informado que, no mesmo ano em que o licenciado em História se insere no grupo Edifício, também se aproxima do universo acadêmico paulista e lá consegue receber uma bolsa de estudos da USP. Por um golpe do acaso, o universitário nascido em cidade abrangida pelo “polígono das secas”, Pirapora, transfere-se da capital mineira para São Paulo às vésperas do quarto centenário e passa a trabalhar, concomitantemente, na prestigiosa Livraria Jaraguá, então de propriedade de Alfredo Mesquita, fundador da Escola de Arte Dramática (EAD). Em texto memorialista, Alfredo lembra os áureos tempos da livraria. Escreve:

Durante a longa viagem aos Estados Unidos e à Europa, substituiu-me na direção [da Livraria] o amigo Francisco Iglésias, mineiro, bolsista da USP, posteriormente professor da Universidade de Minas, considerado por um dos seus Reitores como a maior cabeça daquela instituição (Mesquita, 1979: 43).

 Além de Alfredo Mesquita, os melhores amigos paulistas de Iglésias são, ainda segundo Jacques, o Antonio Candido (literatura), o Lourival Gomes Machado (artes plásticas) e o Paulo Emílio Sales Gomes (cinema).

Trata-se de matéria ainda nebulosa. No entanto, depreendemos das poucas informações que os paulistas seus amigos são escritores, críticos e jovens professores, que colaboraram na revista Clima.[7] Se a nossa hipótese for verdadeira, teremos de dar conta, na formação intelectual de Iglésias, de outras relações perigosas, para retomar uma vez mais o adjetivo do seu agrado – a amizade que passa a manter com os jovens universitários e intelectuais paulistas e a comunhão com o ideário político prevalente nas ciências sociais da USP.

Retomemos Antonio Candido, doublé de sociólogo e crítico literário. Já fora de nossa ajuda na compreensão do peso e valor da poesia de Drummond nos dois anos que se seguiram à derrocada da ditadura Vargas. Candido nos fornece valiosa pista para mostrar como um quartel de século depois da formatura e da experiência Edifício, Iglésias se apega − nos ensaios da coletânea História e ideologia dedicados a Fernando Pessoa e a Jackson de Figueiredo − às suas origens literárias mineiras pelo viés paulista.[8] Volto a citar Antonio Candido, em resposta ao jornalista Mario Neme:

Aliás, se você [Mário Neme] me perguntar qual “o” dever específico de nossa geração, eu não saberei responder. Mas se me perguntar qual poderia ser, no meu modo de sentir, um rumo a seguir pela mocidade intelectual no terreno das ideias, eu lhe responderei, sem hesitar, que a nossa tarefa máxima deveria ser o combate a todas as formas do pensamento reacionário. Nos domínios da inteligência, Mário Neme, a Reação assume os aspectos mais díspares e mais cavilosos. Se insinua por todo canto. E, num trabalho monumental de obstrução − tanto mais monumental quanto exercido inconscientemente por muitos intelectuais, − breca em todas as curvas a expansão do progresso humano e da inteligência livre (PNG, 1945: 37, destaques meus).

Em seguida, Candido declina os três caminhos do pensamento que, no Brasil, são altamente tendenciosos: “as filosofias idealistas, a sociologia cultural e a literatura personalista”. Sobre a segunda, a sociologia cultural, personificada pelas últimas obras de Gilberto Freyre, dirá uma das suas frases de maior efeito político junto aos discípulos: “aí está um caso em que o método cultural carrega água para o monjolo da Reação” (PNG, 1945: 39).

Para finalizar essas observações de caráter geral, e já que pretendemos apreender as relações do historiador com a literatura, isolemos o já mencionado caso Fernando Pessoa (1888-1935), tal como abordado por Iglésias. Pretendo explicitar como, no ensaio pioneiro que foca o programa – ou o manifesto − político do genial poeta luso, o historiador mineiro desenvolve uma metodologia original de leitura de obra literária moderna.

