Centenário de Octavio Ianni | Imperialismo e dependência: a sociologia histórica de Octavio Ianni, por Karim Helayel

Dando continuidade à série Centenário Octavio Ianni: o que pode a sociologia?, publicamos ensaio de Karim Helayel (UFRJ) que destaca a reflexão de Ianni sobre dependência e imperialismo como uma das contribuições mais originais da sociologia latino-americana.

Como pensar o capitalismo a partir das sociedades periféricas? O autor mostra que, ao articular imperialismo, dependência, cultura e Estado, Ianni elaborou uma sociologia histórica capaz de compreender tanto a especificidade do capitalismo dependente quanto a permanência de suas contradições no presente.

Até o centenário de Octavio Ianni, a ser celebrado dia 13 de outubro, a BVPS publicará, sempre às quartas-feiras, novos textos dedicados à análise de sua obra. Para saber mais sobre essa iniciativa, clique aqui. Outros textos podem ser conferidos aqui.

Boa leitura!


Imperialismo e dependência: a sociologia histórica de Octavio Ianni

Por Karim Helayel (UFRJ)

I

Não constituiria exagero algum afirmar que Octavio Ianni (1926-2004) construiu uma das interpretações mais contundentes e argutas sobre a relação entre imperialismo e dependência na América Latina. Em livros como Imperialismo y cultura de la violencia en América Latina (1970), Imperialismo na América Latina (1974) e Imperialismo e cultura (1976), Ianni articula “imperialismo” e “dependência” como categorias analíticas fundamentais para a análise do capitalismo periférico. Nesse sentido, entendo que seja possível inscrevê-lo em um contexto intelectual mais amplo, referido ao debate sobre a dependência, que pode ser qualificado como o momento de constituição de uma sociologia histórico-comparada latino-americana (cf. Helayel, 2024). Tal sociologia histórico-comparada periférica mobiliza o repertório teórico-metodológico marxista no intuito de construir diagnósticos consistentes sobre as particularidades do capitalismo na América Latina, o que se afigura marcante, de modos distintos, nos trabalhos de Fernando Henrique Cardoso, Theotonio dos Santos, Ruy Mauro Marini e Vânia Bambirra (Helayel, 2024).

A produção intelectual sobre a dependência teve lugar no mesmo momento em que, nos anos 1960 e 1970, a sociologia histórico-comparada ganhava forma nos Estados Unidos, através dos trabalhos de Reinhard Bendix, Barrington Moore Jr., Charles Tilly e Theda Skocpol. Assim, o argumento que procurarei avançar se refere à ideia de que Ianni parece ter contribuído fortemente para a sociologia histórico-comparada latino-americana, que tem como ponto de chegada o debate da dependência nos anos 1960-1970. Ianni (1970, 1974, 1976) se vale criativamente de formulações clássicas do repertório marxista, como é o caso da própria categoria “imperialismo”, sem deixar de lado a historicidade dos processos sociais, posto que atento à sinuosidade e às especificidades da matéria social latino-americana.

Ainda que a interpretação de Ianni sobre a relação entre “imperialismo” e “dependência” tenha logrado desdobramentos analíticos consistentes, suas formulações talvez tenham sido eclipsadas pelas controvérsias que marcaram os anos 1970, opondo Fernando Henrique Cardoso – seu colega da Cadeira de Sociologia I da Universidade de São Paulo (USP), que, assim como Ianni, foi orientando e assistente de Florestan Fernandes (Bastos, 2002) – e a intelligentsia do Centro de Estudos Socioeconômicos (CESO) da Faculdade de Economia da Universidade do Chile, mais especificamente, Ruy Mauro Marini. Boa parte da fortuna crítica do debate da dependência parece ter-se circunscrito às tentativas de enquadrar os partícipes das divergências em vertentes teóricas entendidas como opostas. Cardoso seria entendido como representante de uma vertente “reformista” ou “weberiana”, e a intelectualidade do CESO como porta-voz da chamada “teoria marxista da dependência” (Kay, 2011; Martins, 2011). Assim, a meu ver, não seria à toa que a perspectiva de Ianni se veria obnubilada em meio à recorrente polarização entre as propostas de análise de Cardoso e do CESO.

