Um anel atravessa séculos. Troca de mãos entre reis, impostores, advogados, ministros. Une episódios historicamente desconexos. E se torna o ponto de partida para Renato Ortiz refletir sobre a tensão entre continuidade e descontinuidade no mundo contemporâneo, onde o desejo corre atrás do vazio e o consumo transforma tudo em episódios isolados: o vinho, a roupa, a paisagem. Inspirado por Ítalo Calvino, Ortiz nos convida a pensar sobre o que ainda sustenta o fio da experiência.
Renato Ortiz parte de um historiador quase esquecido para iluminar um fenômeno atual: a crença coletiva em explicações implausíveis. Em “Implausibilidade”, Henry Thomas Buckle é resgatado como exemplo de que certos discursos fantasiosos, embora falsos, podem ganhar força social duradoura, seja no século XIX, seja na era das fake news. A questão do texto é direta: o que torna plausível aquilo que claramente não é? Ortiz nos convida a refletir sobre os mecanismos sociais que sustentam narrativas absurdas, mas eficazes. Sugerindo que, muitas vezes, não é a verdade que importa, mas o contexto que a molda.
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O que distingue o sacrifício humano da violência colonial? Ambos envolvem a morte, sim, mas a maneira como ela se inscreve no mundo é radicalmente diferente. Em sua coluna desta semana, Renato Ortiz retoma a conquista das Américas para refletir sobre duas modalidades de violência que marcaram o encontro entre mundos. A partir de autores como Anthony Pagden, Todorov e Marcel Mauss, o texto percorre debates, mostrando os contrastes entre a lógica do sacrifício e da dominação colonial. Ortiz sugere uma distinção: no sacrifício, há comunicação; na violência colonial, apenas destruição. Mas não se enganem, essa é apenas uma das camadas. Vale a leitura!
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A morte de Heloisa Teixeira (ex-Buarque de Hollanda) movimenta afetos e memórias, e Ítalo Moriconi a transforma em matéria viva de reflexão sobre escrita, legado e intimidade. Em “De onde vem isso”, novo texto de sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo, Moriconi registra os dias que se seguiram à notícia do falecimento de Helô — das hesitações sobre ir ou não ao velório às anotações sobre o impacto dessa figura central da cultura e da crítica literária no Brasil. A escrita é íntima. Entrelaça o luto à história das gerações intelectuais, às tramas sobre nome e identidade: “Ítalo Jr. transforma-se agora em Sênior”. E também aborda os vínculos, como os que ligam Helô, Ana Cristina Cesar, Beatriz Resende e o próprio autor. Resta algo a ser dito? Um diário que se deixa atravessar pela despedida, sim; mas não hesita em escrever o que se move.
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Em sua coluna desta semana, Renato Ortiz nos oferece Fragmentos II, uma sequência de cenas aparentemente desconexas, mas que se entrelaçam numa mesma inquietação: o modo como organizamos, percebemos e atribuímos sentido às formas da vida cotidiana. De flores oferecidas a Iemanjá que não se vão com o mar, à solenidade do juramento na Biblioteca Bodleiana e a um inesperado diálogo com uma modelo na esteira da academia, emerge um texto sobre razão, desejo, fé e aparência. Fragmentos, sim; mas costurados com precisão sociológica e poética.
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Ítalo Moriconi assina “Ao vencedor, batatas podres (II)”, dando sequência ao post anterior de sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo. Entre política e memória, o texto aborda o cerco ideológico contra as chamadas políticas identitárias, refletindo sobre a intransponibilidade de certas experiências de discriminação. Mas não para por aí: do desmonte urbano no Rio à nostalgia de um Leblon perdido, do cinema como testemunho da história à geopolítica contemporânea, Moriconi traça conexões entre passado e presente, entre a percepção individual e os grandes movimentos sociais, perguntando, afinal, “a quem interessa a tagarelice do poder alucinado de sua própria verdade?”. Como sempre, um olhar inquieto sobre os tempos que correm.
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O que significa compartilhar? O verbo, que se confunde com a ideia de comunhão, carrega em si uma tensão: a divisão da partilha pode unir ou fragmentar. Em sua coluna de hoje, Renato Ortiz revisita esse conceito para analisar a transformação de seu sentido no mundo digital. A internet tornou-se o espaço onde tudo é informação, e a conexão entre indivíduos se faz sem a construção de uma memória comum. O compartilhamento virtual seria, então, um eufemismo para a circulação de mensagens em um ambiente segmentado? Qual a diferença entre vínculo e conexão? A reflexão percorre da solidariedade utópica de Fourier às bolhas digitais contemporâneas, questionando se, na era dos bits, compartilhar ainda significa pertencer. Vale a leitura.