A abordagem do texto literário de altíssima qualidade ganha originalidade no fato de Iglésias inverter a ordem dos procedimentos tradicionalmente estabelecidos pelos cientistas sociais. O texto propriamente literário − para nos restringir aos limites desta palestra − é sempre lido por eles a partir do contexto social, político e econômico que o informa e muitas vezes é ele, o único contexto legítimo, que acaba por formatar a compreensão global do texto literário.

O livro de poemas Mensagem, de Pessoa, seria um bom exemplo. É difícil encontrar um cientista social que, diante do levantamento e análise de um contexto retrógrado ou reacionário que, em obra literária, pode alicerçar ideologicamente o drama poético, julgue a ela digna de grande interesse para os contemporâneos e os pósteros. É dura e contundente – e muitas vezes definitiva − a avaliação que fazem do autor e da obra. O adjetivo que apõem a um e à outra é o de reacionários. Romancistas e poetas de pensamento reacionário são dignos do desprezo da história e de todos os estudantes de ciências sociais – e talvez até do cidadão progressista.

Iglésias se vale do genial Fernando Pessoa para inverter os procedimentos tradicionais. Contextualiza a leitura da história pelo texto literário de alta qualidade para salvar a ela, a literatura, de intromissão estranha, duvidosa e por que não absurda? Em lugar de nos levar a concluir que Fernando Pessoa é apenas mais um moderno escritor reacionário, à semelhança do que foi dito e escrito, por exemplo, sobre o poeta norte-americano Ezra Pound, às voltas com o fascismo de Mussolini, ou sobre o romancista francês Louis-Ferdinand Céline, reconhecido antissemita, Iglésias afirma que Pessoa é “o maior poeta da língua portuguesa”. (Não menciono o caso do filósofo Martin Heidegger e o nazismo em virtude de não haver lugar aqui para cobrir a vastíssima e complexa bibliografia sobre o papel político do pensador germânico).

Ao inverter os procedimentos tradicionais dos cientistas sociais, Iglésias pode ser impiedoso, e o é, na análise do reacionarismo de Fernando Pessoa sem, no entanto, arranhar ainda que de leve a alta qualidade da sua poesia. As últimas linhas do ensaio esclarecerão de vez a posição do historiador:

Fernando Pessoa foi poeta e por sua obra deve ser julgado. Tudo o mais é acidental e de importância secundária, comparado à poesia que deixou (Iglésias, 1971: 298).

A fim de operar a inversão na metodologia tradicional, Iglésias assume, num primeiro momento, reservas sobre, ou condicionantes da personalidade intelectual do poeta, que devem ser interpretados com certo cuidado. A reserva aparece sob a forma de exclusão disciplinar. Diz ele que não vai nem irá abordar a poesia propriamente dita de Fernando Pessoa; abordará e analisará, antes, o seu pensamento político, ou melhor − corrige-se ele − irá tratar dos “estudos e anotações de natureza política que [Pessoa] deixou ou [das] atitudes políticas que assumiu” (Iglésias, 1971: 236).[9] A condicionante é consequência da reserva e aparece sob a forma de fronteira ou limite disciplinar. Diz ele que, diante da complexa e multifacetada obra de Fernando Pessoa, não trabalhará como crítico literário, mas como “estudioso da história das ideias”. Seu objeto não é o texto poético de Pessoa, a ser analisado pelo crítico e historiador literário, está implícito. Complementa ele: faço história das ideias.

As reservas da “exclusão disciplinar” e as condicionantes de “limite disciplinar”, se são em parte verdadeiras e em parte falsas, montam, no entanto, uma sofisticada estratégia de leitura do texto literário genial pelo historiador. Tanto as duas restrições não são totalmente verdadeiras que o historiador começa a análise do seu objeto pela famosa heteronímia[10] do grande poeta, cuja origem, como sabemos pela leitura da carta que o poeta endereça a Adolfo Casais Monteiro, é de fundo histero-neurastênico.