Além disso, não custa lembrar que o debate latino-americano sobre a dependência foi negligenciado nos extensos mapeamentos realizados sobre a subárea qualificada como “sociologia histórica” (Delanty & Isin, 2003; Skocpol, 1984; Smith, 1991), ou tratado de forma lateral, sem maiores esforços de sistematização (Adams; Clemens & Orloff, 2005). Recuperar a perspectiva de Ianni, a respeito da relação entre “imperialismo” e “dependência”, pode permitir o adensamento da proposta de uma história alternativa sobre a formação da sociologia histórica, de modo a aquilatar sua contribuição para a subárea.

A relação entre generalização e singularidade constitui uma espécie de marca da sociologia histórica (Reis, 1998), a qual não parece ter passado despercebida a Ianni. Em Imperialismo na América Latina (1974), ressalta, de um lado, a contradição básica entre proletariado e burguesia, haja vista que as sociedades capitalistas se encontrariam estruturadas para produzir e mobilizar o excedente econômico decorrente da apropriação privada da mais-valia extraída dos proletariados urbano e rural. De outro, mostra que a forma pela qual o capitalismo se realiza na periferia teria como particularidade a dependência, posto que as relações com os Estados Unidos seriam organizadas de acordo com os processos econômicos e políticos vigentes no centro do capitalismo global. Os países da América Latina se expressariam através de um “capitalismo dependente”, o que corresponderia à sua especificidade. Ianni (1974: 153) afirma que a “dependência estrutural define o caráter concreto dos seus problemas [refere-se às sociedades latino-americanas], enquanto possibilidades e limitações político-econômicas”. O que poderia se manifestar como “interdependência” e “complementaridade” seria transformado efetivamente em “relações de dependência”, uma vez que a história dos países latino-americanos teria sido constituída sob as injunções imperialistas, subordinando-se a centros externos de decisão. Portanto, para Ianni, o “capitalismo dependente” não poderia ser visto como solução para os dilemas enfrentados pelas sociedades latino-americanas e, especialmente, pela classe trabalhadora.

II

Octavio Ianni foi orientando e assistente de Florestan Fernandes na Cadeira de Sociologia I da USP, defendendo a tese de doutorado que viria a ser publicada em 1962, com o título As metamorfoses do escravo (Bastos, 2009). Ianni integrou ainda o famoso seminário uspiano d’O capital, do qual participaram José Arthur Giannotti, Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso, Fernando Novais, Francisco Weffort, Roberto Schwarz e Michael Löwy (Rodrigues, 2011). Tendo em vista que a relação entre teoria e história desempenha papel fundamental nos trabalhos dos integrantes da Cadeira de Sociologia I da USP (Botelho, 2013; Helayel, 2024), Ianni não passa ileso à discussão. Além disso, incorpora um pressuposto metodológico básico, ao procurar analisar, como discute em Imperialismo na América Latina, o imperialismo através da perspectiva dos países dependentes. De acordo com sua ex-orientanda, Elide Rugai Bastos, o percurso analítico delineado por Florestan Fernandes e seus assistentes possuiria como referências complementares a história e a totalidade, procurando “dar conta das peculiaridades da formação social brasileira como uma forma particular de realização do sistema capitalista, ante as experiências clássicas do capitalismo originário” (Bastos, 2002: 187). A autora sistematiza aquele que seria o movimento teórico-metodológico que ancoraria o objeto de investigação do grupo de Florestan Fernandes: “a partir da periferia percebe-se melhor o movimento da sociedade, possibilitando a verificação dos princípios que a estruturam” (Bastos, 2002: 189).