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A coluna Cenas de escrita para um diário íntimo, de Ítalo Moriconi, apresenta hoje Ao vencedor, batatas podres (Parte I), convidando-nos a percorrer uma sequência de reflexões que oscilam entre poesia e comentário político. O texto entrelaça a hesitação entre ser ou não ser poeta com o espanto diante do mundo contemporâneo – das batalhas da geopolítica às disputas pela própria narrativa da história. Ora, o que significa ser poeta quando a realidade insiste em desordenar as palavras? E quando a história se repete, seria possível escapar do eurocentrismo das referências? De São Sebastião à guerra em Israel e ao expansionismo de Trump, Moriconi constrói um texto que confronta, mas também se refaz, buscando na escrita uma forma de resistir ao presente.
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Pode a linguagem recriar o mundo sem traí-lo? Partindo do conto de Borges, Renato Ortiz revisita em sua coluna a relação entre linguagem e mundo, o sonho de um idioma que nomeia as coisas sem distorção e a frustração do imperador que vê seu castelo capturado nos versos de um poeta. A história ecoa um velho desejo: a busca pelo idioma sem hiato entre palavra e realidade, como na língua primordial do Paraíso. Mas e hoje? Se antes temíamos a duplicidade entre o real e sua representação, a hipermodernidade parece impor outro dilema, pois o simulacro já não encobre a verdade, mas a excede. O imperador e o poeta teriam tempos difíceis. Nós também.
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Ítalo Moriconi assina o texto “Política e poesia – Parte II”, dando continuidade ao post anterior publicado em sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo. Na primeira parte, suas reflexões privilegiaram a política; agora, é a poesia que ocupa o centro da cena. Moriconi percorre os debates sobre a possível entrada de Caetano Veloso na ABL, levanta questões sobre poesia, canção e imortalidade e compara hierarquias afetivas e estéticas: Chico, Caetano ou Gil? Poetas de livro ou poetas de canção? ABL ou Nobel? Estas últimas, instituições que tem buscado ícones “pop” e gênios do espetáculo para revitalizar sua imagem. O texto também abre espaço para refletirmos sobre questões de gênero e a relação de Donald Trump com o movimento “antitrans, pró-macho gay”. De ponta a ponta, um mergulho em diversos dilemas contemporâneos.
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O sensacionalismo não é apenas exagero ou distorção, mas uma amplificação do insignificante que transforma o presente em espetáculo. Retomando sua coluna em 2025, Renato Ortiz reflete sobre como o sensacionalismo se tornou uma exigência do contemporâneo, fixando o extraordinário apenas para ser imediatamente esquecido. Afinal, vivemos sob o império do presenteísmo, diz Ortiz: quem não está na imagem, não existe. O texto mergulha no mundo fugaz do cotidiano superlativo para sugerir que esse fenômeno se insere numa lógica maior da comunicação contemporânea. Qual? Vale a leitura.
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Informação, poder, terrorismo, democracia e poemas. A coluna Cenas de escrita para um diário íntimo, de Ítalo Moriconi, retorna com seu primeiro texto do ano: Política e poesia (parte I), percorrendo esses e outros temas às margens do tempo e da política. Situado em janeiro de 2025, o autor discute em seu diário o contemporâneo de violências, monopólios e incertezas democráticas que afetam o cotidiano global. A ambivalência do Facebook e outras plataformas digitais como espaços de expressão e vigilância se tornam um dos seus objetos de reflexão. O terror oriundo da guerra entre Israel e Palestina, outro. Afinal, haveria soluções imediatas para essas questões proeminentes? Em que medida devemos responsabilizar indivíduos nas esferas de poder pelos derramamentos de sangue? Não se limitando a uma análise política convencional, o texto, que continua na próxima edição da coluna, revela-se numa meditação sobre o choque eterno entre poder e resistência, utopia e realidade, da qual também emerge o lirismo do poeta. Não deixe de conferir!
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No último texto do ano de Ítalo Moriconi em sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo, um turbilhão de temas — da nostalgia das bancas de jornal à política da pós-verdade — entrelaça poesia, envelhecimento e os mitos da modernidade. O que significa atravessar o portal da velhice? E como nossa relação com a informação, a verdade e o espetáculo molda os tempos em que vivemos? Perguntas que emergem de um texto que é, ao mesmo tempo, diário, manifesto e invenção literária. A coluna de Ítalo se despede de 2024, mas retorna em 2025 com muitos outros vislumbres reflexivos de seu cotidiano. Não perca!