Com tranquilidade, Iglésias afirma que iniciará o seu estudo sobre o pensamento político de Pessoa abordando a questão da heteronímia de maneira paradoxal, ou seja, pelo modo como o poeta encontrou a sua unidade na simultaneidade múltipla dos nomes próprios. É, pois, pelo viés inusitado e peculiar da personalidade autoral variada dos poemas que o historiador começa a “explicar as ideias e posições políticas” do pensador português. Em página posterior consignará de maneira definitiva o modo como encara a identidade do poeta:

Em vez de significar limitação – a falta do encontro da Unidade −, traduz riqueza – a multiplicidade coerente e autêntica. Na divisão é que [Fernando Pessoa] se encontrou e se afirmou (Iglésias, 1971: 242-3).

Antes de pôr as ideias políticas reacionárias de Pessoa contra a parede, Iglésias se vale da melhor bibliografia então à disposição do historiador para analisar a questão da simultaneidade múltipla, ou seja, da divisão na unidade, resultado da opção por assinar o seu nome próprio com heterônimos. Dessa forma, o estranho no ninho da poesia pôde estabelecer com todo rigor e clareza o princípio da contradição entre discursos dogmáticos como traço fundamental para explicitar o contraste irremediável que existe entre os valores estéticos do discurso poético e os valores ideológicos do discurso político.

O político e o poético são duas entidades discursivas plenas e radicais, que não se casam na obra de Fernando Pessoa, e, pela inflexão de cada uma delas, guardam autonomia ao mesmo tempo em que se autoafirmam, em diferença e simultaneamente, pela contradição.

Fascinante é que a inflexão dogmática tanto no poema como na reflexão social se desdobra metaforicamente em Fernando Pessoa pelo elogio da matemática − e não da filosofia do belo, oriunda da metafísica ocidental − como lógica superior e transitável por cima de todas as diferenças discursivas e disciplinares. Segundo Iglésias (1971: 270), “um poeta que saiba o que são as coordenadas de Gauss[11] tem mais probabilidade de escrever um bom soneto de amor do que um poeta que o não saiba”. A avaliação das ditas entidades discursivas pelo historiador virá posteriormente. Aproveitando-se da famosa dicotomia estabelecida por Oscar Wilde, Iglésias concluirá que o gênio de Pessoa está na obra poética. E o talento, no desenvolvimento das ideias sociais.

A seu favor, cita trecho de carta que o poeta escreveu ao escritor Miguel Torga: “Nunca sou dogmático, porque o não pode ser quem de dia para dia muda de opinião […]”, para em seguida o historiador comentar: isso não impede que “o tom dogmático seja o que mais frequentemente [Pessoa] usa, na prosa e até na poesia” (Iglésias, 1971: 238). Por sua vez, a diferença entre discursos dogmáticos, indício da contradição, tornará pouco eficientes, ou inúteis, outras formas menores de discursos praticadas pelo poeta, como, por exemplo, o discurso jornalístico. Pessoa, escreve Iglésias ao abrir nova dicotomia, “não se definia, ou era contraditório e paradoxal, impróprio para o jornalismo, para o doutrinário ou proselitista” (Iglésias, 1971: 250, grifos meus). O discurso jornalístico, acrescentamos, torna-se panfletário, e o doutrinário, partidário. São discursos perfeitamente descartáveis ao baixar a noite e na manhã seguinte, ao receber o jornal do dia.

De posse desses dados conflituosos e com a ajuda de confissões do poeta e de leituras próprias, Iglésias desce ao profundo da crise existencial do autor moderno, cujas raízes se encontram em Shakespeare e ganham viço em poetas como Antero de Quental, cujo “mal era a histeria”, ou em prosadores como o suíço Amiel (1821-1881), estrela naquela época, hoje pouco conhecido. Amiel consignou em diário as tramas que “a impotência da vontade” maquina. A Amiel Pessoa dedicará significativo poema, onde se lê:

Inúteis dias que consumo lento
No esforço de pensar na ação.