Seguindo o raciocínio de Bastos, o aprendizado sociológico daquele que seria seu orientador tem lugar em um contexto intelectual no qual a periferia opera como uma espécie de método e ponto de vista, ao permitir apreender as particularidades e contradições do capitalismo periférico. Assim, Ianni se distancia do modo pelo qual Lênin opera sua clássica análise do imperialismo, pois, ainda que fosse com o intuito de desmascarar a metrópole, o revolucionário russo teria tomado a perspectiva metropolitana como ponto de vista, o que carrearia limites significativos à análise. Para Ianni (1974: 123), “a análise do imperialismo, a partir da perspectiva oferecida pelos países dependentes, pode esclarecer tanto a alienação que se manifesta nestes como a alienação que se manifesta ao nível da metrópole”.

Em Imperialismo na América Latina (1974), o autor se debruça sobre as relações entre os Estados Unidos e os países da América Latina, examinando suas sociedades e as alterações do poder político na região. A “dependência estrutural” teria lugar quando as estruturas econômicas e políticas de um país se encontrassem determinadas por relações imperialistas, que lograriam influência sobre as instituições econômicas, políticas, militares, educacionais e religiosas. Para Ianni, “imperialismo” e “dependência estrutural” seriam categorias analíticas que se constituiriam reciprocamente como expressões incontornáveis do processo de reprodução ampliada do capital. A noção de “dependência estrutural” se refere, qualifica Ianni (1974: 172), à interiorização das relações imperialistas por parte das sociedades subordinadas.

Diferentemente da proposta de Cardoso e Faletto (2004) em Dependência e desenvolvimento na América Latina, Ianni confere centralidade à categoria “imperialismo” em suas análises sobre o capitalismo dependente, a qual emerge abertamente nos títulos de seus trabalhos. Se, de um lado, Cardoso (1977) não nega a importância do conceito em “Imperialismo e dependência na América Latina”, texto recolhido no livro O modelo político brasileiro, publicado originalmente em 1972, por outro, não confere precedência alguma à sua mobilização em seus principais trabalhos sobre dependência (Cardoso, 1978; Cardoso & Faletto, 2004). Inclusive, em prefácio à edição de Dependência e desenvolvimento na América Latina, publicada pela Editora Civilização Brasileira, em 2004, Cardoso critica abertamente interpretações – sem nomear seus interlocutores – que tratariam, a seu ver, a categoria “dependência” como sinônimo do conceito de “imperialismo” (Cardoso, 2004: 9).

Ianni entende que as políticas externas dos países latino-americanos se encontrariam, a despeito de suas variações, diretamente condicionadas pelas relações econômicas, políticas e militares estabelecidas com os Estados Unidos, especialmente no período referente à Guerra Fria. Concebe uma perspectiva não disjuntiva entre as particularidades de cada país e as relações externas estabelecidas, não apenas em relação aos Estados Unidos, mas entre os próprios países latino-americanos. As relações entre os países da América Latina e os Estados Unidos variariam significativamente, assumindo formas distintas: “capitalismo dependente”, no qual haveria aceitação significativa em relação às relações de “interdependência e complementaridade”, estruturadas conforme as exigências do imperialismo, o que aprofundaria a “dependência estrutural”; “capitalismo nacional ou autônomo”, que implicaria em tensões e conflitos com os interesses dos governantes estadunidenses; “socialismo reformista”, cuja orientação teria em vista a ruptura completa com a dependência engendrada pela dominação imperialista, o que se daria nos marcos da democracia representativa, a despeito de as reformas não ocorrerem de modo célere e homogêneo; e, por fim, o “socialismo revolucionário” diria respeito à rápida, profunda e integral ruptura com as relações de dependência forjadas pelo imperialismo.

Em Imperialismo na América Latina, Ianni (1974) ressalta, ainda, que a conceituação de “dependência”, enquanto categoria analítica, não substituiria a noção de imperialismo, chamando a atenção para a ideia de que uma se desdobraria na outra, cuja integração ocorreria teórica e empiricamente. Contudo, a categoria “imperialismo” não se confinaria à análise das relações entre países, uma vez que Ianni evidencia seus desdobramentos nas contradições raciais e de classe nos Estados Unidos, o que permitiria analisar o que entende como “colonialismo interno”. Os problemas políticos, econômicos e culturais enfrentados pelo proletariado urbano-industrial, pelo campesinato, pelos negros e pelos porto-riquenhos, pelos estudantes e pelos intelectuais nos Estados Unidos revelariam o sentido assumido pelos processos políticos e econômicos definidores do imperialismo (Ianni, 1974).