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Na última edição do ano da coluna de Renato Ortiz (Unicamp), embarcamos em uma viagem à Academia de Lagado, às aspirações de uma língua perfeita, à Revolução Francesa com suas reformas linguísticas, e até ao universo volumoso de Botero. Ortiz articula esses elementos para revelar a linguagem como um campo de tensões, onde o ideal de precisão absoluta e o determinismo militante do politicamente correto tentam reduzi-la a uma quimera. Qual? Inaugurada em 31 de julho, Politicamente incorreto é a décima publicação da coluna, que retornará em 2025 com ainda mais reflexões sobre cultura, linguagem, identidade e outros temas inspiradores.
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Chegamos hoje ao quinto texto de Ítalo Moriconi em sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo. Desta vez, Itálo divide conosco mais um trecho de seu diário de viagem à Itália, no início de 2023. Reflexões sobre o tempo – o passado que atrai mais que o futuro – misturam-se a cenas do cotidiano italiano, como a busca por livros, a gastronomia local e as escavações arqueológicas que desvendam camadas subterrâneas da história. Com olhar crítico, Moriconi transita entre temas íntimos e universais: a solidão, as guerras, a memória familiar e os dilemas do presente. Um texto que é ao mesmo tempo introspectivo e expansivo, perfeito para quem busca uma leitura que entrelaça vida, história e literatura.
No ano passado, já publicamos alguns trechos do “Diário na viagem – Itália, 2023”. Para conferi-los, clique aqui e aqui. Outros posts desta coluna podem ser acessados aqui.
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Na edição desta semana da coluna de Renato Ortiz, a fronteira entre a piada e a anedota serve de ponto de partida para uma reflexão que atravessa o humor, a memória e a capacidade reflexiva das metáforas. Partindo de frases emblemáticas como “Você combinou com os russos?” e de uma fictícia conferência de Marx em Araraquara, Ortiz explora como as tramas, curtas ou longas, podem nos transportar para além do “aqui e agora”. Um texto que nos convida a redescobrir o poder das histórias – sejam elas lembradas, testemunhadas ou inventadas. Boa leitura!
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Publicamos hoje o quarto texto de Ítalo Moriconi em sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo, onde o autor entrelaça memórias pessoais e reflexões sobre o Brasil e o mundo contemporâneo. Entre as vibrações de um 7 de Setembro, o comportamento insidioso de Elon Musk e os desafios geopolíticos da era digital, o texto mergulha nas contradições de um país cindido. Há espaço também para homenagens – de Antonio Cicero à poesia de Olga Savary – e provocações sociológicas que transitam entre religião e política. O desfecho, como sempre, carrega a marca inconfundível de Ítalo. Imperdível.
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Conhecido como sinônimo de desprezo e sarcasmo, o cinismo tem raízes em uma filosofia de vida que buscava a sabedoria na simplicidade e na contestação. Em sua coluna de hoje, Renato Ortiz nos conduz por um trajeto que vai de Diógenes, o apátrida, a Bernie Gunther, protagonista dos romances policiais de Philip Kerr, cujas aventuras na Alemanha nazista expõem as complexas relações entre moralidade e sobrevivência. O que torna um cínico, cercado pela violência e pela desumanização, um personagem de virtude? O texto é um convite à reflexão sobre ética, tragédia e a resistência diante do absurdo.
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Publicamos hoje o terceiro texto de Ítalo Moriconi em sua coluna Cenas de escrita para um diário íntimo. Intitulado “Diário Marxista”, o autor aborda as nuances entre o “socialismo ideal” e o “real”, o impacto do fim da União Soviética, a persistência dos valores marxistas em um cenário global em transformação e a guerra em curso na Ucrânia. De Marx a Derrida, passando pela inquietude política dos anos 90 e as reconfigurações da esquerda brasileira, Moriconi nos leva a revisitar fantasmas e dilemas, antigos e contemporâneos, questionando o poder do pensamento crítico frente às novas formas de dominação e resistência.
Continue acompanhando, a cada quinze dias, sempre nas manhãs de quinta-feira, as entradas do diário de Ítalo. Para conferir outros posts desta coluna, clique aqui.
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Em sua coluna de hoje, Renato Ortiz revisita uma experiência singular: da classe executiva de um voo até o Palácio de Linares, onde José Saramago e Gabriel García Márquez realizaram a abertura de um evento. Entre o conforto de poltronas amplas, o glamour de coquetéis exclusivos e os flashes de um batalhão de fotógrafos – prenunciando a tormenta – uma inesperada cena de vaidade tomou o palco. O que será que García Márquez “aprontou” a ponto do público se levantar exaltado? Não deixe de conferir o desfecho dessa história.
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