Interessava-lhes o político, mas não a vida partidária.

Importante notar que, se no plano literário a “ansiedade de influência”, para citar a fórmula de Harold Bloom, é enorme, de modo que autores e mais autores são citados, no plano dos escritos econômicos, constata Iglésias (1971: 266), “não há citações ou apelos à autoridade de quem quer que seja”. “Meus autores, minhas autoridades”, afirmou Norman O. Brown em Eros e Thanatos. Essa máxima é válida para o artista, embora não o seja para o político. Sem autores citados, isto é, sem autor/idades, o discurso ideológico de Fernando Pessoa é, na verdade, autofágico. Retroalimenta-se de si próprio. O mesmo não acontece com o discurso poético, que se apoia em erudição monumental e monstruosa do legado lírico e épico ocidental.

Antes de ser, portanto, matéria de importância, antes de ser explicitação do contexto para a leitura dos textos poéticos de Fernando Pessoa, o levantamento político-ideológico feito por Francisco Iglésias extrapola (e não complementa ou suplementa) a área propriamente literária. A extrapolação se torna sedutora por abrir as comportas da análise e da interpretação das belles lettres para a visualização inédita de finalidade mais meritória. A análise do contexto econômico, político e social da poesia de Fernando Pessoa conduz a ele, historiador, e a nós, leitores, apenas ao melhor conhecimento da cultura adjetivada por portuguesa, em que Fernando Pessoa e a sua obra poética se inserem.

Fecha-se o círculo analítico e hermenêutico sem que se ofenda o brilho literário de Pessoa, embora grande parte da sua produção discursiva tenha sido posta à mostra, explicada e desmontada pelo historiador das ideias.[12] O poeta Fernando Pessoa e os seus heterônimos nada mais são do que um exemplo a mais na longa e triste história da decadência econômica, política e social da nação lusitana na História moderna do ocidente.[13] Escreve Iglésias:

A nação [portuguesa], que teve a sua plenitude no século XV, quando foi pioneira no mundo, mostrando os mais largos caminhos, não se preparou para aproveitar o que conquistara, não se adequou à nova realidade, mantendo-se presa a velhos padrões; regrediu mesmo, como assinalam os seus melhores intérpretes (Iglésias, 1971: 292).

E continua:

Portugal e Espanha é que mais contribuíram para construir a riqueza do período conhecido por Mercantilismo, mas não tiraram da situação criada o devido proveito, que foi para outros – notadamente a Inglaterra e os Países Baixos. É esse um dos momentos e fatos mais importantes da História Moderna (Iglésias, 1971: 292).

Diante de tal realidade, é compreensível “o saudosismo [do poeta], como é explicável até que se apresentem doutrinas salvadoras fundadas em mitos, que têm acolhida pelo povo e são elaboradas por intelectuais” (Iglésias, 1971: 293, grifos meus). O reacionarismo do intelectual, transparente nas formas como elabora doutrinas salvadoras para a nação lusa, antes de ser motivo para a explicação e avaliação da sua obra poética é razão para o historiador investigar e denunciar o contexto retrógrado que paradoxalmente tornou possível a vida e a obra extraordinárias. Historiador brasileiro e pensadores portugueses se entregariam a mesma tarefa intelectual no plano ideológico: a de “desmistificar – e desmitificar – seu presente e sua História, dando-lhe acento de racionalidade, mas o êxito [da tarefa] ainda não foi obtido”.

Daí o retorno por Iglésias à questão do pensamento reacionário em 1971, questão que ainda nos incomoda no terceiro governo do presidente Lula, brecando a expansão do progresso humano e da inteligência livre, para retomar as palavras de Antonio Candido, proferidas em 1945.