Passando à análise da internalização do imperialismo nos países dependentes, Ianni lança mão do conceito de “dependência estrutural”. Se, de um lado, como discute, a “dependência estrutural” emerge por meio das relações econômicas externas, por outro, ela poderia se consolidar apenas ao adquirir configuração política, pois seria através do poder político que se definiriam as condições que garantiriam efetividade às forças produtivas. A “dependência estrutural” revelaria, de acordo com o autor, o modo pelo qual teria lugar a inserção e difusão do imperialismo no interior da sociedade dependente; em outras palavras, diz respeito à forma pela qual ocorreria a interiorização das relações imperialistas nos países dependentes, tornando possível analisar suas diversas manifestações em relação às instituições e relações políticas, econômicas, militares, científicas e educacionais. Nesse sentido, em diálogo com Marx, a ideologia desempenha papel fundamental para a ocorrência de tal interiorização do domínio imperialista no país dependente, ao operar de modo a constituir uma “consciência de subordinação”.

Assim, a dominação imperialista, para lograr efetividade, não poderia prescindir da dimensão da cultura. Não à toa, em Imperialismo e cultura, Ianni ressalta que as relações de produção imperialistas dependeriam fortemente da cultura para sua reprodução, entendendo-a nos termos de uma “cultura capitalista”, que corresponderia à ideologia da totalidade do modo de produção (Ianni, 1976: 26). As dimensões material e cultural se encontrariam imbricadas no processo de reprodução do capital, de modo a garantir a apropriação do excedente econômico extraído da força de trabalho dos países dependentes. De um lado, a ideologia que orienta a burguesia imperialista tenderia a forjar uma síntese de ideias, concepções e crenças que caracterizariam a “cultura do imperialismo”; de outro, a ideologia da burguesia dependente sintetizaria aquele repertório na forma de uma “cultura da dependência”, uma vez que esta seria marcadamente determinada por aquela (Ianni, 1976: 14). Subvencionada pelos Estados Unidos, a “indústria cultural capitalista” cumpriria papel fundamental, o que evidenciaria que as dimensões intelectual e espiritual do capitalismo seriam determinadas pelos processos de apropriação econômica e dominação política. Em “A Sociologia da Dependência”, capítulo do livro Sociologia da sociologia latino-americana, discute a “dependência cultural” com referência à ideia de “produtos ideológicos e científicos” decorrentes das relações imperialistas, que subordinariam os países dependentes em relação aos centros hegemônicos. Assim, a “dependência cultural” não se restringiria à “dependência ideológica”, ainda que opere como fundamento da “ideologia da dependência”. Esse seria, portanto, o “nível em que se produz e manifesta a cultura da dependência” (Ianni, 1976b: 173).

Ianni chama a atenção para as relações militares estabelecidas entre os Estados Unidos e os diferentes países latino-americanos, considerando importante discutir como decisões políticas fundamentais teriam se movimentado do âmbito dos partidos políticos para a esfera das Forças Armadas. O autor destaca a ampliação dos investimentos militares dos Estados Unidos na América Latina, que teriam como objetivo recrudescer sua posição no continente, contrária aos avanços do socialismo, cujo exemplo paradigmático, o da Revolução Cubana, gerava temor significativo. Tanto em Imperialismo y cultura de la violencia en América Latina como em Imperialismo e cultura, Ianni trata dos treinamentos constantes ofertados pelos Estados Unidos aos militares latino-americanos, especialmente no governo de John F. Kennedy (1961-1963) (Ianni, 1971, 1976). A política contrainsurrecional promovida pelos Estados Unidos teria contribuído para o estreitamento das relações militares com a América Latina, gerando a transição da doutrina de “defesa nacional” para o princípio referente à “segurança nacional” (Ianni, 1976: 98). Conforme discute, a “segurança interna” de cada país da América Latina teria passado a ser imediatamente relacionada à ideia da “segurança continental”, o que realçaria decisivamente a atuação política das Forças Armadas através da “ação cívica” e da “contrainsurreição”, culminando nos diversos golpes civis-militares que assolaram a região nos anos 1960 e 1970. Portanto, suas proposições sobre a relação entre imperialismo e dependência ressaltam a interação entre consenso e conflito como uma dimensão crucial da análise.

