BVPS | SILVIANO SANTIAGO 90+ | Uma revoada de vagalumes – reescrita

Silviano Santiago comemora hoje 90 anos. Em nome da BVPS, parabenizamos o escritor que recriou, na crítica e na ficção, e na transgressão entre suas fronteiras, uma vida fascinante. Uma não, várias vidas. Na dele, Silviano, na da cultura brasileira e nas muitas vidas transformadas de leitores e leitoras. Sou um desses.

Mestre único nas grafias da vida, Silviano está tendo um ano intenso de publicações, a vida do escritor. Saíram a segunda edição do seu primeiro livro Carlos Drummond de Andrade (pela coleção Clássicos brasileiros das Ciências Sociais da editora Vozes) e o livro que até recentemente se dava por perdido, projetado graficamente por seu amigo Hélio Oiticica. XXXV também integra exposição imperdível na galeria Pinakotheke no Rio de Janeiro. E já que é de vidas silvianas que estamos falando, não custa lembrar que a sua biografia, intitulada Presente do acaso, escrita pelo jornalista João Pombo Barile, acaba de ganhar o Jabuti Acadêmico em Literatura desse ano.

Mas, o ano ainda traz mais, um ano inquieto como Silviano. Vale quanto pesa, em sua segunda edição traz um experimento de hospedagem, de reescrita por parte de jovens críticos dos textos de Silviano. E está sendo lançado na Coleção Pensamento politico-social da editora Hucitec. Glossário Silviano Santiago sai em novembro, pela editora Papéis selvagens. Ambos os livros foram publicados originalmente como séries aqui no Blog da BVPS. E, por último (até o momento), mas não menos importante, a Companhia das Letras traz nova edição, bastante revista, de Viagem ao México – um dos livros fundantes da obra de Silviano.

Nest post, convidamos o organizador do Glossário Silviano Santiago, Mario Cámara, e um dos organizadores de Vale quanto pesa, Gabriel Martins da Silva, para escreverem sobre os respectivos lançamentos. Com isso, encerramos a série especial SILVIANO SANTIAGO 90+. Nela, procuramos cruzar passado e futuro do escritor. Parece bem apropriado, agora, que cheguemos ao presente – essa espécie de entre-lugar, a um só tempo inescapável e indefinido.

Deixo ao amigo Silvano meu abraço lembrando um dos seus mestres, André Gide: “O que há de mais precioso de nós mesmos é o que fica por dizer”.

André Botelho

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Coluna Primeiros Escritos | Aprendendo a ler os entre-lugares: notas sobre Silviano Santiago e o cosmopolitismo, por Guilherme Prates

No mês de postagens da SILVIANO SANTIAGO 90+, em homenagem aos 90 anos do escritor mineiro na BVPS, não poderia faltar um texto na coluna Primeiros Escritos, voltada à estudantes de pós-graduação. Talvez não exista mesmo maior homenagem a um autor do que saber que sua obra continua viva, interpelando e suscitando perguntas e dedicação por parte das novas gerações – no caso, novíssima geração, ainda em formação.

Guilherme Prates, mestrando no PPGS/UFRJ, nos conta um pouco dos desafios de pesquisar a obra instigante, complexa e vasta de Silviano. A despeito de um recorte específico – no seu caso, a questão do cosmopolitismo do pobre – faz-se necessário percorrer o conjunto da obra, no geral e no detalhe, pois o pensamento de Silviano é reescrito permanentemente e suas categorias analíticas são não apenas transversais, mas vão ganhando novas camadas de significado a cada momento. Mas o desafio é tão estimulante e prazeroso que o texto de Guilherme, além de um testemunho pessoal, é também um convite para novos interlocutores e diálogos que, a essa altura, vão se avolumando numa fortuna crítica cada vez mais importante, dentro e fora do Brasil, na literatura, no cinema e também na sociologia.

Parabéns Silviano Santiago e parabéns ao Silviano Santiago que se faz e refaz também como tema de estudos e interesse da juventude.

Aproveitamos para lembrar que a coluna Primeiros Escritos segue aberta para contribuições de estudantes de pós-graduação. Para conhecer mais sobre a iniciativa, clique aqui.

Boa leitura!

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BVPS | SILVIANO SANTIAGO 90+ | Drummond, Camões & Silviano: história da trajetória do livro, por João Pombo Barile

Dando continuidade aos posts da SILVIANO SANTIAGO 90+, em homenagem aos 90 anos do escritor mineiro, publicamos “Drummond, Camões & Silviano: história da trajetória do livro”, de João Pombo Barile.

Barile acompanha o percurso do livro de Silviano Santiago sobre Carlos Drummond de Andrade, desde os primeiros encontros do crítico com a poesia do autor de Claro Enigma até a publicação da obra, em 1976. A história passa pela aproximação entre Drummond e Camões, pela amizade entre os escritores e pelos desencontros em torno da edição do livro. Ao final, uma carta de Drummond a Silviano escrita em 1974, encontrada recentemente no acervo do escritor, lança nova luz sobre essa trajetória e sobre a relação de admiração e confiança entre os dois.

Não perca, nas próximas semanas, novos posts em homenagem a Silviano Santiago.

Boa leitura!

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BVPS | SILVIANO SANTIAGO 90+ | Uma revoada de vagalumes

No mês do aniversário de 90 anos de idade de Silviano Santiago e no ano em que se comemora 70 anos de publicação de Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, leitoras e leitores da BVPS ganham como presente um ensaio inédito do autor de Genealogia da ferocidade: ensaio sobre Grande sertão (2017).

O texto que publicamos esta tarde parte do conto “As margens da alegria”, de Rosa, para dialogar com Sobrevivência dos vagalumes, do crítico francês Georges Didi-Huberman. Acompanhando o menino que, em Brasília, testemunha o contraste entre a mata destruída e a cidade em construção, entre a beleza de um peru e sua degola, Silviano recupera paradigmas, como o da morte e da beleza, para pensar a permanência da poesia em tempos sombrios.

Evocando vozes como as de Pasolini, Bernanos, Clarice Lispector e Ernst Bloch, Silviano sugere que a arte, como a luz intermitente de um vagalume, resiste – clandestina e frágil – às pressões obscurantistas do presente. Saber vaga-lume: em meio à escuridão, a luz forte cega.

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