Iglésias nos diz que o discurso poético e o das ciências sociais coexistem como discursos dogmáticos em Fernando Pessoa, mas não se situam no mesmo plano progressista. São autônomos e vivem separados por vão entre o passado e o futuro. A obra poética não é a causa do reacionarismo; é antes a consequência acidental dos condicionamentos econômicos e sócio-políticos. Iglésias reconhece, como assinalamos, o valor do primeiro discurso pela alta voltagem lírico-sentimental que o poeta conseguiu imprimir aos versos. Quanto às ideias de Fernando Pessoa sobre as ciências sociais, elas

[…] pouco ou nada representam. Se não chegam a existir para a ciência social, também não contam para Fernando Pessoa enquanto autor – a não ser no aspecto de esclarecimento de sua posição ante problemas sociais. Não lhe enriquecem a obra criadora, mas, para os que amam a sua poesia e se interessam por sua personalidade, a leitura é feita com paixão (Iglésias, 1971: 272).

Fascínio pela distância do objeto de estudo, interesse pela face vencida da moeda ideológica e razão para escrever criticamente o avesso do sentido da História encontram o seu fundamento na paixão do historiador da economia mineira pela extraordinária obra poética de Fernando Pessoa.

Por que um poeta tão genial quanto Fernando Pessoa pode ter sido tão reacionário nos seus escritos políticos? Eis o enigma que só um historiador apaixonado pela literatura pode começar a deslindar.

Fotografia de trecho de carta de Francisco Iglésias para Silviano Santiago, datada de 1976.
Acervo Silviano Santiago, Rio de Janeiro


Notas

[1] Tive a oportunidade de conhecer Heitor pessoalmente no Rio de Janeiro, ele já amigo do casal Elba e José Sette-Câmara. Pude também apreciar ao menos três portraits pintados por ele, os da Vanessa, do Autran e do Jacques. Não sei se seria possível reuni-los algum dia numa exposição, acompanhados das belas paisagens que pintava. Valeria a pena.

[2] As entrevistas foram publicadas no livro Plataforma da nova geração. A partir de agora PNG. Para uma leitura daquele momento histórico, no campo das artes, leia-se de Mário Neme: “Sobre plataformas e testamentos” (1991).  

[3] Continua Drummond: “A ideia de uma associação de escritores livres, sem direção sectária, parece inconcebível para eles [comunistas], que, em vez de convivência pacífica, preferem assumir o domínio pleno da agremiação” (Andrade, 1985: 78).

[4] Em entrevista concedida à revista Ciência hoje, em junho de 1991, Iglésias enumera as obras literárias que mais aprecia na idade madura: “Ciência Hoje – E literatura, o senhor costuma ler? Francisco Iglésias – Gosto muito de ler os romances clássicos e também livros sobre literatura. Estou sempre lendo sobre Proust, Stendhal, Balzac, Dante, Tolstói… Guerra e Paz é, na minha opinião, não só um dos mais belos livros de literatura, como também o mais belo livro de história que conheço, a maior reflexão que já se fez sobre a história. Hoje, se sei o que é história, é porque, entre outras coisas, li esse romance”. A entrevista foi reproduzida no volume Cientistas do Brasil, depoimentos, editado pela SBPC em 1998.

[5] Os versos do poema reafirmam a obsessão pela atualidade: “O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,/ a vida presente”. Desclassificando o passado e o futuro: “Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro”. O poema se encontra no livro Sentimento do mundo (1940).

[6] Na entrevista acima citada, Iglésias amplia a meta do ensaísmo com a atuação propriamente docente: “Quando dava aula, eu avisava aos alunos que citaria autores que eles detestavam, mas que, apesar de serem indivíduos reacionários, às vezes faziam observações lúcidas e corretas. É o caso, por exemplo, do Roberto Campos e do Gustavo Corção. O Corção tem um romance belíssimo, pungente: Lições de abismo. Ele era reacionário, mas isso não quer dizer que seu livro não tenha valor. Um sujeito reacionário pode escrever algo importante, assim como um progressista pode produzir uma enorme tolice”.