Assim, segundo Ianni, encontrar-se-ia em curso a continentalização dos problemas nacionais latino-americanos, sob a égide dos Estados Unidos, o que teria contribuído para alterar a dinâmica do confronto e da luta de classes, ao demarcar o caráter internacionalizado da burguesia e do proletariado. Haveria, desse modo, uma relação de reciprocidade e retroalimentação entre a dominação imperialista e a violência perpetrada contra as populações latino-americanas. O imperialismo teria engendrado, fundamentalmente, uma “cultura da violência”, que se desdobraria em uma “cultura do fascismo”, o que não excluiria o fato de que as classes subalternas mobilizariam esforços para constituir formas de ação coletiva a fim de se oporem à dominação imperialista e à sua articulação com as burguesias latino-americanas (Ianni, 1970, 1976). Em suma, para Ianni, a violência empregada pelo imperialismo se manifestaria tanto através de técnicas de manipulação dos comportamentos e da opinião pública, garantindo o consenso, quanto por meio da guerra contra as possibilidades de mudanças políticas e econômicas nas sociedades dependentes, recrudescendo a luta e os conflitos entre classes.

III

Em belo texto publicado na BVPS, André Botelho (2024) chama a atenção para o caráter vivo da obra de Octavio Ianni, cuja capacidade de interpelação estimularia, sem perder de vista a importância da utopia, a busca por elaborações renovadas para novos e velhos problemas sociais e sociológicos. Dessa forma, entendo que a articulação entre “imperialismo” e “dependência”, proposta por Ianni, pode ofertar uma visão crítica para os dilemas contemporâneos dos imperativos de reprodução ampliada do capital. Podemos lembrar que o atual governo de Donald Trump, cujos interesses nas terras raras ucranianas, no controle da Faixa de Gaza, na compra da Groenlândia, na anexação do Canal do Panamá e, mesmo, na transformação do Canadá em um estado dos Estados Unidos, para ficarmos com alguns exemplos, vêm sendo debatidos publicamente como uma nova manifestação de tendências imperialistas. Além disso, as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros podem ser entendidas – para além das justificativas do presidente estadunidense – como uma ampliação da “crise de hegemonia” dos Estados Unidos, discutida por Ianni (1976). A despeito da dependência dos países latino-americanos em relação aos Estados Unidos, o sociólogo paulista trata as divergências e os antagonismos que teriam se desenvolvido na década de 1970. Estes se exprimiriam por meio de uma “crise de hegemonia” daquele país, frente ao processo de multipolarização em curso – cuja ampliação se deu de forma significativa na atualidade, uma vez que a China se converteu no principal parceiro comercial do Brasil –, que estaria atenuando seu predomínio nos negócios mundiais. Portanto, não seria exagero dizer que a sociologia histórica de Octavio Ianni possui uma força sociológica que pode nos interpelar teoricamente na análise dos problemas contemporâneos, uma vez que categorias como “imperialismo” e “dependência” podem nos oferecer recursos para a compreensão e a explicação dos problemas candentes da contemporaneidade.


Referências 

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Sobre o autor

Karim Helayel é doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGSA/UFRJ), onde desenvolve, atualmente, estágio de pós-doutoramento com bolsa do CNPq. Suas pesquisas se concentram especialmente na área de Pensamento Social Brasileiro e Sociologia Política.