[7] Para o melhor conhecimento da geração, consultem-se: Antonio Candido (1980) e Heloisa Pontes (1998). Em uma primeira versão do seu depoimento, posteriormente corrigida, informa Candido: “Éramos ligados também com rapazes de Belo Horizonte [que depois constituíram o grupo da revista Edifício], tendo Fernando Sabino sido nosso colaborador”. Entre uma versão e a outra do depoimento de Candido, percebe-se o dedo zeloso de algum mineiro, talvez o Iglésias ou o Sábato Magaldi.

[8] Para o estudo da pista que Candido nos fornece, deve-se consultar o capítulo III de Ideologia da cultura brasileira (1977), de Carlos Guilherme Mota, em particular a seção “Antonio Candido e o combate às formas de pensamento reacionário”.

[9] Em datas posteriores ao trabalho de Iglésias, foram publicadas duas coletâneas com os artigos políticos de Fernando Pessoa. Uma em três volumes, sob a responsabilidade de Joel Serrão (1979-1980), e a outra, em dois volumes, sob a responsabilidade de Antônio Quadros (1986). Para informações sobre estas e para uma leitura menos “literária” e menos contundente da problemática ideológica pessoana, consultar: Antônio Costa Pinto (1996).

[10] Conferir: http://arquivopessoa.net/textos/3007. Cito o mais óbvio na carta: “Passo agora a responder à sua pergunta sobre a génese dos meus heterónimos. Vou ver se consigo responder-lhe completamente. // Começo pela parte psiquiátrica. A origem dos meus heterónimos é o fundo traço de histeria que existe em mim. Não sei se sou simplesmente histérico, se sou, mais propriamente, um histero-neurasténico. Tendo para esta segunda hipótese, porque há em mim fenómenos de abulia que a histeria, propriamente dita, não enquadra no registo dos seus sintomas. Seja como for, a origem mental dos meus heterónimos está na minha tendência orgânica e constante para a despersonalização e para a simulação”.

[11] Mais fascinante ainda é que a filósofa Hannah Arendt se valerá das coordenadas de Gauss para explicitar a noção temporal de “gap” (vão) em Entre o passado e o futuro.

[12] Ver, a propósito, a leitura que faz do livro Mensagem (Iglésias, 1971: 287-291).

[13] Pessoa ganharia se analisado, em literatura comparada, ao lado dos poetas espanhóis pertencentes à “generación del 98”.

Referências

ANDRADE, Carlos Drummond de. (1985). O observador no escritório. Rio de Janeiro: Record.

CANDIDO, Antonio. (1980). Clima. In: Teresina. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

IGLÉSIAS, Francisco. (1971). História e ideologia. São Paulo: Editora Perspectiva.

MESQUITA, Alfredo, (1979). No tempo da Jaraguá. In: Esboço de figura, homenagem a Antonio Candido. São Paulo: Duas cidades.

NEME, Mário (org.). (1945). Plataforma da nova geração. Porto Alegre: Globo.

NEME, Mário. (1991). Sobre plataformas e testamentos. In: ANDRADE, Oswald de. Ponta de lança. São Paulo: Globo, pp. 7-22.

PINTO, Antônio Costa. (1996). Modernity versus Democracy? The mystical nationalism of Fernando Pessoa. In: STERNHELL, Zeev (ed.). The intellectual revolt against liberal democracy 1870-1945. Jerusalém: The Israel Academy of Sciences and Humanities, pp. 343-355.

PONTES, Heloisa. (1998). Destinos mistos: os críticos do grupo Clima em São Paulo (1940 – 1968). São Paulo: Companhia das Letras.

A fotografia que abre o post foi retirada do Jornal O Tempo

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